quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Espiritismo Parte 3

NEGA A TRINDADE, MAS SE DIZ CRISTÃO


Como no capítulo anterior, neste também não pretendo entrar no mérito da questão quanto a se Deus é ou não Trino, se a Bíblia é ou não verdadeira... Tampouco objetivo argumentar em defesa do Cristianismo. Se o Cristianismo está certo ou não por pregar a Trindade, não vem ao caso no momento. Estas questões também são importantes, mas por ora não trato destes assuntos. O que agora proponho é fazer mais uma demonstração do quanto o Kardecismo é incoerente. Não existe cristão unitário, assim como também não há cristão ateu. Se os kardecistas fossem ateus e, concomitantemente, afirmassem ser cristãos, eu tacharia isso de incoerência, ainda que eu fosse ateu, visto que o Cristianismo não é ateísta.
Neste capítulo empreendo demonstrar que o fato de o Kardecismo negar a Doutrina da Trindade, o descaracteriza como cristão.
Ora, para que fique claro que o Kardecismo deveras rejeita a Doutrina da Trindade, faz-se necessário provar que ele nega a Divindade do Filho e do Espírito Santo. Este é o motivo pelo qual este capítulo está dividido em duas partes: na primeira parte exibo o que Kardec disse acerca da Divindade de Jesus; já na segunda demonstro que ele negou a Personalidade e Divindade do Espírito Santo.

3.1. O Kardecismo Nega a Divindade de Jesus

Crer na Trindade não implica crer em três Deuses em um, antes significa reconhecer que o Deus da Bíblia não é uma unidade absoluta, e sim composta, constituída de três Pessoas distintas (isto é, nenhuma das três Pessoas é as outras duas), igualmente divinas (isto é, cada uma destas três Pessoas é Deus).
O fato de a Bíblia dizer que há um só Deus (1Tm 2:5), sem negar tanto a distinção entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Jo. 14:16; Mt 26:39), quanto a Divindade de cada uma destas três Pessoas (O Pai é Deus [Jo. 3:16], o Filho é Deus [Jo. 1:1], e o Espírito Santo é Deus [At 5:3-4]), nos impele a concluir que, segundo a Escritura Sagrada do Cristianismo, Deus é o que se convencionou chamar de Trindade, isto é, embora o Pai, o Filho, e o Espírito Santo sejam distintos e igualmente Divinos, não há três Deuses, mas um só. Logo, quem nega a Doutrina da Trindade não pode se considerar cristão, visto que fazê-lo é incoerência. Deste modo, aqui está mais uma demonstração de incoerência no Kardecismo, posto que Allan Kardec sustenta entre as páginas 121-153 do livro “Obras Póstumas”, editado pela Federação Espírita Brasileira, 26ª edição, que Jesus não é Deus. Referindo-se a Jesus ele diz textualmente: “...ele não é Deus...”(página 131). “... Jesus... não era Deus...” (página 134).
Sabemos que, segundo a Bíblia, Jesus afirmou que Ele, de Si mesmo nada podia fazer (Jo.5:30); que Ele se submetia à vontade de Deus (Mt.26:39); declarou-Se inferior ao Pai (Jo.14:28); e, quando de Sua morte, Ele entregou Seu espírito a Deus (Lc.23:46). Destas afirmações de Jesus e outras correlatas, Kardec infere e registra no referido livro “Obras Póstumas”, no trecho supradito, que Jesus e Deus não são a mesma pessoa; e que, portanto, Ele não é Deus. Mas os argumentos que Kardec, à base destes fatos bíblicos, apresenta para subtrair a Deidade de Cristo, estão errados por três razões:

1ª) Allan Kardec não pode citar a Bíblia no intuito de provar a “ortodoxia” de suas doutrinas, pois como já deixamos claro, ele não acreditava nela;

2ª) Os cristãos, desde os primórdios do Cristianismo sustentam que Jesus, por ser Deus (Jo.1:1-3,10; Cl.1: 14-17; 2:9) e homem (1Tm 2:5), pode falar como Deus (Mt. 18:20; Mc.2:10) ou como homem (Mt. 24:36; Jo.5:30);

3ª) Kardec alega que (falo com minhas palavras) “se Jesus realmente fosse Deus e homem, de humano Ele teria o corpo, e de Divino, Ele teria o Espírito; mas é justamente o Espírito que Ele entrega nas mãos do Pai, quando de Sua morte (Lc. 23:46). Ora, como entregar Deus aos cuidados de Deus?” Esse argumento, porém, não é tão consistente como talvez possa parecer a uma pessoa desavisada. Veja estas considerações:
· Kardec “esqueceu” de considerar que o Cristianismo sempre pregou que de humano, Jesus não possuía só o corpo, mas também o espírito (espírito ou alma, na concepção dos dicotomistas; ou espírito e alma, segundo os tricotomistas);
· Se de humano, Jesus possuísse só o corpo, Ele não seria 100% homem, como o Cristianismo sempre sustentou, e sim, um ser parcialmente humano;
· O Cristianismo clássico jamais ensinou que o Pai e o Filho sejam a mesma Pessoa. Essa crença, estranha ao Cristianismo bíblico e rechaçada pelos católicos, pelos ortodoxos e pelos evangélicos, é conhecida pelos nomes de Sabelianismo, Modalismo e Unicismo. Deste modo, por que Cristo não poderia entregar o Seu espírito humano aos cuidados do Pai, isto é, aos cuidados da Divindade, da qual Ele é integrante? Salta aos olhos que Kardec, das duas uma: Ou ignorava o que o Cristianismo prega, ou usou de má fé. Sim, para nos refutar, ele deveria se ater a solapar as bases sobre as quais nos fundamentamos, e não se valer de premissas rejeitadas por todos os teólogos trinitarianos. Tentar refutar uma idéia, sem solapar a (s) premissa (s) sobre a (s) qual (ais) a mesma esteja apoiada, não é uma atitude filosófica, e sim, um disparate indigno de ser apreciado.
Jesus, à luz da Bíblia, é o Deus Todo-Poderoso, Criador dos Céus, da Terra e de tudo quanto neles há (Jo.1:1-3,10; 5:18; 20:28 Hb. 1: 8-12; Rm. 9: 5; Cl.1: 14-17; 2:9; Tt.2:13; 2Pe 1:1. etc.).
Como já informei acima, por ora não está em discussão a autenticidade da Bíblia e do Cristianismo. O que nos interessa neste momento é: O Cristianismo prega ou não prega a Doutrina da Trindade? Estamos vendo que sim, e isto torna patente que o Kardecismo não fala coisa com coisa, visto que nega uma das doutrinas cardeais da fé cristã, que é a Trindade, e, simultaneamente quer se passar por cristão. Ora, se o Cristianismo é veraz, então os kardecistas devem abraçar a Doutrina da Trindade, já que se dizem cristãos e é isto que o Cristianismo prega; por outro lado, se a Triunidade de Deus é um ensino espúrio, os kardecistas precisam abjurar o Cristianismo e assumir que não são cristãos.

3.2. Nega a Personalidade e Divindade do Espírito Santo.

Jesus nos prometeu outro Consolador (Jo. 14:16-17,26; 15:26; 16:7-14); disse que este é o Espírito Santo (Jo. 14: 26); mandou que os apóstolos o esperassem; garantiu que eles iriam recebê-lo dentro de breves dias, e que só podiam sair de Jerusalém para anunciarem o Evangelho ao mundo, após o recebimento desta bênção (At. 1:4-5; Lc. 24:49). Eles (os apóstolos e outros cristãos primitivos) foram, pois, a um cenáculo e lá permaneceram em oração (At.1:12-14) até que se cumpriu o que está exarado em At. 2: 1-4. Não pode haver dúvida, então, de que o fenômeno do qual trata At 2: 1- 4 é a vinda do outro Consolador, conforme Jesus prometera. Logo, a bendita promessa se cumpriu há quase dois mil anos atrás. O kardecismo, porém, apregoa que o outro Consolador que Jesus prometeu é o Espiritismo codificado por Allan Kardec, isto é, a doutrina Espírita; e que, portanto, o dito Consolador veio a 18 de abril de 1.857, quando então Kardec lançou o seu primeiro livro intitulado “O Livro dos Espíritos” (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Federação Espírita Brasileira: 109ª edição, capítulo 6, nº 4, páginas 128-129; e, O Reformador: Federação Espírita Brasileira, abril de 1.995, página 6). Salta aos olhos, portanto, que o Kardecismo nega tanto a Personalidade quanto a Divindade do Consolador. Este não seria uma Pessoa Divina, e sim, um corpo de doutrinas. Por isso exibo abaixo as evidências de que o Cristianismo tem o Consolador (que, segundo a Bíblia, é o Espírito Santo) como Pessoal e Divino. Ao fazer isto, não estarei provando, por conseguinte, que o Cristianismo é veraz ou não; e sim, demonstrando mais uma vez que o Espiritismo (por se julgar cristão, sem crer na Pessoalidade e Divindade do Espírito Santo) é incoerente. Limito-me a este feito porque creio que fazê-lo basta para demover a um inquiridor sincero de depositar sua confiança no Kardecismo.
Veja a exposição abaixo e cientifique-se de que, segundo o Cristianismo, o Espírito Santo é Deus e Pessoal; não sendo, portanto, cristão, quem disso destoa.

3.2.1. A Personalidade do Espírito Santo.

Atos pessoais são atribuídos ao Espírito Santo:

O Pastor Myer Pearlman, em seu livro intitulado “Conhecendo as Doutrinas da Bíblia”, 16ª edição, à página 180 define a personalidade da seguinte maneira: “É aquilo que possui inteligência, sentimento e vontade”. Esta definição é tão autêntica que não creio na possibilidade de alguém retrucá-la. E assim fica fácil sabermos se o Cristianismo prega ou não a personalidade do Espírito Santo. Basta lermos a Bíblia. Sim, as Escrituras Sagradas asseguram que o Espírito Santo tem:

a) Inteligência: Segundo Jo 16.13, Ele fala do que escuta e, como todos sabemos, só um ser portador de intelecto, pode fazer isso;

b) Sentimento: À luz de Ef 4.30, o Espírito Santo pode ser entristecido, pois aí se pede para não entristecermos a Ele. Ora, a ordem para não entristecermos o Espírito Santo, equivale a dizer que devemos mantê-lo alegre, já que qualquer cuidado para não entristecê-lo seria injustificável, se tristeza fosse o seu normal. Então o Espírito Santo pode se alegrar ou se entristecer. Além disso, Rm 15.30 assegura que o Espírito Santo ama. Ora, amor é um sentimento. Assim podemos ver nestas duas referências bíblicas que o Espírito Santo se alegra, se entristece e ama. E alegria, tristeza e amor, não são sentimentos? Pode uma doutrina fazer isto?

c) Vontade: 1 Co. 12:11, garante que o Espírito Santo tem vontade. E Rm 8.27 diz que Deus sabe qual é a INTENÇÃO do Espírito Santo. Deste modo fica patente que o Espírito Santo preenche todos os requisitos que um ser precisa preencher para caracterizar-se como Pessoal. Ele satisfaz todas as exigências: Ele tem intelecto, vontade e sentimentos. O que os kardecistas entendem por pessoa?
Além dos atos pessoais supra, atribuídos ao Espírito Santo, há muitos outros casos, dos quais alistamos apenas os que vêm a seguir:

1) O Espírito Santo geme inexprimivelmente (Rm. 8:26);
2) O Espírito Santo discorda (At. 16: 6,7);
3) O Espírito Santo concorda (At. 15:28);
4) O Espírito Santo intercede (isto é, ora) por nós (Rm. 8:26).

3.2.2. A Divindade do Espírito Santo

O apóstolo Pedro disse que Ananias mentiu ao Espírito Santo (At. 5:3) e, por conseguinte, a Deus (At 5.4). Se mentir ao Espírito Santo, é mentir a Deus, então o Espírito Santo é Deus.
1 Co. 6:19 diz que nós, os cristãos, somos o templo do Espírito Santo. Ora, só a Deus se dedica templo. Como sabemos, nenhuma frase será bem estruturada até que haja, entre as palavras que a constituem, uma associação de idéias. A palavra “gaiola” tem que ter alguma relação com pássaro. E o vocábulo “chiqueiro” tem que estar ligada de alguma forma ao substantivo porco. Igualmente a palavra “palácio” lembra estadista. Quando isso não ocorre, diz-se que não se está falando coisa com coisa. Deste modo, se somos o Templo do Espírito Santo, então Ele é Deus. Pense: Que seria o Espírito Santo, se fôssemos o seu chiqueiro? E se fôssemos a sua gaiola? Não constituiria mais uma prova de Sua Majestade, se a Bíblia dissesse que somos o seu palácio? Não seria Ele um pássaro, se fôssemos a sua gaiola? Não seria Ele um porco, se fôssemos o seu chiqueiro? (Desculpe-me por usar este último argumento tão forte).
A Bíblia diz que o Espírito Santo é Senhor (2 Co. 3:18 ARA). Este versículo, além de provar a personalidade do Espírito Santo, prova também a Sua Divindade. Claro, algo impessoal não pode ser Senhor. Ademais, neste sentido só Deus é Senhor.
Há, na língua original do Novo Testamento, duas palavras equivalentes a “outro” em Português: ÉTEROS e ALLOS. Esta significa “outro” da mesma espécie, da mesma qualidade e da mesma natureza. Mas aquela significa “outro” diferente. João, por saber que os membros da Trindade são iguais, ao registrar que Jesus nos prometeu outro Consolador, optou pelo vocábulo ALLOS, querendo dizer com isto que o Consolador que Deus nos deu mediante os rogos de Jesus, é igual a este. Logo, o Espírito Santo tem que ser tão Pessoal quanto Jesus. Sim, se Jesus é um personagem, então o Espírito Santo também o é. E se o Consolador é apenas um conjunto de doutrinas, como o imaginam os Kardecistas, então Jesus também é um conjunto de doutrinas. Deste modo temos em Jo 14.16, mais uma exibição da Deidade do Espírito. O raciocínio é o seguinte: Se Jesus é igual ao Pai (Jo 5.18), e não difere do Espírito Santo (Jo. 14:6), então este é igual ao Pai e ao Filho, o que prova a Sua Personalidade e Divindade.
Bem, estamos cientes que os kardecistas negam a Personalidade e a Divindade do Espírito Santo, confundindo-o com a codificação Kardequiana. Mas a coisa não pára por aí. Os kardecistas confundem as manifestações do Espírito Santo com o que eles chamam de mediunidade. Só para citar um exemplo, o senhor Durval Ciamponi, em um artigo de sua autoria publicado no “jornal espírita”, órgão oficial da Federação Espírita do Estado de São Paulo, junho de 1.991, afirmou: “No dia de Pentecostes todos os apóstolos foram envolvidos pelos espíritos, ocorrendo a maior sessão coletiva de manifestação mediúnica na história religiosa do mundo... os... estudiosos irão descobrir que o Espírito Santo nada mais é que a alma dos homens que se foram...”.
Do exposto, certamente está patente que se os Kardecistas são cristãos, então os ateus também o são. Também posso dizer que se os Kardecistas são cristãos, o autor destas linhas é ou hinduísta, ou budista ou muçulmano. Não creio nos Vedas, rejeito a Tripitaca e desdenho o Alcorão; não obstante, sou de uma dessas religiões, ou, quem sabe, de todas as três. Que importa?
Está, pois, claro que o unitarismo (isto, é, negação da Doutrina da Trindade) pregado pelo Kardecismo e muitas outras instituições religiosas, não é cristão; e que o trinitarianismo (postura teológica cristã, segunda a qual a Doutrina da Trindade é correta) pregado pela Igreja Ortodoxa, pelos evangélicos e pela Igreja Católica, é sim, doutrina genuinamente cristã. Se quem nega a Triunidade de Deus está ou não com a razão, é discutível; mas que quem não crê que Deus é Triúno não é cristão, é indiscutível, já que o Cristianismo prega isto.

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No capítulo seguinte vamos considerar mais três incoerências Kardequianas. Vamos provar que segundo o Kardecismo, nós, e também o Senhor Jesus Cristo, já fomos bichos nas encarnações anteriores. Vamos, pois, ao próximo capítulo.

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