sábado, 1 de outubro de 2016

Como o Cristão Não Deve Lidar com o Estudo Teológico

A teologia é sem dúvida uma bênção do Senhor na vida do crente. É através do labor teológico que nós podemos conhecer melhor o Deus a quem servimos e adoramos. É por isso que soa muito estranho quando alguém afirma: “eu só quero Jesus, não doutrina.” Mas não é esse o ponto que pretendo tratar aqui. Que há cristãos que negligenciam o estudo teológico é fato, mas há também aqueles que gostam de teologia, porém não a fazem da maneira correta e pelos motivos corretos. É sobre estes que eu quero falar.

Se por um lado a igreja do Senhor sofre porque há muitos que deixam de lado o estudo doutrinário, há também, cada vez mais, cristãos que, apesar de se dedicarem a teologia, agem de uma maneira inadequada a respeito. Gostaria de citar alguns dos problemas a respeito destes últimos.

O primeiro problema é sobre aqueles que ao começarem a estudar um pouco de teologia, acham que podem opinar sobre todos os assuntos com propriedade. Eu vejo isso com muita frequência nas redes sociais, especialmente no Facebook. Alguém posta algo sobre pentecostalismo e o ex-pentecostal, que se tornou reformado depois de ler dois ou três artigos em sites e blogs, critica ferrenhamente o post sobre este movimento como se fosse conhecedor o suficiente dele (quando na verdade não é). Isso se aplica a outros tópicos teológicos também. Mas a questão é que essas pessoas têm sede por criticar ou opinar sobre qualquer coisa que diz respeito à teologia, quando elas mesmas não tem propriedade o bastante para falar. 

As consequências disso são inúmeras. Um exemplo disso é uma divisão radical no corpo de Cristo por questões secundárias, ao ponto de muitos se comportarem de forma semelhante aos coríntios: “Eu sou de Paulo”, e outro “Eu sou de Apolo” (1 Coríntios 3.4). Tal divisão acarreta ainda outras consequências como até mesmo xingamentos! 

Não é assim que as coisas devem funcionar. O cristão que tem começado a se dedicar a teologia deve sempre ter em mente que muitas coisas não são tão simples como ele pensa que é. E quando isso não ocorre, é uma clara evidência de imaturidade.

Outro problema associado a este é o motivo pelo qual eles estudam teologia. Há muitos cristãos que “teologam” simplesmente por amor a debates. Eles são ávidos por confrontar posições opostas às suas, a fim de derrubar os argumentos contrários e sair como vencedor. Eu não estou aqui dizendo que debates são de tudo ruins. Eu mesmo aprecio isso em alguns casos. Porém, o ponto é: eles não estão preocupados em se aquele debate vai render algum fruto de piedade ou amadurecimento ao seu irmão, ou até mesmo (por que não?) se o debate vai proporcionar troca de conhecimentos e uma interação saudável. Isso pode levar uma das partes a repensar aquilo que ele tem defendido e a amadurecer. 

Além disso, e talvez mais importante ainda, é o fato destes cristãos não usarem a doutrina para o benefício da igreja. Eu mesmo já fui muito tentado a isso e tenho errado bastante. A teologia virou algo que não tem mais nenhuma relação com a igreja local. Estuda-se apenas para benefício próprio, não para instruir seus irmãos. Isso é egoísmo!

É aqui que o trabalho do pastor como teólogo-orientador entra. Ele precisa aconselhar as suas jovens ovelhas que, embora amem a teologia, precisam saber se comportar de forma adequada em relação a ela. Elas precisam entender que teologia não é algo banal, mas algo sério, pois lida com as coisas do Senhor. Além disso, precisam estar cientes do motivo pelo qual elas querem aprender mais da palavra de Deus. Eu penso que isso terá impacto significativo tanto na igreja local quando na igreja do Senhor como um todo.


Fonte: http://blogelectus.blogspot.com.br/

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Conversa entre Jesus e Pilatos

Objeção cética: Como é que os escritores do Evangelho poderiam saber o conteúdo da conversa privada entre Jesus e Pôncio Pilatos, sendo que isso aconteceu pouco antes de sua crucificação (João 18:28-40)?

Algumas pessoas tentam justificar sua descrença no cristianismo com o argumento de que a Bíblia contém dificuldades e contradições irreconciliáveis. Um amigo cético recentemente me perguntou como os escritores do Evangelho poderiam saber a natureza da conversa privada que Jesus teve com Pôncio Pilatos. Afinal de contas, os apóstolos não estavam a par deste diálogo confidencial. Existem duas explicações para esta objecção, uma puramente natural e a outra sobrenatural (ou teológica), mas as duas não são mutuamente exclusivas.

Em primeiro lugar, dada a natureza da grande controvérsia em Jerusalém acerca de Jesus de Nazaré e seu julgamento público pelos romanos (Lucas 24:13-24), Pilatos pode simplesmente ter falado com outras pessoas sobre o conteúdo de sua conversa com Jesus. Esses detalhes verbais podem ter sido transmitidos a outros líderes romanos e/ou aos líderes religiosos judeus e, posteriormente, para os seguidores de Jesus. Vale lembrar que Jesus também tinha seguidores secretos tanto dentro da liderança romana (Centurião, Mateus 8:5-13) e judaica (Nicodemos, João 3:1-15).

Sem dúvida, os apóstolos estavam interessados em todos os detalhes concernentes a prisão, julgamento e a posterior execução de Jesus. Não é difícil imaginar como o conteúdo desta conversa pode ter vazado, especialmente para as pessoas-chave envolvidas nos eventos. Embora as pessoas hoje possam argumentar que isso é “boato”, os antigos não diriam a mesma coisa. Eles podem muito bem ter interpretado isso como um outro detalhe importante transmitido por fontes confiáveis relacionadas ao julgamento público e a crucificação de Jesus. Além disso, se os detalhes dados acerca dessa suposta conversa fossem factualmente falsos, os críticos hostis (que também podem ter sido informados sobre a natureza exata dessa conversa) poderiam simplesmente desmenti-los.

Em segundo lugar, o conteúdo desta conversa privada entre Jesus e Pilatos pode ter chegado aos autores dos Evangelhos através do processo de inspiração divina. No Evangelho de João, capítulos 14-16, Jesus informou aos apóstolos que o Espírito Santo viria a orientá-los, informá-los, e dar-lhes recordação exata dos acontecimentos verídicos sobre a vida, morte e ressurreição de Jesus. Considere estas duas afirmações bíblicas sobre o papel do Espírito Santo ao inspirar os autores bíblicos:

Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito. (João 14:26)

Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. (João 16:13)

Biblicamente falando, a inspiração divina poderia servir para dar aos apóstolos novas informações ou para confirmar a verdade de informações retiradas de outras fontes. Portanto, a partir da perspectiva cristã, ambas estas explicações podem estar corretas.


Fonte: olhaievivei.wordspress.com.br
Foto: google

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Livros perdidos da Bíblia?

Ao passar por seções religiosas de uma livraria, é provável que você encontre um punhado de títulos que sugerem a descoberta de “Livros Perdidos” da Bíblia. Geralmente, estes representam obras que eram “politicamente incorretas”, segundo às noções teológicas da época. Rejeitadas com espúrio pelos líderes da igreja primitiva, eram desacreditadas e destruídas. Felizmente, um punhado de cópias sobreviveram. Os arqueólogos resgataram os tão chamados “livros perdidos” da Bíblia. O Evangelho de Tomé, descoberto na biblioteca de Nag Hammadi no Egito, em 1945, seria um exemplo dessas obras.

Invariavelmente, isso causa um choque no cristão consciente. Será que a arqueologia descobriu antigos textos bíblicos que desafiam o atual cânone das Escrituras? É possível que a Bíblia que os cristãos têm hoje seja incompleta?

Pode ser difícil de acreditar, mas esta questão pode ser respondida sem ler qualquer um dos livros em questão. Nenhuma pesquisa precisa ser feita. Curiosamente, toda a questão pode ser respondida por uma olhar cuidadoso para uma palavra: Bíblia.

A Santa Bíblia

Toda a questão dos supostos livros perdidos da Bíblia caem na questão de o que se quer dizer com a palavra “Bíblia”. Só pode significar uma de duas coisas, ao meu ver. Há uma definição religiosa da palavra, e há ainda uma definição mais secular.

Quando alguém pergunta a um cristão evangélico o que é a Bíblia, é provável que ele responda: “É a Palavra de Deus.” Quando pressionado por uma definição mais teologicamente precisa, ele poderia acrescentar que Deus supervisionou a redação das Escrituras de modo que os autores humanos, usando seu próprio estilo, personalidades e recursos, escreveram, palavra por palavra, exatamente o que Deus
destinava-os a escrever. Esta inspiração plenária verbal é uma parte vital da definição cristã da palavra “Bíblia”.


O conceito-chave para a nossa discussão é a frase “exatamente o que Deus pretendia que eles escrevessem.” Um elemento fundamental desta compreensão da “Bíblia” é a ideia de que Deus não estava limitado pelo fato de que autores humanos foram envolvidos no processo.


Erros humanos

Uma objeção comum à noção de inspiração é que a Bíblia foi escrita por homens, e homens cometem erros. Esta indagação peca por duas razões.

Em primeiro lugar, não é porque os humanos foram envolvidos no processo de escrita, que a Bíblia deve estar necessariamente errada. Erros podem acontecer, mas eles não são necessários. Assumir a presença de erro em toda a escrita humana é uma ideia auto-destrutiva. A própria declaração “A Bíblia foi escrita por homens, e os homens cometem erros”, seria suspeita pelos mesmos padrões. O fato é que os seres humanos podem escrever e produzir textos sem erros. Isso acontece o tempo todo.


Além disso, o indagação de que os homens cometem erros ignora a questão principal : se a Bíblia foi ou não escrita apenas por homens. O cristão até aceita que os seres humanos são limitados, mas nega que as limitações do homem são importantes nesse caso, porque a inspiração implica que o poder de Deus fornece o que é necessário ao homem.

Uma pergunta simples que seve como ilustração: “Você está dizendo que se Deus existe, Ele não é capaz de escrever o que Ele quer através de homens imperfeitos?” A noção de um Deus onipotente não ser capaz de realizar uma tarefa tão simples é ridícula! Se, por outro lado, a resposta é “Não, eu acho sim que Ele é capaz”, então a objeção desaparece. Se Deus é capaz, então as limitações do homem não são um limite para Deus. Se Deus garante os resultados, não importa se os homens ou os macacos fazem a escrita, eles ainda vão escrever exatamente o que Deus quer. Isso é parte do que significa dizer que a Bíblia é divinamente inspirada. Nosso propósito aqui não é defender a noção de inspiração divina, mas entender que a autoria de Deus e preservação sobrenatural estão necessariamente ligadas à primeira definição da palavra “Bíblia.” A Bíblia é um conjunto de 66 livros contidos que são sobrenaturalmente inspirados por Deus, e são preservados e protegidos pelo Seu poder. Tendo isso em mente, as limitações do homem são irrelevantes.

A Bíblia Secular

A segunda definição da palavra “Bíblia” não é religiosa e, portanto, não admite qualquer origem sobrenatural das Escrituras. Esse ponto de vista diz que enquanto os cristãos tratarem as Escrituras como divinamente inspiradas, eles estarão enganados. A Bíblia é meramente um consenso humano, uma coleção de livros escolhida pela igreja primitiva para refletir suas próprias crenças.

Um livro seria rejeitado basicamente por duas razões. Os primeiros cristãos não eram capazes de rastrear a autoria de um apóstolo ou o registro das testemunhas, e a teologia se distinguia daquela que tinha sido transmitida pelos apóstolos. O cristianismo não é diferente de outras religiões que têm coleções de escritos canônicos.A Bíblia, então, está nessa categoria – apenas uma coleção de livros escolhidos pelos líderes da igreja primitiva para representar suas próprias crenças.

Portanto, temos dois possíveis significados para a palavra “Bíblia”, um sobrenatural e um natural. Ou a Bíblia é  divinamente preservada, pelo ponto de vista do cristão conservador, ou é apenas um documento humano que representam as crenças de um grupo religioso conhecido por “cristianismo”, o ponto de vista de quase todos as outras pessoas. Dada qualquer uma destas duas definições, podem haver livros perdidos da Bíblia?

Não há livros perdidos

Comecemos com o primeiro significado, da definição sobrenatural da Bíblia. É possível que os livros pudessem se perder? A resposta é claramente não. Lembre-se, nesta visão Deus é sobrenatural para preservar e proteger a integridade de Sua obra. A hipótese dos “livros perdidos” seria reduzida a afirmação de que “Certos livros que Deus Todo-Poderoso era responsável para preservar e proteger se perderam.”
Poderiam haver livros perdidos, dada a segunda definição? E se os cristãos estão errados em atribuir a administração de Deus para as Escrituras? E se a Bíblia na verdade é meramente um produto humano? Se for esse o caso, então, o termo “Bíblia” não se refere à Palavra de Deus (a primeira definição), mas para o cânone das crenças dos líderes da igreja primitiva (a segunda definição). É possível que os livros se perdessem nesse tipo de Bíblia?

A resposta é novamente não! Se a Bíblia é uma coleção de livros que os primeiros líderes da igreja decidiram que representaria o seu ponto de vista, então eles têm a palavra final sobre o que está incluído. Todos os livros que eles rejeitaram nunca fizeram parte de sua Bíblia, para começar! Por isso mesmo pela segunda definição, os “livros perdidos” da Bíblia seriam um equívoco.

Considere a seguinte situação. Você decide escrever um livro sobre suas crenças pessoais a partir de várias de notas contendo reflexões que você coletou ao longo dos anos. Depois de registrar o que você concorda, você descarta o resto. Mais tarde, alguém vasculha o seu lixo e acha as suas notas descartadas. Essa pessoa poderia alegar que achou suas crenças perdidas?

“Não”, você responde. “Se essas notas fossem minhas crenças elas estariam no livro, não no lixo”.

É irônico que os defensores dos “livros perdidos” muitas vezes apontam que os textos redescobertos estavam sumidos porque os Padres da Igreja os suprimiram. É verdade, eles suprimiram. Os críticos acham que isso fortalece a sua opinião, mas não é essa a questão. Esse fato na verdade destrói o ponto de vista deles, provando que os “livros perdidos” não se perderam, mas foram descartados, rejeitados por não serem representativos das reais crenças cristãs. Portanto, eles não pertencem à Bíblia cristã. Se eles nunca estiveram na Bíblia eles não podem ser livros perdidos da mesma!

Independentemente de como você vê as Escrituras, como sobrenatural ou natural, não faz sentido nenhum dizer que há livros perdidos da Bíblia. Se a Bíblia é sobrenatural, se Deus é responsável pela sua escrita, sua transmissão, e sua preservação, então Deus, sendo Deus, não falha. Ele não erra, Ele não esquece as coisas, e Ele não está limitado por limitações humanas.

No entanto, se a Bíblia não é sobrenatural, como muitos irão dizer, especialmente aqueles que afirmam terem encontrado livros perdios, eles enfrentam um problema diferente. Por qual padrão que afirmamos que estes são livros perdidos do cânone da igreja primitiva? Se, a partir de uma perspectiva humana, a Bíblia é uma coleção de escritos que refletem as crenças do cristianismo primitivo, qualquer escrito rejeitado pelos pais da igreja não são livros de sua Bíblia pela própria definição!

A arqueologia tem descoberto textos antigos desconhecidos? Certamente. Eles são interessantes, notáveis e valiosos? Alguns. São livros perdidos da Bíblia? A resposta é não. Dois mil anos depois, a redescoberta de um escrito como o Evangelho de Tomé pode ser arqueologicamente significativa. Pode ser um livro perdido da antiguidade, um grande achado, até mesmo um pedaço maravilhoso da literatura.

Mas não é um livro perdido da Bíblia.


Fonte: olhaievivei.wordpress.com
imagem: google

domingo, 25 de setembro de 2016

Deus é uma Trindade ou uma Tríade?

A doutrina da Trindade tem causado muita confusão entre os cristãos. Algumas pessoas tem visto a Trindade, de forma errônea, como se fosse uma Tríade. Mas, qual a diferença?

A doutrina da Trindade é o ensinamento de que existe apenas um Deus em todo o Universo, nenhum antes e nenhum depois dEle (Isaías 44:6,8) e que Ele consiste de três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. O Pai não é a mesma pessoa do Filho, que não é a mesma pessoa do Espírito, que não é a mesma pessoa do Pai. Ainda assim, não existem três deuses, mas apenas um.

Em contraste com a trindade, uma tríade consiste de três deuses separados. Cada um é um deus. Portanto, a doutrina da tríade é que o Pai é um deus, o Filho é um deus, e o Espírito Santo é um deus. Essa não é a doutrina da Trindade e não é bíblica.

Os mórmons defendem a doutrina de uma Tríade, não a Trindade. Apesar de usarem a palavra Trindade para designar seus ensinamentos, eles não defendem a doutrina da Trindade como é apresentada no Cristianismo Bíblico. No mormonismo, o Pai tem um corpo de carne e osso e costumava ser um homem em outro mundo, mais tarde se tornando um deus e vindo a este mundo. Jesus é o primeiro filho entre esse deus e sua esposa deusa. Jesus mais tarde se tornaria um deus. E o Espírito Santo é um deus também.

A organização das Testemunhas de Jeová costumam usar a falácia do espantalho, apresentando a doutrina da Trindade como se fosse a doutrina da Tríade, ensinando que os Trinitarianos acreditam em três deuses. Isso não poderia estar mais distante da verdade.


Se algum dia ouvir alguém atacando a doutrina da Trindade, ou “defendendo-a” de forma errada, deixe as diferenças entre Trindade e Tríade exatamente claras.

Fonte: olhaievivei.wordpress.com
Imagem: google

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O que eu perco quando perco o culto?

Você pode imaginar a sua vida sem culto? Você consegue imaginar a sua vida sem se reunir regularmente com o povo de Deus, para adorá-lo em conjunto? O culto corporativo é um dos grandes privilégios da vida cristã. E talvez ele seja um daqueles privilégios que, ao longo do tempo, tomemos como certo. Quando eu paro para pensar a respeito, não consigo imaginar a minha vida sem culto. Eu nem mesmo desejo pensar nisso. Mas eu acho que vale a pena considerar: O que eu perco quando eu perco o culto?

Vivemos numa cultura consumista onde temos a tendência de avaliar a vida através de meios muito egoístas. Fazemos isso com o culto. “Hoje o sermão não falou comigo. Eu simplesmente não consegui apreciar as canções que cantamos nesta manhã. A leitura da Escritura foi demasiado longa”. Quando falamos dessa maneira podemos estar dando provas de que estamos indo à igreja como consumidores, como pessoas que desejam ser servidas em vez de servir.

No entanto, o ponto primário e o propósito de cultuar a Deus é a sua glória, não a satisfação das nossas necessidades sentidas. Nós adoramos a Deus, a fim de glorificar a Deus. Deus é glorificado no nosso culto. Ele é honrado. Ele é magnificado à vista daqueles que se juntam a nós.

Dessa forma, o culto rompe completamente com a corrente do consumismo e exige que eu cultue por amor da sua glória. Tenho ouvido dizer que o culto “é a arte de perder o ego na adoração de outro”. E é exatamente este o caso. Eu esqueço de tudo sobre mim e dou toda honra e glória a Ele.

O que eu perco sem o culto? Eu perco a oportunidade de crescer através de ouvir um sermão e de experimentar alegria por meio do cântico de grandes hinos. Eu perco a oportunidade de me unir a outros cristãos em oração e para recitar grandes credos com eles. Mas, mais que isso, eu perco a oportunidade de glorificar a Deus. Se eu parar de cultuar, estarei negligenciando um meio através do qual eu posso glorificá-lo.

Você vê? O culto não é sobre você ou sobre mim. O culto é sobre Deus. E, realmente, isso muda tudo.

Quando vejo o culto como algo que, em última análise, existe para o meu bem e para a minha satisfação, fica fácil tirar um dia de folga e pensar que a minha presença não faz nenhuma diferença. Mas quando eu venho para glorificar a Deus, eu entendo que ninguém mais pode tomar o meu lugar. Deus espera o levantar das minhas mãos, o erguer do meu coração e o levantar da minha voz a Ele.

Quando vejo o culto como algo que é todo sobre mim, fica fácil pular de igreja em igreja e estar sempre à procura de algo que se ajuste melhor a mim. Mas quando eu vejo a igreja como algo que é verdadeiramente sobre Deus, me pego procurando por uma igreja mais pura e melhor em adorar do modo exato como a Bíblia ordena – Eu procuro por uma igreja através da qual eu possa glorificá-lo cada vez mais.

Sem dúvida, o culto é um privilégio. Mas também é uma exigência, uma responsabilidade. E a maior responsabilidade, bem como o maior privilégio no culto, é trazer glória a Deus.




Tradução: Alan Rennê Alexandrino


Fonte: http://blogelectus.blogspot.com.br/

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Razões pelas quais guardamos o primeiro dia da semana

Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas” (Hebreus 4.9-10).

I – A CONTROVÉRSIA ATUAL
Irmãos, não basta afirmar que ninguém tem mais a obrigação de guardar o sétimo dia da semana. Dizer apenas isso pode dar a impressão de que a obrigação moral do dia de descanso não mais existe. Outro erro que devemos evitar, é o cometido por João Calvino, que afirmou o seguinte: “A tal ponto, contudo, não me prendo ao número sete que obrigue a Igreja à sua servidão, pois não haverei de condenar as igrejas que tenham outros dias solenes para suas reuniões, desde que se guardem da superstição”.[1] O erro de Calvino consiste, em que “nenhum homem ou igreja tem a prerrogativa de estabelecer um dia para outros”.[2] Teólogos contemporâneos têm afirmado que o descanso é apenas um princípio, não existindo mais nenhum dia específico. Para eles, o crente tem o arbítrio de escolher o seu próprio dia. Michael Horton, por exemplo, afirma o seguinte: “Contudo, desejo dizer que a minha convicção é que o quarto mandamento pertence ao que chamamos de parte ‘cerimonial’ da lei em vez de ‘moral’ [...] Sugerir que o quarto mandamento, então, é parte da lei cerimonial em vez de ser parte da lei moral, é dizer que ele não mais obriga os cristãos”.[3] A mesma linha é seguida pelos colaboradores de D. A. Carson, que, em Do Shabbath para o Dia do Senhor afirmam a premissa de que “o domingo é ‘um novo dia de adoração que foi escolhido para comemorar o evento único e histórico-salvador da morte e ressurreição de Cristo”.[4]

Então, se somos proibidos de adorar no sétimo dia e não podemos legislar um dia, a única alternativa é que Deus já legislou um novo dia. Como, então, Deus revelou à Igreja a mudança de dia? Mais uma vez, é útil examinarmos a afirmação da Confissão de Fé de Westminster:
Desde o princípio do mundo, até à ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana; e desde a ressurreição de Cristo, foi mudado para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado de dia do Senhor (= domingo), e que há de continuar até ao fim do mundo como o sábado cristão.[5]

Qual foi a base da mudança do dia? Para respondermos a esta pergunta, precisamos ler a passagem de Hebreus 4.9,10: “Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas”.

II – A EXIGÊNCIA DA CONTINUAÇÃO DA GUARDA DO SÁBADO

Meus irmãos, esses versículos fazem parte da conclusão de uma exortação, que teve início em 3.7 e termina em 4.13. E a primeira verdade que não pode deixar de ser percebida por nós, é que o autor de Hebreus escreveu esta carta com o propósito de encorajar os cristãos judeus que se sentiam tentados a voltar para o judaísmo. Ele não queria, de forma alguma, que os seus leitores retomassem as antigas práticas, incluindo a proibição de certos alimentos e bebidas, a guarda das festas e do sétimo dia da semana. O autor deseja deixar claro que, em Cristo Jesus, Deus cumpriu todos os seus propósitos pactuais.
Na exortação que tem início em 3.7, o autor ensina aos cristãos hebreus, que é necessária muita perseverança da parte deles. “Se voltarem ao judaísmo, estarão abandonando a realidade plena do evangelho por sombras e tipos, e não entrarão no descanso de Deus”.[6] Então, ele conclui a sua exortação com trecho que lemos em 4.9,10: “Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas”.
Mas, o quê, exatamente, é que o autor está dizendo aqui? Contra a noção daqueles que dizem que nenhum dia é necessário mais hoje, observem quando ele diz: “resta um repouso”. Aqui entra a questão que, frequentemente, aponto: Nossa tradução não nos ajuda. A razão disso, queridos irmãos, está no fato de que o autor usa a palavra grega sabbatismo,j, que, literalmente, quer dizer “guarda de um descanso”[7], ou “guarda do sábado”.[8] Esta palavra, em todo o Novo Testamento, é usada apenas aqui. Não se sabe se foi o autor de Hebreus quem inventou esse termo. Isso porque outro autor a usá-la, foi o filósofo e prosador grego, Plutarco de Queronéia, que viveu entre 46 e 126 d.C. Na obra Moralia, Plutarco usa a palavra sabbatismo,j, para “descrever descanso religioso supersticioso”.[9]
Qual a importância dessa palavra para o nosso estudo? Simplesmente, queridos irmãos, está no fato de que o autor tem em mente aqui a guarda de um dia. Muitas pessoas dizem que, com a vinda de Cristo ninguém mais está debaixo da obrigação de guardar um dia de descanso, visto que, em Jesus, já fomos introduzidos no descanso eterno. Mas, esse argumento é por demais fraco. De fato, o autor de Hebreus fala do descanso no qual fomos introduzidos pela obra de Cristo. Como se nos restasse apenas o descanso eterno. Interpretam até mesmo essa passagem de Hebreus 4.9 dessa forma. Mas está errado. Nos capítulos 3 e 4, o autor usa outra palavra mais geral para falar do descanso de Deus, o descanso eterno em que se deve entrar. Ele usa a palavra kata,pausij. Irmãos, se ele quisesse ensinar meramente que não há mais nenhuma obrigação de se guardar um dia, mas que Cristo nos introduziu no descanso eterno, no qual devemos consumar a nossa entrada mediante a fé, por que ele não usou simplesmente a palavra sabbatismo,j?

Ele usa 
sabbatismo,j porque, além de se referir ao descanso espiritual, a palavra também fala de uma observância religiosa, de uma guarda de um dia, de uma observância de um sábado. Então, irmãos, percebam que, o Novo Testamento não anula a obrigação moral da guarda de um dia, mas a exige claramente. Então, irmãos, o livro de Hebreus ensina claramente que permanece um sábado cristão. A. W. Pink, após analisar o versículo 9 de Hebreus 4, afirmou o seguinte:
Aqui, então, está uma clara, positiva e inequívoca declaração do Espírito de Deus: “Portanto, resta uma guarda de sábado”. Nada poderia ser mais simples, nada mais ambíguo. O que é surpreendente é que esta afirmação ocorre na própria epístola cujo tema é a superioridade do Cristianismo sobre o Judaísmo; escrita e endereçada àqueles que são chamados de “santos irmãos, participantes da vocação celestial”. Por isso, não pode ser negado que Hebreus 4.9 se refere diretamente ao sábado cristão. Daí que, solene e enfaticamente declaramos que qualquer homem que diz que não há sábado cristão critica diretamente as Escrituras do Novo Testamento.[10]

Então, queridos, “assim como o povo de Deus da Antiga Aliança tinha a promessa do descanso futuro juntamente com seu dia de descanso, o povo do Novo Pacto de Deus, a igreja, também tem a promessa de descanso futuro com seu dia de descanso religioso”.[11]
III – O PRIMEIRO DIA DA SEMANA
Irmãos, além de estabelecer o princípio de que ainda permanece uma guarda de sábado no presente, Hebreus 4.9,10 também estabelece o dia para a observância do domingo como sábado cristão. Vejam o versículo 10: “Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas”. Observem irmãos, resta uma guarda de sábado “porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou das suas obras, como Deus das suas”.
Irmãos, isso é extraordinário! De quem o autor aos Hebreus está falando no versículo 10? Queridos, ele está falando aqui de Jesus Cristo! De maneira bem específica, ele está falando do descanso de Jesus de sua obra redentiva por ocasião da sua ressurreição! O autor compara o repouso de Cristo de sua obra da redenção com o descanso de Deus da obra da criação. Alguns dizem que ele está falando do povo de Deus. Mas tal entendimento é impossível! Literalmente, o versículo 10 deve ser traduzido assim: “Pois o que entrou no seu repouso, também ele próprio descansou de seus trabalhos, assim como Deus descansou dos seus labores”.[12] Uma das melhores traduções em inglês, a King James Version, traduz assim o texto: “Pois ele que entrou no seu descanso, ele também cessou de suas próprias obras, como Deus das suas”.[13] A referência é a “ele” que descansou de uma vez por todas.[14]
Existem três razões muito fortes, pelas quais não podemos interpretar esse versículo como falando do crente ou do povo de Deus, de uma maneira geral, mas sim como uma referência à obra de Cristo Jesus.[15] Em primeiro lugar, é completamente inapropriado comparar as obras e o descanso do crente com as obras e o descanso de Deus. “Como não é próprio comparar a obra de um pecador com a obra de Deus, também é impróprio comparar os dois descansos”.[16] O descanso de Deus na criação não foi apenas um cessar de atividades, mas também uma feliz contemplação de sua obra. Deus olhou para sua obra e se alegrou com ela. Diferentemente do crente, que descansar significa para ele, não a contemplação de suas obras – que são más –, mas sim um rompimento abrupto com todo o pecado.
A segunda razão, queridos irmãos, é que quando o autor quer falar do povo de Deus, ele usa o plural, como por exemplo: “Temamos, portanto, que sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado [...] Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso” (v. 1,11). O uso do pronome singular “aquele” ou “ele” sugere alguém que não seja o povo de Deus. John Owen diz o seguinte: “Uma simples pessoa é aqui expressa; sendo uma sobre cuja descrição as coisas mencionadas são afirmadas”.[17]

Isto nos leva à terceira razão. Observem a diferença entre o verso 10 e o verso 11: “Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas. Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso”. O versículo 10 fala de um descanso já consumado, já realizado, enquanto que o versículo 11 fala sobre a responsabilidade que os crentes ainda têm de entrar “naquele descanso”. São referências distintas!
Então, queridos irmãos, há uma relação de comparação entre o descanso de Deus na criação e o descanso de Jesus Cristo na sua ressurreição. Essa compreensão fornece um paralelo entre a obra da criação e a obra da redenção. Quando Deus concluiu a criação, ele descansou no sétimo para declarar a sua obra concluída, para se deleitar nessa obra, e para prometer o descanso eterno a Adão no Pacto das Obras. De igual modo, Deus, o Filho, descansou de sua obra da redenção no primeiro dia da semana como sinal de que a sua obra estava concluída, tinha sido realizada objetivamente e que nada restava para ser feito. Assim como a conclusão de uma obra instituiu o sétimo dia, a conclusão de outra obra instituiu a observância do primeiro dia.
Com a ressurreição de Cristo a ordem das coisas muda. No Antigo Pacto, a ordem era trabalhar seis dias e descansar no sétimo. Isso se dava em função de que os santos do Antigo Testamento ainda esperavam o cumprimento da obra messiânica. É por isso que para eles, os dias de trabalho vêm primeiro, e o dia de descanso vem depois. Mas, com a ressurreição de Jesus, nós olhamos para a obra já realizada por Cristo. É por isso que celebramos, primeiramente, o descanso. Quero citar aqui, queridos irmãos, as palavras de um dos grandes teólogos reformados, Geerhardus Vos:
O povo de Deus do Antigo Testamento tinha de tipificar em sua vida os desenvolvimentos futuros da redenção. Consequentemente, a precedência do labor sucedido pelo descanso tinha de ter expressão em seu calendário. A igreja do Novo Testamento não tinha que desempenhar tal função típica, porque os tipos haviam sido cumpridos. Mas ela tem um grande evento histórico para comemorar: a realização da obra por Cristo e a sua entrada e de seu povo por meio dele no estado de descanso ininterrupto.[18]

Irmãos, isso é extraordinário! Isso nos mostra que guardar o sétimo dia é, na verdade, uma absurda falta de compreensão teológica do caráter e natureza da obra da redenção realizada por nosso Senhor Jesus Cristo.
CONCLUSÃO

Quando entendemos isso, meus irmãos, podemos compreender a razão pela qual a Igreja Primitiva se reunia no primeiro dia da semana com o propósito de partir o pão, celebrando a Ceia do Senhor. Nós estamos distante deles cerca de mais de dois mil anos. Isso quer dizer que, nós não conhecemos nem reconhecemos o profundo sentimento que a Igreja Primitiva teve da importância extraordinária da aparição e, especialmente, da ressurreição de Jesus Cristo.

Por que os encontramos reunidos no primeiro dia da semana? Porque eles compreenderam perfeitamente a grandeza do evento ocorrido no domingo. Eles compreenderam de uma forma como nenhum de nós, em pleno século XXI, é capaz de compreender.
Meus irmãos, devemos amar o domingo, o dia que aparece no Novo Testamento como “o dia do Senhor” (Apocalipse 1.10), isto é, o dia que pertence ao Senhor. Por qual razão ele pertence a Cristo? Por direito da sua ressurreição. E a Igreja, em amor a Cristo e em obediência ao que lhe foi legado pelo evento histórico da ressurreição, deve amar o dia do Senhor.

É por isso que guardamos o primeiro dia da semana! Louvado seja Deus pela obra da Redenção! Amém!
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Notas:
[1] João Calvino, As Institutas: Edição Clássica, II.8.34, (São Paulo: Cultura Cristã, 2006), 158.
[2] Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, 115.
[3] Michael Horton, A Lei da Perfeita Liberdade, (São Paulo: Cultura Cristã, 2000), 106. De acordo com informações verbais, Horton posteriormente mudou o seu posicionamento, ao ter contato com a obra do Dr. Joseph Pipa.
[4] D. A. Carson (Org.), Do Shabbath para o Dia do Senhor, informação da contra-capa.
[5] CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER, XXI.7, 177.
[6] Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, 119.
[7] Thayer’s Greek Lexicon in BIBLEWORKS 6.0. Minha tradução.
[8] Harold K. Moulton, Léxico Grego Analítico, (São Paulo: Cultura Cristã, 2008), 373.
[9] Apud in Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, 121.
[10] A. W. Pink, An Exposition of Hebrews. Sermon17: Christ Superior to Joshua (Hebrews 4.3-10). Minha tradução.
[11] Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, 125.
[12] Waldyr Carvalho Luz, Novo Testamento Interlinear, (São Paulo: Cultura Cristã, 2003), 769.
[13] King James Version in BIBLEWORKS 6.0 Minha tradução.
[14] O verbo 
eivse,rcomai, está no particípio aoristo. O tempo aoristo tem o significado de uma ação realizada uma única vez e de uma vez por todas.
[15] John Owen, Works of John Owen: An Exposition of the Hebrews, Vol. 19, Johnstone & Hunter, 1855.
[16] Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, 125.
[17] John Owen, Works of John Owen: An Exposition of the Hebrews, Vol. 19, 413. Minha tradução.
[18] Geerhardus Vos, Teologia Bíblica: Antigo e Novo Testamentos, (São Paulo: Cultura Cristã, 2010), 176, 177.

Autor: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima
Fonte: Cristão Reformado

Fonte: Bereianos

TESTEMUNHO EX TJ.

Sou desassociada há mais de 15 anos. Fui o que consideravam uma irmã exemplar. Era pioneira regularmente, participava da escola do Ministério Teocrático e fazia algumas partes em Assembleias e Congresso. Minha mãe é testemunha de Jeová, minha irmã e meu cunhado já foram pioneiros especiais.


Um pouco antes da desassociação, estava confusa por conta da minha sexualidade.


Então resolvi, conversar com os anciãos, porque, eles deveriam ser o meu ponto apoiador. Falei que nunca tinha tido contato sexual com qualquer pessoa que fosse e que queria entender porque eu estava despertando certos desejos dentro de mim.


Um ancião em especial me disse que esses sentimentos eram inaceitáveis e que eu teria que ser desassociada para servir de exemplo.

Fui para casa desolada e envergonhada.


Não sabia como iria dar essa notícia a minha mãe. Tomei coragem e finalmente contei. Para fugir da vergonha, resolvi viajar até depois que fosse anunciada publicamente a minha desassociação. Alguns dias depois, já em outra cidade, recebi uma ligação da minha mãe dizendo que eu deveria voltar, qe o tal ancião voltou atrás na sua decisão e que eu poderia voltar a assistir as reuniões e retomar minhas atividades na congregação. Dessa vez, foi minha vez de dizer que eu é quem queria agora virar as costas para uma organização tão monstruosa.

Depois disso, fui atacada de várias formas. No casamento da minha irmã, meu cunhado foi orientado por esse mesmo ancião a me expulsar na frente de todos os convidados e da minha família. Hoje, vivo tranquila. Tirei meus medos e não sinto vergonha e sim alívio de ter me afastado de pessoas de tão pouco amor ao próximo.


Atenciosamente,


Sandra Assis.