terça-feira, 11 de maio de 2010

Espiritismo: Reencarnação e Sofrimento

O Cristianismo explica que a miséria humana teve origem na queda do homem, em razão de sua desobediência. Deus fez o homem perfeito. Quando concluiu a criação do homem, disse que era MUITO BOM. A desobediência do primeiro casal levou a humanidade a passar por sofrimentos. E o maior defeito não é o físico; é o espiritual.

Assim como uma mangueira produz sempre manga, a desobediência do primeiro casal alcançou toda a humanidade. A rebeldia gerou rebeldia. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”; “Como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 3.23, 5.12). Somos herdeiros dessa natureza pecaminosa, porém “a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; não há diferença”; por isso, somos “justificados gratuitamente por Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.22,24). A nossa esperança não está aqui na Terra, mas no céu. Lá, não haverá lágrimas nem defeitos físicos, nem fome.

Sofrimento

Não raro somos desafiados a explicar a razão pela qual Deus, sendo bom, permite o nascimento de crianças defeituosas. É mais ou menos a mesma coisa que perguntar por que Deus, sendo bom, criou o mal. Deus criou o homem com possibilidade de obedecer ou desobedecer. Isto é, com livre arbítrio. Deus não quis criar um ser autômato, um fantoche totalmente dirigível. Se Deus é amor, se Deus é bom, logo, Ele não criou o mal. Ao buscar a razão do sofrimento humano em vidas passadas, a teoria da reencarnação apresenta uma explicação diferente da do Cristianismo.

Sobre as crianças que nascem defeituosas, convém sabermos que um corpo saudável, perfeito, sem dores não é sinônimo de felicidade e paz. Há cegos e paralíticos que são mais felizes do que pessoas sem nenhum problema físico. Há ricos que se suicidam e pobres que são plenamente felizes. A paz é um estado de espírito, e não uma condição material.

A paz verdadeira nasce da comunhão com Deus, pela aceitação do senhorio de Jesus, que assim nos prometeu: “Deixo-vos paz, a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá” (Jo 14.27) Isto vale para cegos, aleijados e portadores de qualquer enfermidade. Daí afirmarmos que uma pessoa cega, surda e muda pode ser feliz, pode ter seus pecados perdoados, ter paz e ser salva. Ainda que esteja no leito de morte, passando por muito sofrimento, a pessoa pode sentir essa paz.

As novas vidas corpóreas e novos sofrimentos, para garantir perfeição e paz, como ensina a doutrina espírita, são um vôo no escuro. Ninguém sabe quando findará o ciclo morte-nascimento. Tudo é incerto. Não há paz na incerteza. O Cristianismo oferece uma alternativa melhor, pois basta crer que Jesus Cristo é o Filho de Deus, que morreu e ressuscitou ao terceiro dia, que é Senhor e Salvador; basta crer, obedecer e continuar na fé. Basta isto para ser salvo. O ladrão na cruz não precisou morrer muitas mortes e viver muitas vidas. Crer foi o suficiente. Apesar do terrível sofrimento da crucifixão, morreu na certeza da paz celestial. As pedradas que sofreu Estevão, o mártir, não foram capazes de subtrair sua paz. Sei que tal verdade soa como insanidade aos ouvidos de muitos, pois “a palavra da cruz é loucura para os que perecem, mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” (1 Co 1.18).

Sabermos exatamente como o orgulho e a vontade de desobedecer tiveram origem em seres bons, criados por Deus, a exemplo dos anjos e do homem, é um problema insolúvel que somente na glória nos será revelado. Enquanto peregrinos nesta vida, enxergamos com certa dificuldade as realidades espirituais. Vemo-las embaçadas, como se as olhássemos através de um espelho (1 Co 13.12).

Quando o pecado entrou no mundo, entrou também o sofrimento. “Deus disse à mulher: “Multiplicarei grandemente a tua dor, w RU conceição; com dor darás à luz filhos...”. “E a Adão disse: “... Espinhos e cardos também [a terra] te produzirá; e comerás a erva do campo; no suor do teu rosto comerás o teu pão...” (Gn 3) Por que Deus assim falou ao primeiro casal? Ora, Adão e Eva eram puros, sem pecado. Sua folha corrida estava limpa. Como a teoria da reencarnação explica o sofrimento do primeiro casal, se não em decorrência do pecado? Adão e Eva não haviam passado pela experiência de vidas anteriores. O sofrimento deles tinha por objetivo o aperfeiçoamento? Não, não foi. Está mais do que claro que seus sofrimentos, estabelecidos por Deus, não foram em decorrência de desvios em vidas anteriores. Sei que para os evolucionistas estas considerações não fazem o menor sentido. A Bíblia diz que pela ofensa de um homem (Adão) entrou o pecado no mundo. A pior lepra não é a de cunho físico; é o pecado, isto é, a desobediência a Deus. Deus é BOM, mas castiga e repreende.

O Espiritismo acredita que Deus não "manda um filho seu para o inferno" porque Ele é amor. Realmente Ele não manda. Os homens maus, de corações duros, é que, no uso de seu livre-arbítrio, caminham em direção ao inferno.

O sofrimento passou a fazer parte da vida. O próprio Deus soberano assim o quis. Não podemos ser materialistas a ponto de acharmos que os defeitos físicos são os que nos causam maior sofrimento e prejuízos espirituais. Vejam o que disse Jesus: “Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno” (Mt 5.29). O que dizer da inveja, do ódio, da mentira, do orgulho, do adultério, da idolatria? Perguntemos então por que Deus, em tudo perfeito e bom, permite que os homens odeiem uns aos outros e consintam na prática do aborto, em que crianças inocentes e sem defesa são assassinadas. Por que Deus permite a existência de enfermidades como a AIDS e o câncer que têm dizimado milhões de vidas? A teoria da reencarnação tem respostas para todos os casos?

A reencarnação é injusta na medida em que acredita que tudo nesta vida está determinado. As decisões e atitudes individuais, em vidas passadas, selaram o destino do homem. Não há nada que possamos fazer. A situação é irreversível. Segundo a tese espírita, o progresso do espírito poderá ser retardado por tempo ilimitado, se ele não se dispuser a enfrentar as provas de novas reencarnações. A reencarnação é fatalista. Nada se pode fazer por uma pessoa que sofre, pois estaríamos retardando seus passos rumo à perfeição. O Cristianismo, porém, apresenta o perdão e a promessa de uma vida futura, não cheia de incertezas, mas de plena paz. A salvação do ladrão na cruz é exemplo. “Hoje estarás comigo no paraíso”. A felicidade de saber que seguiremos para o céu em nada se compara aos sofrimentos desta vida. Mais uma vez apresento o exemplo de Estevão, o mártir. Ele estava sendo apedrejado, mas, revelando possuir paz no coração, olhou para o céu e entregou seu espírito ao Senhor Jesus.

A teoria da reencarnação empurra o sofrimento para existências futuras, tantas que o Espiritismo não sabe quantificar. Vejam: “O número de reencarnações é o mesmo para todos os Espíritos?”. Resposta: “Não. Aquele que avança rapidamente evita provas. Contudo, essas encarnações sucessivas são sempre muito numerosas, porque o progresso é quase infinito” (Livro dos Espíritos, Allan Kardec, cap. IV, item 169). Portanto, de acordo com essa teoria ninguém sabe ao certo se alcançará a tão sonhada perfeição.

Pela essa teoria, os sofredores não sabem por que ou por quem estão sofrendo. Sequer se lembram das vidas passadas. Estão condenados a sofrer infindas encarnações, mas não sabem como, onde, quem, quando e por qual razão. O manso de coração, mesmo que não faça nenhum mal nesta vida, terá que sofrer para ser melhor na próxima existência.

O sofrimento de Jesus, a partir do seu nascimento, é uma prova de que as vicissitudes desta vida não têm a finalidade de limpar as impurezas em vidas anteriores. Como Ele foi definido como “Espírito Puro”, enviado em missão divina para ensinar aos homens uma superior moral, tudo conforme imaginou Allan Kardec, seu caso não pode ser enquadrado na teoria da reencarnação (Veja “O Espiritismo e o Sofrimento de Jesus”). Ele não é e não era um ser imperfeito. Não havia o que aperfeiçoar nEle. Por que sofreu? Seria para que servisse de exemplo? Exemplo? Devemos todos ser crucificados por uma causa nobre? Não.

Progresso moral

A teoria da reencarnação não funciona na prática. Apesar dos avanços tecnológicos e das inúmeras encarnações ao longo de milhares de anos a humanidade continua sofredora. A fome está aumentando. Ou fome não um sofrimento muito maior do que um defeito físico? Não se nota expressiva melhoria de ordem moral na raça humana. Os incontáveis ciclos morte-nascimento deveriam ter produzido melhoria considerável, pois muitas vidas já estariam quase atingindo a perfeição, ou sofrendo a última encarnação. Então seria o caso de não existirem tantas guerras, epidemias e fome. Quando chegará a tão sonhada perfeição da humanidade, conquistada por inúmeras vidas corpóreas? Leiam: “Qual o objetivo da reencarnação?” Resposta: “Melhoramento progressivo da Humanidade” (Ibidem, cap. IV, item 167). A tese de que a humanidade caminha para a perfeição moral contraria as palavras de Jesus sobre a situação futura. Vejam:

“Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão. E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo (Mt 24.9-13).

É bom lembrar que Jesus, segundo o Espiritismo, é o Espírito Puro que veio com missão divina, enviado por Deus para nos ensinar. Ora, ao falar em “princípio das dores” (Mateus 24), Jesus nos revela que os problemas da humanidade, tais como as dores de parto, serão intensificados na medida em que o fim se aproxima. Quando o Espiritismo diz que cada encarnação é um passo rumo à perfeição – e só se pode entender isso como perfeição moral - está afirmando algo que destoa do ensino do Mestre dos mestres. O ensino da perfeição de todas as almas indica que a humanidade atingirá um considerável desenvolvimento moral. Quando? A palavra de Jesus se apresenta na contramão de tal proposta. Ele assegurou que as coisas vão piorar. E estão piorando mesmo. “O princípio das dores”, como nas dores de parto, significa dores maiores e mais freqüentes com o passar do tempo. O Cristianismo explica que há um fim para o sofrimento da humanidade. No Espiritismo não há um fim à vista. Enfim, o Espiritismo diz que o amor aumentará e a iniqüidade [perversidade, maldade] diminuirá. O Mestre revelou o contrário.

A reencarnação do Espiritismo científico ensina que a ressurreição de Jesus não foi possível porque a ciência não pode, não pôde nem poderá explicar como dar vida a um corpo em estado de putrefação (Veja “O Espiritismo e a Ressurreição de Jesus”). Ora, Jesus foi o único homem que predisse a própria ressurreição e afirmou que passaria só três dias no sepulcro. Por tudo que Ele fez e ensinou, está provado que não era mentiroso, impostor ou lunático. Se desejarmos explicar a Sua ressurreição via ciência, nunca encontraremos respostas. Assemelha-se ao esforço, que dura décadas, de encontrar o “elo perdido”, o meio termo entre homem e macaco.

O Espiritismo argumenta que na reencarnação está a resposta para pessoas que já nascem com dons especiais, tais como pintores, músicos, escritores, etc. Alega que a razão disso é a experiência em vidas passadas. Leiam: “Qual a origem das faculdades extraordinárias dos indivíduos que, sem estudo prévio, parece que têm a intuição de certos conhecimentos, como línguas, cálculo, etc”. Resposta: “Progresso anterior da alma, do qual, entretanto, ela não tem consciência” (Ibidem, cap. IV, item 219).

Todavia, acerca da hereditariedade, o próprio Espiritismo diz o seguinte, o que me parece uma palavra contraditória ao que lemos acima, sobre o progresso da alma: “Os laços de sangue não estabelecem necessariamente os laços espirituais. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porque este existia antes da formação do corpo. O pai não gera o espírito do filho: fornece-lhe apenas o envoltório corporal. Mas deve ajudar seu desenvolvimento intelectual e moral, para fazê-lo progredir”.
(http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/
espiritismo/artigo567.html)

Se fizermos uma pesquisa mundial veremos que as grandes fortunas, os talentos, o aprendizado se verificaram em vida, depois de muito trabalho e dedicação. O aprendizado é passado de geração em geração. O homem iria multiplicar-se, adquirir experiência, inventar objetos facilitadores dos trabalhos manuais, arar a terra e fazer plantações, inventar a roda, organizar-se. Deus estaria presente distribuindo dons. Todos os dons são recebidos de Deus. Até a vida eterna é dom gratuito de Deus (Rm 6.23). A fé é dom de Deus (Ef.2.8). Deus capacitou Bezalel e Aioliabe e lhes deu sabedoria, entendimento e criatividade para serem artífices da obra do tabernáculo (Gn 31.1-6). Estes homens não adquiriram tais dons em vidas anteriores. Então, tudo que temos ou foram adquiridos em vida, pelo estudo e dedicação árdua, ou recebemos diretamente de Deus.

Salvação

Os reencarnacionistas acreditam que o indivíduo é um deus, na medida em que crêem na salvação pelo esforço próprio. Aliás, salvação no sentido de vida eterna no céu não faz parte da nomenclatura espírita. Essa doutrina é contrária à do Cristianismo. Jesus disse que quem nele crê tem a salvação. O homem não pode salvar-se a si mesmo. O ladrão tinha tudo para SOFRER milhares de encarnações até atingir o estado de perfeição, mas pela fé e arrependimento foi ali mesmo justificado e perdoado. O Cristianismo ensina que não podemos alcançar a salvação por nossos méritos, mas sim pela graça que nos é dada mediante a fé em Jesus.

Para o Espiritismo, o viver na terra será sempre uma punição. A esperança ensinada pelo Espiritismo reside no fato de deixar este mundo e seus ciclos de vida, morte e renascimento, embora, como vimos, esse ciclo seja “quase infinito”. Segundo essa tese, a salvação consiste em libertar-se do corpo, como uma borboleta liberta-se do casulo. Após a última encarnação, o espírito estaria livre. O corpo seria um trampolim para o aperfeiçoamento. Deus não aprova isso. No Cristianismo, a salvação é algo que se garante ainda neste mundo. A nossa salvação se dá em vida, ainda no corpo, apesar dos sofrimentos, e se completa na morte. Nosso corpo está incluído na obra de redenção: “... também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a REDENÇÃO DO NOSSO CORPO” (Rm 8.23). O corpo, para o Cristianismo, ao contrário da crença espírita, não é um invólucro descartável e desprezível.

A teoria da reencarnação é antibíblica na medida em que assegura, embora sem base científica e sem provas, que no ciclo da vida há várias mortes e vários nascimentos, ou seja, morremos e prosseguimos morrendo vezes sem conta. A Bíblia diz que os homens morrem UMA SÓ VEZ (Hb 9.27). O próprio Jesus, um “Espírito Puro”, segundo o Espiritismo, ensinou, através da parábola do rico e Lázaro, que imediatamente após a morte o espírito segue para o céu, se justo, ou para um lugar de tormentos, se injusto (Lc 16.19-31). Através dessa parábola, Jesus nos ensinou uma realidade espiritual. Disse Ele que Lázaro morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão. Lázaro, o mendigo, não precisava mais de nenhuma reencarnação? O ladrão na cruz e Estevão não precisaram voltar ao sofrimento terreno. O profeta Elias foi trasladado para o céu (2 Rs 2.11).

A reencarnação é antibíblica, ainda, na medida em que não admite um Juízo Final. Não há julgamentos no Espiritismo. Mas Jesus ensinou a respeito de um dia de juízo, em que todos serão julgados. Vejam:

“Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo; Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado”. (Mt 12.6-37). Onde está o dia de juízo na reencarnação, se todos caminham inexoravelmente rumo à perfeição?
27.06.2004 – Revisado em 16.01.06

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