Quando tratamos desse problema, não listamos isso
somente como forma acusativa e crítica inconsequente. Diante da atual temática
neopentecostal, principalmente em solo brasileiro, podemos tratar também da
questão da linguagem utilizada em seus arraiais, nisso enquadramos a pregação,
a música e o “dialeto” usado no contexto religioso e social da terceira onda do
pentecostalismo. Também iremos tratar nesse artigo do problema semiótico, ou
seja, do simbolismo empregado pelo movimento para disseminar suas ideias e
crendices entre os fiéis. No campo semiótico temos, por exemplo, os pontos de
contato, que segundo os líderes do neopentecostalismo servem de pontos de fé,
ou mediadores de fé entre o fiel e o divino. O presente trabalho visa mostrar
ao leitor que o misticismo e a forte ligação pagã católica estão entranhados na
alma das igrejas neopentecostais. E que isso resulta de mentes carnais e que
tem cedido às palavras da serpente que como seduziu Adão e Eva, tem seduzido
desde os tempos remotos a inclinação religiosa do homem a cultuar seu próprio
eu. Criando sua própria religião e ignorando a revelação de Deus a suas
criaturas.
Discernimento Bíblico
Geralmente quando escrevo sobre erros doutrinários
é comum receber algumas mensagens ou “conselhos” de crentes, citando Mateus
7.1: “Não julgueis, para que não sejais julgados”. Uma quantidade
considerável de crentes toma por base esse texto e dizem ser errado julgar
posicionamentos religiosos. Mas o que Jesus estava ensinando aqui? Ele estava
proibindo todo e qualquer julgamento? Visto que em João Ele diz: “Não
julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça”, João
7.24. Vemos que nem todo julgamento é proibido nas Escrituras, o Teólogo
Reformado Willian Hendriksen esclarece:
Aqui o Senhor condena o espirito de censura, o
juízo áspero, a auto-justificativa em detrimento de outros e isso sem
misericórdia, sem amor [1].
Ao analisarmos com mais atenção as recomendações
Bíblicas vemos que o julgamento faz parte da preservação da são doutrina e da
ordem na igreja do Senhor. Vejamos alguns textos bíblicos.
“Porque, que tenho eu em julgar também os que
estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro?”1 Coríntios 5.12
“Quanto àquele que provoca divisões, advirta-o
uma e duas vezes. Depois disso, rejeite-o.”Tito 3.10
“Amados, não creiam em qualquer espírito, mas
examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos
profetas têm saído pelo mundo.” 1 João 4.1
“Cuidado com os cães, cuidado com esses que
praticam o mal, cuidado com a falsa circuncisão!” Filipenses 3.2
“Alguns se desviaram dessas coisas, voltando-se
para discussões inúteis, querendo ser mestres da lei, quando não
compreendem nem o que dizem nem as coisas acerca das quais fazem afirmações tão
categóricas.” 1 Timóteo 1.6-7
Dada essa introdução ao questionamento, iremos
agora nos ater aos fatos do neopentecostalismo.
A Linguagem
Frases de efeito como: você é um vencedor, você
é filho do Rei, é cabeça e não cauda. Jesus conquistou tudo na cruz, seu carro,
seu emprego, seu casamento, seu sucesso. Ao compreendermos esse tipo de
linguagem percebemos que não há muitas diferenças de palestras motivacionais ou
livros de autoajuda. O fato de o homem moderno está imerso em desespero e
angústia contribui para a fixação popular desses jargões. Como disse Sartre: o
homem é angústia.
A proliferação do sincretismo religioso nas igrejas
neopentecostais eleva essa angústia que remete a religião do medo da idade
média. Por outro lado, temos o negativo no que se refere a imposição de julgo
sobre o fiel. A presença de encostos, demônios que precisam ser expulsos, de
mapeamentos espirituais que precisam ser feitos, para repreenderem as
“entidades” espirituais do governo de localidades são promotores ativos de
prisão emocional e espiritual de muitas pessoas.
A deificação do líder também é algo curioso. Um dia
desses visitei uma irmã de uma igreja neopentecostal, ao entrar em sua casa
observei que na parede tinha a foto do Pastor de sua igreja. Ela me disse que
ele disse aos irmãos de sua igreja que fizessem isso, pois, afastaria o mal de
seus lares. É interessante porque isso se assemelha muito a crença em padroeiros,
algo bem forte no nordeste brasileiro, principalmente em cidades sertanejas.
Vemos dentro do movimento lideres tomando literalmente o lugar de mediadores,
usurpando o sacerdócio de Cristo e dispensando o ministério do Espirito
Santo.
A prática católica de pagamento de penitencias
também é algo muito similar em igrejas neopentecostais. O crente tem que
participar das campanhas financeiras, das correntes, das quebras de maldição e
por aí vai. O interessante da história é que em tudo isso gira o capital
financeiro.
O pagamento das indulgências e desembolso de
valores para de missas do sétimo dia, para que o ente falecido saia do
purgatório tomou uma nova cara no neopentecostalismo. O contribuir não
mais é fruto da gratidão do coração do cristão, mas, um pagamento por uma
“vitória” que deseja se alcançar. A questão da obtenção das bênçãos de Deus por
meio de obras e esforços humanos foi algo rebatido pelos reformadores, agora
retorna em roupa nova aos arraiais evangélicos. As obras devem ser fruto da fé
e não o contrário como disse Thiago:
“Porque, assim como o corpo sem o espírito está
morto, assim também a fé sem obras é morta.” Tiago 2.26
A Questão Semiótica
Quando falamos em semiótica nos referimos aos
símbolos utilizados no neopentecostalismo, nisso iremos perceber o sincretismo
presente dentro de tal movimento que não tem nada de pentecostal. Percebemos
tal sincretismo principalmente no contexto brasileiro, devido à formação social
e religiosa do país.
Desde o período colonial com o catolicismo e depois
as práticas religiosas dos povos africanos, que se misturando com a pajelança
indígena deram origem ao fenômeno da religiosidade brasileira. A mistura do
catolicismo e candomblé, depois do catolicismo com o pentecostalismo, a partir
do surgimento do movimento carismático. Chegando finalmente na mistura de
elementos pentecostais com baixo espiritismo. O dualismo presente, a figura
pontifícia do líder maior, o valor da tradição em detrimento a doutrina
bíblica. A idolatria e uso de pontos de contato para mediarem a fé do
crente.
É interessante sublinharmos aqui, a questão do
líder maior que geralmente se distingue na nomenclatura: Apóstolo, Bispo,
Patriarca, Anjo, Arcanjo. Entendemos essa questão hierárquica como o pensamento
de um sumo pontífice. Isso leva o líder a ter de uma forma mais fácil o
controle administrativo e psicológico do rebanho. A cega submissão, a
divinização do líder, sua palavra “é Deus falando”. Cristo é diminuído como na
pregação de Edir Macedo, diz ele que “Jesus não precisava ter feito o
milagre de transformar água em vinho, não havia necessidade”. Outro fator
importante para mencionarmos é questão dos apetrechos, amuletos e
superstições que estão presentes: a rosa, corredor do sal grosso, o manto
ungido, campanha de troca de anjo da guarda, a campanha dos trezentos e
dezoito, fogueira santa, escrever os pecados num pedaço de papel e queimar,
ungir os pertences com óleo de Israel, ter uma foto do líder em casa e campanha
do embelezamento. Isso é real, mas faço a pergunta, isso é bíblico?
Onde está na Bíblia algum Apóstolo ungindo seu cavalo? Onde está um
discípulo trocando de anjo? Onde diz que Jesus mandou queimar os pecados numa
fogueira? Ou enterrar os pecados? Como disse o pastor Lucinho? Ou cheirar a
Bíblia? Ou fazer um quarto em casa para o Espirito Santo morar? Ou marcar
território urinando? Ou a unção dos animais, em que cada pessoa imita um bicho?
Absurdo é a única palavra que vem a mente.
A antiga crença católica que as imagens nos templos
eram meios pedagógicos para os menos instruídos volta à tona no meio
“evangélico”. As práticas romanas abomináveis, que precederam a reforma estão
agora nas igrejas evangélicas. Pastores usando quipá judaico, com
candelabros judaicos nos templos, esse fato não é novo como disse
Salomão: “O que foi isso é o que há de ser; e o que se fez isso se
fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol” (Eclesiastes 1.9). As
igrejas da galácia foram assoladas por essas práticas judaicas, que judaizantes
queriam inserir no culto cristão. O galacionismo continua, o gnosticismo
continua, o docetismo ainda é presente.
Paulo nos adverte: “Admiro-me de que vocês
estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo,
para seguirem outro evangelho”;
que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre
é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de
Cristo. “Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho
diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado! Como já dissemos,
agora repito: Se alguém lhes anuncia um evangelho diferente daquele que já
receberam, que seja amaldiçoado!” (Gálatas 1.6-9). E ainda nos diz a
Escritura: “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos
de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.” (Mateus 7.15).
Esses tais são os que tem erguido seu império religioso, vale citar mais uma
advertência bíblica:
“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias
sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos,
avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães,
ingratos, profanos, Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores,
incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados,
orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de
piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.” (2 Timóteo
3.1-5).
Notas:
1- Comentário de Mateus volume 1, Ed.
Cultura Cristã
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