Por R.C. Sproul
Quando
foi tentado por Satanás no deserto, Jesus o repreendeu com as
palavras: “Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda
palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4.4). Historicamente, a igreja
tem efeito ecoar o ensino de Jesus, afirmando que a Bíblia é a vox
Dei, a “voz de Deus” ou o verbum Dei, a “Palavra de Deus”. Chamar a
Bíblia de “a Palavra de Deus” não significa sugerir que ela foi escrita
pela própria mão de Deus, ou que caiu do céu num pára-quedas. A
própria Bíblia claramente chama a atenção para seus muitos autores
humanos. Se a estudarmos cuidadosamente, percebemos que cada autor
humano tem seu próprio estilo literário peculiar, seu próprio
vocabulário, ênfase especial, perspectiva e outros aspectos. Já que a
produção da Bíblia envolveu esforço humano, como pode ser ela
considerada Palavra de Deus?
Bíblia
é chamada de Palavra de Deus por causa da sua reivindicação,
acreditada pela igreja, de que os escritores humanos não escreveram
simplesmente suas próprias opiniões, mas que suas palavras foram
inspiradas por Deus. O apóstolo Paulo escreve: “Toda Escritura é
inspirada por Deus” (2 Tm 3.16). A palavra inspiração é uma tradução da
palavra grega que significa “sopro de Deus”. Quer dizer, Deus soprou a
Bíblia. Assim como temos de expelir ar de nossa boca quando falamos,
assim, em última análise, a Bíblia é Deus falando.
Embora
a Bíblia tenha chegado a nós por intermédio das mãos de autores
humanos, a fonte suprema das Escrituras é Deus. Por isso os profetas
podiam prefaciar suas palavras, dizendo: “Assim diz o Senhor”. Por isso
Jesus também podia dizer: “A tua palavra é a verdade” (Jo 17.17) e “a
Escritura não pode falhar” (Jo 10.35).
A
palavra inspiração também chama a atenção para o processo pelo qual o
Espírito Santo superintendeu a produção da Bíblia. O Espírito guiou os
autores humanos para que as palavras deles não fossem nada menos que a
Palavra de Deus. Não sabemos como Deus superintendeu a redação original
da Bíblia. Inspiração, entretanto, não significa que Deus ditou sua
mensagem para aqueles que redigiram a Bíblia. Ao invés disso, o
Espírito Santo comunicou as exatas palavras de Deus por intermédio dos
escritores humanos.
Os
cristãos afirmam a infalibilidade e a inerrância da Bíblia porque, em
última análise, Deus é seu autor. E porque Deus é incapaz de inspirar
algo falso, sua palavra é totalmente verdadeira e digna de toda
confiança. Qualquer literatura humana, elaborada pelos meios normais,
está sujeita a erros. A Bíblia, porém, não é um projeto humano normal.
Se a Bíblia foi inspirada por Deus e a sua redação foi supervisionada
por ele, então não pode ter erros. Isso não significa que as traduções
da Bíblia que temos hoje não estejam isentas de erro, mas que os
manuscritos originais eram absolutamente corretos. Isso também não
significa que cada declaração da Bíblia seja a expressão da verdade. O
escritor do livro de Eclesiastes, por exemplo, declara que “no além
para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem
sabedoria alguma” (Ec 9.10). O escritor estava falando do ponto de
vista do desespero humano e sabemos que esta declaração não expressa a
verdade, de acordo com outros textos bíblicos. A Bíblia expressa a
verdade até mesmo ao revelar a falsa argumentação de um homem
desesperado.
Fonte: https://bereianos.blogspot.com
Imagem: Google


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