terça-feira, 25 de abril de 2017

TESTEMUNHAS DE JEOVÁ - POR QUE VOCÊS ESCONDEM O JOGO?

Eu gosto de evangelizar as TJs com amor. Todavia, precisamos estar atentos porque elas jamais põem as cartas na mesa e contam toda a verdade sobre seus ensinos mais polêmicos. Deveriam, com toda a honestidade, apresentar-se da seguinte forma:

- Bom dia! Tudo bem com você? Meu nome é Charles e o do meu companheiro é Russell. Estamos nesta manhã falando com seus vizinhos e é um prazer conhecê-lo. Gostaríamos muito de que o senhor se tornasse Testemunha de Jeová, porque nós somos um grupo com as seguintes crenças:

Só nós somos a única religião verdadeira e, por isso, se Jesus voltasse hoje, apenas 1 em cada 1.000 pessoas na face da terra poderia ser salva.

A sua religião, meu querido, não importa qual seja, é parte da religião falsa, chamada na Bíblia de Babilônia, a Grande. O senhor não é cristão ainda; só será caso se torne da nossa organização, mas ainda assim não é garantia de que o senhor será salvo. Se o senhor for fiel a Jeová, será um candidato à vida eterna.

Somos um povo que recusa doar sangue ou receber uma transfusão de sangue. Inclusive, mesmo que o senhor, orientado pelo médico, armazenar seu próprio sangue para usar numa cirurgia 15 dias depois, não poderá fazê-lo. É pecado usar o próprio sangue estocado. Se o senhor fizer isso e não se arrepender, achando que está certo, será expulso do nosso rol de membros e ninguém de nós poderá conversar mais com o senhor.
Todavia, aceitamos remédios feitos com frações do sangue de outras pessoas, mas nós mesmos não doamos sangue para ajudar a fabricar esses remédios para beneficiar outras vidas.
Agora, preste atenção nisso senhor: Nós somos a única religião no mundo que já mudou 331 vezes de ensinos, ou até mais, porque a Bíblia diz que a luz brilha para o justo mais e mais, até ser dia (Provérbios 4:18), assim, se mudamos de ensinos é porque a luz de Jeová está sobre nós, não sobre as outras religiões que jamais mudam de ensinos.

Outra coisa importantíssima sobre nós, senhor: Não comemoramos aniversários natalícios, natal e ano novo, e nem aceitamos presentes referentes a essas festividades, a menos que nos sejam dados no dia seguinte. Assim, nem bolo de aniversário, ou ovo de páscoa, comemos no dia dessas celebrações, pois são coisas do diabo, de origem pagã. Todavia, usamos alianças de casamento e vestidos de noiva, cujas origens são pagãs também, mas perderam seu significado religioso.

Somos a única religião no mundo que já previu, por zelo e confiança na Bíblia, a volta de Jesus para 1914, 1925 e 1975, inclusive, na última vez, em 1975, alguns dos nossos tiveram tanta fé em Jesus que chegaram até a dizer: "Se Jesus não voltar em 1975, a Bíblia é mentirosa", e outros chegaram a vender seus bens, principalmente em 1974, para gastar seu dinheiro com a pregação de casa em casa nos últimos meses antes de Jesus voltar em 1975.

Somos também, de acordo com Mateus 24:45-47,  a única religião cujos líderes recebem de Jeová, através do Escravo Fiel e Discreto, conhecido como Corpo Governante,  o alimento que Ele nos dá, ou seja, alimento espiritual, na forma das páginas de nossas revistas, A Sentinela e Despertai! e outras publicações. Assim, ninguém de nós pode discordar dos ensinos de nosso querido Corpo Governante, composto hoje por 8 pessoas, pois se discordarmos deles, seremos expulsos da nossa Associação, e perdendo o contato com eles, segundo a revista A Sentinela de 1 de agosto de 1982, página 27, não avançaremos na estrada da vida, não importa quanto leiamos a Bíblia". 

Somos também a única religião no mundo que expulsa de verdade quem não segue a verdade direito, e quando expulsamos, (preste atenção senhor!!!!), ninguém de nós pode conversar com essa pessoa expulsa, nem dizer oi para ela, e se essa pessoa expulsa for nossa mãe, poderemos, se quisermos, conversar só o necessário com ela, conforme o Folheto chamado Ministério do Reino, de Agosto de 2002, página 4, parágrafo 13. 

Somos também a única religião a ter a melhor Tradução da Bíblia do Mundo!!! Sabe, dos 400 eruditos em grego e hebraico reconhecidos mundialmente, 20 elogiam a nossa Bíblia. Eu disse 20!, e todo eles pertencem às religiões falsas.

Somos a única religião verdadeira no mundo, inclusive, que proíbe nossos irmãos de lerem livros das religiões falsas, mas graças a Jeová podemos usar os Dicionários e Comentários que esses 20 peritos em grego e hebraico lançaram, para provar que a nossa Bíblia é a melhor que existe!

Senhor, não que pretendamos cansá-lo, mas somos a religião verdadeira porque ensinamos nossos irmãos a não irem nas guerras, expulsando inclusive uma TJ que se tornar policial, porque policial serve ao diabo. Mas olha que Deus maravilhoso que adoramos: Deus permite que a gente, quando nossa casa está sendo assaltada, chame a polícia, ou seja, uma pessoa que faz a vontade de Satanás por usar armas para prender e se precisar até matar o bandido! É verdade! Não é maravilhoso servir a Jeová, que usa até os servos do Diabo para prender ou matar quem rouba da gente?

Olha, estou tão empolgado em falar sobre a verdade. Permita-me apenas mais alguns minutinhos. Senhor, somos a única religião verdadeira porque anulamos nosso voto nas urnas, por não confiarmos nos governos humanos. Todos eles, conforme Daniel 2:44, serão destruídos, porque servem ao Diabo. Mas claro, o nosso Deus Jeová permite que, quando precisemos de uma ajuda dos políticos, para nos doar um terreno para construir um Salão do Reino, ou nos beneficiarmos de alguma emenda constitucional, então podemos pedir a ajuda desses que fazem a vontade do Diabo por fazerem parte do sistema político deste mundo! Lindo, não acha?

E sobre o Tiro-de-Guerra, ou servir ao Exército, Marinha ou Aeronáutica? O senhor nem faz ideia do que pensamos! Quando nossos jovens vão se alistar, entramos com pedido de eximição à prestação do Serviço Militar, porque quem tem a reservista tem um documento que o identifica como alguém que jurou à bandeira lealdade, pois significa que está alistado para guerrear se for necessário. Com isso, já aconteceu de muitos de nossos jovens perderem os direitos políticos, não poderem concorrer a vagas públicas, e perdem tudo isso por amor a Jeová. Mas nem tudo é tão ruim! Os nossos anciãos (pastores) que se tornaram TJs depois de seu alistamento militar não precisam entrar nas Juntas de Serviço Militar para cancelarem suas reservistas. Isso não é também maravilhoso?

Ah, lembrei de algo importante: Nós, TJs, acreditamos que 99,8% de nossos irmãos NÃO SÃO FILHOS DE DEUS AINDA!!!! Mas só seremos filhos de Deus daqui, no mínimo, mil anos, e isso se passarmos no teste final. Por enquanto, somos apenas amigos de Jeová, não filhos. Mas não se desespere, senhor, pois dentre as quase 8 milhões de TJs no mundo, há umas 15 mil que são filhos de Deus, porém ainda não estão salvas. E só esses 15 mil podem tomar do pão e do vinho, naquilo que o senhor chama de Ceia. O senhor nem imagina como fico emocionado de, uma vez por ano, estar nessa comemoração da morte de Jesus, e nunca ter tido a oportunidade de ver alguém tomando do vinho e comendo do pão! Ah se Jeová me concedesse esse privilégio!

E o senhor certamente ficará feliz de saber que nós, testemunhas de Jeová, acreditamos que Jesus se tornou Rei nos céus em 1914. Sim, o nosso Rei dos reis e Senhor dos senhores, de Apocalipse 19:13, é Rei apenas de 1914 para cá! Que Jesus verdadeiro, não acha?

E só para acrescentar algo importante: (1) Em festas, não brindamos; (2) Nossas noivas são proibidas de jogar o buquê para trás; (3) Nossas crianças não podem orar o Pai-Nosso nas escolas, com outras crianças, porque o nosso Deus Jeová não quer que nós oremos com pessoas de outras religiões, principalmente de mãos dadas com elas. O certo é nós fazermos a nossa oração e elas a delas. Nossa religião não é linda?

Saiba também que quando o senhor se tornar testemunha de Jeová, deverá mensalmente entregar relatórios com nome para sabermos quantas horas o senhor vai trabalhar de casa em casa. Mesmo a Bíblia jamais ensinando a se fazer isso, nós ensinamos que isto deve ser feito, e caso o senhor não aceite fazer isso, será considerado como uma pessoa não exemplar entre nós.

Por fim, consideramos todas as pessoas que não são testemunhas de Jeová como inimigas em sentido espiritual e como más associações, já que não são parte do povo de Deus. 

Ah senhor, queria tanto falar mais, mas o tempo não nos permite. Quando poderíamos estudar a Bíblia juntos?

Então, você sabe por que as TJs não falam isso na primeira visita? Porque são treinadas a ensinar no começo apenas os pontos mais aceitáveis. Mas agora que você já sabe em que creem, de fato, por que deveria aprender a Bíblia com elas? Devido a esses ensinos, consideramos a Organização religiosa Testemunhas de Jeová como seita de Satanás, embora respeitemos o seu direito de praticar essa fé espiritualmente perigosa para a humanidade, pois impede pessoas de serem salvas. - Fernando Galli.


Fonte: http://www.ia-cs.com
Imagem: google

domingo, 23 de abril de 2017

Pornografia - Considerações Biológicas, Pscicossociais e Bíblicas

Uma correta abordagem da questão da pornografia deve manter duas verdades, por vezes aparentemente contraditórias, mas não mutuamente excludentes: (i) uma análise objetiva do pecado da pornografia deve considerar a realidade da liberdade individual e responsabilidade pessoal do sujeito: O sujeito de nossos comportamentos é o nosso ego (eu), sendo assim, não importa o que levou uma pessoa a ver pornografia, nada muda o fato de que quem viu pornografia foi a própria pessoa em sua capacidade de responder. Sendo assim, ela é responsável por seus atos. Além disso, ela é livre, o que não significa liberdade de indiferença, mas sim liberdade de vontade. Isto é, a pessoa que vê pornografia não o faz por estar sendo “coagida” pela “dopamina do cérebro” ou por algum determinante no ambiente, ela o faz porque quer, e contra isso não há desculpas, e sim responsabilidades.

A segunda verdade que deve ser mantida é: (ii) existem condicionantes que devem ser considerados numa avaliação subjetiva de cada caso e esses condicionantes podem atenuar a culpa pelo pecado: Existem condicionantes neurológicos, psicológicos, sociais, e culturais que devem ser considerados ao se fazer uma avaliação de cada caso. Existem desde pessoas que veem pornografia por rebeldia deliberada até aquelas que sofrem de alguma patologia severa e que recorrem à pornografia como sintoma dessa patologia. Embora a responsabilidade pessoal sempre esteja presente, a liberdade de vontade pode variar e, às vezes, ser bastante reduzida. Dependendo do grau de liberdade de vontade, a culpa pode ser menor ou maior, e todos esses condicionantes precisam ser levados em conta com toda a singularidade subjetiva que constitua cada caso[1].

Sendo assim, vamos considerar alguns condicionantes. A fim de fazer uma análise sistemática, eles foram divididos em dois sub-tópicos (condicionantes biológicos e condicionantes psicossociais), esta distinção é apenas didática, visto que os condicionantes precisam ser avaliados em uma totalidade conjuntural para uma correta avaliação de cada caso.

CONDICIONANTES BIOLÓGICOS
Antes de tratar dos condicionantes biológicos, é importante observar algumas coisas. Primeiro, eles jamais devem ser afirmados ao ponto de excluir a liberdade e responsabilidade do sujeito. Nenhuma pessoa é refém da dopamina do seu cérebro e dos hormônios do seu sistema endócrino. Segundo, eles, com exceção de alguns casos, desempenham um papel secundário. Em geral, se dá muita ênfase à questão dos fatores biológicos ao ponto de ver neles um papel determinante muito maior do que o que realmente existe. Terceiro, uma consideração dos condicionantes biológicos não deve nos levar a uma visão médico-etiológico da pornografia. Termos biomédicos como “vício”, “dependência neuroquímica” devem ser evitados. Ao longo do artigo, em alguns casos usei o termo “sintoma”, na falta de um termo melhor, no entanto, alerto aos leitores para que não tomem esse termo em sua designação médica. Pornografia não é doença, pornografia é pecado. Quarto, os condicionantes biológicos não podem ser vistos como fatores isolados, mas devem ser olhados como parte integrante de todo um contexto que envolve outros condicionantes que permitem a construção de um espaço que possibilita com que o pecado da pornografia emerja. E, quinto, a neurociência é um campo de pesquisa novo, e mais recentes ainda são as pesquisas em relação à pornografia. Devemos ser cautelosos para não tomarmos as descobertas da neurociência como verdades absolutas.

Com essas cautelas, podemos considerar mais de perto os fatores biológicos envolvidos. O circuito de recompensas visto na liberação de dopamina no núcleo achumbes do cérebro parece ter um papel importante na expressão biológica do pecado da pornografia. Esse sistema ativa uma busca por prazer similar à da caça, como se, ao clicar de vídeo em vídeo, o pornógrafo estivesse “caçando” uma mulher. Isso explica porque muitos não se detêm em um vídeo, mas saem clicando de vídeo em vídeo em sua farra masturbatória A pornografia leva a uma redução da dopamina e a uma queda dos receptores de dopamina, de forma a diminuir a resposta de prazer. Isso significa que quanto mais se busca prazer por meio da pornografia mais se provoca uma anestesia ao prazer, o que leva a pessoa a buscar novos estímulos. Entre as consequências que essa dinâmica biológica pode provocar estão: avanço em pornografias mais pesadas, impotência sexual, disfunção erétil, homossexualidade e ansiedade. [2]

Em casos em que os fatores biológicos são proeminentes, a pessoa que luta com pornografia pode ter crises de abstinência. Nesses casos, é importante que ela tenha em mente que esse período inicial de crise de abstinência é somente uma fase e por isso, ela deve buscar a companhia dos outros e aconselhamento durante esse processo. Em alguns casos mais extremos, pode ser necessário buscar ajuda especializada, especialmente quando a pornografia for o sintoma de alguma patologia psiquiátrica. Um método equivocado para combater os problemas neuroquímicos é a tentativa de “substituir” a pornografia por um outro estímulo que provoque a liberação de dopamina. Isso é substituir um problema por outro. Algumas pessoas, por exemplo, substituem a pornografia pelo pecado da gula. Além disso, as descobertas da neurociência em relação à plasticidade neural e a crença cristã no poder renovador da transformação da mente (Romanos 12.2) traz esperança para aqueles que acham que a pornografia “estragou lhes” o cérebro.

CONDICIONANTES PSICOSSOCIAIS
Muitas das vezes a pornografia aparece simplesmente como um “sintoma” de questões psíquicas muito mais profundas. Nesse caso, não adianta lutar contra a expressão comportamental sem lidar com o que está por traz do problema. É importante que a pessoa esteja consciente de que está buscando o alívio para alguma questão psicológica no “lugar” errado. Nestes casos, a pessoa deve identificar qual sentimento está por traz de seu pecado e assim desenvolver formas de lidar com esses sentimentos de maneira madura e saudável, sem recorrer a pornografia. Em geral, existem duas dificuldades psicológicas principais envolvidas na questão da pornografia:[3]
(i) Solidão:  A solidão é a crença ilusória de que estamos sozinhos. É uma ilusão porque é impossível estar realmente sozinho quando se toma consciência da presença das pessoas da Trindade e dos anjos. A pornografia é um sinal de que a pessoa não consegue gerenciar seu tempo sozinha e não consegue estar “consigo mesma”. Ela precisa aprender a conviver consigo mesma.
(ii) Frustrações: A vida tem muitos intempéries, sofrimentos e momentos de estresse. Foi observado, em relação aos condicionantes biológicos, que o circuito de dopamina leva a uma “anestesia do prazer”, isso torna a vida da pessoa chata e enfadonha. Geralmente, a pessoa não aceita que a vida tem problemas e frustrações e por isso, corre para a pornografia como uma forma de se refugiar. O uso da pornografia como meio de aliviar-se das tensões da vida, é, na realidade, a atitude covarde e infantil de não encarar a realidade como ela é. No fundo, a pornografia só piorará o sentimento de vazio, porque ela não poderá solucionar seus problemas e só ocasionará mais frustração. A pessoa acaba vivendo numa espécie de imaturidade e infantilismo psíquico. 

Questões socioculturais também influenciam no pecado da pornografia. Uma delas é a crença de que homens não podem viver sem sexo. Em geral, a ideia de que a fisiologia masculina torna necessário que homens façam sexo é um mito cultural que leva a um sentimento fatalista de que é praticamente impossível vencer o pecado sexual. Na realidade, questões psicossociais parecem desempenhar um papel muito mais importante do que questões biológicas.

Outra questão psicossocial que pode ser observada é a diferença entre homens e mulheres. Em geral, é mais próprio do homem ver e da mulher mostrar. Os homens são mais atraídos aos estímulos visuais de vídeos e imagens, já as mulheres são mais tentadas em sites de bate-papo no qual podem enviar imagens de si mesmas. No caso das mulheres, a presença de elementos “românticos” também são importantes. No entanto, na nossa sociedade, em que há uma desvalorização da masculinidade e da feminilidade, esses papéis podem se confundir, e muitos homens exibem seus corpos e muitas mulheres contemplam vídeos pornográficos.[4] Tanto o homem, como a mulher, devem fugir não só no momento da tentação, mas das ocasiões de tentação (Provérbios 7.5-8).
Outra crença social falsa é equiparar o sexo venal (pornografia) com o sexo erótico (real). O sexo venal é o sexo no qual há um mero encontro de corpos, enquanto o sexo erótico é aquele no qual há, além do encontro de corpos, há um encontro de almas. Pornografia não é erotismo, mas sim sexo venal.[5] Assim, engana-se quem acha que o casamento é a panaceia para o seu problema com pornografia. Sexo real não é sexo pornográfico, e jovens que veem pornografia estão aprendendo errado o que é sexo. Isso pode trazer consequências sérias para as relações sexuais no casamento, sua esposa não será uma atriz pornográfica! Tim Challies observa:
“A pornografia e o sexo dentro do casamento são coisas completamente diferentes. Sim, quando você se casar, você pode achar que no começo está bem satisfeito com a sua esposa e pode encontrar satisfação no sexo com ela. Mas o pecado ainda pode estar adormecido. Se o pecado nunca for tratado, é provável que volte. Mais cedo ou mais tarde, se você nunca realmente se arrependeu daquele pecado, ele vai aparecer novamente com toda a sua feiúra. Talvez seja num momento em que sua esposa viaje por alguns dias, ou quando você viajar e encontrar-se sozinho em um quarto de hotel em uma cidade estranha. Talvez seja após o nascimento de seu primeiro bebê, quando há aquele tempo de espera em que, durante várias semanas, não se pode ter relações sexuais. Mas é muito provável que o pecado vá voltar para ferir você e sua esposa.” [6]

Outra questão psicossocial que não pode ser ignorada é o fato de que as pessoas que compõem uma cena pornográfica são pessoas. Elas tem rostos, almas, subjetividade e histórias de vida. Um pornográfico comete o grave pecado de tratar uma pessoa como se ela fosse uma coisa ou um objeto para sua satisfação egoísta. A vida de um ator ou atriz pornô costuma ser triste, bem como suas histórias de vida, muitas delas morrem por doenças sexualmente transmissíveis, abuso de drogas ou suicídio[7]. Visto que uma pessoa que vê pornografia acaba tornando-se, em certa medida, responsável pelo sofrimento dos atores que assiste, eis uma questão: Você já orou pelos atores pornográficos que você já assistiu? Se não, faça isso, assim você não se esquecerá de que eles são pessoas[8]:
“Facilmente nos esquecemos que as pessoas que compõem as imagens de uma cena pornográfica são pessoas. Elas possuem subjetividade, alma, presença e consciência. A desumanização do outro e a instrumentalização das relações humanas caracterizam a nossa sociedade pansexual e pornográfica. Tratamos as pessoas como coisas, como entes-a-mão. A pornografia é só um sintoma de que nossa sociedade está substituindo relações humanas, por relações objetais, e isso não só no âmbito sexual. Uma analítica da problemática da pornografia deve considerá-la, não como um fenômeno isolado, mas como um sintoma de algo muito maior, como a denúncia de um mundo de relações despersonalizadas, do qual cada um de nós é pessoalmente responsável e culpado.”[9]

A VERDADEIRA RAIZ DO PROBLEMA
Embora tenhamos analisado várias condicionantes, todos eles são só facetas de uma raiz ainda mais profunda, que é o que verdadeiramente está por traz do pecado sexual – a idolatria. Por exemplo, pessoas com baixa-autoestima e vitimistas, que recorrem a pornografia para suprir a sua carência emocional, são pessoas que consideram a si mesmas “merecedoras” de atenção e adoração. Quando alguém não aceita os problemas da vida e recorre a pornografia na busca do alívio, está fazendo de si mesmo um deus que quer determinar como a vida deveria ser. Quando alguém recai continuamente na pornografia por causa de seu complexo de culpa, está fazendo de si mesmo um deus que quer anular o perdão de Deus. Quando alguém estabelece um “cronograma” para ser liberto, está querendo determinar quando Deus deve lhe libertar. Tornar a libertação da pornografia como um alvo em si mesmo também é idolatria. Depositar toda sua confiança em bloqueadores, cronogramas, técnicas e métodos de libertação é uma forma idólatra de lutar contra o pecado.

Em todos os casos, creio eu, será possível identificar um ídolo por traz do pecado sexual. Enquanto a idolatria não for cortada pela raiz, o problema continuará lá. Mesmo que a pessoa abandone a pornografia exteriormente, isso não terá muito valor enquanto ela permanecer agarrada a seus ídolos.  Aliás, o orgulho pode mortificar muitos pecados dando a falsa impressão de santidade.
O apóstolo Paulo identificou a imoralidade sexual como um castigo de Deus à idolatria. É verdade que ele fala mais especificamente da homossexualidade, talvez por ela ser uma expressão mais representativa, mas creio que a mesma verdade pode ser expandida para os demais pecados sexuais (leia: Romanos 1.21-28). Jesus Cristo também identificou o coração idólatra como a verdadeira raiz por traz dos pecados sexuais:
Pois do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios,” - Marcos 7:21

COMO VENCER A PORNOGRAFIA?
Existem muitos métodos e técnicas para vencer a pornografia, mas que em geral não são eficientes em si mesmos e eles precisam ser vistos apenas como técnicas paliativas, como o uso de bloqueadores, por exemplo. A luta contra esse pecado não pode se tornar idólatra, por isso, o cristão deve estar mais preocupado em fortalecer sua vida espiritual com Deus, do que com a luta contra o pecado em si mesma. Geralmente, a libertação será uma consequência natural de sua vida espiritual com Deus. Além disso, a luta contra esse pecado, deve levar em conta os condicionantes subjetivos envolvidos e por isso, cada abordagem acaba por ser singular. Não se pode, no entanto, perder de vista a identificação e o combate aos ídolos do coração que, como vimos, são a verdadeira raiz do problema.
É importante, que o cristão tenha em mente o perdão de Deus e compreenda que a luta contra a pornografia costuma ser uma fase na qual Deus está aperfeiçoando o caráter do crente. Aprender com os erros é importante:
“O mui sábio, justo e gracioso Deus muitas vezes deixa por algum tempo seus filhos entregues a muitas tentações e à corrupção dos seus próprios corações, para castigá-los pelos seus pecados anteriores ou fazer-lhes conhecer o poder oculto da corrupção e dolo dos seus corações, a fim de que eles sejam humilhados; para animá-los a dependerem mais íntima e constantemente do apoio dele e torná-los mais vigilantes contra todas as futuras ocasiões de pecar, para vários outros fins justos e santos.”[9]

Os meios para vencer esse pecado continuam sendo aqueles já fornecidos por Deus. Isto é, o cristão tem a responsabilidade de fazer uso de tudo o que pode fortalecer sua vida espiritual, como a comunhão na igreja, a leitura da Palavra, os sacramentos, a guarda do dia do Senhor, a oração, etc [10]. Além disso, converse com seu pastor ou com um cristão maduro que possa acompanha-lo e ajuda-lo nessa luta. O Catecismo Maior de Westminster nos ensina a orar:
“...reconhecendo que o mui sábio, justo e gracioso Deus, por diversos fins, santos e justos, pode dispor as coisas de maneira que sejamos assaltados, frustrados e feitos por algum tempo cativos pelas tentações; que Satanás, o mundo e a carne estão prontos e são poderosos para nos desviar e enlaçar, que nós, depois do perdão de nossos pecados, devido à nossa corrupção, fraqueza e falta de vigilância, estamos, não somente sujeitos a ser tentados e dispostos a nos expor às tentações, mas também, de nós mesmos, incapazes e indispostos para lhes resistir, sair ou tirar proveito delas: e que somos dignos de ser deixados sob o seu poder -, pedimos que Deus de tal forma reja o mundo e tudo o que nele há, subjugue a carne, restrinja a Satanás, disponha tudo, conceda e abençoe todos os meios de graça e nos desperte à vigilância no seu uso; que nós e todo o seu povo sejamos guardados, pela sua providência, de sermos tentados ao pecado; ou que, quando tentados, sejamos poderosamente sustentados pelo Espírito, e habilitados a ficar  firmes na hora da tentação; ou, quando, fracassados, sejamos levantados novamente, recuperados da queda, e que façamos dela uso e proveito santos; que a nossa santificação e salvação sejam aperfeiçoadas, Satanás calcado aos nossos pés e nós inteiramente libertados o pecado, da tentação e de todo o mal, para sempre.”[11]

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Lute contra esse pecado! Deus te criou para amar as pessoas, não para usá-las como objeto. Além disso, encare essa luta como um guerreiro em uma batalha, não se deixe dominar pela culpa e pelo vitimismo. Cristo já pagou seu pecado na cruz, considere-se morto para o pecado (Romanos 6.4). Vale lembrar a exortação de João Crisóstomo a Teodoro:
“Assim também tu, querido Teodoro, não deves precipitar-te a ti mesmo no abismo só porque te afastaste um pouco do teu estado. Não. Resiste valorosamente e retorna depois ao lugar de onde saíste, e não tenhas por desonra teres um dia recebido esse golpe. Se visses um soldado que retorna ferido da guerra não o considerarias desonrado; desonra é lançar fora as armas e deixar o campo de batalha. Mas enquanto a pessoa se mantiver firme no seu posto e se empenhar em combater, mesmo que seja ferida, mesmo que tenha de retroceder alguns passos, ninguém será tão insensato nem tão inexperiente nas coisas da guerra que se atreva a lançar-lho em rosto.
Não ser ferido é próprio somente daqueles que não lutam; mas aqueles que se lançam com grande ímpeto contra o inimigo, é natural que vez por outra sejam atingidos por um golpe e caiam. Isto é o que te aconteceu agora: quiseste matar a serpente de um só golpe e foste mordido por ela. Mas anima-te; com um pouco de vigilância, não ficará o menor rasto dessa ferida e até, com a graça de Deus, conseguirás esmagar a cabeça da serpente.”[12]


FONTES E NOTAS:
[1] Os pontos 3 e 4 da resposta da pergunta 151 do Catecismo Maior de Westminster observa que alguns condicionantes que podem tornar um ato mais grave:
“Pela natureza e qualidade da ofensa, se for contra a letra expressa da lei, se violar muitos mandamentos, se contiver em si  muitos pecados; se for concebida, não só no coração, mas manifestar-se em palavras e ações, escandalizar a outrem e não admitir reparo algum; se for contra os meios, misericórdias, juízos, luz da natureza, convicção da consciência, admoestação pública ou particular, censuras da igreja, punições civis; se for contra as nossas orações, propósitos, promessas, votos, pactos, obrigações a Deus ou aos homens; se for feita deliberada, voluntária, presunçosa, impudente, jactanciosa, maliciosa, frequente e obstinadamente, com displicência, persistência, reincidência, depois do arrependimento. 
Pelas circunstâncias de tempo e de lugar, se for no dia do Senhor ou em outros tempos de culto divino, imediatamente antes, depois destes ou de outros auxílios para prevenção ou remédio contra tais quedas; se em público ou em presença de outros que são capazes de ser provocados ou contaminados por essas transgressões.”
[2] Vício em Pornografia Como Parar, páginas 17-26 – 1° Edição – Janeiro de 2014 – E-book. Confira: http://vicioempornografiacomoparar.com/
[3] Como Trilhar o Caminho da Restauração? – Paulo Ricardo. Disponível em: https://padrepauloricardo.org/aulas/restauracao
[4] Destrave – Libertando-se da Pornografia. – Paulo Ricardo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ijtpidgPe8M
[5] Eros cristão e Eros secular: Desejo Sexual em Perspectiva Cristã – Guilherme de Carvalho -  VI Conferência L´Abri Brasil: Fé e Sexo (2013). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=EqiT5XLNaAQ
[6] Desintoxicação Sexual – Um Guia Para o Jovem Solteiro – Tim Challies, páginas 9-10.
[7] Video: Dead ‘Gay’ Porn Stars Memorial – Created by Former Homosexual Joseph Sciambra. Disponível em: http://americansfortruth.com/2015/02/19/dead-gay-porn-stars-memorial-created-by-former-homosexual-joseph-sciambra/
[8] Confissão de Fé de Westminster 5.5. Disponível em: http://www.monergismo.com/textos/credos/cfw.htm
[9] Analítica Existencial do Fenômeno da Pornografia, texto meu. Disponível em: http://brunosunkey.blogspot.com.br/2017/03/analitica-existencial-do-fenomeno-da.html
[10] Manual de Doutrina Cristã, página 226 – Louis Berkhof -2° Edição, 2012.
[11] Catecismo Maior de Westminster, pergunta 195. Disponível em: http://www.monergismo.com/textos/catecismos/catecismomaior_westminster.htm
[12] Exortações a Teodoro, II, 1 (PG 47, 309) — ARRARÁS, Felix. João Crisóstomo, vida e martírio. São Paulo: Quadrante, 1999. Citado em: https://padrepauloricardo.org/blog/se-voce-caiu-levante-se



Autor: Bruno dos Santos Queiroz
Divulgação: Bereianos

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O remédio do evangelho para a homossexualidade

A Bíblia revela que o sexo foi criado por Deus e é bom. Foi ideia dele. Logo as primeiras palavras de Deus registradas e dirigidas à humanidade encapsulam os ensinamentos da Bíblia sobre o sexo: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra” (Gênesis 1.28). Este mandamento positivo demonstra que o sexo foi designado para glorificar a Deus, fortalecer o vínculo entre marido e mulher, ser experimentado exclusivamente entre um homem e uma mulher no relacionamento conjugal e propagar a raça humana.

Neste lado da queda, o sexo e a sexualidade são distorcidos em graus menores ou maiores. No entanto, hoje existe a controvérsia intensa sobre a homossexualidade nos círculos evangélicos e, cada vez mais, nas igrejas reformadas também. Não somente a homossexualidade é frequentemente apresentada como boa, mas também é apresentada como algo a ser buscado com a bênção de Deus. É alarmante que a aceitação do comportamento homossexual entre evangélicos professos esteja aumentando. Nós ouvimos de algumas pessoas que o tipo de relações homossexuais que vemos hoje (amorosas, monogâmicas) não são abordadas nas Escrituras. Embora essa tendência pareça continuar, essas visões revisionistas devem ser rejeitadas pelos seguidores de Jesus Cristo.

A Palavra de Deus é firme em sua visão negativa da homossexualidade e do desejo sexual pelo mesmo sexo. A Bíblia é o padrão infalível pelo qual devemos ver a homossexualidade e entender o remédio do evangelho para isso. Infelizmente, a confiabilidade da Bíblia nessa área tem sido questionada atualmente por muitos que reivindicam a fé cristã. Os cristãos que veem a Escritura como autoritativa e inspirada não devem aceitar esta visão diluída da Palavra de Deus. A Bíblia revela a posição de Deus a respeito dos problemas do coração humano, sendo a homossexualidade um dentre muitos.

Como os cristãos devem pensar sobre a homossexualidade? Nós precisamos compreendê-la de três maneiras. Primeiramente, a homossexualidade nas Escrituras é sempre mencionada em termos de uma ação, algo feito fisicamente com outra pessoa ou um padrão de pensamento interno e ativo da mente e do coração. A palavra grega mais usada para descrever a homossexualidade no Novo Testamento é arsenokoites, que se refere a um homem deitado com outro homem. Portanto, sempre que é mencionada, é sempre definida em termos de uma atividade, um comportamento ou uma pessoa que se envolve nesse comportamento do coração e corpo.

Em segundo lugar, a homossexualidade é chamada de pecado em todas as passagens onde é mencionada. É proibida e é expressamente considerada como contrária à vontade de Deus. As Escrituras afirmam isso claramente em Gênesis 19.4-9; Levítico 18.22, 20.13; 1Timóteo 1.9-10 e Judas 7. Romanos 1.24-27 também descreve a atividade da paixão e da luxúria centradas no coração, bem como o comportamento. Isto se refere a homens e mulheres. O comportamento é listado em 1Coríntios 6.9-11, onde também aprendemos que esta foi a história de alguns cristãos na igreja primitiva. Entre os que tinham experimentado a salvação havia ex-praticantes da homossexualidade.

Portanto, não só o comportamento homossexual do corpo e do coração é definido como pecado, mas também é retratado como consequência e efeito da queda. Referindo-se à realidade do sexo ilícito, Levítico 18.6-19 lista mais de uma dúzia de formas de pecado sexual, incluindo a homossexualidade e o sexo com animais. Novamente, a gravidade do pecado sexual, particularmente da homossexualidade, é fortemente declarada em Romanos 1.24-26, usando frases vívidas e terríveis como “concupiscências de seu próprio coração”, “paixões infames” e ter uma “disposição mental reprovável”. Isso em adição aos versículos em Judas que falam de “transformar em libertinagem a graça de nosso Deus” e de pessoas que “havendo-se entregado à prostituição... seguindo após outra carne”. Esta última designação está especificamente ligada ao que aconteceu em Sodoma e Gomorra.

Mas, Deus realmente deve comunicar que o mau uso do sexo nas formas acima mencionadas (e, por inferência, os desejos que levam a esse mau uso) é proibido e considerado como pecado? É claro. Nossos desejos, especialmente os nossos desejos sexuais, nunca são neutros. Ver o desejo pelo mesmo sexo como neutro, especialmente quando esse desejo objetifica a outra pessoa sexualmente ou vê a pessoa meramente como um objeto de paixão sexual, é entender mal a profundidade e a complexidade do pecado. Na Escritura, o coração é muitas vezes visto como o centro dos nossos desejos. Em Marcos 7.21, Jesus descreve o coração como o centro de toda imoralidade sexual e sensualidade. Essas inclinações são retratadas como coisas vis que vêm do interior. Ele está falando sobre desejo, seja o objeto desse desejo alguém do sexo oposto ou do mesmo sexo. Tiago 1.14-15 nos diz que somos atraídos e seduzidos por nossos desejos e que o desejo dá à luz o pecado. O desejo não é uma parte neutra do nosso ser, mas uma parte muito ativa dele.

Certamente essas perspectivas da Escritura são amplamente rejeitadas. Há um fator essencial na tentativa de legitimar a homossexualidade biblicamente. Em termos simples, na cultura de hoje, nossa sociologia está cada vez mais interpretando, definindo e determinando a nossa teologia. O que quero dizer com isso? Houve um tempo em que os crentes rotineiramente olhavam para a Bíblia, tanto para saber como pensar sobre as questões da vida quanto para encontrar soluções para os dilemas que enfrentavam, incluindo questões relacionadas ao sexo e à sexualidade. Isso não é mais assim. Hoje, o impacto e a influência da rede social de alguém e da experiência com amigos e familiares substituíram o que a Bíblia poderia dizer sobre esse assunto. Outro termo para entender esta transferência de autoridade e credibilidade para longe da Palavra de Deus em direção à experiência pessoal é a acomodação cultural. Hoje, parece que muitas pessoas acreditam que as Escrituras devem se curvar às nossas experiências ou às dos outros.

Devemos também notar que a homossexualidade nunca é descrita na Escritura como uma condição ou estado de existência. Ao contrário da ideia moderna de uma “orientação” homossexual inata — um termo usado frequentemente nos últimos vinte e cinco anos ou mais — esse conceito não é encontrado na Escritura. É assumido na Bíblia que podemos nos tornar inclinados ou “orientados” para qualquer coisa a que continuamente entregamos as nossas mentes e corações. Faça algo em pensamento ou em ação muitas vezes e por um período bastante longo, e isso se tornará enraizado em nós.

Contudo, precisamos ter cuidado com o pensamento simplista aqui, especialmente quando refletimos em nossa responsabilidade — algo que muitos não acreditam que têm quando se trata dos seus desejos pelo mesmo sexo ou do seu comportamento. Nós somos o produto das interações complexas de muitos fatores durante muitos anos. Por que alguns são propensos a qualquer número de persuasões psicossociais, incluindo ira, depressão ou dependência química? Eis a resposta: nem sempre escolhemos as nossas lutas ou tentações, embora assumamos a responsabilidade pelo que fazemos com elas. Elas se desenvolvem em nós através de uma interação complexa de temperamento, influências internas e externas, e de nossos próprios eus desejosos, arruinados e pecaminosos.

Nós facilmente e por natureza cooperamos com essas influências de modo que os hábitos do coração e o comportamento se tornem fortes e dominantes. Em certo sentido, somos a soma de milhares de pequenas decisões que tomamos. Nós temos cooperado com os nossos desejos cultivados. Assim, apesar dos fatores externos que podem ter estado envolvidos no desenvolvimento daquelas tentações que achamos particularmente atraentes, ainda assim somos responsáveis por ter vidas piedosas, inclusive na área da sexualidade.

Finalmente, precisamos entender que Deus oferece perdão, um testemunho limpo e restauração por meio de Jesus Cristo para todos os pecadores arrependidos, incluindo aqueles que têm um histórico de comportamento homossexual e outros pecados. Ele não somente nos perdoa por sermos propensos a abusar do seu dom do sexo e sexualidade, mas a sua graça verdadeiramente nos educa “para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente” (Tito 2.11-12). Isso não significa necessariamente que podemos fingir que não usamos o sexo como parte de nossa história ou que os desejos sexuais ilícitos não continuarão a nos incomodar ou ser uma fonte de tentação, mas isso significa que a graça de Deus nos dá poder para viver de modo transformado como seguidores de Jesus Cristo. Ele nos capacita a resistir à tentação e a viver para sua glória.

Cristo é mediador dessa graça e capacita os crentes; mas a igreja, o corpo de Cristo, também desempenha um papel crucial. Ouvi um pastor dizer: “O arrependimento mata aquilo que está me matando, sem matar a mim mesmo”. Eu não conheço alguém que possa fazer isso sozinho. Aprender a andar em obediência e a mortificar o nosso pecado e nossa natureza pecaminosa nunca é algo a ser tentado sozinho ou isoladamente. A mudança bíblica é uma atividade comunitária. O chamado da igreja é oferecer apoio e encorajamento àqueles que experimentam atrações pelo mesmo sexo e outras tentações sexuais. Caminhar com aqueles que são tentados dessa maneira significa que ajudamos a suportar os fardos das suas lutas e tentações, oferecendo amizade e companheirismo, e ajudando-os a crer pela primeira vez ou crer novamente no evangelho todos os dias. Isso é o que Cristo faz por nós e é o que precisamos fazer por outros que estão lidando com o pecado sexual. Ao fazer isso, também seremos lembrados de que nós também somos perdoados por nossas transgressões.


Autor: John Freeman
Fonte: Ligonier Ministries
Tradução: Camila Rebeca Teixeira
Revisão: William Teixeira

Fonte: Bereianos

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Quando alguém amado vai para Jesus

Mais cedo ou mais tarde todos teremos que enfrentar a morte de alguém querido. Cristãos se deparam com essa realidade mais do que os outros porque pertencemos a uma família maior: a igreja. No corpo de Cristo, Deus nos abençoa com muitos irmãos, irmãs, pais e mães – todos queridos e amados cujo vínculo espiritual conosco nunca será cortado (Marcos 3.31-35).

Todos nós temos que contar com a morte. Algum dia todos vamos confrontar nosso próprio fim, mas ao longo do caminho vamos também testemunhar amigos amados e família partirem desta vida para a próxima. A morte é um inimigo real – um inimigo aterrador. “O último inimigo a ser destruído é a morte.” (1 Coríntios 15.26).
Eu vi pessoas morrerem na minha frente. Eu perdi amigos, jovens e velhos. A morte é sempre feia. A morte sempre traz sofrimento. E não há nada de errado em entristecer-se diante da morte. O próprio Jesus chorou diante da morte de seu amigo Lázaro (João 11.35). Deus nos criou de tal forma que a morte é antinatural para nós. Fomos feitos para viver.

Mas quando perdemos alguém amado que é um crente, precisamos nos lembrar de uma verdade importante que irá nos ajudar a lidar com a perda. A tristeza certamente vai nos atingir, mas pela graça de Deus, o sofrimento não vai nos derrotar. Esta verdade vai ao coração da fé cristã e nos oferece discernimento quanto à pessoa de Cristo, o Deus-homem.


Jesus quer você
Em João 17.24, lemos palavras que, em uma reflexão cuidadosa e cheia de oração, deveriam estar em nossos corações quando alguém amado morre. Considere cuidadosamente a linguagem:
Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo.

Como um homem, Jesus tem certos desejos. Ele tinha desejos na terra, e ele ainda tem desejos no céu. Aqui, Jesus tem um desejo que ele faz conhecido ao Pai. Ele fala, como ele frequentemente fez antes, daqueles que o Pai lhe deu (veja João 6.37, 39; 10.29; 17.6,9). Aqueles que o Pai deu a Cristo são as próprias ovelhas por quem o Bom Pastor dá a vida (João 10.11). Jesus ora ao Pai por suas amadas ovelhas na Oração Sacerdotal de João 17, e ele continua a interceder por elas até o dia de hoje (Romanos 8.34).

E o que Jesus deseja?

Ele deseja que o seu povo esteja com ele. Jesus é completamente feliz e satisfeito reinando do céu, mas de acordo com sua oração em João 17, ele ainda tem um certo desejo não atendido: que seu povo esteja com ele no lar que ele já preparou para eles (João 14.2-4).


Nós podemos perder, mas Jesus ganha

Quando um irmão ou irmã no Senhor morre, devemos lembrar primeiro e principalmente que o Pai respondeu a oração de Jesus. Deus é soberano sobre as mortes de nossos amados, e ele tem propósitos que nós podemos nunca compreender (Deuteronômio 32.39, Tiago 4.15), mas podemos nos agarrar à verdade de que Jesus orou ao seu Pai para trazer seu povo para casa. Quando um crente morre, o Pai está atendendo o pedido que seu Filho fez quando orou, mais ou menos dois mil anos atrás, na noite anterior à entrega de sua vida por seu povo.

Podemos pelo menos dizer isso: Quando alguém amado se vai, Jesus ganha muito mais do que nós perdemos.


Sim, nós perdemos. Nós nunca mais vamos compartilhar daquela doce comunhão com nosso irmão ou irmã nesta vida. A magnitude da perda facilmente frustra nossas palavras. Mas a perda nunca vai além das palavras de Jesus: “Pai, eu desejo que eles também, os que tu me deste, estejam comigo para que vejam a minha glória…”.

Alegria eterna além do túmulo

Jesus sabe que tem uma glória que vai muito além do que qualquer coisa que esse mundo possa oferecer. Ele sabe que um verdadeiro vislumbre dele vale mais do que milhões de mundos. Ele sabe que a visão de sua glória não vai deixar ninguém insatisfeito. Jesus quer que seus preciosos santos entre na verdadeira e eterna felicidade com ele.


Nós certamente experimentamos muitas alegrias nesta vida, mas nada pode ser comparado ao puro deleite da comunhão sem barreiras com Jesus. Somos destinados a uma alegria indizível em sua presença.

Uma resposta à oração

Quando você perde alguém amado no Senhor para o Senhor, você realmente perde – pelo menos por enquanto. Mas aquele irmão ou irmã ganha, assim como Jesus (Filipenses 2.20-23). Nós podemos derramar lágrimas o suficiente para encher baldes, mas a corrente de lágrimas correndo por nossas bochechas vão reluzir de alegria quanto percebermos que a morte de nossos amados não é nada menos do que uma resposta à oração de Jesus.

A morte de alguém amado no Senhor pode trazer um dos maiores testes à nossa fé. Mas podemos confiar que nosso amado está melhor lá com o Amado? Vamos crer que o Filho de Deus está colhendo os frutos de seu trabalho pelos pecadores? Se cremos, então nossa tristeza é uma tristeza piedosa, e Jesus vai converter nossa tristeza em alegria (João 16.20).


Preciosa é aos olhos do SENHOR a morte dos seus santos.” (Salmo 116.15), e pode ser preciosa para nós também quando nos agarramos à esperança de que a morte nunca irá vencer (1 Coríntios 15.54-55). Jesus se entristeceu para que nós nunca tivéssemos que enfrentar uma tristeza sem esperança em face da morte.

No final, a morte é apenas uma resposta à oração de Jesus.


Autor: Mark Jones
Fonte: desiringGod
Tradução: Daniel TC

Fonte: bereianos