quarta-feira, 13 de junho de 2012

Cuidado Com o Apóstata!

Depois de muito tempo ouvindo a palavra "apóstata" como algo pejorativo, resolvi publicar aqui um texto do filósofo brasileiro Huberto Rohden. No texto, Rohden nos relembra o porquê das religiões organizadas temerem tanto os "apóstatas". Elas tem tanto medo que chegam ao ponto de excomungar e difamar , ou, quando tem poder suficiente, de matar o "herege". Qualquer semelhança com a Igreja SUD não é mera coincidência.


O homem altamente espiritualizado é sempre uma espécie de exceção da regra, é um pioneiro que abandonou as velhas estradas conhecidas e batidas pela turbamulta dos crentes e rasga caminhos novos, “por mares nunca dantes navegados”, por ignotas florestas, por ínvios desertos que poucos conhecem.

Esse homem ultrapassa, quase sempre, os caminhos tradicionais do passado, e até do presente, e abre novas rotas para o futuro. Toda e qualquer inovação, por mais verdadeira, é, no princípio, considerada como erro, e até como perigo social.

Ora, é sabido que, no mundo espiritual, todo homem se sente grandemente inseguro, porque esse mundo lhe é desconhecido, como tudo que apenas se crê, sem dele ter experiência imediata.

Nenhum crente sabe o que é o Reino de Deus, assim como um cego de nascença não sabe o que é a luz, o que são cores, embora tenha decorado as mais verdadeiras teorias sobre esses assuntos.


A única coisa que dá certa segurança ao homem inexperiente é o fato de que milhares e milhões de outros homem trilham esses mesmos caminhos, já por séculos e milênios, e muitos deles são bons e relativamente felizes.

De maneira que o fator “massa” e o fator “tradição” nos dão uma espécie de segurança e firmeza, no meio da insegurança e incerteza que, naturalmente, experimentamos por entre as trevas ou penumbras da vida espiritual. E isto nos faz bem.

Quando então aparece um homem que parece não necessitar desses elementos de segurança garantidos pela massa e tradição, dá-se uma espécie de terremoto que abala as instituições antigas.

E os que ainda necessitam dos elementos massa e tradição começam a afastar-se desse revolucionário iconoclaste, a fim de não perderem o seu senso de segurança.

Mesmo na hipótese de que esse iconoclaste possua verdadeira segurança interior, graças à sua experiência direta, essa segurança não é transferível aos outros, e assim é compreensível que estes, não tendo a mesma experiência, prefiram apegar-se firmemente às tradições antigas que a massa professa.

E o arrojado bandeirante do Infinito fica só, ou faz parte de uma pequena elite, que não representa 1% da humanidade. Em caso algum pode esse homem apelar para uma distante tradição do passado; nunca houve grande massa de homens espirituais que fizesse tradição estratificada, e os poucos que houve ou há são praticamente desconhecidos da parte da humanidade-massa, que decide pela tradição.

Por isto, as sociedades religiosas organizadas, que contam sempre com o fator massa e tradição, dão grito de alerta e alarme, e previnem seus filhos contra o perigoso inovador, o herege, o demolidor, o apóstata.

Quando as sociedades religiosas possuem suficiente poder físico, eliminam do número dos vivos o perigoso demolidor das tradições, e isto “pela maior glória de Deus e a salvação das almas”.

Quando não possuem esse poder, procuram neutralizar a ação do herege matando-o moralmente, isolando-o por meio de campanhas sistemáticas de difamação e calúnia. E como, segundo eles, o fim justifica os meios, e como o fim é (ou parece ser) bom, todos os meios são considerados lícitos e bons, mesmo os maiores atentados à verdade, à justiça, à caridade.

Donde se segue que o homem espiritual vive numa relativa solidão. A massa não simpatiza com ele; se não lhe é positivamente antipático, mantém pelo menos uma atitude de apatia e desconfiança em face dele.

Mas para esse homem, o fator “massa” é sobejamente compensado pelo fator “elite”, ou mesmo pelo simples testemunho da sua consciência em plena solidão.”


Quando ouço de alguém a palavra “apóstata”, gosto de lembrar que ela não é de todo ruim. Pense em alguns apóstatas e hereges, tal como Jesus Cristo, Martinho Lutero, Galileu, etc.

Jesus Cristo foi um “apóstata”, um “inovador”, ele não viveu para cumprir uma série de regras estúpidas escritas em um livro antigo, ele veio para ensinar o caminho da verdadeira felicidade.

Devemos dar graças aos hereges que possibilitaram grandes avanços em nossa sociedade.


Fonte: 
http://averdadesud.blogspot.com/2010/12/cuidado-com-o-apostata.html

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