quarta-feira, 3 de junho de 2020

Profecia ou Bola de Cristal?

1 Ts 5.20: “Não desprezeis as profecias“.

Se os profetas falam em nome de Deus, provavelmente o diabo tentará provocar a falência deste instrumento. O tamanho e a forma do ataque varia com as tendências do grupo opositor.

Entre os cristãos históricos se diz que este dom não é pra hoje, mesmo que a base bíblica apresentada para firmar esta posição não apresente declarações explícitas.

Por motivos óbvios, este argumento não proliferou entre os pentecostais. Por serem a esmagadora maioria do movimento evangélico garantem espaço para milhares de profetas. Neste meio o inimigo procura banalizar o dom introduzindo excessos e transformando este dom em ferramenta de coerção e domínio.

Lúcifer invadiu a “Cidade de Deus” (a Igreja) e disseminou largamente o falso para nos fazer duvidar do verdadeiro. O falso profeta aperfeiçoa técnicas para o cultivo de esperanças vãs, sonhos irreais e desilusões.

Muitos profetas rondam minha vida e ministério prevendo inúmeras proezas de fé. Se o número de acertos alcançar de 5% dos erros, alcançarei uma posição equivalente a “secretário executivo da santíssima trindade”. E tem mais, com direito a voto na Sala do Trono.


Confesso que depois de ver tanto chute saindo pela bandeirinha de corner, procuro sair da frente quando se aproxima alguém ameaçando fazer outro arremate.

Infelizmente até horóscopo, tarô, leitura de mão, búzios e a mãe Diná apresentam um percentual de acerto maior.

Será que o deus deles é mais eficiente do que o nosso? Acho que o abominável das desolações se fantasiou de “Arca da Aliança” e está arrumando um trono cativo no santíssimo lugar.

Nada mais eficiente do que passar por profeta, cometer erros grosseiros visando desmoralizar a função. Isto é mais eficiente do que promover debates em torno do tema. Não se preocupe, pois Deus está vendo.

O profeta é um crítico e funciona como o sistema imunológico da sociedade onde está inserido. Tendo liberdade de ação, o profeta facilita a execução de tarefas sociais recomendadas por Paulo nos versículos seguintes:

1.”…julgai todas as coisas, retende o que é bom
2.”…abstende-vos de toda forma de mal” (1Ts 5.21,22).


É por este motivo que o profeta provoca tantas reações contrárias. Coisa antiga, visto que Jesus foi vítima inocente dos religiosos, do mesmo modo como ocorreu com os profetas do Velho Testamento.

Assim, contra vós mesmos, testificais que sois filhos dos que mataram os profetas. Enchei vós, pois, a medida de vossos pais (Mt 23.31,32).

Talvez seja por isto que estou sob constante pressão, e haja tantas tentativas de me amordaçar. Me faz bem saber que tipo de ministério eu tenho e me faz mais bem ainda admitir isto publicamente. Não tenho visões do futuro, nem creio que a predição seja a base do ministério profético, mas sim a sensibilidade para perceber a invasão inimiga. Sei que este tipo de ministério incomoda e atrai inimizades, mas só Deus poderá me silenciar.

Ubirajara Crespo


Fonte: cristaoreformado.com.br

sexta-feira, 29 de maio de 2020

TJs: Os filhos de Deus e as filhas dos homens

E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas, Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram. Então disse o Senhor: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos. Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama. Gn 6.1-4

Testemunhas de Jeová. Segundo sua interpretação, a frase “filhos de Deus” está se referindo aos anjos, que assumiram corpos físicos e vieram à terra para ter relações sexuais com belas mulheres, união da qual teriam nascido gigantes iníquos.

Resposta apologética: Ainda que tal interpretação possa ser defendida, acreditamos, porém, que os “filhos de Deus” sejam os descendentes piedosos de Sete. Apresentamos, para isso, os seguintes argumentos:

Em primeiro lugar, ao analisarmos o texto de Mateus 22.29,30, que diz: “Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu”, entendemos que as paixões e os apetites sexuais são especificamente manifestações do corpo e não dos anjos celestiais.

Em segundo lugar, não foi da união entre os “filhos de Deus” e as “filhas dos homens” que nasceram os gigantes. Pelo contrário, eles já existiam antes desse acontecimento. Vejamos: “Havia, naqueles dias, gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os varões de fama” (6.4).

Em terceiro lugar, caso esses “filhos de Deus” fossem anjos decaídos, seriam demônios e não mais “filhos de Deus”; logo, não poderiam ser considerados como tais.

Em quarto lugar, os descendentes de Sete “invocavam o nome do Senhor”, tal como o próprio Sete (4.26). Ou seja, possuíam comunhão com Deus. Andavam com Deus, como Enoque (5.22-24). “Acharam graça diante do Senhor”, como Noé (5.29; 6.8). E obtiveram “testemunho de que agradaram a Deus e se tornaram herdeiros da justiça que é segundo a fé” (Hb 11.5,7).

Fonte: CACP

quarta-feira, 27 de maio de 2020

EG White disse que não é pecado guardar o domingo?

Não teria Leandro Quadros citado Ellen White fora de contexto?

“Somente os adventistas serão salvos?” Esta pergunta o Leandro Quadros respondeu em um programa da TV Novo Tempo. De maneira diferente do Pastor Luis Gonçalves (obviamente os dois negarão qualquer aliança com a minha interpretação!!!) tenta ser mais ‘ecumênico’. Tanto, que no vídeo, o Tito bem como o Leandro admitem existir uma ‘minoria’ exclusivista que assim pensa dentre os adventistas… Engraçado, depois o Leandro chama os apologistas evangélicos de desinformados… Será mesmo?

Para explicar a questão, ele cita O Grande Conflito de Ellen White a partir dos 4 minutos do vídeo. Um pouco mais adiante Leandro Quadros faz alusão ao contexto, que a bem da verdade, foi estuprado por ele. Vou transcrever o que Ellen White escreveu na íntegra. Em itálico e negrito a parte que Leandro Quadros citou do livro. E julgue você mesmo, se pelo menos, o Leandro Quadros colocou Ellen White como ecumênica demais:

“A mensagem de Apocalipse 14, anunciando a queda de Babilônia, deve aplicar-se às organizações religiosas que se corromperam. Visto que esta mensagem se segue à advertência acerca do juízo, deve ser proclamada nos últimos dias; portanto, não se refere apenas à Igreja de Roma, pois que esta igreja tem estado em condição decaída há muitos séculos.

Demais, no capítulo 18 do Apocalipse, o povo de Deus é convidado a sair de Babilônia. De acordo com esta passagem, muitos do povo de Deus ainda devem estar em Babilônia. E em que corporações religiosas se encontrará hoje a maior parte dos seguidores de Cristo? Sem dúvida, nas várias igrejas que professam a fé protestante. Ao tempo em que surgiram, assumiram estas uma nobre posição no tocante a Deus e à verdade, e Sua bênção com elas estava. Mesmo o mundo incrédulo foi constrangido a reconhecer os benéficos resultados que se seguiam à aceitação dos princípios do evangelho. Nas palavras do profeta a Israel: “E correu a tua fama entre as nações, por causa da tua formosura, pois era perfeita, por causa da Minha glória que Eu tinha posto sobre ti, diz o Senhor Jeová.” Ez. 16:14. Caíram, porém, pelo mesmo desejo que foi a maldição e ruína de Israel – o desejo de imitar as práticas dos ímpios e buscar-lhes a amizade. “Confiaste na tua formosura, e te corrompeste por causa da tua fama.” Ez. 6:15. 

Muitas das igrejas protestantes estão seguindo o exemplo de Roma na iníqua aliança com os “reis da Terra”: igrejas do Estado, mediante suas relações com os governos seculares; e outras denominações, pela procura do favor do mundo. E o termo “Babilônia” – confusão – pode apropriadamente aplicar-se a estas corporações; todas professam derivar suas doutrinas da Escritura Sagrada, e, no entanto, estão divididas em quase inúmeras seitas, com credos e teorias grandemente contraditórios.” (O Grande Conflito, 383).

“Mas os cristãos das gerações passadas observaram o domingo, supondo que em assim fazendo estavam a guardar o sábado bíblico; e hoje existem verdadeiros cristãos em todas as igrejas, não excetuando a comunhão católica romana, que creem sinceramente ser o domingo o dia de repouso divinamente instituído. Deus aceita a sinceridade de propósito de tais pessoas e sua integridade. Quando, porém, a observância do domingo for imposta por lei, e o mundo for esclarecido relativamente à obrigação do verdadeiro sábado, quem então transgredir o mandamento de Deus para obedecer a um preceito que não tem maior autoridade que a de Roma, honrará desta maneira ao papado mais do que a Deus. Prestará homenagem a Roma, e ao poder que impõe a instituição que Roma ordenou. Adorará a besta e a sua imagem. Ao rejeitarem os homens a instituição que Deus declarou ser o sinal de Sua autoridade, e honrarem em seu lugar a que Roma escolheu como sinal de sua supremacia, aceitarão, de fato, o sinal de fidelidade para com Roma – “o sinal da besta”. E somente depois que esta situação esteja assim plenamente exposta perante o povo, e este seja levado a optar entre os mandamentos de Deus e os dos homens, é que, então, aqueles que continuam a transgredir hão de receber “o sinal da besta”. (O Grande Conflito, p.449)

Ao assistir o vídeo você percebe que Leandro Quadros tem duas dificuldades. Primeiro é tentar provar que os adventistas não são exclusivistas, depois é mostrar que as pessoas precisam buscar a verdade, sem dizer claramente que essa verdade é a mensagem Adventista!

Da maneira que ele citou, acho, que ele não foi fiel ao texto de Ellen White. Mesmo que depois tenha tentado dar algum vestígio de informação, de que o contexto poderia apresentar algum caminho desenvolvido do assunto, ao dizer que Ellen White advertiu que Deus ‘levará em conta não apenas a sinceridade mas a negligência em não buscar a verdade’. Porém, segundo ele mesmo, esse não era o foco da pergunta e o que importava era que os Adventistas ‘não ensinam que apenas eles serão salvos’.

Com certeza, Ellen White não foi nesse texto tão ecumênica quanto ele desejou ali naquele momento. Na verdade a profetisa Adventista era mais aberta com Arianos do que com os que guardavam o domingo!!! O conteúdo do vídeo, não transmitiu o que uma ‘minoria adventista’ percebe claramente de Ellen White. Na verdade, Leandro Quadro também sabe disso, mas ele está ali como o projeto de marketing da ‘boa vizinhanças’ da TV Novo Tempo.

Se o Adventismo quer maquiar sua posição sectária, para enganar e alcançar essas “outras ovelhas”, não deveria adulterar sua imagem exclusivista.

Autor: Luciano Senna do site http://mcapologetico.blogspot.com 

Via: CACP

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Louvor e a concretude da vida

“Aleluia! Louvem a Deus no seu santuário, louvem-no no seu poderoso firmamento. Louvem-no pelos seus feitos poderosos, louvem-no segundo a imensidão de sua grandeza! Louvem-no ao som de trombeta, louvem-no com a lira e a harpa, louvem-no com tamborins e danças, louvem-no com instrumentos de cordas e com flautas, louvem-no com címbalos sonoros, louvem-no com címbalos ressonantes. Tudo o que tem vida louve o Senhor! Aleluia!”

– Salmo 150.1-6

Louvar a Deus é algo concreto. Louvor não é tagarelice. Louvar a Deus não é se alienar dos desafios da vida em êxtases místicos. Louvor não é cantarolar palavras vazias ao vento. Pelo contrário, louvar a Deus tem a ver com a concretude da vida.

A convocação para louvar a Deus é clara e concreta: “Aleluia! Louvem a Deus”.

O local da adoração a Deus é concreto: Deus deve ser louvado “no seu santuário” e “no seu poderoso firmamento”. Céus e terra unidos em adoração ao Rei do universo. Deus deve ser adorado em seu santuário. O santuário de Deus é mais que o templo do Antigo Testamento, é o nosso próprio corpo, é a igreja, é a comunidade dos salvos: “Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?” (1Coríntios 3.16). Devemos louvar a Deus em nosso corpo!

As razões do louvor a Deus são concretas. Pelo que Deus deve ser louvado? O Salmo responde: “Louvem-no pelos seus feitos poderosos!”. Ele é o Deus que intervém, que age, que atua. Louvem-no pelos seus feitos poderosos: ele criou o universo! “Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos” (Salmo 19.1). Louvemos a Deus por tudo aquilo que ele fez, aquilo que ele faz, aquilo que ele fará! Não somos deístas, não cremos que Deus criou o mundo e nos abandonou. Louvemos a Deus pelos seus feitos poderosos: pelo supremo ato de amor ao enviar seu filho amado Jesus para morrer na cruz em nosso lugar. Mas não devemos louvá-lo apenas por aquilo que ele nos faz, mas também por aquilo que ele é! “Louvem-no segundo a imensidão de sua grandeza!”. Nosso Deus é grande, belo, perfeito, santo, fiel, bondoso, verdadeiro, amoroso, eterno! Louvemos a Deus em espírito e em verdade, nosso Deus é Espírito e também Verdade. “Ao Rei eterno, ao Deus único, imortal e invisível, sejam honra e glória para todo o sempre. Amém” (1Timóteo 1.17).

O modo de louvar a Deus também é concreto. Essa adoração, no entanto, não é feita apenas com palavras ditas ou escritas. Se a convocação do louvor é concreta, suas causas são concretas, devemos estar certos que o modo de adorar a Deus também deve ser concreto! A adoração envolve todo nosso ser, nossas motivações, anseios, atitudes. Neste Salmo 150 encontramos orientações também sobre o modo da adoração: “Louvem-no ao som de trombeta, louvem-no com a lira e a harpa, louvem-no com tamborins e danças, louvem-no com instrumentos de cordas e com flautas, louvem-no com címbalos sonoros, louvem-no com címbalos ressonantes”. É uma adoração concreta, palpável, materializada. Podemos apontar pelo menos quatro aspectos práticos para um louvor concreto: Deus pode ser louvado com nossas ferramentas, nossas faculdades, nossa firmeza e nosso fôlego. São quatro efes para um louvor concreto: F-F-F-F, vamos refletir:

1. Ferramentas
O Salmo menciona inúmeros instrumentos: trombeta, lira, harpa, tamborins, instrumentos de cordas, flautas. Deus nos deu capacidades para criar ferramentas. Podemos criar uma foice para ceifar alimento, mas ao mesmo tempo usá-la para ceifar vidas. O ser humano está desconectado de Deus, é um ser caído, que pode criar enxadas para arar a terra, mas ao mesmo tempo espadas para matar seu semelhante. Somos capazes de edificar hospitais e universidades, mas também bombas termonucleares e campos de concentração para extermínio sistemático de outros seres humanos.

No início da Bíblia está escrito que um descendente de Caim chamado Jubal, “foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta” (Gênesis 4.21) e ainda que Tubalcaim foi o aquele que “fabricava todo tipo de ferramentas de bronze e de ferro” (Gênesis 4.21-22). Da linhagem do perverso Caim vieram homens que criaram instrumentos, ferramentas. Eram pessoas perversas, mas os instrumentos e ferramentas poderiam ter novos usos, poderiam ser ressignificados, reutilizados de outro modo. No Salmo 150 flauta e harpa se tornam instrumentos de louvor a Deus!

Diariamente utilizamos instrumentos e ferramentas variadas: roupas, computadores, móveis. Que possamos louvar a Deus com nossas ferramentas! Que possamos dizer: “eu e meu iPhone serviremos a Deus”, “eu e meu carro serviremos a Deus”. Não pense que as coisas não importam. Precisamos estar atentos, pois como Jesus disse, não se pode servir a Deus e a Mamon. O problema é que muitas vezes as coisas nos dominam. Agimos de modo materialista, ao contrário de sermos bons mordomos de Deus.

Que possamos ser adoradores com aquilo que estiver em nossas mãos. Como aquele menino colocou os pães e peixes, coloquemos aquilo que estiver em nossas mãos à serviço do Rei Jesus. Sejamos adoradores com nossos pertences! Você louva a Deus com as suas ferramentas? Ou elas são instrumentos para o pecado?

2. Faculdades
Deus nos deu faculdades impressionantes: falar, raciocinar, criar. Somos imagem e semelhança de Deus! O Salmo fala sobre capacidades musicais, capacidade de dançar, de mover-se no ritmo certo. Você tem louvado a Deus com suas capacidades?

Deus nos deu talentos conforme sua soberana vontade. Há pessoas, no entanto, cheias de habilidades, beleza, carisma, mas nada disso está a serviço do Reino de Deus, da humanidade, para o bem do mundo. São pessoas que fazem tudo para seu próprio louvor. Estão ocupadas somente em escreverem seus próprios nomes nas estrelas, como os construtores da Torre de Babel. Pessoas mesquinhas, ensimesmadas, sem amor, Deus nos livre de uma alma pequena. Deus nos livre de uma visão minúscula da vida.

Que possamos multiplicar os talentos que o Senhor nos confiou. Use seus talentos para a glória de Deus. Sua capacidade de liderar, sua percepção, sua inteligência, sua facilidade de agregar pessoas, seu bom humor, são capacidades que Deus te deu. “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes” (Tiago 1.17).

3. Firmeza
O biblista Derek Kidner fez uma interessante observação sobre os instrumentos mencionados no Salmo 150: “vários lados da vida se tocam: grandes ocasiões nacionais e sagradas, ao som da trombeta (esta era o chifre curvo empregado para anunciar o ano do jubileu, Levítico 25.9); celebração alegre, por exemplo, de uma vitória, com adufes e danças (Salmo 81.2 e Salmo 149.3); a produção da música simples, julgando pelas associações quotidianas da flauta (Gênesis 4.21; Jo 21.12; Jó 30.31)” [KIDNER, Derek. Salmos 73-150: Introdução e comentário. Série Cultura Bíblica. São Paulo: Vida Nova, 2011, p.496].

Ou seja, esses instrumentos também podem apontar para momentos diferentes da vida: assembleias solenes, momentos triviais, conquistas, derrotas. É assim que devemos adorar a Deus! Em todo tempo, com toda nossa firmeza. Muitas vezes somos tão resolutos para aquilo que é insignificante. Levamos diversas vezes nossos gostos e opiniões pessoais às últimas consequências. Agimos de modo intransigente com nossas visões políticas, culturais, esportivas, e até mesmos em nossos caprichos. E muitas vezes, não honramos a Deus assim.

Perdemos oportunidades de adorarmos nosso amado Jesus com nossa resiliência, nossa garra, nossa perseverança. Desistimos fácil, murmuramos instantaneamente, praguejamos aos invés de adorar. “Feliz é o homem que persevera na provação, porque depois de aprovado receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam” (Tiago 1.12).

Nosso Senhor afirmou: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês” (Mateus 5.10-12).

4. Fôlego
Se você se armou de desculpas dizendo “eu não tenho ferramentas para louvar a Deus”; “eu não tenho faculdades para louvar a Deus”; “eu sou desqualificado, inconstante, jamais conseguirei louvar a Deus com minha firmeza”, ficará indesculpável ao fim do Salmo 150: tudo o que respira louve ao Senhor! Você pode louvar a Deus com sua respiração! Não há desculpas, não há chance de fugir. Tudo o que tem fôlego louve ao Senhor! Afinal, como está escrito, “os mortos não louvam o Senhor, tampouco nenhum dos que descem ao silêncio. Mas nós bendiremos o Senhor, desde agora e para sempre!” (Salmo 115.17-18).

Você pode estar triste, mas não está morto. Você pode estar abatido, mas não está morto! Você está vivo, está lendo este texto, está sendo tocado pelo Espírito Santo de Deus, portanto, encare a vida, enfrente a realidade, consagre sua vida a Deus! Louve-o!

Uma adoração concreta é aquela que passa a envolver toda a nossa existência! Quanto maior nosso conhecimento de Deus, maior nosso amor por ele. A adoração é a única reação cabível diante de tão grande amor. A perplexidade, gratidão e absoluto sentimento de inadequação ante tão profunda misericórdia divina, nos levam ao louvor, a exaltação daquele que vive e reina: o Senhor Deus Criador dos céus e da terra! É tudo sobre Deus: Dele, por ele e para ele são todas as coisas. A Bíblia começa com a criação graciosa de Deus: “No princípio Deus criou os céus e a terra” (Gênesis 1.1), e termina com a graça criadora de Deus: “A graça do Senhor Jesus seja com todos” (Apocalipse 22.21).

Como o evangelho é poderoso! Ele alcança pessoas como nós: violentas, pecadoras, ingratas. Como afirmou meu amigo Maurício Zágari: “Deus chamou pecadores para pregarem contra o pecado, convocou abatidos para proclamarem a alegria, conclamou doentes a orarem pelos enfermos, exortou carentes a anunciarem a plenitude” [ZÁGARI, Maurício. Confiança inabalável. São Paulo: Mundo Cristão, 2016, p.128].

Essa é a beleza do evangelho: ele é baseado no amor de Deus! Louvemos esse Deus! Exaltemos seu Santo Nome! Aleluia!

Fonte: napec.org

sábado, 23 de maio de 2020

A Santificação do Corpo

Por Luciano Subirá

É preciso entender que todo cristão deve trazer em si a marca de “santidade ao Senhor”, à semelhança do sacerdote da lei mosaica, que trazia esta inscrição na mitra (Ex.28:36-39). Portanto queremos trazer luz sobre o processo de santificação e, em especial, a santificação do corpo, uma vez que vivemos dias em que a imoralidade que impera no mundo tem entrado pelos portões da Igreja.

É necessário começar estabelecendo fundamentos da doutrina de santificação, portanto quero iniciar pelo que considero o fundamento principal deste assunto:
“À igreja de Deus que está em Corinto, aos SANTIFICADOS em Cristo Jesus, CHAMADOS PARA SEREM SANTOS, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso”. – I Coríntios 1:2


O texto acima nos mostra que a santificação tem duas etapas:
inicial – “santificados em Cristo Jesus”;
progressiva – “chamados para serem santos”.

Quando a Bíblia usa o termo “santificados” em Cristo Jesus, não fala de algo que está acontecendo, mas sim de algo que já aconteceu; está no tempo passado. Vários outros textos confirmam que ao encontrarmos Jesus e nascermos de novo, fomos santificados (At.26:18, I Co.6:11, etc). Todo o passado de pecado foi removido e a sujeira espiritual foi lavada (Tt.3:5); tornamo-nos novas criaturas e as coisas velhas já passaram (II Co.5:17).

Por outro lado, a mesma Bíblia mostra que depois de termos passado por esta santificação, ainda há necessidade de algo mais, pois o mesmo texto também diz: “chamados para serem santos”. Estes mesmos que foram santificados inicialmente (uma experiência instantânea) são chamados para SEREM santos. Em outras palavras, o que Deus começou agora deve ser mantido e desenvolvido por cada um de nós.
“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá a Deus” – Hebreus 12:14


Ao falar sobre seguir a santificação, a Bíblia está falando de um processo. Esta carta foi dirigida a pessoas cristãs, portanto já haviam passado pela santificação inicial do novo nascimento. Porém, elas necessitavam de algo mais: um processo de santificação. E o que diferencia estas duas etapas da santificação?

O fato do homem ser tripartido (composto de três partes distintas), bem como o da salvação divina tocar de modo distinto cada uma destas partes:
“E o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso ESPÍRITO e ALMA e CORPO sejam conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” – I Tessalonicenses 5:23

Quando o apóstolo Paulo fala sobre Deus nos santificar “completamente”, está falando sobre o nosso ser inteiro, que é composto de espírito, alma e corpo.

Seu espírito é a parte de si que tem consciência de Deus e das coisas espirituais. Sua alma é a parte de si que tem consciência de si mesmo. Já seu corpo é a parte de si que tem consciência das coisas naturais. A salvação divina atinge cada uma destas três partes da seguinte maneira:
ESPÍRITO – já passou pela santificação inicial que se deu na ocasião da regeneração (II Co.1:21 – Tg.1:18 – I Pe.1:21). Agora se desenvolve mediante o processo de crescimento (I Pe.2:2 – Ef.5:15) que corresponde ao crescimento natural (I Co.3:1-3 – Hb.5:13,14);

ALMA – é a nossa personalidade; sede das emoções, intelecto e vontade. Não é regenerada, mas restaurada (Tg.1:21) pela Palavra de Deus. Enquanto a santificação do espírito é inicial e imediata, a santificação progressiva tem seu lugar na alma e no corpo. É o processo de mudança de valores (Lc.5:33-39 – Ef.4:23 – Jr.18:1-6 – Rm.12:1,2) que também chamamos de desenvolver a salvação (Fl.1:6 e 2:12) e despir-se do velho homem (Ef.4:20 a 5:21);

CORPO – nosso corpo só será totalmente santificado depois de transformado (Rm.8:23 – Fl.2:21 – I Co.15:50-53). Até que isto aconteça, a santificação do corpo é o processo contínuo de sujeitar a carne (I Co.9:27), guardar-se da imoralidade (I Co.6:13-20 – I Ts.4:1-8) e usar adequadamente os membros do corpo. A santificação do corpo abrange ainda a nossa forma de falar e de vestir (Ef.4:25,29 – I Tm.2:9,10).

O que aconteceu em nosso espírito – a regeneração – é o que chamamos de santificação inicial. Porém o processo de restauração da alma e sujeição da carne é o que chamamos de santificação progressiva. Ao destacar cada uma das três partes que compõem nosso ser enquanto falava da santificação, o apóstolo Paulo estava nos mostrando a necessidade de trabalharmos com cada parte em separado. Escrevendo aos Coríntios, ele falou sobre nos purificarmos das imundícies tanto da carne como do espírito (II Co.7:1).

Reconhecida esta diferença, avancemos em nossa meditação considerando o que a Bíblia fala sobre a santificação do corpo, que é o enfoque deste estudo:
“Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição, QUE CADA UM DE VÓS SAIBA POSSUIR O SEU VASO EM SANTIDADE E HONRA, não na paixão da concupiscência, como os gentios que não conhecem a Deus; ninguém iluda ou defraude nisso a seu irmão, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos. Porque Deus não nos chamou para a imundície, mas para a santificação. Portanto, quem rejeita isso não rejeita ao homem, mas sim a Deus, que vos dá o seu Espírito Santo” – I Tessalonicenses 4:3-8

Diante do que as Sagradas Escrituras afirmam neste texto, podemos extrair cinco princípios:
1) abster-se da prostituição;
2) possuir o corpo em santidade e honra;
3) não iludir ou defraudar o irmão nesta área;
4) Deus é vingador;
5) Rejeitar a santificação é rejeitar a Deus.

Examinemos o que a Bíblia tem a dizer sobre cada um deles…

ABSTER-SE DA PROSTITUIÇÃO


O maior inimigo da santificação do corpo é, sem dúvida alguma, a prostituição. É interessante notar que este tipo de pecado não desaparece automaticamente da vida de alguém que nasceu de novo, senão a Bíblia não diria justamente aos nascidos de novo para absterem-se deste tipo de pecado. É impressionante a quantia de vezes em que a Bíblia adverte seus leitores (o povo de Deus) quanto aos perigos deste tipo de pecado! A prostituição (este termo inclui todos os pecados de ordem sexual) é um pecado diferente dos demais:
“Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo” – I Coríntios 6:18

Há algo por trás deste tipo de pecado que ainda não temos percebido. O que Paulo está enfatizando na carta aos irmãos de Corinto é o valor e santidade que o corpo deve ter como templo do Espírito Santo. Observe o contexto deste texto:
“Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos; Deus, porém, aniquilará, tanto um como os outros. Mas o corpo não é para a prostituição, mas para o Senhor, e o Senhor para o corpo. Ora, Deus não somente ressuscitou ao Senhor, mas também nos ressuscitará a nós pelo seu poder. Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei pois os membros de Cristo, e os farei membros de uma meretriz? De modo nenhum. Ou não sabeis que o que se une à meretriz, faz-se um só corpo com ela? Porque, como foi dito, os dois serão uma só carne. Mas o que se une ao Senhor é um só espírito com ele. Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo” – I Coríntios 6:13-20

Quando meditamos nesta porção bíblica a ponto de deixa-la penetrar em nosso íntimo, uma nova consciência vai se formando. Abster-se da prostituição é um imperativo para todo cristão porque seu corpo é templo do Espírito Santo de Deus! O corpo não foi feito pelo Criador para se prostituir, e sim para carregar em si a presença de Deus, o que não pode acontecer quando o santuário é maculado.

Deus criou o corpo do homem com um destino bem definido. Assim como Ele fez o estômago para os alimentos (e vice-versa), o que revela um propósito e destino bem específico, assim também projetou e idealizou o corpo para ser seu santuário. Desde o início Deus queria fazer de nós sua habitação. O corpo não foi criado para a prostituição, mas para ser SANTO de modo a servir como morada de um Deus santo!

POSSUIR O CORPO EM SANTIDADE E HONRA


Não somos donos de nós mesmos. Foi exatamente isto que Paulo afirmou aos Coríntios:
“Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo” – I Coríntios 6:13-20

Deus nos comprou pelo sangue vertido de Jesus na cruz. Agora não mais pertencemos a nós mesmos, mas sim a Deus. Nosso corpo deixou de ser nosso e passou a ser do Senhor, e Ele deseja que o glorifiquemos com o uso correto do nosso corpo.

Precisamos aprender a “possuir” (usar, ser mordomo) o corpo em santidade e honra. Isto fala na apenas de na nos prostituirmos, mas até mesmo da maneira como tratamos nosso corpo: alimentação, vestuário, etc. isto serve para todos, mas em especial para as mulheres! Não creio que possuir o corpo em santidade (diante de Deus) e honra (diante dos homens) inclua o uso de roupas sensuais e provocantes. O crente deve ser diferente! Isto não significa que teremos algum tipo de uniforme (terno para os homens e vestido para as mulheres, por exemplo), mas que devemos mostrar zelo pelo santuário de Deus e não defraudarmos uns aos outros nesta matéria. O ensino bíblico não deixa isto passar em branco:
“Quero, do mesmo modo, que as mulheres se ataviem COM TRAJE DECOROSO, com modéstia e sobriedade…” – I Timóteo 2:9a

Não devemos faltar com o decoro, mas honrar ao Senhor até na forma como nos vestimos. Isto também é possuir o corpo em santidade e honra!

NÃO DEFRAUDAR O IRMÃO


A prostituição é um pecado que não afeta só quem o pratica, mas também quem se envolve nele. Quando duas pessoas se envolvem e ambos são cristãos, além de terem pecado contra Deus e o seu corpo, defraudaram um ao outro. Lesaram uma outra pessoa e vão dar conta a Deus pelas duas coisas…pois a Bíblia declara que Deus é vingador destas coisas!

DEUS É VINGADOR


Os pecados de prostituição não ficarão impunes. A Bíblia diz que Deus é vingador destas coisas. Em Provérbios 6:29 lemos que não ficará impune aquele que tocar a mulher de seu próximo. Deus julgará os pecados de prostituição!

Alguns crentes não levam a sério o ensino bíblico e “brincam” com a graça divina, esquecendo-se que “de Deus não se zomba; tudo quanto o homem semear, isto também ceifará”, Gl.6:7. Quando escreveu sua primeira epístola aos Coríntios, o apóstolo Paulo declarou:
“Nem nos prostituamos, como alguns deles fizeram; e caíram num só dia vinte e três mil” – I Coríntios 10:8

A menção aqui é ao episódio que se deu quando os israelitas estavam nas proximidades de Moabe (Nm.25:1-9) e se entregaram à prostituição com as moabitas. E o relato bíblico mostra que uma praga matou mais de vinte mil homens num só dia! Não se tratava de uma coincidência, mas de juízo sobre o pecado. Quando Finéias, neto de Arão, fez expiação pelo povo, a praga cessou (Nm.25:10-13). Deus é vingador destas coisas!

REJEITAR A SANTIFICAÇÃO É REJEITAR A DEUS


Muitos fazem pouco caso da mensagem de santidade e acham que estão desprezando um pregador, mas o que a Palavra de Deus de fato ensina é que, quem assim o faz está rejeitando ao próprio Deus e não aos homens que Ele levantou para proclamarem estas verdades.

Sem santificação ninguém verá ao Senhor. Portanto, o que rejeita esta mensagem rejeita ao próprio Deus!

FUGIR É O MELHOR REMÉDIO


Há pessoas que acham que a melhor maneira de lutar nesta área é resistir este inimigo, mas o conselho bíblico é bem diferente. Não fala de enfrentar ou resistir, mas sim de fugir! Paulo, escrevendo a Timóteo, disse: “Foge também das paixões da mocidade”, II Tm.2:22. Quando José se encontrou em dificuldades de resistir os apelos da mulher de Potifar a melhor saída que ele encontrou foi correr! Ela não representava uma ameaça física a José; não podia violenta-lo…o único perigo que José viu foi em si mesmo, na sua carne e desejos. Mas não lidou com o problema de nenhuma outra forma a não ser fugir.

Fuja das ofertas do pecado e conserve-se em santidade ao Senhor. Além da benção presente, saiba que haverá um galardão e recompensa para aquele que vencer.

Quando o apóstolo Paulo escreveu aos coríntios, advertindo-os quanto ao perigo deste pecado deu o mesmo conselho: “Fugi da prostituição”, I Co.6:18. Sempre que a Bíblia fala sobre este pecado, ensina a mesma saída. Portanto, siga este conselho!

Que o Senhor o conduza a um viver vitorioso de santidade.

Fonte: cristaoreformado.com.br

quinta-feira, 21 de maio de 2020

O QUE É A MORTE?

O que é a morte?


Amorte é uma separação. Podemos entender este fato claramente, considerando como a Bíblia descreve a morte espiritual. Comecemos no livro de Gênesis, onde encontramos pela primeira vez o conceito de morte.
Quando Deus disse a Adão que não comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele revelou que a conseqüência da desobediência seria a morte no mesmo dia do pecado (Gênesis 2:17). Com certeza, Deus cumpriu sua promessa sobre a conseqüência do pecado, porque ele sempre fala a verdade e nunca quebra uma promessa. Por causa do pecado do casal original, Deus expulsou-os do Jardim do Éden (Gênesis 3:23-24). Mesmo tendo Adão vivido, em seu corpo físico, por 930 anos, ele e sua esposa morreram no dia de seu pecado, no sentido de que eles foram separados de Deus. A morte espiritual é a separação de Deus.
O caso de Adão e Eva nos ajuda a entender que é possível estar fisicamente vivo, enquanto morto espiritualmente (veja Efésios 2:1-6, por exemplo). A razão para esta morte espiritual esta separação de Deus é sempre a mesma. Separamo-nos de Deus pelo nosso próprio pecado (Isaías 59:1-2).
A morte física também é uma separação. Quando o corpo está separado do espírito, ele está morto (Tiago 2:26). Eclesiastes 12:7 nos diz que isto é o que acontece no fim da vida física: “O pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”.

O que acontecerá após a minha morte?

É claro que o espírito voltará a Deus, mas o que ele fará com meu espírito? Mesmo que a Bíblia possa não satisfazer toda a nossa curiosidade sobre o que acontece depois da morte, ela é clara ao apresentar diversos fatos vitais:
– Deus confortará o fiel e mandará o ímpio para um lugar de tormento (Lucas 16:25).
– Deus julgará cada pessoa (Hebreus 9:27). Este julgamento será de acordo com a palavra que Deus revelou através de Seu Filho (João 12:48). Ele julgará as coisas que fizemos em corpo (2 Coríntios 5:10). Passagens como Mateus 25:31-46 e 2 Tessalonicenses 1:7-12 mostram claramente que haverá uma eterna separação (morte espiritual) entre os justos (obedientes) e os injustos (desobedientes).
Podemos concluir, então, que a morte eterna não é o fim da existência, mas uma eterna separação de Deus. É óbvio no caso do homem rico porém desobediente em Lucas 16 que uma pessoa ainda será consciente, mas que o injusto nunca pode atravessar a separação para estar na presença de Deus.

Aplicações: Respondendo às doutrinas humanas

Infelizmente, há muitas doutrinas conflitantes sobre a morte e a eternidade. Consideremos, brevemente, quatro exemplos de doutrinas humanas que contradizem o ensinamento da Bíblia.
Doutrina humana: A morte é o fim da existência
As pessoas que não acreditam na existência de Deus, obviamente, negam a ideia de vida após a morte. Outros, mesmo entre aqueles que se proclamam seguidores de Jesus, ensinam que os injustos deixarão de existir, quando morrerem. Em contraste, Jesus claramente ensinou que a existência não cessa com a morte (Mateus 22:31-32). O problema fundamental nesta doutrina humana que diz que a existência cessa com a morte, é o erro de não entender que a morte é uma separação, e não o fim da existência da pessoa (veja Tiago 2:26). As doutrinas de igrejas que negam a existência do inferno não obstante, a Bíblia mostra que o ímpio sofrerá eternamente, separado de Deus para sempre (Mateus 25:41,46).
Doutrina humana: A reencarnação
Muitas pessoas estão fascinadas pela ideia da reencarnação, incluindo-se aquelas que seguem religiões orientais, como o hinduísmo, e outras que aceitaram a filosofia da “Nova Era” ou os ensinamentos do Espiritismo. A doutrina da reencarnação é que nossa alma voltará, possivelmente centenas de vezes, para viver novamente e para ser aperfeiçoada em consecutivas vidas. A Bíblia não diz nada para provar esta ideia. Em contraste, a Bíblia ensina que morreremos só uma vez. Hebreus 9:27-28 diz: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo, assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação”. Pense no significado desta afirmação. Se uma pessoa precisa morrer muitas vezes, qual é o valor do sacrifício de Jesus? Teria ele também que morrer muitas vezes? Esta passagem mostra que ele morreu uma vez para pagar o preço de nossos pecados. Note, também, que a ideia de que nossas almas são aperfeiçoadas através da reencarnação é absolutamente oposta à doutrina Bíblica de que somos salvos pela graça de Deus (Efésios 2:8-9).
Doutrina humana: O purgatório
A doutrina do purgatório foi propagada pelo catolicismo e sugere que há uma oportunidade depois da morte para sofrer por causa de certos pecados antes de entrar no céu. Esta doutrina diminui o valor do sacrifício de Cristo, que deu a seus servos o dom gratuito da salvação. Não podemos merecer nossa passagem para o céu, nem antes nem depois da morte. Quando a Bíblia fala da situação dos mortos, ela diz que é impossível ao ímpio escapar dos tormentos para entrar no conforto dos fiéis (Lucas 16:25-26). A doutrina do purgatório, simplesmente, não é encontrada na Bíblia.
Doutrina humana: Comunicação com os mortos
A prática do espiritismo e de algumas outras religiões, ao tentar comunicar- se com os mortos, é absolutamente oposta ao ensinamento da Bíblia. Quando o homem rico de Lucas 16 pediu que um mensageiro dos mortos fosse enviado para ensinar sua família, Abraão disse que isso nem era permitido, nem necessário (Lucas 16:27-31). No Velho Testamento, Deus condenou, como abominações, esses esforços para consultar os mortos (Deuteronômio 18:9-12). A consulta aos mortos é ligada à idolatria e à feitiçaria, coisas que são sempre condenadas, tanto no Velho como no Novo Testamento. É, absolutamente e sempre, errado tentar consultar os mortos.

Conclusão: O que faremos?

O entendimento correto do ensinamento Bíblico sobre a morte tem aplicação prática em nossas vidas. Eis duas sugestões específicas sobre as aplicações que devemos fazer:
1. Devemos resistir às doutrinas e práticas que não são baseadas na Bíblia, incluindo:
– A ideia de que a existência termina com a morte.
– A ideia de que podemos tentar comunicar-nos com os mortos.
– A doutrina de que as pessoas passarão pelo purgatório antes de entrar no céu.
– A doutrina da reencarnação.
2. Devemos viver de acordo com os ensinamentos da Bíblia, de modo que estejamos prontos, quando encontrarmos Jesus (Mateus 24:42-44; 2 Pedro 3:10-13).

– por Dennis Allan

Fonte: cristaoreformado.com.br