terça-feira, 23 de janeiro de 2018

O Reencarnacionismo e o Sacrifício de Cristo

Sempre gosto de dialogar com pessoas de outros credos. Nem sempre as pessoas estão dispostas a entender ou admitir o óbvio, quando o óbvio contraria aquilo que está profundamente arraigado em suas mentes. Trata-se de um processo natural de rejeição, que faz parte do orgulho do homem.

Minha intenção é demonstrar o evidente contraste que existe entre a doutrina da reencarnação e a obra de Jesus Cristo no calvário. Quando se propõe a debater a questão da reencarnação com alguns espíritas, que de certa forma, dão algum crédito à Bíblia, entra-se num campo bastante complicado. Primeiro porque normalmente os que advogam a causa da reencarnação já tiveram experiências com debatentes protestantes que não demonstram qualquer evidência do Fruto do Espírito (Veja Gálatas 5.22-23), e então qualquer evangélico que se proponha a ter um debate posteriormente é taxado de “crente fanático, seguidor do pastor”. E com relação aos espíritas, são tratados pelos crentes de “seguidores cegos do demônio”, o que conseqüentemente gera uma apatia entre aqueles que se propõem a dialogar.

É preciso que se elimine esse tipo de preconceito, principalmente quando o objetivo não é atacar a fé alheia, mas verificar se o argumento alheio oferece uma melhor opção para entendimento da revelação divina. Esse é o único objetivo (ao menos deveria ser) pelo qual se procura escrutinar as doutrinas e credos de outras pessoas.
O uso de versículos bíblicos para refutar tanto uma quanto outra posição, não terá validade alguma para qualquer uma das duas linhas interpretativas. Ambos se acusarão mutuamente de estar usando “textos fora de contexto”, e não chegará a lugar algum.

Vejo então que existe uma necessidade de encontrarmos um propósito em Cristo, o Filho de Deus enviado para cumprir com os desígnios divinos. Quero então falar da necessidade de Cristo ter sido morto e ter ressuscitado (não vou me ater a como os espíritas encaram a ressurreição).

HOMEM É HOMEM, DEUS É DEUS.

“Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim?” Rm 9.20

Não há como escapar da realidade bíblica que trata natureza pecaminosa e corrupta do homem. O pecado é como um câncer. Ele destrói a comunhão do homem e Deus e além de tudo é a condição pecaminosa do homem que impede que entendamos a Deus em plenitude. A verdade é que por mais que se chegue perto, a compreensão plena e absoluta só se dará no futuro, quando “veremos face a face”.

Entendendo que estamos nessa condição, devemos apenas então aguardar que Deus se revele, e acatar sua revelação conforme está sendo entregue. O que é revelação? Poderíamos buscar o sentido simples no dicionário:

revelação . [Do lat. tard. revelatione] S. f. 1. Ato ou efeito de revelar(-se). 2. Entre os cristãos, ação divina que comunica aos homens os desígnios de Deus e a verdade que estes envolvem, sobretudo através da palavra consignada nos livros sagrados. 3. A doutrina religiosa revelada, por oposição àquela a que se chega pela razão apenas. 4. Descoberta reveladora de um fato que produz sensação, ou de uma qualidade ou vocação numa pessoa. 5. O fato ou a pessoa assim descoberta. 6. Divulgação de coisa ignorada ou secreta: O Governo anuncia importantes revelações. 7. Fot. Processo que torna visível a imagem latente de uma emulsão fotográfica impressionada.

Em suma, Deus não se revela para que tenhamos que interpretar sua revelação, pois revelação indica ENTREGA da verdade, já esmiuçada, sem qualquer necessidade de se “interpretar” essa revelação.
É portanto, essencial que tenhamos em mente essa realidade. Deus se revela para que o entendamos. Se pretendemos entendê-lo de acordo com sua revelação, é bom nos apegarmos tão somente aquilo que Ele revelou, sem querer compatibilizar essa revelação a nossos conceitos pré-determinados e pressupostos.

Vejo que nesse ponto, o reencarnacionismo já se constitui um erro. O comentário que é feito quando se expõe o conceito cristão de condenação para aqueles que não recebem voluntariamente o evangelho, bem como da salvação pela graça somente, entra diretamente em conflito com a “religião natural” do homem e com o egocentrismo humano. A resposta automática do espiritismo é “Deus é um Deus de amor, e não seria justo se fosse dessa maneira, sem nenhuma chance numa próxima vida”.

Isso é verdade! Eu também não acho nem um pouco justo. Acho que seria ótimo se pudéssemos ter novas oportunidades em outras vidas, e que tivéssemos uma evolução espiritual, onde nos tornaríamos pessoas melhores e que amássemos mais e mais cada vez nosso próximo. Isso explicaria com facilidade o motivo pelo qual alguns nascem em total pobreza debaixo de uma ponte e outros nascem com uma vida próspera e se tornam grandes homens e mulheres. É assim exatamente como eu penso que deveria ser. Está legal pra mim e aparentemente é um sistema perfeitamente justo.

Mas se novamente procurarmos a REVELAÇÃO da parte do próprio Deus, precisamos antes de mais nada, entender o que Deus pensa de nossa própria justiça. Se os advogados do reencarnacionismo, especificamente os espíritas, tem a bíblia como um livro sagrado, mesmo que contendo somente “parte” desta revelação, então ouso citar a bíblia como a fonte da revelação divina. O que é então nossa justiça? A bíblia diz:

“Mas todos nós somos como o imundo, E TODAS AS NOSSAS JUSTIÇAS, COMO TRAPO DA IMUNDÍCIA; e todos nós caímos como a folha, e as nossas culpas, como um vento, nos arrebatam.” Isaías 64.6
Se havia alguma pretensão em determinar o que seria, da parte de Deus, “justiça”, estaríamos em maus lençóis, já que Deus revelou aqui o que são as “nossas justiças”. A verdade patente revelada por Deus é que Seus caminhos são maiores e melhores que nossos caminhos, além de sua justiça ser PLENA. Nosso conceito de justiça é apenas relativo e normalmente vamos determinar o que é “justo”, baseados em nossa vivência e individualidade.

Então, aquele argumento de que “seria justo se fosse assim”, com relação à reencarnação, perde a validade. Devemos nos voltar para a revelação e verificar se aquilo que Deus nos disponibilizou coaduna com este ensinamento, para depois aceitá-lo como “verdade incontestável”.

A NECESSIDADE DE UM SALVADOR

“Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem.” Hb 10.1


Deus poderia usar a reencarnação como meio redentor para o homem?

Essa é uma pergunta que temos que deixar para Deus responder. Deus é absolutamente SANTO e seria pretensão de nossa parte pensar que poderíamos sugerir a Deus meios para lidar com o homem e seu pecado. Como a santidade de Deus foge de nossa compreensão, é natural que o efeito do pecado das criaturas de Deus também não nos seja compreensível, ou seja, quando pecamos só Deus sabe o que Ele sente. Então temos que a reação de Deus ao pecado se dá dentro da proporção que o próprio Deus determinar.


É bastante válido ressaltar que Deus não precisa de nenhum de nós para ser Deus. Deus é aquele que existe por si mesmo (êxodo 3.14), e é a própria sabedoria absoluta.

Dentro dessa sabedoria absoluta de Deus, ao encontrar uma “solução provisória”(provisória porque como diz Hebreus 10.1 são “sombras”) para o pecado, Deus sentiu a necessidade de Expiação:
“Chamou o SENHOR a Moisés e, da tenda da congregação, lhe disse: Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando algum de vós trouxer oferta ao SENHOR, trareis a vossa oferta de gado, de rebanho ou de gado miúdo.

Se a sua oferta for holocausto de gado, trará macho sem defeito; à porta da tenda da congregação o trará, para que o homem seja aceito perante o SENHOR.[b] E porá a mão sobre a cabeça do holocausto, para que seja aceito a favor dele, para a sua expiação.”

Deus, dentro de sua soberania, não viu que a melhor maneira de se “evoluir” ou expiar o pecado seja através de uma sucessão de reencarnações. O alerta divino poderia ter indicado a Moisés que deveria este fazer apelos para que o povo de Israel tomasse cuidado com seu carma e que o povo atentasse para as boas obras para cobrir suas falhas. Mas Deus não agiu dessa forma. Deus viu que o pecado só levava a um fim: a morte.

O salário do pecado é a morte (Rm 6.23), portanto quando o homem peca, ele tem que morrer. A expiação consistia numa “morte vicária”. O salário é a morte e sempre será. O custo de um pecado (seja ele “grande” ou “pequeno”), diante de um Deus absolutamente SANTO é impagável. O sangue inocente é aquele que expia o pecado, e não foi o homem quem decidiu isso, MAS O PRÓPRIO DEUS.O homem não tinha e não tem condição de determinar quais os meios ideais para que a transgressão seja apagada.

Veja, eu poderia me rebelar contra isso. Poderia dizer: “Senhor, porque ao invés da morte, o Senhor não me transforma num sapo?”, “Senhor, porque o Senhor não me deixa reencarnar como uma barata e correr o risco de ser pisado por alguém?”, “Senhor, porque não me dar uma nova oportunidade, fazendo-me reencarnar em um corpo deformado, sendo um dependente de outras pessoas? Ou até mesmo com síndrome de Down?”.

Repare, isso seria JUSTO! Mas essa ‘justiça” é conforme EU vejo. Deus é Deus e eu sou homem, lembra-se? Lembre-se das palavras de Paulo em Romanos 9.20 “Quem és tu homem, para discutires com Deus?”. Deus me revelou o modo pelo qual meu pecado será expiado, e disse que é preciso derramamento de sangue. Esse princípio é corroborado e reenfatizado dentro da nova aliança “E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão.” Hb 9.22.[/b]

É claro que Deus tinha um projeto em mente quando deu sua revelação. A lei mosaica era uma “sombra” daquilo que havia de vir. Assim, o cordeiro imolado era a SOMBRA do “cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (segundo o próprio João Batista, a “reencarnação” de Elias).

Bem, temos uma ordem, uma “seqüência divina” para que a salvação seja executada. O homem peca e merece a morte. Deus dá uma chance ao homem, e demonstra ao homem o que deve ser feito para que o pecado seja apagado. A salvação portanto é executada por Deus e não pelo próprio homem. É ele quem salva e não o homem que se salva a si mesmo.

Jesus Cristo cumpriu PLENAMENTE o ritual necessário para a salvação. Sua obra foi completa e ANIQUILOU o pecado.

“Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação, NEM POR SANGUE DE BODES E BEZERROS, MAS POR SEU PRÓPRIO SANGUE, ENTROU UMA VEZ NO SANTUÁRIO, HAVENDO EFETUADO UMA ETERNA REDENÇÃO. Porque, se o sangue dos touros e bodes e a cinza de uma novilha, esparzida sobre os imundos, os santificam, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” Hb 9. 11-14

“Doutra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas, agora, na consumação dos séculos, UMA VEZ SE MANIFESTOU, PARA ANIQUILAR O PECADO PELO SACRIFÍCIO DE SI MESMO.” Hb 9. 26

Pelo sacrifício de si mesmo, ele ANIQUILOU o pecado. A salvação é obra do próprio Deus. Quando Deus apaga nossas transgressões, ele não se lembra mais de nossos pecados “Eu, eu mesmo, sou o que apaga as tuas transgressões por amor de mim e dos teus pecados me não lembro. Is 43.25”

Eu não terei que pagar por meus erros numa próxima vida, por uma suposta “lei do carma”. O reconhecimento de que Cristo é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, e que ANIQUILOU o pecado pelo sacrifício de Si Mesmo me impede de crer nisso.

É aqui que está o contraste entre o que ensina o espiritismo e o que Deus ensina. Deus se revela dizendo que o homem merece a MORTE por seus pecados. Demonstra seu infinito amor, oferecendo GRATUITAMENTE expiação pelo pecado. O homem não quer o presente dado por Deus, ele quer PAGAR, expondo assim ao vitupério o cruz e a obra redentora.

Ignora a justiça divina e a REVELAÇÃO, usa sua própria justiça como prumo para estabelecer o que é “justo”, e anatematiza aquilo que contraria sua “religião natural”, seu ego. Deus dá a salvação, mas o homem não quer ganhar, ele se acha digno de conseguir, e deixa de reconhecer que “Não há um justo, nem um sequer.” Romanos 3.10. Deus é quem redime, mas o homem procura a auto-redenção, e coloca então sua justiça própria e AFRONTA a justiça de Deus.

Portanto, a doutrina da reencarnação e lei do carma, anula por completo a obra redentora. A morte VICÁRIA foi completamente desnecessária. Além disso o alvo da salvação (o homem) passa a ser o salvador de si próprio, invertendo o papel de Cristo.

por Eduardo Honorato


Fonte: CACP
Imagem: Google


domingo, 21 de janeiro de 2018

Exposição e refutação das heresias primitivas acerca de Jesus

Por Maurício Montagnero

Ver-se-á neste artigo as heresias que surgiram no inicio da era da Igreja, acerca da cristologia. As heresias serão analisadas em três partes, acompanhando parcialmente o que foi realizado por Alan Myatt e Franklin Ferreira[1] (mas com outra nomenclatura). Sendo expostas as heresias da primeira parte, será realizada uma refutação apologética contra essas usando como fundamento a exegese do texto do Evangelho de João 1.1 – 3 e 14, e se necessário partirá para outros textos bíblicos,[2] e assim sucessivamente.  

Heresias acerca da baixa cristologia

As heresias acerca da baixa cristologia se referem às doutrinas equivocadas que foram elaboradas em relação à humanidade de Jesus. Essas heresias podem ser delineadas da seguinte forma: (1) Docetismo, (2) Apolinarianismo e (3) Eutiquianismo.

O docetismo é um nome derivado do verbo grego dokew/dokeo” que significa “parecer ou aparentar”. Esse movimento, o qual surgiu no final do século I, apregoava que Jesus era totalmente divino e que não se encarnou, logo, sua humanidade simplesmente aparentava ser, mas não era, ou seja, o seu espírito que estava ali. Sendo assim o sofrimento de Cristo na cruz foi apenas aparente, mas não real.[3] Diante disso entrou em dúvida o sacrifício vicário de Jesus como sua ressurreição. Essa doutrina foi construída, pois os docetas eram atraídos pelos escritos do gnosticismo que se tornou um movimento propriamente dito no século II. Os gnósticos ensinavam que o mundo material era o resultado da vitória do mal sobre o bem, isto é, o mundo do mal estava relacionado com o material, portanto a matéria não era boa, mas, sim, má. Sendo assim o Sagrado/Deus não se relacionava com a matéria, mas só com o espiritual. Diante dessa premissa os docetas acreditavam que o divino Jesus não poderia se misturar com a matéria.

O apolinarianismo tem esse nome, pois é derivado do homem que elaborou tal heresia, conhecido como Apolinário. Este era bispo de Laodicéia e ensinava que o Logos, isto é, a alma divina de Cristo tomou o lugar do espírito humano de Cristo. Ele acreditava na tricotomia, isto é, na doutrina que ensina que o homem é composto de três partes que são alma, corpo e espírito. Para ele Jesus possuía a alma humana como o corpo humano, mas o espírito humano foi substituído pelo Logos divino, e esse tomou conta de todo o ser de Jesus. Por quê? Porque se assim não fosse, o Logos, ou a alma divina teria sido contaminado pelos pecados e pelas fraquezas humanas, e a impecabilidade de Jesus seria comprometida. Para que a natureza humana possa ser divina ela deve se unir totalmente com a natureza divina, tornando-se assim uma só natureza a pessoa de Jesus. Essa heresia junto com a próxima que será vista foi propagada na escola de Alexandria, sendo assim também conhecida como a cristologia Alexandrina.

O eutiquianismo era conhecido também por monofisismo. O primeiro nome é derivado do seu precursor Êutiques, que era monge de Constantinopla e bispo em Alexandria. O segundo nome é derivado da sua crença em apenas uma natureza na pessoa de Cristo (do grego: monoj/monos “apenas uma”; fujij/physis “natureza”).[4] Essa heresia ensina praticamente a mesma coisa que o apolinarianismo, isto é, que a natureza divina absorveu a natureza humana de Cristo. Sendo que Cristo só tinha uma natureza, e essa era uma terceira natureza, que fora revestida da carne humana. Esse é o ponto diferencial do apolinarianismo, o ensinamento de que a natureza divina de Jesus não era totalmente divina, e nem a natureza humana era totalmente humana. Sendo assim se juntaram-se as duas naturezas e resultou em uma natureza única e mestiça.[5]

Refutação apologética:

Os escritos do apóstolo João poderiam ter como propósito refutar a heresia docetista. Quando João relata no versículo 14 do 1° capítulo do seu evangelho que o Logos, isto é, o ser divino se tornou carne sa,rx/sarx”, tem a conotação de um corpo físico inteiro e que tem ossos e sangue.[6] Diante disso ele estaria refutando a ideia de que Jesus não era um ser de carne e material. Chega-se ao cume desse ensinamento em 1 Jo 4.2 e 3:

Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo.”
Existem outros motivos para acreditar na sua existência carnal como o cumprimento da profecia (Is 7.14; 9.6), seu nascimento de mulher (Gl 4.4), sua genealogia (Mt 1.1 – 17; Lc 3.23 – 38), seu corpo que se desenvolveu (Lc 2.52), declarou-se como homem (Jo 8.40), sentiu fome (Mt 4.2), sentiu sede (Jo 19.28), cansou-se (Jo 4.6), teve sentimentos como amor e compaixão (Mt 9.36), chorou (Jo 11.35) e foi tentado (Mt 4.1 – 11; Hb 4.15). A própria declaração de Paulo mostra que Ele nasceu segundo a carne pela descendência de Davi (Rm 1.3).

Ainda contra a conotação gnóstica, elabora-se a seguinte pergunta retórica: Como a matéria é má se a mesma recebeu um ser divino e puro? A matéria não é uma consequência do mal, mas, sim, uma criação do próprio Deus (Gn 1), tendo seu Filho como agente dessa criação ((Jo 1.3; Cl 1.16 e 17; Hb 1. 2; Ap 21.6) e a mesma declara a glória de Deus (Sl 19.1; Rm 1.20). Como pode ser mal algo criado por Deus e que declara sua glória e seu conhecimento?

Refutando neste momento o apolinarianismo deve-se recorrer mais uma vez a Jo 1.14. Outra conotação de carne que é existente no grego sa,rx/sarx”, não é só o físico, mas, também, o modo geral de empregar aquilo que é humano.[7] Ou seja, quando é declarado nesse versículo que Jesus se tornou carne, refere tanto ao corpo físico como também a uma natureza humana, sendo assim ele também tinha dentro dele a possibilidade do pecado, mas, no entanto, não pecou. Ele se tornou humano para conhecer as fraquezas do homem e se compadecer dele (Hb 2.14 – 16; 5.7; 4.14 – 16), sabendo que em Hebreus a carne referente a Cristo é sua natureza humana completa.[8]

Refutando por último o eutiquianismo/monofisismo se vê que no prólogo de João, especialmente os versículos 1 e 14, que Cristo era um ser deificado, ou seja, Ele era Deus. Esse Cristo se tornou carne, ou seja, humano; e o texto não ensina que Ele se tornou menos Deus ao se tornar humano, como também não ensina que Ele foi menos humano por ser Deus, mas, sim, que uma natureza divina, isto é, o Logos encontrou outra natureza, que era humana, e ambas as naturezas fizeram parte de uma pessoa, que foi Jesus de Nazaré. Ele durante sua passagem pela terra se mostrou divino perdoando pecados (Mc 2.1 – 12), concedendo vida espiritual (Jo 5.21), ressuscitando mortos (Jo 11.43), mostrando sua onisciência (Mt 16.21; Lc 6.8; 11.17; Jo 4.29) e onipotência (Mc 5.11 – 15; Jo 11.38 – 44); e também se mostrou humano como já foi visto nos textos que combatem o docetismo e o apolinarianismo. Portanto, Jesus era Divino, mas, também, teve sua natureza humana. Só que, no entanto, pelas diferenças substanciais da natureza Divina e humana, elas não puderam se tornar uma só natureza, mas, sim, participar de um só corpo. Para melhor entendimento segue-se uma ilustração: Quando se mistura um copo de água (uma substância), com açúcar (outra substância), com uma laranja exprimida (outra substância), surge algo novo, que seria um suco de laranja. Isso ocorre, pois estas três substâncias diferentes podem se envolver entre elas. Porém, se pegar um copo, e colocar nele água (uma substância) e óleo (outra substância), eles não vão se tornar algo novo, pois não vão se misturar e uma ficará por cima, e outra embaixo, pois suas substâncias não se misturam pela diferença de suas “naturezas”. Assim foi a realidade cristológica, não teve como produzir uma natureza nova, única e mestiça (como o suco de laranja), pois as diferenças substanciais das duas naturezas não permitiam que isso ocorresse (como a água e o óleo). Sendo assim, as duas naturezas tiveram que ficar juntas sem se comporem em algo novo, e isso em um só corpo, como a água e o óleo ficam em um só copo. Encerrando essa parte segue uma lógica: (Premissa A) Jesus teve duas naturezas que não têm como se compor em uma. (Premissa B) Jesus teve um corpo e foi uma pessoa. (Conclusão) Por conseguinte, Jesus teve duas naturezas em um só corpo, sendo uma só pessoa.

Heresias acerca da alta cristologia

As heresias acerca da alta cristologia se referem às doutrinas equivocadas que foram elaboradas em relação à divindade de Jesus. Essas heresias podem ser delineadas da seguinte forma: (1) Ebionismo, (2) Monarquianismo e (3) Arianismo.

O ebionismo era uma seita judaico-cristã que seguia a lei de Moisés e acreditavam em Jesus como Messias.[9] Começou no 1° século da era cristã e o seu nome vêm do hebraico $wOybIa,/ebyôn”,[10]que significa “pobre”, “carente”, “necessitado” e “oprimido”. Como fora visto, eles apregoavam Jesus como o Messias, mas apenas como um profeta anunciado no Antigo Testamento que se identificava com os pobres, porém não era divino, mas um simples homem comum filho de José e Maria. Em seu batismo Jesus foi unido com o Cristo eterno, pois fora eleito para ser filho de Deus.[11]

O monarquianismo é divido em duas partes: (1) Monarquianismo Dinâmico (adocianismo) e (2) Monarquianismo Modalista (sabelianismo).[12] A palavra se deriva de “monarchia” que significa “governo de um só”,[13] que tem como doutrina a crença na existência de um só Deus e uma só pessoa, e não três pessoas, como ensinava a doutrina da trindade. O primeiro tipo de monarquianismo (dinâmico) começou com Teodoro de Bizâncio o qual ensinava que Jesus era um simples homem, mas recebeu poderes de sua vocação messiânica no batismo, quando o Espírito Santo desceu sobre Ele, e assim se tornou um Cristo e Salvador por adoção (por isso o nome “adocianismo”). O segundo tipo de monarquianismo (modalista) teve como principal representante e líder Sabélio (apesar de ter surgido com Paulo de Samosata)[14], ensinava que não existem três pessoas e um Deus; mas que simplesmente existe um Deus em uma pessoa que aparece de diversas maneira, com três manifestações e três modos (por isso o nome modalista) diferentes. A pessoa de Jesus só foi um modo de Deus se manifestar, sendo assim o próprio Deus Pai se encarnou e sofreu na crucificação (por essa última conotação essa heresia também é conhecida no ocidente como “patripassionismo”, e no oriente ficou conhecido com o nome do seu precurssor “sabelianismo”).

O arianismo é a heresia cristológica que mais repercutiu de todas essas, até nos dias atuais. O nome se deriva do seu sistematizador Ário (250 – 336), que era presbítero de Alexandria. Ário ensinava que só Deus Pai é eterno e Cristo era um ser pré-existente, porém finito, pois em algum tempo da eternidade Ele foi criado e não gerado pelo Pai. A frase-chave dessa doutrina é: houve um tempo quando Cristo não era.[15] Porém, Cristo não é como qualquer criatura, Ele é uma criatura perfeita e elevada acima das outras, pois possui a deidade parcialmente em si. Ele é um semideus, está entre Deus e os homens. A natureza de Cristo era parecida com a de Deus (omoiousios) e não igual (homoousios).[16] Essa ideologia acompanhava os antigos heróis:
“Esta foi a solução dada por Ário. Estava na mesma linha do culto aos heróis do mundo antigo. Esse mundo era povoado por meio-deuses, derivados do único Deus e incapazes de plenitude divina, mesmo quando no Olimpo. Jesus teria sido um desses deuses, quase Deus, mas não o próprio Deus”.[17] 

Diante disso, Ário considerava Cristo inferior a Deus Pai e usava os textos de Mt 28.18; Mc 13.32; 1 Co 15.28 para apoiar sua ideia. Informava que os textos do quarto Evangelho que falavam sobre a filiação (Jo 3.35; 10.30; 12.27; 14.10; 17.11) trataram de uma linguagem metafórica.

Refutação apologética:

O ebionismo e o monarquianismo dinâmico (adocionismo) não entenderam o versículo 1 do 1° capítulo de João. O texto é bem claro em dizer que o Logos já era existente, ou seja, Cristo já existia. Até aqui pode-se andar junto com eles, no entanto, torna-se problemático dizer que Cristo só se uniu a Jesus em seu batismo, pois o próprio versículo citado mostra que o Logos que é identificado como o Cristo eterno, tornou-se carne, isto é, não veio possuir uma carne já existente, porém se tornou e veio a ser em uma carne que ainda não existia. Pelo decorrer das Escrituras pode-se ver que o Cristo eterno já era existente na pessoa de Jesus antes do seu batismo: (1) Ele foi procurado para ser adorado pelos magos de Belém, e quando o acharam, foi realmente adorado (Mt 2.2 e 11a). Como os magos adorariam simplesmente a pessoa de Jesus se o Cristo eterno não estivesse nele? (2) Os príncipes dos sacerdotes e os escribas perguntavam onde iria nascer o CRISTO (Mt 2.4); (3) O anjo do Senhor revelou para José que estava em Maria já era gerado do Espírito Santo (Mt 1.20), e não que viria a ser; (4) Jesus era para ser chamado de Emanuel, isto é, Deus conosco (Mt 1.23), e não Deus que viria a ser conosco; (5) O anjo revelou para Maria que Jesus já seria gerado pelo Espírito Santo em seu ventre, chamado o filho do Altíssimo e a virtude do mesmo iria a cobrir, e que o Santo que iria de nascer, já seria reconhecido como Filho de Deus (Lc 1.26 – 35), e não que iria só ser chamado um tempo depois; (6) Isabel já declarou que Jesus era bendito no ventre de sua mãe, sendo também já reconhecido como Senhor (Lc 1.42 – 43); (7) O anjo, ao revelar aos pastores de Belém sobre o nascimento de Jesus, já declarou que Ele era Salvador, o Cristo e o Senhor (Lc 2.10 e 11); (8) Simeão recebeu uma revelação do Espírito Santo que veria o Cristo, o Senhor antes de morrer (Lc 2.26), e ele o viu ainda quando era bebê (Lc 2.27 – 32); e (9) O próprio Jesus enquanto menino já se declarou como Filho de Deus (Lc 2.49).

Diante disso, pode-se afirmar que como os ebionitas e os o monarquianistas dinâmicos (adocionistas) entendiam realmente que Cristo era eterno e o Messias se cumpriu na pessoa de Jesus, todavia, esse Cristo eterno não veio por ocasião de seu batismo o tornando gerado pelo Espírito Santo e Filho de Deus, mas já veio junto com a pessoa de Jesus antes. Como já dito e será repetido nesse momento, Jesus não foi apenas um profeta como pensavam os ebionitas, mas, sim, um ser divino que fez morada, pois Ele era Deus (Jo 1.1) e realizou obras que só Deus pode realizar: perdoando pecados (Mc 2.1 – 12), concedendo vida espiritual (Jo 5.21), ressuscitando mortos (Jo 11.43), mostrando sua onisciência (Mt 16.21; Lc 6.8; 11.17; Jo 4.29) e onipotência (Mc 5.11 – 15; Jo 11.38 – 44).

Refutando o monarquianismo modalista (sabelianismo) deve-se declarar que realmente existem três pessoas diferentes em uma mesma deidade. O prólogo do Evangelho de João mostra que o Logos estava com Deus. Ora se ele estava com Deus, oferece a ideia em que algum momento Ele não está mais com Deus. Mas como Ele não pode estar mais com Deus se Ele é uma pessoa com Deus? Não tem como responder, a não ser se reconhecer que o Logos era uma pessoa distinta de Deus. O versículo 14 ensina que esse Logos revelou a glória do Pai. Como pode alguém revelar a glória de outro, se esse é a mesma pessoa? Então o texto deveria ensinar que Ele revelou sua glória e não a glória de outra pessoa. O versículo 18 culmina a ideia de que o Logos era outra pessoa distinta, pois o próprio Deus Pai nunca foi visto por ninguém, porém o Deus Filho (como é escrito no original) revelou a outra pessoa, que é o Deus Pai.  Porém, se essa doutrina for “correta” terá algumas perguntas a serem respondidas: (1) Quem é o Pai que faz as coisas pelo Filho? Quem é o Filho que o Pai faz as coisas por Ele? (Jo 5.19 e 20); (2) Quem foi que enviou Jesus? (Jo 7.29; 17.25); (3) Quem é esse Pai o qual o Filho fala que o ensinou? (Jo 8.58); (4) Quem é o Deus de quem o Filho veio e vai? (Jo 13.3); (5) Quem é esse Pai que o Filho tinha a glória junto antes da fundação do mundo? (Jo 17.5) e (6) Por último uma pergunta fora do Evangelho de João, se Deus fosse uma só pessoa como explicar a existência de três pessoas no batismo de Jesus (Mt 3.13 – 17; Lc 3.21 – 22)?

Continuando a refutar o monarquianismo, mas o modalista (sabelianismo) e, também o arianismo, deve-se declarar que a doutrina da trindade é bíblica e fundamentada. Quando é declarado que Deus é o único Senhor (Dt 6.4), é interessante notar que esse “único” é um termo hebraico dx'(a,/ehad”, que tem a conotação de uma unidade composta, ou seja, Deus é o único Senhor em ser, porém tem mais composição de pessoas. Essas pessoas são o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mt 28.19). E ambos mostram de várias formas sua deidade. Deus Pai é Deus já reconhecido como tal desde o Antigo Testamento e por todas as classes de doutrinas surgidas, não há dificuldade em relação a sua deidade. Deus Filho, isto é, Jesus é Deus e já foi mostrado várias vezes ao longo deste estudo, como também já foi mostrado que Ele é uma pessoa.

Então, basta mostrar neste instante que o Espírito Santo é Deus e um ser pessoal. Para ver sua deidade pode ir para tais pontos: (1) Seu nome de “Espirito do Senhor” (1 Co 6.11) e “Espírito de Jesus” (1 Co 6.11); (2) Tem atributos divinos como onisciência (Is 40.13), onipresença (Sl 139.7), onipotência (Jó 33.4; Sl 104.30) e realização de milagres (At 8.39); (3) Realiza obras de Deus como o nascimento virginal de Jesus (Lc 1.35), inspiração das Escrituras (2 Pe 1.21), esteve envolvido na criação do mundo (Gn 1.2); (4) Mantém relação com as outras pessoas da trindade. Os textos do Antigo Testamento que aparecem Deus falando, são colocados no Novo Testamento sendo atribuídos ao Espírito Santo (At 28.25 – 27/Is 6.8 – 10; Hb 10.15 – 17/Jr 31.31 – 34), mentir para o Espírito Santo é mentir para Deus (At 5.3 e 4) e o Espírito Santo tem igualdade com o Pai e com o Filho (Mt 28.19; 2 Co 13.14) e (5) Quando Jesus fala que iria enviar outro consolador (Jo 14.16), o termo “outro” se refere a outro da mesma espécie, e se Jesus era Deus, logo, o Espírito Santo é Deus.[18]

Para vê-lo como um ser pessoal pode ir para tais pontos: (1) Tem atributos pessoais como a inteligência (1 Co 2.10, 11 e 13; Rm 8.27), emoções (Ef 4.30), vontade própria (1 Co 12.11); (2) Tem atitudes pessoais como ouvir, falar e anunciar (Jo 16.13), convencer do pecado (Jo 16.8), interceder (Rm 8.26); (3) Atribuições pessoais como ser obedecido (At 10.19 – 21), ser resistido (At 7.51), ser entristecido (Ef 4.30) e ultrajado (Hb 10.29).[19] Sendo assim Ele não é uma força ativa proposta pelo arianismo.

Encerrando esta parte, é preciso terminar de refutar o arianismo que diz que o Logos é um ser criado e não gerado. O Logos tem uma ligação com a Sabedoria do Antigo Testamento. No Antigo Testamento, a descrição da Sabedoria se encontra especialmente em Pv 8 e 9, mas especificamente no capítulo 8.22 – 31. Nesse texto em particular se veem duas características que são iguais entre a Sabedoria e o Logos: 1) Ambos os textos mostram a pré-existência de ambos com Deus; e (2) Continuando o versículo 3 vê-se que Cristo foi o meio pelo qual tudo foi criado, e no versículo 30 de provérbios 8 tem-se que a sabedoria era arquiteto. Outra questão interessante a ser notada é que a Sabedoria é a mesma coisa que a razão, uma das conotações do Logos, sendo assim o Logos de João 1 e a Sabedoria de Pv 8 e 9 se referem a mesma coisa, a saber, a Cristo (doutrina ensinada já por Tertuliano e Justino Mártir). Não se pode fugir da ligação que a sabedoria de Provérbios tem com o apócrifo de Sabedoria de Salomão que é a conotação de um ser divino que emana de Deus. O conceito é que Cristo estava dentro de Deus e em algum tempo da eternidade foi gerado/emanado por Deus (isso não pode se confundir com o ter sido criado por Deus). Os textos de Sabedoria de Salomão que dão essa ideia são 7.22 e 18.15, se aproximando-se de Hb 1.3. Porém, além de Hebreus há outros textos bíblicos que fortificam a consideração da geração do Filho (Cristo) do Pai (Deus), que são (Sl 2.7; Jo 1.18; Jo 5.26; Hb 1.5; 5.5). Além disso, a ideia de Filho unigênito (único gerado) ajuda para este argumento.

Nestorianismo

Essa heresia será analisada a parte, pois a mesma fala sobre as duas partes da Cristologia, tanto a divina como a humana. Essa heresia tem por nome Nestorianismo, pois foi baseada nos ensinos de Nestório que foi bispo de Constantinopla e um pregador famoso em Antioquia. Ele ensinava que Maria não era “Mãe de Deus” (theotokos), mas somente mãe do Jesus humano, sendo “portadora de Cristo” (christotokos) ou “portadora da humanidade” (anthropotokos) de Jesus. Esse Jesus humano foi unido ao Logos divino, sendo assim Ele tinha dentro do seu corpo pessoas distintas, uma humana e outra divina. A escola de Antioquia seguiu parcialmente a mentalidade de Nestório, porém seguia mais a mentalidade de Teodoro de Mopsuestia. Esse último para confrontar o apolinarianismo e o eutiquanismo, argumentou que a natureza humana de Cristo foi unida com a natureza Divina, e vice – versa. As duas naturezas eram pessoais, porém elas foram unidas no ventre de Maria. Sendo assim, ele não dava margem para duas pessoas ou dois filhos, e acreditava que Maria era “Mãe de Deus” (theotokos).
Sobre essa última teoria, nasce à doutrina do diofisismo (Jesus tinha duas natureza em si) e da União Hipostática (as duas naturezas unidas pela vontade Deus formando uma pessoa). Essas doutrinas são aceitas pelas igrejas que se mantêm na ortodoxia Cristã e pelo presente estudo. Pois como já fora visto por várias vezes nesse estudo, Jesus era Divino como também era humano. O prólogo do Evangelho declara sua divindade (Jo 1.1) como sua forma humana aqui na Terra (Jo 1.14), e mostra que apesar dessas duas naturezas Ele foi somente uma pessoa como mostra o pronome possessivo no singular “vimos a sua glória” (Jo 1.14) como todas as outras singularidades que aparecem com o Logos no texto. Sendo assim Ele não foi duas pessoas como afirmou o nestorianismo.

Diante disso, outra heresia é refutada que é o monotelismo. Essa ensina que em Cristo só existia uma vontade. Essa vontade é única pela perfeita harmonia que houve entre a natureza divina e a natureza humana. Há daqueles que acreditam que era a vontade divina, e há daqueles que acreditam que era a vontade humana. Porém, a doutrina ortodoxa se mantém na doutrina do duotelismo, que ensina que Cristo tinha as duas vontades naturais, a divina e a humana, porém a humana era submissa à divina.

REFERÊNCIAS 

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BÍBLIA, Português. Bíblia Apologética de Estudo. Tradução de João Ferreira de Almeida. 2° Edição. São Paulo: ICP, 2000, 1663 p.
BLOMBERG, Craig. L. Jesus e os evangelhos: uma introdução ao estudo dos 4 evangelhos. Tradutor Sueli da Silva Saraiva. São Paulo: Vida Nova, 2009, p. 556.
BRUCE, F. F. João: Introdução e comentário. Tradutor Hans Udo Fiechs. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1987, p. 355.
CARSON, D.A; MOO, Douglar J; MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. Tradutor Márcio Loureiro Redondo. São Paulo: Vida Nova, 1997, p. 556.
CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. Volume 2. São Paulo: A sociedade religiosa a voz bíblica brasileira, [s.d], p. 661.  
COLIN, Brow; LOTHAR, Coenen. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Tradutor Gordon Chown. 2° Edição. São Paulo: Vida Nova, 2000, 2773 p.
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FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan. Teologia Sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova, 2007, 1218 p.
MCGRATH, Alister E. Teologia sistemática, histórica e filosófica: uma introdução a teologia cristã. Tradutora Marisa K. A. de Siqueira Lopes. São Paulo: Vida Nova, 2005, 659 p.
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RUSCONI, Carlo. Dicionário do Novo Testamento. 2° Edição. São Paulo: Paulus, 2003, 540 p.
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SOARES, Esequias. Cristologia: A doutrina de Jesus Cristo. São Paulo: Hagnos, 2008, 182 p.
TILLICH, Paul. História do Pensamento Cristão. Tradutor Jaci Maraschin. 4° Edição. Editora: ASTE, 2007, 293 p.
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WITHERINGTON III, Bem. História e Histórias do Novo Testamento. Tradutora Lucília Marques Pereira da Silva. São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 263.
BRITO, Antônio Roberto. Heresias Primitivas. Disponivel em: http://www.cacp.org.br/seitasdiversas/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=420&menu=8&submenu=1

NOTAS

[1] FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan. Teologia Sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 487 – 488.
[2] Não é a proposta do presente estudo mostrar as defesas contra essas heresias que foram feitas durante a época em que elas nasceram.
[3] MCGRATH, Alister E. Teologia sistemática, histórica e filosófica: uma introdução à teologia cristã. São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 412.
[4] FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan. Teologia Sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 487.
[5] RYRIE, Charles C. Teologia Básica ao alcance de todos. São Paulo: Mundo Cristão, 2004, p. 289.
[6] COLIN, Brow; LOTHAR, Coenen. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 274.
[7] COLIN, Brow; LOTHAR, Coenen. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 277.
[8] COLIN, Brow; LOTHAR, Coenen. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2000,  p. 280.
[9] BRITO, Antônio Roberto. Heresias Primitivas. Disponivel em: http://www.cacp.org.br/seitasdiversas/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=420&menu=8&submenu=1
[10] FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan. Teologia Sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 487.
[11] RYRIE, Charles C. Teologia Básica ao alcance de todos. São Paulo: Mundo Cristão, 2004, p. 288.
[12] [12] RYRIE, Charles C. Teologia Básica ao alcance de todos. São Paulo: Mundo Cristão, 2004, p. 64 – 65.
[13] TILLICH, Paul. História do Pensamento Cristão. Editora: ASTE, 2007, p. 81.
[14] FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan. Teologia Sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 488.
[15] FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan. Teologia Sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 488.
[16] RYRIE, Charles C. Teologia Básica ao alcance de todos. São Paulo: Mundo Cristão, 2004, p. 288.
[17] TILLICH, Paul. História do Pensamento Cristão. Editora: ASTE, 2007, p. 87.
[18] RYRIE, Charles C. Teologia Básica ao alcance de todos. São Paulo: Mundo Cristão, 2004, p. 399 – 400.
[19] RYRIE, Charles C. Teologia Básica ao alcance de todos. São Paulo: Mundo Cristão, 2004,  p. 397 – 398.


Fonte: www.napec.org

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Sintonia Fina: Uma evidência da existência de Deus

Traduzido por Semi Chung Azeka – Artigo original aqui.

Descobrindo nossa origem e propósito

Entre muitos argumentos convincentes que mostram a existência de Deus, estamos aqui prestes a examinar um que tem implicações incomuns, na qual, não apenas mostra a existência de Deus como o maior de todos os designers, mas também nos dá uma pista do porquê Ele nos projetou em primeiro lugar! Este argumento (que vamos intitular mais abaixo) é talvez o argumento mais interessante  que aponta para a existência de Deus!

Você provavelmente deve pensar que cientistas,  matemáticos e outras mentes brilhantes estão sempre em oposição às coisas de Deus, mas muitos exploradores científicos, quando confrontados com a incrível majestade e a imensa complexidade de suas descobertas, são levados a pensar no mundo em termos teológicos. Os primeiros astronautas, em meio aos golpes da era da ciência e da razão, viram o planeta Terra do espaço e chegaram à magnífica conclusão que um Deus todo poderoso e criativo era a fonte de tudo o que vemos no universo.

Quando olhamos para a expansão majestosa do universo, quase sempre nos encontramos pensando numa questão importante.

O “Argumento Antrópico”

Alguns devem se perguntar: “Como chegamos aqui?” e esta é com certeza uma investigação importante. Mas juntamente com essa questão “Como” há outra tão importante quanto: “Por quê?” Se o argumento Cosmológico e Teológico deixa claro que um “causador não criado” e um “designer não projetado” é a causa da nossa existência, é razoável perguntarmos: “Por que Ele nos criou?” “Por que estamos aqui afinal?” Bom, o argumento que estamos prestes a fazer irá se direcionar para AMBOS os questionamentos; o “Como” e “Por que” da nossa existência. Ao contrário de outros argumentos acerca da existência de Deus, o próximo argumento vai além da nossa criação e aborda nosso propósito. Chamaremos este argumento de “Argumento Antrópico”. Vamos dar uma olhada nos seguintes detalhes:

O Argumento Antrópico:

1.Nosso mundo foi concebido de forma única para que:
a.Possa existir Vida
b.Essa mesma Vida possa examinar o Universo.

2. Esse design exclusivo não pode ser resultado de causas aleatórias ou probabilidades.

3. Há, portanto, um Deus que nos criou e concebeu para uma causa especial no universo.

Como de costume, a premissa de qualquer argumento é vital para sua conclusão. Nesse caso, se pudermos demonstrar que nosso mundo é exclusivamente projetado para vida e descoberta, podemos seguir esse argumento para a conclusão lógica que existe um Deus que nos projetou para uma causa especial. Acompanhe-me  por um minuto:

Aleatório ou Proposital?

Agora, existem duas maneiras de olhar a nossa existência. Primeira, podemos assumir que chegamos até aqui através de um conjunto aleatório de ações e forças. O Mundo existe como uma matéria de “atribuição casual” e somos em grande parte o resultado de processos “acidentais”. Como resultado disso, somos apenas um entre muitos mundos da mesma espécie e somos na verdade bastante “comuns” no universo. A outra perspectiva  é que estamos aqui como resultado de um design proposital.  Partindo desta visão, estamos realmente “especificamente colocados” na galáxia e no universo, nossa concepção foi “controlada” e proposital, e somos “únicos” em todo o universo! Há uma grande diferença entre essas duas cosmovisões, isso é certo!

Os mais antigos pensadores sobre esse tema tendiam a pensar que a Terra era o centro de todo o universo. De fato, por 1800 anos, os primeiros cientistas e ‘cosmólogos’ acreditavam que a Terra permanecia estática no espaço enquanto o Sol, a Lua e as estrelas giravam em torno de nós, centrados em nosso pequeno planeta. Somente em 1543, quando o astrônomo polonês Nicolas Copernicus escreveu seu livro, “Das revoluções dos Corpos Celestes” essa visão mudou. Copernicus acendeu uma revolução no pensamento quando argumentou que na realidade a Terra orbitava em volta do Sol juntamente com todos os outros planetas do nosso Sistema Solar. Começamos a compreender a natureza do nosso universo seguindo Copernicus e começamos a nos distanciar da ideia de que estávamos no centro do universo.

E quanto mais e mais explorávamos esse universo, mais nos víamos como uma minúscula partícula em meio a essa imensa extensão de espaço. No verão de 1977, os Estados Unidos lançaram uma histórica missão, quando enviaram as espaçonaves gêmeas, Voyager One e Two ao espaço. Essa duas espaçonaves estavam destinadas às regiões fora do Sistema Solar, com foco nos planetas do imenso meio Interestelar. Durante 13 anos essas espaçonaves exploraram os planetas exteriores. Eles enviaram milhares de fotos, mas as mais interessantes delas foram transmitidas no dia 14 de Fevereiro de 1990. Voyager One, aproximou-se do limite do Sistema Solar, voltou-se para o sol e capturou uma imagem do planeta Terra, de uma grande distância. Desta perspectiva, a Terra parecia apenas uma pequena partícula em um fluxo de luz. E a medida que examinávamos essas fotografias, a maioria dos cosmólogos formaram a opinião de que a Terra era apenas uma insignificante minúscula partícula num vasto e extenso espaço; certamente nada incomum, apenas outro planeta habitável na qual presumiram existir em um universo infinito.

Somos apenas um dos muitos?

Com o tempo, essa ideia tornou-se muito popular. Escritores de ficção científica do ultimo século apreciaram a ideia de que poderia existir vida em algum outro lugar do universo, e a ideia de que poderiam haver milhares de outros planetas como o nosso tornou-se amplamente aceita. A maioria dos cientistas olhou para o vasto número de galáxias e postulou que o grande número de sistemas estelares tornava provável a existência de outros planetas que poderiam suportar a  vida como a que encontramos aqui na Terra. Muitos cientistas chegaram a acreditar que a Terra não tinha nada de especial.

De fato uma ideologia desenvolvida que propôs que a Terra era apenas mais um planeta medíocre em um universo incrivelmente imenso. Desta ideia desenvolveu-se o “Princípio da Mediocridade”. Este princípio diz que nossa localização e status no universo não tem nada de excepcional. Como resultado disso, nós não deveríamos assumir que somos de alguma maneira especiais, e portanto, não deveríamos também assumir que o universo foi projetado com nós (ou em seres como nós) em mente. Esta ideia tornou-se amplamente popular nos anos 70 e 80 por Carl Sagan, um astrônomo muito famoso e respeitado. Ele escreveu um livro, “Pálido Ponto Azul”, na qual ele olhou para a imagem vinda de Voyager One e disse:

“Por causa do reflexo da luz do Sol na espaçonave, a Terra parece estar apoiada em um raio de Sol, como se houvesse alguma importância especial para esse pequeno mundo. Mas é apenas um acidente de geometria e ótica… Olhe novamente para este ponto. É aqui. É o nosso lar. Somos nós… Nossas atitudes, nossa pretensa importância, a desilusão de que temos uma posição privilegiada no universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálido… Nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante…”

Então temos que perguntar a nós mesmos a questão “Será que há a possibilidade de que outros planetas assim como o nosso existam?” Certamente parece possível dada a natureza vasta de nosso universo!

Nenhum outro sinal de vida

Os cientistas vem tentando, durante anos até agora, descobrir outras fontes de vida no universo. Mas desde 1960, o projeto SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence, que significa Busca por Inteligência Extraterrestre) tem procurado os cosmos, escutando atentamente por qualquer indício que possa ser considerado um sinal de vida inteligente. Mas em todos esses anos, nós nunca vimos ou escutamos algo que indique que não estamos sozinhos. Se o universo é verdadeiramente antigo ou infinitamente antigo, como alguns cientistas gostariam que acreditássemos, então por que uma civilização não avançou até o ponto em que poderia ter chegado a nós agora? Afinal de contas, eles poderiam ter se desenvolvido muito além de nossas habilidades se tivessem tido tempo suficiente, e muitos cientistas nos fariam acreditar que eles tiveram este tempo necessário uma vez que o universo é antigo como eles mesmos dizem. Então por que ainda não ouvimos falar de outros mundos?

As Forças necessárias

A resposta para essa questão talvez esteja bem debaixo do nosso nariz. Pode ser encontrada na ciência. Veja, há um número de forças no universo que estão finamente calibradas para trabalharem em conjunto e tornar possível a existência de vida. As leis de massa do eléctron, massa atômica, massa do próton, força nuclear forte, força nuclear fraca, velocidade da luz, estrutura fina das constantes, gravidade, densidade massiva do universo e mais outros estão finamente ajustadas para coexistirem e reger o universo e o nosso mundo.

Se qualquer uma dessas forças fosse modificada, mesmo que em 1%, em qualquer direção (modificada para mais forte ou mais fraca) o impacto sobre vida seria catastrófico. Se, por exemplo, você aumentar a gravidade por apenas uma pequena fração, nenhuma forma grande de vida seria capaz de existir em nosso planeta. Eles seriam esmagados sob seu próprio peso. Vida primitiva (como bactérias) talvez fossem capazes de viver num ambiente como esse, mas não seriam como os invertebrados que vemos aqui agora na Terra. Como você vê, existem pré-requisitos para a existência de vida no nosso universo, e essas leis os determinam.

Então, para que exista vida no universo, é necessário que haja uma perfeita harmonia entre as leis e forças do universo. Quanto mais descobrimos isso, mais percebemos que apesar do universo ser vasto, talvez não seja vasto o suficiente para suportar muita vida. Embora talvez exista uma quantidade incrível de planetas lá fora, as condições necessárias para sustentar a vida são tão restritas que pode não haver número suficiente de planetas para superar a improbabilidade estatística para que a vida possa existir. Em suma, os requisitos para existir a vida são de fato muito difíceis!

Água

Diversos fatores são necessários para a vida existir. Primeiro, você precisa ter água no estado líquido presente no planeta. As propriedades químicas da água estão perfeitamente adequadas para as formas de vida baseadas em carbono. A água é capaz de dissolver e transportar todos os nutrientes químicos que são usados por formas de vida em nosso planeta e tem a capacidade sem igual de absorver o calor do Sol, um processo que é crítico para regular a temperatura da superfície de um planeta.

Distância do Sol

A presença de água está ligada a um outro fator importante que é necessário para a vida existir: a distância do planeta de sua estrela-mãe. Para a vida existir, um planeta não deve estar muito perto da estrela (a água evaporaria) e nem tão distante (a água se transformaria em gelo). Em nosso Sistema Solar, por exemplo, existe uma “zona habitável” em volta do Sol, bem longe da órbita de Vênus e terminando próximo a órbita de Marte. Se você aproximasse a Terra apenas 5% em direção ao Sol, toda a água evaporaria da superfície. Por outro lado, se você movesse para trás apenas 20% do Sol, toda a água congelaria. Embora a vida pudesse existir em planetas sob essas condições, ela não seria uma vida complexa como a que temos aqui na Terra.

Crosta Terrestre

Além desses dois fatores (acima), planetas habitáveis precisam ser “terrestres” em sua natureza. A crosta do planeta deve ser a correta para que a vida exista. Aqui na Terra, a crosta é fina como um papel. Mas se crosta da Terra fosse um pouco mais espessa, um fenômeno chamado “Reciclagem de Placas Tectônicas” não poderia existir. Nosso mundo é coberto por uma fina crosta terrestre que varia de 5 a 70 km de espessura, e essa crosta é dividida em grandes placas que estão em constante movimento. Isso é necessário para regular a temperatura interior do planeta, reciclar carbono, misturar elementos químicos essenciais para organismos vivos, e para moldar os continentes. A profundidade terrestre precisa ter uma espessura perfeita para a vida existir.

Campo Magnético

Esta profundidade terrestre é importante também para um outro fator. Sob a crosta do nosso planeta, o movimento de ferro líquido cria um campo magnético em torno da Terra. Esse campo magnético protege o nosso planeta de ventos solares. Se o nosso planeta fosse menor, ou o campo magnético mais fraco, esses ventos extirpariam completamente nossa atmosfera.

Oxigênio / Nitrogênio, Atmosfera

Nossa atmosfera é também outro fator importante para sustentar a vida. A forma de vida complexa requer uma atmosfera composta por Oxigênio e Nitrogênio. Quantas vezes você assistiu a um episódio de Star Trek e ouviu eles conversarem sobre a atmosfera ter a capacidade de suportar os personagens principais antes de aterrissarem? Para que seres humanos complexos baseados em carbono possam existir, a atmosfera deve ter a proporção correta de Oxigênio e Nitrogênio e essa atmosfera, obviamente, depende de vários outros fatores que já foram discutidos acima, como a distância do Sol e o campo magnético.

Lua Grande

Para um planeta do tamanho da Terra, nossa lua é extraordinariamente grande. Mas se a nossa Lua não existisse, nem nós existiríamos. Nossa Lua tem ¼ do tamanho da Terra, e como resultado disso Ela tem uma força gravitacional forte que atrai e estabiliza o ângulo de rotação axial para 23 ½ graus. Isso assegura mudanças sazonais relativamente temperadas e o único clima suave do sistema solar capaz de sustentar a vida complexa.

Estrela Perfeita

Somando a tudo isto, para que exista vida em um planeta, ela precisa ter uma estrela como a nossa. A classificação estelar do Sol é do tipo Classe Espectral G2V, e faz parte da sequência principal. Se o nosso Sol fosse menos maciço como 90% das estrelas da galáxia, a órbita da “zona habitável” seria menor e muito mais próxima do Sol. Para permanecer dentro da “zona habitável”nossa Terra precisaria estar muito mais próxima também. Se este fosse o caso, a atração gravitacional do Sol iria parar a órbita do planeta e teríamos um lado quente (sempre de frente para o sol e quente demais para abrigar vida) e um lado frio (sempre de costas para o sol e frio demais para abrigar vida)! O tamanho e tipo de estrela perfeitos são necessários para que a vida exista aqui na Terra!

Em resumo, há um grande número de fatores que são necessários para que exista vida aqui no planeta Terra. Nós apenas vimos 7 desses fatores mas cientistas descobriram em torno de 50. A fim de determinar a probabilidade de existir vida em algum outro lugar no universo, simplesmente precisamos contrapor cada uma dessas condições existentes a outros fatores necessários para existir vida. Se atribuirmos uma fator de probabilidade MUITO modesto à cada condição (digamos na chance de 1 em 10) e multiplicarmos os 20 fatores, a probabilidade resultante de que a vida poderia existir em outro lugar no universo acaba por ser uma chance em 1.000.000.000.000.000 que um mundo com vida como o nosso possa existir.

Os Impossíveis

Agora o problema é que as impossibilidades de haver vida são muito maiores do que o número de estrelas que presumimos existir em todo o universo. Cientistas estimam que existem em torno de 100 bilhões de estrelas no espaço, mas nossa probabilidade modesta diz que há uma chance em 1 quatriliões!  Não há estrelas suficientes para superar a probabilidade! De fato, as possibilidades de nosso mundo ser habitável parecem impossíveis a luz de todos os fatores necessários! Certamente podemos ver a natureza ridícula da probabilidade quando se trata da existência do nosso mundo habitável. As probabilidades são tão pequenas, que a Terra parece ser improvável na melhor das hipóteses.
Em todo o tempo, Deus tem tentado nos dizer essas coisas. Ele tem tentado nos dizer que as probabilidades são impossíveis e desfavoráveis e que somente Ele é a única explicação para a nossa existência. Deus é o criador do universo e o único ser que pode transcender os impossíveis. E Ele criou a Terra de uma maneira especial, única no universo:

Salmos 115:15-16

Sejam vocês abençoados pelo Senhor, que fez os céus e a terra.
Os mais altos céus pertencem ao Senhor, mas a terra Ele a confiou ao homem.

Uma vez que consolidamos a primeira importante questão, “Como chegamos aqui?” A segunda questão deve ser abordada: “Por que estamos aqui?”. A Escritura nos dá a resposta:

Colossenses 1:16-17

Pois nEle foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele. Ele é antes de todas as coisas, e nEle tudo subsiste.

Deus parece estar dizendo que nós fomos (1) criados POR Ele, e (2) criados PARA Ele. Deus diz que Ele, de fato, criou-nos para um propósito e que o propósito era encontrá-lo e conhecê-lo. Mas existe alguma evidência científica de que isso é verdade? Bem, existe sim!

Tudo Isso Começou com o Eclipse Solar

Anos atrás cientistas perceberam algo enquanto assistiam ao eclipse solar. Em um eclipse solar a Lua desliza entre o Sol e a Terra e cobre o Sol na perspectiva da Terra. Isso não acontece em todos os lugares do universo. Para que haja um eclipse solar, a Lua de um mundo precisa necessariamente ser de um tamanho perfeito e distância perfeita do planeta  para que a Estrela-mãe (Sol) encaixe perfeitamente no tamanho da Lua vendo a partir de nossa perspectiva aqui da Terra. Este parece ser o caso aqui na Terra. É apenas um acaso? É possivel que a Lua seja deste tamanho por alguma razão?

Acontece que a nossa capacidade de observar um eclipse solar completo é importante para nossa capacidade de observar o universo e entender suas leis. Por exemplo, em Maio de 1919, um grupo de pesquisa liderado pelo astrônomo britânico Arthur Eddington, foi capaz de fotografar o Sol e estrelas adjacentes durante um eclipse. Quando, mais tarde, examinaram as fotografias, foram capazes de verificar que a gravidade do Sol de fato curvou a luz de estrelas distantes, como nós as vimos no próprio ângulo que Einstein havia predito, portanto, confirmando sua Teoria da Relatividade.

A Receita para Observação

Somando a isso, eclipses solares nos permitiram compreender a natureza química do universo!  Foi durante um eclipse que um fenômeno chamado de “Dispersão da Luz” foi observado pela primeira vez pelos cientistas através de um prisma. Quando isso foi observado pela primeira vez em 1870, finalmente entendemos a estrutura da superfície do Sol (sua cromosfera) baseado nas cores emitidas por cada componente químico do espectro de luz e nós descobrimos o Hélio pela primeira vez. Nós sabemos agora que podemos examinar o espectro de luz de estrelas distante para compreender sua estrutura química e nós nunca seríamos capazes de fazer isso se não fosse pela nossa capacidade de observar nosso próprio Sol durante um eclipse solar. Então, você se lembra quando falamos que existe uma receita perfeita para a vida na Terra? Bem, há sim uma receita perfeita a ser descoberta:

Lua de Tamanho Perfeito

O primeiro elemento necessário é uma Lua de tamanho perfeito que nos permitirá descobrir o espectro de luz e confirmar outras teorias científicas!

O Tipo Certo de Radiação

Mas isso não é tudo o que você precisa para ser capaz de descobrir o universo. Você tem radiação, e o tipo correto de radiação para iniciar! Somos constantemente bombardeados pela radiação de nosso próprio Sol e estrelas de galáxias distantes. Esta radiação atinge nosso planeta numa variedade de comprimentos de onda. Mas somente a radiação visível é utilizável para que possamos existir, e acontece que exatamente essa mesma radiação é a que precisamos para sermos capazes de ver e descobrir o universo!

Atmosfera Fina

Mas, em adição a isto, você precisar ter uma atmosfera como a nossa que não é composta por metais pesados. Você precisa ter uma atmosfera transparente que não está carregada de muito carbono. Nós temos uma atmosfera clara composta apenas com os elementos corretos para ambos: sustentar vida e nos permitir observar e descobrir o universo.

Localização na Galáxia

Há uma outra exigência realmente interessante para a vida e a descoberta. É a nossa localização na galáxia. Vivemos no espaço entre um braço espiral e uma galáxia espiral que chamamos de Via Láctea. Nossa localização é importante. Vivemos a meio caminho do centro desta galáxia e sua borda. Essa galáxia tem muitos perigos inerentes e se estivéssemos um pouco mais perto de seu centro, estaríamos em um lugar muito hostil, cheio de atividade estelar e supernovas e muito próximos do buraco negro que está bem no centro! Existem toneladas de poeiras interestelar e radiação eletromagnética, raios gama e raios-x nesta parte da galáxia. Mas se estivéssemos muito longe do centro e estivéssemos fora do limite da galáxia, nao existiria ferro, magnésio, silício e oxigênio suficientes para criar um mundo como o nosso. Acontece que estamos perfeitamente situados como um sistema solar, nem tão perto e nem tão longe do centro do universo. Além disso, estamos situados em um lugar ENTRE dois braços espirais que nos dão uma visão clara do universo quando não estamos olhando para o cume da borda de nossa galáxia.  Se estivéssemos dentro de algum desses espirais, ou mais perto de áreas da galáxia onde poeira interestelar e estrelas estão mais juntas condensadas, não seríamos capazes de ver o universo como somos capazes de vê-lo hoje!

Bem, podemos verificar que existem uma série de fatores necessários para sermos capazes de observar o universo, e adivinhe; os fatores necessários para observarmos e descobrirmos o universo são exatamente iguais aos fatores necessários para suportar a vida no universo. Isto não é coincidência. Nós fomos especificamente e especialmente colocados aqui para que possamos fazer algo. Nós estamos aqui para descobrir a natureza do universo. Por quê? Porque ao examinarmos o universo, chegaremos à conclusão de que DEUS DE FATO EXISTE!!!

Deus Nos Diz Especificamente Por Que Estamos Aqui?

Deus vem tentado nos dizer isso todo o tempo. Ele nos projetou de uma maneira especial, e tornou possível a vida existir para um propósito especial, para que pudéssemos observar sua criação e descobri-lo pessoalmente:

Jeremias 29: 11-14

…porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês’, diz o Senhor, ‘planos de fazê-los prosperar e não de causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro. Então vocês clamarão a mim, virão orar a mim, e eu os ouvirei. Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração. Eu me deixarei ser encontrado por vocês’, declara o Senhor…

Deus nos deixou mais do que somente a evidência de sua criação. O universo a nossa volta é um meio maravilhoso para descobrirmos a Deus porque este ambiente parece ser tão duradouro e óbvio. Mas há algo que é ainda mais duradouro que o universo que Deus nos deu para compreendermos Sua natureza. É a PALAVRA DE DEUS:

Zacarias 1:2-5

“O Senhor muito se irou contra os seus antepassados. Por isso, diga ao povo: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Voltem para mim, e eu me voltarei para vocês”, diz o Senhor dos Exércitos. “Não sejam como os seus antepassados aos quais os antigos profetas proclamaram: ‘Assim diz o Senhor dos Exércitos: Deixem os seus caminhos e as suas más obras’. Mas ele não me ouviram nem me deram atenção”, declara o Senhor. “Onde estão agora os seus antepassados? E os profetas, acaso vivem eles para sempre?

A Bíblia não é apenas uma obra do homem antigo. É a obra de um Deus Eterno que se revelou para ambos, o homem antigo e o homem moderno. Quanto mais compreendermos a natureza do nosso universo, mais compreenderemos que a Bíblia vem tentando nos dizer sobre Deus o tempo todo. E ela tem sido precisa. Mais e mais, a ciência simplesmente confirma o que vemos nas Escrituras: Nós fomos criados em um lugar especial e para um propósito especial.


Fonte: www.napec.org