segunda-feira, 23 de julho de 2018

O Reino dos Céus: o joio e o trigo

Mateus 13.24.43

A parábola do joio e do trigo apresenta muitas verdades sobre o Reino dos céus. É uma parábola de julgamento que, à semelhança da parábola do semeador, é interpretada por Jesus. Se a parábola do semeador era sobre os tipos de solos que recebiam as sementes, a parábola do joio e do trigo é sobre o Semeador. E este semeador é Jesus – o Filho do Homem.

Estamos diante de uma parábola com dois semeadores. Vejamos cada um deles. O primeiro Semeador é o Filho do Homem. Filho do homem é um dos títulos que Jesus usava para mostrar que, além de divino, era, também, humano. Assim quem está semeando a boa semente no mundo é o próprio Jesus. A boa semente são os filhos do Reino ensina a parábola. Ou seja, é Jesus quem transforma pessoas de filhos da ira em filhos do Reino e as coloca no mundo para produzir bons frutos e serem sal e luz no chão da vida.

O Semeador é o dono do campo, isto é, o dono do mundo. Jesus é o Rei e o proprietário do mundo. Exerce sua soberania sobre todas as coisas. Apesar de ser o Rei do mundo, permite ao outro semeador que semeie as suas sementes de maldade. Nada está fora ao controle do Semeador. O Semeador colhe o fruto da sua semente e o da semente do Maligno. Depois que o trigo e o joio crescerem, serão colhidos. Um para o Reino do Pai e outro para a fornalha ardente.

O outro Semeador é o Maligno. É o inimigo. É o diabo. É o que semeia os filhos do maligno. Em Roma era comum semear pragas nos campos. Havia até uma lei que proibia isso. Esse semeador maligno é astuto, esperou todos dormirem e semeou o joio no meio do trigo. É assim que o diabo trabalha. Fica esperando um momento oportuno para fazer as suas diabruras. O propósito desse semeador é destruir o trigo. Pois o joio é uma praga para o trigo. Os dois semeiam as suas sementes em todas as camadas da sociedade. Em todos os lugares onde houver ajuntamento humano.

Temos, além de dois semeadores, no texto, duas sementes. Vejamos quais são. A primeira é a boa semente. Essa semente é a do dono do campo. É a semente que ele desejou. São os filhos do Reino. O trigo é o resultado da semente do coração de Jesus. É a planta verdadeira. Que produz fruto verdadeiro. A outra semente é a do joio. São os filhos do maligno.

O joio era uma erva daninha parecida com o trigo. Era conhecida como pseudo-trigo. Era até parecida como trigo, mas na hora de produzir fruto, a diferença era notada. Mateus 7.20. O joio quando é semeado, entrelaça suas raízes às do trigo e rouba os nutrientes. É para isso que os filhos do maligno estão no mundo, para tirar a espiritualidade dos filhos do Reino e fazer com que percam a capacidade de produzir fruto. Mas, como a parábola diz: no final ambos vão produzir fruto. É possível crescer e produzir fruto diante dos intentos malignos.

Os filhos do maligno fazem tropeças as pessoas e praticam o mal. Onde houver um filho do Reino, o maligno semeia um filho dele. Nosso papel não é arrancar os filhos do maligno, mas produzir frutos de justiça. Não dá para saber quem está no Reino e quem não está. Não podemos arrancar ninguém. Precisamos orar para que o Espírito Santo produza o seu fruto em nós.

Além de dois semeadores e duas sementes, este texto possui duas realidades eternas. A primeira realidade é a fornalha ardente. O joio será colhido e queimado no fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes, literalmente ranger de dentes e gritos. Essa realidade é para os filhos do maligno. Aqueles que não foram transformados em filhos do Reino. Esses serão colhidos e enviados ao inferno.

O inferno existe. É uma realidade eterna sem o Rei e sem o reino. É o que chamamos de tormento eterno. Essa realidade é para aqueles que não têm parte com Jesus. O joio será atado em fardos. Fardo de ateus. Fardo de hipócritas. Fardo de mentirosos. Fardos do mais diversos pecados.

Mathew Henry diz que: “haverá pranto e ranger de dentes; um sofrimento inconsolável e uma indignação incurável em relação a Deus, a si mesmos, e de uns para com os outros”.

A outra realidade é o Reino do Pai. É um lugar onde Deus é conhecido como Pai. É um lugar onde Jesus governa sobre todas as coisas. É um lugar onde os filhos do reino serão justos em plenitude. Ou seja, não haverá mais pecado. É um lugar de plenitude de vida. É o céu, onde não haverá dor.

O fim desta era vai marcar a colheita feita pelos anjos por ordem do Pai e do Filho. Precisamos rogar a Deus que nos faça boas sementes e filhos do Reino por meio de Jesus e, assim, produzir frutos que autenticarão a nossa entrada no Reino do Pai.

Apenas no Evangelho, que discernimos o Reino dos Céus.


Fonte: Napec.org

sábado, 21 de julho de 2018

A ironia do ateísmo

Traduzido por Juliana Pellicer Ruza – Artigo original aqui.

Nota do Editor: No sábado, 24 de março, lideranças ateístas planejam uma “Marcha da Razão” no National Mall, em Washington, D.C. Eles erguerão a razão como sua bandeira, declarando que esta levará pessoas pensantes para longe da crença em Deus.

Em uma ação preventiva, a Patheos Press publicou um e-book com capítulos escritos por William Lane Craig, Sean McDowell, e 11 outros estudiosos cristãos. O texto a seguir é um trecho de True Reason: Christian Responses to the Challenge of Atheism (Verdadeira Razão: Respostas Cristãs ao Desafio do Ateísmo, em tradução livre).

Uma das grandes ironias do movimento ateísta contemporâneo vem do bastante conhecido uso da retórica, branding e gatilhos emocionais para defender a razão. As lideranças ateístas proclamam sua devoção à razão em todas as suas comunicações públicas, normalmente destacando a palavra em negrito nos títulos de seus livros, websites, sociedades e eventos. Por exemplo: Sam Harris, co-fundador e presidente da Project Reason, disse: “Os únicos anjos que precisamos invocar são aqueles de nossa virtude: razão, honestidade e amor.” Christopher Hitchens nos disse, em God Is Not Great (Deus não é Grande, em tradução livre): “Podemos discordar em muitos pontos, mas o que respeitamos é a livre investigação, a mente aberta e a busca de ideias para seu próprio bem.” No documentário da BBC (Canal 4) The Enemies of Reason (Os inimigos da Razão, em tradução livre), Richard Dawkins, fundador da The Richard Dawkins Foundation for Reason and Science, declara, “A razão construiu o mundo moderno.” Dawkins, Daniel Dennett, e Michael Shermer foram a extremos para argumentar que os ateístas deveriam realmente ser chamados de “brilhantes”, à luz de sua insistência em uma abordagem racional de todo o conhecimento. Ao longo de seus livros, palestras e websites, os neoateístas repetidamente promovem sua lealdade à glória da razão.

Isto não é um acontecimento recente: os “novos” ateístas dificilmente são os primeiros ateístas a reclamar a marca da razão para si. Na peça de Aristófanes, Os Cavaleiros, escrita em 424 a.C., Demóstenes pergunta a Nícias: “Então você acredita que os deuses existem?… Que prova você tem?” Há uma tradição já estabelecida que conecta o ceticismo da religião com o amor pela razão. Mas algumas destas ligações são mais duvidosas que outras. Por exemplo, durante a Revolução Francesa, um “Culto da Razão” saquearam igrejas por sua prata e ouro e “converteram” estas igrejas em Templos da Razão. No “Festival da Razão” endossado pelo governo, que acompanhou este movimento, uma jovem foi apresentada como “Deusa da Razão”.

Em outros tempos, a ligação foi apresentada de forma exagerada, sem referência a pesquisas históricas ou sociológicas sérias. Para dar apenas dois exemplos, Nietzsche escreveu que “todos os fundadores de religiões e seus semelhantes… estão sedentos por coisas que são contrárias à razão e não colocam muitos obstáculos no caminho para satisfazê-las.” (ênfase do autor). Mais recentemente, H. L. Mencken disse, “A religião é fundamentalmente oposta a tudo o que eu venero  — coragem, pensamento esclarecido, honestidade, justiça e, acima de tudo, amor à verdade.”

Como os ateístas honram a Deus sem se dar conta disso?

Para os neoateístas, assim como para alguns dos antigos, a paixão pela razão aparentemente motiva aversão visceral pela religião. Como Harris disse, “A fé religiosa é a espécie de ignorância humana que não admitirá nem mesmo a possibilidade de correção.” Dawkins chegou, ainda ao ponto de dizer que molestar crianças “pode ser menos danoso, em longo prazo” do que dar a elas uma educação religiosa.

Apesar de tais ataques, como cristãos, ficamos encantados por aqueles que se consideram nossos oponentes serem tão admiradores tão apaixonados da razão. Afinal de contas, é conhecido que Jesus proclamou que o mais importante mandamento incluía amar a Deus “com todo seu entendimento” (Mc. 12:30). Então ironicamente, cremos que os ateístas honram a Deus, sem saber, quando argumentam bem.
Os contrastes são claros: os ateístas declaram que a religião é a principal barreira à razão. Os cristãos creem em nossa capacidade da razão vem de termos sido criados à imagem do deus onisciente, e o uso ativo da razão é uma forma importante de honrá-lo. Os ateus se promovem como uma comunidade unida pela razão. Os cristãos se maravilham em como este grupo se reúne, mesmo quando seu líder mais proeminente, Richard Dawkins, defende que a evolução favorece o gene do egoísmo, não o grupo racional. Os ateístas trabalham duro para erradicar a religião pelo bem de um futuro melhor. Os cristãos se surpreendem pelo fato de os ateístas tão alegremente ignoram o fato científico de que, se a religião é uma falsa consolação, o futuro sempre termina na morte.

O Ateísmo Impede a Reflexão

O líder ateísta Sam Harris diz que “a fé impede o diálogo.” Os cristãos respondem que Harris também disse que nenhum de nós é “o autor de seus pensamentos e ações, da forma como a maioria das pessoas supõe.” A cosmovisão reducionista, determinista e materialista de muitos ateus parece, a cristãos racionais, excluir a existência de coisas transcendentes, imateriais, como as proposições, as regras de lógica e, acima de tudo, a própria existência da mente.

Estes não são espantalhos, mas sim uma descrição de quantos ateus também veem os limites. Considere o famoso discurso de Madalyn Murray O’Hair’s sobre o ateísmo, proferido em 1962:

Devemos olhar para a filosofia materialista que sozinha permite aos homens entender a realidade e sobre como lidar com isso… O ateísmo se baseia na filosofia materialista, que defende que não existe nada além dos fenômenos naturais. Não há forças sobrenaturais ou entidades, nem pode haver nada disso. A natureza simplesmente existe. Mas há aqueles que negam isso, que afirmam que apenas a mente ou a ideia ou o espírito é primitivo. Esta questão da relação da mente humana com o ser material é uma das questão com que todos os filósofos lidam, ainda que satisfatoriamente. O ateu deve penetrar por toda a obscurescência, até o fundamento, à ideia básica de que aqueles que consideram a natureza como primitiva e o pensamento como uma propriedade (ou função) da matéria pertencem ao campo do materialismo, e que aqueles que ainda afirmam que o espírito ou ideia ou mente existiam antes da natureza, ou criaram a natureza ou sustentam a natureza, pertencem ao campo do idealismo. Todas as religiões convencionais são baseadas no idealismo.

Esta é a questão: temos mentes, ou somos processadores neurológicos similares a robôs? E qual visão de mundo pode lidar melhor com a existência e o uso da razão?

Em resumo, [True Reason] desafia diretamente os objetivos de comunidades ateístas organizadas. Nossa esperança é o que eles temem: a revitalização da fé e do Cristianismo pensante. Sua identidade como indivíduos racionais depende da verdade da nossa cosmovisão. Seus ideais comuns de honestidade, liberdade, amor e justiça são emprestados da Bíblia. A própria existência de cristãos racionais respondendo à retórica ateísta enfraquece a falácia de sua descrição das pessoas religiosas.

Fonte: Napec.org

quinta-feira, 19 de julho de 2018

“[…] e o mais Ele fará”

Texto: Sl. 37: 1- 40 (1-7).

Paciência não é uma virtude que se adquire com facilidade (Rm.5.3-4). É necessário “tempo” para que se conquiste. É um bem raro não só aos jovens, mas também aos mais velhos. Talvez mais aos jovens por ter de olhar o mundo sob certa expectativa futurista. Há sempre um “algo mais” no qual o jovem quer agarrar, fazer acontecer, explorar. Doutra parte, o homem mais vivido também tem gana, desejos. Todavia, este homem o tem sob um ponto de vista mais retroativo, com reflexos do passado. O seu passado é maior do que o seu futuro, então, ele dá passos curtos.

Assim, o futuro pode ser melhor visto se olhado para trás. Observemos se não é isto que o salmista faz!

Explicando o texto:

Este Salmo aborda uma realidade existente ainda hoje: a gritante desigualdade e o aparente descaso de Deus diante do certo e do errado, do justo e do injusto. A prosperidade do ímpio incomodou o salmista. “Não é justo o erro, não é justo o injusto prosperar”, queixa-se o salmista.

Inicialmente, o salmo poderia levar os seus leitores à indignação e ao pecado, mas de imediato o autor do salmo procura exortar-nos que tal atitude é errada. É inconsistente a visão de que Deus nada faz. Evoca-se paciência e confiança em Deus e em sua bondade. O Senhor do Tempo tem reservado aos ímpios o seu fim merecido.

Temos um salmo didático. Nota após nota é salientemente instrutiva. Temos um homem que viveu o suficiente para instruir o jovem crente à maneira como deve ver a realidade deste mundo: paciência, sabedoria, confiança nos cuidados de Deus.

O salmo começa com uma perspectiva adquirida pela experiência: “Não te indignes…” pelo contrário: “confia”, “agrada-te”, “entrega-te”, “espera” …

Sob esta perspectiva da realidade é que se entende o que o versículo 5 significa. Temos 40 versículos retratando a realidade de um homem piedoso tentado a todo o momento a desviar os seus olhos do Deus Provedor e colocar a confiança na segurança de seus próprios braços. Percebe o perigo da miopia espiritual, caso deixe escapar uma mínima sobra de incredulidade acerca da bondade e cuidado amoroso do Deus YAWEH. Aquele “e o mais” pode parecer insignificante, mas, a cada dia, pequenas olhadelas para os lados poderão tornar o crente completamente cego. Sim. O ‘e o mais’ pode crescer a tal ponto que o crente não mais enxergará a mão de Deus a dirigir-lhe a vida.

Em primeiro instante, o salmista poderia sugerir aos mais jovens a seguinte ideia: “deleita-te no Senhor e, então, o que você deseja Ele fara”. Mas esta não é toda a verdade. O salmista parece ensinar que, “uma vez que o crente se deleita no Senhor, o que ele mais quererá é realizar a vontade do Senhor”. Ora, o que mais desejam aqueles que sentem prazer em seu Deus?

Deste modo, como poder aplicar esta realidade do salmista à nossa vida? Ele infere esta verdade: a fé não busca pelo “o mais”, ela procura por Deus.

Aplicando o texto:

Três lições apresentadas pelo salmista nos instruirão nesta vida a fim de que os “e o mais” não sejam o “tudo” o quanto desejamos:

Entenda-se que, segundo o salmista, Satisfação em Deus deve vir antes da realização pessoal (4):

Deus é o início e o fim principal para quem e para o qual fomos feitos. Consequentemente, não há realização em nenhuma de suas criaturas ou coisas, senão Nele.

Tal ideia é claramente esboçada pelo salmista nos versículos 12-20). Nestes está salientado o destino dos ímpios e o seu dia que se aproxima. Os olhos dos crentes, porém, estão postos para além das coisas. Quando tentado a por os seus olhos ao mundo em seu redor, o salmista os erguia aos céus e encontrava neles o seu lugar (Sl.11.1-7; 13.1-6; 46.1-11;73.1-28;121.18).

O nosso Senhor Jesus sempre redarguiu os seus discípulos acerca do perigoso fascínio pelos tesouros deste mundo (Mt.6.21). Ele mesmo os rejeitou (Mt.4.9; Hb.12.2)

Qual era a relação que Jesus nutria entre Deus e a sua vontade? (Mt.6:19ss).

Observe que a ideia do versículo 4 é que Deus deve ser o eterno deleite do crente. O salmista põe em contraste os prazeres experimentados pelos homens: o deleite nas coisas é transitório; os deleites por Deus são eternos. O crente examina cuidadosamente os seus motivos de alegria neste mundo. O estado de vida presente não deve apequenar a realidade para a qual a vida humana fora criada. Fomos criados para amar o Criador e não a sua criação. Qualquer substituição de Deus em nossos corações, este seguirá grande demais para os nossos pequenos ídolos (por mais numerosos que sejam).

Observemos o que as Escrituras nos ensinam nos versículos que seguem: “O SENHOR é a porção da minha herança e do meu cálice; tu sustentas a minha sorte” (Sl. 16: 5,6). “Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará” (Jo.16:22).; “Mas agora vou para ti, e digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa em si mesmos.” (Jo.17:13).

Ora, o versículo 4 segue uma ordem lógica: “um coração satisfeito só é possível quando se agrada do Senhor”. Eis a verdadeira posição dos desejos dos crentes: o seu prazer pessoal vem depois de ter sentido o prazer de Deus pelo que é santo.  Ter os desejos do coração realizados por sentir prazer em Deus não quer dizer que o crente obterá tudo o quanto imagina o seu coração. Os seus desejos vãos se desfarão assim como a alegria do ímpio. Os desejos serão os duradouros. Só desejaremos aquilo que Deus deseja, por isto se desmancha o salmista exclamando: “Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia.” (Sl.119:97).

Agostinho de Hipona disse acerca disto: “Ame a Deus e fazes o que queres”. Ora, quem ama a Deus não faz o que quer, senão o que o sujeito de seu amor deseja; isto é, a felicidade do outro.

Que receita para curar a inveja e a indignação que nós, cristãos, muitas vezes somos levados! A inveja dos que prosperam desaparece frente ao fim para o qual o crente vive. Esta inveja morre como a brevidade dos homens. Quem sente prazer por Deus verá a fluidez da vida como aquilo que se vive para uma glória eterna de Deus.

O único bem que o crente terá por toda a eternidade é a presença de Deus. No livro de Gênesis o homem tem o seu começo em Deus e em Apocalipse terá a sua eternidade somente com Deus. Observemos que o que João relata em sua visão sobre os céus perdem todo o brilho diante da Luz da presença de Deus. Lá não haverá mais sol ou luz, mas o próprio Senhor será a sua luz. Deleita-te no Senhor e tudo o quanto desejarás é somente Deus!! Pois é somente Ele o Ser mais desejado nos céus e terra.

Portanto, àqueles que ligam Deus à prosperidade desta vida não almejam os céus. E é assim, pois, ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os ilumina; e reinarão para todo o sempre”(Apc.22:5). Tudo o que se terá para toda a eternidade é a presença de Deus!

Eis a segunda lição: experimentemos aquela Confiança que se entrega sem reserva à capacidade de Deus (5 a,7, 23,24):

Somente uma alma que aprendeu que a sua razão de ser está em Deus dedicará a sua confiança a Ele.  Exige-se no versículo 5 (parte a) aquela atitude de quem descobriu que deleitar-se em Deus vale mais do que qualquer outro prazer neste mundo. Tal pessoa já não encontra mais motivos para cerrar as mãos à vontade do Soberano Senhor e negar-lhe entregar o futuro.

Assim, a forma de não se andar indignado com este mundo de pecado e desordem consiste em “entregar” a Deus o nosso caminho. É interessante, pois o caminho que chamamos de ‘nosso’ já não é mais nosso quando Deus se torna o seu Senhor.

“Entrega o teu caminho ao Senhor”, diz o salmista como que a significar: (a) o teu caminho não é teu, mas de Deus. O crente já não tem nada mais do qual possa chamar de “meu”. Tudo é de Cristo; (b) Deus é o Senhor neste caminho. Senhor é o próprio nome do Deus de Israel, da aliança com o seu povo. Não se trata de um simples nome, mas o nome da Revelação (Êx.3.14). Assim a entrega se baseia no conhecimento que se tem de Deus. Desconheço alguém que se entregue a outrem sem que este outro não lhe tenha sido o seu deleite. Amamos o prazer. E se este prazer é Deus, O teremos para sempre e sem medidas!

Há algumas considerações a serem feitas:

(A) -O preço da entrega é baseado no valor da confiança: Como me entregar a quem não conheço e como conhecer sem me entregar?

(B) – A confiança só aquieta a alma quando “e o mais” está totalmente seguro daquilo que Deus é: “E o mais” se refere às reservas.

(C) – “E o mais” é o mínimo. Se é o mínimo, não significa uma grande incredulidade no coração dos crentes quando estes não se sentem seguros de que Deus é capaz de lhe dar o que necessitam?

Todavia, há sempre um “e o mais” que nos estrangula a alma. É sempre “a tempestade no copo d’agua” que nos rouba a noite de sono. Parece que é este e o mais”, pequenino, ligeiro na mente, quase sem importância, que nos engasga e, de repente, nos leva à explosão. Palavras, atitudes ou ansiedade são percebidas como desnecessárias só depois de “e o mais” não mais ser visto como o essencial.

Devemos recorrer a nossa atenção para o modo como Jesus lidava com “e o mais” em sua vida, conforme Mt.6:25ss. Elenca-se, pelo menos, quatro modos. São eles:

(A) – Como escala de valores: homens valem mais do que as coisas (25).
Todavia, os homens invertem os valores tornando-se menos quando supervalorizam as coisas que existem para lhes servirem. A roupa é para o corpo e não o corpo escravo da roupa. O corpo vale mais do que a roupa e a comida (25). O próprio Karl Marx criticou a modernidade por esta inversão de valores. Damos aos objetos valores metafísicos!

(B) – O dia de hoje vale mais do que a possibilidade de o dia de amanhã (26,27): com isto, Jesus não incentiva à vida desregrada ou preguiçosa, mas “à poesia” de se viver a fé! A vida é para Deus. É Deus que a sustenta, afirma Jesus.

C) – No fim de tudo, a única certeza é que qualquer garantia é sustentada por Deus (27-32). Jesus põe o homem numa correta relação com a natureza e com Deus. A natureza, tanto quanto os homens, estão submissos a Deus.

(D) – Jesus não se ilude com a vida (33,34): a justiça de Deus deve ser buscada em detrimento de que? Injustiça no mundo! O mal está junto à certeza da presença de Deus- “basta a cada dia o seu mal.” Precisamente neste ponto, a comparar Mt.6.33 com Salmo 37.4, o “deleite” para com Deus vem antes de minhas necessidades mais básicas.

De que forma isto se aproxima à visão de vida do salmista?

O salmista não tem visão romântica da vida. Tem a visão da realidade! O crente deve suportar com paciência a aflição aguardando pelo fim, quando o Senhor trará justiça.

A terceira lição está muito próxima à segunda: certifique-se se o teu coração está seguro dos cuidados do Senhor (7,5c, 25):

O crente deveria continuamente pergunta-se se a sua angústia ou insegurança não são oriundos de um coração que não aprendeu a confiar e descansar no seu Deus (Sl.123.1ss).

Aos seus leitores que pareciam estar a ponto de ‘ferverem’ devido ao sucesso dos pecadores, o salmista convida-os ao descanso. Depois de deleitar-se no Senhor, entregar-Lhe o caminho, só resta ao crente descansar Nele.  Descansar é basicamente “ficar em silêncio“.  Observemos que o salmista diz: “descansa e espera.” Não se trata de uma espera cheia de anseio. Daí a noção da entrega. Este descanso e espera seguem juntos à fé do versículo 3 (“confia no Senhor”).

Ora, não há descanso ou espera onde o coração não confia que as mãos de Deus agem melhor do que as suas próprias. A frágil mão que entregou o seu coração a Deus deve aguardar ter-se novamente cheia ao tempo de Deus. Há várias formas de descansarmos em Deus, mas nenhuma promoverá restauração sem que a façamos sem pressa ou tempo estipulado.

O autor sagrado revela o modo correto de olharmos a fluidez deste mundo (9-14) sem que se corra o risco de eternizar o passageiro. Eis o seu alerta: “isto vai acabar mal” (8). Disto decorre a pergunta: “para onde olham os crentes? ” Desviam seus olhos para este “presente estado de coisas”. Ainda que levados a orarem a Deus por suas prementes necessidades, ao fazê-lo o faz revelando que a sua esperança é eterna (Sl121), e:

“Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm.8:18).

O crente não põe os seus olhos nos objetos presentes como prova de fidelidade divina. As bênçãos que podemos receber de Deus neste mundo são insuficientes para revelarem o mínimo que seja de seu amor e bondade. O crente deve ver os prazeres e bênçãos nesta terra apenas como um interlúdio da eternidade com Deus. Conforme C.S.Lewis, devemos aprender que “não é a Alegria em si, um estado mental desejável, que devemos buscar, mas, sim, aquilo para o qual ela apontava. As coisas que evocam alegria não são o verdadeiro objeto da alegria, mas apenas lembretes de uma realidade mais profunda (DOWNING D. C.S.Lewis, o mais relutante dos convertidos, p.143).

Como o crente se utiliza deste mundo?

Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado. (Hb.3:17)

“Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus.” (Cl.3:1).

Talvez alguém questione o lugar da fé, decorrente do versículo 3, uma vez que o salmista (embora não diga que o crente não deva se alegrar nesta vida) procura dirigir os olhos dos salvos à esperança futura: “o que a fé dá a aproveitar? ”. Bem, à tal pergunta, o texto sugere coerentemente que, os crentes têm a preservação da mente em estado de paz e segurança. Os ávidos pela riqueza jamais aceitarão o versículo 16! Mas, lembremo-nos de que foi nesta mesma direção que o apóstolo Paulo dirigiu os seus olhos. Assim desejou aos crentes sofredores de Filipos: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Fl.4:7).

A demais, o crente também encontra estímulo em meio à injustiça.

(A) – O crente é alimentado com o fruto da fé: o seu caminho é seguro, pois, “Os passos de um homem bom são confirmados pelo SENHOR, e deleita-se no seu caminho.” (Sl.37:23).

(B) – O crente é encorajado a continuar a fazer o bem, mesmo que sofra. A recomendação é “aparta-te do mal e faze o bem”. Ainda que empreste ao ímpio e não receba (21); ainda que o ímpio explore o pobre (12,14).  O bem deve ser realizado pelo crente, apesar de parecer injusto. Contra a nossa “justa indignação” o salmista nos consola ensinando-nos como continuar pagando o mal com o bem: “O Senhor firma os passos do homem bom […]”; “Espera no Senhor e segue o seu caminho […]” (23,34). Contrário ao pagamento que se recebe do mundo, a Bíblia diz:

“E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem.” (II Tss.3:13) e “Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses.” (Lc.6:29)

Conclusão:

Vejamos, por conseguinte, a orientação de Calvino:

“Quanto mais ousadamente uma pessoa faz pouco de Deus e segue em direção a todo excesso de impiedade, tanto mais feliz parece ser a sua vida. E visto que a prosperidade aparenta ser um emblema do favor divino para com os ímpios, que conclusão, dirá alguém, se poderá extrair disto, senão que, ou o mundo é governado pelo acaso, e que a fortuna exerce a soberania, ou que Deus não faz diferença alguma entre os bons e os maus? O Espírito de Deus, por conseguinte, nos afirma e nos fortalece através deste Salmo contra os assaltos de tão forte tentação. Por maior que seja a prosperidade que os maus desfrutam por algum tempo, ele declara que a felicidade deles é transitória e evanescente, e que, portanto, são miseráveis, e a felicidade da qual se vangloriam é maldita; enquanto que os piedosos e devotos servos de Deus nunca cessam de ser felizes, mesmo em meio as suas mais sérias calamidades, porquanto Deus cuida deles e por fim sairá em seu socorro em ocasião oportuna.”

Ora, aquele que confia todo o impossível às mãos do Senhor deverá entregar-lhe também o que lhe parece possível, o pequeno. Jesus disse que sem Ele os discípulos nada podem fazer. Ele disse nada (Jo.15.5)! Paulo parece saber disto e recomenda aos crentes de Filipos para que não andassem “ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças (Fl.4.6). ‘Coisa alguma’ e ‘tudo’ podem ter as mesmas proporções diante de um crente cuja a mente e o coração se encontram sobrecarregados (Fl.4.7). Daí a necessidade de se apresentar cada coisa (tudo) perante Aquele que cuida de nós melhor do que nós mesmos.

Confiemos que, Aquele que cuida das aves dos céus cuida também da coroa de sua criação.

Fonte: Napec.org

terça-feira, 17 de julho de 2018

Tudo é vaidade: reflexões acerca de Eclesiastes 1:1-11

O presente texto é fruto da exposição do texto de Eclesiastes 1:1-11, realizada em um Estudo Bíblico na Cidade de Garuva, em Santa Catarina. Assim, no decorrer da escrita, o conteúdo assumirá um tom mais pessoal e menos acadêmico.

O livro de Eclesiastes é um texto fabuloso, muito rico para a época atual, ora denominada pós-modernismo.

No primeiro versículo, o autor se identifica como um pregador, filho de Davi e rei em Jerusalém.

Durante séculos a tradição judaica e cristã tem atribuído a autoria de Eclesiastes a Salomão, em tempos mais recentes, entretanto, a autoria salomônica tem sido questionada por alguns estudiosos.

Para efeito do presente texto, aceita-se Salomão como autor do texto de Eclesiastes.

Concorda-se, entretanto, que uma vez que a Bíblia toda é inspirada por Deus, que é o seu autor final, pouco importa se a pena era de Salomão ou não, apenas me parece que o texto ganha um significado mais profundo quando é  considerado o fruto da reflexão de alguém tão sábio e que pôde viver de tudo e experimentar de tudo como foi o caso de Salomão.

Vaidade de vaidades, tudo é vaidade.

Aqui, a palavra que traduzimos por vaidade, em sua origem hebraica significa algo vazio, um sopro, algo fútil, sem utilidade.

E é assim que o autor define a vida humana longe de Deus, finita, breve, sem sentido, condenada a inevitável extinção.

Vive-se, trabalha-se, damos nosso sangue e suor pelo nosso trabalho, talvez nós trabalhamos arduamente por uma causa justa, um propósito que consideramos belo e significativo, pelo bem, pela justiça social, pela descoberta científica, coisas maiores do que nós.

Ou simplesmente queremos viver a nossa vida, aproveitar os prazeres que a vida nos oferece como se não houvesse amanhã.

Mas e do que vale o nosso empenho? Chegaremos à velhice, nossa força haverá se esvaído, e será o fim de nossa existência, teremos de adentrar, ainda que contra a vontade, o mundo do não-ser, da inexistência.

Ainda que dediquemos nossa vida a algo que dure mais do que a nossa vida, nossa memória seja preservada e sejamos recordados por séculos como alguém notável: um Platão, Aristóteles, Galileu, ou então, as futuras gerações ergam em nossa homenagem, uma grande estatua, com o nosso nome aos seus pés, ou uma placa de bronze em um memorial público.

Ainda assim, que proveito temos? Uma vez que já não estamos lá para apreciar tal glória?

E não apenas a nossa vida chegará ao fim, mas também toda a humanidade, nosso sistema solar ruirá um dia, o universo inteiro se esfriará, a extinção completa da vida, a extinção de toda possibilidade.
Gosto de uma colocação de Bertrand Russell, um conhecido filósofo ateu, que expressa de forma muito bela, e também triste, esta realidade da falta de sentido da vida sem Deus.

Segue a sua citação:

Nenhum fogo, nenhum heroísmo, nenhuma intensidade de pensamento e sentimento pode preservar a vida de um indivíduo no além-túmulo; que todas as labutas da vida, toda a devoção, toda a inspiração, todo o fulgor do gênio humano estão destinados à extinção na vasta morte do sistema solar e, inevitavelmente, todo o templo das conquistas humanas deve ser enterrado sob os escombros de um universo em ruínas. (RUSSELL. Apud BECKWITH; CRAIG; MORELAND, 2006, p. 252-53)

Uma geração vai e outra vem… O ser humano é, para usar o termo de Martin Heidegger, um ser-para-a-morte, porque, embora todos os seres vão morrer, incluindo você e eu, todas as pessoas que amamos e todos os outros seres vivos, quer sejam animais e vegetais, todos vão morrer! Mas apenas o ser humano tem consciência de sua própria morte, e pode refletir acerca dela. Ou seja, temos a fraqueza existencial de sermos seres mortais, e temos a consciência dessa fraqueza.

Vocês percebem que o mundo é um “bonde andando”? Nós pegamos esse bonde em movimento, há milênios de história humana antes de nós, e – assim espero – haverá muitos anos de história humana depois de nós; nós partiremos, mas a vida seguirá sem nós, não somos tão importantes assim para o mundo.

A natureza continuará o seu ciclo, com ou sem nós.

O verso sete reflete acerca do ciclo da água, o autor observa que todos os rios vão para o mar e ainda assim o mar não se enche, pois ao lugar para onde os rios vão, tornam eles a correr.

É interessante ressaltar que o ciclo da água só foi descrito com precisão no século XVII, por dois cientistas franceses e um inglês, mas ainda assim, o autor de Eclesiastes, a partir da observação da natureza, já notou esse ciclo, podemos chamar isso de Teologia Natural, quando contemplamos e refletimos acerca de Deus a partir da observação da sua criação.

O Verso oito descreve o que por vezes chama-se de predicamento humano. [Já escrevi sobre o tema para o NAPEC: http://www.napec.org/apologetica/predicamento-humano/]
O ser humano é um ser insaciável, seus olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se encham de ouvir.

Buscamos de modo desesperado a felicidade, e sempre queremos mais, pois nunca estamos fartos: mais diversão, mais dinheiro, mais sexo, mais livros, sempre mais e mais.

Talvez estejamos em busca do poder, da fama, do prestígio, e quando a alcançamos, confessamos desanimados: “bem, não era o que eu esperava”. E nos decepcionamos, percebemos que por mais que alcancemos e conquistemos, nosso vazio permanece. A satisfação é um item que não está disponível para nós.

Segundo a conhecida citação que é costumeiramente atribuída ao ilustre escritor russo Fiódor Dostoiévski: há no homem um vazio do tamanho de Deus.

E Agostinho, escreve em uma oração: “Porque nos criastes para Vós e o nosso coração vive inquieto, enquanto não repousar em Vós”. (AGOSTINHO, 2012, p. 27)

Os versos 9 a 11 refletem acerca daquilo que parece a nós uma novidade.

Muitas vezes os cristãos se assustam com tamanha depravação que é explicitamente exibida na televisão.

Violência, corrupção, perversão sexual, defesa da prática do aborto e por aí vai.

Entretanto, o autor de Eclesiastes tem razão: não há nada novo debaixo do sol.

O mundo já viu muito disso tudo, e ainda mais. A história humana está recheada de perversões e crueldades.

Os abortos, o infanticídio, assim como a corrupção, a violência e práticas sexuais não condizentes com o cristianismo eram comuns na Grécia e Roma antigas, foi o cristianismo quem deu fim, ou aos menos condenou e diminuiu muito essas práticas a partir da conversão pessoal e influência nas culturas locais.

O cristianismo foi responsável por uma evolução moral sem precedentes no mundo ocidental.

Assim, embora cristãos conservadores sejam frequentemente intitulados pejorativamente de retrógrados, os seus opositores é que são retrógrados, e em uma escala ainda maior, pois desejam reanimar costumes de tempos pré-cristãos.

É pertinente uma colocação de John Stott, onde ele diz que:

Se a casa estiver escura ao anoitecer, não faz sentido culpar a casa, pois isso é o que acontece quando o sol se põe. A pergunta a ser feita é: “Onde está a luz?”. Da mesma forma, se a carne estragar e for impossível comê-la, não faz sentido culpar a carne, pois isso é o que acontece quando as bactérias são deixadas ao léu para reproduzirem-se. A pergunta é “Onde está o sal?” Assim também, se a sociedade se deteriora e seus padrões declinam ao ponto de ela se tornar como uma noite escura ou como um peixe fedorento, não faz sentido acusar a sociedade, pois isso é o que acontece quando homens e mulheres decaídos são deixados à sua própria sorte e o egoísmo humano não é contido. As perguntas a serem feitas são: “Onde está a Igreja? Por que a luz e o sal de Jesus Cristo não estão permeando e mudando a nossa sociedade?”. (STOTT, 2014, p. 89)

Se o mundo torna-se caótico novamente, é porque a Igreja não está cumprindo como deveria o seu papel; graças a Deus que de tempos em tempos Ele levanta homens e mulheres que, para usar as palavras de Chesterton, tem a coragem de não serem atuais e assim colocam o mundo de ponta cabeça.

Foi assim na Igreja primitiva, foi assim na Reforma protestante, foi assim nos grandes avivamentos do século XVIII, e pode ser assim novamente hoje, se assim Deus o desejar.

REFERÊNCIAS

AGOSTINHO, Santo. Confissões. 26 ed. Petrópolis e Bragança Paulista: Vozes e Editora Universitária São Francisco, Coleção Pensamento humano, 2012.
BECKWITH, Francis J. CRAIG, William Lane. MORELAND, J.P. (Ed.) Ensaios apologéticos: um estudo para uma cosmovisão cristã. São Paulo: Hagnos, 2006.
STOTT, John. Os cristãos e os desafios contemporâneos. Viçosa: Editora Ultimato, 2014.

Fonte: Napec.org

domingo, 15 de julho de 2018

Esperança em nossa era secular

Traduzido por Anderson Rocha – Artigo original aqui.

Não foi a primeira vez que uma jovem evangélica se lamentou pelo caráter rebelde e sem objetivo de seu irmão mais novo. Crescendo juntos, sua casa tendeu para o fim fundamentalista do espectro protestante. Igreja era obrigação; a dúvida foi desencorajada. Mais tarde na faculdade ela encontrou seu caminho em uma congregação evangélica que tendeu para a teologia reformada, mas seu irmão mais novo nunca pareceu crescer. Ele deliberadamente antagonizou seus pais e irmã.

Ela descreveu para mim uma cena que tipificava seu protesto. Enquanto se reuniam na sala de estar, enquanto o resto da família assistia televisão ou lia uma revista, seu irmão exibia sua cópia de um discurso de Richard Dawkins contra a religião. Só que ele não parecia estar realmente lendo o livro. Em vez disso, ele olhou por cima das páginas para ver que tipo de reação ele estava incitando.

Caso clássico de uma “história de subtração”, eu disse a ela. Um o que? O termo vem de um livro de 2007 chamado Uma Era Secular, do filósofo católico Charles Taylor. Seu irmão provavelmente não poderia explicar quaisquer objeções científicas ou filosóficas sofisticadas ao cristianismo. Mas ele encontrou em Dawkins uma “narrativa de herói” para explicar seu “amadurecimento”, sua maturação longe da religião infantil de sua juventude e família.

“O núcleo da história da subtração consiste nisto”, escreve Taylor em Uma Era Secular, “que nós só precisávamos tirar essas condenações perversas e ilusórias de nossas costas, e o valor do desejo humano comum brilha, em sua verdadeira natureza, como sempre foi”.

O fundamentalismo não pôde proteger este jovem das forças da modernidade que tornam a fé cada vez mais implausível. De fato, um fundamentalismo intelectualmente restritivo poderia até ter tornado sua reação mais provável, porque, como Taylor observa, “quanto mais infantil é a fé, mais fácil é a inversão”.

Os apologistas evangélicos têm tradicionalmente respondido com provas bíblicas e contrapontos técnicos ao materialismo científico como popularizado na última década – mais pelos chamados Novos Ateus, incluindo Dawkins. Mas e se a ciência, a razão e a lógica não forem o problema ou a solução para a fé consistente? E se o desafio for muito mais profundo?

E se o problema da nossa era secular for mais fundamental?

Nada mais formativo

Provavelmente nenhum livro publicado nos últimos 10 anos foi tão formativo para o meu pensamento e ministério como Uma Era Secular de Taylor. Taylor (n. 1931) desafia minha própria fé tanto quanto me prepara para aconselhar outros crentes que nadam contra o rio em culturas que não favorecem a crença. Lamento que a duração de seu trabalho (quase 900 páginas) e a densidade de sua prosa impeçam a maioria dos pastores e outros líderes cristãos de até mesmo pegar o livro. Ainda assim, continuo convencido de que aceitar o desafio de Taylor equiparia os cristãos com um inestimável contexto histórico, teológico, sociológico e filosófico enquanto realizam a Grande Comissão (Mt 28:18-20) em nossa era secular. Pastores, missionários e assistentes sociais, em particular, seriam beneficiados.

“Na verdade, este é o público principal deste livro precisamente porque acredito que a análise de Taylor pode ajudar pastores e plantadores de igrejas a entender melhor os contextos em que eles proclamam o evangelho”, escreve James K. A. Smith, professor de filosofia na Faculdade Calvin. Provavelmente nenhum autor fez mais que Smith para popularizar Taylor em benefício da igreja. “De muitas maneiras, Uma Era Secular de Taylor equivale a uma antropologia cultural para a missão urbana” (xi).

O propósito de Nossa Era Secular, então, é ler e aplicar Taylor a vários aspectos da vida e missão da igreja. Intérpretes e praticantes avaliarão Taylor de múltiplas perspectivas, incluindo sua leitura da Reforma e da filosofia medieval, e aplicarão Uma Era Secular a tudo, desde a saúde à liturgia, à cultura pop e à política. Nesta introdução, pretendo familiarizar os leitores, muitos dos quais nunca escolherão Uma Era Secular, com os argumentos básicos de Taylor e também com um intérprete-chave da última década. E procuro demonstrar uma maneira particular pela qual Taylor aprofundou minha compreensão como escritor, pai e líder da igreja.

Somos todos Thomas agora

Nada sobre a fé é fácil em uma era secular.
“A fé é carregada, a confissão é assombrada por um senso inescapável de sua contestabilidade”, escreve Smith. “Não acreditamos em vez de duvidar; nós acreditamos enquanto duvidamos. Somos todos Thomas agora”.

A religião em uma era secular é um assunto privado. É por isso que os tribunais, a mídia e outros guardiões culturais respondem com incredulidade quando os crentes reivindicam proteção constitucional pelo seu direito de praticar religião em praça pública. Especialmente antes da Reforma do século 16, mas por um longo tempo depois, a religião era comumente conhecida como uma prática coletiva com responsabilidade comunal pelo bem do todo. Conformidade foi necessária.

“Em um mundo de indigência e insegurança, de morte perpetuamente ameaçadora, as regras da família e da comunidade pareciam a única garantia de sobrevivência”, escreve Taylor. “Modos modernos de individualismo pareciam um luxo, uma indulgência perigosa”.

Hoje, porém, a religião é o luxo, a indulgência perigosa. A fé é agora mais difícil que a incredulidade. Estamos à deriva em mares tempestuosos de dúvida – todo homem, mulher e criança lutando pelo bote salva-vidas da crença. Algo fundamental mudou na cultura ocidental, que é mais profunda do que mudanças externas na tecnologia. Então o que aconteceu? Essa é a questão que Taylor procura responder.

“Como nos movemos de uma condição em que, na cristandade, as pessoas viviam ingenuamente dentro de uma interpretação teísta, para uma em que todos nós desviávamos entre duas posturas, nas quais a interpretação de todos aparece como tal; e na qual, além disso, a descrença se tornou para muitos a principal opção de inadimplência?” .

O mundo mudou. E a religião mudou junto.

Deus como Deus

Menos de um ano depois de Taylor publicar Uma Era Secular, publiquei o livro Jovem, Inquieto, Reformado: A trajetória de um jornalista com os novos calvinistas. Neste livro, procurei descrever uma mudança inesperada nas crenças e práticas dos jovens evangélicos. Ao mesmo tempo em que o deísmo terapêutico moralista passou a ser conhecido como a religião padrão dos adolescentes americanos, uma minoria significativa de evangélicos tinha ido em busca de uma teologia mais antiga e mais contracultural. Eles encontraram no calvinismo.

Em viagens pelos Estados Unidos, eu perguntei aos jovens e velhos leigos e clérigos: “Por quê?”. Eu nunca esquecerei um pastor que respondeu: “Porque é verdade.” Claro, eu disse, mas por que seria subitamente popular depois de um declínio constante desde pelo menos o início de 1800? Eu publiquei o livro sem uma resposta suficiente. Mas Taylor me ajudou a encontrar essa resposta – e um aviso.

Taylor fornece explicações históricas e filosóficas para o que Christian Smith e seus colegas com o Estudo Nacional da Juventude e da Religião revelaram em suas pesquisas. Os números decrescentes de jovens ocidentais que praticam a religião são doutrinados em uma versão que enfatiza Deus como distante e não envolvido, embora preocupado com nosso bom comportamento. Principalmente ele só quer que sejamos felizes. A religião visa nos dar o que queremos, em termos materiais ou terapêuticos. É claro que não é assim que a Bíblia retrata Deus ou como os cristãos historicamente o entenderam.

A principal questão teológica para a nossa era secular, então, é esta: Deus consegue ser Deus? A resposta, mesmo para muitos cristãos autodescritos, é: “Não, apenas em nossos termos”. Você verá muitos jovens adultos que cresceram em igrejas evangélicas tentando argumentar que, a menos que reformulemos as noções bíblicas e históricas de Deus, nós perderemos as próximas gerações e, para elas, esse ultimato faz sentido. Em nossa era secular, eles não poderiam manter a fé ortodoxa. Um Deus que não é para nós, dizem eles, não pode ser contra nós. Como Taylor diz sobre esses argumentos em Uma Era Secular, a mudança para o eu fundamentalmente reconfigurou o cristianismo:

E, portanto, o que foi por muito tempo e permanece para muitos o coração da piedade cristã e devoção: amor e gratidão pelo sofrimento e sacrifício de Cristo, parece incompreensível, ou mesmo repulsivo e assustador para muitos. Para celebrar um ato tão terrível de violência como uma crucificação, para torná-lo o centro de sua religião, você tem que estar doente; você tem que estar perversamente ligado à automutilação, porque ameniza seu ódio a si mesmo, ou acalma seus medos de auto-afirmação saudável. Você está elevando a autopunição, que o humanismo libertador quer banir como uma patologia para o nível do numinoso.

Mencionei que Taylor me ajudou a responder: “Por que Teologia Reformada hoje?” Veja como: Você realmente só tem duas opções em uma era secular. Ou Deus é para você, em seus próprios termos, ou Deus define os termos. E a teologia reformada, com doutrinas como a eleição incondicional, revela o Deus trino como transcendente e inescrutável, ainda imanente e solidário. Deus não é um simples mordomo cósmico. Para ler sobre um Deus que não atende apenas aos nossos caprichos, você precisará da ajuda de teólogos das gerações anteriores. Pelo menos para uma minoria crescente de jovens evangélicos, o teólogo reformado do século 18 Jonathan Edwards ainda é seu companheiro de casa, mais de 10 anos depois.

“Isto é o que torna Jonathan Edwards não apenas impensável, mas também repreensível às sensibilidades modernas: o Deus de Edwards é sobre Deus, não sobre nós”.

Esperança apologética

O calvinismo não estaria ganhando popularidade em nossa era secular, se fosse apenas contracultura. Você não pode simplesmente voltar o relógio para a Genebra do século XVI ou para Massachusetts do século XVIII. As condições da crença mudaram. Para ver Taylor aplicado hoje, você precisa visitar Timothy Keller em seu contexto totalmente secular de Manhattan.

Comparado aos nossos antepassados, temos um problema maior com o mal e o sofrimento. Eles lamentaram o mal e o sofrimento – e eles experimentaram mais do que nós. Enquanto isso, exigimos respostas de Deus e nos engajamos na teodiceia. Por que nós, diferentemente de nossos ancestrais, acreditamos que a existência do mal poderia refutar a Deus?

“Os povos antigos não presumiam que a mente humana tivesse sabedoria suficiente para julgar como um Deus infinito estava se desfazendo das coisas”, explica Keller em seu mais recente trabalho apologético, Deus Fazendo Sentido, um título que Taylor certamente notaria com interesse. Taylor descreve como a mesma filosofia que nos deu a medicina moderna também nos deu um ceticismo moderno:
A grande invenção do Ocidente foi a de uma ordem imanente na Natureza, cujo trabalho podia ser sistematicamente entendido e explicado em seus próprios termos, deixando em aberto a questão de se toda essa ordem tinha um significado mais profundo e se, se o fizesse, deveríamos inferir um Criador transcendente além dela. 

Dadas essas condições, Keller pretende dar aos céticos modernos uma razão para Deus. E a abordagem apologética de Keller lembra muito a de Taylor. Smith descreve apologética de Taylor em três etapas. Primeiro, nivelar o campo de jogo com os secularistas, apontando os problemas enfrentados em ambos os lados. Em segundo lugar, mostre como os relatos “imanentistas” ficam aquém da solução do problema de uma maneira emocional e intelectualmente satisfatória. Terceiro, revelar como os cristãos poderiam explicar melhor a experiência humana. Compare essa abordagem ao processo de três etapas de Keller: entre na cultura, desafie a cultura e depois apele à cultura.

A menos que você leia todo o caminho através de Uma Era Secular, você pode ter a impressão de que Taylor vê pouca esperança para o futuro do cristianismo. Mas ele e Keller, ambos vêem um limite para quanto tempo os secularistas podem demonizar a religião de nossa herança ocidental. Porque à medida que a religião vai embora, o mal não contraria as projeções de Dawkins e sua coorte. E as esperanças seculares de justiça universal e benevolência não podem ser construídas sobre uma mera “teoria da subtração”. Quanto mais esperamos dos outros, mais eles nos decepcionarão, Taylor argumenta: “Nossa época faz exigências mais elevadas de solidariedade e benevolência sobre as pessoas hoje do que nunca”. Não é sustentável. Deus continua a assombrar essa era secular com nosso desejo de bondade. Taylor escreve:

Nossa era está muito longe de se acomodar em uma incredulidade confortável. Embora muitos indivíduos o façam, e mais ainda pareçam estar do lado de fora, a inquietação continua à tona. Poderia alguma vez ser diferente? A era secular é esquizofrênica, ou melhor, profundamente atravessada por pressões. As pessoas parecem estar a uma distância segura da religião; e ainda assim eles estão muito comovidos em saber que existem crentes dedicados… .É como se muitas pessoas que não querem seguir, no entanto, desejem ouvir a mensagem de Cristo, que ela seja proclamada lá fora. 

Comova-se, igreja. Mas cuidado. Taylor vê problemas em nosso campo.

Mais um mecanismo de enfrentamento?

Enquanto muitos leitores reformados leram Taylor com proveito, isso não significa que ele necessariamente simpatiza com seu projeto. Resumindo, Taylor falha com a Reforma Protestante e o cristianismo evangélico moderno por desencantar o mundo e voltar o foco para o eu ao invés de Deus através de rituais religiosos compartilhados. Ele lamenta a mudança da fé encarnada para a fé intelectual no que ele chama de Reforma, descrita por Smith como “o termo guarda-chuva de Taylor para uma variedade de movimentos medievais e primitivos que estavam tentando lidar com a tensão entre as exigências da vida eterna e as demandas da vida doméstica”.

Eu não esperaria que um católico praticante como Taylor elogiasse a Reforma. E não há dúvida de que a Reforma desencadeou uma torrente de práticas e crenças que os reformadores magistrais fizeram e condenariam. Se nada mais, Taylor corrige os crentes em Genebra e também em Roma, quando ele diz: “Talvez não haja uma ‘idade de ouro’ do cristianismo”. Então, mesmo quando me oponho à crítica de Taylor, quero ouvi-lo. E com a ajuda de Taylor, vemos um grande problema à frente dos jovens, inquietos, reformados.

O componente “inquieto” do apelido tem atraído a maior atenção na última década e por um bom motivo.

Não parece se encaixar quando justapostos a “reformados”. Mas esse é o ponto. Escrevendo em 2007, eu não sabia como as coisas iriam mudar. Taylor capta por que a teologia de Edwards e a apologética moderna de Keller “Deus como Deus” atrairia muitos jovens evangélicos que tentam contrariar uma era secular. Ao mesmo tempo, Taylor me mostrou por que a teologia reformada ofereceria uma história sedutora de “maioridade” para jovens que cresceram em congregações pragmáticas ou liberais. Algo parecido com o jovem lendo Dawkins, ler Edwards tornou-se, para alguns deles, uma maneira conveniente e até mesmo segura de criar uma identidade individual à parte dos pais e da igreja local. Mas seus próprios filhos em nossa era secular podem se rebelar em outra direção? Ainda não sabemos, então, se os filhos dos “jovens, inquietos, reformados” irão absorver mais dos inquietos ou dos reformados.

A pregação de suas igrejas e o ensino de seus pais os afastaram da necessidade de autenticidade individual?

Ou a teologia reformada se tornou apenas mais uma ferramenta para lidar com nossa era secular?

Teste de fé

Isso não é uma questão abstrata. É um teste de fé genuína. Se a religião pura e imaculada é sobre Deus e não apenas o nosso próprio florescimento, então nos levará a “visitar órfãos e viúvas em sua aflição, e manter-se livre do mundo” (Tiago 1:27). Onde você vê santidade, sacrifício e amor, você vê uma religião que se deleita em Deus, religião que pode sobreviver a uma era secular. Edwards diria que esses são sinais seguros de afeição religiosa. Em nossa linguagem moderna, eles são sinais de que estamos seguindo o Cristo ressuscitado e não apenas tratando de nossas necessidades terapêuticas.

Se ele reconhece ou não, Taylor alinha com pelo menos um aspecto fundamental da tradição evangélica. A Reforma pode ter arriscado a anarquia e o secularismo, mas o fez em busca dessa religião pura. Movimentos de renovação evangélica têm buscado a mesma coisa desde então. E nem mesmo Taylor parece disposto a voltar esse relógio:
Se o nosso tende a multiplicar opções espirituais um tanto superficiais e pouco exigentes, não devemos esquecer os custos espirituais de vários tipos de conformidade forçada: hipocrisia, estultificação espiritual, revolta interior contra o Evangelho, confusão de fé e poder e ainda pior. Mesmo se tivéssemos uma escolha, não tenho certeza de que não seria mais sensato ficar com a presente dispensação. 

Sim, corremos o risco de sucumbir às tendências teológicas passageiras. Sim, lutamos para escapar do ego. Sim, precisamos de uma religião mais incorporada para nos responsabilizar.

Mas depois de 10 anos lendo e aplicando Taylor, estou confiante.

Há esperança em nossa era secular.

Tradutor: Anderson Rocha, em 05/05/2018

NOTAS IMPORTANTES:
– O livro “UMA ERA SECULAR” de Charles Taylor pode ser encontrado aqui, no site da Editora Unisinos.
– Os livros de Timothy Keller são publicados no Brasil por Edições Vida Nova, veja a relação de livros aqui.
– Este texto é o capítulo inicial do livro “Our Secular Age”, organizado por Collin Hansen – saiba mais aqui.

Fonte: Napec.org