terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A Igreja, de fato, habitará no Céu?

É comum, nos dias de hoje, em grande parte das igrejas, ao tratarem sobre a escatologia, afirmarem que quando Cristo vier, a igreja irá morar no céu. Há até mesmo muitas canções que declaram isto, e pelo fato de muitos não examinarem as Escrituras quanto a tudo o que ouvem, lêem ou cantam, acabam formando sua “teologia” baseada apenas em alguns clichês ou canções, e também por conta de uma forte influência do dispensacionalismo. O cantor Lázaro, em sua música “Morar No Céu”, declara enfaticamente: “Ainda bem que eu vou morar no céu”.

Anthony Hoekema, comenta: “A partir de certos hinos, temos a impressão de que os crentes glorificados passarão a eternidade em algum céu etéreo, em algum lugar no espaço, bem longe da terra”. [1]


Mas, afinal de contas, onde a igreja habitará?

O termo “morar no céu” certamente é citado por muitos por causa da passagem em João 14, que diz: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar.” (v.2). Seria essa “morada de Deus” o céu, neste contexto? O versículo 23, deste mesmo capítulo, responde: “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.”. O substantivo grego no singular μονή, e no plural μονα
, aparecem apenas duas vezes no NT, que correspondem à morada e “moradas”, respectivamente, e só são encontradas neste capítulo. Jesus disse aqui aos discípulos que subiria ao céu, mas não os deixariam órfãos, pois os enviariam o Consolador (v.16), e que faria morada nos crentes (v.23), e esta promessa já se cumpriu com a vinda do Espírito Santo. (Para um entendimento mais amplo sobre isto, sugiro a leitura de um artigo no site da Mackenzie, fonte no rodapé [2])

Mas o que vemos nas Escrituras são textos bíblicos que apontam para novo céu e nova terra, que é o caso de 2 Pe 3:13, que diz: “Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça.”. Jesus disse em Mateus 5: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” (v.5). E ainda em Apocalipse 21, referindo à eternidade: “E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.” (v.1). No AT, temos esta promessa em Isaías 65: “Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão.” (v.17), e em Isaías 66: “Porque, como os novos céus, e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante da minha face, diz o Senhor, assim também há de estar a vossa posteridade e o vosso nome.” (v.22). 


Hoekema, comenta: “Existe uma passagem no livro de Apocalipse que fala acerca de nosso reinado sobre a terra: ‘Digno és [Cristo] de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra’ (Ap 5:9-10). Embora alguns manuscritos tragam o verbo ‘reinarão’ no tempo presente, os melhores textos trazem o tempo no futuro. O reinado sobre a terra dessa grande multidão redimida é representado aqui como a culminação da obra redentora de Cristo por seu povo.” [3]

A terra que hoje vivemos será restaurada, e não aniquilada. Como escreveu William Hendriksen: “Os céus e a terra que agora existem foram reservados para o fogo, de forma que logo os céus estarão queimando [..] serão dissolvidos e os elementos derreterão com calor fervente” [4]. E ele conclui: “O fogo não anulará o universo. Depois do fogo ainda existirão os mesmos ‘céus e terra’, mas gloriosamente renovados, como explicado em 2 Pe 3.13; Apocalipse 21:1-5.” [4]

Pedro, o apóstolo, escreve: “Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios. Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão [...] em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão?”  (2 Pe 3:7,10,11,12). 

Depois dessa restauração, a nova Jerusalém (símbolo da Igreja de Cristo) descerá do céu à nova terra, “adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido” (Ap 21:2) e reinará eternamente com Cristo.


Podemos afirmar, portanto, que não só teremos o céu na eternidade, mas habitaremos no Novo Céu e na Nova Terra, e Cristo será eternamente o Rei: “Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus.” (Apocalipse 21:3)


Notas:
1 – A Bíblia e o Futuro, Anthony A. Hoekema, pág. 292.
3 – A Bíblia e o Futuro, Anthony A. Hoekema, pág. 300.
4 – A Vida Futura Segundo a Bíblia, William Hendriksen, pág. 257.


Fonte: Bereianos

4 comentários:

Bruno dos Santos Queiroz disse...

Bases bíblicas do pré-tribulacionalismo, que crê na ida da Igreja ao Céu:
A opinião defendida neste comentário é a de que o Segundo Advento de Cristo é bifásico. Na primeira fase do Segundo Advento, Jesus virá, pouco antes do Império da Besta, para arrebatar a Igreja e levá-la para o Céu e na segunda fase o Filho de Deus voltará em glória com milhares de anjos e com a Igreja para estabelecer seu Governo na Terra.
Essa posição não deve ser vista como absoluta, pois as outras correntes escatológicas também possuem fortes argumentos e são bem convincentes. Devo confessar que a Bíblia não deixa muito claro quando exatamente acontece o arrebatamento, se antes, depois ou no meio da Tribulação. Assim o que estou apresentando aqui é a posição, que diante daquilo que já pesquisei e estudei, parece-me mais provável. São quatro os argumentos que me convencem do pré – Tribulacionalismo:
1. Ao descrever a Segunda Vinda de Jesus, a Bíblia ora fala de Jesus voltando para levar a Igreja para morar no Céu (Jo14.1-3; Fp3.20), ora Jesus voltando para governar a Terra (Jd.14-15; Ap19.14-16). Tais textos indicam duas fases distintas na Volta de Jesus. Uma antes da Tribulação para arrebatar e levar a Igreja para o Céu (1Ts4.16-17) e outra depois da Grande Tribulação para reinar sobre a Terra (Ap1.7).

2. Aos tessalonicenses o apóstolo Paulo escreve que alguém será tirado da Terra antes que se manifeste o anticristo (1Ts2.6-7). Alguns dizem que este alguém é o Espírito Santo. Acho, porém muito improvável, pois na Grande Tribulação haverá pessoas que se converterão a Cristo (Ap7.9-14), o que só é possível por ação do Santo Espírito (Jo16.8-11). Creio assim que é a Igreja que há de ser tirada antes que se manifeste o anticristo. Assim o arrebatamento da Igreja deve acontecer antes que comece o Império da Besta.


3. Aos da Igreja de Filadélfia, o Senhor Jesus promete guardá-los da (e não “na”) Hora da Provação Mundial (Ap3.10). Que esta promessa não se restringe apenas a igreja histórica de Filadélfia percebe-se no último versículo da carta: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” (Ap3.13). Logo após essa promessa, Jesus fala para os de Filadélfia que virá em breve (Ap3.11), o que indica que a promessa de guardar a Igreja da Hora da Provação Mundial está relacionada a volta de Jesus. Ou seja, Jesus virá para livrar a Igreja da Grande Tribulação.

4. A Bíblia é clara em dizer que Jesus deve voltar a qualquer momento (Mt24.42,50; 25.13). Ora se a Grande Tribulação ainda precisa acontecer antes de Jesus voltar, então Jesus não pode vir a qualquer momento. Assim Jesus deve voltar antes da Grande Tribulação ter início.


5. A Grande Tribulação é um tempo de juízo divino contra Israel e os ímpios (Jr30.7;Ap16.1), assim não seria apropriado que a Igreja estivesse aqui na Terra durante esse tempo. Creio que do mesmo modo que o Todo-poderoso tirou Ló e sua família de Sodoma antes de destruí-la, Cristo tirará a sua Igreja da Terra antes de iniciar o Juízo Mundial (Gn18.23; 19.12-17).

Bruno dos Santos Queiroz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bruno dos Santos Queiroz disse...

A opinião defendida neste comentário é a de que o Segundo Advento de Cristo é bifásico. Na primeira fase do Segundo Advento, Jesus virá, pouco antes do Império da Besta, para arrebatar a Igreja e levá-la para o Céu e na segunda fase o Filho de Deus voltará em glória com milhares de anjos e com a Igreja para estabelecer seu Governo na Terra.
Essa posição não deve ser vista como absoluta, pois as outras correntes escatológicas também possuem fortes argumentos e são bem convincentes. Devo confessar que a Bíblia não deixa muito claro quando exatamente acontece o arrebatamento, se antes, depois ou no meio da Tribulação. Assim o que estou apresentando aqui é a posição, que diante daquilo que já pesquisei e estudei, parece-me mais provável. São quatro os argumentos que me convencem do pré – Tribulacionalismo:
1. Ao descrever a Segunda Vinda de Jesus, a Bíblia ora fala de Jesus voltando para levar a Igreja para morar no Céu (Jo14.1-3; Fp3.20), ora Jesus voltando para governar a Terra (Jd.14-15; Ap19.14-16). Tais textos indicam duas fases distintas na Volta de Jesus. Uma antes da Tribulação para arrebatar e levar a Igreja para o Céu (1Ts4.16-17) e outra depois da Grande Tribulação para reinar sobre a Terra (Ap1.7).

2. Aos tessalonicenses o apóstolo Paulo escreve que alguém será tirado da Terra antes que se manifeste o anticristo (1Ts2.6-7). Alguns dizem que este alguém é o Espírito Santo. Acho, porém muito improvável, pois na Grande Tribulação haverá pessoas que se converterão a Cristo (Ap7.9-14), o que só é possível por ação do Santo Espírito (Jo16.8-11). Creio assim que é a Igreja que há de ser tirada antes que se manifeste o anticristo. Assim o arrebatamento da Igreja deve acontecer antes que comece o Império da Besta.


3. Aos da Igreja de Filadélfia, o Senhor Jesus promete guardá-los da (e não “na”) Hora da Provação Mundial (Ap3.10). Que esta promessa não se restringe apenas a igreja histórica de Filadélfia percebe-se no último versículo da carta: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” (Ap3.13). Logo após essa promessa, Jesus fala para os de Filadélfia que virá em breve (Ap3.11), o que indica que a promessa de guardar a Igreja da Hora da Provação Mundial está relacionada a volta de Jesus. Ou seja, Jesus virá para livrar a Igreja da Grande Tribulação.

4. A Bíblia é clara em dizer que Jesus deve voltar a qualquer momento (Mt24.42,50; 25.13). Ora se a Grande Tribulação ainda precisa acontecer antes de Jesus voltar, então Jesus não pode vir a qualquer momento. Assim Jesus deve voltar antes da Grande Tribulação ter início.


5. A Grande Tribulação é um tempo de juízo divino contra Israel e os ímpios (Jr30.7;Ap16.1), assim não seria apropriado que a Igreja estivesse aqui na Terra durante esse tempo. Creio que do mesmo modo que o Todo-poderoso tirou Ló e sua família de Sodoma antes de destruí-la, Cristo tirará a sua Igreja da Terra antes de iniciar o Juízo Mundial (Gn18.23; 19.12-17).

Bruno dos Santos Queiroz disse...

A interpretação pré-tribulacionista vê o termo "Casa do Pai" como referência ao Templo que tipifica o Santuário Celestial Jo2.16-17.“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também”(João 14:1-3).Jesus estava indo para a presença real de Deus, não apenas até uma representação de Sua presença, como acontecia no Templo. O texto mostra que Jesus foi para o Santuário Celestial, mas iria voltar para levar os salvos para lá também.

“Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus; nem ainda para se oferecer a si mesmo muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no Santo dos Santos com sangue alheio. Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado” (Hebreus 9:24-26).
No entanto, a nossa cidadania é dos céus, de onde aguardamos com grande expectativa o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, -Filipenses3.20
"Regozijem-se nesse dia e saltem de alegria, porque grande é a sua recompensa no céu. Pois assim os antepassados deles trataram os profetas.-Lucas6.23
Leia:1Ts4.15-17;Lc6.23;12.33-34;18.22;2Co5.1;Fp3.20;Jo14.2;Gl4.26;Ap19,1,9;Mt5.12;6.20-21;Cl3.1-2;Hb11.10,13-16;13.14;SL15.1-5.