domingo, 4 de dezembro de 2016

Os discípulos de Himeneu e Fileto

Poucos leitores da Bíblia estão familiarizados com os dois personagens bíblicos, Himeneu e Fileto, e muito menos com os seus ensinos, os quais Paulo criticou na sua segunda carta a Timóteo (2Tm. 2.16-18). Não é fácil também obtermos informações sobre eles em vários dicionários bíblicos. Leiamos o que dizem os versículos apontados:

“Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade. E a palavra desses roerá como gangrena; entre os quais são Himeneu e Fileto. Os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns”.

Embora Himeneu seja mencionado duas vezes na Bíblia, uma no texto em apreço e outra em 1 Timóteo 1.19-20, Fileto é mencionado uma única vez e pouco sabemos de suas vidas como obreiros e companheiros do apóstolo Paulo.

Três informações colhemos de 2 Timóteo 2.16-18:

1.  a) Se desviaram dá verdade;
2.  b) Afirmavam que a ressurreição era acontecimento do passado;
3.  c) Perverteram a fé de alguns.

Podiam realmente ser enquadrados no que Paulo declarou em 1 Timóteo 4.1: “Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos dias, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios. Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência”.

O nome Himeneu é derivado de Hímen, deus grego do casamento. Himeneu se tornou apóstata do Cristianismo, durante o primeiro século. Na sua apostasia doutrinária, juntamente com um certo Fileto, ensinava doutrinas falsas, e pervertiam a fé de alguns. O ensino falso deles era que a ressurreição já era coisa do passado. Uma pergunta surge: como poderiam afirmar que a ressurreição era já feita se ela realmente não podia ser comprovada por ninguém da época? Contra fatos não há argumentos. Se realmente a ressurreição já ocorrera como um fato, qualquer argumento contra esse fato em nada adiantaria. Entretanto, a explicação desses homens, pervertidos doutrinariamente, era simples: a ressurreição ocorrera apenas simbólica ou espiritualmente. Nada literal. Ora, nós sabemos que a ressurreição espiritual ou simbólica ocorre com os que estão vivos fisicamente e mortos espiritualmente. “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas a pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Efésios 2.1-5).

Como vemos, os mortos espiritualmente, quando recebem a Cristo como Salvador, ressuscitam espiritualmente: “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não das que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Colossenses 3.1-3). Abordando depois a ressurreição dos corpos, literal, e não mais espiritual ou simbólica, continua Paulo: “Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória” (verso 4).

A EXPECTATIVA DOS PRIMITIVOS CRISTÃOS

Podemos afirmar que a grande expectativa dos primitivos cristãos, nos dias de Paulo, era com relação à segunda vinda de Cristo. Esperavam que essa vinda se desse ainda em seus dias. Entretanto, a grande dúvida que tinham era com relação àqueles que tinham morrido antes de se ter dado a segunda vinda de Cristo. Qual a situação deles? Será que esses cristãos falecidos iriam participar da ressurreição por ocasião da vinda de Jesus? Paulo então esclarece: “Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais como os demais, que não tem esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele” (1 Tessalonicenses 4.13-14).

O FATO DA RESSURREIÇÃO DE JESUS

Paulo tomando conhecimento dessa dúvida procura argumentar em favor da ressurreição dos cristãos já mortos e como base fundamental para essa ressurreição estava o fato da própria ressurreição de Cristo. Expõe que testemunhas oculares ainda vivas poderiam atestar o acontecimento da ressurreição de Cristo.

“Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi; que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E que foi visto por Cefas, e depois pelos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos. E por derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um abortivo.” (1 Co 15.3-6) Dessa forma, os cristãos não precisavam alimentar suas dúvidas quanto aos que dormiram no Senhor. É preciso ter presente que a palavra dormir não se refere à alma ou ao espírito, mas ao corpo. O corpo dorme, “E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados.” (Mt 27.52) Assim, ao morrer os espíritos dos cristãos partiam para estar com Cristo (At 7.59; 2 Co 5.6-8; Fp 1.21-23) e os corpos ressuscitariam por ocasião da volta de Jesus (1 Ts 4.14).

OS QUE NEGAVAM A RESSURREIÇÃO DE CRISTO

Havia naqueles dias também falsos mestres que negavam a ressurreição de Jesus. Paulo então estabelece os seguintes pontos: os mortos ressuscitam tendo em vista a ressurreição de Cristo; ou não há ressurreição de mortos, o que implicaria na negação da ressurreição de Cristo, um acontecimento historicamente comprovado:

“Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam” (1 Coríntios 15.12-14). Mas conclui Paulo: “Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem” (1 Coríntios 15.20).
Com base na ressurreição de Cristo, estabelece o que acontecerá por ocasião de Sua vinda: “Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados. Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1 Coríntios 15.51-52).

A RESSURREIÇÃO ERA JÁ PASSADA

À semelhança do ensino de Himeneu e Fileto, que se desviaram da verdade e ensinavam aos seus contemporâneos ter já ocorrido a ressurreição, também hoje encontramos os discípulos desses dois falsos mestres que repetem o mesmo ensino criticado por Paulo. Afirmam que a primeira ressurreição, apontada em Apocalipse 20.4-6, já se deu: “E vi tronos; e assentaram-se sobre eles… e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal nas suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem- aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos”. Essa ressurreição é chamada a primeira em dois sentidos: primeiro no tempo e primeiro na qualidade do corpo ressuscitado, isto é, um corpo glorificado como ocorreu com Jesus (Filipenses 3.20-21).

DATAS DA PRIMEIRA RESSURREIÇÃO

Como a confusão doutrinária é uma característica das Testemunhas de Jeová, que dificilmente sustentam um mesmo ensino por muito tempo, o mesmo ocorre com respeito à data da ocorrência da primeira ressurreição, que, segundo antigo ensino, se deu em 1878 e 1918. Duas datas foram indicadas para essa ressurreição espiritual e simbólica pregada por essa organização religiosa:

1878 – “Por exemplo, foi em 1927 que A Torre de Vigia apontou que os membros fieis do corpo de Cristo que dormiam não foram ressuscitados em 1878 [como certa vez se pensava]” (Anuário das Testemunhas de Jeová de 1976, p. 149-STV).

1918 – “Uma das muitas verdades esclarecedoras que Deus forneceu então às suas testemunhas, referia-se aos membros da nação espiritual de Deus, que já tinham morrido fisicamente. Isto se deu em 1927. Naquele ano, as testemunhas entenderam que os israelitas espirituais falecidos tinham sido ressuscitados em 1918 à vida no céu, junto com Cristo Jesus. Tratava-se, naturalmente, duma ressurreição invisível. Invisível aos olhos humanos, a ressurreição dos membros falecidos da nação espiritual de Deus para a vida celestial deu-se conforme a Bíblia predissera” (Do Paraíso Perdido ao Paraíso Restaurado, p. 192- STV).

Cumpre-se, com as Testemunhas de Jeová, o que Deus falou por meio do profeta Jeremias: “E disse-me o SENHOR: Os profetas profetizam falsamente no meu nome; nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, e adivinhação e o engano do seu coração é o que eles vos profetizam” (Jeremias 14.14). Com que desfaçatez declaram: “Uma das muitas verdades esclarecedoras que Deus forneceu”. Atribuem a Deus a falsa profecia de que os mortos ressuscitaram em 1918, quando já o tinham dito para 1878. Deus não é um “Deus de confusão” (1Coríntios 14.33).

Insistem em afirmar a mesma mentira religiosa: “A partir de 1918, quando um dos últimos da nação espiritual de Deus morre, ele não precisa dormir na morte. Deus o ressuscita na morte para a vida no céu, assim como o apóstolo disse a respeito dos últimos                                   da nação espiritual de Deus, que vivessem depois de 1918: “Nem todos dormiremos na morte, mas todos seremos mudados, num momento, num abrir e fechar de olhos” (Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado, p. 192, edição de 1959, STV).

“Toda a evidência indica que essa ressurreição celestial começou em 1918, após a entronização de Jesus, em 1914” (REVELAÇÃO Seu Grandioso Clímax, p. 103, edição de 1988, STV).

ALGO INQUIETANTE ENTRE AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

A grande pergunta que se deve fazer às Testemunhas de Jeová é: 

Como poderia ter a primeira ressurreição ocorrido em 1878, e depois a mesma ressurreição ter ocorrido em 1918? Por exemplo, a ressurreição de Jesus teve a comprovação de várias pessoas e ainda de estar o seu túmulo vazio:

“Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. E, dizendo isto, mostrou- lhes as mãos e os pés. E, não o crendo eles, ainda por causa da alegria, e estando maravilhados, disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado, e um favo de mel; o que ele tomou e comeu diante deles” (Lucas 24.33-43).

“Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mão, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei. E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco. Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu! Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram” (João 20.25-29).

Mas, qual a prova da primeira ressurreição ter ocorrido em 1878 segundo ensinavam as Testemunhas de Jeová? E por que essa ressurreição não foi comprovada por ninguém? Por que a ressurreição ensinada por elas é estritamente espiritual? A ressurreição ocorreu só na mente das Testemunhas de Jeová, e tanto é assim que a seu bel prazer mudaram a data para 1918. Recorrem à válvula da invisibilidade.

AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ PERVERTEM A FÉ DE MUITOS

No seu afã de sobreviver à Batalha do Armagedom, as Testemunhas de Jeová cumprem rigorosamente o que seu Corpo Governante determina, para que ganhem a vida eterna no paraíso na terra. Devem empregar várias horas por dia para divulgar a mensagem do reino de Jesus estabelecido no céu em 1 de outubro de 1914.

“Contando-se 2.520 anos a partir de princípios de outubro de 607 A. E. C. chegamos a princípios de 1914” (Raciocínios à Base das Escrituras, p. 111).

“A evidência bíblica mostra que no ano de 1914 E.C. o tempo de Deus chegou para Cristo voltar e começar a dominar” (Poderá Viver para Sempre no Paraíso na Terra? p. 147/16).

“A volta de Cristo não significa que ele volta literalmente a esta terra. Antes, significa que assume o poder do Reino com relação a esta terra e volta sua atenção para ela. Ele não precisa deixar seu trono celestial e realmente vir à terra” (Poderá Viver…, p. 147/16).

Nesse trabalho, duas vezes por semana, um grande perigo correm as pessoas, quando recebem em suas casas a visita de duas pessoas que se identificam como Testemunhas de Jeová, e que estão advertindo as pessoas sobre o perigo do Armagedom. Para que possam sobreviver ao Armagedom precisam abandonar sua religião e entrar para a Sociedade Torre de Vigia, a única organização visível de Deus na terra. Agregando-se às Testemunhas de Jeová a liberdade delas está perdida. Assim, a liderança das testemunhas passa a dominar tais pessoas, que se tornam propagadoras dos ensinos heréticos dessa organização, destacando-se que creem na existência de uma classe de pessoas que vai morar no céu, e que já ressuscitou espiritualmente, para morar com Cristo no céu a partir de 1878, posteriormente mudado para 1918. Afastam-se assim da verdade bíblica e pervertem as Escrituras para sua própria perdição. Jesus advertiu sobre o perigo às nossas portas, dizendo: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que veem até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores” (Mateus 7.15). E se cumpre o que declamou Paulo: “Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados” (2 Timóteo 3.13).

A GRAVIDADE DO ENSINO DE HIMENEU E FILETO

Para avaliarmos a gravidade do ensino falso de Himeneu e Fileto, Paulo os entrega a Satanás. Disse Paulo: “Este mandamento te dou, meu filho Timóteo, que, segundo as profecias que houve acerca de ti, milites por elas boa milícia; conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé. E entre esses foram Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar” ( 1 Timóteo 1.18-10).


Pr. Natanael Rinaldi

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

A lógica perversa da imoralidade sexual

Sem uma anatomia do pecado não podemos pregar a graça. Quando nos preocupamos em não ser negativos para agradar o mundo, não podemos dar o primeiro passo para a “boa notícia” do Evangelho.
Paulo começa anunciar o evangelho dando o primeiro passo inevitável, uma anatomia do pecado (Romanos 1.18-32). O pecado é, na sua essência, uma supressão da verdade.

Essa supressão da verdade segue uma progressão lógica:

A rejeição a Deus: Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lhes manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu” - Romanos 1:19-21
A rejeição a Deus leva a adoração da criação: “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” - Romanos 1:22-23 – O homem corruptível passou a ser a medida de todas as coisas.

Em seguida vem a degradação sexual: “Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro” - Romanos 1:24-27
Um sentimento perverso reina em cada homem pelo desprezo da Verdade: “E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm; Estando cheios de toda a iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade”. - Romanos 1:28-29
A família entra em colapso: “Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães”. - Romanos 1:30
Temos então loucura, infidelidade, crueldade e desumanidade: “Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia”. - Romanos 1:31

Depois, há a supressão definitiva da verdade: a promoção descarada dos pecados cometidos por outros: “Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem”. - Romanos 1:32
À primeira vista, porém, essa progressão lógica pode parecer um pouco arbitrária. A imoralidade sexual, por exemplo, realmente leva as pessoas a aprovar a insensibilidade sobre outras pessoas e crueldade?
Essa é uma lógica perversa, o homem finge não vê-la – Muitos defendem a imoralidade sexual e o valor do ser humano – mas isso, na prática, se mostra uma realidade oposta.

Num programa de debates recente, grandes intelectuais da atualidade estavam discutindo as várias revoluções sexuais ocorridas na sociedade ocidental desde o Iluminismo no século XVIII até hoje. Sem perceber, esses intelectuais começaram a dar um tiro no próprio pé do liberalismo sexual que defendiam.
A discussão acabou chegando no ponto em que a “liberdade” sexual geralmente tem um efeito desastroso sobre as crianças. Os intelectuais reconheceram que as crianças sempre são as “vítimas” das revoluções sexuais. Eles afirmaram que as crianças sofrem “emocionalmente” as aventuras sexuais de seus pais, que na verdade, no século XVIII, por exemplo, um grande número de filhos ilegítimos foram expostos a uma existência vil ao serem abandonados para morrer em orfanatos mal equipados onde, sofrimento, abusos, crueldade, morte... eram o comum. Russeau, considerado um dos principais filósofos do iluminismo, encheu esses lugares com um grande número de seus próprios filhos ilegítimos...
Os próprios intelectuais no debate chegaram a conclusão que as revoluções sexuais sempre machucam incontáveis pessoas, destrói a família, leva a insensibilidade  com a vida, como por exemplo o aborto... E tudo isso deriva de uma noção equivocada ocidental de que o sexo é apenas um assunto de interesse privado do indivíduo.
Mas no fim do debate daqueles intelectuais, houve uma mudança rápida de tom. Isso aconteceu porque eles perceberam que estavam indo contra a liberalidade que eles mesmos defendiam. Contra a evidência que eles mesmos mostraram, foram para o lado oposto. Porque eles, na verdade, tinham o propósito de dizer que “revoluções sexuais” eram coisas boas. Então tiveram que dizer no fim que apesar do grande dano feito a sociedade, aos mais fracos como as crianças, a família, a destruição do tecido social... os “revolucionários” sexuais eram louváveis porque promoviam “mudanças” e “alargavam fronteiras”. Eis a declaração final deles contra a própria conclusão lógica que haviam chegado: “Apesar disso tudo acho que a liberdade sexual é melhor do que a repressão sexual”.
Qual é o resumo dessa lógica absurda? É a “liberdade!” O que mais importa, segundo eles, segundo a mentalidade de nossa sociedade hoje, é que temos liberdade para dar curso aos nossos desejos. Liberdade para fazer o que quisermos. Liberdade das normas sociais, e acima de tudo, liberdade para viver como se Deus não existisse. Isso significa que o sofrimento é o preço que achamos justo. As pessoas mais vulneráveis irão sofrer, outros serão terrivelmente afetados, emocionalmente e de todas as formas possíveis, crianças serão abortadas, crianças crescerão sem lar... nossos filhos carregarão ao longo da vida cicatrizes emocionais, crianças serão abandonadas para morrer, a sociedade terá que arcar com o custo social daquilo que diziam ser algo privado e não da conta de ninguém. Mas, assim seja. Esse é o preço da nossa “liberdade”.
Agora vemos que a progressão bíblica é real e não arbitrária. A pergunta se a imoralidade sexual, por exemplo, realmente leva as pessoas a aprovar a insensibilidade sobre outras pessoas e a crueldade, está respondida pelos próprios intelectuais modernos defensores das “revoluções sexuais”.

Agora ouça Paulo novamente:
Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem”. - Romanos 1:30-32


Autor: Josemar Bessa

Fonte; Bereianos

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Crentes em um mundo de descrentes – Parte 2

A besta que surge da terra - Apocalipse 13.11-18

Nos versículos anteriores, vimos João descrevendo a Besta que surge do mar, referindo-se a uma Besta que surge do meio da humanidade. Observamos, que essa Besta que surge do mar se mostra como a perversão completa da humanidade, como se fosse o braço de Satanás. Vimos também que, a primeira Besta parece se referir ao quarto animal que Daniel vê (Dn 7.7), o qual é descrito como uma fusão de um leão, um urso e um leopardo (Ap 13.2).

Com toda essa autoridade que a primeira Besta recebe, ela faz com que o povo a adore, mostrando ser incomparável a qualquer coisa (13.4), pronta para desmoralizar a Deus com suas blasfêmias e perseguição contra o povo de Deus (13.6,7), tendo autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação (13.7), confirmando a perdição da humanidade, pois não adorarão a Deus, mas, sim, a Besta (13.8).

Se, a primeira Besta parece ser a imagem de Satanás, mostrando-se digna de adoração plagiando a Deus, a segunda Besta se coloca como aquele que leva a humanidade a adorar a primeira Besta, como sendo uma falsificação de Cristo. Encorajando a humanidade a buscar a salvação em sistemas humanos, ao invés de buscarem na graça de Deus, em Cristo. Por fim, a segunda Besta vai se levantar de forma inofensiva, mas, ao abrir a boca se revelará e levará muitos para o abismo. A visão que João tem da segunda Besta, a qual é descrita mais à frente como o falso profeta (16.13; 19.20), revela três elementos fundamentais: a sua pessoa (13.11); o seu poder (13.12-14); e o seu programa (13.15-18).

A sua pessoa – 13.11

Vi ainda outra besta emergir da terra; possuía dois chifres...”

Se, para entender o início do capítulo 13, precisamos olhar para Daniel 7, de igual modo, para compreendermos essa última parte, precisamos olhar para Daniel 8. Essa Besta com dois chifres mostra seu poder, mas não igual ao da primeira Besta, que tinha dez chifres.

Ela, a segunda Besta, mostra seu governo maligno, como uma paródia das duas testemunhas, que são os dois candelabros – a igreja. Ou seja, enquanto a igreja proclama que só há salvação em Cristo, a segunda Besta proclamará que a salvação estará na primeira Besta, a qual deve ser digna de adoração.

Ao invés de surgir do mar, essa besta surge da terra como se fosse uma oposição ao céu, ao trono de Deus. Sua mensagem é eivada de mundanismo, a qual massageia o ego do homem, levando-os a adorarem o sistema humano.

“...parecendo dragão, mas falava como dragão.”

Ou seja, é um lobo com pele de cordeiro. Parece ser inofensivo, mas é pura destruição. Os falsos profetas possuem esse estilo. Falam de maneira sorrateira, de forma bonita e agradável. No entanto, sua mensagem se mostra contraria à Palavra de Deus, pois, quem o está usando é Satanás.

E aqueles que derem crédito às suas mentiras, entrarão em terrível julgamento com Deus (Ap 14.9-11).

O seu poder – 13.12-14

Exerce toda a autoridade da primeira besta na sua presença. Faz com que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta, cuja ferida mortal foi curada” (v.12).

A segunda besta não é uma contradição da primeira, mas, um complemento. Ela faz uma propaganda da primeira besta, lembrando que a ferida mortal da primeira Besta foi curada. Porém, a segunda Besta não quer plagiar a Cristo ou ao Espírito Santo, somente. Pois, percebam, ela quer agir igual a Cristo, sendo a mediadora entre a humanidade e a primeira Besta; e quer agir como o Espirito Santo, convencendo o mundo de que a primeira Besta deve ser adorada.

Também opera grandes sinais, de maneira que até fogo do céu faz descer à terra, diante dos homens. Seduz os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar diante da besta, dizendo aos que habitam sobre a terra que façam uma imagem à besta, àquela que, ferida à espada, sobreviveu” (vv. 13-14)

As ações da Besta parecem ser ecos irônicos, primeiro de Moisés com grandes sinais (como a igreja também é descrita em Ap 11), e, depois, com Elias, ao dizer que fazia descer fogo do céu como uma demonstração profética, mas aqui será um falso profeta.

Infelizmente, o povo é levado a acreditar em todo e qualquer tipo de sinais e maravilhas. E, esses sinais, serão o meio pelo qual a segunda Besta seduzirá o povo e os desafiará para que façam uma imagem em honra para a Besta, pois tinha sido ferida e foi curada.

No entanto, precisamos entender uma coisa. Os milagres que a Bíblia relata que os apóstolos fizeram, bem como Moisés/Josué e Elias/Eliseu, foram para confirmar o que estava sendo transmitido. Quando Moisés/Josué fizeram milagres extraordinários, foi para confirmar a validade daquilo que eles estavam trazendo ao povo: a Lei. Da mesma forma, Elias/Eliseu, os quais representam a classe dos profetas. E assim, Cristo e os apóstolos. Eles estavam trazendo as boas novas de salvação da Nova Aliança.

Contudo, alguém dirá: “mas a besta fará milagres para validar a sua mensagem também, e agora?”. Nós cremos que Deus faz milagres, pois, Ele controla todas as coisas. No entanto, se cremos na Escritura, saberemos que não haverá nenhuma nova revelação e muito menos alguém que tome o lugar de Cristo.

“...e lhe foi dado comunicar fôlego à imagem da Besta, para que não só a imagem falasse, como ainda fizesse morrer quantos não adorassem a imagem da besta.” (v.15)

Mas, a segunda besta é audaciosa. Quando olhamos para algumas advertências do Antigo Testamento, vemos Deus mostrando que os ídolos nada são, pois, têm boca, mas não falam. Têm pés, mas não andam e som algum saí de sua garganta (cf. Sl 115.1-8). No entanto, a imagem dessa besta terá fôlego para que possa se comunicar. Deus permitirá que isso aconteça para mostrar como estará a humanidade antes da volta do Seu Filho, pois, o próprio Salmo 115.8, nos diz que todos quantos adoram uma imagem tornam-se semelhantes a ela.

Seu programa – 13.16-18

A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhe seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome. Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis.”  (vv.16-18)

De modo que, a humanidade está, e estará, ainda mais cega nesses últimos dias, a imagem da besta que terá fôlego para que possa se comunicar com o povo, também matará aqueles que não a adorarem. No entanto, todos que lhe prestarem culto receberão a marca da besta.

Diversas interpretações foram dadas ao que seria essa marca. Alguns cristãos, fazendo a somatória dos valores numéricos das letras, entendiam que o número 666 simbolizava Nero, Napoleão, Hitler, entre outros. Há algumas décadas, afirmava-se que essa marca seria o código de barra, pois, havia um valor numérico escondido e sem aquele código ninguém compraria nada. Outros, anos depois, entendiam que a marca da besta era o cartão de crédito, pois, com a mão você manuseava o cartão e na mente você gravava a senha. E, por fim, hoje em dia é dito que a marca da besta é um microchip, implantado na mão, o qual irá conter todos os nossos dados, e com esse chip implantado poderemos ou não, comprar ou vender algo.

No entanto, essas interpretações não possuem fundamentação bíblica. Como mostra-nos o capítulo, a Besta quer falsificar, plagiar a Deus. Ou seja, ela copia a Deus, mas o copia de forma distorcida. E a Marca não é diferente. Na Lei, lemos que Deus a atará, a qual servirá como um sinal, nas mãos e entre os olhos. Ou seja, tudo aquilo que eu faço e tudo aquilo que eu penso, deve refletir a Lei de Deus. Assim sendo, a marca de Cristo é viver de conformidade com a Lei de Deus. Não obstante, a marca da besta é contrária a marca de Deus. Se a marca de Deus é viver em santidade, a marca da besta é viver em impiedade. Por isso que é o número 666. Enquanto Deus faz tudo perfeito, e essa perfeição é descrita pelo número 7, o número da besta é 6 porque é imperfeito, logo, é número de homem e não do Deus perfeito.

Portanto, o número da Besta não se refere ao anticristo em si, mas creio que, na verdade, se refira ao seu programa (de como ele conduzirá as coisas). Ou seja, como diz o texto - não poderemos comprar ou vender sem a marca -, o povo de Deus será excluído do convívio da sociedade.

Conclusão

Antes da volta de Cristo, a igreja não somente passará por uma perseguição física, como também por uma perseguição ideológica, sendo tentada, por todos os lados, a negar a Cristo.

Aplicação

Não devemos temer qualquer tecnologia que surja, conjecturando ser a marca da besta. A marca da besta é oposta a marca de Deus. Se nós temos o selo do Espirito, garantindo que pertencemos a Deus, estaremos para sempre com Cristo. A marca da besta garante que tal pessoa pertence ao Diabo. A marca de Deus é demonstrada por nossa vida de total confiança em Cristo e na sua obra. Aqueles que possuem a marca da besta confiarão no Diabo e em suas obras.

Quem nossas obras têm refletido? Em quem mais colocamos a nossa confiança? 


Autor: Denis Monteiro
Revisão: Malvina Oliveira

Fonte: Bereianos

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Crentes em um mundo de descrentes – Parte 1

A Besta que surge do mar - Apocalipse 13.1-10
Como ser crente em um mundo de descrentes? Como viver piedosamente enquanto tudo em nossa volta tenta fazer com que neguemos o nome de Cristo? Viver em santidade neste mundo é um grande desafio para o salvo. Alguns, por não entenderem quem é Deus, amenizam o tema “santidade” diminuindo a nossa exigência, enquanto outros, abrandam o caráter de Deus, colocando-O como um ser amoroso no sentido de que, Ele ignora nossos erros, ou seja, “faz vista grossa”.

Porém, não é essa a visão bíblica, tampouco a do livro de Apocalipse. Apocalipse exige que sejamos santos em meio às perseguições, para que testemunhemos de Cristo até que Ele volte. No entanto, o Dragão, a Serpente enganadora, Satanás, continuará a perseguir, tentando inutilizar e difamar a igreja. E, como mostra este capítulo, ele conseguirá vencer a igreja, mas será tarde. Pois, a Igreja terá cumprido com seu oficio, e quando ele conseguir vencê-la,  é porque sua derrota final está próxima.
Contexto

É isso que João quer mostrar neste capítulo. No capítulo 12, ele nos diz que o Dragão tenta perseguir a Cristo, mas perde e é expulso do céu. Na terra, ele tenta perseguir a Igreja, mas, não consegue, pois, Deus provê sempre um escape para seu povo.

Agora, no capítulo 13, o texto mostra que não será o Dragão quem perseguirá a igreja diretamente, mas haverá um agente que fará o serviço.
Vimos também que, para interpretar o livro de Apocalipse, precisamos olhar para o Antigo Testamento. Por exemplo, o capítulo 12 mostra sua similaridade com Gênesis 3, com a Serpente que persegue o Filho da mulher, sendo vencida e, persegue também os descendentes da mulher sem nenhum sucesso. Já o capítulo 13, indica-nos uma repetição de Daniel 7.1-8, onde lemos sobre três animais poderosos, cada um com sua descrição, e mostra-nos também um quarto animal, o qual Daniel não identifica, mas, era espantoso, com dez chifres e de sua boca saiam insolências (a mesma referência de Apocalipse 13).  Portanto, podemos entender esses dez versículos de Apocalipse 13 da seguinte forma: A descrição da Besta (13.1-4); A atuação da Besta (13.5-8) e A advertência para a Igreja (13.9,10).
A descrição da Besta – 13.1-4
Se, no capítulo 12 o Dragão persegue a Igreja e não tem êxito, no capítulo 13, o Dragão comissiona alguém para que persiga a igreja. Esse ser que está para perseguir a Igreja é descrito como igual ao Dragão do capítulo 12. Ambos possuem “dez chifres” (que simbolizam poder), e “sete diademas” (12.3; 13.2). A besta é tão impressionante quanto o Dragão. Se prestarmos cuidadosa atenção, João retrata a Besta como se fosse a imagem do Dragão, um tipo de "plágio" de Deus, no tocante a criação do homem à sua imagem. Enquanto o homem foi criado para refletir o caráter de Deus, a Besta, de igual modo, foi levantada para que refletisse a corrupção do Dragão.

A imitação que a Besta quer fazer de Cristo não para por aí. Ela é descrita como tendo dez coroas sobre os chifres, Cristo é descrito como tendo muitas coroas (19.12). A Besta tem “nomes de blasfêmias”, Cristo tem nomes dignos (19.12,13,16). A Besta experimenta uma falsa ressurreição. O texto mostra que, em uma de suas cabeças (v.3), ela tinha uma ferida de morte que, no entanto, foi curada. Diferente de Cristo, que, provou a morte e ressuscitou dentre os mortos. E, assim como Cristo é adorado (5.8-10), a Beste é adorada (v.4), copiando até o cântico proferido por Moisés após passarem o Mar Vermelho, fugindo das garras de Faraó (Ap 13.4; cf. Êx 15.11).
João, mostra-nos aqui, que os quatros animais que Daniel vê resumem-se em apenas um. No livro de Daniel, esses três animais são compreendidos como representando os três reinos. O Leão com asas pode ser a Babilônia, pois as imagens antigas das cidades mostram um Leão com asas.  O Urso pode ser entendido como o império Medo-Persa e o Leopardo como o império Grego. E o quarto animal, a que império se refere?
Creio, que o animal que João vê, seja o quarto animal que Daniel viu. Ambos surgem do mar, têm dez chifres e sete diademas (coroas). Contudo, aqui não há a possibilidade de interpretar literalmente.
Alguns entendem que, se os outros animais representam os reinos antes de Cristo, esse animal que João vê representa o reino atual da época em que João escreve, o Romano. E, desse modo, entendiam que “mar” fizesse uma referência às navegações Romanas. Entretanto, não entendo que seja só o império Romano, mas, todos os Governos que vieram e virão, que negam a Cristo e limitam a atuação da Igreja. E aqui podemos entender o “mar” como uma referência às pessoas. Basta olharmos para a época de Daniel. Eles foram forçados a adorarem a imagem do imperador, por se recusarem veementemente foram lançados na fornalha, e Daniel foi preso porque estava orando. Percebam, a oposição surge do meio do povo tanto como um sistema, como descrito aqui, quanto como um falso profeta, descrito em Ap 13.11-18.

Assim será antes da volta de Cristo. Satanás fará oposição à igreja como fez a Daniel, proibindo que Deus seja adorado, mas, que a Besta seja adorada no lugar de Deus e aqueles que não a adorarem serão mortos.
Porém, alguém poderá dizer: “Eu nunca me prostrarei diante de outra pessoa ou alguma imagem, substituindo a Jesus”. Ocorre que, existe outro meio pelo qual Satanás poderá atuar e, está atuando, para que substituamos a glória de Deus. Nós somos tentados a olhar para o Estado como um Estado messiânico, um Estado libertador dos males da sociedade. Temos a tendência de colocarmos a nossa confiança em políticos e ideologias que resolverão o problema da economia, da saúde e até mesmo espirituais. Uns, lutam para que o Estado governe tudo e tome até decisões mínimas para o povo, como por exemplo, usar uma lâmpada. Enquanto outros, lutam tanto por uma democracia, que, para tudo o que fazem necessitam, de igual modo, consultá-la para certificar-se se é correto ou não.
Portanto, essa imagem de idolatria é muito sutil, e Satanás intenta falsificar a Deus. Uma das formas pelas quais Satanás quer falsificar a Deus, é por meio de sua atuação.

A atuação da Besta - 13.5-8
Pela quarta vez, João repete que a Besta recebeu algo, e ela o recebe por meio do Dragão. O que ela recebe, ela usa contra Deus e contra o povo de Deus. Contra Deus ela difama, blasfema. Se, anteriormente ela pretendia imitar a Deus, aqui, ela quer desmoralizar a Deus e o Seu povo que irá morar no céu.
No entanto, o mesmo Deus que dá folego a todos, também restringe o poder da Besta durante esses 42 meses. Nesta última semana, que são os mil duzentos e sessenta dias, a Besta perseguirá a igreja e vencerá tendo autoridade sobre cada espaço desta terra.
Não obstante, quando a Besta conseguir vencer a igreja, é porque a Igreja conseguiu cumprir com seu propósito de anunciar o Evangelho da salvação a todos os povos, e fazer com que os eleitos sejam atraídos por Deus.

Mas, infelizmente, aqueles que não estavam no Livro da Vida desde a fundação do mundo, crerão na mentira e se unirão à Besta para pelejar contra Cristo e sua Igreja, como diz Paulo: “o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus” (2Ts 2.4). No entanto, esse engano não será no futuro somente, mas, já começou. Paulo disse que o mistério da iniquidade já opera (2Ts 2.7) e que, “quando ele vier aparecerá segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais e prodígios da mentira” (2Ts 2.9). Se o poder que a Besta recebe vem do Dragão, os prodígios mentirosos que ela faz, é Deus quem permite, para que aqueles que negaram a verdade creiam na mentira (2Ts 2.11).
Mesmo em meio a perseguição, Deus nunca deixa seu povo desamparado, sem resposta, pois Deus adverte a sua igreja.

A advertência para a Igreja – Ap 13.9,10
Deus usa a mesma frase utilizada no final de cada carta às sete igrejas: “quem tem ouvidos, ouça”, asseverando que devemos estar atentos ao que fora dito antes e no que está porvir. João mostra à Igreja que o sofrimento é certo, mas, que ela não deve temer, antes, deve colocar toda a sua confiança no Deus que vingará seu povo. Enquanto isso, a Igreja deve mostrar-se firme diante das perseguições.

Conclusão 


Viver neste mundo mal sempre será um desafio para o Cristão, para que não se corrompa com ele. E será este mesmo mundo que o Diabo usará para perseguir o povo de Deus. No entanto, Deus deixará o seu povo aqui para que testemunhe de Cristo até a sua volta.
Aplicação 

Se Deus adverte a igreja para ouvir atentamente a Sua mensagem sobre a maldade que há no mundo, a qual pode fazer com que me afaste de Deus, como eu posso ter certeza da minha salvação ante a perseguição? Desde o capítulo 12, João quer mostrar que a nossa vitória só é certa porque Cristo venceu. E essa mensagem vem desde o Antigo Testamento. O Salmo 15 questiona: “quem habitará no seu tabernáculo?”  e “quem há de morar no teu santo monte?”, a resposta é clara: “Aquele que vive em integridade”. Contudo, sabemos que diariamente pecamos, e, se pecamos diariamente, como podemos ser justos para sermos recompensados? O Salmos 24 nos faz a mesma pergunta do Salmo 15, afirmando-nos que alguém deverá ser integro para habitar com Deus. A cena muda e mostra que houve um homem que foi integro em toda sua vida, que morreu e ressuscitou para que possamos ter a garantia de nossa salvação. Portanto, mesmo que a igreja seja vencida fisicamente, Satanás nunca derrotará a igreja espiritualmente, ele não pode mais nos acusar, porque é Deus quem nos justifica.
No entanto, como mostrei acima, o versículo 10a – se alguém leva para cativeiro, para cativeiro vai – é uma paráfrase de Jeremias 15. Se a perseguição contra o cristão serve como um meio de perseverança, a perseguição para aqueles que estão na igreja, porém, não são salvos, servirá para que se manifestem como aqueles que nunca pertenceram ao corpo de Cristo.
Somente unidos com Cristo podemos desfrutar de sua vitória e de seus benefícios. Sem Cristo, o destino é perdição eterna. 

Autor: Denis Monteiro
Revisão: Malvina Oliveira

Fonte: Bereianos

sábado, 26 de novembro de 2016

Evangelizando as Testemunhas de Jeová: O Nome de Deus - (artigo expandido)

1 – O NOME DE DEUS
‘Qual é o nome de Deus ?’ Essa é uma das perguntas que as Testemunhas de Jeová mais gostam de fazer no trabalho de distribuição de publicações. Após essa indagação, a Testemunha de Jeová (TJ) geralmente lê o Salmo 83.18 para o morador. Nessa introdução o TJ aproveita, geralmente, da tradução Almeida Revista e Corrigida, para mostrar na Bíblia da própria pessoa que o nome de Deus é “Jeová”. Logo, concluem eles, a religião ‘Testemunha de Jeová’ seria uma representação fiel do próprio Deus. Desenvolvendo ainda mais esse assunto, o TJ levaria o morador a ler Mateus 6.9, ou mesmo recitar a oração do Pai-Nosso. No trecho que a oração diz ‘santificado seja o Teu nome’ o TJ inferiria a conclusão; ‘esse nome é Jeová !’. Para título de promoção religiosa, o TJ terminaria com Atos 15.14, onde é dito que Deus tiraria ‘um povo para o Seu nome’. Talvez milhões de pessoas, se tornaram adeptos da religião ‘Testemunhas de Jeová’ por essa simples abordagem. Essa é uma doutrina peculiar e distintiva da religião, por isso eles trabalham bem o tema:

“O que está errado é deixar de usar o nome. Por quê? Porque os que não o usam não poderiam ser identificados com os que Deus toma como “povo para seu nome”.” (A Verdade que conduz a vida eterna, p.18).

“Quem, então, atualmente trata o nome de Deus como santo e o torna conhecido em toda a terra? As religiões em geral evitam o uso do nome Jeová. Algumas até mesmo o tiraram de suas traduções da Bíblia. [...] Existe apenas um povo que realmente segue o exemplo de Jesus neste respeito. [...] de modo que adotaram o nome bíblico “Testemunhas de Jeová”. (Poderá Viver para sempre, p. 185).

“O nome impar de Deus, Jeová, serve para diferenciá-lo de todos os outros deuses [...] o nome Jeová tem um rico significado. Invocar a Jeová como seu Deus e Libertador pode conduzi-lo a infindável felicidade.” (Conhecimento que conduz a vida eterna, pp. 25,27).

“A verdade é que o nome de Deus aparece milhares de vezes nos manuscritos bíblicos antigos. Portanto, Jeová deseja que você saiba qual é o nome dele e que o use.” (Bíblia Ensina, pp. 13,14).
  
Sem dúvida alguma esse tema é a base de sustentação da religião das Testemunhas de Jeová desde o ano de 1931. Antes a religião TJ era conhecida apenas como ‘Estudantes da Bíblia’ (Testemunhas de Jeová - Proclamadores do Reino de Deus, pp. 151-156; As Testemunhas de Jeová, unidas em fazer mundialmente a vontade de Deus, p.10), e no geral, a concepção que eles tinham do nome de Deus até então, não era muito diferente das igrejas protestantes. Três exemplos em suas publicações podem confirmar essa informação.

“A Bíblia demonstra que o nome de quem exerce poder supremo na criação e em todas as coisas, é Deus. Ele tem também outros nomes que se encontram na Bíblia, todos os quais tem um significado profundo acerca do seu propósito para com as suas criaturas.” (Criação, p. 10)

“O nome Deus quer dizer o Altíssimo, o criador de todas as coisas. O nome Jeová significa os propósitos do Eterno para com as suas criaturas. O nome Deus todo-poderoso quer dizer que seu poder é ilimitado. O nome Altíssimo dá entender que ele é o Supremo e que além dele não existe nenhum outro E o nome Pai quer dizer o Doador da vida.” (Riquezas, p.135).

“O criador é imortal. De eternidade a eternidade, e o nome dele é Deus(Salmo 90.2; 1Timoteo 6.15,16). Deus criou o céu e aterra. ( Gênesis 1:1). Deus significa o “Todo-Poderoso”. Ele revela-se a si mesmo, como a saber: “ Deus Todo-Poderoso”, que significa aquele cujo poder é ilimitado; “Senhor”, significando supremo Governador; “ Jeová” significando seu propósito para com suas criaturas; “ Pai” ”, significando doador de vida; “ Altíssimo” , o que é sobre tudo.” (Inimigos, p. 22).

Embora esse ensino dentro da própria literatura da religião TJ possa ser muito embaraçoso para uma mente inquiridora, os adeptos da seita TJ estão condicionados a ver isso como uma evolução rumo à verdade. A única coisa que deixa-os embaraçado nessa diminuição do problema é que, o que hoje eles condenam em outras religião como ‘mentira do diabo’, foi ensinado por eles por mais de 60 anos, como ficou provado acima !

Mas como podemos mostrar ao TJ que a concepção ensinada a ele, como passaporte para salvação, está equivocada? Faça a seguinte pergunta:

1º) Se o uso do nome Jeová é um requisito para salvação, por que esse nome não aparece em nenhum dos quase 6000 manuscritos do Novo Testamento ?

Ao fazer essa pergunta, será bom saber se o TJ acha que antes de 1931 os Estudantes da Bíblia (antigo nome das Testemunhas de Jeová) morreram sem salvação, pois somente desde o ano de 1931 é que eles passaram a ter essa doutrina!?

Muitos adeptos tem lido erroneamente o que a própria Liderança TJ tem mostrado em sua literatura, e geram uma argumentação do tipo: ‘Foram os tradutores que tiraram da bíblia o nome de Deus!’ Você deverá enfatizar que o Novo Testamento possui milhares de cópias e nenhuma daquelas cópias tem qualquer uso do nome de Deus.

“[...] nenhum antigo manuscrito grego dos livros de Mateus a Revelação hoje disponível contém o nome de Deus por extenso.” (O Nome Divino, p.23).

Isso deverá constituir um empasse muito sério. Pois se o Novo Testamento não testemunha a favor da principal doutrina da religião TJ, ela está ‘malhando com ferro frio’ e criando expectativas falsas em um fundamento ilegítimo.

Se o TJ tiver a correta concepção desse assunto, exposta pela liderança TJ, ele responderá :“Os manuscritos hoje existentes foram adulterados logo no inicio do segundo século.” Peça a ele alguma prova para essa acusação. Caso cite um estudioso George Howard (Tradução do Novo Mundo com Referências, p. 1504) diga ao TJ que naquele artigo o professor George afirmou ser uma ‘tese’, e que alguns anos depois ele mesmo abandonou-a, dizendo:

"As Testemunhas de Jeová foram longe demais com meus artigos. Eu não apoio as teorias delas.”


“http://testemunha.orgfree.com/nome.htm#Conspiração”

A Liderança TJ nega em uma nota no apêndice da ‘Tradução do Novo Mundo com Referência’ que se tratava de uma tese, contrariando o próprio autor que afirmou ser uma tese. Visto que foi encontrado MSS do Velho Testamento, que datam do primeiro século, deduzem eles, que Jesus e os apóstolos devem ter usado, nos escritos, o nome de Divino. Embora alguns manuscritos da LXX contenham o nome na forma hebraica, isso não prova em nada, que por causa desses os autores do NT tenham usado! A Tradução do Novo Mundo com Referências, de 1986 lista uma quantia de 10 manuscritos, e conclui assim:

“Estes dez fragmentos de manuscritos indicam que os tradutores do texto hebraico para o grego usavam o nome divino onde ocorria no texto hebraico.” (p.1504).

Ou seja, a liderança TJ possui provas que algumas traduções do VT para grego, a versão LXX, continha o nome divino, com uma quantia de 1500 MSS (Provas Documentais, p.175), então ela conclui o que não pode ser encontrado em quase 6.000 MSS do Novo Testamento!!! Com esse tipo argumento, baseado em provas e contra provas, podemos chegar à conclusão a qualquer coisa...

Além disso, a nova versão da Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, de 2014, trás uma afirmação em relação à preservação do texto fidedigno, que serve para seus interesses proselitistas, perceba:

“(1) Os manuscritos gregos que temos hoje não são originais. A maioria dos milhares de cópias existentes foi produzida pelo menos dois séculos depois de os originais terem sido escritos. (2) nessa época, os que copiavam os manuscritos substituíam o Tetragrama por Kyrios, palavra grega para “Senhor”, ou copiavam de manuscritos onde isso já tinha sido feito.” (Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada – Apêndice 5, p. 1800).

Deve ser lembrado ao TJ o seguinte; que se ele acredita que a Bíblia é a Palavra de Deus, e se essa palavra foi preservada fiel. Note o contrassenso do que foi escrito anteriormente em relação a esse assunto, da preservação da Escritura. A Liderança TJ afirmou:

“hoje temos um texto [do NT] autêntico e fidedigno” (Estudo Perspicaz, Vol. 2, pg. 757).

“Qual é, então, a avaliação fundamental quanto à integridade e à autenticidade textual, após esses muitos séculos de transmissão? Não só existem milhares de manuscritos para se comparar, mas as descobertas de manuscritos mais antigos da Bíblia durante as últimas décadas fazem remontar o texto grego a uma data tão antiga quanto por volta do ano 125 EC, somente duas décadas depois da morte do apóstolo João, que ocorreu em 100 EC, mais ou menos. As evidências provenientes desses manuscritos fornecem forte garantia de que temos hoje um texto grego fidedigno, em forma acurada.” (Toda Escritura, p. 319).

A Liderança TJ, quando para defender o uso do nome Jeová no texto do Novo Testamento, lança mão da dúvida da preservação e confiabilidade do texto grego. Mas, por outro, lado contrariando a isso, diz que o texto é fidedigno! Uma forma dissimulada, com uma confecção dissimulada.

O próprio Deus não protegeu a transmissão do texto, perdendo-se uma importantíssima doutrina. Duas conclusões conflitantes: A) Ou o uso do nome de Deus, conforme destacado pela Liderança TJ, não tem apoio neotestamentário comprovado, ou B) o que temos em matéria de manuscritos está longe da verdade, estamos sem orientação. Ambas as opções ele não aceitará, mas ambas alternativas são decorrentes dos fatos que a Liderança TJ apresenta.

Nós cristãos aceitamos que Deus preservou a Sua verdade nos manuscritos existentes. E ele mesmo, não manteve o uso do nome divino, tão recorrente no VT, presente no NT na linguagem prevalecente dos autores do NT. A doutrina da preservação da Escritura entende-se a tudo que é necessário para a salvação e edificação da Igreja, está contido e preservado nas páginas da Bíblia, não faltando nada (II Tm 3.15-17).

Ainda nesse tema pergunte ao TJ :

2) Por que a ênfase no uso do nome ‘Jeová’ sendo que se sabe que tal forma do nome de Deus é errônea !?

Deve-se esclarecer que a forma do nome de Deus, “Jeová” é hibrida, onde tentou-se combinar as letras vogais da palavra em hebraico Adonay, com as quatro consoantes do nome divino, ao que surgiu Jeová (Dicionário Bíblico, John L. McKenzie, p.231; Introdução ao Antigo Testamento, p. 764, nota 13). Com uma insignificante possibilidade de ter qualquer ligação com o nome divino, nem mesmo, uma adequação legítima de uma pronúncia exata para outro dialeto (Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, vol 1, pp. 559,560). De fato, a forma do nome divino Jeová, no período bíblico, é “um termo que na verdade nunca existiu” (Quem é Quem na Bíblia Sagrada, p.598).

“Provavelmente a forma Yahweh (em português geralmente transliterado e pronunciado Javé) seja o mais próximo que poderemos chegar da pronúncia original. A forma tradicional Jeová não pode estar certa, pois simplesmente reflete a prática dos escribas judeus de sobrepor os sinais das vogais, de ‘Adonay às consoantes Y-H-W-H [...]” (Comentário Bíblico NVI – Antigo e Novo Testamento, pp. 217,218).

Essa forma de traduzir o nome de Deus está perpetuado mais pela tradição do que por pesquisas linguísticas atuais. Vale lembrar que a tradição protestante, desde seus Reformadores, depois pelas traduções protestantes tradicionais, usaram de forma muito mais abundante o nome Jeová, do que vemos hoje no arraial protestante. A religião da Torre de Vigia, porém, como vimos, faz disso um sinal da religião verdadeira. O que agora deve ser destacado, é que apesar de não termos nada contra o uso da forma “Jeová”, essa insistência está construída sobre um aspecto muito incerto.

Veja o que a Liderança TJ já admitiu a respeito:

“Na Bíblia Hebraica o nome de Deus é representado pelas quatro letras ... correspondendo a YHWH. Séculos antes da rebelião protestante contra a autoridade religiosa dos papas de Roma no século dezesseis, os clérigos católicos romanos pronunciavam Ieová a combinação sagrada das quatro letras... Todas as evidencias disponíveis indicam que foram os clérigos católicos romanos que introduziram a pronúncia. Dizia a Enciclopédia Americana no Volume 16, páginas 8,9 (edição de 1929):  A tradução de “Jeová” remonta aos princípios da Idade Média e até recentemente se dizia que ela foi inventada por Peter Gallantin (1518), confessor do papa Leão X. Escritos modernos, entretanto, atribuem-na a uma data mais antiga, segundo se acha no “PugeoFidei” de Raymond Martin (1270). Isto se deu porque hebraístas cristãos consideravam superstição substituir o nome divino por qualquer outra palavra... – Raimundo Martim (ou Raymundus Martini) foi um monge espanhol da Ordem Dominiciana.” (Santificado Seja teu Nome, pp. 18,19).

Deve ser bem enfatizado essa informação ao TJ que estiver sendo evangelizando. Essa doutrina é a pedra fundamental dessa religião, se ela for corretamente exposta, a estrutura que domina a alma e a mente do TJ terá sido seriamente abalada. As Testemunhas de Jeová são ensinadas a terem resistência a qualquer coisa que tenha influencia da tradição cristã antiga, especialmente católica, ou mesmo protestante, já que tais sistemas são filhas de Babilônia, ‘o império da religião fala do Apocalipse’!

3) Se a forma Iavé ou Javé é a mais provável, sendo Jeová uma mera tradição (até mesmo com um certo grau de erro) por que não usar Javé?

A Liderança TJ responde de uma maneira bem diferente de sua insistência em usar o nome. A insistência é que use sistematicamente o nome, mas a busca pela exatidão do nome não recebe nenhum interesse acurado:

“A pronuncia Iavé talvez seja a mais correta, mas a forma latinizada Jeová continua a ser usada porque é a forma mais comumente aceita de tradução em português do Tetragrama [...]” (Toda Escritura [edição de 1966], p. 318).

O ponto vital não é de que maneira deve pronunciar o Nome Divino, que “Javé”, “Jeová”, quer de outra forma, desde que a pronúncia seja comum no seu idioma.”(A Verdade que conduz a vida eterna, p.18).

“A forma Iavé é geralmente preferida pelos hebraístas, mas não é possível saber atualmente a pronuncia correta. Assim a forma latinizada Jeová continua a ser empregada por estar em uso a séculos e por ser a forma mais comumente aceita da tradução em português do Tetragrama[...]” (Toda Escritura [edição de 1990], p. 327).

“Então, por que esta tradução usa a forma “Jeová” do nome divino? Porque essa forma tem uma longa história em português.”(Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada – Apêndice 4, p. 1798).

Em outras palavras, uma acomodação tradicional. Devemos dizer que não temos nada contra uma tradição. De fato, nada que condene as pessoas por usar o nome Jeová , mas essa forma foi superada por pesquisas mais recentes. A coluna central da religião da Torre de Vigia, está assim, sobre um fundamento sem sustentação.

Algumas Testemunhas são mais desprendidas ao dar respostas, pode ser que ele , por uma mera questão de rótulo, concorde com você, e tente reverter a situação argumentando que ‘se é Javé, a forma correta, por que os protestantes vocês não usam ?’ Mas lembre-se que é ele que ensina a necessidade do uso do nome de Deus para ser salvo, não você. Não que estamos negando algum ensino bíblico. Mas o ponto nevrálgico está num uso religioso que seria o passaporte para salvação, que os Lideres TJ tem enfatizado desde 1931.

Segundo, se ele concordou, mesmo que superficialmente, agora ele deve refletir na próxima pergunta:

4) Se uma Testemunha de Jeová decidir usar a forma Javé, no Salão do Reino, em seu trabalho de casa em casa, ou adotar um versão da Bíblia que use essa forma do nome divino, ela sofrerá represarias?

Por mais que ele tente enfraquecer a questão, não existe nenhum TJ no mundo que faria isso, pois a uniformidade é imposta sob a ameaça de expulsão. Nos quase 90 anos, desde 1931, religião da Torre de Vigia já imprimiu essa uniformidade na sua existência, e na mentalidade de seus adeptos, e jamais haverá uma mudança nesse ponto. Certa vez uma Testemunha de Jeová me disse: “o nome de Javé não identifica o povo de Jeová, são os católicos que usam.” Pobre credulidade.

A razão disso é que as seitas tem uma necessidade de serem diferentes e de exclusivismo, e como se percebe, essa sensação é extraída de práticas e doutrinas peculiares:

“Se alguém lhe falasse sobre o Deus da Bíblia e usasse o nome Jeová, com que grupo religioso você o associaria? Existe um só grupo no mundo que usa o nome de Deus regularmente em sua adoração, como fizeram Seus adoradores dos tempos antigos. São as Testemunhas de Jeová.” (O Nome Divino que durará para sempre, p. 30).

“[...] seu povo na terminação do sistema de coisas, dedicado a divulgar o nome e o propósito dele, devia corretamente ser chamado de Testemunhas de Jeová. Este nome distingue devidamente os verdadeiros adoradores cristãos de jeová de todos os outros que hoje afirmam ser cristãos.” (As Testemunhas de Jeová, unidas em fazer mundialmente a vontade de Deus, p.11).

“Qualquer pessoa que testemunhe publicamente sobre Jeová é geralmente identificada como pertencente ao grupo indiviso – “Testemunhas de Jeová”. (Raciocínios a Base das Escrituras, p. 384).

Desta forma, jamais uma Testemunha de Jeová, fará uso do nome de Deus, Javé, por uma questão de exatidão. Seu discurso não é levara a pessoa a usar o nome de Deus, em termos doutrinários, mas em termos que a identifique ao grupo que segue a Torre de Vigia.

A abordagem desse tema talvez encontre outro caminho. A liderança TJ conseguiu firmar na cabeça de seus adeptos que“Deus e Pai, não são nomes, mas títulos!” (Poderá Viver para Sempre, p. 41). O problema nessa resposta é a falta de correspondência cultural e etimológica. Em nossos dias, por certo, não usamos ‘Deus’ como nome. Mas não era o caso nos dias bíblicos. Em nossos dias, os nomes geralmente são dados por sua estética, nos dias bíblicos, por seu significado e propósito.

A seguinte pergunta será importante:

5) Se os termos ‘Deus’ e ‘Pai’ não são nomes, então por que Isaias 9.6 diz que são?

Seria importante ler junto com o TJ a passagem na versão TNM:

“Porque um menino nos nasceu, Um filho nos foi dado; E o reinado estará sobre os seus ombros. Ele receberá o nome de Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.” (Tradução do Novo Mundo, revisão de 2014).

Não encare isso como resolvido. Está em jogo aqui uma vítima plenamente doutrinada. Prossiga mostrando que esse argumento não é válido. Pergunte ao TJ se ‘Brasil’ é nome de gente?(Ele sabe que essa pergunta é dúbia, pois ‘Brasil’ é nome de país e de madeira, e mesmo assim existem pessoas com esse nome!) A palavra que se torna identificação de uma pessoa é o seu nome. Esse é o uso bíblico. Mostre, além disso, que quando a palavra ‘nome’ aparece na bíblia, não necessariamente está correlacionado com uma identificação. Efésios 3.15 é um exemplo claro de que o termo nome significa ‘existência’.

A Testemunha de Jeová está condicionada a pensar que toda vez que aparece a expressão “nome” de Deus, em qualquer lugar – seja na Bíblia ou em livros de referencias, para ela tem que significar Jeová. Não há uma construção bíblica nela, mas lavagem dogmática eficaz.

Pergunte ao TJ :

6) Por que Jesus não usou uma  única  vez o nome Jeová  ao  orar ?  Devo seguir o exemplo dele (de Jesus)?

Essa pergunta é importante, pois muitos TJ afirmam, com colaboração da Liderança, que se alguém orar a Deus e não usar o nome Jeová outros ‘deuses’ podem responder! Insista em pedir ao TJ que procure na bíblia as orações de Jesus, e encontrar o uso do nome de Deus.

A próxima pergunta exigirá mais atenção teórica de sua parte. 

7) Com qual autoridade os tradutores da Tradução Novo Mundo colocaram 237 vezes o híbrido nome Jeová no Novo Testamento ?

Essa pergunta está acima da média. A maioria TJ responderá de forma errada o processo que a Liderança adotou para enxertar 237 vezes o nome Jeová no Novo Testamento. Talvez digam que os manuscritos originais do NT possuíam. Ou algo do tipo. Se ele souber a resposta, ou mesmo recorrer ao livro Raciocínios (que é um manual de respostas que eles possuem), ele dirá ‘que como o nome de Deus apareceu no Velho Testamento quase 7000 vezes não seria ilógico que sumisse abruptamente no Novo Testamento. Em especial quando citassem o VT.’ É uma tese, não apoiada por fatos. Ao contrario, os fatos contrariam essa tese.

A verdade é que o uso do nome de Deus começou a ser substituído por circunlóquios uns 400 anos antes do tempo do Novo Testamento. E, as traduções do VT que recorrente entre os discípulos já não tinham a expressão lida para o nome de Deus. O que resta como apoio para os tradutores da TNM ?Outras versões que fizeram o mesmo. Mais nada. Se a conversa for com humildade, pondere atenciosamente com o TJ que ao colocar 237 vezes o nome Jeová no Novo Testamento, com quase 6000 manuscritos contra, é insistir numa ilusão. E diga que isso vai depor contra eles no Dia Juízo Final (Ap 22.18).

A próxima pergunta tem por base esclarecer uma dúvida sincera que o TJ possivelmente tem:

8) Substituir o nome de Deus por Senhor tem base nos escritores do Novo Testamento. Agora, substituir Senhor por Jeová no Novo Testamento tem base onde?

Será necessário alguns versículos para elucidar esse tema. Leia alguns desses em sua Bíblia comparando com a TNM. Lucas 4.18,19 compare com Isaias 61.1,2. Mateus 22.44 compare com Salmos 110.1. E Romanos 10.13 compare com Joel 2.32. Na mente da Testemunha de Jeová existe um dilema. ‘Se ali no Velho Testamento existe o nome de Deus, necessariamente quando aquela passagem fosse citada no Novo Testamento, o nome de Deus teria que aparecer’. Temos um delicado assunto diante de nós. Será importante quando evangelizar uma Testemunha de Jeová, dizer que nos dias do Novo Testamento, os Escritores inspirados não colocaram o nome de Deus no Novo Testamento. Assim sendo, a prática atual de verter o Tetragrama por SENHOR no Velho Testamento tem base nos Apóstolos. Além de que desde os anos 400 a.C esse estilo tomou espaço entre o povo de Deus.

Informações Adicionais:

No original hebraico o nome de Deus aparece com quatro consoantes, geralmente chamado de tetragrama. Formando o impronunciável nome, Yhwh. Motivo esse, que levou os tradutores antigos e modernos, a substituírem por SENHOR. O teólogo reformado, Louis Berkhof informa que ‘a pronúncia e origem do nome de Deus estão mais ou menos perdidos’. (Teologia Sistemática, pg 48. Editora Cultura Cristã). Segundo Berkhof, a interpretação teológica para o possível significado do nome está na Imutabilidade Divina, em relação aos seus propósitos com seu povo. O Manual Bíblico Unger (pp. 77,78) sugere que não existe muito consenso entre os eruditos para o significado da raiz do tetragrama, já que para alguns acham que a raiz etimológica do nome é ativo e para outros causativo.

Mesmo com essa incerteza quanto ao significado e pronúncia, não podemos nos esquecer que esse é um dos nomes de Deus, que apareceu não menos de 6.828 no VT (Dicionário W. E. Vine, pagina 288). Devemos procurar saber o que Deus mostrou ao seu povo com a revelação desse nome. E por certo, só teremos pleno conhecimento de Deus e de Seus atributos se tivermos, dentro das limitações desse tema, inteirados nesse assunto. Como nos esclarece o teólogo Wayne Grudem:

“Num sentido mais amplo, então, o “nome” de Deus se iguala a tudo aquilo que a Bíblia e a criação nos dizem a respeito dele.”(Teologia Sistemática [Wayne Grudem], p. 106).

O que deve ter em mira aqui, não é o uso de uma palavra que identifica uma pessoa, mas sim o significado que abarca aquela pronúncia. O erro da teologia da Torre de Vigia é que, ela concentra aquilo que é teologicamente correto aonde não se deve ser concentrado, no uso da pronúncia e, diga-se de passagem, uma pronúncia errônea. Recomendo para um resumido estudo desse importante tema o que J. I. Packer escreveu em ‘Teologia Concisa’ no capitulo intitulado ‘Auto-Revelação’. O Nome de Deus, é a reputação e a própria pessoa de Deus. Que em termos aparece como Javé, Senhor, Pai, Deus, Todo-Poderoso, etc.

Toda a controvérsia agora está em como o Novo Testamento tratou esse assunto. Existe um notável abandono do uso do nome de Deus, o tetragrama, entre os escritos do VT em comparação com NT. A razão, pode ser identificada pelo que aponta o teólogo Bavink, - Deus “se fez conhecido ao seu povo por seus nomes próprios: A Israel, como YHWH, à igreja cristã como Pai.”(Dogmática Reformada, vol 2, p.97) Há uma revelação maior da Paternidade divina entre os testamentos. Jesus revelou o nome de Deus a seus discípulos, como “Pai”, o que não existiu em base individual tão clara no VT (Teologia Bíblica, Geerhardus Vos, pp. 442, 443). E pior para a teologia do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, é que, ao sustentar um nome, o Novo Testamento indica o nome do Filho de Deus, Jesus Cristo. Que em última analise, é Deus, sendo por isso, o Próprio Yhwh. (não o próprio Pai!). O que os Cristãos hoje querem que as Testemunhas de Jeová entendam, é exatamente aquilo que os judeus, ouvintes de Pedro, deveria entender:

“E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” Atos 4.12. Almeida Corrigida Fiel.

Fonte: MCA
Imagem: Google


TESTEMUNHO EX TJ.

Sou desassociada há mais de 15 anos. Fui o que consideravam uma irmã exemplar. Era pioneira regularmente, participava da escola do Ministério Teocrático e fazia algumas partes em Assembleias e Congresso. Minha mãe é testemunha de Jeová, minha irmã e meu cunhado já foram pioneiros especiais.


Um pouco antes da desassociação, estava confusa por conta da minha sexualidade.


Então resolvi, conversar com os anciãos, porque, eles deveriam ser o meu ponto apoiador. Falei que nunca tinha tido contato sexual com qualquer pessoa que fosse e que queria entender porque eu estava despertando certos desejos dentro de mim.


Um ancião em especial me disse que esses sentimentos eram inaceitáveis e que eu teria que ser desassociada para servir de exemplo.

Fui para casa desolada e envergonhada.


Não sabia como iria dar essa notícia a minha mãe. Tomei coragem e finalmente contei. Para fugir da vergonha, resolvi viajar até depois que fosse anunciada publicamente a minha desassociação. Alguns dias depois, já em outra cidade, recebi uma ligação da minha mãe dizendo que eu deveria voltar, qe o tal ancião voltou atrás na sua decisão e que eu poderia voltar a assistir as reuniões e retomar minhas atividades na congregação. Dessa vez, foi minha vez de dizer que eu é quem queria agora virar as costas para uma organização tão monstruosa.

Depois disso, fui atacada de várias formas. No casamento da minha irmã, meu cunhado foi orientado por esse mesmo ancião a me expulsar na frente de todos os convidados e da minha família. Hoje, vivo tranquila. Tirei meus medos e não sinto vergonha e sim alívio de ter me afastado de pessoas de tão pouco amor ao próximo.


Atenciosamente,


Sandra Assis.