sábado, 23 de novembro de 2019

Eli Bowen e Charles Tripp.


Será que precisamos da igreja?

Um dia dois homens se encontram e se tornam grandes amigos. Eles se dão tão bem que acabam trabalhando juntos. Cada homem tem seus talentos, cada um com suas dificuldades e limitações, mas juntos eles formam uma grande equipe. Isso, claro, não é uma história incomum. Na verdade, é tão comum que dificilmente parece valer a pena contar. Mas eu vou contar assim mesmo.

Porque às vezes uma história é tão singular - e tão instrutiva - que merece nossa atenção. De fato, às vezes uma história resume o que significa ser um ser humano – e mais, ser um ser humano regenerado. A amizade e o relacionamento de trabalho de Eli Bowen e Charles Tripp é apenas uma dessas histórias.

Eli Bowen nasceu no norte de Ohio em 1844. Da cintura para cima, ele parecia um cara comum, provavelmente um que poderia se dar bem na academia do bairro. Um peito desenvolvido. Braços fortes, bíceps de aço. O tipo de cara que você quer ao seu lado em uma boa briga. Mas da cintura para baixo, ele era tudo menos mediano. Ele nasceu com um raro defeito conhecido como focomelia, no qual seus pés não desenvolvidos estavam presos aos quadris. Ele não tinha pernas.

Onze anos após o nascimento de Eli, outro menino veio ao mundo. Charles Tripp nasceu em Ontário em 1855. Ao contrário de Eli, da cintura para baixo, Charles parecia um cara normal. Duas pernas, dois pés. Mas ele era diferente fisicamente da pessoa comum de um jeito: ele nasceu sem braços. Desde cedo, ele aprendeu a usar seus pés para praticamente tudo que a maioria de nós usa nossas mãos para fazer: desde pentear o cabelo até escrever e fazer a barba.

Tanto Eli como Charles acabaram sustentando suas famílias ao se apresentarem no circo. Mais tarde, eles se conheceram e se tornaram amigos e colegas de trabalho. Sua parceria única foi capturada em uma foto inesquecível. Ali está Charles na parte de trás de uma tandem, os pés nos pedais, pronto para coloca-los em movimento. E lá está Eli na frente da tandem, com as mãos no guidão, pronto para guiar.


Para mim, o que é especialmente memorável nessa imagem é que é tão comum. Eles não estão no trapézio. Eles estão de bicicleta. Indo para um passeio. Parece que eles estão apenas se divertindo, fazendo o que amigos fazem, agindo como se fosse a coisa mais comum do mundo.

Dois homens, cada um forte, capaz e talentoso em uma área, e também carente em outra área, foram capazes de fazer juntos o que nenhum dos dois seria capaz de fazer sozinho.


Nós fomos criados para precisar dos outros. Esta fotografia em preto-e-branco, tirada na década de 1890, captura perfeitamente em uma única imagem o que significa florescer como ser humano imperfeito, mas regenerado por Deus para um dia ser a perfeita imagem do Seu Filho. Nós não podemos ser desafiados por qualquer deficiência física como eles, mas todos nós temos deficiências de uma forma ou de outra. E nossas deficiências, entre outas coisas, são a razão pela qual Deus nos une aos outros. Nesses relacionamentos dependentes, aprendemos que não precisamos apenas dos outros, mas que, de fato , somos criados para precisar dos outros .

O primeiro "não bom" deste mundo foi um homem sozinho. Não era bom que Adão fosse um indivíduo isolado. Ele precisava de alguém para ajudá-lo, estar ao seu lado, pois sem essa outra pessoa ele não poderia ser o homem que Deus o havia criado para ser – mesmo ainda sendo sem pecado e vivendo no Paraíso. Sozinho, Adão não podia guardar e manter o jardim. Ele não podia subjugar a terra... Ele seria totalmente prejudicado por seu próprio isolamento. Ele pode ter parecido o indivíduo perfeito, mas ele não era. Para verdadeiramente florescer no mundo, ele precisava de outra pessoa ao lado dele.

O ethos  de nossa cultura proclama o ideal do indivíduo robusto que não precisa de mais ninguém – e esse ethos infelizmente dominou a mente de muitos que se dizem cristãos hoje – fingem que não, mas são apenas um eco de uma cultura centrada em si mesma – amantes de si mesmos. Mas isso não é apenas uma mentira; é também a receita para o desastre. Em nossas vidas nunca seremos as pessoas que Deus quer que sejamos, se fingirmos que podemos ser e fazer tudo por conta própria. Precisamos de amigos, família e igreja - e eles precisam de nós. Nós não florescemos isoladamente, mas unidos.


Na bicicleta, Eli era os braços de Charles, enquanto Charles era as pernas de Eli. A imagem me lembra a imagem que Paulo nos dá do corpo de Cristo. Alguns de nós são os olhos, alguns os pés, alguns as mãos, outros os ouvidos. O ouvido não pode dizer aos olhos: "Eu não preciso de você". Nem as mãos podem dizer aos pés: "Não precisamos de você". Todas as partes do corpo funcionam melhor quando todas as partes do corpo conhecem e reconhecem sua dependência de todas as outras partes do corpo.

Após a conversão, quando um homem de fato foi regenerado, a motivação para tudo na vida deve ser o desejo de agradar a Cristo, que, como Kurios (Senhor), tem direitos de propriedade sobre a sua vountade – douloi (Escravo) – “Paulo, escravo de Cristo Jesus...” (Romanos 1.1) - “E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.” - 2 Coríntios 5:15


Este é o ponto crucial se estamos falando de uma doutrina, casamento, membresia ou frequência à igreja... ou qualquer outra área da vida cristã. Quando respondemos a mandamentos divinos com um “mas” ou uma série de desculpas, nós exibimos a Serpente (questionando com Eva a clara ordem de Deus), e tratamos a Deus como nosso colega de debates. Isso não é pensar como um escravo. E não se engane, se não somos escravos de Deus, então somos escravos do pecado (Romanos 6.15-23). Mas nós somos escravos! Então, o que você faz quando confrontado com um mandamento claro, com o claro ensino das Escrituras.


Sem argumentação bíblica, argumentamos como ímpios. O ensino das Escrituras muitas vezes atravessa a nossa vontade natural, sobre casamento, igreja, trabalho, lazer... mas grande parte das argumentações se opondo a verdade não partem de textos bíblicos. Pessoas dizem: “não faço parte de nenhuma igreja – não congrego... porque há muitos erros...” – Esse não é um raciocínio bíblico. Não flui de nenhum texto e ensino das Escrituras, que na verdade, ensinam o oposto: “"Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns..." - Hebreus 10.25


Deus instituiu o casamento. Você crê nesta instituição? O homem pode argumentar da mesma forma – como se quisesse vencer Deus num debate. Nós precisamos de argumentos bíblicos - mas grande parte dos argumentos nem são lógicos e nem bíblicos -

Por exemplo - Deus criou a instituição do casamento - o casamento de muitas pessoas é um fracasso - Aí alguém dirá - "eu não acredito na instituição do casamento!" - Mas isso o coloca em rota de colisão com Deus que instituiu o casamento - o argumento (muitos casamentos são um fracasso) em nada justifica sua rebeldia contra o claro ensino de Deus sobre o casamento, nem anula o que Deus instituiu.

A mesma coisa se aplica a igreja e a todas as coisas que Deus instituiu - quando argumentamos sem argumentação bíblica, argumentamos como ímpios!! Se não cremos em Cristo no que diz respeito a igreja, casamento...não podemos tê-lo como Senhor e salvador...

Repito, o que você faz quando é confrontado com um claro ensino bíblico? Tomamos um caminhão de desculpas e justificativas e racionalizações (argumentando sem a Bíblia ) em “lógicas” ímpias... para não nos submetermos? Argumentação pífia e que racionaliza qualquer mal – Deus instituiu a família, a maioria das famílias são uma fracasso – eu não acredito na instituição da família – Essa é a ‘lógica’ do diabo! Não pode haver argumentação mais ímpia.

Quando recebemos orientação clara da bíblia, devemos abandonar racionalizações, devemos dizer: “sim, eu vou precisar de ajuda”, e então tomar a nossa cruz, nos contarmos como mortos para nós mesmos e nossas opiniões e “lógicas” ímpias, suplicarmos por graça para que em tudo Deus nos leve a obediência.


Abandonamos assim o “mas” – Muitos insistem: “Deus disse para eu obedecer, mas eu tenho estas desculpas, desafios e dificuldades – eu não consigo aceitar...” – Não! Pare! Se você insiste em argumentos não bíblicos sobre família, casamento, igreja... você coloca o seu juízo sobre Deus. O que quer dizer que não importando o que sua boca professe sobre o evangelho, suas escolhas dizem que você acha o juízo de Deus deficiente e inapropriado, se coloca como seu superior. Você não é escravo, Ele não é Senhor... Significa que você é um tolo, e de fato blasfemo, quer você tenha pretendido ou não ser.


Cristo preparou a igreja local, ministérios, comunhão, disciplina... Diz que você precisa dessa comunhão, crescer com todos os santos... “E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado... até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo.” - Efésios 4:11-13 – Cristo diz que você é parte do corpo que precisa de ministério, comunhão, disciplina... numa igreja local... congregando... Você diz: não! Você ou Jesus? Você ou Jesus? Kurios (Senhor) ou douloi (Escravo)?


A confissão de Jesus como Senhor é fundamental para a fé cristã (Romanos 10.9; 1 Coríntios 12.3; Filipenses 2.11). Em fé e verdadeiro arrependimento, nós dobramos os joelhos ao senhorio de Cristo. O problema de nossa geração – os arroubos anti-igreja nada tem do Novo Testamento.  Slogans de panfleto e não a Bíblia tem guiado grande parte das pessoas hoje. Muitos não querem ser simplesmente cristãos - querem se ver como revolucionários - "Ches Guevaras" -Mas a verdade é: O Novo Testamento não conhece nada sobre cristianismo sem igreja. A igreja invisível é para os cristãos invisíveis. A igreja visível é para você e para mim. Tire a camiseta de Che Guevara, pare a "revolução", e se junte ao resto dos discípulos de Cristo: "Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns..." - Hebreus 10.25.


Eu não sou a igreja e você não é a igreja. Você é parte da igreja. A palavra κκλησία ( ekklesia ) significa "assembleia", e não, você não é realmente uma assembleia. Você é um cristão. De todos os 112 casos em o Novo Testamento onde "ekklesia" se refere à instituição fundada por Cristo, em todos, exceto em cinco (por exemplo, se referindo a igreja - "ekklesia" - se referindo a uma assembleia futura Efe. 5:25-32 e Heb. 12:23) - refere-se a uma igreja particular, concreta, local, ou a uma pluralidade de igrejas semelhantes, como "a igreja que estava em Jerusalém" (Atos 8:1); "todas as igrejas dos gentios" (Rom. 16:4); "as igrejas da Macedônia" (2 Cor. 8:1); "a igreja em tua casa" (Filemon 2); e "as igrejas de Deus" (2 Tess. 1:4).


A raiz do problema hoje não é falta de clareza bíblica, a raiz é um problema de autoridade. Não gostar de se sentar e escutar enquanto outra pessoa fala. Não gostar da ideia de liderança. Ânsia por ser um “rebelde revolucionário”. Não gostar do comprometimento, do compromisso, de ser responsável... Não há nada de bíblico nisso, mas exatamente o oposto do ensino bíblico.


Nossa raça foi infectada por um a vírus anti-autoridade quando nossos pais ouviram no Jardim do éden: “Sereis como deuses”. Mas conversão, conversão verdadeira trata e extermina este vírus.


Arrependimento bíblico não é pedir desculpas a Deus e depois tentar "cristianizar" todos os seus gostos, desejos, tribo...

O arrependimento bíblico consiste em uma transformação radical de pensamento, atitude, perspectivas e direção .... Arrependimento bíblico é uma mudança do pecado para Deus e seu serviço, Cristo o Senhor, eu o escravo. É a morte do Eu, do viver para mim - para tomar a cruz e negar a mim mesmo.

Arrependimento é uma revolução no que é mais determinante na personalidade humana e é o reflexo na consciência de a mudança radical operada pelo Espírito Santo na Regeneração.


Mas o homem natural é – Só você, só você... como você quer... exatamente por ser livre disso o homem regenerado se torna um membro do corpo de Cristo que é a igreja – Você prefere ficar em casa, ser “cristão” que diz que sozinho é a igreja – tolice.  Você quer apenas fazer tudo quando quiser, onde quiser... nenhum povo “chato” no qual você tenha que exercer a paciência, longanimidade, amor... sem necessidade de se ajustar... Só você, você, você... Mas Jesus – O Senhor – ordena estar uma igreja local, juntar-se a igreja, participar da igreja, congregar ( em Corinto, Galácia, Éfeso, Colossos, Tessalônica, Laodicéia... Seu bairro, outro bairro...), ter uma liderança humana como ( Timóteo, Tiago, João, Silas, Barnabé... pastores, presbíteros...) – Esse é o problema, Cristo é o Senhor! A igreja lhe pertence, ele determina o que e o como da igreja... Ele é o Senhor em realidade ou teoria? Ele é apenas um colegar de debates? Ele é Senhor quando é conveniente, ou não? É o nosso Ego que controla os limites do Senhorio de Cristo.

Quanto mais velho eu fico, mais eu sou grato por enxergar minhas limitações, minhas deficiências... todas as áreas da minha vida onde eu não posso fazer sozinho. Sou grato por isso porque, o que me falta, Deus fornece em outras pessoas. E essas outras pessoas são verdadeiramente presentes de Deus para mim. Juntos, podemos montar essa bicicleta tandem, podemos ser a igreja, podemos ser amigos que se completam.

O Pai organizou o mundo de tal maneira e redimiu-o em Cristo, para tornar cada um de nós incompletos em nós mesmos e suficiente em outros – e todos os redimidos completos assim em Cristo. Agradeça a Deus pelo que te falta, pois no que está faltando, aprenderemos não apenas a humildade, mas o amor pela pessoa por meio da qual o Senhor supre nossa deficiência.

Fonte: http://www.josemarbessa.com

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