sábado, 26 de novembro de 2011


O Tabernáculo da Fé, seguidores de William Mariron Branham, a Congregação Cristã no Brasil, o Ministério ‘Voz da Verdade’, a igreja do Ricardo Nicotra, ex-adventista, entre outros, dizem que o Batismo para ser verdadeiro deve ser feito em Nome de Jesus. Os motivos são que, embora Mateus 28.19 ordene batizar em nome da Trindade, os apóstolos batizaram em nome de Jesus.

Irei comentar algo sobre esse assunto, e indico para informações históricas, exegéticas e teológicas o artigo do Dr Alderi AQUI.
OS CASOS EM ATOS:

Quero começar dizendo que não existe uniformidade na formula batismal em Atos. Veja:

“[...] em nome de Jesus Cristo [...]” Atos 2.38

“[...] em o nome do Senhor Jesus [...] Atos 8.16

“[...] em nome de Jesus Cristo [...]” Atos 10.48

“[...] em o nome do Senhor Jesus [...]” Atos 19.5

Duas expressões usadas. Qual destas? A seita Tabernáculo da Fé diz que o nome ‘Senhor Jesus Cristo’ corresponde aos títulos ‘Pai, Filho e Espírito Santo’. No entanto em Atos isso não foi usado. O profeta de tal seita é muito infantil e alegórico em suas interpretações. Essa é mais uma delas. A CCB faz uma salada, dizendo: ‘em nome de Jesus Cristo te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’! O Ricardo Nicotra dúvida da autenticidade de Mateus 28.19*.

De qualquer forma temos a questão nevrálgica: Por que os Apóstolos não Batizaram em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo?

Antes de apresentar minha resposta quero dizer que rejeito a ideia, defendida por vários, que batizar em nome de Jesus seja sinônimo estético ou doutrinal de Mateus 28.19. Também concordo plenamente com o Dr Alderi que se o Batismo em Nome de Jesus fosse apenas um esforço de se aproximar de uma prática antiga, sem ligação com o modalismo, não teria problema algum.

Agora sim, apresento como resposta as seguintes proposições:

1) A data da composição de Mateus: Mateus escreveu seu evangelho por volta dos anos 60-70 A.D. Isto é, cerca de 30 a 10 dez anos após os acontecimentos de Atos. Talvez você me critique dizendo que de Mateus 28.19 para Atos 2 são dias, e não anos. Aceito a crítica, mas você também deve lembrar que Cristo disse que os Apóstolos deveriam ir para todas a nações e mesmo assim a igreja em Atos teve dificuldade em cumprir isso e precisou receber visões a posteriores, para cumprir essa comissão. Com a divulgação e distribuição do Evangelho de Mateus, que dizem ter sido redigido primeiro em Hebraico, alguns ensinos ficaram mais refinados e outras práticas foram observadas.

O Didaqué em 110 A.D. cita Mateus 28.19, mas também diz do batismo em ‘Nome do Senhor’. Isto é: Parece que a prática de Atos cedeu lugar ao registro de Mateus.

2) Atos um período de nascimento e amadurecimento: Em Atos vemos os cristãos circuncidando-se, cumprindo algumas cerimônias, ao mesmo tempo que começavam a sentir a nova religião cristã amadurecendo. Sendo assim, poderia ser que a preocupação em usar as palavras de Mateus 28.19 fosse substituída por questões circunstanciais?

3) As variações dos evangelhos sinópticos: É reconhecido que existem variações na maneira de registrar de cada Evangelista. Mateus, Marcos e Lucas diferem-se em estilo e ênfase. Se compararmos a Grande Comissão nos três evangelhos podemos encontrar pistas interessantes para o assunto da postagem:

Marcos registra Jesus dizendo apenas ‘quem crer e for batizado’ (16.16). Lucas por sua vez diz ‘que em Seu nome pregasse o arrependimento para perdão dos pecados’(24.47) e Mateus inclui uma ordem de batizar, ‘em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo’(28.19).

Imaginemos, quais destas perspectivas estariam norteando a prática apostólica em Atos? Em última instância, eles acoplaram a perspectiva lucana. ‘Mas Mateus era apóstolo e estava presente, e Lucas não!’ Sim, no entanto Lucas notificou exatamente a perspectiva dominante entre os cristãos primitivos (Lc 1.1-3).

Creio que esses aspectos ‘explicam’ as discrepâncias nas fórmulas batismais.

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* Mateus 28.19 é autêntico? Para Ricardo Nicotra a passagem trinitária de Mt 28.19 foi incluída por alguns após o Concílio de Nicéia. Da página 42 até 55 de seu livro, ele concentra energias para pelo menos colocar em dúvida a autenticidade das palavras de Mt 28.19. Nicotra diz que existe “evidência histórica de que a versão original muito provavelmente tenha sido adulterada.” (EPSU, p. 53). (Nicotra teria descoberto isso e Deus não foi poderoso em preservar a Palavra Dele...?)


1) Ele mostra que citações de Eusébio de Mt 28.19 não incluem as palavras ‘em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’, juntamente com a versão de George Howard. 2) Ele apresenta as referências de fazermos o uso do Nome do Senhor Jesus. 3) Todos os batismos realizados em Atos foram feitos em Nome de Jesus. 4) Nenhum outro uso do Nome do Pai do Filho e do Espírito Santo foi usado na Bíblia. 5) Várias autoridades históricas são invocadas para indicar o Batismo em nome de Cristo, ao passo que o batismo, conforme Mt 28.19, seria um desvio.


Analisemos as objeções


1) Sobre Eusébio, Nicotra diz: “Na maioria das vezes suas citações de Mateus 28:19 eram muito semelhantes a esta: “Ide e fazei discípulos de todas as nações em meu nome, ensinando os a observar todas as coisas que eu vos tenho ordenado [...] Temos plena convicção de que se os manuscritos que Eusébio tinha diante de seus olhos dissessem “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” ele jamais teria citado como citou “em meu nome” apenas.” (EPSU, p. 53). Mas depois ele acrescenta duas informações que deixam essa ‘prova’ em suspense:


A) “Segundo a Enciclopédia de Religião e Ética, volume 2, pág. 380, Eusébio citou 21 vezes a comissão de Mateus 28, ou omitindo tudo entre “nações” e “ensinando-os” ou, na forma mais frequente, “fazei discípulos de todas as nações em meu nome”.


B) “É interessante notar que no final de sua vida, após o Concílio de Nicéia, Eusébio incluiu em obras como “Contra Marcelo de Ancira” e “Sobre a Teologia da Igreja” citações de Mateus 28:19 incluindo o batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”


Conclusão: Ricardo Nicotra gira em torno de ‘evidências’ subjetivas. As provas são inconstantes, pois Eusébio não foi textualmente fiel em suas citações, como ele mesmo atestou. Mas mesmo assim, citou o batismo trinitário! Nicotra dificilmente aceitaria 1 João 5.7 por causa da citação de Cipriano, que disse em 250 AD as palavras trinitárias! A ‘prova’ apresentada em torno de Eusébio não é confirmada por nenhum manuscrito. E mesmo que fosse, tais ainda seriam contados e/ou pesados!


Sobre George Howard: Esse mesmo estudioso incluiu o tetragrama no NT para alegria das Testemunhas de Jeová. Um tempo depois rejeitou, ele mesmo, a teoria que apresentou.


Sobre a versão que ele exibe, sem nenhuma prova de um MSS sequer, é impossível agradar até mesmo Nicotra:


““18 Jesus, aproximando-se deles, disse-lhes: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. 19 Ide 20 e ensinai-os a observar todas as coisas que vos ordenei para sempre.” - Mateus 28:18-20. (Na Tradução de George Howard em Hebraico). Por essa versão de Howard nem mesmo o batismo Jesus teria ordenado.


2) 36 textos que ensinam usar o nome de Jesus: Não temos o que dizer aqui. Pois não se trata nenhuma objeção ao ensino de Mt 28.19.


3) Correto. Com isso discordo quando ministros evangélicos celebram casamentos ou oram em Nome do Pai do Filho e do Espírito Santo. Mas não posso discordar de Mt 28.19.


4) Autoridades históricas citadas na página 50: O batismo foi mudado pela igreja católica no segundo século? A fonte não tem a concepção protestante de igreja católica, pois todos sabemos que a Igreja Romano surgiu bem depois. O DIDAQUÊ um documento do fim do primeiro século início do segundo (cerca de 110 AD) já fazia menção do batismo no nome da trindade! Além também de dizer que o ‘batismo era feito no nome do Senhor’...


A citação de Justino é ainda mais problemática. Pois ele estava aqui nesse mundo por volta de 165 AD!!! Se o Didaquê e Justino afirmam o batismo trinitário (com base em Mt) o argumento de Nicotra que o trinitarismo surgiu por volta do sec. IV, vai por água abaixo.


Mateus 28.19 é um forte testemunho em favor da Trindade, mas claro que não é o único. Ricardo Nicotra serviu na verdade, a causa do diabo, quando atacou a confiabilidade bíblica, para atacar a doutrina Trinitariana.

Concluo com uma parte da Teologia Sistemática Trinitariana:

“Na grande comissão missionária para a evangelização das nações como testemunho de Jesus Cristo, pelo poder do Espírito Santo que fora enviado pelo Pai:


“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.” (Mt 28:19). Esse versículo do fim do evangelho de Mateus, certamente é o mais conhecido quando se menciona a doutrina trinitariana. Fica mais do que evidente a existência das três pessoas da Divindade e que são o mesmo Deus, pois Deus não compartilharia essa glória de batizar discípulos Seus de todas as nações com mais ninguém que não "participasse" da natureza divina, ou melhor, que fosse Deus. Cristo disse "em nome" e não "nos nomes". Portanto, Pai, Filho e Espírito Santo representam o nome de Deus.” (p.139).

Fonte: MCA

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