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segunda-feira, 13 de julho de 2020

Quem é a Maria “mãe de Tiago e José”, que estava ao pé da cruz e visitou o túmulo vazio?

Eu raramente peço isso, mas dessa vez é realmente importante: se você ainda não leu os meus artigos sobre os irmãos de Jesus, volte e os leia antes de ler este aqui, pois será de fundamental importância para compreender o artigo presente e dispensará explicações adicionais que já foram feitas nesses artigos antigos. No índice de artigos sobre catolicismo há 13 artigos sobre o tema, mas para não sobrecarregá-lo de artigos, confira principalmente este aqui sobre por que os irmãos de Jesus não podem ser seus primos. Feito isso, vamos ao artigo.

***

No artigo anterior, sobre a ressurreição de Jesus, nós falamos sobre as quatro(?) mulheres que foram ao sepulcro logo cedo na manhã da ressurreição, sendo elas Salomé (Mc 16:1), Joana (Lc 24:10), Maria Madalena (Mt 28:1) e alguém chamada Maria que é descrita como mãe de Tiago e de José, segundo Mateus e Marcos (Mt 27:56; Mc 15:40), ou simplesmente a mãe de Tiago, de acordo com o relato de Lucas (Lc 24:10). Se você leu o artigo anterior, já sabe que isso não é nenhum problema em se tratando de “contradições” bíblicas, uma vez que é comum a Bíblia se referir a um ou alguns indivíduos em específico dentro de um grupo maior.

Se alguém dissesse que minha mãe é mãe do Lucas, ninguém diria que isso é mentira, mesmo que ela tenha outros filhos além de mim. Da mesma forma, o fato de Lucas se referir a Maria somente como mãe de Tiago não significa necessariamente que só Tiago era filho dela, e o fato de Mateus e Marcos a citarem somente como mãe de Tiago e José não significa necessariamente que só Tiago e José eram seus filhos. Significa apenas que Tiago e José eram filhos dessa Maria, da mesma forma que podemos dizer que José e Benjamim eram filhos de Jacó, sem com isso excluir a existência dos outros onze filhos.

Curiosamente, a Bíblia menciona uma Maria que era mãe de um Tiago e um José. Trata-se dessa aqui:

“Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, José, Judas e Simão? Não estão aqui conosco as suas irmãs? E ficavam escandalizados por causa dele” (Marcos 6:3)

Sim, Jesus era irmão (adelphos no grego, e não anepsios, primo) de um Tiago e um José, e, é claro, era filho de Maria. Temos aqui, portanto, uma Maria que era mãe de pelo menos sete filhos (incluindo Jesus e pelo menos duas irmãs, já que são mencionadas no plural), seguindo à risca o costume judaico de ter muitos filhos (o que era visto como uma bênção divina, talvez a maior que uma mulher podia receber, a julgar pelos relatos do AT envolvendo Ana, Raquel e etc).

Mas os católicos, crentes no dogma da virgindade perpétua de Maria, contestam essa ideia, alegando que Tiago e José eram primos de Jesus, filhos da irmã de Maria que por um acaso também se chamava Maria. Eles se apegam ao seguinte texto de João, que diz:

“E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena” (João 19:25)

Como eu destaco no artigo sobre esse texto, o grego apresenta uma ambiguidade reconhecida por qualquer linguista: ele não deixa claro se «Maria mulher de Clopas» era apenas uma especificação de quem era a irmã de Maria (como argumentam os católicos), ou se era de fato uma outra pessoa citada na sequência lógica do texto. Em outras palavras, na leitura católica nós temos três mulheres ao pé da cruz: (1) a mãe de Jesus, (2) a irmã da mãe de Jesus, que era Maria de Clopas, e (3) Maria Madalena. Já na leitura protestante, nós temos quatro mulheres: (1) a mãe de Jesus, (2) a irmã da mãe de Jesus, (3) Maria de Clopas, (4) Maria Madalena.

Note que o fato da irmã da mãe de Jesus não ser citada nominalmente nesta ocasião não significa que ela seja a Maria de Clopas mencionada em seguida, porque João também não cita o nome da mãe de Jesus, diz apenas que “estava a sua mãe”, assim como diz apenas que estava “a irmã de sua mãe”. Mas a razão pela qual devemos definitivamente abandonar qualquer pretensão no sentido de enxergar as duas como sendo irmãs é das mais óbvias: nenhum pai judeu daria o mesmo nome para duas filhas. Um bom observador irá notar que a Bíblia toda menciona milhares de irmãos e irmãs, mas nunca dois com o mesmo nome.

Para piorar, naquela época não existiam sobrenomes, da forma que existem hoje. Por isso, quase sempre que a Bíblia menciona alguém, o identifica a partir do grau de parentesco com outra pessoa (principalmente o pai). Por exemplo, sabemos que entre os doze apóstolos originais haviam dois Tiagos. Como diferenciá-los? Simples: um era chamado de “Tiago de Zebedeu” (ιακωβον τον του ζεβεδαιου), e o outro de “Tiago de Alfeu” (ιακωβον τοντου αλφαιου). Na ausência de sobrenomes, o pai era o referencial mais próximo.

Nas poucas vezes que a Bíblia usa o termo “sobrenome”, não é no sentido usual moderno de um nome composto (como “Lucas Banzoli”), mas sim uma referência ao nome grego que a pessoa levava. Neste sentido, Pedro era Cefas, o nome hebraico, e também Petrus, o nome grego. Eu seria Lucas, o nome em português, e Luke, o nome em inglês (não conte pra ninguém, mas em grego eu seria Loukas – graças a Deus existe a transliteração). Mas isso não é o mesmo que dizer que eu tenho um “sobrenome” no sentido moderno do termo. Cada um tinha um nome só, embora este único nome tivesse transliterações diferentes dependendo de cada idioma.

Voltando para o texto de João, se a irmã de Maria também se chamava Maria, temos aqui um problema gravíssimo: um pai hebreu que teria dado o mesmo nome (Miriã, o nome hebraico, ou Maria, o nome grego) para duas de suas filhas, o que é um completo absurdo. Isso, repito, não tem paralelo nem na Bíblia, nem na história antiga, nem em lugar nenhum. Só um pai completamente lesado daria exatamente o mesmo nome às suas duas filhas, ainda mais numa época em que não havia sobrenomes. É o tipo de coisa que só a apologética católica é capaz de nos proporcionar.

Para piorar ainda mais as coisas, os papistas defendem que nunca existiu um terceiro Tiago irmão de Jesus, mas apenas dois Tiagos (os dois que constam entre os doze apóstolos), sendo um deles primo de Jesus (o Tiago filho de Alfeu). Só tem um problema: se esse Tiago fosse mesmo o primo de Jesus, ele teria que ser filho dessa suposta Maria irmã da mãe de Jesus. Só que o texto de João é claro em dizer que ela era mulher de Clopas, não de Alfeu (Jo 19:25)! Todas as vezes que esse Tiago é citado na Bíblia é como o filho de Alfeu, nunca como filho de Clopas (Lc 6:15; Mt 10:3; Mc 3:18; At 1:13).

E como se pudesse piorar mais, o mesmo evangelista Lucas que chamou Tiago de filho de Alfeu nas duas ocasiões em que se referiu a ele (Lc 6:15; At 1:13) chama o marido dessa outra Maria de Cleopas (Lc 24:18), uma variante de Clopas. Nem sequer podemos dizer que “Cleopas” ou “Clopas” é o mesmo nome de Alfeu só que numa forma grega, já que a forma semítica mais próxima de “Clopas” seria “Qalouphai”, que como você deve ter notado, não tem nada a ver com Alfeu. E, é claro, Lucas não teria razão nenhuma para chamar esse homem de Alfeu e depois chamar o mesmo indivíduo por outro nome totalmente diferente, como se estivesse se esforçando em confundir seus leitores.

A conclusão disso tudo é óbvia: a irmã de Maria não é Maria de Clopas, a qual é uma personagem totalmente à parte (e também não é mãe do Tiago filho de Alfeu; portanto, não era tia de Jesus e nem este era seu primo). Portanto, a única Maria que pode ser a mãe de Tiago e José é a mãe de Jesus, sendo estes os seus irmãos, exatamente conforme Marcos 6:3.

Uma objeção frequente a essa conclusão é quando se questiona por que Mateus, Marcos e Lucas a citariam nessas ocasiões apenas como a mãe de Tiago ou como a mãe de Tiago e José, em vez de chamá-la de a mãe de Jesus, como geralmente ocorre na Bíblia. Antes de responder a isso, eu tenho uma pergunta melhor: por que raios esses mesmos evangelistas teriam omitido por completo o fato da mãe de Jesus estar ao pé da cruz, como diz João? Leia os textos novamente. Se a Maria citada nos sinópticos não é a mesma Maria mãe de Jesus, significa que os três evangelistas simplesmente ignoraram a sua presença no Gólgota como se não tivesse importância:

“E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena” (João 19:25)

“Muitas mulheres estavam ali, observando de longe. Elas haviam seguido Jesus desde a Galileia, para o servir. Entre elas estavam Maria Madalena; Maria, mãe de Tiago e de José; e a mãe dos filhos de Zebedeu(Mateus 27:55-56)

“Algumas mulheres estavam observando de longe. Entre elas estavam Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago, o mais jovem, e de José. Na Galileia elas tinham seguido e servido a Jesus. Muitas outras mulheres que tinham subido com ele para Jerusalém também estavam ali” (Marcos 15:40-41)

As mulheres que haviam acompanhado Jesus desde a Galileia, seguiram José e viram o sepulcro, e como o corpo de Jesus fora colocado nele. Então, foram para casa e prepararam perfumes e especiarias aromáticas. E descansaram no sábado, em obediência ao mandamento” (Lucas 23:55-56)

“No primeiro dia da semana, de manhã bem cedo, as mulheres tomaram as especiarias aromáticas que haviam preparado e foram ao sepulcro. (...) Quando voltaram do sepulcro, elas contaram todas estas coisas aos Onze e a todos os outros. As que contaram estas coisas aos apóstolos foram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, e as outras que estavam com elas(Lucas 24:1,9-10)

Lembre-se que o original grego não tinha divisão por capítulos e versículos, o que significa que Lucas 24:1 é a sequência imediata de Lucas 23:56, onde Lucas explica que mulheres eram essas. Caso isso tenha ficado confuso, confira abaixo cada uma das mencionadas ao pé da cruz em cada evangelho:

Mateus:
1. Maria Madalena.
2. Maria (mãe de Tiago e José).
3. A mãe dos filhos de Zebedeu.

Marcos:
1. Maria Madalena.
2. Salomé.
3. Maria (mãe de Tiago e José).

Lucas:
1. Maria Madalena.
2. Joana.
3. Maria (mãe de Tiago).

João:
1. Mãe de Jesus.
2. Irmã da mãe de Jesus.
3. Maria de Clopas.
4. Maria Madalena.

Sabemos através de João que a mãe de Jesus estava ao pé da cruz, e também sabemos que os outros evangelhos narram a presença de uma Maria ao pé da cruz (que “coincidentemente” é mãe de dois que constam entre os irmãos de Jesus). Se a narrativa da apologética católica estiver correta, significa simplesmente que Mateus, Marcos e Lucas ignoraram solenemente a presença da mãe de Jesus, que seria obviamente a presença mais importante. Quem em sã consciência iria deixar de mencionar a presença da própria mãe de Jesus vendo o seu filho crucificado, para em vez disso narrar apenas a presença da sua irmã, uma tia de Jesus que não é mencionada mais nenhuma vez nos evangelhos? Seria cômico, se não fosse trágico.

Observe que embora nem todos mencionem os mesmos nomes, todos eles mencionam os mais importantes e omitem os menos importantes. É por isso que Maria Madalena, uma das figuras femininas de maior destaque nos evangelhos, é mencionada em todos os quatro, enquanto Joana, que só é mencionada de passagem duas vezes na Bíblia (já incluindo essa citação de Lucas), é omitida em três evangelhos. Seguindo essa lógica, seria um disparate que três evangelhos se “esquecessem” da própria mãe de Jesus, que seria a presença mais importante, para mencionar a tia dele, sobre quem não sabemos nada em todo o Novo Testamento, porque esses mesmos evangelistas não tiveram qualquer interesse em escrever sobre ela.

É lógico que esse problema não existe se assumirmos que a Maria citada como a mãe de Tiago e José é justamente a mãe de Jesus (que também é mãe de Tiago e José). Neste caso, todos os quatro evangelhos a citaram, com a diferença de que um deles preferiu citá-la como a mãe de Jesus, outro como mãe de Tiago, e outros dois como mãe de Tiago e José.

Agora pare e pense: se você fosse a mãe de Jesus e o amasse muito, e depois de presenciar sua morte soubesse que as mulheres que a acompanham vão para o sepulcro ungir o corpo do seu filho, o que você faria? Ficaria em casa sem fazer nada ou iria junto com elas? Lembre-se que a mãe de Jesus acompanhou seu filho até o pé da cruz. Ela poderia ter dado as costas e ido embora se quisesse, mas não iria fazer uma desfeita dessas. Mas para os apologistas católicos, depois de ver seu filho morrer, Maria simplesmente foi embora e não quis saber de ungir o corpo do seu filho falecido com as mulheres com quem andava, e com quem certamente tinha contato.

Digo isso porque, novamente, os relatos da ressurreição falam de uma Maria «mãe de Tiago» que foi ver o sepulcro junto com as outras mulheres (note que são as mesmas que acompanharam de perto a crucificação de Jesus):

“Depois do sábado, tendo começado o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro” (Mateus 28:1)

“Quando terminou o sábado, Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago, compraram especiarias aromáticas para ungir o corpo de Jesus” (Marcos 16:1)

“No primeiro dia da semana, de manhã bem cedo, as mulheres tomaram as especiarias aromáticas que haviam preparado e foram ao sepulcro. (...) Quando voltaram do sepulcro, elas contaram todas estas coisas aos Onze e a todos os outros. As que contaram estas coisas aos apóstolos foram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, e as outras que estavam com elas” (Lucas 24:1,9-10)

Vamos recapitular: todas essas mulheres estavam junto com Maria (mãe de Jesus) ao pé da cruz, por ocasião da sua morte. Então, chegado o terceiro dia, elas decidem se reunir para ir ao sepulcro, com a finalidade nobre de ungir o corpo de Jesus. Se essa Maria mãe de Tiago mencionada nos textos não for a mãe de Jesus, significa que a mãe de Jesus se recusou a visitar o sepulcro para ungir o corpo do próprio filho, apesar de continuar em Jerusalém (como está claro em Atos 1:14). Ou então que ela fez isso, mas os evangelistas cometeram a gafe de preferir ignorá-la por completo novamente, optando mais uma vez por narrar a presença de pessoas menos relevantes para a história e ocultando as mais importantes. De um jeito ou de outro, seria bizarro.

Tudo isso nos leva a crer que a Maria mencionada nos sinópticos como a mãe de Tiago (e de José) que esteve ao pé da cruz e depois foi ao sepulcro não pode ser outra senão a mãe de Jesus. É isso o que todas as evidências indicam e qualquer pessoa honesta e sóbria reconheceria. Mesmo que não tivéssemos nenhuma explicação para o porquê que os sinópticos preferem se referir a ela como mãe de Tiago nessa ocasião (e não diretamente como a mãe de Jesus), essa ainda seria a conclusão óbvia e lógica. Mas quando entendemos que o filho primogênito de Maria estava morrendo diante de seus olhos, compreendemos melhor por que os evangelistas preferiram associá-la nesta ocasião à Tiago.

Tiago era o filho mais velho de Maria depois de Jesus, como é indicado na própria ordem de Marcos 6:3. E José é o segundo mais velho depois de Jesus, como sugerido pelo mesmo texto. Como os filhos sobreviventes mais velhos de Maria, eram eles que cuidariam dela depois da morte de Jesus (mas principalmente Tiago, o mais velho, que por isso é mencionado sozinho em alguns textos). Ou seja, citá-la como a mãe de Tiago, ou como a mãe de Tiago e José, era uma forma dos evangelistas dizerem que a partir daquele momento eram eles que cuidariam dela, agora que Jesus havia partido. Eram eles os remanescentes de Maria.

João disse a mesma coisa, embora de outra maneira. Como eu já argumentei exaustivamente em dois vídeos (veja aqui e aqui) e em uma série de artigos (veja aqui, aqui, aqui e aqui), João não era o discípulo amado de jeito nenhum, e todas as evidências apontam unanimemente na direção de Tiago, o irmão de Jesus. O que é narrado nessa ocasião? Vejamos:

“Quando Jesus viu sua mãe ali, e, perto dela, o discípulo a quem ele amava, disse à sua mãe: ‘Aí está o seu filho’, e ao discípulo: ‘Aí está a sua mãe’. Daquela hora em diante, o discípulo a levou para casa” (João 19:26-27)

está o seu filho” é praticamente uma forma de dizer que ele não seria mais o seu filho. Obviamente Maria continuou sendo conhecida como a mãe de Jesus depois que ele morreu, mas como morto Jesus não poderia cumprir a responsabilidade legal de um filho mais velho para com uma mãe viúva, que é a de cuidar dela. Neste sentido, ele estava transferindo essa responsabilidade ao segundo filho, Tiago: “Aí está a sua mãe”, que é mais do que uma verdade óbvia em relação ao parentesco, é uma forma de dizer que quem cumpriria o papel de filho a partir de agora seria ele – eis aí o seu filho, e eis aí a sua mãe.

Em outras palavras, todos os evangelistas aludem a este fato, mas de modos diferentes. Mateus, Marcos e Lucas aludem a isso vinculando Maria aos filhos mais velhos depois de Jesus (Tiago e José, ou simplesmente a Tiago), e João mencionando expressamente o eis aí o seu filho. Ambos de certa forma desvinculam Jesus de Maria nesta ocasião, e a relacionam com seus filhos ainda vivos. Infelizmente, essa mensagem foi ofuscada e pervertida pela fábula de que João é o discípulo amado e de que Maria morreu virgem, o que torna tudo sem sentido e nos leva a conclusões no mínimo pitorescas como a do pai judeu que dá o mesmo nome a duas de suas filhas, e outros malabarismos de Cirque du Soleil que tais apologetas estão bem familiarizados.

Fonte: http://www.lucasbanzoli.com

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