quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O início do fim da era cristã

Efésios 2:1. Ele vos deu vida, estando vós mortos em vossos delitos e pecados.
Antes de tudo, a depravação total da humanidade é uma doutrina bíblica. O pecado de Adão deformou intensivamente a natureza humana. Não só o homem foi degradado pelo pecado, mas toda a criação. A depravação é intensiva e completa, afeta a humanidade em todos os níveis. Ela reduz o homem à condição de quase animalidade ao deformar em nós a imagem e a semelhança de Deus. As multidões quase incontáveis que vagam pela vida, destituídas de dignidade e reduzidas à imbecilidade, proclamam essa verdade. A vida de bilhões se resume a comer, reproduzir e morrer. A miséria de suas vidas reflete depravação de suas almas. A vida é apenas biológica, estão e são absolutamente mortos espiritualmente, não passam de cadáveres que respiram!
Os mais afortunados econômica e socialmente também não escapam da putrefação espiritual causada pelo pecado, no entanto, a diferença é que os envolve um verniz de sucesso material, que aparentemente os faz pensar que vivem. Corpos vivos e almas mortas, assim é o homem do pecado. A falsa impressão de vitalidade trazida pelo pecado é só um paliativo, uma mentira soprada por Satanás nos ouvidos humanos. Por isso muito se ri, muito se diverte e muito se festeja. Diante da tragédia da morte, o homem "vive", dá-se em casamento, se regozija diante da imundície com um orgulhoso senso de imortalidade.

O cristianismo compreendido como fundamento da civilização moderna está morto! Sua função de fundamento epistemológico foi mortalmente abalada pelo relativismo pós-moderno! A vastíssima contribuição do pensamento cristão a cultura e ao saber está sendo esquecida tanto na Europa quanto na América pós-cristã. O pentecostalismo e o neopentecostalismo são bizarrices teológicas que comprometem muito mais do que beneficiam o cristianismo, o que só ratifica a ideia do fim da era cristã.
O fim da modernidade, cuja preocupação com imperativos morais era visível, que bebia da racionalidade cartesiana, marca o início da pós-modernidade, cuja característica primeira é o absoluto relativismo (uma contradição). Durante a modernidade, no auge do capitalismo bem sucedido e da revolução industrial, o cristianismo cumpriu um papel fundamental como estruturador não só do conhecimento, mas de padrões éticos, morais e legislativos. As sociedades, mesmo que deformadas pelo pecado, erguiam-se sob leis e Estados que obedeciam a certo padrão bíblico de governo. Pensadores como Rosseau, Locke, Hobbes, Kant, Hegel e outros, buscavam no cristianismo [mesmo que indiretamente], a referência para construção de suas ideias e para as implicações práticas delas na constituição de seus modelos de Estado e sociedade.
Na pós-modernidade isso acabou. A relativização absurda da razão matou a coerência e a verdade! A permissividade entendida equivocadamente como "verdade do outro" é responsável pelo recrudescimento da podridão ética e moral em nosso tempo. A depravação total do homem nunca foi tão palpável! O certo ao ser confundido com o que dá certo resulta numa sociedade sem qualquer traço de retidão. A felicidade como um fim em si mesma, e o prazer como motor dessa felicidade potencializa o pecado. Diante da corrupção causada pelo relativismo pós-moderno, tudo cai num estado de degradação quase absoluto, a cultura, as leis, a política, a economia e as ideias.
Morte em vida! É o que resta a cadáveres insepultos. Tudo gira em torno de falsas premissas. Como nos dias do dilúvio, o homem vive despreocupado, alimentando seu vazio com festejos e prazeres descontrolados. A sensação de que tudo é possível trazida pelo avanço inócuo da tecnologia aumenta a sensação mentirosa e fugaz de eternidade. A vida cheia de promessas vãs e prazeres imediatos traz uma falsa sensação de independência diante do senhorio de Deus. A humanidade vive seu delírio, achando que tem controle sobre a vida. Pensando que tudo pode e que tem tudo. Mas, vive sem Jesus! Então, tudo lhe é subtraído, inclusive a vida!

O fim da era cristã, todavia, não significa o fim da Igreja de Cristo! O problema não está no evangelho, está no cristianismo debilitado pelas heresias, está no pecado que deprava a natureza humana. A Igreja de Cristo é invencível, nos prometeu o próprio Jesus. Os que Deus elegeu serão alcançados irrevogavelmente e suas naturezas regeneradas, para glória e louvor de seu nome. O antídoto para depravação e suas mazelas é a regeneração dos eleitos. A condição desumana de quase animalidade trazida pela depravação será desfeita pela regeneração. A nova criatura será reconduzida a imagem e semelhança do Criador.
A confusão de nossos dias não é confusão para Deus. Tudo foi preordenado para que seu nome fosse alçado acima de todos os nomes. O Senhor Jesus voltará em poder e glória e a criação será restaurada. A realidade desfeita e caótica são sinais de sua volta. O caos aparente é, na verdade, o perfeito acontecer de sua vontade!

SOLI DEO GLORIA!


Autor: Davi Peixoto
Divulgação: Bereianos

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