sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Eleitos enganados?

Uma investigação exegética de Mateus 24.24, em resposta a interpretação arminiana.

Introdução


Este breve artigo é uma resposta ao artigo “Mateus 24.24: É possível enganar os escolhidos?” (publicado em cacp.org.br). Irei não apenas mostrar os erros da interpretação desse artigo, mas pretendo construir exegeticamente uma compreensão correta do significado do texto.


1. O erro interpretativo
A interpretação arminiana usa textos como At 20.16 e Rm 12.18 para fundamentar a compreensão de que os eleitos podem ser “enganados” se desviando da verdade para seguir os falsos mestres. Entretanto, não vejo como tal interpretação não comete a falácia exegética chamada “paralelismo verbal”. Paralelismo verbal é a enumeração de paralelismos verbais de obras literárias como se esses meros fenômenos demonstrassem elos conceituais ou mesmo dependência.[1] Ou seja, tanto o texto de Atos como o texto de Romanos estão tratando de coisas diferentes em contextos diferentes. Além dessa, o artigo comete outras falácias como: A falácia da sinonímia, a falácia do uso seletivo e preconceituoso das evidências, a falácia das disjunções e restrições semânticas injustificadas, etc.
Portanto, toda a interpretação não somente falha em sua análise exegética (não há discussão quanto a gramática, contexto, etc) como foi completamente erguido sobre o fundamento de areia das falácias.
2. Contexto da passagem
Sem sombra de dúvidas, Mateus 24 é uma crux interpretum. No contexto mais amplo, Jesus está na Judéia (19.1-25.46). Em 24.1-24.46 temos o sermão da oliveira, o último grande discurso de Jesus nesse evangelho, mas como nosso interesse se limita ao v.24, não irei entrar em maiores detalhes contextuais.
Principalmente com a destruição do templo judaico em 70 d.C., iriam surgir vários falsos mestres, dizendo que são messias, e é nesse contexto que temos a expressão “...para enganar, se possível, os próprios eleitos”.
3. Análise exegética
O “se possível” não questiona a segurança do eleito, mais do que questiona a inevitabilidade do cálice de Jesus (26.39).[2] O verbo aoristo ativo “enganar” (πλανσαι) é um infinitivo propositivo (ou seja, para enganar, expressando o propósito), o se possível refere-se a intenção dos impostores, como Carson notou: eles pretendem, se possível, enganar até mesmo os eleitos – sem nenhum comentário sobre o quanto, no final, esses ataques serão bem sucedidos.[3]
O termo eleito é repetido no v. 22 e depois no v. 33. Esses são aqueles a quem Deus elegeu soberanamente, os quais, entretanto, serão finalmente identificados somente na revelação escatológica. No entanto, é evidente que há aqueles que são patentemente relacionados com os propósitos de Deus nesta terra e aqueles que não são.
Certamente existe a inter-relação entre a soberania eletiva de Deus e a responsabilidade humana. Na perspectiva do evangelho, alguém se protege dos erros (pelo menos em parte) ao tomar as precauções apropriadas, contra o erro, e isso não contraria o imutável fiat Divino. A tentação sempre é uma realidade e precisa ser fortemente resistida.
Se tomarmos a linguagem de “eleito” no seu sentido mais forte, então nenhum desvio para a perdição ocorrerá. Não por causa de algo invencível e intrínseco ao eleito, mas por causa da “esfera conceitual” (do termo eleito), a questão nem deve ser levantada.[4]
O próximo verso sustenta nossa interpretação. O verso 25 contém no original, três palavras gregas, onde Jesus acentua sua predição. Os discípulos não terão desculpas quando a feroz tribulação chegar, pois foram avisados. Por causa desse aviso eles não serão perturbados, antes sua fé em Jesus será confirmada.[5] Jesus estava dizendo que, se fosse possível tais falsos mestres enganarem os eleitos, eles o fariam. No entanto, ao saberem coisas que iriam passar, isso deveria fortalecê-los, e quando a tribulação chegasse, eles iriam lembrar-se da profecia, e isso os ajudaria a não ficarem impressionados.[6]

4. O uso do Antigo Testamento
Os ecos veterotestamentários são evidências cumulativas para nossa interpretação. Podemos perceber ecos de Deuteronômio 13.1-3:1
Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te anunciar um sinal ou prodígio, suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador; porquanto o SENHOR, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma.

Os falsos profetas dessa perícope não eram pra desviar os eleitos, mas eram uma “prova” para ver quem realmente amava a Deus. O texto também pode ecoar Zacarias 9.14, com a figura do Senhor e suas flechas que reluzem como relâmpagos.[7]  


Conclusão


Concluímos que os eleitos não podem ser enganados, no sentido de seguirem os falsos mestres para a perdição. Nossa interpretação discorda da interpretação arminiana, por não considerar não somente o contexto imediato, mas também o restante da teologia do Novo Testamento, que claramente ensina que Deus guarda e preserva seus amados filhos.


Excurso: Esboço clausal do texto grego
  • Explanação - γερθήσονται γρ ψευδόχριστοι κα ψευδοπροφται
  • Verbo - κα δώσουσι σημεα μεγάλα κα τέρατα
  • Infinitivo - στε πλανσαι
  • Questão indireta - ε δυνατόν
  • Objeto direto / Cláusula resultante - κα τος κλεκτούς

________________
Notas:
[1] D. A. Carson, Perigos da interpretação bíblica, p. 41. 
[2] D. A. Carson, O comentário de Mateus, p.584.
[3] Ibid
[4] Nolland John. (2005). Preface. In The Gospel of Matthew: a commentary on the Greek text (p. 979). Grand Rapids, MI; Carlisle: W.B. Eerdmans; Paternoster Press.
[5] William Hendriksen, Mateus,  p. 505.
[6] Morris, L. (1992). The Gospel according to Matthew (p. 607). Grand Rapids, MI; Leicester, England: W.B. Eerdmans; Inter-Varsity Press..
[7] Craig L. Blomberg, Mateus, em O comentário do uso do Antigo Testamento no Novo Testamento,  eds, D. A. Carson e G. K. Beale, p. 107.


Autor: Willian Orlandi


Fonte: bereianos.blogspot.com.br

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

As Marcas da Verdadeira Igreja

Textos: Mt 18.15-17; Rm 11.13-24; 1 Co 1.10-31; Ef 1.22,23; 1 Pe 2.9,10.
Visto que o mundo se acha semeado de milhares de instituições distintas chamadas igrejas e visto ser possível que instituições, assim como indivíduos, se tornem apóstatas, é importante sermos capazes de discernir as marcas essenciais de uma verdadeira e legítima igreja visível. Nenhuma igreja está isenta de erros ou pecados. A igreja só será perfeita no céu. Há, porém, uma importante diferença entre corrupção - que afeta todas as instituições - e apostasia. Portanto, para proteger o bem-estar e crescimento do povo de Deus, é importante definir as marcas da verdadeira igreja.
Historicamente, as marcas da verdadeira igreja têm sido definidas assim:
1.  a genuína pregação da Palavra de Deus, 
2.  o uso dos sacramentos de acordo com sua instituição e 
3.  a prática da disciplina eclesiástica.

(1) A pregação da Palavra de Deus.
Embora as igrejas difiram em detalhes teológicos e em níveis de pureza doutrinária, a verdadeira igreja afirma tudo aquilo que é essencial à vida cristã. Semelhantemente, uma igreja é falsa ou apóstata quando nega oficialmente um princípio essencial da fé cristã, tal como a divindade de Cristo, a Trindade, a justificação pela fé, a expiação ou outras doutrinas essenciais à salvação. A Reforma, por exemplo, não moveu uma guerra sobre trivialidades, mas sobre uma doutrina fundamental da salvação. 

(2) A administração dos sacramentos. Negar ou difamar os sacramentos instituídos por Cristo é falsificar a igreja. A profanação da Ceia do Senhor ou o oferecimento deliberado dos sacramentos a pessoas notoriamente não-crentes desqualificaria a igreja de ser reconhecida como igreja verdadeira.


(3) A disciplina eclesiástica. Embora o exercício da disciplina na igreja às vezes erre na direção ou da complacência ou da severidade, ele pode tornar-se tão pervertida a ponto de não mais ser reconhecida como legítima. Por exemplo, se uma igreja - pública e impenitentemente - endossa, pratica ou se recusa a disciplinar pecados grosseiros e hediondos, ela deixa de exibir esta marca de verdadeira igreja.

Embora os cristãos devem ser solenemente advertidos a não nutrirem um espírito cismático ou fomentarem divisões e conflitos, devem ser também advertidos quanto à obrigação de se separarem da falsa comunhão e da apostasia. Toda igreja verdadeira exibe as genuínas marcas de uma igreja, em grau maior ou menor.

A reforma da igreja é uma tarefa interminável. Buscamos mais ser fiéis à vocação bíblica para pregar, ministrar os sacramentos e a disciplina eclesiástica.

Sumário
1.  A verdadeira igreja tem marcas visíveis que a distinguem de uma igreja falsa ou apóstata. 
2.  A pregação do evangelho é necessária para que uma igreja seja legítima. 
3.  A administração correta dos sacramentos, sem profanação, é uma marca da igreja.
4.  Disciplina contra heresias e pecados grosseiros é uma tarefa necessária da Igreja. 
  1. A igreja é sempre carente de reforma de acordo com a Palavra de Deus.

***
Autor: R. C. Sproul 

Fonte: bereianos.blogspot.com.br

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Provas Escriturísticas da Segurança Eterna

As passagens seguintes proporcionam evidência em duas etapas de que os crentes não podem se perder de um modo irrevogável.

1. Os eleitos de Deus são conhecidos como tendo vida eterna no instante em que creem. Ver Mateus 18.12-14; João 3.16,36; 5.24,25; 6.35-40; 10.27-30; 17.11-15; Romanos 8.1,29,30,35-39.

2. Deus guardará o seu povo fiel. Ver Romanos 8.37-39; 1 Coríntios 1.7-9; Efésios 1.5,13,14; 4.30; 1 Tessalonicenses 5.23,24; Hebreus 9.12-15; 10.14; 1 Pedro 1.3-5; 1 João 5.4,11-13, 20; Judas 24,25.

Duas passagens-chave

Algumas dessas passagens acima mostram muito explicitamente que a vida eterna (não meramente a possibilidade dela) é uma possessão de cada crente a partir da regeneração. Outras claramente parecem basear a segurança do crente no próprio Deus, seja no seu poder ou nas suas promessas, sem qualquer referência a que o crente tenha a necessidade de se escorar no poder de sua própria resposta ao evangelho ou em sua permanência nele.


Em 2 Coríntios 1.22, Efésios 1.13,14 e 4.30, encontramos referências a um selo de propriedade pessoal sendo aplicado à nossa alma pelo próprio Espírito Santo que presumivelmente não pode ser apagado. Imaginar que um selo sobrenatural dentro da nossa alma possa ser apagado é como tentar imaginar que nós decidimos que nunca mais vamos ter sonhos durante a noite. Simplesmente não temos qualquer tipo de controle sobre a nossa própria natureza inferior.


Para um tratamento abrangente deste tópico, incluindo uma refutação cuidadosa de todos os argumentos imagináveis dos arminianos contra ele, ver o livro de John Owen, de cerca de seiscentas páginas, chamado The Perseverance of the Saints (1654), que foi completado às carreiras quando o Parlamento pediu-lhe para entrar num outro projeto sobre sonicianismo. (Não obstante, essa obra permanece como uma obra definitiva sobre o assunto e deveria ser estudada cuidadosamente.) Contudo, nós nos ocuparemos aqui de duas passagens decisivas que fornecem uma prova direta da segurança eterna dos regenerados: João 10 e Romanos 8.


João 10

Esta é a bem-conhecida passagem sobre o Bom Pastor e sua ovelhas. Ela inicia-se com a imagem de um aprisco e com advertências contra tentativas carnais de evadir-se da verdade e da graça. Jesus aponta para o cuidado individual que o Pastor tem por suas ovelhas e chama a atenção para o fato de que o Pastor conhece as suas ovelhas pelo nome (10.3). Então, ele acrescenta que essas ovelhas conhecem e reconhecem a voz de seu próprio Pastor (vs.4,5). Isso parece indicar que, para Jesus, os eleitos são sobrenaturalmente afetados pela Palavra pregada de tal modo que eles são especialmente iluminados para responder a ela. Em outras palavras, Deus faz com que os eleitos reconheçam o seu Salvador no evangelho.

Então, tendo se identificado como a porta do aprisco e como o próprio Bom Pastor, Jesus caminha para o supremo sacrifício de dar a sua vida pelas ovelhas. Nos versículos 14,15, ele coloca juntas as duas verdades de que ele conhece as suas ovelhas e que elas o conhecem. Ele, então, liga esse mútuo conhecimento ao conhecimento mútuo entre as duas primeiras pessoas da Trindade. Esse conhecimento dificilmente pode ser inexato ou um conhecimento meramente provável.

Mais adiante, nessa passagem, Jesus confronta novamente seus inimigos na multidão (vs.22-30). Ele os adverte de que eles não haviam crido nele porque eles não estavam no grupo chamado de "minhas ovelhas", e que ele, portanto, não os conhecia como seus. Se eles fossem suas ovelhas, eles haveriam de reconhecer quem Jesus era. Ele identifica suas ovelhas com os eleitos santos, um conceito familiar aos judeus do século 1º, por causa dos escritos dos profetas: "Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão" (v.28). Esse versículo assinala três coisas a respeito das ovelhas. Primeira, elas possuem a vida eterna agora, não apenas uma possibilidade de uma vida futura eterna. Segunda, elas nunca poderão perecer ("jamais perecerão"); e, finalmente, ninguém pode arrancá-las das mãos seguras do Filho. A expressão "ninguém" deve presumivelmente incluir as pessoas salvas, Satanás e qualquer outro possível candidato que desafie o poder guardador do Bom Pastor. Essas três coisas sozinhas garantem a segurança eterna dessas ovelhas. Elas excluem especificamente o costumeiro comentário arminiano sobre esse versículo: "Ninguém mais pode arrancar-nos das mãos do Pai, mas nós podemos sair". "Ninguém" deve excluir o nós mesmos, também, a menos que Deus não tenha pretendido que nós levássemos a sério a totalidade dessa passagem.


Romanos 8.28-39

Essa passagem inclui uma prova extensa da segurança dos crentes em Cristo. Ela afirma primeiro que os crentes podem estar confiantes de que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que "amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (v.28). Então, segue-se o que os puritanos chamaram de "Corrente Dourada" dos atos divinos para assegurar a salvação dos eleitos (vs.29-33). Esse grupo é rotulado como "aos que [Deus] de antemão conheceu" (v.29).


Nesse ponto o arminiano diz: "É isso! Aqueles a quem Deus predestinou são aqueles que Deus sabia antecipadamente que haveriam de crer. A eleição é baseada nesse pré-conhecimento de Deus. A mesma coisa é afirmada em 1 Pedro 1.2: 'eleitos, segundo a presciência de Deus'. O que poderia ser mais claro do que isso?".

Bem, o calvinista pensa que a exegese arminiana poderia ser mais clara. Os versículos citados aqui não afirmam que a eleição é baseada na presciência. A passagem de Romanos diz que o grupo daqueles rotulados como os chamados e "aos que de antemão conheceu" é da mesma natureza do grupo rotulado como os predestinados, e o segundo diz que a eleição é de acordo com o pré-conhecimento. isso não diz nada além de que a eleição está em harmonia com o pré-conhecimento e tem os mesmos sujeitos, mas não que a presciência deve preceder a eleição, como a teoria arminiana requer. Pode ser fato que o ensino calvinista da presciência de Deus seja simplesmente o pré-conhecimento de seu próprio plano escolhido, no caso de cada indivíduo em particular. Afinal de contas, a passagem diz que "os que de antemão conheceu, também os predestinou" (v.29). Ele fala claramente de pessoas, não meramente acontecimentos ou generalidades, que Deus conhece de antemão.

A questão das classes coextensivas é muito mais interessante à medida que Paulo continua com a ideia no versículo 30: "Todos aqueles na categoria dos predestinados, estes e somente estes, e todos eles, foram os sujeitos da chamada mencionada há pouco. E aqueles no grupo dos chamados, estes e somente estes, são aqueles a quem ele declara justos e justificados, no exercício da fé salvadora. Então, aqueles, neste grupo dos chamados, são aqueles que ele conduz para a glória; estes, e todos estes, e ninguém mais, apenas estes" (paráfrase minha). Assim, as classes dos chamados, dos predestinados, dos justificados e dos glorificados correspondem às mesmas pessoas. Para Paulo, é simplesmente uma questão de definir claramente o conteúdo e os limites desses grupos.

Essa corrente de raciocínio é totalmente devastadora para a posição arminiana. Ainda que a Bíblia realmente possuísse versículos que ensinassem o livre-arbítrio, eles não fariam nenhuma diferença para a exegese desses versículos de Romanos 8. A "Corrente Dourada", como os puritanos a chamaram, é completa na abrangência dos grupos descritos, não apenas na menção dos elos individuais mencionados. (Iluminação, santificação e ressurreição são os outros elos dessa corrente, mas são omitidos aqui.) "Aos que de antemão conheceu, também os predestinou" - cada elo da corrente por chamar os glorificados do versículo 30 de "os eleitos", no versículo 33.

O destino preciso dos predestinados é serem "conformados à imagem do seu Filho" (v.29). Incidentalmente, essa é uma descrição do processo de santificação, que esperaríamos que tivesse sido mencionado entre a justificação e a glorificação, no versículo 30. O destino dos eleitos, então, está predestinado. Todos os elos estão no lugar, juntando os que são efetivamente chamados com a sua glorificação final. Sem a santificação, "ninguém verá o Senhor", diz Hebreus 12.14.


Mas Paulo não terminou o seu argumento aqui. Ele convida os seus leitores a registrarem as conclusões apropriadas. "Que diremos, pois, à vista destas coisas?", ele pergunta no versículo 31. A primeira coisa que devemos dizer é que, embora sejam de fato pecadores, os eleitos não terão nenhuma objeção levantada contra a sua salvação no juízo final, porque o próprio Deus é quem os justificou, tendo ouvido o testemunho do seu Filho, o advogado deles (v.34). Então, ele lista algumas coisas que deveriam concebivelmente induzir os eleitos a serem separados do amor eletivo de Deus. Após uma lista previsível (vs.35-37), ele diz que está convencido de que nem a morte, nem a vida, nem os poderes angelicais, nem as entidades demoníacas, nada do que existe, nada do que poderá existir no futuro, nos domínios superiores ou inferiores que pertencem à grande cadeia do ser dos filósofos, ou outra coisa qualquer criada, pode separar os eleitos do amor eletivo e predestinador de Deus. 


Essa é uma lista totalmente abrangente - e incluiria também o livre-arbítrio humano, se nós o concedêssemos aos arminianos em benefício da discussão. Nenhuma prova adicional da segurança eterna poderia ser pedida, embora muito mais pudesse ser oferecido. A lista de leituras sugeridas, no final deste capítulo indica que John Gill trata de cerca de vinte versículos mais do que eu o fiz aqui, e a maioria deles torna o arminianismo impossível.

Conclusões


1. Segue-se irresistivelmente dos outros quatro pontos de Dort que os que são verdadeiramente regenerados estão eternamente seguros no amor eletivo de Deus.

2. Nada na criação pode separar os eleitos do seu destino em glória. 


3. "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo" (Ef 1.3). A expressão "toda" com relação às bênçãos espirituais deve incluir a bênção da perseverança, caso contrário todas as outras são neutralizadas e não seriam bênçãos, afinal de contas. Sem a graça da perseverança, nenhuma das outras poderia ser completamente efetiva. O plano de um ser racional não pode ser incoerente. Seus meios devem estar de acordo com os fins pretendidos.


4. Deus, sendo tanto racional como onipotente, não pode falhar em nenhum dos seus propósitos (Is 43.13). "Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação", diz Paulo em 1 Tessalonicenses 4.3; assim, essa vontade de Deus deve necessariamente ser cumprida na conformação das ovelhas de Deus à imagem do Bom Pastor. Os meios de um Deus soberano devem necessariamente cumprir os fins que ele planeja.


5. os remonstrantes posteriores, pressupondo o livre-arbítrio, estavam totalmente certos em desistir da ideia da perseverança dos santos. Ela não pode ser sustentada de modo consistente sem os outros quatro pontos de Dort, e nem pode ser racionalmente mantida na suposição do livre-arbítrio. Os evangélicos modernos que declaram ser calvinistas pela crença no "uma vez salvos, salvos para sempre", não possuem nenhum direito lógico à sua crença na segurança eterna e são simplesmente arminianos inconsistentes.


Leitura Adicional

Para maior exposição e defesa da perseverança dos santos, ver The Saint's Perseverance Explained and Confirmed, de John Owen, vol. 11, publicado pela Banner of Truth Trust (Londres, 1966. Essa é a obra mais extensa (mais de seiscentas páginas), mas que deveria ser consultada. O capítulo 3, intitulado "The Immutability of the Purposes of God", seria um bom início, porque ele tem somente vinte páginas. A maior parte do livro é uma resposta aos argumentos arminianos de John Goodwin, um dos poucos arminianos puritanos.

Para uma cuidadosa exposição dos versículos-chave que dão apoio à perseverança, ver também as porções relevantes de John Gill em The Cause of God and Truth (publicado em quatro partes, de 1735 a 1738; reeditado em Londres: W. H. Collingridge, 1855). Gill tem sido avaliado por críticos reformados criteriosos como tendo elementos *hipercalvinistas, mas isso não faz muita diferença para o tratamento que ele faz dos "versículos arminianos". Na primeira parte, mais de cinquenta passagens são examinadas.


Para uma fonte moderna sobre a perseverança, ver Grace and Perseverance, de G. C. Berkouwver (Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1958).

Para a relação entre a verdadeira doutrina e a vida devocional, ver o clássico do bispo E. H. Bickersteth, The Trinity (reedição Grand Rapids, Michigan: Kregel, 1957). Esse talvez seja o livro de maior ajuda a respeito da Trindade publicado nos anos 1800.


Autor: R. K. McGregor Wright

Fonte: bereianos.blogspot.com.br

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Há cinco coisas que você precisa saber para ser salvo

Você pode não conhecer a Bíblia nem teologia; mas estas coisas você necessita saber.

1.  Você precisa saber que é um pecador aos olhos de Deus

A Bíblia nos diz: “Não há justo, nem sequer um” (Romanos 3.10). Se não há nem um sequer, então você não é justo, e se não é justo, segue-se que é pecador. “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho” (Isaías 53.6). A palavra “todos” significa todos, portanto você está incluído. Só há dois caminhos que você pode seguir: o seu e o de Deus. Se não está seguindo o de Deus, segue-se que está seguindo o seu próprio caminho, e se está nesse caminho, você está desviado. E se está desgarrado, você é um pecador aos olhos de Deus.

Você não é um pecador porque peca, você peca porque é um pecador. Uma laranjeira não é laranjeira porque produz laranjas, ela dá laranjas porque é laranjeira. É porque você é pecador que você peca.
Você não quer ser socorrido a menos que saiba que está se afogando. Não quer alimento a menos que saiba que está com fome. Não quer o médico a não ser que esteja doente. Você jamais desejará um Salvador enquanto não souber que é pecador. Você precisa, portanto, saber, antes de tudo, que é pecador.

2.  Você precisa saber que os seus pecados foram postos sobre Jesus

A Bíblia diz: “O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaías 53.6). Deus teve que tratar do seu pecado antes de poder oferecer-lhe salvação. Houve necessidade de se fazer uma expiação. Jesus Cristo a fez, levando os seus pecados sobre o Seu corpo na cruz e morrendo em seu lugar. Os seus pecados foram postos sobre Ele. Jesus pagou o preço. Ele enfrentou a penalidade — a morte, em seu favor. O pecado era a grande barreira entre você e Deus. Deus teve de destruí-la antes de poder tratar com você na base da graça. Ele o fez há mais de 2000 anos, quando colocou os seus pecados sobre Jesus. Daí Ele poder agora oferecer-lhe misericórdia. Os seus pecados não estão mais sobre você; eles estão sobre o Senhor Jesus Cristo.

3.  Você precisa saber que não pode salvar a si mesmo

“Pela graça sois salvos mediante a fé; e isto não vem de vós” (Efésios 2.8). Essa é a afirmação da Bíblia. “Não vem de vós”. Você poder salvar-se seria como poder levantar-se pelos cordões dos sapatos. Nenhum homem pode ser o seu próprio salvador. Você não pode ser salvo por tornar–se membro de igreja ou por ser batizado. Não pode sê-lo somente por mudar de vida, por obras de mérito ou boas obras. Você nada pode fazer para salvar-se.

Se você pudesse salvar-se a si mesmo, a morte de Jesus Cristo seria a maior atrocidade da história do mundo. Você não teria necessidade de Jesus Cristo se pudesse ser o seu próprio salvador. O fato de que Jesus morreu no Calvário, em seu lugar, prova cabalmente que você não pode salvar a si mesmo.

4.  Você precisa saber que somente Jesus Cristo pode salvá-lo

“E lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará” (Mateus 1.21). “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4.12). “Eu sou o caminho… ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6). Como vê, a Bíblia torna perfeitamente claro que Jesus Cristo, e só Jesus Cristo, pode salvá-lo. Ninguém mais pode.

5.  Você precisa saber que necessita de receber a Jesus como seu Salvador pessoal

Não importa a quantidade de alimento que você tenha; ele não poderá salvá-lo da morte pela fome, a menos que o coma. Se você está morrendo de sede, precisa beber a água que lhe está sendo oferecida. Se foi picado por uma serpente, precisa tomar o remédio contra o veneno.

Você precisa tomar uma decisão

Agora, meu amigo, que você sabe estas cinco coisas, que vai fazer? Vai agir de acordo com este conhecimento? Vai receber a Jesus como seu Salvador? Está preparado agora para convidá-Lo a entrar no seu coração? Quer receber a Jesus Cristo hoje? Chegou a hora da ação. Você precisa tomar uma decisão. Você não pode ser levado à salvação; ninguém jamais pode salvar-se sem tomar uma decisão.
Essa decisão deve ser tomada agora. Deus nos diz: “Agora é o tempo aceitável, eis agora o dia da salvação” (2Coríntios 6.2). Para Deus não há o amanhã. Até onde está no plano de Deus, tem de ser agora ou nunca.

Você precisa receber a Jesus Cristo, e fazê-lo AGORA. Quer fazê-lo?


Dr. Oswald J. Smith

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Lider "RELIGIOSO" Edir Macedo critica milagre de Jesus.

Um dos vídeos mais revoltantes apresentados por este repugnante cenário neo pentecostal brasileiro. Edir Macedo afirma: "É inaceitável que ele [Jesus] tenha transformado a água em vinho e não tenha transformado a vida das pessoas que têm crido nele".
Pregar para as pessoas que o Criador de todas as coisas fez um milagre que não resultou em nada é afrontar a Deus.
O interessante é que ele, Edir; através do deus dele; vai transformar as vidas.
E o povo gosta!!

Vejam o vídeo.


domingo, 14 de agosto de 2016

Pedido de desculpas aos Adventistas do Sétimo Dia...

Por muito tempo tenho tratado a Igreja Adventista do Sétimo Dia como uma seita. Peço desculpas aos membros dessa religião pelo desconforto causado por minha falta de sensatez e pouca gentileza quando tratei esse assunto com vocês, mas continuarei com a essa postura. Nada do que tenho apontado até agora foi provado como sendo falso, antes, foi mantido. Portanto, apesar de deixar essas pessoas chateadas, por alguma dureza com que tratei pessoas desse arraial religioso, em algum comentário áspero aqui no blog, pelo que peço desculpas, porém, pelo conteúdo que apresento, não posso pedir desculpas.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia é uma seita, e especialmente do ponto de vista cristão protestante ortodoxo. Pelas seguintes razões*

1.      Dizem que vários registros da Bíblia tem erros. Fazem isso para que por causa dos erros de Ellen White, seus escritos não sofram rejeição, e assim mantenham o mito.

2.      Dizem que a Trindade Cristã é uma doutrina filosófica com elementos heréticos, que quem discerniu a ‘verdadeira’ doutrina da trindade foram os adventistas, especialmente parida nas visões de Ellen White e formatada por dois acadêmicos adventistas de nome Raoul Dederen e Fernando Canale. Creem em outra trindade.

3.      Uma de suas doutrinas oficiais, incluem a crença em Ellen White, fato esse constatados apenas nos Mórmons, Tabernáculo da Fé, entre poucas outras, onde um profeta exclusivo da seita é elemento de crença.

4.      Ensinam que a IASD é a visível igreja verdadeira e que as demais são “filhas de babilônia”. Segundo a papisa Adventista, ensinos de igrejas cristãs protestantes, como a imortalidade da alma, o tormento eterno e o domingo, são ensinos de Satanás.

5.      Possuem uma doutrina remanufaturada de uma falsa profecia, a doutrina do Juízo Investigativo de 1844, sendo essa, segundo eles mesmos, o alicerce da fé adventista.

6.      Ensinam que no tempo final, no teste final que todos os humanos passaram, a salvação terá um selo – a guarda do sábado. Portanto, reconhecidamente para ao período escatológico a salvação em certo sentido, vai depender de uma obra.

Visto que todos esses fatos são mantidos, defendidos e promovidos vigorosamente, ao passo que buscam espaço entre as igrejas protestantes e evangélicos para a prática do proselitismo dissimulado, creio ser fundamental, para a proteção do rebanho de Cristo, manter bem alto essa bandeira de que a Igreja Adventista do Sétimo Dia, é uma seita, SEM SOMBRAS DE DÚVIDAS.

*Abaixo links/sites com as provas de minhas afirmações acima:








Por: Luciano Sena 
http://mcapologetico.blogspot.com.br/

TESTEMUNHO EX TJ.

Sou desassociada há mais de 15 anos. Fui o que consideravam uma irmã exemplar. Era pioneira regularmente, participava da escola do Ministério Teocrático e fazia algumas partes em Assembleias e Congresso. Minha mãe é testemunha de Jeová, minha irmã e meu cunhado já foram pioneiros especiais.


Um pouco antes da desassociação, estava confusa por conta da minha sexualidade.


Então resolvi, conversar com os anciãos, porque, eles deveriam ser o meu ponto apoiador. Falei que nunca tinha tido contato sexual com qualquer pessoa que fosse e que queria entender porque eu estava despertando certos desejos dentro de mim.


Um ancião em especial me disse que esses sentimentos eram inaceitáveis e que eu teria que ser desassociada para servir de exemplo.

Fui para casa desolada e envergonhada.


Não sabia como iria dar essa notícia a minha mãe. Tomei coragem e finalmente contei. Para fugir da vergonha, resolvi viajar até depois que fosse anunciada publicamente a minha desassociação. Alguns dias depois, já em outra cidade, recebi uma ligação da minha mãe dizendo que eu deveria voltar, qe o tal ancião voltou atrás na sua decisão e que eu poderia voltar a assistir as reuniões e retomar minhas atividades na congregação. Dessa vez, foi minha vez de dizer que eu é quem queria agora virar as costas para uma organização tão monstruosa.

Depois disso, fui atacada de várias formas. No casamento da minha irmã, meu cunhado foi orientado por esse mesmo ancião a me expulsar na frente de todos os convidados e da minha família. Hoje, vivo tranquila. Tirei meus medos e não sinto vergonha e sim alívio de ter me afastado de pessoas de tão pouco amor ao próximo.


Atenciosamente,


Sandra Assis.