domingo, 9 de fevereiro de 2014

A relação entre os vivos e os mortos na reza

Porque os bem-aventurados, estando mais intimamente unidos com Cristo, consolidam mais firmemente a Igreja na santidade, enobrecem o culto que ela presta a Deus na terra, e contribuem de muitas maneiras para a sua mais ampla edificação em Cristo (cfr. 1 Cor. 12, 12-27).”

 Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, parágrafo 49

    Citando o texto de 1 Co 12, a cúria romana tenta ensinar, baseando-se nas tarefas diferenciadas dos membros do corpo de Cristo, que os que morreram continuam a exercer alguma tarefa junto à Igreja.  A Bíblia não ensina em lugar nenhum que os que morreram “contribuem de muitas maneiras” para a edificação dos que estão na terra. Certamente não foi lendo a Bíblia que o Vaticano aprendeu isso. É fato que o Catolicismo rege uma união entre os crentes vivos na terra e os que estão com Cristo, porém ignoram as leis e preceitos que Deus estabeleceu sobre a morte.

A Bíblia diz que os que morreram não têm “daí em diante parte para sempre em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.” (Ec 9:6), isto é, eles não têm mais nada a ver com o que se faz na terra. Veja como a Bíblia Ave Maria verte o texto: “não terão mais parte alguma, para o futuro, no que se faz debaixo do sol.”. Este é um princípio de Deus, portanto, imutável. Os mortos não tem nada a ver com o que se faz “debaixo do sol” (isto é, nesta vida). Como pode a Igreja Católica ensinar que eles têm parte com o que se faz neste mundo, quando a Bíblia afirma que não? Há inúmeros casos de intercessão na Bíblia, mas somente de pessoas que estavam “debaixo do sol”, ou seja, vivos, nunca de pessoas que já morreram.

Entretanto, em um esforço para tentar provar seu ponto de vista, os apologistas Católicos citam dois textos para tentarem provar que os mortos podem contribuir para a edificação dos vivos. Vejamos:

1.  A.     Jeremias 15:1

Um texto frequentemente citado por eles para apoiar a intercessão dos Santos é Jeremias 15:1 que diz:

Disse-me, porém, o Senhor: Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, não poderia estar a minha alma com este povo”.
Moisés e Samuel já estavam mortos há muito tempo quando Jeremias escreveu o verso em análise. Sendo assim, os apologistas Católicos argumentam dizendo que quando Deus fala que nem mesmo se eles – Moisés e Samuel – se pusessem diante dele (intercedendo pelos israelitas) Deus se compadeceria de Israel; desta forma, os apologistas Católicos afirmam que haveria uma possibilidade de haver intercessão após a morte, pois Moisés e Samuel já haviam morrido.

Não é necessário ir muito longe para perceber que esse argumento é fraudulento e muito fraco. Onde o versículo diz que Deus se referia ao tempo do profeta Jeremias? Deus estava se referindo a Moisés e Samuel enquanto estavam vivos. Mesmo que estivessem vivos e intercedessem por Israel, Deus não voltaria atrás. Onde os apologistas encontraram a intercessão dos mortos neste versículo?
No contexto, Deus está se respondendo à intercessão feita pelo profeta Jeremias (Jr 14:19-22). Em resposta à oração do profeta, Deus diz que mesmo que Moisés e Samuel – que já tinham tido êxito em intercessões no passado (confira Êx 32:11-14, 31-35 e 1Sm 7:5-9) – estivessem no lugar de Jeremias (intercedendo por Israel naquele momento), Deus não voltaria atrás em sua decisão.

Vê-se que os apologistas Católicos usam de um argumento fraco, sem contexto e totalmente desprovido de alguma verdade.

1.  B.     Apocalipse 6:9-11

Neste texto, após a abertura do quinto selo, surgem as almas dos que foram mortos por causa de sua fé em Cristo (mártires) e eles clamavam por Justiça. Diante deste texto, os apologistas questionam: Se estes santos oram por si mesmos, o que impede que eles orem por nós?

Como já vimos, os que morreram não têm mais nada a ver com a obra que se faz na terra (Ec 9:6) e assim não podem intervir nos assuntos terrestres. Ao usarem o texto de Ap 6:9, os apologistas Católicos ignoram o contexto do livro do Apocalipse, pois estes mortos não são santos (como nos moldes Católicos), pois eram recém chegados da Grande Tribulação (veja Ap 7:14), e não estavam orando ou intercedendo, mas pedindo o cumprimento da promessa de Jesus: “Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão fartos. ” (leia as palavras de Jesus em Mt 5:6,11,12). Assim sendo, eles não estavam orando ou intercedendo, mas sim pedindo o cumprimento de uma promessa que nos foi feita por Jesus Cristo.
Podemos concluir dizendo que os que morreram, não tem mais parte com os vivos, embora façam parte da Igreja de Cristo e ainda sejam herdeiros das mesmas promessas que os vivos. No entanto, seu estado os impedem de agir em prol dos vivos (Fp 1:21-24), mas apenas aguardam a ressurreição para a vida eterna (leia Ap 6:11).



Extraído do livro “O Catolicismo e a Bíblia” de Rafael Nogueira

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