“…Este
é um bom lugar para dizer algo sobre o testemunho ao nosso espírito, pelo
Espírito Santo, de que somos filhos de Deus (Rm. 8:16).
Muitos não compreendem isso, pelo que tenho percebido. Pensam que o testemunho
do Espírito é uma revelação imediata do fato de que são filhos adotados de
Deus. É como se Deus falasse ao íntimo deles, por um tipo de voz ou impressão
secreta, assegurando-lhes que Ele é seu Pai.
É
a palavra “testemunho”
que engana essas pessoas a ponto de pensarem assim. Quando as Escrituras dizem
que Deus “testifica com o nosso espírito”, elas supõem que deve significar que
Deus assegura ou revela a verdade diretamente. Um olhar mais cuidadoso às
Escrituras mostra que isso não é correto. Por “ser testemunha” ou “testificar”, o
Novo Testamento muitas vezes quer dizer apresentar
evidência da qual algo pode ser provado como sendo verdade. Por
exemplo, em Hb 2:4
lemos: “dando
Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres, e
por distribuição do Espírito Santo segundo a Sua vontade.” Esses
sinais, maravilhas, milagres e dons são chamados “testemunho de Deus”,
não por serem assertivas, mas por serem evidências e provas. De novo, temos 1 Jo. 5:8,
quando João chama “a água e o sangue” de testemunha. A água e o sangue não
afirmam coisa alguma, porém foram evidências. Mais uma vez, a obra da
providência de Deus nas estações de chuva e frutos são “testemunho”
da bondade de Deus, isto é, são evidências dessas coisas (At 14:17).
Quando Paulo fala do Espírito Santo testificando
com o nosso espírito que somos filhos de Deus, não quer
dizer que o Espírito nos faz alguma sugestão ou revelação sobrenatural. Os
versículos anteriores mostram o que Paulo quer dizer: “Pois todos os que são
guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o
espírito da escravidão para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes o
espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito
testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” (Rm. 8:14-16).
Isso significa que o Espírito Santo nos dá evidência de que somos filhos de
Deus, por habitar em nós, dirigindo-nos e inclinando-nos a um comportamento
para com Deus, tal como filhos para com um pai.
Paulo fala de dois espíritos, o espírito de escravidão, que é o medo;
e o espírito de
adoção, que é o amor. O espírito de escravidão opera pelo medo;
o escravo teme a punição, entretanto o amor clama “Aba, Pai!” e
permite que um homem vá até Deus e se comporte como filho dEle. Nesse amor
filial por Deus, o crente vê e sente a união de sua alma com Ele. A partir
disso tem segurança de ser filho de Deus. Assim, o testemunho do Espírito Santo
não se trata de um sussurro espiritual ou revelação imediata. É o efeito santo
do Espírito de Deus nos corações dos crentes, levando-os a amar a Deus, odiar o
pecado e buscar a santidade. Ou, como Paulo o coloca: “Porque, se viverdes
segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se pelo espírito mortificardes os
feitos do corpo, certamente vivereis.” (Rm. 8:13).
Quando Paulo diz que o
Espírito Santo testifica com nosso espírito, não quer dizer que hajam duas
testemunhas separadas e independentes. Quer
dizer que recebemos pelo nosso espírito o testemunho do
Espírito de Deus. Isto é, nosso espírito vê e declara a evidência de nossa
adoção produzida pelo Espírito Santo em nós. Nosso espírito é a parte de nós
que as Escrituras chamam, em outro lugar, de o coração (1 Jo. 3: 19-21)
e de a consciência (2 Co 1:12).
Dano terrível tem resultado do pensamento que o
testemunho do Espírito Santo seja um tipo de voz interna, sugestão, ou
declaração de Deus para um homem que ele é amado, perdoado, eleito, etc.
Quantas emoções vigorosas, porém falsas, resultaram dessa ilusão! Receio que
multidões tenham ido para o inferno iludidas por elas.”…
Por: Jonathan Edwards]
Fonte: https://iprbsp.com
Imagem: Google
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