segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Pondo os ateus na defensiva

(partes I e II)

Por: Kenneth R. Samples
© 1992
Tradução: Emerson de Oliveira

De Dicas de Testemunho - coluna do Christian Research Journal.
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Pode ser supresa para alguns cristãos descobrir que todos os ateus não são iguais. Os ateus debatem dependendo do tipo de seu ateísmo. Neste primeiros dois tópicos eu mostrarei as maneiras que os ateus defendem e explicam seu ateísmo. Eu os chamo de "ateísmo ofensivo" e "ateísmo defensivo". Também darei algumas sugestões de como os cristãos podem responder com sucesso algumas perguntas feitas por ateus e eficazmente apresentá-los a Jesus Cristo. Na parte dois eu examinarei alguns dos argumentos tradicionais para a existência de Deus.

Ateísmo ofensivo. Quando cristãos e ateus estão num debate de "Deus existe?" os ateus freqüentemente afirmam que os cristãos é que devem mostrar provas da existência de Deus. Isto, no entanto, é uma asserção falsa. Como nos diz o filósofo cristão William Craig quando a questão "Deus existe?" é levantada, cada lado deve dar provas e responder aquilo que acha correto. Isto é ao contrário de debater uma proposição como "Deus existe?" onde somente o lado afirmativo deve dar provas. Segue então que ao debater a pergunta da existência de Deus, ambos (cristãos e ateus) são obrigados a dar apoio de sua posição. O cristão deve insistir que o ateu dê provas da alegada inexistência de Deus. Isto, no entanto, leva a uma ligação lógica com o ateu.

Por definição, o ateísmo é a mentalidade que nega a existência de Deus. Para ser mais específico, o ateísmo tradicional (ateísmo ofensivo) positivamente afirma que nunca houve, não há e nunca haverá um deus em e além do mundo. Mas pode isto ser verificado?

O ateu não pode logicamente provar a inexistência de Deus. E eis o porque: para saber que um Deus transcendente não existe, deve ser necessário ter um conhecimento de todas as coisas (onisciência). Para ter esse conhecimento seria necessário ter acesso simultâneo a todas as partes do mundo e além (onipresença). Por conseguinte, para estar certo da opinião do ateu seria necessário que uma pessoa fosse divina. Obviamente, a limitada natureza evita estas habilidades especiais. A idéia dogmática atéia é portanto injustificável. Como o lógico Mortimer Adler afirmou, a tentativa dos ateus em provar uma negativa universal é errônea. O cristão deve dar ênfase então que o ateu ofensivo é incapaz de dar uma objeção à existência de Deus.

Ateísmo defensivo. Muitos ateus sofisticados de hoje estão totalmente conscientes das armadilhas filosóficas ligadas com o ateísmo dogmático. Ateus eminentes como Gordon Stein e Carl Sagan tem admitido que a existência de Deus não pode ser refutada. Isto tem levado estes ateus a defender o que eu chamo de ateísmo defensivo. O ateísmo defensivo afirma que enquanto a existência de Deus não pode ser lógica e empiricamente desaprovada, não obstante, não pode ser provada.

Os ateus deste tipo tem redefinido o ateísmo como "ausência da crença em Deus" em vez de "negação da existência de Deus". Para este tipo moderado de ateísmo, o conceito "Deus" é como a idéia de um unicórnio, leprechaum ou duende. Enquanto eles não podem desaprovar, eles continuam não-provando. A incredulidade do ateísmo defensivo é fundamentada na rejeição das provas para a existência de Deus e/ou a crença que o conceito cristão de Deus (ou qualquer outro deus) não tem lógica.

Uma resposta cristã apropriada a esta altura seria que o ateísmo defensivo está usando uma estipulada e não correta definição da palavra ateísmo. Paul Edwards, um proeminente ateu e editor da Enciclopedia de Filosofia, define um ateu como "uma pessoa que afirma que não existe Deus". Ateísmo, portanto, implica uma negação da existência de Deus, não só uma ausência de crença. Também se deve declarar que a ausência de crença do ateísmo defensivo soa como agnosticismo (que professa a incapacidade de determinar se Deus existe). O cristão deve forçar o ateu a simplesmente mostrar como seu ateísmo difere do agnosticismo. Ele sabe ou não sabe que existe Deus?

A insuficiência do ateísmo. Seja ofensivo ou defensivo, há várias razões porque o ateísmo é inadequado como um sistema racional. Primeiro, o ateísmo não pode explicar satisfatoriamente a existência do mundo. Como todas as coisas, o mundo em que vivemos clama por uma explicação. O ateu, no entanto, é incapaz de proporcionar uma consistente. Se ele defende que o mundo é eterno, então vai contra a ciência moderna que mostra que o Universo teve princípio e está se deteriorando. Se afirma que o Universo teve um princípio, então deve considerar o que o causou. De qualquer maneira, o ateu não pode adequadamente explicar o mundo.

Segundo, a idéia atéia é irracional e não pode dar uma adequada base de experiência inteligível. Veja, o mundo ateu é ao acaso, transitivo e volátil. Portanto, é incapaz de fornecer as necessárias pré-condições de relatar as leis da ciência, as leis da lógica e a necessidade humana para a moral absoluta. Em resumo, não pode considerar as significativas realidades que nós encontramos na vida.

A idéia cristão, ao contrário, explica os aspectos trancendentais da vida. A uniformidade da origem natural de Deus ordena um plano no Universo. As leis da lógica são um reflexo da maneira como Deus pensa e como deveríamos pensar. Normas morais absolutas, como "Não matarás", espelham a perfeita natureza moral de Deus.

O argumento cristológico. Se os ateus individuais estão dispostos a considerar a evidência para a existência de Deus, veja Jesus Cristo. Jesus não disse ser outro a não ser Deus em carne humana (Jo. 8.58). Esta afirmação assombrosa foi apoiada por Seu caráter pessoal sem igual, Seu cumprimento de profecias, Sua incalculável influência na história humana, Seus muitos milagres e, finalmente, Sua histórica ressurreição (para uma apresentação completa do argumento cristológico veja o livro de William Craig, Apologetics: An Introduction e a série O Jesus Histórico neste site). A evidência está definitivamente lá para o ateu sincero examinar. Como o recente apologista Francis Schaeffer disse "Deus está ali e não está em silêncio."

Parte II
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Na parte I nós vimos como os ateus fazem para explicar e defender seu ponto de vista naturalista. Eu sugeri como os cristãos podem responder às perguntas dos dogmáticos (ateísmo ofensivo) e os céticos (ateísmo defensivo). Nesta parte iremos examinar uma maneira pela qual os cristãos podem ser ofensivos por oferecer evidência da existência de Deus e, assim, ilustrar a racionalidade do teísmo cristão.

Quase todo mundo, em seus momentos de reflexão, já se fez perguntas como: de onde o mundo veio? Por que há algo ao invés do nada? Como o mundo se originou? A pergunta destas elementais, mas profundas questões tem levado a formulação do popular argumento da existência de Deus. O argumento é conhecido como "argumento cosmológico." Deriva seu nome da palavra kosmos, palavra grega para mundo. Enquanto há variações para o argumento (veja Scaling the Secular City, por J. P. Moreland [Baker Book House, 1987] e Questions That Matter by Ed L. Miller [McGraw-Hill, 1987]) o ponto básico do argumento é que Deus é a única explicação para a existência do mundo. Este argumento que considero ser tanto poderoso e persuasivo foi formulado primeiramente pelo filósofo grego Aristóteles. Sua apresentação famosa, no entanto, se deu pelo filósofo/teólogo cristão medieval S. Tomás de Aquino. Veremos agora uma popular e simplificada forma do argumento cosmológico que pode ser apresentada ao ateu.

Como explicamos o Universo? Como explicamos a existência do mundo? Bem, falando logicamente, há só algumas opções. Mas uma delas é racionalmente aceitável.

Nosso ponto de partida sobre a discussão do mundo é afirmar que ele existe de fato no tempo e espaço. Há alguns que debatem este assunto, dizendo que o Universo é apenas uma ilusão. No entanto, a maioria dos ateus, sendo materialistas (que crê que toda realidade é finalmente matéria e energia), aceitarão seu ponto de partida. 9Se o mundo foi uma ilusão, não haveria nenhuma razão para crer que todos nós percebêssemos o mundo da mesma maneira. Mas nós vemos o mundo da mesma maneira, de forma que haja previsões exatas [ciência]. Dizer que o mundo é uma ilusão desafia nosso bom senso e experiência.)

Desde que nós temos um mundo real a nossa volta, como o consideramos? Bem, a primeira opção é que o mundo de algum modo foi criado ou criou a si mesmo. Isto, no entanto, é uma conclusão irracional. Para se criar, teria que existir algo antes que fosse criado e isso é completamente absurdo. Algo não pode existir e não existir ao mesmo tempo e da mesma maneira. Concluir que o mundo se criou ou se causou a si mesmo não é uma alternatica racional aceitável.

Uma segunda sugestão para isto é que o Universo veio do nada por nada. Alguns ateus, de fato, afirmam esta maneira. Isto, no entanto, também é irracional porque algo não pode vir do nada. Um efeito não pode ser maior que sua causa - e neste caso a causa não seria nada. Uma das leis básicas da física é expressa pela frase em latim
ex nihilo, nihil fit, "do nada, nada se faz". Isto é um tremendo salto de fé crer que o mundo surgiu do nada. Lembre-se que o ateu é alguém que supõe não ter nenhuma fé.

Nossa terceira opção é que o Universo é absolutamente eterno. Sempre esteve aqui. Esta alternativa, no entanto, também está condenada ao fracasso. Primeiro, o mundo em que nós vivemos mostra sinais que é contingente (dependente para sua contínua existência de algo fora dele, algo sem causa e absoluto). De fato, nenhum só elemento no Universo contêm a explicação para sua existência. Por conseguinte, esta cadeia de contingências que nós chamamos mundo faz necessária a existência de uma causa não-causada ou absoluto.

Além disso, o conceito de um Universo eterno contradiz a ciência moderna que ensina que o Universo teve um princípio específico (Big-Bang) um finito período de tempo atrás. Pior ainda, contradiz o fato científico que o mundo está com a energia se deteriorando (segunda lei da termodinâmica). Se o Universo sempre existiu (eterno), já havia ocorrido a entropia (veja The Fingerprint of God by Hugh Ross [Promise Publishing, 1989]). Além do mais, se o Universo fosse eterno, então teria um passado infinito (quer dizer, um número infinito de dias, semans, meses, anos, etc.). Isto, no entanto, leva a uma contradição lógica. Por definição, ninguém pode chegar ao fim de um período infinito de tempo; não obstante, nós temos chegado ou atravessado hoje ao denominado passado infinito (ver Scaling the Secular City). Isto faz esta teoria de Universo eterno científica e filosoficamente insustentável.

Já que estas outras alternativas tem falhado, a única alternativa verdaderiamente racional é que o Universo foi originado por uma entidade fora do espaço e tempo, uma entidade por definição sem causa e última. E, porque este Ser cria outros seres que são pessoais, Ele deve ser um Ser pessoal (lembre-se, o efeito não pode ser maior que a causa). Esta explicação é perfeitamente harmonizada com que a Bíblia ensina: "No princípio Deus criou os céus e a Terra" (Gn. 1.1).

Este argumento, ainda que poderoso, não leva o ateu a uma fé pessoal com Cristo. De certa forma, ele ou ela chega a uma deidade com muitos atribuitos teístas. No entanto, este argumento ilustra que crer em Deus é racional e neste caso é a única alternativa racional para o Universo.

Neste ponto podemos voltar à discussão de Jesus Cristo e Suas afirmações em ser Deus encarnado (veja Christian Apologetics, por Norman Geisler [Baker Book House, 1976] and History and Christianity by John Warwick
Montgomery [Bethany House Publishers, 1964). Lembre-se que só acreditar não salva uma pessoa. É uma relação com Jesus Cristo que salva (Jo. 14.6).

Nós não temos discutido algumas das objeções atéias sobre este argumento. Para uma lista de objeções e refutações acerca do arguemento cosmológico, veja Faith and Reason, por Ronald Nash [Zondervan Publishing House, 1988] e The Existence of God por Richard Swinburne [Oxford University Press, 1979]

Kenneth R. Samples é o diretor do Augustine Fellowship Study Center em Hemet, CA.

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