Introdução
O pentecostalismo se fundamenta em alguns pontos essenciais básicos, tais como: (1) a identificação do mover do Espírito Santo de Deus; (2) a aceitação de uma categoria de crentes especialmente agraciada pela graça divina; e (3) a precedência da experiência sobre a revelação objetiva das Escrituras, para a formulação de doutrinas.
O pentecostalismo se fundamenta em alguns pontos essenciais básicos, tais como: (1) a identificação do mover do Espírito Santo de Deus; (2) a aceitação de uma categoria de crentes especialmente agraciada pela graça divina; e (3) a precedência da experiência sobre a revelação objetiva das Escrituras, para a formulação de doutrinas.
Nossa compreensão desses pontos, segundo um exame
da Palavra de Deus, determina onde nos posicionamos no confuso quadro
eclesiástico contemporâneo: se com a interpretação dada pelos símbolos da fé
reformada (Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos) ou com o
evangelicalismo contemporâneo, cuja maior característica comum parece ser a
aceitação da doutrina pentecostal cruzando linhas denominacionais.
O propósito deste artigo não é realizar,
individualmente, um estudo sobre línguas, cura ou profecias, mas tratar os
conceitos básicos do pentecostalismo e os seus reflexos na igreja local. A
compreensão doutrinária dessas questões, pode determinar a ênfase da nossa
mensagem; os nossos objetivos de vida como cristãos e até a prática litúrgica
das igrejas.
1 - Um pouco de história
1 - Um pouco de história
Do segundo século até o século dezenove, não existe
evidência histórica de que os cristãos fiéis, de teologia ortodoxa falassem
línguas estranhas, praticassem a “cura divina” em reuniões ou se guiassem por
novas profecias. Todas essas coisas, entretanto, caracterizam o pentecostalismo
e o chamado “movimento carismático” contemporâneo, incluindo o
neopentecostalismo.
Essa busca pelo inusitado e pelo sobrenatural, fora
das prescrições das Escrituras, na história da igreja, sempre foi
característica de grupos considerados como heréticos, desde os seguidores de
Montanus (montanistas), no segundo século até aqueles liderados por Edward
Irving, no século 19 da era cristã.
A história do pentecostalismo moderno é normalmente classificada como tendo ocorrido em três ondas distintas:
A história do pentecostalismo moderno é normalmente classificada como tendo ocorrido em três ondas distintas:
a. A primeira onda – Pentecostalismo
Clássico. Teve início em 1901, quando a sra. Agnes Ozman, nos Estados Unidos,
disse ter recebido o batismo do Espírito Santo e falado línguas. A prática foi
incorporada ao movimento Holiness. Um outro evento mais conhecido deu-se
em 1906, quando se relatou o falar em línguas em uma igreja na rua Azusa (Azusa
Street Mission), estado da Califórnia. Desses dois eventos procede a
maioria das igrejas pentecostais históricas, como a Assembleia de Deus e
a Igreja do Evangelho Quadrangular.
b. A segunda onda – Pentecostalismo recente
ou Renovação Carismática. Semelhantemente ao movimento pentecostal anterior,
enfatizou os “dons extraordinários”, com grande ênfase ao “dom de línguas”. A
grande diferença é que as linhas denominacionais foram quebradas e a visão
doutrinária pentecostal atingiu várias igrejas. O ano de 1960 marca o início
desta onda, em uma igreja Episcopal da Califórnia, na qual se observou o falar
em línguas. A própria imprensa secular deu destaque ao acontecimento. O
movimento, nos Estados Unidos, se espalhou pelas universidades, entre
organizações para-eclesiásticas, tais como a ABU. Além de atingir denominações
tradicionais, como luteranos, presbiterianos e metodistas, penetrou nos
católico-romanos, partindo da universidade de Notre Dame, formando o
movimento dos “católicos carismáticos”, que perdura até hoje. A maior
característica desse período foi a determinação dos persuadidos pelos
ensinamentos pentecostais, a permanecerem nas denominações de origem,
“renovando-as”.
c. A terceira onda – O movimento de sinais e
maravilhas – o Neopentecostalismo. A designação “terceira onda” foi cunhada por
Peter Wagner, em 1983, um dos proponentes do movimento de crescimento de
igrejas. Ele escreveu que as duas primeiras ondas continuavam, mas agora o
Espírito estaria vindo em uma “terceira onda” com sinais e maravilhas. Temos
aqui, também, o surgimento do movimento Vineyard, que conseguiu adeptos
e transformou-se em uma denominação, propagando o que ficou conhecido como
“evangelismo do poder” (power evangelism) – o evangelho é propagado e
demonstrado por sinais e maravilhas sobrenaturais. O dom de línguas, neste
estágio, recebeu uma ênfase menor do que o de “profecias”, curas e realização
de efeitos especiais e sobrenaturais – muitas vezes sem razão ou conexão
aparente – tais como: quedas, risos, urros, dentes de ouro, etc.
No Brasil, essas “ondas” foram quase simultâneas. A Congregação Cristã foi a primeira igreja pentecostal estabelecida, em 1910, seguida da Assembleia de Deus, em 1911. Na década de 1960 tivemos o surgimento do movimento carismático e de renovação, em várias denominações, e, atualmente, vivemos a “terceira onda”, com o neopentecostalismo.
O pentecostalismo e seus derivados contemporâneos
se coloca como uma posição doutrinária saudável que sabe identificar o “mover
do Espírito Santo de Deus”. Será que essa identificação é bíblica? Será que a
fé reformada está deixando de reconhecer o trabalho do Espírito Santo nos dias
de hoje?
2 - Existe diferença entre Pentecostalismo e
Neopentecostalismo?
O neopentecostalismo tem em comum com o pentecostalismo, a ênfase na experiência, e muitas das doutrinas relacionadas com os dons extraordinários (operação de milagres, falar em línguas, novas revelações). O neopentecostalismo, entretanto, é caracterizado por cruzar os limites das denominações pentecostais, formando novas denominações com peculiaridades mais intensas e penetrando nas demais denominações.
O neopentecostalismo tem em comum com o pentecostalismo, a ênfase na experiência, e muitas das doutrinas relacionadas com os dons extraordinários (operação de milagres, falar em línguas, novas revelações). O neopentecostalismo, entretanto, é caracterizado por cruzar os limites das denominações pentecostais, formando novas denominações com peculiaridades mais intensas e penetrando nas demais denominações.
O grande ponto de dissociação, entretanto, entre o
pentecostalismo e o neopentecostalismo se dá na compreensão da doutrina das
Escrituras. A ênfase na experiência, do pentecostalismo, nunca chegou a soterrar
totalmente a importância da Palavra e pontos de tensão foram resolvidos, em
muitas ocasiões, com a primazia da própria Palavra. Nesse sentido, por exemplo,
a insistência inicial na total ausência de estudo bíblico formal (seminários,
institutos bíblicos), uma vez que a pregação viria “por revelação”, deu lugar à
visão mais bíblica e mais sóbria, da necessidade do estudo e na aplicação ao
aprendizado; as próprias “cruzadas de milagres”, populares na década de
sessenta, no Brasil, foram suplantadas por estruturas denominacionais mais
comprometidas com a evangelização aos segmentos mais esquecidos da sociedade,
ao discipulado e à formação de um caráter cristão nos congregados. De
“denominação de vanguarda” os pentecostais foram se revelando conservadores em
inúmeras doutrinas e, em não raras ocasiões, exercitam a disciplina
eclesiástica de forma coerente e bíblica.
O neopentecostalismo, entretanto, abraçou vários
ensinamentos próprios – esses nem sempre com respaldo ou analogia bíblica. No
neopentecostalismo, é básica a adesão ao espetacular e extraordinário, como
sendo características inerentes ao próprio exercício da fé cristã, mas existem
outras peculiaridades doutrinárias, tais como:
a. O culto à prosperidade e a busca ávida dessa,
como norma de vida.
b. A operação de maravilhas que não têm valor
intrínseco ou lógico em si (como o riso desenfreado, o cair pela passagem de um
paletó, ou o aparecimento de dentes de ouro).
c. A necessidade de identificação das entidades
demoníacas que controlam a vida e os afazeres de uma determinada localidade ou
setor geográfico, como condição básica para se ganhar a batalha espiritual que
resultará no crescimento da igreja.
d. A utilização de formas linguísticas e chavões
que implicitamente possuiriam valor espiritual inerente, devendo ser utilizados
de maneira declaratória, nos cultos e concentrações públicas, como parte desta
batalha espiritual (“eu o amarro!”, “declaro esta cidade liberta!”, etc.),
muitas vezes acompanhadas de orações pré-fabricadas, apresentadas como
poderosas em si.
e. A identificação de doenças e problemas
psicológicos como formas veladas de possessão demoníaca. Nessa visão, todo
crente é conclamado a ver como fenômeno sobrenatural problemas que a Igreja
sempre tratou como consequências naturais do pecado.
3- Como reconhecer o trabalho e o mover do Espírito Santo?
O trabalho do Espírito Santo segue diretrizes bíblicas claras e coerentes com as tarefas da Trindade e isso nos dá uma maneira de reconhecer o Espírito de Deus. O ponto chave, que encontramos na Palavra de Deus é que o trabalho do Espírito Santo é revelar o Filho.
Nesse sentido, temos várias declarações explícitas
de Jesus Cristo. Em Jo 14.26 Jesus diz: “o Consolador, o Espírito Santo, a
quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará
lembrar tudo o que vos tenho dito”. A atividade aqui descrita do Espírito
Santo é, portanto, ensinar e fazer lembrar as coisas que Jesus Cristo disse,
isto é: testemunhar da pessoa e obra de Cristo.
Em Jo 16.14 lemos: “Ele me glorificará porque há
de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar”. A glorificação é à pessoa
de Cristo. A anunciação que o Espírito Santo faz é da obra e da mensagem de
Cristo. Disso faz parte, também, o trabalho regenerador do Espírito Santo na conversão
dos descrentes.
O Espírito Santo não trabalha, portanto, independentemente da obra de Cristo, como pregam todos aqueles que enfatizam o culto ao Espírito Santo e acabam por desviar os olhos dos fiéis da pessoa de Cristo. O Espírito Santo não vem como “uma segunda bênção”, nem vem realizar fenômenos sem sentido ou fora do contexto revelador de Cristo, tais como curas espetaculares, risos santos, quedas, urros, dentes de ouro ou quaisquer outras maravilhas glorificadoras dos homens que as realizam. Ele vem selar o trabalho de Cristo na vida do crente, abrindo-lhe o coração à conversão, batizando-o com a abençoada regeneração, fazendo morada no coração de todos os salvos, promovendo a comunhão cristã, edificando o Corpo de Cristo, iluminando o entendimento e operando o crescimento em santificação.
Semelhantemente às heresias do montanismo, do segundo século, muitas distorções contemporâneas são fruto de ideias de pessoas, querendo “melhorar” o que Deus estabeleceu em sua perfeição e em Sua Palavra. Assim fazendo, elas superenfatizam a terceira pessoa da Trindade, praticamente tornando a pessoa e o trabalho de Cristo secundários às ações do Espírito Santo.
O Espírito Santo não trabalha, portanto, independentemente da obra de Cristo, como pregam todos aqueles que enfatizam o culto ao Espírito Santo e acabam por desviar os olhos dos fiéis da pessoa de Cristo. O Espírito Santo não vem como “uma segunda bênção”, nem vem realizar fenômenos sem sentido ou fora do contexto revelador de Cristo, tais como curas espetaculares, risos santos, quedas, urros, dentes de ouro ou quaisquer outras maravilhas glorificadoras dos homens que as realizam. Ele vem selar o trabalho de Cristo na vida do crente, abrindo-lhe o coração à conversão, batizando-o com a abençoada regeneração, fazendo morada no coração de todos os salvos, promovendo a comunhão cristã, edificando o Corpo de Cristo, iluminando o entendimento e operando o crescimento em santificação.
Semelhantemente às heresias do montanismo, do segundo século, muitas distorções contemporâneas são fruto de ideias de pessoas, querendo “melhorar” o que Deus estabeleceu em sua perfeição e em Sua Palavra. Assim fazendo, elas superenfatizam a terceira pessoa da Trindade, praticamente tornando a pessoa e o trabalho de Cristo secundários às ações do Espírito Santo.
Logicamente, queremos ter muito cuidado, pois
nenhum crente deseja atribuir o poder do Espírito Santo em Jesus Cristo a
demônios (Mc 3.22-30). Como reconhecer o trabalho do Espírito Santo de Deus?
Três critérios nos auxiliarão:
(1) O fim principal do trabalho do Espírito é a
glória de Deus. Cristo, cheio e liderado pelo próprio Espírito, assim
especificou – Jo 4.34; 5.19; 5.30; 5.43; 6.38; 17.4. No que diz respeito aos
demônios, estes procuram a auto-adoração e própria glorificação (Jo 4.24).
(2) A suprema autoridade do Espírito é a Palavra de
Deus: Dt 29.29. Demonstrar mais estima e procura por “revelações ocultas” do
que pela revelação bíblica, é um insulto ao Deus todo-poderoso, que nos criou
em amor para que o adorássemos e o servíssemos.
(3) A mensagem principal do Espírito é o Evangelho
de Deus (At 1.2 e 8).
4 - Existe uma hierarquia dos salvos?
O movimento pentecostal trouxe à cena evangélica o
inusitado e o extraordinário como sendo não apenas parte da realidade
existencial, histórica e religiosa da Igreja, mas como objeto de anelo e desejo
na vida individual de cada crente. Os ensinamentos do pentecostalismo deixaram
a expectativa de que sem estas experiências algo estaria a faltar na vida do
cristão. Era necessário se atingir um patamar superior, obter-se uma segunda
bênção, elevar-se acima do nível do crente comum. Gerou-se assim uma hierarquia
de crentes: os batizados vs. os não-batizados pelo Espírito Santo, ou,
utilizando uma outra terminologia: os recebedores vs. os
“ainda-carentes-de-uma-segunda-bênção”.
A questão da cura divina, trazida pelo pentecostalismo, segue ao longo de linhas paralelas. Ela coloca os crentes em uma escala hierárquica, qualificando o seu cristianismo, fazendo uma divisão entre os que atingiram já um patamar de fé que é suficiente a torná-los recebedores de curas milagrosas vs. aqueles cuja fé é insuficiente ao recebimento destas bênçãos, que estariam reservadas aos mais aquinhoados espiritualmente.
O pentecostalismo, prega essa hierarquia dos salvos estranha à Palavra de Deus, tanto na questão do batismo pelo Espírito Santo, como na cura divina, como no “falar em línguas” – áreas às quais os fiéis são direcionados a procurarem como marca de uma espiritualidade genuína. Aqueles que não experimentaram tais experiências são levados a avaliar suas vidas como “fria” ou distanciada do “fogo” saudável do Espírito de Deus.
A questão da cura divina, trazida pelo pentecostalismo, segue ao longo de linhas paralelas. Ela coloca os crentes em uma escala hierárquica, qualificando o seu cristianismo, fazendo uma divisão entre os que atingiram já um patamar de fé que é suficiente a torná-los recebedores de curas milagrosas vs. aqueles cuja fé é insuficiente ao recebimento destas bênçãos, que estariam reservadas aos mais aquinhoados espiritualmente.
O pentecostalismo, prega essa hierarquia dos salvos estranha à Palavra de Deus, tanto na questão do batismo pelo Espírito Santo, como na cura divina, como no “falar em línguas” – áreas às quais os fiéis são direcionados a procurarem como marca de uma espiritualidade genuína. Aqueles que não experimentaram tais experiências são levados a avaliar suas vidas como “fria” ou distanciada do “fogo” saudável do Espírito de Deus.
O movimento carismático e de renovação foi
propagado como sendo uma reação sadia à ortodoxia morta das igrejas
tradicionais. Inegavelmente, muito fervor real foi despertado no meio de
denominações que estavam consideravelmente afastadas da Palavra de Deus e de
suas confissões e credos originais. Muitas haviam abraçado ideias heréticas e
humanistas do racionalismo teológico. Mesmo considerando a existência de uma
guinada positiva em denominações liberais, pela promoção do estudo das esquecidas
Escrituras, a procura pelas experiências, estendida a denominações fiéis à
Palavra de Deus, teve efeito devastador. Divisões, polarizações, discussões
infrutíferas, desprezo aos padrões confessionais, têm sido resultados comumente
observados em igrejas atingidas pelo abraçar de doutrinas pentecostais.
A divisão das pessoas, encontrada na Palavra de Deus, com relação ao posicionamento perante o Criador, nos mostra que todos estão subdivididos em salvos ou perdidos; crentes ou incrédulos; os que receberam a fé como dom de Deus ou aqueles sem fé que se encontram no caminho da perdição. Os movimentos, dentro da Igreja, que acrescentam uma terceira categoria de pessoas, no que diz respeito ao status espiritual delas perante Deus: os sobrenaturalmente agraciados com um fenômeno fora do comum, que difere e está além do ato soberano de Deus da salvação, não encontra base bíblica e representa uma carga injusta lançada sobre os fiéis.
O apóstolo Paulo nos ensina, em 1 Co 12.13, que “em um só espírito todos nós fomos batizados”. Note que ele se refere: (1) genericamente, a todos os crentes – sem distinguir uma casta específica (todos nós); (2) no passado – todos nós, que cremos, fomos batizados; (3) esse batismo do espírito Santo caracteriza todos que formam “o corpo” – ou seja, a igreja de Cristo – ele não vem como uma “segunda bênção”. Isso está em harmonia com Ef 4.5 – que nos ensina que há “um só batismo” e Rm 8.9 – que diz: “se alguém não tem o Espírito de Cristo, este tal não é dele”. Todos os eleitos de Deus, como salvos, são chamados das trevas para a maravilhosa luz – essa é a divisão encontrada na Palavra de Deus. Não existe uma hierarquia dos salvos e, muito menos, salvos não batizados pelo Espírito Santo de Deus.
A divisão das pessoas, encontrada na Palavra de Deus, com relação ao posicionamento perante o Criador, nos mostra que todos estão subdivididos em salvos ou perdidos; crentes ou incrédulos; os que receberam a fé como dom de Deus ou aqueles sem fé que se encontram no caminho da perdição. Os movimentos, dentro da Igreja, que acrescentam uma terceira categoria de pessoas, no que diz respeito ao status espiritual delas perante Deus: os sobrenaturalmente agraciados com um fenômeno fora do comum, que difere e está além do ato soberano de Deus da salvação, não encontra base bíblica e representa uma carga injusta lançada sobre os fiéis.
O apóstolo Paulo nos ensina, em 1 Co 12.13, que “em um só espírito todos nós fomos batizados”. Note que ele se refere: (1) genericamente, a todos os crentes – sem distinguir uma casta específica (todos nós); (2) no passado – todos nós, que cremos, fomos batizados; (3) esse batismo do espírito Santo caracteriza todos que formam “o corpo” – ou seja, a igreja de Cristo – ele não vem como uma “segunda bênção”. Isso está em harmonia com Ef 4.5 – que nos ensina que há “um só batismo” e Rm 8.9 – que diz: “se alguém não tem o Espírito de Cristo, este tal não é dele”. Todos os eleitos de Deus, como salvos, são chamados das trevas para a maravilhosa luz – essa é a divisão encontrada na Palavra de Deus. Não existe uma hierarquia dos salvos e, muito menos, salvos não batizados pelo Espírito Santo de Deus.
5 - O interesse pelos fenômenos sobrenaturais
e a precedência dada à experiência
Existe um grande interesse na igreja contemporânea
nas manifestações sobrenaturais. Na maioria das vezes esse interesse pelos
fenômenos sobrenaturais não procede do sério estudo da palavra de Deus, mas de
sentimentos carnais presentes na fraca visão do homem natural. Quando Jesus foi
pressionado para que realizasse algum sinal sobrenatural fora do contexto e do
propósito soberano de sua missão, apenas para atender o desejo pelo
extraordinário, presente na multidão (Mt 12.39), Ele dá o seguinte
direcionamento aos solicitantes:
a. primeiro, indica que devem examinar as suas
vidas (chama os interlocutores de “geração má e adúltera”)
b. depois, manda que eles se dirijam às Escrituras,
à história previamente revelada e escriturada, (devem considerar “o sinal do
profeta Jonas”) para obtenção do conhecimento teológico e prático que diziam
procurar.
O segmento pentecostal e neopentecostal, ao enfatizar um interesse primário pelas manifestações sobrenaturais, tira o foco da doutrina da providência divina no governo soberano de todas as atividades. Vemos a tendência, na realidade, de abraçar o misticismo característico das massas. A Igreja recebe, então, uma visão destorcida das prioridades de vida, que coloca as questões físicas do homem como alvo de maior preocupação, do que os problemas metafísicos existentes entre o homem pecador e o Deus Santo que o criou. além do físico, do visível, do palpável, do perceptível. Estamos utilizando o termo metafísico como descritivo do campo das questões eminentemente espirituais (como a salvação, o andar em justiça e santidade), em contrapartida às questões físicas (doenças, enfermidades) que, mesmo sendo importantes, estão hierarquicamente abaixo das anteriores (Mt 10.28).
Onde impera o ávido desejo pelo inusitado e pelo
extraordinário, as Escrituras vão ficando para trás. Na Confissão de Fé de
Westminster (Cap. 1) temos uma das formulações mais completas, detalhadas e
fiel, sobre as doutrinas das Sagradas Escrituras. Ainda assim, encontramos
pastores, oficiais e membros de igrejas que abraçam esta Confissão, ansiosos
pela manifestação de fenômenos sobrenaturais, desejosos de diretrizes
fornecidas por novas revelações, como se algo estivesse faltando à própria
Palavra de Deus para a expressão plena de suas religiosidades.
Não devemos desejar um cristianismo racional no qual o sobrenatural é ignorado, nem gerar um ceticismo às atividades das hostes das trevas. Mas devemos procurar manter o sobrenatural dentro da perspectiva que a própria Palavra nos ensina. A maior ação sobrenatural de Deus é o milagre da salvação: seu Espírito regenerador, criando uma nova vida dentro de nós. O governo soberano de Deus, pelo qual ele cumpre os seus propósitos na história, é o grande alicerce de magnifica espiritualidade e sobrenaturalidade da nossa religião – por que desprezar esse conhecimento e essa convicção (Is 8.16-20)? Por que a busca pelo inusitado, pelas intervenções solicitadas ao nosso serviço e por nossas necessidades?
Na parábola do mendigo Lázaro, (Lc 16.19-31) o rico, após tomar pleno conhecimento das realidades espirituais, entre elas a do fogo eterno, da condenação e das tormentas, pede uma maravilha ao reino dos céus, representado na pessoa de Abraão. Ele quer um fenômeno extraordinário – gostaria que o mendigo Lázaro, agora com Abraão, fosse ressuscitado e pessoalmente voltasse à terra dando testemunho daquelas realidades espirituais aos seus cinco irmãos.
Não devemos desejar um cristianismo racional no qual o sobrenatural é ignorado, nem gerar um ceticismo às atividades das hostes das trevas. Mas devemos procurar manter o sobrenatural dentro da perspectiva que a própria Palavra nos ensina. A maior ação sobrenatural de Deus é o milagre da salvação: seu Espírito regenerador, criando uma nova vida dentro de nós. O governo soberano de Deus, pelo qual ele cumpre os seus propósitos na história, é o grande alicerce de magnifica espiritualidade e sobrenaturalidade da nossa religião – por que desprezar esse conhecimento e essa convicção (Is 8.16-20)? Por que a busca pelo inusitado, pelas intervenções solicitadas ao nosso serviço e por nossas necessidades?
Na parábola do mendigo Lázaro, (Lc 16.19-31) o rico, após tomar pleno conhecimento das realidades espirituais, entre elas a do fogo eterno, da condenação e das tormentas, pede uma maravilha ao reino dos céus, representado na pessoa de Abraão. Ele quer um fenômeno extraordinário – gostaria que o mendigo Lázaro, agora com Abraão, fosse ressuscitado e pessoalmente voltasse à terra dando testemunho daquelas realidades espirituais aos seus cinco irmãos.
Na sua perspectiva, um depoimento advindo de uma
manifestação tão espetacular certamente faria com que seus parentes
acreditassem na mensagem da verdade. Abraão responde que eles têm as Escrituras
(Moisés e os profetas) e se, com os corações endurecidos, não respondem ao
claro e objetivo ensinamento delas, não será o grande fenômeno da ressurreição
que gerará a credibilidade necessária à salvação.
Essas palavras eram também proféticas. Deus operou um fenômeno impossível às suas criaturas, ressuscitando Jesus Cristo ao terceiro dia, mas as pessoas submersas em seus pecados continuam a rejeitar a mensagem das Escrituras, mesmo após a ressurreição.
Essas palavras eram também proféticas. Deus operou um fenômeno impossível às suas criaturas, ressuscitando Jesus Cristo ao terceiro dia, mas as pessoas submersas em seus pecados continuam a rejeitar a mensagem das Escrituras, mesmo após a ressurreição.
Por que a nossa geração deve retratar a própria
atitude, condenada pela parábola – que os fenômenos extra-naturais é que
conduzirão as pessoas à Cristo – quando ele próprio nos aponta para as Escrituras
(Jo 5.39)? Por que desprezarmos o grande fenômeno, bíblico e historicamente
comprovado, da ressurreição de Cristo, procurando manifestações duvidosas
contemporâneas?
______________
Livros sugeridos:
______________
Livros sugeridos:
• Fé Cristã e Misticismo, Matos, Portela, Lopes, Campos.
• Religião de Poder, Michael Horton.
Leituras bíblicas sugeridas:
• Lc 16.19-31 – O Rico e Lázaro. Os
estudos das Escrituras está acima dos milagres.
• Jo 14.16-26 – O Filho envia o
Espírito da Verdade. Jo 16.7-14 – O Espírito Santo não fala de si mesmo, mas
revela o Filho.
• 1 Co 12.12-27 – Já fomos batizados em um só corpo.
• Ef 4.1-6 – Participamos de um só batismo.
• Is 8.16-20 – O grande sinal e maravilha: o Povo de Deus resgatado.
• Jo 5.36-47 – A grande importância do testemunho das Escrituras, acima da experiência.
• 1 Co 12.12-27 – Já fomos batizados em um só corpo.
• Ef 4.1-6 – Participamos de um só batismo.
• Is 8.16-20 – O grande sinal e maravilha: o Povo de Deus resgatado.
• Jo 5.36-47 – A grande importância do testemunho das Escrituras, acima da experiência.
***
Fonte: Revista O Pensador Cristão - Edição de Ano IV – Nº 16 – Dez/03.
Fonte: Revista O Pensador Cristão - Edição de Ano IV – Nº 16 – Dez/03.
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