terça-feira, 15 de outubro de 2019

AS LIÇÕES DO GETSÊMANI

36 Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar;
37 e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se.
38 Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo.
39 Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres.
40 E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo?
41 Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.
42 Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.
43 E, voltando, achou-os outra vez dormindo; porque os seus olhos estavam pesados.
44 Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras.
45 Então, voltou para os discípulos e lhes disse: Ainda dormis e repousais! Eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos de pecadores.
46 Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima.
Mt 26.36 – 46

Jesus se dirige para um lugar chamado Getsêmani, que significa “lagar do azeite”. Situado no Monte das Oliveiras, bem interpretado como “Jardim das Oliveiras”.

Neste local Jesus vai passar a maior aflição emocional registrada nas Escrituras sobre a vida dele.

Esta história, registrada nos quatro evangelhos, nos deixa lições importantíssimas para nossa vida cotidiana.

Vamos aprender sobre este texto fazendo uma interpretação expositiva.

1.     Este era um lugar onde Jesus costuma ir V.36

1 Tendo Jesus dito estas palavras, saiu juntamente com seus discípulos para o outro lado do ribeiro Cedrom, onde havia um jardim; e aí entrou com eles.

2 E Judas, o traidor, também conhecia aquele lugar, porque Jesus ali estivera muitas vezes com seus discípulos. Jo 18.1 – 2

Jesus tinha seu lugar de oração, seu “quarto de guerra”.
Ele não foi para este lugar por causa da ocasião da perseguição, ele foi para lá como de costume.
Era um hábito de Jesus ir para o Getsêmani, tanto que Judas o encontrou lá, pois já esteve com ele várias vezes neste lugar.

2.     Jesus andava com amigos V.37

Existem aqueles mais chegados. No caso de Jesus sempre foi Pedro, Tiago e João. Tanto aqui no Getsêmani quanto no monte da transfiguração.

Se Jesus, que é o Filho de Deus, andava em comunhão, quem sou eu para andar só?

Neste texto Jesus mostra toda a sua humanidade, ele se entristece, se angustia.

Marcos diz que ele sentiu pavor e angustia. Mc 14.33

3.     Jesus desabafa com seus amigos V.38

Ele está profundamente triste, e abre o seu coração para seus amigos.
Além disso, ele pede ajuda, “fiquem comigo”, “vigiem comigo”.

Jesus não tinha orgulho. Não estava preocupado com o que os discípulos iriam pensar sobre ele.

Jesus sabia pedir ajuda.

Obs.: Vamos ver mais pra frente que os dois pedidos que Jesus fez não foram atendidos. Eles abandonaram Jesus e dormiram deixando de vigiar.

4.     Jesus foi orar de joelhos V.39a

Se Jesus, o Rei do Universo, se prostra pra orar (Lucas fala de joelhos), então eu preciso orar muito!

Se Jesus coloca o rosto em terra e se derrama em oração, então tenho uma lição muito importante, preciso me render em oração.

O texto nos ensina também, que devemos orar quando estamos em aflição.

No versículo anterior ele estava em aflição, em seguida ele vai orar. Que lição maravilhosa!

5.     Jesus ora para que seja feita a vontade do Pai V.39b

A frase “não seja como eu quero” mostra que a vontade de Jesus era não igual a vontade do Pai.

Precisamos orar pedindo a vontade do Pai, mesmo quando for diferente da nossa.

A oração do PAI NOSSO nos ensina assim: Seja feita a tua vontade!
O detalhe é que o começo da oração de Jesus são palavras que Jesus sabia que não seriam atendidas pelo Pai. Quando ele diz “Se possível, passa de mim este cálice!”.

Em Marcos ele pede com mais detalhes, e diz: “Aba Pai, tudo te é possível, passa de mim este cálice”.

Estas palavras mostram que a oração de Jesus não era hipócrita. Ele era sincero em suas palavras, rasgava o coração falando seus sentimentos para o Pai, mesmo sabendo que não poderia ser atendido.
O cálice que ele estava falando era a ira de Deus que seria derramada sobre ele na cruz.

Jesus, sabedor do plano de salvação, tinha vindo para terra com este propósito, logo, ele sabia que esta oração não seria atendida.

As vezes teimamos em orar coisas que o Senhor não nos ouvirá: “Senhor, manda fogo do céu naquela pessoa”, “Senhor me dá o marido da outra”, etc.

As vezes pedimos respostas para o Senhor nas orações que já estão reveladas nas Escrituras: “Senhor, devo me santificar com minha namorada?”, “Senhor, devo perdoar meu irmão?”. É obvio que o Senhor nem responderá estas orações, pois já estão respondidas na Bíblia.
João, um dos espectadores da ocasião do Getsêmani aprendeu sobre isso e disse:

14 E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.

15 E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito.
I Jo 5.14 – 15

6.     Jesus supera a decepção V.40

Jesus tinha feito um pedido para eles ficarem vigiando, mas eles dormiram. Não conseguiram ficar uma hora acordados.

Os amigos de Jesus eram como os nossos, imperfeitos.

Jesus sofreu a famosa “DECEPÇÃO”. Ele tinha uma expectativa de que seus amigos pudessem vigiar e guardar a vida dele, mas a realidade foi bem diferente.

Decepção é quando a expectativa não condiz com a realidade.

As vezes esperamos demais das pessoas, mas elas são falhas.

Na igreja, muitos irmãos esperam uma visita, uma ligação, mas eles mesmos nunca visitaram nem ligaram para ninguém.

7.     Jesus ensina vigiar e orar V.41

Vigiar – se policiar, se dominar, ficar atento e apercebido contra as ciladas do diabo.

Orar – não existe resistência sem a ajuda do Espírito Santo.
Jesus fala qual seria o propósito de vigiar e orar, era não entrar em tentação.

Eles seriam tentados a abandonar o Senhor.

E foi exatamente o que aconteceu, porque fizeram exatamente o oposto que Jesus ensinou.

Eles não oraram e não vigiaram, e por isso, abandonaram ao Senhor.

8.     Perseverança na oração V.42 – 44

Jesus foi orar pela segunda e pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras.

Neste momento apenas Lucas relata alguns detalhes.

43 [Então, lhe apareceu um anjo do céu que o confortava.

44 E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.]
Lc 22.43 – 44

Um anjo lhe conforta, assim como foi no deserto quando estava em jejum.

Quando todos te abandonam, mas você está em oração, então você tem o consolo e o conforto do Senhor.

Aqui neste texto é a única vez no NT que aparece a palavra “agonia”.

E enquanto ele estava em agonia, ele orava mais intensamente.

Quando você está aflito você precisa orar, e orar e orar.

E o suor de Jesus se tornou em gotas de sangue.

A medicina chama isso de diapedese, quando as células sanguíneas saem do corpo.

Sua angústia era imensurável.

Veja o poder da oração, depois do Getsêmani não vemos mais Jesus angustiado, mesmo quando ele é preso, cuspido, esbofeteado, etc.

Ele vai para oração angustiado, mas sai da oração triunfando.

CONCLUSÃO

Devemos orar em nossas angústias.

(Sl 50.15) Não adianta ficar chorando, o Senhor ouve oração, não lamentos.
Devemos orar pela vontade de Deus.

Aceitar um NÃO de Deus é sempre muito difícil.

Devemos orar com sinceridade, sem hipocrisia.

Devemos orar com perseverança e fé.



Fonte: www.teologaroficial.com.br

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