sábado, 5 de outubro de 2019

CONTROVÉRSIAS CRISTOLÓGICAS

Do século II ao V d.C., houve inúmeras controvérsias com respeito à pessoa de Cristo. Quem era Ele afinal?

Temos, pois, estabelecido, por meio das Escrituras, que Jesus era verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Uma questão, todavia, se levantava: Ele deixou de ser Deus para ser homem? Ele era Deus e homem ao mesmo tempo? Podem existir duas naturezas ao mesmo tempo?

Esta controvérsia ocupou por muito tempo os debates teológicos dos primeiros séculos pós-apostólicos. As principais escolas foram Alexandria e Antioquia.

Alexandria, mais distante geograficamente da Palestina, mais amante da subjetividade e mais amante do pensamento especulativo e inimigo da matéria, devido à influência grega, sempre teve tendência para destacar de Cristo o seu lado espiritual e divino. Algumas vezes, chegou até mesmo a negar a existência de um corpo como o nosso em Jesus.

Antioquia, mais próxima da realidade histórica, mais influenciada pelos sinópticos e menos avessa à matéria, devido à influência judaica, tendia destacar o lado humano de Jesus. Num breve resumo, eis algumas das opiniões a respeito da natureza do Filho de Deus:

Gnosticismo: Foi uma das piores doutrinas inimigas do cristianismo. Embora existissem várias correntes diferentes do gnosticismo, todas elas, no entanto, foram influenciadas pelo neoplatonismo e pelo pensamento grego em geral. Rejeitavam a matéria por achar que ela era má e, com isso, rejeitavam também a encarnação do Verbo, o que gerou posições absurdas e conflitantes no que se referia à morte e à ressurreição de Cristo. Ao que parece, foi uma das primeiras heresias cristãs, visto que, conforme a opinião de alguns, os escritos do apóstolo João foram redigidos visando combater estas ideias errôneas a respeito de Cristo.

Sabelianismo: Sabélio começou a ensinar em Roma, por volta de 215 d.C. Segundo seu ensino, o Pai e o Filho são exatamente a mesma pessoa, o mesmo Deus com nomes e formas diferentes. Esta posição, com respeito à relação entre o Deus Pai e o Deus Filho, também ficou conhecida como monarquianismo modalista, sendo condenada, em 261 d.C., juntamente com outras doutrinas de Sabélio.

Monarquianismo dinamista: Este ensino dizia que Jesus era um homem comum que, por ocasião do seu batismo, foi unido a Cristo, que veio sobre Jesus como um poder. Jesus era assim um profeta, e não o Verbo divino encarnado. Quem primeiro apresentou esta posição foi Teodoto, em 190 d.C., ao chegar em Roma. Na ocasião, foi excomungado pelo bispo de Roma. Mais adiante na História da Igreja, Paulo de Samósata adotou a mesma ideia e foi declarado herético pelo sínodo de Antioquia, em 268 d.C.

Ebionismo: Negava a natureza divina de Cristo, reputando-o como mero homem.

Cerintianismo: Defendia que não houvera união das duas naturezas, senão por ocasião do batismo de Jesus, estabelecendo, assim, a divindade de Cristo como dependente do seu batismo, e não por virtude do seu nascimento.

Docetismo: Negava a realidade do corpo de Cristo, porque julgava que sua pureza não poderia estar ligada à matéria, a qual reputava inerentemente má.

Arianismo: Considerava que Cristo era o mais exaltado dos seres criados, negando, com isso, sua divindade e interpretando erroneamente sua humilhação temporária. Esta controvérsia foi uma das maiores da História da Igreja e responsável pelo Concílio de Nicéia. As testemunhas-de-jeová defendem posições semelhantes ao arianismo.

Apolinarianismo: Afirmava que Jesus não tinha um espírito humano. Sua posição inicial era contra o arianismo. Contrapondo-se a Ário, ele advogava a autêntica divindade de Cristo e tentava proteger sua impecabilidade, substituindo o pneuma (espírito) humano pelo logos, pois julgava aquele sede do pecado. Consequentemente, Apolinário negava a própria e autêntica humanidade de Jesus Cristo.

Nestorianismo: Negava a união das naturezas humana e divina, fazendo de Cristo duas pessoas. Nestório cometeu este erro ao tentar abolir o título de “mãe de Deus” atribuído a Maria.

Eutiquianismo: Afirmava que as duas naturezas de Cristo se uniam em uma só, que era predominantemente divina, ainda que a natureza original estivesse fora do mesmo plano da divina.

Estes heréticos posicionamentos conduziram, por fim, a uma síntese chamada teologicamente de união hipostática ou teantropia: duas naturezas em uma só pessoa.

Cristo é o mediador entre Deus e os homens. Ele é aquele que pode caminhar sobre o pó da terra e depois assentar-se à direita da majestade nas alturas. Como uma ponte, tocou os dois extremos, formando um elo. Com uma de suas mãos, tocou os céus e, com a outra, a terra. Uniu Deus ao homem. Já o justo Jó afirmava: “Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós ambos” (Jó 9.33).
Apesar de ter tomado um corpo físico, isto, no entanto, não fez do Filho menos Deus. Ele é tão Deus quanto o foi na eternidade, como bem atesta Hebreus 13.8 sobre a imutabilidade de sua natureza. Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Embora trouxesse um corpo como o nosso, Ele também trazia uma natureza como a de Deus nesse corpo. Colossenses 2.9 diz: “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”.



Fonte
ICP – TEOLOGIA SISTEMÁTICA

Fonte: www.teologaroficial.com.br

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