sábado, 29 de novembro de 2008

1.1. Que é o Kardecismo e quais as suas reivindicações?

  

      O dicionarista Aurélio define o Kardecismo assim: “... Doutrina religiosa de Allan Kardec, pensador espírita francês...”. Trata-se, pois, de uma das ramificações do Espiritismo. Essa confissão religiosa veio a lume em 18 de abril de 1857. Prega a mediunidade, a caridade como tábua de salvação, a reencarnação, etc. Esta é considerada necessária à evolução dos espíritos. Estes, através das vicissitudes da vida e das boas obras, podem expiar suas culpas, reparar seu passado e acumular méritos até se tornarem perfeitos. Não tão perfeitos quanto Deus, mas terão a perfeição que a criatura comporta. Alcançar a salvação é, na linguagem espírita, atingir essa inevitável perfeição. Sim, inevitável perfeição, pois o Kardecismo prega que ninguém será condenado eternamente, considerando que, mais cedo ou mais tarde, todos os espíritos avançarão rumo à perfeição e a alcançarão indubitavelmente.

      O Kardecismo se considera genuinamente cristão, bem como a terceira revelação de Deus à Humanidade. Pregam os kardecistas que a primeira revelação de Deus é o Antigo Testamento; e a segunda, o Novo Testamento. Nesta obra empreendo demonstrar que essas reivindicações e alegações kardequianas não resistem a um confronto com o bom senso. Sim, empreendo provar como dois mais dois são quatro, que essa confissão religiosa, muito longe de ser a alegada terceira revelação de Deus, não honra o título de cristã que, injustamente lhe foi conferido.

      Há muitas ramificações espíritas; e nenhuma delas é, obviamente, igual às demais. Logo, é injusto não reconhecer as distinções e diferenças que há entre o Kardecismo e o Candomblé, entre o Candomblé e a Umbanda, entre a Umbanda e o Vodu, entre o Vodu e o espiritismo europeu, etc. Senão, veja estes exemplos:


1.1.1. O Kardecismo e os Cultos Afro-brasileiros

      Os afro-baianos, isto é, os adeptos do Candomblé (e também os umbandistas) crêem em muitos deuses (ou divindades), chamados orixás. Veja as classificações de alguns desses deuses:

A) Xangô: Este é um dos orixás mais poderosos;

B) Orixalá ou simplesmente Oxalá: O grande Orixá que, geralmente, devido ao sincretismo do paganismo africano (que os escravos importados da África trouxeram para o Brasil) com as doutrinas da Igreja Católica, é confundido com Jesus Cristo;

C) Exu: Esse orixá, segundo o Dicionário Aurélio, “representa as potências contrárias ao homem”, isto é, os adeptos dos cultos afro-brasileiros sabem que ele é mau. Contudo, pregam que ele é bom e cultuam-no, pois crêem que não fazê-lo pode ser catastrófico. Se você duvida, veja o que, acerca desse orixá, disse o saudoso Aurélio: “... assimilado ... ao Demônio ... porém cultuado ... porque o temem”. Pasme o leitor, mas via de regra, quando um candomblecista elogia Exu, o faz por temer esse perigoso marginal, e não por acreditar que ele seja bom. Ora, quem estuda o Kardecismo sabe que o mesmo não admite essas divindades.

      Um senhor adepto da Umbanda me disse que no seu Terreiro Exu só faz o bem. Perguntei-lhe então se o Exu que se manifesta no seu Terreiro de Umbanda é o mesmo que faz atrocidades nos outros centros espíritas. Ele, respondendo positivamente a esta pergunta, asseverou-me que há um só Exu. Ora, disse-lhe eu, sendo assim, o seu Exu tem dupla personalidade, ou, como se costuma dizer, ele tem duas caras. Aí ele se emudeceu.

      Além dos nomes_ refiro-me aos nomes das instituições espíritas_ acima mencionados (Candomblé e Umbanda), mais comuns no Rio de Janeiro, os cultos afro-brasileiros são conhecidos em outras regiões do Brasil por outros nomes: Catimbó, Pajelança, Pemba...

      Das muitas maneiras de o leitor se certificar da autenticidade das afirmações constantes deste subtópico, uma é (e talvez a mais objetiva) consultar um bom dicionário, como, por exemplo, o Dicionário Aurélio; para, deste modo, se inteirar dos significados dos seguintes vocábulos: Orixá, Xangô, Orixalá, Oxalá, Candomblé, Quimbanda e Exu;

1.1.2. O Espiritismo Europeu Versus Kardecismo

       Nem todos os espíritas são reencarnacionistas. Quanto a isso, algumas instituições espíritas, por não serem fundamentalistas, não se posicionam doutrinariamente, deixando seus adeptos bem à vontade. Outras, porém, pronunciam contra. Disse o Frei Battistini: “... os espíritas da Alemanha, Holanda, Inglaterra, Estados Unidos, quase em bloco negam a reencarnação...”

“Um famoso espírita, conhecido no mundo todo”, [num] “congresso internacional...sobre espiritismo, disse: ‘posso dizer que a reencarnação tal como tem sido exposta até agora não passa de teoria boba para crianças de escola primária’ (A. Dragon)”  (A Igreja do Deus Vivo, 33ª edição, 2001, Editora Vozes, Petrópolis /RJ, página 35);

 1.1.3. O Racionalismo Cristão e o Kardecismo

       Embora o Racionalismo Cristão tenha muitos pontos em comum com o Kardecismo e com os cultos afro-brasileiros, essa seita, embora também seja espírita, diverge tanto destes como daquele quanto ao que ensina sobre Deus. Veja estes exemplos: Os kardecistas crêem que Deus existe e oram a Ele; os adeptos dos cultos afro-brasileiros são politeístas, pois reverenciam muitas divindades (deuses), a saber, os orixás; mas o Racionalismo Cristão prega que cultuar a Deus é uma atitude tola e ridícula. Confessam textualmente que não adoram a nenhum Deus (“Racionalismo Cristão”. Centro Redentor, 30ª edição, 1976, páginas 53, 55, 63 e 75. Citado em “Série Apologética”, Volume IV, ICP_Instituto Cristão de Pesquisas _, edição de 2002, páginas 134 e 137);

1.1.4. A LBV e o Kardecismo

      A LBV_ Legião da Boa Vontade _, fundada oficialmente em 1950 pelo senhor Alziro Zarur, se julga a quarta revelação de Deus (Jesus_ A Saga de Alziro Zarur III); e, quanto às supostas três primeiras revelações, não destoa do Kardecismo, no que diz respeito à seqüência e quantidade dessas revelações. E aqui, a LBV e o Kardecismo colidem frontalmente. É que, sendo que a tal de terceira revelação é o prometido Consolador como o afirma Kardec, e este veio para ficar com a Igreja “para sempre”, como nos assegura Jesus (Jo 14:16), não há lugar para a tal de quarta revelação. Contudo, considerando que os legionários também vêem o Kardecismo como a terceira revelação, já era de se esperar que essas duas seitas convirjam em vários pontos doutrinários. E, de fato, de ambos se pode dizer que:

A)    São reencarnacionistas;

B)     Negam que a Bíblia é a Palavra de Deus;

C)     São unitaristas e, portanto, rejeitam a Doutrina da Trindade, isto é, dizem que Jesus não é Deus e que o Espírito Santo não é um ser pessoal, nem tampouco Divino;

D)    Não reconhecem a eficácia do sangue de Jesus na purificação de pecados;

E)     Não vêem o Diabo como um anjo decaído e irrecuperável (a LBV prega que o Diabo é nosso irmão e que precisamos amá-lo e orar por ele [para se certificar da veracidade desta denúncia, leia o “Poema do Irmão Satanás”, constante de um dos livros da LBV intitulado “Mensagem de Jesus Para os Sobreviventes”, páginas 29-31]), etc. Sim, os legionários da boa vontade têm muitos pontos em comum com os kardecistas, mas não podemos confundir os kardecistas com eles, pois não o são. Basta-nos saber que os adeptos dessa seita (refiro-me à LBV) crêem que estão na quarta revelação de Deus, para enxergarmos que não são kardecistas. Outra relevante diferença entre os kardecistas e os legionários da boa vontade é que aqueles crêem que o Consolador que Jesus nos prometeu é o Kardecismo, enquanto estes pregam que o Consolador é o senhor José de Paiva Neto, atual sucessor de Alziro Zarur na presidência dessa seita (Cf.: “Saga de Alziro Zarur”, José de Paiva Neto, 10ª edição, página 88).

      Os quatro exemplos acima expostos, embora sejam (considerando a grande diversidade de correntes dentro do Espiritismo) uma pequena demonstração, certamente deixam claro que embora todos os verdadeiros cristãos saibamos que nenhuma das confissões espíritas goza da sanção do Rei dos reis, não deixam dúvida de que revela falta de conhecimento confundir os kardecistas com os macumbeiros e demais espíritas. Como eu já disse, nenhuma das seitas espíritas pode ser confundida com as demais, pois cada uma, de per si, difere das outras, apesar de, em termos espirituais, serem tudo farinha do mesmo saco. Logo, não obstante os tão conhecidos termos “Baixo Espiritismo” e “Alto Espiritismo” serem apenas classificações humanas, são, contudo, necessários para fins de estudo, pois fazem saltar à vista que não é tudo igual, como geralmente pensam muitos dos que ainda não se deram ao trabalho de pesquisar as religiões e suas respectivas seitas.

1.2. É justo criticar o kardecismo?

      Tenho pelo menos quatro razões para responder positivamente a esta pergunta:

A) A crítica construtiva é uma demonstração de amor, o que, por si só justifica a sua procedência e lhe dá o direito de, pelo menos, ser apreciada;

B) Todos os cristãos autênticos têm o dever de lutar com todas as suas forças em prol da salvação de todo aquele que desconhece o poder do sangue de Jesus (Rm 1.14).

C) Neste livro, nem sempre uso o vocábulo “crítica” na sua moderna, popular e picante definição de “retaliação” ou “malhação da vida alheia”. Antes o uso também na sua conceituação etimológica. Como bem observou a Drª em Filosofia, Marilena Chauí, “Em geral julgamos que a palavra ‘crítica’ significa ser do contra, dizer que tudo vai mal, que tudo está errado, que tudo é feio ou desagradável. Crítica é mau humor, coisa de gente chata ou pretensiosa que acha que sabe mais que os outros. Mas não é isso que essa palavra quer dizer.

      A palavra ‘crítica’ vem do grego e possui três sentidos principais: 1) capacidade para julgar, discernir e decidir corretamente; 2) exame racional de todas as coisas sem preconceito e sem pré-julgamento; 3) atividade de examinar e avaliar detalhadamente uma idéia, um valor, um costume, um comportamento, uma obra artística ou científica“... (Convite à Filosofia, Editora Ática. 13ª edição, 1ª impressão, São Paulo /SP, página 18, 2003).

D) O próprio Allan Kardec reconheceu o direito de expressão que deve ser assegurado ao indivíduo, porquanto ele também criticava àqueles de quem ele discordava; e com a agravante de às vezes criticar preconceituosamente, isto é, sem conhecimento de causa, qualificando-se pois, como indigno de crédito, já que ele não era um crítico no sentido etimológico desta palavra. Ele era, pois, um crítico entre aspas. Sim, leitor, verdadeiramente Kardec também criticava àqueles de quem ele discordava; Vejamos, pois, abaixo, as citações das provas documentais de que realmente as coisas são assim:

 

a) Críticas à Igreja Católica:

 

  • Primeira crítica:“A Igreja tem caminhado sempre erradamente, não levando em conta os progressos da ciência” (O Céu e o Inferno, Federação Espírita Brasileira: 38ª edição, capítulo 9, nº 9, página 123);

 

  • Segunda crítica:“...Deus a julgou e a reconheceu inapta... a Doutrina Espírita causará dor viva ao papado...” (Obras Póstumas, Federação Espírita Brasileira: 26ª edição, páginas 310 e 311);

 

b) Crítica ao apóstolo Paulo:

 

      “Todos os escritos posteriores, sem exclusão dos de S. Paulo, são apenas... opiniões pessoais, muitas vezes contraditórias...” (Obras Póstumas, Federação Espírita Brasileira: 26ª edição, páginas 121-122. Grifo meu).

     

c) Crítica aos materialistas:

 

      “...o materialismo...” [é] “um incentivo para o mal...” (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Federação Espírita Brasileira: 109ª edição, Páginas 47 e 48).

 

c) Crítica aos evangélicos:

 

      Allan Kardec refuta os evangélicos, por não rezarmos pelos mortos, tachando-nos de ignorantes, nestes termos: “Certas pessoas não admitem a prece pelos mortos... Há neste modo de pensar uma ignorância da lei divina...”. (A Prece Segundo o Evangelho. Federação Espírita Brasileira: 44ª edição, páginas 58-59).

1.3. Altruísmo e não revanche

A) Altruísmo para com os kardecistas:

 

      Como o leitor certamente sabe, a palavra “altruísmo” significa “amor e dedicação ao próximo”. Bem, o fato de Allan Kardec nos criticar nos confere o direito à réplica; porém, não o faço por revanche, e sim, porque julgo que fazê-lo é altruístico. Não posso reter comigo a luz que me veio do Céu. Não posso algemar a Mensagem da Cruz (Rm 1.14).

      Certo kardecista, ouvindo-me dialogar com um católico sobre a inconsistência do Catolicismo, educadamente me pediu licença para participar da nossa conversa, o que não lhe foi negado. Aí ele me sugeriu a respeitar todas as crenças e a parar de criticar a religião alheia. Disse-me ele: “Religião não se discute, pastor Joel”. Então lhe falei, exibindo provas, que “o fundador de sua ‘religião’ não pensava assim; e que, portanto, você não será um bom kardecista enquanto não seguir o exemplo de seu mentor espiritual, o qual criticava todas as idéias religiosas que lhe pareciam erradas, bem como aceitava ouvir as réplicas e tréplicas de seus interlocutores. Kardec criticou a Igreja Católica, tachou os evangélicos de ignorantes, acusou os materialistas de estarem promovendo o mal, etc. O livro de sua autoria intitulado ‘O Que é o Espiritismo’, narra detalhadamente um acirrado debate entre ele e um padre católico romano. Não é, pois, com Kardec que você aprendeu tamanha covardia [...]”. Então o referido “Kardecista” silenciou-se, pois viu que ele não é nem mesmo um bom herege. Estou orando por ele, para que o Senhor lhe abra os olhos do entendimento, salvando-o dos engodos kardequianos.

      Não há uma só seita que não critique todas as demais, mas os adeptos de todas elas, quando confrontados, se melindram e se sentem perseguidos; e, com raríssimas exceções, os kardecistas não têm sido diferentes;

 

B) Altruísmo para com todos os espíritas:

      Estas linhas pretendem ser ainda uma demonstração de amor não só aos kardecistas, mas também aos adeptos das demais ramificações do Espiritismo: Umbanda, Candomblé, Racionalismo Cristão, Legião da Boa Vontade, etc., já que todas essas confissões religiosas não reconhecem a eficácia do sangue de Jesus;

 

C) Altruísmo para com os católicos. Os católicos têm o seguinte envolvimento com o Espiritismo:

 

a) Tanto aqui no Brasil, como em toda a América Latina e outros países do mundo, não é pequeno o número de católicos simpatizantes do Espiritismo, nas suas mais diversas modalidades. E a Igreja Católica é culpada disso, como veremos nos três pontos seguir:

 

b) Há pouco uma jovem senhora, adepta do Catolicismo, estudante de Teologia católica, membro da ordem Jesuíta, falou-me das aparições de santa Rita e outros santos. Então eu lhe disse que isso é Espiritismo, não Cristianismo;

 

c) Rezar a Maria e aos “santos” nada mais é que invocar os mortos, bem como tentar contatá-los;

 

d) A Igreja Católica prega oficialmente que os mortos podem se comunicar com os vivos e vice-versa. Ora, repito, isso é Espiritismo. E, se o leitor duvida, lhe desafio a ler o livro intitulado “Glórias de Maria”, da autoria de Santo Afonso de Ligório, Doutor da “Igreja”, editado pela Editora Santuário (editora católica), 14ª edição de 1989, páginas 42-43 e 211. À página 13 do livro em questão consta que o mesmo foi aprovado pela Igreja Católica, após cuidadoso exame: “...a Igreja... aprovou-lhe os escritos depois de percorrê-los cuidadosamente”.

 

e) Todo bom católico é, pois, um bom espírita, já que a sua “Igreja” promove práticas espíritas. Ou canonizar (isto é, elevar à categoria de Santo) um homem que pregava a mediunidade, elevá-lo a Doutor da “Igreja”, aprovar seu livro, traduzi-lo para diversos idiomas, prefaciá-lo com sobejos elogios, recomendá-lo e publicá-lo não é comprometedor? Existe cumplicidade maior do que essa?

 1.4. De olho nas incoerências

       Como o prezado leitor já sabe, “O Espiritismo Kardecista e Suas Incoerências” é o título deste livro. Isto, segundo me parece, deixa claro que a principal coisa que pretendo expor nestas linhas é que o Kardecismo é incoerente, isto é, contraditório. E por que empreendo expor que o Kardecismo é incoerente? As respostas são:

 

A) A fonte deste empreendimento é o amor;

B) Os objetivos deste empreendimento são:

 

a) Provar aos kardecistas que o kardecismo não merece crédito, para, deste modo, preparar o terreno para a exposição do Evangelho que os libertará;

 

b) Ver os kardecistas no Céu.

      Ora, embora eu não trate neste livro só das incoerências do Kardecismo, mas também de outros erros (dessa confissão religiosa) igualmente sintomáticos, certamente me bastaria provar a veracidade de que o Kardecismo é contraditório, para ficar claro a qualquer pessoa de bom senso que essa “religião” não merece crédito. Onde não há contradição, temos que examinar para sabermos se há ou não erros; mas a incoerência dispensa maior exame. Uma instituição autocontraditória expõe-se a si mesma ao ridículo, não necessitando, portanto, que alguém se dê ao trabalho de fazê-lo. 

      Para que alguém possa se considerar adepto de uma religião, são imprescindíveis os seguintes passos:

·         Essa religião precisa existir. Claro, como ser adepto de uma religião inexistente?

·         Conhecer as doutrinas dessa religião;

·         Concordar com as doutrinas dessa religião;

·         Abraçar as doutrinas dessa religião.

 

      Eu não posso dizer que sou muçulmano. O Islamismo existe e conheço as suas doutrinas, mas discordando das mesmas, refuto-as. Eu não creio em Alá (o falso deus dos muçulmanos), duvido do Alcorão e rejeito Maomé como profeta do verdadeiro Deus. Mas eu assumo que não sou muçulmano. Os muçulmanos podem discordar de mim, mas não podem me tachar de incoerente. Tal não é, porém, a sorte dos kardecistas, visto que dos quatro requisitos acima, o Kardecismo só preenche os dois primeiros. Sim, deveras o Cristianismo existe e os kardecistas realmente têm considerável conhecimento das doutrinas da fé cristã. Porém, os kardecistas não concordam com o corpo de doutrinas do Cristianismo e, por conseguinte, o rejeitam e combatem-no. Ora, como pode uma pessoa discordar das doutrinas de uma religião e, portanto, rebatê-las veementemente e ainda assim se considerar membro da mesma? Ser Kardecista equivale a dizer o seguinte: “Sou cristão, mas discordo e desdenho o Cristianismo. O Cristianismo é uma religião ridícula e absurda, por cujo motivo o rejeito e repilo, embora eu também seja cristão”. 

      Neste livro não discuto se o Cristianismo é ou não verdadeiro. Antes empreendo tão-somente salientar que os kardecistas precisam se posicionar. “Ser ou não ser: eis a questão”. Mas, como eles não o fazem, salta aos olhos que o Kardecismo é um sistema fraudulento.

      E é verdade que o Kardecismo, incoerentemente, rejeita os pilares do Cristianismo?  Em outras palavras: É verdade que o Kardecismo, embora se propague cristão, rejeita e refuta o Cristianismo? A resposta é “sim”. E vou provar isso como dois mais dois são quatro. Para tanto, nada mais terei que fazer além de provar que o Kardecismo nega as seguintes doutrinas do Cristianismo:

 

·         A veracidade da Bíblia como sendo 100% a Palavra de Deus;

·         A triunidade de Deus;

·         A Divindade de Jesus;

·         A personalidade e Divindade do Espírito Santo;

·         A unicidade de nossa existência neste mundo (ou seja, não há reencarnação);

·         A eficácia do sangue de Jesus na purificação de pecado;

·         A ressurreição dos mortos;

·         A segunda vinda de Jesus;

·         O arrebatamento da Igreja;

·         O Juízo Final;

·         A existência do Diabo e dos demônios segundo a Bíblia;

·         O tormento eterno no Inferno para o Diabo, os demônios e os homens que se perderem;

·         A negação da mediunidade e, por conseguinte, a proibição de consulta aos mortos;

·         Batismo;

·         A Santa Ceia do Senhor;

·         Que todos descendemos de um tronco único: Adão e Eva, etc.

 

      Obviamente assiste aos kardecistas o direito de negarem todas estas doutrinas; mas eles podem ao mesmo tempo rejeitar estes ensinamentos e, ainda assim, se considerarem cristãos? Será que esse tipo de “cristão” não é comparável a um dicionário sem letras, à Matemática sem números, a um céu sem estrelas, a um rio sem águas, e a veias sem sangue? Será que estou mesmo equivocado, quando concluo que um kardecista cristão é tão anômalo quanto ladrões que não roubam, assassinos que não matam e mentirosos verdadeiros?  Será que os Kardecistas não têm mesmo que escolher entre negar as doutrinas cristãs e assumirem que não são cristãos, ou se propagarem cristãos, mas aceitar estas doutrinas?  

      Sei que os kardecistas, respondendo negativamente a estas perguntas, dirão que este meu argumento não é consistente, “porque” (falo com minhas palavras) “as doutrinas tidas por cristãs, das quais o Kardecismo diverge, não constituem o Cristianismo original pregado por Jesus, e sim, meras interpolações e deturpações cometidas pelos apóstolos (Mateus, Pedro, Paulo, João) e demais hagiógrafos neotestamentários (Marcos, Lucas, Tiago), bem como por muitos outros através dos séculos”. (em defesa deste argumento é possível que apelem para as diferenças entre os manuscritos). Assim, o Espiritismo codificado por Kardec é, não só a restauração do verdadeiro Cristianismo” (e, diga-se de passagem, um “cristianismo” tão refinado que nem os apóstolos conheceram coisa igual), “mas também a revelação que estava por vir, conforme prometera o Cristo em Jo. 16:12, promessa esta que se cumpre a partir de 1857, quando do lançamento dos livros de Allan Kardec.

     Bem, os kardecistas questionam, como demonstrei acima, a veracidade da Bíblia. Entrar no mérito desta questão não é o alvo deste livro, pois por ora pretendo apenas desmascarar o Kardecismo para, deste modo, levar suas vítimas a buscar a verdade em Deus e no Seu Livro _ a Bíblia. Por isto limito-me a formular aos kardecistas as seguintes contundentes interrogações: Os kardecistas podem provar as alegadas adulterações que teriam sido cometidas pelos apóstolos e outros aventureiros através dos séculos? Onde, como e quando ocorreram tais interpolações? Será que tudo não passa de grosseira especulação? Porventura os achados arqueológicos não deixam evidentes que as inegáveis provas dos erros cometidos pelos copistas são falhas banais que, portanto, não ferem a integridade do Texto? Será que os kardecistas não sabem que crer na Bíblia não implica em crer na infalibilidade dos copistas e tradutores das Escrituras, mas sim, e tão-somente, crer na Inspiração Verbal e Plena dos originais?

      (Sugiro a todos os que suspeitam da autenticidade da Bíblia a lerem o livro intitulado As Grandes Defesas do Cristianismo, de Jefferson Magno da Costa, editado pela CPAD_ Casa Publicadora das Assembléias de Deus, _, geralmente à venda nas livrarias evangélicas).

      Não confunda kardecismo com kardecista. Este autor desdenha o kardecismo, não os kardecistas. Estes carecem de nosso amor, e não de nosso desdém e ódio.

      O presente livro, apesar de não analisar todos os segmentos do Espiritismo (Umbanda, Candomblé, LBV, Racionalismo Cristão, Vodu, etc.), pode levar luz a todos os espíritas, já que a Bíblia é rejeitada por todas as confissões espíritas. Ademais, nossos irmãos em Cristo farão bem em lê-lo, pois o mesmo é mais uma arma a ser usada na guerra contra Satanás.

      O Kardecismo prega, como se pode ver na página 100 de A Gênese, capítulo V, número 12, 37ª edição, da Federação Espírita Brasileira, que “os planetas são mundos semelhantes à Terra e, sem dúvida, habitados...”. Os kardecistas aguardam, pois, evoluírem para, deste modo, se habilitarem a ocupar mundos melhores do que este no qual vivemos. Urge, portanto, que lhes preguemos o verdadeiro Evangelho que os libertará dessas ilusões, mostrando-lhes que é pelo sangue de Cristo (e só pelo sangue de Cristo) podemos ingressar desde já numa vida melhor (a nova vida em Cristo), bem como vislumbrar um futuro deveras brilhante. E é com isto em mente que elaboro este livro.

      Agora, partamos, ao próximo capítulo deste livro. Continuemos a ver o que o Senhor ainda tem para nós. “Com Ele entraremos no forte do Inimigo e tiraremos os cativos de lá”, como bem o diz um de nossos belos hinos!

13 comentários:

Alexandre disse...

Ola
Eu só queria opinar sobre um comentário que o autor fez em relação ao islamismo . Alá não é um deus falso . O fato de não ser muçulmano e não acreditar no Alcorão, não me da o direito de desdenhar a fé de milhões de muçulmanos . Eu também não acredito em muitas coisas mas em momento algum posso ofender e desrespeitar outras crenças
Obrigado
Alexandre

O Peregrino disse...

Sr. Alexandre, obrigado por acessar meu blogger, contudo o que tenho a dizer é:
Necessário se faz anunciar o evangelho a toda a criatura, e se tratando dos mulçumanos também se faz necessário uma vez que seus ensinos são heréticos, não estão em conformidade com as escrituras, aliás, o vedadeiro evangelho está no cristianismo e não no islamismo e por aí afora. Veja o que Paulo falou aos gálatas: "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema." Gálatas 1:8.
Pois bem Sr. Alexandre, não estou desdenhando um mulçumano mas dizendo que o islamismo não é o evangelho certo e sim herético pois o alcorão não foi inspirado. Eu como cristão (seguidor de Jesus e não de Maomé) tenho de defender as escrituras (Bíblia Sagrada) como única fonte de revelação.

Shalom!

zhhecky disse...

Olá Sr. Peregrino,tudo bom!!!
Estou de acordo com seus pensamentos , alias não os seus...mas... do próprio Cristo .Pois a Palavra de Deus , é o proprio Cristo João 1;1.
Temos mesmo que defender o Evangelho pois ele é o Poder de toda a verdade contida em Deus ,em Jesus e no Espírito Santo.Gostaria que desse um estudo sobre a LBV.
Um abraço, e que o Deus o capacite com muitas benção em Cristo Jesus!!!

Vinicius disse...

Olá uma boa tarde a todos.
Eu me chamo Vinicius M.Reis estava fazendo uma pesquisa o kardecismo e encontrei seu blog.
Acabei de ler o e segundo oque intendi o senhor tem como principal base para suas afirmações o foto de acreditar que a sua religião é a única que pode se declarar " Cristan ".
Desculpe mais até onde sei o termo cristão é utilizado para definir as pessoas e as entidades que acreditam e Jesus Cristo e seguem seus ensinamentos e não um determinado seguimento religioso.
já sobre A Bíblia e seu conteúdo.
Concordo com a autenticidade de seu conteúdo porem acho que seja plausível acreditar que possa sim ter havido alguns erros de interpretação e tradução já que se trata de uma língua morta a mais de 2000 anos .oque não invalida sua veracidade ou diminui a sua importância.
e sobre concordar ou discordar de seu conteúdo ,as informações contidas na Bíblia são parábolas contados por Jesus Cristo para ensinar a todos os seus seguidores os mais importantes valores cristões ,como amor, caridade, perdão, respeito e outros ,creio que fizemos apenas uma interpretação diferente domo mesmo conteúdo somente isso.
Aprecio a paixão que tem pela sua doutrina, porem não concordo com o fato de diminuir outras para engrandecer a sua e mais a verdade sempre vem a tona independente do que tentamos fazer para impedir ,ela é como uma luz forte que por algum tempo pode ser obstruída por nuvens de duvidas ou pela escuridão da ignorância mas ela não apaga ela não se cansa e um dia as nuvens se vão e o sol do conhecimento surge iluminando tudo ao seu redor e neste momento não haverá um só ser vivente que não a aceite compreenda e a entenda até lá qualquer discussão a respeito disso é inútil.
Vi em seu texto muitas informação sobre origens ,características e criticas sobre varias religiões porem nenhuma ou quase nenhuma informação sobre seus ensinamentos oque para mim é oque há de mais importante sobre uma religião , crença ou dogma.

O Peregrino disse...

A bíblia condena a prática de espiritismo, não precisa estudar muito para saber disso, Hebreus 9:27 fala a respeito.
Você não conhece minha religião, como pode dizer algo que nãpo sabe? Não pratico religião, busco a verdade que está somente na pessoa de Jesus, congrego em uma denominação que fala o correto sobre a salvação, meu blog é apologético nada mais. Queres pesquisar sobre o Kardecismo? Entre no site CACP, busque na google.

Um abraço.

Vinicius disse...

Desculpe se meu post te ofendeu de alguma forma.
esta não era minha intenção queria apenas expressar minha opinião sobre seu ponto de vista .
sobre o fato de conhecer ou não oque você chama de "minha religião" realmente não posso falar muito sobre isso pôs sei sobre ela tanto quanto você provavelmente sabe sobre umbanda, judaísmo ,catolicismo , Kardec ismo e outras que você critica de forma tão enfática em seu texto. sei apenas oque li pesquisei e coisas que aprendi conversando com seus praticantes.
E sobre a sugestão de pesquisas sobre KARDECISMO que você sugeriu que eu faca no google foi exatamente desta forma que cheguei a se blog. Sobre a busca no site da CACP eu lhe agradeço ,porem Para aqueles que como eu foram fazer uma busca sobre o O que o kardecismo na internet a acabarão neste blog eu sugiro o site da FEB que tem um vasto conteúdo sobre o assunto.
E Para finalizar :
Hebreus 9 : 27E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo,.....
Aqui vejo somente trecho que dependendo de como interpretado pode ir contra a crença de algumas religiões de que vivemos mais de um vez.
não sei bem o quis dizer com {A bíblia condena a prática de espiritismo, não precisa estudar muito para saber disso, Hebreus 9:27 fala a respeito.}
Se o senhor poder me explicar como chegou a esta conclusão fico feliz em escutar ,estou sempre disposto a aprender Fique com Deus e Uma ótima semana para o senhor.

O Peregrino disse...

A graça e a paz de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, com relação a Hebreus 9:27 o texto diz que não há condições alguma de existir um arrependimento após a morte, ou seja; para o homem herdar a salvação em Cristo tem se arrepender de seus pecados e receber a Jesus em seu coração e O seguir, esse é o evangelho da salvação, arrependimento e entrega da sua vida à Deus, Hebreus diz claramente que não há uma segunda chance, se houvesse outra chance para que Cristo morreu então? A doutrina Kardecista anula o sacrifício de Cristo, que é o centro do evangelho. Leia Romanos 10:9-10, pode um homem morto se caracterizar com o texto citado? leia por favor. Amado, Deus leva a mensagem da salvação para todos, mas isso em quanto vivo, depois de morto não condições alguma para o arrependimento como disse Pedro em Atos 2:38. Há uma ordem de Deus para o homem em Herbreus 9:27 e essa ordem diz que não há uma segunda chance. De todo o coração, você está sendo enganado pela doutrina espírita. E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará disse o Senhor Jesus. Um abraço.

ivam lima disse...

Não se pode debater de forma alguma com alguem q ainda acredita em Adão e Eva,temos que esperar passar dessa fase para se começar a debater.

ivam lima disse...

Senhor peregrino está certa a LBV quando afirma que se deve amar o chamado Satanás, pois ela entendeu a mensagem do Cristo q disse:"Amai-vos vossos inimigos"portanto a LBV cumpre as ordens de Jesus e ordens de Jesus devem ser cumpridas.

O Peregrino disse...

E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. João 8:32, Somente Jesus pode libertar a pessoa do engano, pois Ele é a verdade, e a verdade está em Sua Palavra. Debater Adão e Eva? jamais vou perder tempo debatendo com quem não acredita nas Escrituras, muito menos perder tempo em falar de Adão e Eva, com quem não conhece a Jesus.
E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram a VERDADE, antes tiveram prazer na iniquidade. II Tessalonicenses 2:11-12

O Peregrino disse...

Se a LBV está certá, tenho minhas dúvidas, prefiro ficar nas Escrituras, Jesus orou por satanás? Não!! Ele repreendeu Satanás, Jesus orou pelos discipulos, orou por Pedro, basta ler um pouco da Bíblia e entenderá o que estou dizendo.
Esse amor que você está dizendo é humanista, conheço muitos espíritas (não falado de sua pessoa pois não o conheço), que se tocar na ferida meu amigo...
O amor do ser humano que não reconhece à Jesus como Senhor e Salvador, e não O segue, é um amor eros; ou filos ou até storge, mas amor de Deus (àgape?), me conta outra, tudo isso é nada mais nada menos que querer apoiar um falso ensino.
Vá ler a Bíblia e crer nela e verá do que estou falando.
Nem vou perder tempo com quem já está com a mente cauterizada.

O Peregrino disse...

As ordens de Jesus devem ser cumpridas, Claro que devem!! Mas você cumpri as ordens de Jesus? Ou somente alguns textos que favorecem a sua crença? João 5:39 é uma ordem de Jesus, ela deve ser cumprida, e você à cumpre? Não precisa me responder.

Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie OUTRO evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.
Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo.
LBV anuncia OUTRO evangelho, não o de Cristo, esse amor que Zarur falava e que também Paiva Neto fala, é falso, pode ser o amor pelo dinheiro, mas amor pela VERDADE? Para né? Amor...

O Peregrino disse...

"Jesus veio para morrer por nós ou para viver por nós? Portanto, Jesus, que não morreu por nós, mas viveu por nós, está mais vivo do que nunca na direção do planeta que ele próprio criou". Jesus, a Saga de Alziro Zarur vol 2, p.99.

Marcos 10:45 - Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.

João 10:11 - Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.

II Coríntios 5:14 - Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram.

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