Pode parecer bizarro
discutir uma coisa dessas em pleno século XXI e em um blog cristão (e é mesmo).
Mas eu fiquei de dar uma resposta sobre isso a um comentário publicado por um
católico aqui no blog no mês passado, que eu achei mais oportuno responder em
forma de artigo. O comentário em questão foi este:
Basicamente, ele
argumenta que os homens são superiores às mulheres porque: (1) “o lugar delas é
no lar”; (2) “não se interessam por filosofia”; (3) “são nascidas para a
escravidão”; (4) “são fisicamente inferiores aos homens”; (5) “são
psicologicamente irritantes e loucas”; (6) “tem um timbre de voz inferior”; (7)
“o apócrifo católico do Eclesiástico fala da malignidade feminina”; (8) “são
menos bonitas que os homens(!)”; (9) “são menos inteligentes”, etc. Então ele
termina se gloriando de “não ter nascido escravo nem mulher”, como dizia
Platão. Tudo isso para defender o pensamento misógino de Tomás de Aquino, que
comprou as ideias misóginas de Aristóteles, o que eu já tinha abordado neste
artigo. Basicamente, o comentário reflete a forma brutal com a qual as
mulheres foram encaradas por séculos na sociedade até tempos relativamente
recentes.
Diante disso, preciso
fazer alguns importantes contrapontos:
• Homens são muito mais
propensos à violência do que as mulheres. Da massa carcerária, 90% são homens (veja
aqui). Isso não ocorre porque a polícia é preconceituosa contra os homens,
mas porque homens são naturalmente mais violentos, insubordinados e inclinados
a atos ilegais (ou seja, a passar por cima da lei por se julgar acima dela e
desdenhar do perigo e das consequências). Homens são mais propensos a se
envolver em brigas fúteis de bar ou de trânsito, pois agem compulsivamente com
mais frequência. Quando vemos notícias de terroristas explodindo hospitais, de
ex-alunos invadindo escolas e atirando pra matar geral, de crime organizado, de
roubos, estupros ou gangues, pensamos instintivamente em homens (e com razão).
• Homens são muito
mais propensos ao fanatismo (de qualquer tipo) do que as mulheres. Há muito
mais homens em torcidas organizadas do que mulheres, e praticamente só eles se
envolvem em brigas de torcida (que frequentemente resultam em feridos e
mortos), tudo isso por “amor” ao seu time do coração. Há muito mais homens no
Estado Islâmico (ISIS) do que mulheres, e dos comentários insultuosos que já
recebi ao longo desses dez anos de apologética, 99% deles são de homens
fanáticos por uma ideologia religiosa ou política. Raramente uma mulher se
rebaixa ao ponto em que os homens costumam descer em um debate, com ameaças de
morte e ofensas das mais baixas e obscenas possíveis.
• Homens são também
mais propensos aos vícios do que as mulheres. Dos viciados em drogas, 80% são
homens (veja
aqui). Dos viciados em pornografia, 76% são homens (veja
aqui). Também há mais fumantes homens do que mulheres (veja
aqui), e homens bebem mais e mais frequentemente do que mulheres (veja
aqui). Por isso não surpreende que a expectativa de vida das mulheres seja
maior que a dos homens no mundo todo (e que seja tão mais comum vermos homens
caindo bêbados por aí do que mulheres). Isso deve significar que as mulheres
têm mais “força mental” do que os homens, embora os homens tenham mais força
física (o que explica por que há mais homens internados em hospícios do que mulheres).
• Homens também são
mais propensos ao vandalismo do que mulheres. É muito mais fácil encontrar um
pichador de rua do que uma pichadora. É muito mais comum encontrar um homem depredando
um patrimônio público ou privado do que uma mulher. Durante as manifestações de
2013, os chamados black blocs que
estavam ali apenas para destruir tudo e causar o caos eram esmagadoramente
homens.
• Testes recentes realizados
na Europa, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Argentina constataram que
as mulheres têm em média um ponto de QI a mais do que os homens (veja
aqui), e provaram que a razão pela qual os testes mais antigos apontavam o
contrário era apenas porque as mulheres tinham bem menos acesso à educação do
que os homens, no passado. Ademais, dos doze tipos de inteligência propostos por
Howard Gardner, as mulheres são superiores em nove (veja aqui).
• As mulheres são
maioria nas universidades (veja
aqui) e tem um índice de conclusão de curso maior do que os homens, que
abandonam mais cedo (veja
aqui). Das 55 redações com nota mil no Enem do ano passado, 42 foram
escritas por mulheres (veja
aqui). Depois de analisar 137 mil notas de 22 mil alunos do Centro
Universitário Augusto Motta, concluiu-se que as mulheres obtiveram notas 3%
superiores aos homens (veja aqui). Lembre-se
que Eva só caiu por tentação de um ser sobrenatural, enquanto Adão precisou
apenas da sugestão de Eva.
• Estudos recentes
também constataram que gestoras mulheres são melhores que homens em atributos
de liderança, se saindo melhor do que eles em cinco dos sete atributos
fundamentais para uma boa liderança: admitir erros (66% das mulheres ante 34%
dos homens); comunicar-se de forma aberta (62% e 38%, respectivamente); extrair
o melhor de subalternos (61% e 39%) e liderar pelo exemplo (57% e 43%). O
estudo entrevistou ao todo 6.509 pessoas em 13 países, incluindo o Brasil (veja
aqui).
• É difícil analisar a
fundo se as mulheres também governam melhor do que os homens, porque este é um
fenômeno relativamente recente e ainda assim raro. Todavia, é bem sabido que
dos 63 monarcas ingleses/britânicos que já ocuparam o trono (a esmagadora
maioria homens, pois as mulheres só governavam na ausência de filhos homens),
nenhum passou perto da rainha
Isabel (1558-1603), a grande responsável pela grandeza inglesa. Em suas
mãos, a Inglaterra entrou numa «era de ouro», deixando a posição de potência de
segunda ordem para se tornar o país mais poderoso da Europa. Sabemos também que
homens são mais propensos a governarem regimes autoritários/totalitários e que
todas as ditaduras do mundo são sempre governadas por homens, mas mulheres tendem
a ter regimes democráticos mais longos e estáveis (como Margaret Thatcher na
Inglaterra e Angela Merkel na Alemanha). Estudos recentes também demonstraram
que os países onde mais mulheres estão no governo têm menos corrupção (veja
aqui).
• Por serem
naturalmente mais inclinados à violência, homens também provocam mais guerras
do que mulheres, frequentemente por razões frívolas como a mera conquista
territorial, quando não por causas mais graves como a imposição de uma ditadura
ou de uma ideologia nazista, fascista, comunista e etc. Isabel governou por
quase 50 anos sem provocar nenhuma guerra, no mesmo período em que monarcas
homens assolavam a Europa com guerras intermináveis. Christian Mequida e Neil
Wiener, da Universidade York, analisaram a história e a população de mais de 150
nações do mundo todo e descobriram que os países mais beligerantes são aqueles
onde a proporção de jovens do sexo masculino passa dos 35% (veja
aqui).
• Certas coisas a
gente não percebe na infância, mas nota depois que cresce. Fazer estágio em
história nas turmas do Ensino Fundamental me fez observar algumas coisas um
tanto óbvias, tais como: (a) meninos costumam ser bem mais bagunceiros e
atrapalham muito mais as aulas do que as meninas; (b) meninos se envolvem em
brigas com mais facilidade; (c) meninos são mais hiperativos, às vezes só pra
chamar a atenção mesmo; (d) meninos são mais displicentes na apresentação de trabalhos
e os esquecem com mais frequência; (e) meninos tem mais dificuldade em se
submeter a autoridades como o professor e outros agentes da escola, e assim por
diante.
• Depois que crescem,
as mulheres continuam apresentando alguns atributos mais nobres, por exemplo:
(a) são mães mais atenciosas e prestativas do que os pais (no geral); (b) sabem se comunicar
melhor e dão mais valor às coisas “pequenas” da vida e do cotidiano, enquanto os
homens são mais “objetivos”, por isso é mais difícil ter uma conversa longa com
eles; (c) conseguem realizar múltiplas tarefas ao mesmo tempo, com muito mais
facilidade do que os homens; (d) tem mais flexibilidade em aceitar ou pelo
menos tolerar pontos de vista diferentes, enquanto os homens tendem a ser mais obstinados
e se acharem os donos da verdade (não é à toa que há
mais mulheres que aceitam a fé cristã do que homens, e que elas tem uma
frequência maior nos cultos); (e) mulheres tem mais sensibilidade, o que lhes
confere uma capacidade maior de amar e de demonstrar esse amor, e talvez isso
explique por que há bem menos psicopatas mulheres do que homens.
A conclusão que eu
quero chegar não é que de fato as mulheres sejam superiores aos homens (embora
se tivéssemos que escolher um, sem dúvida seriam elas), mas sim que Deus criou
ambos com personalidade e atributos físicos diferentes, nos quais em alguns os
homens se sobressaem mais, e em (muitos) outros as mulheres. Eu pretendia que
este artigo fosse publicado no dia das mães (anteontem), o que infelizmente não
foi possível. Mas como já disse alguém muito sábio, todo
dia é dia das mães, então está valendo :)
Fonte: lucasbanzoli.com
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