Este artigo faz parte
da nossa série sobre a trindade, que começou com o artigo
sobre a divindade de Cristo. Agora será o momento de
falarmos sobre o Espírito Santo, em especial sobre sua divindade e
personalidade. Que o Espírito Santo é Deus, isso pode ser deduzido através do
paralelismo de Pedro, que disse:
“Então
perguntou Pedro: ‘Ananias, como você permitiu que Satanás enchesse o seu
coração, a ponto de você mentir ao Espírito Santo e guardar para si uma
parte do dinheiro que recebeu pela propriedade? Ela não lhe pertencia? E,
depois de vendida, o dinheiro não estava em seu poder? O que o levou a pensar
em fazer tal coisa? Você não mentiu aos homens, mas sim a Deus’”
(Atos 5:3-4)
Primeiro Pedro diz que
Ananias mentiu ao Espírito Santo, e depois complementa dizendo que ele mentiu
a Deus, implicando que o Espírito Santo é Deus. Caso semelhante a este
ocorre em 1ª Coríntios 12:4-6, em que Paulo escreve:
“Ora, os
dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos
serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o
mesmo Deus é quem opera tudo em todos” (1ª Coríntios 12:4-6)
Primeiro Paulo diz que
o Espírito é o mesmo, depois que o Senhor é o mesmo, depois que Deus é o mesmo.
Estes paralelismos demonstram com clareza que os apóstolos entendiam o Espírito
Santo como Deus, ou então não teriam se expressado dessa maneira. De outro
modo, teriam feito questão de ressaltar que o Espírito Santo é uma simples
criatura distinta de Deus, o que não ocorre em parte alguma. Pelo contrário, o
Espírito Santo é igualado ao Pai (que é Deus) e ao Filho (que é Deus), o que
dificilmente ocorreria se fosse uma simples criatura:
“Portanto,
vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do
Filho e do Espírito Santo” (Mateus 28:19)
Sabemos que o Pai é
Deus, e já vimos no
artigo anterior que o Filho também é Deus. Não há nada mais lógico,
portanto, do que concluir que o Espírito Santo é Deus como eles, uma vez que
seria bastante incongruente mandar batizar em nome de duas pessoas da divindade
e de uma simples criatura. Ademais, o Espírito Santo possui características da
divindade que não podem ser aplicadas a uma criatura. Por exemplo, o atributo
da onipresença, como diz o salmista:
“Para
onde poderia eu escapar do teu Espírito? Para onde poderia fugir da tua
presença? Se eu subir aos céus, lá estás; se eu fizer a minha cama na
sepultura, também lá estás. Se eu subir com as asas da alvorada e morar na
extremidade do mar, mesmo ali a tua mão direita me guiará e me susterá”
(Salmos 139:7-10)
E também o da
onisciência, como diz Paulo:
“Mas
Deus o revelou a nós por meio do Espírito. O Espírito sonda todas as coisas,
até mesmo as coisas mais profundas de Deus. Pois, quem dentre os homens conhece
as coisas do homem, a não ser o espírito do homem que nele está? Da mesma
forma, ninguém conhece as coisas de Deus, a não ser o Espírito de Deus”
(1ª Coríntios 2:10-11)
Como o Espírito
poderia sondar até mesmo as coisas mais profundas de Deus se não fosse Deus? Criatura
alguma é capaz disso. Está claro que o Espírito Santo não pode ser distinto de
Deus. Até os arianos concordam com isso, mas entendem o Espírito Santo como uma
simples “força ativa” e impessoal de Deus, e não um ser pessoal, ou seja, não
uma pessoa. Para resolver esse dilema, precisamos analisar se a Bíblia
descreve o Espírito Santo como uma força impessoal ou se o descreve com
características de uma pessoa, ou seja, com personalidade. Isso pode ser
demonstrado através de uma série de textos bíblicos que atribuem
características pessoais ao Espírito Santo, tais como:
(1)
O Espírito Santo se entristece:
“E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Efésios 4:30)
“E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Efésios 4:30)
“Apesar
disso, eles se revoltaram e entristeceram o seu Espírito Santo. Por isso ele se
tornou inimigo deles e lutou pessoalmente contra eles”
(Isaías 63:10)
(2)
O Espírito Santo intercede por nós:
“Também
o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos
orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com
gemidos inexprimíveis” (Romanos 8:26)
(3)
O Espírito Santo tem uma mente própria:
“E
aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a
vontade de Deus é que ele intercede pelos santos” (Romanos 8:27)
(4)
O Espírito Santo guia e fala aquilo que ouviu de outro (o Pai):
“Mas
quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade. Não falará
de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir”
(João 16:13)
(5)
O Espírito Santo é um outro Conselheiro (distinto do Pai e do Filho):
“E eu
pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para
sempre, o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê nem
o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e estará em vocês”
(João 14:16-17)
(6)
O Espírito Santo ensina:
“Mas o
Conselheiro, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, lhes ensinará
todas as coisas e lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse”
(João 14:26)
(7)
O Espírito Santo fala:
“Aquele
que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor darei o
direito de comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus”
(Apocalipse 2:7)
“Sempre
que forem presos e levados a julgamento, não fiquem preocupados com o que vão
dizer. Digam tão-somente o que lhes for dado naquela hora, pois não serão vocês
que estarão falando, mas o Espírito Santo” (Marcos 13:11)
“E,
vindo ter conosco, tomando o cinto de Paulo, ligando com ele os próprios pés e
mãos, declarou: Isto diz o Espírito Santo: Assim os judeus, em Jerusalém, farão
ao dono deste cinto e o entregarão nas mãos dos gentios”
(Atos 21:11)
“Assim,
como diz o Espírito Santo: ‘Hoje, se vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o
coração, como na rebelião, durante o tempo de provação no deserto’”
(Hebreus 3:7-8)
(8)
O Espírito Santo guia:
“Porque
todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”
(Romanos 8:14)
“Mas, se
vocês são guiados pelo Espírito, não estão debaixo da lei”
(Gálatas 5:18)
(9)
O Espírito Santo clama:
“E,
porque vocês são filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho aos seus corações,
o qual clama: ‘Aba, Pai’” (Gálatas 4:6)
(10)
O Espírito Santo convence:
“Mas eu
lhes afirmo que é para o bem de vocês que eu vou. Se eu não for, o Conselheiro
não virá para vocês; mas se eu for, eu o enviarei. Quando ele vier, convencerá
o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (João 16:7-8)
(11)
O Espírito Santo renova e regenera:
“Não por
causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele
nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo”
(Tito 3:5)
(12)
O Espírito Santo testemunha:
“Quando
vier o Conselheiro, que eu enviarei a vocês da parte do Pai, o Espírito da
verdade que provém do Pai, ele testemunhará a meu respeito”
(João 15:26)
“O
próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus”
(Romanos 8:16)
“Nós
somos testemunhas destas coisas, bem como o Espírito Santo, que Deus concedeu
aos que lhe obedecem” (Atos 5:32)
(13)
O Espírito Santo escolhe obreiros:
“Enquanto
adoravam ao Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: ‘Separem-me Barnabé e
Saulo para a obra a que os tenho chamado’” (Atos 13:2)
“Cuidem
de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou
como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, que ele comprou com o seu
próprio sangue” (Atos 20:28)
(14)
O Espírito Santo envia missionários:
“Enviados
pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre”
(Atos 13:4)
(15)
O Espírito Santo julga:
“Pareceu
bem ao Espírito Santo e a nós não impor a vocês nada além das seguintes
exigências necessárias...” (Atos 15:28)
(16)
O Espírito Santo convida:
“O
Espírito e a noiva dizem: ‘Vem!’. E todo aquele que ouvir diga: ‘Vem!’. Quem
tiver sede, venha; e quem quiser, beba de graça da água da vida”
(Apocalipse 22:17)
(17)
O Espírito Santo impede:
“Paulo e
seus companheiros viajaram pela região da Frígia e da Galácia, tendo sido
impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na província da Ásia. Quando
chegaram à fronteira da Mísia, tentaram entrar na Bitínia, mas o Espírito de Jesus
os impediu” (Atos 16:6-7)
(18)
O Espírito Santo contende:
“Então
disse o Senhor: ‘Por causa da perversidade do homem, meu Espírito não
contenderá com ele para sempre; e ele só viverá cento e vinte anos’”
(Gênesis 6:3)
(19)
O Espírito Santo pode se encarnar numa forma visível:
“Assim
que Jesus foi batizado, saiu da água. Naquele momento os céus se abriram, e ele
viu o Espírito de Deus descendo como pomba e pousando sobre ele”
(Mateus 3:16)
“E o
Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma
voz do céu: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo”
(Lucas 3:22)
(20)
O Espírito Santo pode ser ofendido:
“Se
alguém proferir alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á isso
perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso
perdoado, nem neste mundo nem no porvir” (Mateus 12:32)
“Mas
aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto
que é réu de pecado eterno” (Marcos 3:29)
(21)
O Espírito Santo revela:
“Revelara-lhe
o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor”
(Lucas 2:26)
(22)
O Espírito Santo concede dons:
“Todas
essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e ele as
distribui individualmente, a cada um, conforme quer”
(1ª Coríntios 12:11)
“Todos
ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo
o Espírito lhes concedia que falassem” (Atos 2:4)
“Respondeu-lhes
Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo
para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo”
(Atos 2:38)
“Deus
também deu testemunho dela por meio de sinais, maravilhas, diversos milagres e
dons do Espírito Santo distribuídos de acordo com a sua vontade”
(Hebreus 2:4)
(23)
O Espírito Santo conforta:
“A
igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria,
edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito
Santo, crescia em número” (Atos 9:31)
(24) O
Espírito Santo compele e avisa:
“Agora,
compelido pelo Espírito, estou indo para Jerusalém, sem saber o que me
acontecerá ali, senão que, em todas as cidades, o Espírito Santo me avisa que
prisões e sofrimentos me esperam” (Atos 20:22-23)
(25) O
Espírito Santo santifica:
“Para
que eu seja ministro de Cristo Jesus entre os gentios, no sagrado encargo de
anunciar o evangelho de Deus, de modo que a oferta deles seja aceitável, uma
vez santificada pelo Espírito Santo” (Romanos 15:16)
(26) O
Espírito Santo testifica:
“O
Espírito Santo também nos testifica a este respeito. Primeiro ele diz: ‘Esta é
a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor. Porei as
minhas leis em seus corações e as escreverei em suas mentes’; e acrescenta: ‘Dos
seus pecados e iniquidades não me lembrarei mais’”
(Hebreus 10:15-17)
(27) O
Espírito Santo impele:
“Pois
jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de
Deus, impelidos pelo Espírito Santo” (2ª Pedro 1:21)
Pense em todos esses
atributos. Quem pode interceder, guiar, falar, avisar, ensinar, clamar,
convencer, contender, convidar, confortar, compelir, regenerar, testemunhar, testificar,
julgar, impelir, impedir, aconselhar, revelar, santificar, se entristecer,
conceder dons, se encarnar, escolher obreiros, enviar missionários e ainda assim
não ser uma pessoa? O que mais seria necessário para demonstrar que o Espírito
Santo é um ser pessoal, com consciência e personalidade? Seria impossível
apresentar mais características pessoais do que isso.
Ademais, o Espírito
Santo é por vezes distinguido do Pai e de Jesus. Em João 14:16, ele é o «outro»
conselheiro. Em Romanos 8:26, ele intercede por nós diante do Pai (o que prova
que ele não é o Pai). Em Mateus 12:32, a blasfêmia contra ele tem um peso maior
que uma palavra proferida contra Cristo (o que prova que ele não é o Filho). Em
1ª Coríntios 12:11, ele distribui os dons «a cada um conforme quer», mostrando
que tem vontade própria. A capacidade de falar «de si mesmo» é aduzida em João 16:13,
e Romanos 8:27 prova que ele possui uma mente própria, e não que é apenas a
mente do Pai ou do Filho.
No batismo de Jesus,
as três pessoas da trindade aparecem: o Pai, que fala do céu, o Filho, que é
batizado, e o Espírito Santo, que desce na forma de pomba (Lc 3:22). Exceto em
sonhos, em visões simbólicas ou em contextos poéticos – que não são o caso aqui
–, não há como uma força impessoal (como a sabedoria, o vento ou uma “energia”)
se materializar desse jeito, ou ser descrita dessa maneira. Tudo na Escritura
aponta o Espírito como um ser pessoal, capaz de fazer coisas que apenas
uma pessoa pode fazer. Não obstante, nenhum texto é mais forte sobre isso do
que Atos 19:2, onde consta:
“Enquanto
Apolo estava em Corinto, Paulo, atravessando as regiões altas, chegou a Éfeso.
Ali encontrou alguns discípulos e lhes perguntou: ‘Vocês receberam o Espírito
Santo quando creram?’. Eles responderam: ‘Não, nem sequer ouvimos que existe o
Espírito Santo’” (Atos 19:1-2)
Aquelas pessoas já
sabiam da existência de Deus, porque já eram convertidas. No entanto, elas não
sabiam ainda da existência de uma outra pessoa, o Espírito Santo, sobre
quem elas ainda não tinham ouvido falar. Se o Espírito Santo fosse o próprio
Pai ou apenas as ações ou a mente do Pai, elas automaticamente já saberiam do
Espírito Santo pelo simples fato de saberem do Pai. A ignorância delas a
respeito da existência do Espírito Santo só tem sentido se o Espírito Santo for
uma pessoa. Pense no quão pouco lógico ficaria o texto se substituirmos “Espírito
Santo” aqui por uma força impessoal, como a vontade ou a sabedoria de Deus.
Será que aqueles cristãos nunca ouviram sobre a vontade e a sabedoria de Deus?
As testemunhas de
Jeová alegam que o Espírito de Deus é apenas uma “força ativa” de Deus, uma “energia”,
algo semelhante ao nosso espírito ou fôlego de vida. Mas no caso de Deus isso
sequer faria sentido, considerando que Ele, em essência, já é espírito (Jo
4:24), e um espírito não pode ter um espírito. Ademais, pense no quão estranho
seria dizer que você não conhece o espírito de Fulano de Tal, mas apenas
o Fulano de Tal. Seria isso que supostamente Atos 19:1-2 estaria nos dizendo:
que aqueles cristãos de Corinto já conheciam a Deus, mas não sua “força ativa”,
que é parte dele mesmo. Tal coisa não faz qualquer sentido, porque o
Espírito Santo do qual o texto fala não é o próprio Pai ou uma parte do Pai,
mas uma outra pessoa, embora compartilhe da mesma natureza ou
essência divina.
Fonte: http://www.lucasbanzoli.com


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