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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A Misericórdia de Deus no Fracasso da Justiça

Minha esposa, Meifung, é uma excelente enfermeira — dedicada, compassiva, compreensiva e sempre pronta a ajudar. Mas, durante seu primeiro emprego, às vezes ela era recebida com hostilidade — insultos cruéis e comentários racistas — vindos dos pacientes a quem ela servia incansavelmente. Quando ela chegava em casa depois de um dia longo e difícil e compartilhava essas histórias comigo, eu fervia de raiva.

 

Nós clamamos contra a injustiça. Quando vemos os poderosos se aproveitando dos fracos, ou alguém que amamos sendo maltratado, um senso de escândalo se agita profundamente dentro de nós.

 

No julgamento de Jesus, testemunhamos a maior injustiça do mundo. Embora tenha sido declarado inocente repetidas vezes (Lc 23.4, 14–15, 22), Jesus é zombado e condenado à morte, enquanto um homem culpado é posto em liberdade (v. 25). Quando ouvimos essa história, devemos sentir essa mesma indignação diante da injustiça. Mas também precisamos olhar para dentro de nós e reconhecer que, assim como a multidão, somos cúmplices, clamando pela crucificação de Jesus à nossa própria maneira.

Inocente, mas não liberto

O julgamento de Jesus diante de Pilatos começa com o conselho judaico acusando-o de perverter a nação (v. 2). Eles o pintam como um revolucionário, uma ameaça à paz de Roma. Então Pilatos pergunta a Jesus: “És tu o rei dos judeus?” (v. 3). Em suas únicas palavras registradas nessa passagem, Jesus responde: “Tu o dizes”. Mesmo tendo Jesus declarado ser Rei, o veredito de Pilatos é: “Não vejo neste homem crime algum” (v. 4).

 

Isso deveria ter encerrado o caso. Pilatos deu seu veredito. A justiça exigia que Jesus fosse liberto. “Insistiam, porém, cada vez mais, dizendo: Ele alvoroça o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia, onde começou, até aqui” (v. 5).

 

As orelhas de Pilatos se levantam ao saber que Jesus era da Galileia. Isso significava que ele não estava sob a jurisdição de Pilatos, mas de Herodes. Então Pilatos envia Jesus a Herodes, que “sobremaneira se alegrou, pois havia muito queria vê-lo [Jesus]” (v. 8).

 

No entanto, quando o Rei dos reis está diante dele, Herodes não quer ouvir a sabedoria de Deus; ele apenas deseja ser entretido com um milagre. Aquele diante de quem ele deveria ter se prostrado em adoração, Herodes trata de forma banal, como se fosse um mágico fazendo truques.

 

Herodes interroga Jesus “de muitos modos”, mas mesmo com as multidões acusando-o “com grande veemência”, Jesus “nada lhe respondia” (vv. 9–10). Confiando na vontade do Pai e por amor aos seus, Jesus aceita a injustiça.

 

Sem conseguir acusar Jesus de qualquer coisa, Herodes o devolve a Pilatos. Agora, tanto Roma quanto Jerusalém são cúmplices da injustiça: Embora tenham declarado Jesus inocente, falham em libertá-lo.

Sem pecado, mas enviado para sofrer

Em seguida, Pilatos reúne o povo e, por mais três vezes, declara Jesus inocente. A cada vez, a multidão insiste em sua culpa. Numa tentativa de apaziguá-los, Pilatos oferece mandar açoitar Jesus — uma grave injustiça contra alguém que deveria ser liberto sem dano algum. Mas isso não satisfaz a multidão. Poucos dias antes, eles o haviam recebido e até o aclamado como Rei (19.38), agora gritam em uma só voz: “Fora com este!” (23.18).

 

Em vez de pedir a libertação de Jesus, a multidão pede a libertação de Barrabás, um notório rebelde, alguém realmente culpado das acusações feitas contra Jesus. Mais impressionante ainda, o nome Barrabás significa “filho do Pai”. Em uma reversão cósmica da justiça, o povo exige que o inocente e verdadeiro Filho do Pai tome o lugar do filho falso e culpado.

 

“Desejando Pilatos soltar a Jesus, insistiu ainda. Eles, porém, mais gritavam: Crucifica-o! Crucifica-o!” (vv. 20–21). É quase doloroso demais de ler. Pela terceira vez, Pilatos tenta libertar Jesus, dizendo: “Que mal fez este?”, “Mas eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E o seu clamor prevaleceu” (v. 23).

Oferecendo misericórdia aos verdadeiramente culpados

Pilatos libertou o homem culpado de rebelião e assassinato e entregou o inocente Jesus. Por isso, ele entra para a história como o responsável pelo mais terrível fracasso da justiça que o mundo já conheceu. Devemos nos indignar com o que vemos. Mas também devemos lamentar, reconhecendo que o sangue de Jesus está em nossas mãos também.

 

Não somos culpados de insurreição contra Roma, mas de rebelião contra um Deus santo. Embora não gritemos “Crucifica-o! Crucifica-o!” em voz alta como a multidão, nossos corações ecoam o mesmo clamor. Agimos como se Jesus não fosse digno de nossa obediência, respeito e amor. Escolhemos a nós mesmos, nossos desejos e nosso conforto em vez dele. Em vez de honrá-lo como Rei, colocamos nossos desejos acima de sua autoridade. Toda vez que escolhemos nossa vontade em vez da dele, exigimos sua crucificação. Assim como a multidão, louvamos seu nome no domingo, mas com frequência nossos corações inconstantes o afastam, insistindo em nosso próprio caminho e rejeitando seu governo durante a semana.

 

Ainda assim, por causa do nosso pecado, ele foi pregado na cruz. Embora a maior injustiça da história esteja em nossas mãos, Jesus a tomou voluntariamente sobre si em favor de nós. Quando foi falsamente acusado e zombado, ele não se defendeu, mas, em silêncio e sem vacilar — por amor —, foi à cruz por você.

 

Jesus suportou a injustiça para que pudesse nos libertar da punição que justamente merecíamos. Barrabás foi liberto enquanto Jesus sofreu e morreu para que você, embora culpado, pudesse ser declarado um filho ou filha inocente do Pai e caminhasse em sua liberdade e amor. Essa é a misericórdia de Deus no fracasso da justiça.

 

Você aceitará sua misericórdia? Felizmente, a história de Jesus não termina com sua morte. No terceiro dia, ele foi vindicado pelo Pai quando ressuscitou dos mortos. Nosso lamento pelo pecado e pelo sofrimento de Jesus deve se transformar em alegria ao celebrarmos sua vitória e nossa salvação.

 

Contemplar a cruz também transforma a maneira como enfrentamos a injustiça em nossas vidas e na vida daqueles que amamos. Lembramos da misericórdia que recebemos, e a esperança renasce em nós de que, um dia, a perfeita justiça e misericórdia de Deus colocarão todas as coisas em seu devido lugar.

 

Não clamemos “Crucifica-o!”, mas, com uma só voz, louvemos a Jesus — o inocente condenado pelos culpados. Recebamos a misericórdia de Deus no fracasso da justiça.

 

Traduzido por Rebeca Falavinha.

 

 Por: David Schuman (MDiv, MA, Westminster Theological Seminary), é o pastor titular da Lakeview Presbyterian Church (PCA) em Vernon Hills, Illinois, EUA. Ele é autor de diversos artigos para o The Gospel Coalition, SOLA Network, byFaith, Relevant Magazine e Westminster Magazine. Ele e sua esposa, Meifung, têm dois filhos e estão em processo de adoção do terceiro.

  

Fonte: https://coalizaopeloevangelho.org 

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