quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

JOÃO, VOCÊ É ELIAS, OU VOCÊ É VOCÊ?

O fato de Jesus haver dito, referindo-se a João Batista: “E, se quereis reconhecer, ele mesmo é o Elias, que estava para vir” (Mt 11:14); e o anjo Gabriel haver dito que João Batista iria adiante de Cristo no espírito e poder de Elias (Lc 1:17), é, para os kardecistas, prova cabal de que João Batista era uma reencarnação de Elias. Mas nenhuma destas duas referências Bíblicas significa o que eles pensam. Mt 11:14 se explica da seguinte maneira: Referindo-me a um valoroso servo de Deus, exclamei: “Este homem é o apóstolo Paulo do século XX”. Com isso, porém, eu não quis dizer que o tal irmão seja uma reencarnação do apóstolo Paulo, e sim, que eu o considero de grande envergadura.
Quanto a Lc 1:17 que diz que João Batista foi adiante de Jesus “no espírito e virtude de Elias”, informo que isto significa apenas que João era espirituoso e virtuoso como Elias o fora. O vocábulo “espírito” segundo o “Novo Dicionário Aurélio”, não significa apenas a nossa parte imaterial, mas também, “animo, índole, finura, graça...”. A “Pequena Enciclopédia Bíblica” também dá à palavra “espírito”, várias definições: “substância incorpórea, alma, ente imaginário, aptidão para, tendência, disposição”. Com isto concorda Nm 14:24, pois diz que em Josué e Calebe havia um espírito excelente. Neste caso, o “espírito excelente” do qual eles eram portadores, não é o Espírito Santo, como alguns pensam, antes quer dizer que eles eram homens de fé e de boa índole.
Se a palavra espírito significasse apenas a nossa parte imaterial, isso equivaleria a dizer que Eliseu queria receber “a alma de Elias multiplicada por dois”, já que em 2 Reis 2:9-12, Eliseu pediu e recebeu, dobrada porção do espírito de Elias. Veja o leitor, que em todas as versões da Bíblia, o vocábulo “espírito”, constante de 2 Reis 2:9, está gravado com inicial minúscula, o que prova que todos os tradutores reconhecem que a palavra “espírito”, neste caso, não é uma referência ao Espírito Santo que atuava sobre Elias, nem tampouco se refere à alma de Elias, mas sim, à espirituosidade, ao fervor, ao dinamismo deste servo de Deus.
Se Eliseu não pedisse “porção dobrada do teu espírito”, isto é, do espírito de Elias (o dobro da espirituosidade de Elias), mas apenas “espírito de Elias” (a mesma espirituosidade de Elias), provavelmente os falsos profetas já estariam dizendo por aí que a alma do profeta Elias se incorporou no profeta Eliseu. Mas, como é “porção dobrada”, eles têm evitado esse ridículo.
Deveras, por dizer a Bíblia que João Batista foi adiante de Jesus “no espírito e virtude de Elias”, não constitui prova de que ele era uma reencarnação do profeta Elias, doutro modo poder-se-ia dizer que a alma de Elias se desdobrou em duas e que Eliseu as incorporou. Há outra explicação mais convincente, por não colidir com as Escrituras, antes harmonizar-se com os princípios estabelecidos pela Hermenêutica, entre os quais, que todo texto deve ser interpretado à luz do contexto. Ademais, Eliseu não poderia ser uma reencarnação do profeta Elias, visto que este era contemporâneo daquele.
A maior de todas as provas de que João Batista não era Elias reencarnado, é o fato dele mesmo, ao ser interrogado: “És tu Elias ?” responder: “Não sou” (Jo 1:21 ). Certo kardecista disse-me que João Batista se expressou assim, porque o reencarnado sofre um esquecimento das encarnações anteriores, mas estes dogmas (refiro-me aos dogmas da reencarnação e da “amnésia” que um espírito experimenta ao reencarnar-se) não são doutrinas cristãs. Logo, não pode ser pregado por uma instituição que se considera cristã. Mas, como o Kardecismo o faz, aqui está mais uma demonstração de incoerência.
Como bem o disse o Frei Battistini, “Quem acredita na reencarnação não é cristão, mas pagão” (A Igreja do Deus Vivo, 33ª edição, 2001, Editora Vozes, página 35).
(Caro irmão em Cristo, quando um kardecista lhe inquirir sobre o porquê de você não crer em reencarnação, diga-lhe que é porque você é Cristão).
Não nos esqueçamos que os kardecistas não podem recorrer à Bíblia, sem faltar com a honestidade e sem ser incoerentes, pois assumem que não a reconhecem como autoridade.
Acabamos de ver que os kardecistas são reencarnacionistas e que, portanto, não são cristãos. Ser reencarnacionista equivale a subestimar o sangue de Jesus, e, obviamente, quem o faz não é cristão.

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