quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A Analogia do Endividado

Um homem simples está devendo um valor xis a um homem proeminente. O credor então cobra-lhe a dívida dando-lhe um ultimato: Ou se paga ou o fim do devedor será trágico. Ao homem endividado só resta temer o seu destino, pois ele tem o número da conta do seu credor em mãos, todavia, não conseguirá fazer nenhum depósito, ele não possui e nunca possuirá tal quantia. Quando menos se espera, um outro homem, que não tinha nada a ver com aquela dívida, deliberadamente paga o valor exato para livrar o devedor da sua severa punição.

Ao ver todo aquele dinheiro depositado em sua conta, o credor não tem mais nada para cobrar. Foi pago tim-tim por tim-tim. E o homem que estava prestes a ser arruinado, agora folga por não ter mais aquele débito. Estava livre. Agora imagine você, caro leitor, que mesmo após ver a importância depositada em sua conta, o credor mandasse um encarregado seu ir atrás de quem lhe devia e perguntasse:

- Alguém pagou a dívida para você. Agora cabe a ti aceitá-la.

Neste momento você deve estar achando improvável tal pergunta. E de fato é. Agora, imagine que além disso, a resposta do endividado fosse:

- Não, eu não quero aceitar.

Absurdo. Não há uma outra palavra para adjetivar tal desfecho. No entanto, é assim que se baseia a teologia arminiana quando diz que a Graça é resistível e que o homem pode rejeitar a oferta da salvação. Para entendermos isso de uma maneira melhor, é necessário estar ciente de outros basilares conceitos da soteriologia (doutrina da salvação) reformada. A saber: Total Depravação e Expiação Limitada.

A depravação total consiste em dizer que todos os homens estão numa situação decaída. Eles estão em rebelião contra Deus e por isso estão espiritualmente mortos (Ef 2:3; Rm 3:12; Jo 8:34). Mas, Deus em Sua soberana vontade, para o louvor de Sua glória, escolheu alguns destes pecadores mortos e os vivificou em Cristo. Por que Ele fez isso? Efésios 1 nos diz que foi para “o louvor da Sua glória” (v. 6, 12 e 14).  Seus eleitos, não tiveram mérito algum, por isso não podem se vangloriar (Ef 2:8-9, Rm 3:27). Daí o questionamento: e quanto aqueles que não se convertem quando anunciamos o sacrifício do calvário? Não estariam eles resistindo?

Aparentemente eles estão rejeitando sim. Contudo voltemos a analogia do homem endividado. Porque ele não podia negar o pagamento feito por um terceiro elemento em seu favor? Porque aquele pagamento salvaria sua pele. Por isso não há como rejeitar o sacrifício de Cristo, a não ser que este não tenha morrido por aqueles que continuam mortos. A expiação limitada ensina justamente isto: A cruz não redimiu todos os homens, apenas os eleitos. Da mesma forma, o homem de nossa estória pagou a dívida de um devedor e não de todos os devedores. Por isso, os que aparentemente rejeitam a mensagem da cruz, na verdade não foram por ela alcançados. Em outras palavras, a dívida deles não foi paga por Jesus.

Quando a Bíblia diz que o sangue de Jesus é suficiente para nos purificar de todo o pecado (Tt 2:14, 1Pd 1:18-23 e Ap 1:5), não podemos conceber a ideia de que tais homens desprezariam sua morte, tornando-a em vão. Se estes continuam na sua condição pecaminosa, é porque não receberam a fé salvífica e não foram alcançados quando Cristo expirou no gólgota. Eles são espiritualmente cegos e não enxergam que são pecadores. Obstinados continuam devendo e acham que está tudo quite. A revelação de que devíamos um exorbitante valor, e que nossa dívida foi paga, chegou até nós. Regozijamos com esta boa-nova. Porém, alguns continuam com os olhos vendados para esta realidade (2Co 4:3-4). 

Dizer que Jesus morreu por todos os homens, porém muitos não serão salvos porque vão recusá-lo é tornar os sofrimentos do Senhor inúteis, sendo necessário fazer mais alguma coisa. Restringir a cruz a vontade humana é tão absurdo como acreditar que o devedor da nossa analogia escolheria continuar devendo um débito que já havia sido quitado.


Fonte: http://blogelectus.blogspot.com.br

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A Graça Comum

Introdução e definição

Quando Adão e Eva pecaram, tornaram-se réus da punição eterna e da separação de Deus (Gênesis 2:17). Do mesmo modo, hoje, quando os seres humanos pecam, eles se tornam sujeito à ira de Deus e à punição eterna: “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). Isso significa que, uma vez que as pessoas pecam, a justiça de Deus requer somente uma coisa — que elas sejam eternamente separadas de Deus, alienadas da possibilidade de experimentar qualquer bem da parte dEle, e que elas existam para sempre no inferno, recebendo eternamente apenas a Sua ira. De fato, isso foi o que aconteceu aos anjos que pecaram e poderia ter acontecido exatamente conosco também: “Pois Deus não poupou aos anjos que pecaram, mas os lançou no inferno, prendendo-os em abismos tenebrosos a fim de serem reservados para o juízo” (2 Pedro 2:4).

Mas, de fato, Adão e Eva não morreram imediatamente (embora a sentença de morte começasse a ser aplicada na vida deles no dia em que pecaram). A execução plena da sentença de morte foi retardada por muitos anos. Além disso, milhões de seus descendentes até o dia de hoje não morrem nem vão para o inferno tão logo pecam, mas continuam a viver por muitos anos, desfrutando bênçãos incontáveis nesta vida. Como pode ser isso? Como Deus pode continuar a conferir bênçãos a pecadores que merecem somente a morte — não somente aos que finalmente serão salvos, mas também a milhões que nunca serão salvos, cujos pecados nunca serão perdoados?

A respostas a essas perguntas é que Deus concede-lhes graça comum. Podemos definir graça comum da seguinte maneira: Graça comum é a graça de Deus pela qual Ele dá às pessoas bênçãos inumeráveis que não são parte da salvação. A palavra comum aqui significa algo que é dado a todos os homens e não é restrito aos crentes ou aos eleitos somente.

Diferentemente da graça comum, a graça de Deus que leva pessoas à salvação é muitas vezes chamada “graça salvadora”. Naturalmente, quando falamos a respeito da “graça comum” e da “graça salvadora”, não estamos sugerindo que há duas diferentes espécies de graça no próprio Deus, mas apenas estamos dizendo que a graça de Deus se manifesta no mundo de duas maneiras diferentes. A graça comum é diferente da graça salvadora quanto aos resultados (ela não traz salvação), seus destinatários (é dada aos crentes e descrentes igualmente) e sua fonte (ela não flui diretamente da obra expiatória de Cristo, visto que a morte dEle não obtém nenhuma medida de perdão para os descrentes e, portanto, nem os crentes nem os descrentes fazem jus às suas bênçãos). Contudo, sobre o último ponto, deve ser dito que a graça comum flui indiretamente da obra redentora de Cristo, porque o fato de Deus não julgar o mundo assim que o pecado entrou nele talvez seja apenas porque Ele planejou finalmente salvar alguns pecadores por meio da morte de Seu Filho.

Exemplos de graça comum

Se olhamos para o mundo ao nosso redor e o contrastamos com o fogo do inferno que ele merece, podemos ver imediatamente a abundante evidência da graça comum de Deus em milhares de exemplos na vida diária. Podemos distinguir diversas categorias específicas nas quais essa graça comum pode ser vista.

1. A esfera física. Os descrentes continuam a viver neste mundo somente por causa da graça comum de Deus — cada vez que as pessoas respiram é pela graça, pois o salário do pecado é a morte, não a vida. Além disso, a terra não produz somente espinhos e ervas daninhas (Gênesis 3:18), nem permanece um deserto ressequido, mas a graça comum de Deus provê comida e material para roupa e abrigo, muitas vezes em grande abundância e diversidade. Jesus disse: “Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque Ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos” (Mateus 5:44,45). Aqui Jesus apela para a abundante graça comum de Deus como encorajamento aos seus discípulos, para que eles também concedam amor e orem para que os descrentes sejam abençoados (cf. Lucas 6:35,36). Semelhantemente, Paulo disse ao povo de Listra: “No passado [Deus] permitiu que todas as nações seguissem os seus próprios caminhos. Contudo. Deus não ficou sem testemunho: mostrou sua bondade, dando-lhes chuva do céu e colheitas no tempo certo, concedendo-lhes sustento com fartura e um coração cheio de alegria” (Atos 14:16,17).

O Antigo Testamento também fala da graça comum de Deus que vem aos descrentes tanto quanto aos crentes. Um exemplo específico é o de Potifar, o capitão da guarda do Egito que comprou José como escravo: “o Senhor abençoou a casa do egípcio por causa de José. A bênção do Senhor estava sobre tudo o que Potifar possuía, tanto em casa como no campo” (Gênesis 39:5). Davi fala de modo muito mais geral a respeito das criaturas que o Senhor fez:

“O Senhor é bom para todos; a sua compaixão alcança todas as suas criaturas. [...] Os olhos de todos estão voltados para ti, e tu lhes dás o alimento no devido tempo. Abres a tua mão e satisfazes os desejos de todos os seres vivos” (Salmos 145:9,15,16).

Estes versículos são outro lembrete de que a bondade que é encontrada em toda a criação não acontece automaticamente — ela se deve à bondade de Deus e Sua compaixão.

2. A esfera intelectual. Satanás é “mentiroso e pai da mentira” e “não há verdade nele” (João 8:44), porque lhe foi dado ter domínio sobre o mal e sobre a irracionalidade e comprometimento com a falsidade que acompanha o mal radical. Mas os seres humanos no mundo de hoje, mesmo os descrentes, não estão totalmente entregues à mentira, irracionalidade e ignorância. Todas as pessoas são capazes de ter um pouco de compreensão da verdade; de fato, algumas possuem grande inteligência e entendimento. Isso também deve ser visto como resultado da graça comum de Deus. João fala de Jesus como “a verdadeira luz, que ilumina todos os homens” (João 1:9), pois, em seu papel como criador e sustentador do universo (não particularmente em seu papel como redentor), o Filho de Deus concede iluminação e entendimento que vêm a todas as pessoas no mundo.

A graça comum de Deus na esfera intelectual é vista no fato de que todas as pessoas têm certo conhecimento de Deus: “porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças” (Romanos 1:21). Isso significa que há um senso da existência de Deus e muitas vezes a fome de conhecer Deus que Ele permite que permaneça no coração das pessoas, embora isso resulte muitas vezes em muitos religiões diferentes criadas pelos homens. Portanto, mesmo quando falando a pessoas que sustentavam religiões falsas, Paulo pôde encontrar um ponto de contato com respeito ao conhecimento da existência de Deus, exatamente como fez quando falou aos filósofos atenienses: “Atenienses! Vejo que em todos os aspectos vocês são muito religiosos [...] o que vocês adoram, apesar de não conhecerem, eu lhes anuncio” (Atos 17:22,23).

A graça comum de Deus na esfera intelectual também resulta na capacidade de captar a verdade e distingui-la do erro e de experimentar crescimento em conhecimento que pode ser usado na investigação do universo e na tarefa de dominar a terra. Isso significa que toda ciência e tecnologia desenvolvida pelos não-cristãos é resultado da graça comum, permitindo-lhes fazer descobertas e invenções incríveis, para desenvolver os recursos do planeta na criação de muitos bens materiais, para produção e distribuição desses recursos e para alcançar habilidades na obra produtiva. Em sentido prático, isso significa que, cada vez que entramos em uma mercearia, andamos em um automóvel ou entramos em uma casa, devemos lembrar que estamos experimentando os resultados da abundante graça comum de Deus derramada tão ricamente sobre toda a raça.

3. A esfera moral. Pela graça comum Deus também refreia as pessoas de serem tão más quanto poderiam. Novamente o reino demoníaco, totalmente dedicado ao mal e à destruição, proporciona um contraste claro com a sociedade humana, na qual o mal é claramente refreado. Se as pessoas persistem dura e repetidamente em seguir o pecado durante o curso de sua vida, Deus finalmente as entregará ao maior de todos os pecados (cf. Salmos 81:12; Romanos 1:24,26,28), mas no caso da maioria dos seres humanos eles não caem nas profundezas às quais seus pecados normalmente os levariam, porque Deus intervém e coloca freio na sua conduta. Um refreamento muito eficaz é a força da consciência. Paulo diz: “De fato, quando os gentios, que não têm a Lei, praticam naturalmente o que ela ordena, tornam-se lei para si mesmos, embora não possuam a Lei; pois mostram que as exigências da Lei estão gravadas em seu coração. Disso dão testemunho também a sua consciência e os pensamentos deles, ora acusando-os, ora defendendo-os” (Romanos 1:32). E em muitos outros casos, essa sensação interior da consciência leva os indivíduos a estabelecer leis e costumes na sociedade que são, em termos da conduta exterior que eles aprovam ou proíbem, totalmente iguais às leis morais da Escritura. As pessoas muitas vezes estabelecem leis ou têm costumes que respeitam a santidade do casamento e da família, protegem a vida humana e proíbem o roubo e a falsidade no falar. Por causa disso, elas muitas vezes seguem caminhos moralmente retos e exteriormente andam conforme os padrões morais encontrados na Escritura. Embora a conduta moral delas não possa ganhar méritos com Deus, visto que a Escritura claramente diz que “diante de Deus ninguém é justificado pela Lei” (Gálatas 3:11) e “Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer” (Romanos 3:12), contudo, em algum sentido menor que ganhar a aprovação ou o mérito eterno de Deus, os descrentes realmente fazem “o bem”. Jesus sugere isso quando diz: “E que mérito terão, se fizerem o bem àqueles que são bons para com vocês? Até os 'pecadores' agem assim” (Lucas 6:33).

4. A esfera da criatividade. Deus distribuiu medidas significativas de capacidade em áreas artísticas e musicais, assim como em outras esferas nas quais a criatividade e a habilidade podem expressar-se, como praticar esportes, cozinhar, escrever, e assim por diante. Além disso, Deus nos dá a capacidade de apreciar a beleza em muitas áreas da vida. E nessa área, assim como na esfera física e intelectual, as bênçãos da graça comum são às vezes derramadas sobre os descrentes até mais abundantemente que sobre os crentes. Todavia, em todos os casos, ela é resultado da graça de Deus.

5. A esfera da sociedade. A graça de Deus também é evidente na existência de várias organizações e estruturas na raça humana. Vemos isso primeiramente na família humana, ressaltado pelo fato de que Adão e Eva permaneceram marido e mulher após a queda e então tiveram filhos, homens e mulheres (Gênesis 5:4). Os filhos de Adão e Eva casaram-se e formaram famílias para si mesmos (Gênesis 4:17,19,26). A família humana permanece ainda hoje, não simplesmente como instituição para os crentes, mas para todas as pessoas.

O governo humano é também resultado da graça comum. Ele foi instituído no princípio por Deus após o dilúvio (ver Gênesis 9:6) e, segundo Romanos 13 claramente afirma, foi estabelecido por Deus: “Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas”. Está claro que o governo é dom de Deus para a raça em geral, pois Paulo diz que a autoridade “é serva de Deus para o seu bem” e que ela é “serva de Deus, agente de justiça para punir quem pratica o mal” (Romanos 13:4). Um dos principais meios que Deus usa para refrear o mal no mundo é o governo humano. As leis humanas, as forças policiais e os sistemas judiciais proporcionam poderosa repressão às más ações, e esses são freios necessários, pois há muito mal no mundo que é irracional e pode ser restringido somente pela força, já que ele não será impedido pela razão ou pela educação. Obviamente a pecaminosidade das pessoas pode também afetar os governos em si mesmos, de forma que o governo humano, igual a todas as outras bênçãos da graça comum que Deus dá, pode ser usado tanto para o propósito do bem como do mal.

6. A esfera religiosa. Mesmo na esfera da religião humana, a graça comum de Deus traz algumas bênçãos para as pessoas incrédulas. Jesus nos diz: “Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem” (Mateus 5:44), e desde que não há qualquer restrição no contexto para que se ore simplesmente pela salvação deles e como a ordem de orar pelos que nos perseguem é combinada com a ordem de amá-los, parece razoável concluir que Deus pretende responder a nossas orações pelos que nos perseguem em muitas áreas de suas vidas. De fato, Paulo especificamente ordena que oremos “pelos reis e por todos os que exercem autoridade” (1 Timóteo 2:2). Quando procuramos o bem dos descrentes, isso é coerente com a própria prática divina de conceder sol e chuva a “maus e bons” (Mateus 5:45) e também está de acordo com a prática de Jesus durante o Seu ministério terreno, quando Ele curou cada pessoa que lhe era trazida (Lucas 4:40). Não há indicação alguma de que ele tenha exigido que todos cressem nele ou concordassem que ele era o Messias antes de lhes conceder cura física.

Deus responde às orações dos descrentes? Embora Deus não tenha prometido responder às orações dos descrentes como prometeu responder às orações dos que vêm a Ele em nome de Jesus, e embora Ele não tenha obrigação de responder às orações dos descrentes, mesmo assim Deus pode por Sua graça comum ouvir e responder positivamente às orações deles, demonstrando dessa forma Sua misericórdia e bondade de outro modo ainda (cf. Salmos 145:9,15; Mateus 7:22; Lucas 6:35,36). Esse é provavelmente o sentido de 1 Timóteo 4:10, que diz que Deus é o “Salvador de todos os homens, especialmente dos que crêem”. Aqui “Salvador” não significa restritamente “quem perdoa pecados e dá vida eterna”, porque tais coisas não são dadas aos que não crêem. “Salvador” deve ter aqui um sentido mais geral — a saber, “quem resgata da miséria, quem liberta”. Em caso de pobreza e miséria, Deus muitas vezes ouve as orações dos descrentes e os livra graciosamente de seus problemas. Além disso, mesmo os descrentes muitas vezes possuem um senso de gratidão para com Deus pela bondade da criação, pela libertação em meio ao perigo e pelas bênçãos da família, do lar, das amizades e do país.

7. A graça comum não salva pessoas. A despeito de tudo isso, devemos perceber que a graça comum é diferente da graça salvadora. A graça comum não muda o coração humano nem traz pessoas ao genuíno arrependimento ou à fé — ela não pode salvar e não salva pessoas (embora na esfera intelectual e moral ela possa preparar as pessoas para torná-las mais dispostas a aceitar o evangelho). A graça comum refreia o pecado, mas não muda a disposição fundamental de pecar nem purifica a natureza humana decaída.

Devemos também reconhecer que as ações que os descrentes realizam por causa da graça comum não merecem a aprovação ou o favor de Deus. Essas ações não procedem da fé (“tudo o que não provém da fé é pecado”, Romanos 14:23) nem são motivadas pelo amor a Deus (Mateus 22:37), e sim pelo amor ao ego sob uma ou outra forma. Portanto, embora possamos prontamente dizer que as obras dos descrentes que se conformam externamente às leis de Deus são “boas” em algum sentido, contudo elas não são boas em termos de merecer a aprovação de Deus nem de tornar Deus endividado para com o pecador em sentido algum.

Finalmente, devemos reconhecer que os descrentes muitas vezes recebem mais graça comum que os crentes — eles podem ser mais habilidosos, trabalhar com mais esforço, ser mais inteligentes, mais criativos ou ter mais dos benefícios materiais desta vida para desfrutar. Isso não indica de forma alguma que eles são mais favorecidos por Deus no sentido absoluto ou que eles vão ganhar qualquer coisa relativa à salvação eterna, mas significa somente que Deus distribui as bênçãos da graça comum de vários modos, muitas vezes concedendo bênçãos bastante significativas a descrentes. Em tudo isso, obviamente, eles devem tomar consciência da bondade de Deus (Ateus 14:17) e reconhecer que a vontade revelada de Deus é que essa “bondade de Deus” finalmente os conduza “ao arrependimento” (Romanos 2:4).

Razões para a graça comum

Por que Deus concede graça comum a pessoas imerecedoras que nunca virão à salvação? Podemos sugerir ao menos quatro razões.

1. Para redimir os que serão salvos. Pedro diz que o dia do juízo e da execução final de punição está sendo retardado porque há ainda mais pessoas que serão salvas. “O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Ao contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.” (2 Pedro 3:9,10). De fato, essa razão foi verdadeira desde o princípio da história humana, pois, se Deus quisesse salvar qualquer pessoa entre todos que compõem a humanidade pecaminosa, Ele não poderia destruir todos os pecadores imediatamente (nesse caso não sobraria ninguém da raça humana). Ao contrário, Ele resolveu permitir que seres humanos pecaminosos vivessem algum tempo de modo a ter uma oportunidade de arrependimento e também para que pudessem gerar filhos, capacitando gerações subseqüentes a viver, a ouvir o evangelho e se arrepender.

2. Para demonstrar a bondade e a misericórdia de Deus. A bondade e a misericórdia de Deus não são vistas somente na salvação dos crentes, mas também nas bênçãos que Deus dá aos pecadores que não as merecem. Quando Deus “é bondoso para com os ingratos e maus” (Lucas 6:35), essa bondade é revelada no universo, para a Sua glória. Davi diz: “O Senhor é bom para todos; a sua compaixão alcança todas as suas criaturas” (Salmos 145:9). Na história de Jesus conversando com o moço rico, lemos: “Jesus olhou para ele e o amou” (Marcos 10:21), embora o homem fosse um descrente que no mesmo instante afastou-se de Jesus porque possuía muitas riquezas. Berkhof diz que Deus “derrama incontáveis bênçãos sobre todos os homens e também indica claramente que elas são expressões de uma disposição favorável de Deus que, contudo, fica muito aquém da volição positiva exercida para lhes perdoar, suspender a sentença a eles imposta e assegurar-lhes a salvação”.

Não é injusto Deus retratar a execução da punição do pecado e dar temporariamente bênçãos aos seres humanos, porque a punição não é esquecida, mas apenas retardada. Retardando a punição, Deus mostra claramente que não tem prazer em executar o juízo final, mas, ao contrário, Ele se deleita na salvação de homens e mulheres. “Juro pela minha vida, palavra do Soberano, o SENHOR, que não tenho prazer na morte dos ímpios, antes tenho prazer em que eles se desviem dos seus caminhos e vivam” (Ezequiel 33:11). Deus “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Timóteo 2:4). Em tudo isso o tempo de espera da punição dá uma evidência clara da misericórdia, bondade e amor de Deus.

3. Para demonstrar a justiça de Deus. Quando repetidamente Deus convida os pecadores a virem à fé e repetidamente eles recusam os Seus convites, a justiça de Deus em condená-los é vista muito mais claramente. Paulo adverte que quem persiste na incredulidade está simplesmente acumulando a ira para si mesmo: “Contudo, por causa da teimosia e do seu coração obstinado, você está acumulando ira contra si mesmo, para o dia da ira de Deus, quando se revelará o seu justo julgamento” (Romanos 2:5). No dia do juízo todas as bocas serão silenciadas (Romanos 3:19), e ninguém será capaz de contrapor que Deus foi injusto.

4. Para demonstrar a glória de Deus. Finalmente, a glória de Deus é mostrada de muitas formas pelas atividades dos seres humanos em todas as áreas nas quais a graça comum está em operação. No desenvolvimento e no exercício do domínio sobre a terra, homens e mulheres demonstram e refletem a sabedoria do seu Criador, comprovam as qualidades dadas por Deus, as virtudes morais e a autoridade sobre o universo, e coisas semelhantes. Embora todas essas atividades sejam contaminadas por motivos pecaminosos, elas apesar disso refletem a excelência de nosso Criador e, portanto, trazem a glória a Ele, não de forma plena e perfeita, mas ainda assim significativa.

Nossa resposta à doutrina da graça comum

Pensando sobre as várias espécies de bondades vistas na vida dos descrentes por causa da graça comum que Deus dá abundantemente, devemos ter em mente três pontos.

1. Graça comum não significa que quem a recebe será salvo. Mesmo uma porção excepcional de graça comum não significa que quem a recebe será salvo. Até as pessoas mais habilidosas, mas inteligentes, mais ricas e poderosas no mundo ainda carecem do evangelho de Jesus Cristo ou serão condenadas eternamente! Os nossos vizinhos mais bondosos e de moral mais elevada ainda carecem do evangelho de Jesus Cristo ou serão condenados eternamente! Exteriormente pode parecer que eles não têm necessidade algumas, mas a Escritura ainda diz que os descrentes são “inimigos de Deus” (Romanos 5:10; cf. Colossenses. 1:21; Tiago 4:4) e são “contra” Cristo (Mateus 12:30). Eles são “inimigos da cruz de Cristo” e “só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18,19), sendo “por natureza merecedores da ira” (Efésios 2:3).

2. Devemos ser cuidados em não rejeitar as coisas boas que os descrentes fazem, considerando-as totalmente más. Pela graça comum os descrentes fazem algumas coisas boas, e devemos ver a mão de Deus nelas, sendo agradecidos por elas, como por exemplo nas amizades, em cada ato de bondade, no que elas trazem de bênçãos para outras pessoas. Tudo isso — embora o descrente não o saiba — procede em última análise de Deus, e Deus merece a glória por tudo.

3. A doutrina da graça comum deveria estimular nosso coração à gratidão muito maior a Deus. Quando descemos uma rua e vemos casas, jardins e famílias vivendo em segurança, ou quando negociamos no mercado e vemos os resultados abundantes do progresso tecnológico, ou quando andamos pelos bosques e vemos a beleza da natureza, ou quando somos protegidos pelas autoridades, ou quando somos educados no vasto conhecimento humano, devemos perceber não somente que Deus, em Sua soberania, é o responsável último por todas essas bênçãos, mas também que Deus as tem concedido aos descrentes, embora eles não tenham absolutamente nenhum mérito com relação a elas! Essas bênçãos no mundo não são apenas evidências do poder e sabedoria de Deus, mas a manifestação contínua da Sua graça abundante. A percepção deste fato deveria fazer nosso coração se encher de gratidão a Deus em cada atividade de nossa vida.

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Fonte: Teologia Sistemática, Wayne Grudem, Editora Vida, págs. 297-304.

Fonte: http://blogelectus.blogspot.com.br


domingo, 15 de janeiro de 2017

Uma Esposa Fiel

Published by Joy Hicks on 09/01/2017
Há alguns dias, meu marido escreveu um artigo sobre ser um esposo fiel, e eu fiquei pensando sobre o que é ser uma esposa fiel. Ser esposa do meu marido é uma das grandes alegrias da minha vida, mas eu tenho muito a aprender. Assim como meu marido, apresento alguns conceitos, porém de maneira mais breve.
1. Uma esposa fiel é uma cristã fiel – Isso significa que ela reconhece seus pecados contra Deus como seu maior problema , e o amor de Cristo que O levou a viver e morrer por ela é o seu maior tesouro. Ela é uma mulher tão amada por Deus que Lhe ama em troca e deseja fazer tudo o que Ele mandou. Assim, sendo amada por Deus, ela é livre para ser uma esposa fiel ao seu marido ao invés de exigir que seu esposo lhe ame do jeito que ela gostaria de ser amada. O amor de Deus faz com que ela seja a esposa que Deus lhe ordenou ser.
2. Uma esposa fiel é auxiliadora do seu marido.
E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele”. (Gênesis 2:18).
Depois de Deus, seu dever neste mundo é seu marido e o lar que constroem juntos. Assim, ela deve usar suas palavras, seu tempo e ações para edificar, animar e apoiar seu esposo, para ajudá-lo com o chamado de Deus. Ela pode fazer isso primeiramente em casa, mas também pode fazer trabalhando fora ( como vemos em Provérbios 31 -uma mulher compra uma propriedade rural e vende roupas). Mas o primeiro dever da esposa é o seu marido. Ele é sua principal prioridade depois de Deus, e quando seu esposo percebe que tem essa importância para ela, ele facilmente confia nela. Ela só quer seu bem, em tudo o que diz e faz, e não o mal, sendo que ”bem” significa Deus declarar a Sua Palavra.
3. Uma esposa fiel respeita o esposo. Deus diz para as mulheres respeitarem os maridos. (Efésios 5:33) Respeitar o marido significa honrar seus desejos, pensamentos, opiniões , trabalho e conquistas. Uma esposa cristã aprende a respeitar o esposo confiando em Jesus, que morreu pelos seus pecados para lhe dar vida eterna. E Ele diz para ela respeitar o marido. Ela crê que fazer o que Jesus diz é para o seu bem – mesmo se seu marido age de modo que não merece respeito. Eu não quero dizer que uma esposa deve tolerar um comportamento pecador. O que eu quero dizer é que a piedade ou impiedade do marido não tem nada a ver com a obediência da esposa à ordem de Deus ”respeite seu marido” (Efésios 5:33). Nada do que seu marido faça deve impedi-la de falar e agir respeitosamente. E se seu esposo agir desonrada mente, ela deve conversar com ele de modo respeitoso, não comprometendo a verdade enquanto confronta o pecado. Respeitar é fazer perguntas cuidadosas (não acusatórias), para que se tenha certeza de entender a situação e as opiniões do marido sem ir direto para conclusões, sem discordar de seus pensamentos antes de tê-los escutado atentamente, sem ser agressiva. É fácil para uma esposa cristã respeitar um esposo fiel. Mas, depois de Deus, uma esposa fiel pode respeitar um marido infiel sem comprometer a verdade ou justiça.
4. Uma esposa fiel é submissa ao marido – Deus diz: ”Mulheres, sujeita-vos a vossos maridos, como ao Senhor”. (Efésios 5:22).
Jesus dá essa ordem às mulheres por quem ele morreu e tirou do pecado e da miséria. Essa ordem vem do coração misericordioso de Deus, por amor a elas. Assim, a submissão de uma esposa é primeiro uma submissão ao Senhor Jesus Cristo. Uma esposa fiel aprende a se submeter a um esposo infiel crendo que Jesus a ama, quer seu bem, e só lhe dá boas ordens. Sua submissão ao Senhor lhe faz forte para representar Deus, contra toda a injustiça e falsidade, até mesmo para se opor ao marido se ele continuar pecando. Submissão não significa se acomodar com uma atitude prejudicial. Ao contrário, significa honrar a Deus e se submeter a Ele, mesmo acima do marido. A submissão a Deus faz a esposa humilde para submeter sua vontade ao marido em todas as coisas que não façam parte do pecado.
5. Por fim, uma esposa fiel expõe os ensinamentos de Jesus ao seu marido. Ela compreende que o Senhor Jesus a perdoou por causa de seus grandes pecados contra um Deus perfeito e infinitamente sagrado. A graça do evangelho significa que ela pode perdoar seu esposo de coração, por seus pequenos pecados contra ela. Ela entende que Deus a trata com justiça, mesmo se ela não for justa, somente por Cristo e Sua justiça. Isso faz com que ela trate seu marido como se ele fosse justo, mesmo quando não é . Ela sabe que Deus em Cristo a amou, mesmo quando ela não foi amável, e isso permite que ela ame seu esposo mantendo as ordens de Deus em relação a ele, mesmo quando ele é desagradável. Ela conhece as palavras preciosas de vida que Deus falou para ela por causa de Jesus: perdão, justo, amado, família, amigo e então, ela usa sua boca para falar palavras do evangelho para seu marido lembrando a ele do amor de Jesus e da esperança de um mundo melhor. ”Abre a sua boca com sabedoria, e a lei da beneficência está na sua língua”. (Provérbios 31:26). Conhecer Cristo de um modo pessoal é a única maneira de ser uma esposa fiel, respeitosa, auxiliadora e submissiva como Deus a chamou para ser ao seu marido.


Tradução graciosamente feita por Izabela Morgado
Fonte: palavraprudente.com.br

sábado, 14 de janeiro de 2017

O cristão pode comemorar aniversários ou datas festivas?

ublished by Daniel Gardner on 09/01/2017
Como surgiu o hábito de comemorar aniversários?
“O hábito de comemorar o dia do nascimento [aniversários] surgiu na Roma antiga….A origem estava ligada à ideia de que, na data de aniversário, anjos malignos vinham roubar o espírito do aniversariante e era preciso tomar medidas para prevenir isso. Por ser ligada a superstições, a tradição foi inicialmente considerada pagã pela Igreja Católica”. 1
Ainda hoje, a seita Testemunhas de Jeová proíbe a comemoração de aniversários,2citando a origem pagã dos costumes:
Os costumes de dar parabéns, dar presentes e de celebração – com o requinte de velas acesas – nos tempos antigos eram para proteger o aniversariante de demônios e garantir segurança no ano vindouro… As velas de aniversário, na crença popular, são dotadas de magia especial para atender pedidos… Velas acesas e fogos sacrificiais têm um significado místico especial desde que o homem começou a erigir altares para seus deuses.3
Entretanto, nós cristãos, comemoramos os aniversários, dando graças a Deus por mais um ano de vida concedido. Pode isso, Arnaldo? Sim, graças a graça de Deus, que é poderosa — não só para redimir nossas almas — mas resgatar também as motivações por trás daquilo que celebramos. Lembramos:
1.  Aquilo que foi distorcido por corações pagãos pode sim ser remido pela maravilhosa graça de Deus. Nossa natureza caída perverte mas não cria; tudo que há foi originalmente criado por um Santo Deus. A redenção restaura santidade à criação, e isso inclui todas as esferas: arte, política, educação, etc. Nas palavras do Abraham Kuyper: “Não há um centímetro quadrado da realidade sobre o qual Cristo não possa dizer: ‘é meu’”.

2.  É superstição imaginar que qualquer celebração hoje que coincida com uma celebração pagã invoca os demônios. Um caso clássico: a palavra Sunday (domingo) fazia referência ao deus Sun (sol) e dia de domingo seria destinado à sua adoração. No final do século 19, um famoso sorvete criado no domingo levou o nome Sundae. Mas isso não quer dizer que toda vez que você pede um sundae no McDonalds,4 você está cultuando ao deus do sol. Lembrando o caso de Josué em Gn 50.20, aquilo que alguém intenta para o mal, Deus pode intentar para o bem.

3.  Como cristãos, temos mil motivos para celebrar a graça de Deus. A alegria pertence aos cristãos. O erro dos pagãos não foi em celebrar os aniversários; seu erro consiste em direcionar suas celebrações aos deuses falsos. A impiedade residiu na motivação errada e não necessariamente no bolo, nas velas, ou decoração festiva. Já o povo de Deus tem uma alegria que nasce da motivação correta: “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1Te 5.18). Dito de outra forma: “se participo com gratidão, por que eu seria culpado por algo pelo que dou graças? Portanto, seja comendo, seja bebendo, seja fazendo qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.30,31).

4.  A liberdade cristã é uma dádiva divina. Sendo liberto dos rituais do paganismo, o cristão pode escolher se quer ou não celebrar aniversários ou outras datas comemorativas. Posso celebrar a vida do meu filho, o lançamento do meu filme favorito, datas de casamento, e ainda lembrar a morte dos meus familiares ou a data da independência do meu país sem qualquer vínculo com as obras do pecado. Tenho liberdade para não celebra-los também. O que não posso fazer é usar minha liberdade para celebrar o pecado nítido (“pretexto para o mal”, 1Pe 2.16) porque então contraria o propósito da liberdade cristã.

5.  A proibição de aquilo que Deus não proíbe é sintoma de falsa devoção. “Visto que morrestes com Cristo para os espíritos elementares do mundo, por que vos sujeitais ainda a mandamentos como se vivêsseis no mundo, tais como não toques, não proves, não manuseies? Todas essas coisas desaparecerão com o uso, pois são preceitos e doutrinas dos homens. Na verdade, esses mandamentos têm aparência de sabedoria em falsa devoção, falsa humildade e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate aos desejos da carne” (Col 2.20-23).
Resumindo: se você usa velas para espantar espíritos maus, pare com isso. Se você consome sorvete em homenagem ao deus sol, pare de comer isso. Se você ajoelha perante árvores de natal para adorar os deuses dos pagãos, você é idólatra; arrependa-se do seu pecado. Mas se você celebra a graça de Deus na sua vida para a glória dele de acordo com a liberdade que ele te deu, continue. Você é prova viva que a graça de Deus transforma, liberta e redime.
Capa: Detalhe da obra The Birthday Party.5


Fonte: palavraprudente.com.br

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Um Esposo Fiel

Published by Tom Hicks on 09/01/2017
Ser casado com minha esposa é a maior benção da minha vida. Joy e eu somos casados há 14 maravilhosos anos, e eu não consigo imaginar minha vida sem ela. Eu escrevo este artigo com certo receio, pois sei que não sou um marido perfeito, mas quero me tornar um esposo fiel para o resto da minha vida. Este artigo não vai contemplar todos os significados do que é ser um esposo fiel, então apresento alguns conceitos para reflexão.
1. Um esposo fiel é um seguidor fiel de Cristo. Acima de tudo, um esposo fiel aprende com Jesus como amar sua esposa porque ele sabe como Cristo o trata. Ele entende que Jesus lhe ama, não porque ele é bom, merecedor ou obediente, mas simplesmente porque Ele escolheu amá-lo. O coração de um marido fiel foi conquistado pelo amor de Cristo, e ele ama Jesus porque Cristo lhe amou primeiro. Assim, ele vive sob a ordem de Jesus e guarda Seus bons mandamentos porque ele foi comprado por um preço. E ele ama sua esposa, não porque ela merece seu amor, mas porque Cristo ama ele , dando um exemplo de amor, ordenando-lhe a amar sua esposa.
2. Um esposo fiel ama sua esposa. Isso parece óbvio, mas está longe de ser. Amar nossas esposas não significa apreciar o quanto elas nos amam. Quando eu faço aconselhamento pré-matrimonial, eu sempre pergunto aos casais: ”O que você ama na sua noiva?” Às vezes o noivo diz: ”Eu amo como ela se importa comigo”, ” Eu amo a maneira como ela me trata” ou ”Eu amo como ela realmente me entende”. Mas amar sua esposa não é amar o quanto ela ama você. Uma vez ouvi um esposo dizer, ”Finalmente descobri porque sou tão feliz no casamento. Minha esposa e eu somos apaixonados por mim”. Mas um marido fiel ama sua esposa por servi-la sem pedir nada em troca. Ele ama sua esposa porque coloca as necessidades dela em primeiro lugar, não exigindo egoisticamente que ela coloque as dele. Ela não é sua empregada nem babá. Ela é seu amor. Isso significa que ele trabalha para ela, não só fora de casa, como dentro de casa e no relacionamento.
”Maridos, amai vossas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e se entregou por ela” (Efésios 5:25).
3. Um esposo fiel fala com gentileza e bondade com sua esposa. Ou seja, ele não usa palavras para controlar sua esposa para seu próprio benefício. Ele não fala duramente com ela ou a menospreza para que ela o trate do jeito que ele quer ser tratado. A Bíblia alerta, ”Há alguns cujas palavras são como pontas de espada, mas a língua dos sábios é saúde” (Provérbios 12:18). Um marido fiel usa palavras para apoiar, fortalecer e edificar sua esposa. ”Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover edificação, para que dê graça aos que a ouvem’‘ (Efésios 4:29). Isso significa que esposos fiéis não usam palavras de julgamento, de críticas ou humilhantes. Eles usam palavras de amor, ânimo, aceitação e bondade. ”Sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo”. (Efésios 4:32)
4. Um esposo fiel conduz servindo sua esposa e estabelecendo um exemplo como o de Cristo. A liderança de um esposo é geralmente malentendida em alguns círculos cristãos conservadores. Maridos não devem conduzir suas esposas dizendo a elas o que fazer ou exigindo que elas sejam submissas. A Bíblia nunca diz aos maridos para que eles façam com que as esposas sejam submissas a eles. Ao contrário, os esposos devem conduzir suas esposas servindo e amando. Deus diz para as esposas serem submissas aos esposos, mas elas devem fazer isso livremente de coração, porque querem, não porque seus maridos exigem que elas sejam submissas. Em Marcos 10:42-45, Jesus diz:
“Mas Jesus, chamando-os a si, disse-lhes: Sabeis que os que julgam ser príncipes das gentes delas se assenhoreiam, e os seus grandes, usam de autoridade sobre elas; Mas entre vós não será assim; antes qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal; E qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro será servo de todos. Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos”.
5. Um esposo fiel humildemente fala de Cristo para sua mulher. Quando sua esposa está desanimada, ele oferece os consolos de Deus. Ele tenta animá-la com as promessas seguras da Palavra. Quando ela peca contra ele, ele não reage com mais pecado. Em vez disso, ele é amável e resolve a situação usando o evangelho. Ele fala com ela como Deus em Cristo fala com ele na Palavra. Quando ele vê as qualidades que adora na esposa, ele louva a graça de Deus em sua esposa. Ele se alegra com sua esposa no evangelho de Cristo, pois Ele os reconciliou para Deus, pois Ele os deu vida eterna. E ele lembra sua esposa dessas coisas. Se ele perceber que sua esposa se desvia do caminho de Deus, ele fala de Jesus com toda a humildade e amor para ela. Ele sempre tenta lembrá-la das maravilhas e graças de Deus. E dessa maneira, um esposo fiel tenta colocar Deus no centro de seu lar com suas palavras e seu exemplo para a glória de Deus e pelo bem de sua esposa.
Que Deus conceda aos casais de fé a construção do matrimônio no Senhor Jesus Cristo para Sua glória e para a alegria deles.


Tradução graciosamente feita por Izabela Morgado
Fonte: palavraprudente.com.br

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Uma carta aberta ao recém-convertido

Published by Daniel Gardner on 09/01/2017
Querido irmão em Cristo,
Seja bem-vindo à maior família do mundo! Uma família de regenerados, um rebanho de remidos. Antes estávamos longe de Deus, mas agora, em Cristo Jesus, chegamos perto. O mesmo Jesus Cristo que morreu na cruz e ressuscitou, agora tem te dado vida eterna. Eternamente gozarás o amor de Deus. Eternamente serás aceito por Ele!
Imagino sua alegria ao sentir o perdão divino. É maravilhoso saber que o Deus que te criou não te condena. E ainda: Ele te chama de filho amado! Saiba que Satanás e seus demônios terão como principal objetivo roubar sua alegria. Mas não tire seus olhos do seu Salvador. Sua identidade está nele. Sua segurança também.
Permita-me destacar esses breves pontos. Serão de ajuda na sua jornada cristã.
Primeiro, não permita que algo tome o lugar de Jesus Cristo. Você irá aprender bastante nos seus estudos bíblicos. Mas tudo deverá aprofundar seu amor por Cristo – e nunca tomar o lugar do seu amor por Ele! Aprender doutrina é importante. É saudável. É necessário. Mas não permita que alguma doutrina te seja mais preciosa do que seu Salvador! Talvez você já ouviu falar dos termos “calvinismo”, “doutrinas da graça”, “arminianismo”, ou “eleição”. Terás tempo para conhecer melhor cada um. Mas nenhum destes termos morreu na cruz por você. Que seus estudos te façam amar cada vez mais a Cristo e seus discípulos.
Lembre-se que o arrependimento é característica do filho de Deus. Talvez você esteja sob a impressão que o verdadeiro seguidor de Cristo não necessita se arrepender. Talvez você pense que a perfeição esteja ao seu alcance ainda nesta vida. Mas esse não é o caso. A luta contra o pecado continua! Por isso o arrependimento é vital na vida do cristão. Ser um discípulo de Cristo não te faz ser perfeito. É perante a perfeição de Cristo que reconhecemos o quão frágeis e fracos somos. Não permita que orgulho te iluda. Esteja pronto a perdoar, e também a pedir o perdão dos seus irmãos.
Deus te ensinará a confiar nele através de diversas situações. Existe nos nossos dias um movimento que sugere que Deus faz chover somente prosperidade sobre seus filhos. Como se a dor, a perda ou a frustração não fizessem parte da vida cristã. Estão enganados. Nas Escrituras, vemos os discípulos – do mais novo ao mais maduro – experimentando diversas dificuldades e até perseguições. Alguns foram mortos pela sua fé. Mas mesmo nos piores momentos, era Deus que os guiava. Não desanime cristão. Às vezes Deus nos ensina através da dificuldade.
A salvação continua sendo por meio de graça. Você não pôde se salvar, então Cristo te salvou. Isto é graça. Da mesma forma, não há nada que você possa fazer para se tornar mais amado por Deus. Não tente obedecer a Deus com o fim de ganhar ainda mais da sua aceitação. É fútil. Em Jesus Cristo, você é aceito na presença de Deus, hoje, amanhã e para sempre. Obedeça a Deus para imitar a Cristo, que obedeceu até a morte, e morte de cruz. Procure viver de maneira santa por Deus ter sido gracioso contigo – e não para conquistar ainda mais graça.
Procure comunhão na igreja. Não caminhe sozinho. Você precisa de relacionamentos genuínos, diálogos edificantes, e adoração em comunidade. É na igreja local que você será encorajado (e desafiado) a viver a sua fé: amando, perdoando, ajudando e adorando. Não é por acaso que as Escrituras se referem à igreja local como sendo “o Corpo de Cristo”. Você sozinho não poderá representar Jesus Cristo ao mundo. Esse é o papel da igreja, ainda que muitas vezes ela falhe nisto. Você poderá ajuda-la a testemunhar a união e amor de Jesus Cristo perante o mundo. Procure uma igreja que pregue e viva a Palavra de Deus. Procure uma igreja que não permita que nada tome o lugar de Jesus Cristo.
Seja bem-vindo a família de Deus! Vamos, juntos, seguir ao bom Mestre.


Fonte: palavraprudente.com.br