Quem nunca teve a
sensação, ao pecar, de ter decepcionado Deus? Creio que todos tiveram
tal sentimento. Ainda que o nosso conhecimento a respeito de
“justificação” seja vasto; ainda que entendamos bem a “graça e a
misericórdia”; ainda que “clamamos pelo Espírito: “Aba”!, quando caímos
em pecado, a primeira “seta” enviada a nossa mente, é que “Deus está
decepcionado conosco”.
É importante salientar
que o pecado muda o nosso humor (Sl 51.12), o que consequentemente
nestas horas, nossa razão, por um instante, é subjugada pela emoção (Sl
116.11). Parece que Deus não quer “mais nada conosco”; diante de tantos
acusadores, oramos (ainda que subjetivamente) o que orou Jó: “Trazes
novas testemunhas contra mim e contra mim aumentas a tua ira” (Jó
10.17).
Mas a Escritura nos traz
“boas-novas”. Deus não pode se decepcionar com você! Não há nada que
você faça que Deus não soubesse que você faria. É isso mesmo! Deus não
pode se decepcionar porque “Ele de antemão te conheceu” (Rm 8.29).
Aquilo ainda que você não fez, mas vai fazer, Deus já sabe que você
fará, e mesmo assim, de forma Soberana, te chamou (1 Pe 1.2). Quando
Deus te comprou Ele sabia que os seus pecados estariam inclusos no
pacote (Rm 5.8). Mesmo assim Ele comprou!
Ele não criou uma
expectativa sobre nós. Sempre esteve ciente a despeito da nossa
estrutura, pois sabe que somos pó, como disse Martinho Lutero: “Se a
minha salvação fosse deixada ao meu encargo, eu não conseguiria
enfrentar vitoriosamente todos os perigos, dificuldades e demônios
contra os quais teria que lutar. Porém, mesmo que não houvesse inimigos a
combater, eu jamais poderia ter a certeza do sucesso”.
Sabendo Deus que o
“coração do homem é mau desde a mocidade e que isso duraria para sempre”
(Gn 8.21,22), sendo impossível que o homem pudesse salvar a si próprio
ou mesmo garantir a permanência da sua própria salvação, Deus fez do
Filho Jesus a expiação pelo pecado qual condenava o homem, cumprindo
todo o preceito que a lei demandava para que o homem pudesse ser justo
no tribunal (Rm 8.3). Ele fez tudo por nós, e para nos assegurar para
sempre, nos livrando do perigo, pelo Sangue de Jesus, nos declarou santo
de forma irrevogável ainda que caiemos em pecado, como está escrito:
“Como é feliz aquele que tem suas transgressões perdoadas e seus pecados
apagados! Como é feliz aquele a quem o Senhor não atribui culpa e em
quem não há hipocrisia” (Sl 32. 1-2 NVI).
Você pode estar
pensando: “então posso pecar deliberadamente que mesmo assim não vou
perder a salvação”? Não!, não é que você vá perder a salvação. Na
verdade você nunca foi salvo, como está escrito: “... aquele que vive
pecando não o viu, nem o conheceu” (1 Jo 3.6). Sabemos quem de fato
pertence a Deus quando o tal se “afasta da iniquidade” (2 Tm 2.19).
Não existe “pecador
santo”; o que existe perante Deus é “santo pecador”. Somos pecadores em
nós, mas santos em Cristo. Pecar, não tem jeito, vamos pecar!, todavia,
ainda que você tenha caído em “grande pecado”, se houver a “tristeza
segundo Deus qual produz arrependimento” (2 Co 7.10), saiba que Deus
está lhe chamando novamente para a comunhão. Não importa quantas vezes
Ele precisará fazer isto. Havendo arrependimento, ainda que no mesmo dia
seja preciso te perdoar 70 x 7, Ele o fará e não te perderá.
Deus não pode se
decepcionar com ninguém, nem mesmo com o ímpio, pois sobre os
desobedientes não há “decepção”, mas “ira”. Antes que tivéssemos
conhecidos a Deus, a Bíblia diz que “por Ele já éramos conhecidos” (Gl
4.9). As ovelhas conhecem o seu pastor e o pastor conhece as suas
ovelhas (Jo 10.14). Se há temor em nós - ainda que pecadores –
certamente não escutaremos naquele dia: “Nunca vos conheci” (Mt 7. 23).
A certeza disto é que
“já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). A
justificação é imputada de uma única vez; o que está acontecendo agora
conosco é o processo da santificação. A justificação nos tira do mundo; a
santificação tira o mundo dentro da gente. Toda nossa segurança deve
estar em Cristo, pois Ele nos “conheceu de antemão” (inclusive que você
cometeria este pecado hoje); depois Ele nos fez “justos para sempre”.
Todo aquele que Deus predestinou, no ato do chamado, passa a ser
transformado conforme a imagem do Filho Jesus.
Ele nos glorificou!
Ainda que este estágio esteja no por vir, veja que a Escritura trata-o
como um fato consumado. No hebraico isso é chamado “tempo passado
profético”, ou seja, é uma certeza absoluta. Por isso que Paulo continua
Romanos 8 com ousadia expondo esta segurança, coroando a sua certeza,
dizendo: “... nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na
criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo
Jesus, nosso Senhor” (Rm 8.37 NVI).
Você e nem eu poderemos
decepcionar Deus. Logo, então, apenas o sigamos em amor, buscado dEle em
todos os dias a Sua graça e a Sua misericórdia andando no Seu Santo
Temor. Certamente “o Sangue do Seu Filho Jesus nos purificará de toda
injustiça” (1 Jo 1.7).
Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,
Soli Deo Gloria!
Por Fabio Campos
Fonte: http://ministeriobbereia.blogspot.com


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