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segunda-feira, 29 de abril de 2024

C. S. Lewis Nos Ensina a Como Ajudar Os Que Têm Dúvidas

No livro A Grief Observed [Luto observado], C. S. Lewis registra seu sofrimento psicológico após a morte de sua esposa. Em seu relato fragmentado e doloroso, ele esquadrinhou a natureza frágil da condição humana, que é contingente, passageira e vulnerável, vivendo vidas permeadas de dor. Diante de sua perda, Lewis—talvez o maior defensor da fé do século XX—tem momentos em que questiona se um Deus bom realmente existe. Sua dor insiste que “todas as evidências à primeira vista sugerem exatamente o contrário”.

 

O relato de Lewis mostra de forma contundente que ninguém está imune à dúvida.

 

Para os cristãos, a dúvida pode ter múltiplas facetas, tanto em suas causas quanto em seu tratamento. Nenhuma quantidade de conhecimento em apologética pôde blindar Lewis contra a dúvida e a angústia. Ele conhecia as respostas típicas para os problemas do mal e do sofrimento—ele mesmo escreveu The Problem of Pain! [O Problema do Sofrimento]. Porém, respostas intelectuais não eram aquilo que Lewis necessitava naquele momento. Seus argumentos não haviam perdido sua racionalidade; haviam perdido sua força emocional. Diante da morte de sua esposa, eles agora pareciam vazios”.

 

O que Lewis necessitava para reavivar sua fé não era a robustez dos argumentos teístas, os quais conhecia de cor e salteado. Necessitava da capacidade de enxergar novamente, de prestar atenção às razões que apenas alguns meses antes lhe pareciam convincentes. Em seu livro Cartas a Malcolm, Lewis reconhece a necessidade humana de prestar atenção. Em palavras notavelmente reminiscentes de Romanos 1, ele escreveu, “Podemos ignorar a presença de Deus, mas não fugir dela em lugar nenhum. O mundo está repleto dele. Ele anda por toda parte incógnito. E o incógnito nem sempre é difícil de penetrar. O verdadeiro trabalho é de lembrar de prestar atenção”.

 

No nosso mundo “desiludido”, marcado pelo ceticismo, é essencial encontrar métodos para ajudar quem tem dúvidas a prestar atenção em Deus e perceber a natureza espiritual da nossa existência. Como podemos fazer isso? Eis quatro estratégias eficazes:

 

1. Esforce-se para ser uma presença não ansiosa.

 

A fé cristã tem o poder de transformar o mundo e suas demandas. Como resultado, quando surgem dúvidas, pode parecer que o mundo inteiro de uma pessoa está desestabilizado. A dúvida gera medo e incerteza, podendo por sua vez, levar a uma busca mais intensa por respostas.

 

Claro que o Cristianismo tem uma longa tradição de investigação crítica que podemos explorar com aqueles que estão em dúvida. Parte da resposta à dúvida muitas vezes inclui o exame de alguns dos argumentos e evidências a favor do Cristianismo. No entanto, se a jornada para responder a todas as perguntas dos nossos amigos se tornar uma busca racionalista por certezas, a busca em breve se tornará um enorme ciclo de feedback cheio de ansiedade, sem uma saída clara. A incessante busca por provas absolutas para abrandar o medo apenas aumenta as incertezas. É um remédio errado para o tipo de dúvida que atormentou Lewis no final de sua vida. E se o seu amigo está passando por algo semelhante, essa abordagem não ajudará muito. Isso poderia até torná-lo mais cético em relação ao antídoto.

 

Em vez de se deixar levar pelo pânico induzido pelo medo, esforce-se para ser uma presença não ansiosa, sabendo que Deus está no controle. A confiança na soberania de Deus lhe dá a liberdade de acompanhar os pensamentos de seu amigo, oferecendo sabedoria e conselho sem sentir a necessidade de atacar implacavelmente suas dúvidas ou responder exaustivamente a todas as perguntas. É claro que há momentos em que você precisará se aprofundar e explorar certas questões juntos, mas também deve ajudá-los a perceber o mundo de forma diferente.

 

2. Conectem-se com o sagrado juntos.

 

A desilusão do mundo moderno não é completa. Existem momentos de encantamento que até mesmo os naturalistas mais fervorosos têm dificuldade para descartar, momentos em que o sagrado nos deixa ávidos por algo mais. Mesmo as culturas mais seculares sentem uma profunda necessidade de reconhecer o nascimento, a morte e o casamento como algo carregado de profundo significado.

 

Aproveite todas as oportunidades que puder para viver esses momentos encantados com seu amigo. Segure um bebê; reflita sobre a maravilha e a fragilidade da nova vida. Vá a um casamento e preste atenção ao significado do amor. Comemore um feriado. Relembre os velhos tempos e até mesmo a natureza passageira da vida. Reflita sobre a sabedoria e o que significa viver bem. Para Lewis, a morte era uma ocasião para dúvidas, mas na Bíblia, o Mestre nos diz para assistir a um funeral (Ec 7.2). Talvez seja porque a morte quebra a ilusão da permanência desta vida e nos confronta com questões para as quais não temos respostas. Isso nos torna mais humildes. Se permitirmos, refletir sobre a inevitabilidade da morte pode concentrar a nossa atenção. Em última análise, esse é um caminho através da dúvida e da desilusão e para mais uma vez viver uma vida encantada.

 

3. Façam caminhadas juntos.

 

Nossas vidas diárias foram corroídas pelos ácidos da eficiência e da produtividade. Em nossa sociedade, sentimos constantemente a necessidade de nos apressarmos. Desacelerar e dar um passeio pode nos deixar abertos para que possamos enxergar o mundo com outros olhos.

 

A Bíblia nos ensina que o mundo natural proclama a glória de Deus (Sl 19.1-6). Por isso, faça uma caminhada com seu amigo para apreciar a beleza da criação de Deus. Sinta o ar fresco em seus pulmões e ouça o som da cachoeira. Olhe para o céu noturno e maravilhe-se com as estrelas cintilantes. Preste atenção à majestade de Deus exposta ao seu redor e explique ao seu amigo o que você vê.

 

Na obra ficcional de C. S. Lewis, “Cartas de um Diabo a seu Aprendiz”, um demônio experiente em perverter a fé humana castiga seu colega mais jovem: “você lhe permitiu andar até o velho moinho e tomar um chá ali—uma caminhada pelo campo, coisa de que ele realmente gosta, e isso, a sós. . . . Como pôde ter falhado em reconhecer que um prazer real era a última coisa que você deveria ter deixado que ele vivenciasse?” Ou como Agostinho escreve u: “Se a beleza sensual lhe encanta, louve a Deus pela beleza das coisas corpóreas e canalize o amor que você sente por elas para seu Criador”.

 

O mundo moderno e secular vê a natureza como uma realidade bruta a ser manipulada. Como um feitiço lançado sobre os nossos olhos, esta mentira perniciosa nos leva a ver o mundo como plano, chato e sem vida. Ajude seu amigo com dúvidas a enxergar a beleza do mundo ao seu redor. Ao fazer isso, você o ajudará a contemplar a beleza maior dAquele que criou esse mundo.

 

4. Convide-os para o culto congregacional.

 

Às vezes, quando as pessoas têm dúvidas, deixam de frequentar a igreja . A adoração, que antes era ocasião de conforto, pode se tornar ocasião de inquietação. Pode parecer mais autêntico simplesmente evitar a comunidade de fé até que as dúvidas sejam resolvidas. No entanto, se levarmos a sério a recomendação de Lewis sobre prestar atenção em Deus, convidaremos nossos amigos para adorar conosco, mesmo quando eles não creiam.

 

A Igreja não irá necessariamente “consertar” nossas dúvidas; não existem argumentos infalíveis de três pontos que seu pastor possa apresentar para banir todo o ceticismo. Mas a igreja é um hospital para pecadores, e a adoração coletiva é um remédio concreto para a nossa atenção dividida. A igreja acredita há muito tempo que cantar juntos, ouvir a exposição da Palavra e receber os sacramentos são formas concretas de se conectar com Deus que fortalecem nossa fé.

 

A igreja não é um lugar a ser evitado quando surgem dúvidas; é um lugar que acolhe todos os pecadores, independentemente de quão forte ou fraca seja a sua fé. É possível levar tanto a dúvida quanto a fé a Deus em oração.

 

O escritor do Salmo 44 tinha dúvidas sobre a fidelidade de Deus, mas mesmo assim, se dirigiu a Deus. Encoraje seus amigos a fazerem o mesmo. Certifique-se de que eles se sintam bem-vindos ao seu lado na adoração, independentemente de conseguirem dissipar suas dúvidas ou não. Então, ao adorar a Deus juntos, você poderá ajudá-los a prestar atenção em Deus mais uma vez”.

 

Traduzido por Claudio Lopes Chagas

Autores: 

Joshua Chatraw é o diretor do New City Fellows e teólogo residente na Holy Trinity Anglican Church em Raleigh, Carolina do Norte. Alguns de seus livros incluem Apologetics at the Cross [Apologética na Cruz] (co-autoria de Mark Allen) e Truth in a Culture of Doubt [A Verdade numa Cultura de Dúvidas] (co-autoria de Andreas Köstenberger e Darrell Bock).

 

Jack Carson é o diretor-executivo do Centro de Apologética e Engajamento Cultural da Liberty University. Ele é co-autor (com Joshua D. Chatraw) do livro Surprised by Doubt: How Disillusionment Can Invite Us into a Deeper Faith [Surpreendido pela Dúvida: Como a Desilusão Pode nos Convidar a uma Fé Mais Profunda (Brazos, 2023). Ele mora com sua esposa e filho em Lynchburg, Virgínia.

 

Fonte: https://coalizaopeloevangelho.org

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