quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Elementos fracos e miseráveis

Gálatas 4, dos versos 8 ao 11 diz: “Outrora, é verdade que, não conhecendo a Deus, servistes a deuses que não são deuses, mas agora, conhecendo a Deus, ou melhor, sendo conhecidos de Deus, como é possível voltardes novamente a estes fracos e miseráveis elementos, aos quais vos quereis escravizar outra vez? Observais dias, meses, estações, anos! Receio ter-me afadigado em vão por vós” (Bíblia de Jerusalém).

- Breve análise do versículo:

- Entende-se que após a primeira ida de Paulo à Galácia, houve muitas conversões e muitos eram hebreus. Passado um tempo ele voltou à região e verificou que o povo (por influência de Pedro) estava guardando dias (claro e óbvio que era o sábado), meses e anos. Então ele se choca e lança a pergunta: como voltastes a estes FRACOS E MISERÀVEIS ELEMENTOS (algumas versões está RUDIMENTOS) ? Isso quer dizer que a atitude de guardar sábados semanais, mensais e anuais era uma volta a RUDIMENTOS FRACOS E MISERÁVEIS. Isso está bem claro no texto. Outro ponto que ele define bem é que eles, fazendo isso, ou seja, guardando os sábados, estavam se escravizando novamente. Por fim, ele simplesmente lamentou ter trabalhado em vão com eles por essa volta ao passado. E ainda Paulo usa uma expressão que refletia seu cansaço com essas práticas: “Observai dias, meses e anos”.

Já algum tempo que venho refutando adventistas que nos escrevem bravos, revoltados, pedindo para irmos fazer debates com o pessoal da TV Novo Tempo, enfim, isso é quase todos os dias. Até xingamentos aparecem, provando que quem escreve isso não é convertido. Em todas as respostas, além de explicar que o CACP não tem interesse em debates, eu lanço um desafio, de modo que se a pessoa quiser ler este texto de Gálatas com um coração aberto, ela jamais vai afirmar que estou errado. Errado em que idéia? Na seguinte: “qualquer cristão que guarde sábado, domingo, enfim, qualquer dia que seja, VOLTOU A FRACOS E MISERÁVEIS ELEMENTOS. Vou repetir: qualquer cristão que guarde sábado, domingo, enfim, qualquer dia que seja, VOLTOU A FRACOS E MISERÁVEIS ELEMENTOS”.

De um modo geral, as igrejas cristãs usam o domingo como um dia de culto apenas para seguir normas e preceitos legais. É o dia que, por influência católica romana, tornou-se um dia de descanso, as lojas não abrem, as pessoas não trabalham, enfim um tipo de feriado semanal. No entanto, podíamos usar uma terça, ou uma sexta. Isso é irrelevante se levarmos em conta que nosso parâmetro é o apóstolo São Paulo.

Alguns amigos teólogos teimam em querer argumentar sobre questões da Ellen White, do juízo investigativo, da imortalidade da alma e outros pontos para refutar o sábado. Não coaduno com esse método, uma vez que as abordagens bíblicas nem sempre são científicas, como uma pesquisa acadêmica. Na abordagem da interpretação bíblica, pesam questões de cultura, de formação básica teológica, de influência da convivência na infância em determinada denominação e outras. Por exemplo, um membro das Assembléias de Deus, que nasceu nesta igreja, terá toda a abertura mental e de consciência para aceitar naturalmente as doutrinas que lhe foram ensinadas. Provavelmente, refutará as outras doutrinas contrárias à sua até sua idade mais avançada.

Hegel (1) tinha um ensinamento filosófico interessante: a chamada dialética. Em resumo, dialética é um processo de investigação ou pesquisa, cujos elementos são a tese, a antítese e a síntese. A tese é uma afirmação ou situação inicialmente dada. A antítese é uma oposição à tese. Do conflito entre tese e antítese surge a síntese, que é uma situação nova que carrega dentro de si elementos resultantes desse embate. A síntese, então, torna-se uma nova tese, que contrasta com uma nova antítese gerando uma nova síntese, em um processo em cadeia infinito.

Se usarmos idéias refutáveis para a questão do dom da profecia de Ellen White, os estudiosos adventistas encontrarão argumentos e que muitas vezes são sólidos e consistentes. Se tocarmos no assunto juízo investigativo ou na questão da imortalidade da alma, encontrarão até mesmo passagens bíblicas que podem ter uma interpretação diferente e manterem-se na razão deles. Assim, é a dialética, um mostra uma coisa, o outro mostra outra coisa que refuta e vão se degladiando até chegar ou não a um consenso. Na maioria das vezes não se chega a consenso algum.

Assim, o melhor é usar o argumento que se usa nos processos de segurança de aeronaves. Todo piloto, ao iniciar as operações de vôo, ele pega seu “check list” e começa a conferência dos pontos. Tem que verificar muitos e muitos itens do painel e do funcionamento da aeronave, ou avião ou helicóptero. Segundo a Aviação do Exército, se um item estiver acusando problema no CheckList, mesmo que os outros 1000 estejam funcionando perfeitamente, eles não levantam vôos. Entretanto, reportando-me à esta questão, se uma coisinha estiver errada, eles não decolam. Na Bíblia, se uma questão apenas, se um versículo sozinho for capaz de derrubar uma doutrina, então não decola.

Além disso, a prática condenável por Paulo no texto lido, diz que eram dias, meses e anos. Uma coisa interessantíssima é que os adventistas não ensinam e não guardam os sábados mensais e os anuais, apenas os semanais. Isso implica em dizer que, se Paulo não tivesse recriminado a atitude dos gálatas de voltar a guardar dias, meses e ano, os adventistas estariam errado também, porque não guardam o sábado mensal e nem o anual. Qualquer pessoa que leia a Bíblia já observou que, quando Deus se dirige ao seu povo para a guarda sabática, Ele diz os “meus sábados”. Ora, claro que ele se referia aos tipos de sábados e não ao sábado semanal, como conhecemos. Questão de vernáculo e semântica facilmente compreensiva.

Fechando, desafio a qualquer adventista, cristão judaizante e outros que guardam o sábado e o defendem com ferro e fogo a me provarem que Paulo defendeu a guarda do Sábado. Ao contrário, Paulo disse que eles VOLTAVAM A ELEMENTOS FRACOS E MISERÁVEIS, com a prática de guardar dias, meses e anos. Na contrapartida, desafio a algum adventista ou outro líder que defenda a guarda do sábado a me dizer que não é isso que Paulo quis dizer. Se conseguir, me torno adventista.


(1) Georg Wilhelm Friedrich Hegel (Estugarda, 27 de agosto de 1770 — Berlim, 14 de novembro de 1831) foi um filósofo alemão. Recebeu sua formação no Tübinger Stift (seminário da Igreja Protestante em Württemberg).

Por: Pr. Aureo Ribeiro

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