Se Deus nos ama, por que sofremos tanto? - O Peregrino

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quinta-feira, 26 de março de 2026

Se Deus nos ama, por que sofremos tanto?

RESUMO: Se Deus nos ama, por que sofremos? João 11 mostra que Jesus amava Marta, Maria e Lázaro — e ainda assim permitiu a morte e o luto. O texto confronta nossa ideia de “bem” e revela um amor que visa algo maior: a glória de Deus e uma fé mais profunda. O sofrimento pode ser caminho de revelação, não abandono. Aprenda mais sobre isso com o teólogo Seth Porch, que escreve regularmente para o Desiring God, formado em teologia pelo  Bethlehem College and Seminary, atualmente é doutorando em teologia (PhD) pela University of Aberdeen.


Ora, amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. (João 11.5) 

Bem me quer, mal me quer. Os altos e baixos da vida neste mundo podem fazer com que o amor de nosso Deus pareça difícil de mensurar.

 

Uma oração é atendida, uma necessidade suprida, um relacionamento repentinamente restaurado. Nossos corações se enchem de alegria e colhemos a pétala. Bem me quer.

 

Mas então as circunstâncias mudam, um diagnóstico inesperado, uma perda repentina. Caímos nas profundezas e arrancamos a próxima pétala. Mal me quer.

 

Medir o amor de nosso Senhor por nós pelas nossas circunstâncias leva a um monte de pétalas murchas no chão, um caule vazio na mão e um coração descontente. Então, como podemos medir o Seu amor?

 

Um dos episódios mais impactantes do ministério de nosso Senhor ocorre pouco antes dos eventos da Semana da Paixão. Jesus recebe notícias de amigos queridos de que Lázaro, “aquele a quem amas”, adoeceu (João 11.3). A doença é grave o suficiente para que Maria e Marta, irmãs de Lázaro, fiquem preocupadas com ele e queiram que Jesus saiba.

 

Jesus amava essa família (João 11.5). E por amá-los, a primeira palavra do versículo 6 parece estranha, até chocante: “Então  … permaneceu ainda dois dias no lugar onde estava”. João usa uma conjunção frequentemente traduzida como “portanto”. Em outras palavras, porque Jesus amava Maria, Marta e Lázaro, permaneceu onde estava por mais dois dias e permitiu que a doença seguisse seu curso no corpo de seu amigo.

 

Que amor estranho e maravilhoso é esse? Como conciliar o amor de Jesus por essa família com sua decisão de deixar Lázaro morrer?

 

Amor estranho e maravilhoso

Ao ler o relato, é impossível ignorar a intenção de Jesus. Não se trata de incapacidade. Jesus estava perto o suficiente para alcançar Lázaro rapidamente, mas adiou sua jornada (João 11.6). E a distância não importava para o nosso Senhor encarnado. Ele podia curar com uma palavra sem nem precisar olhar para o enfermo (João 4.46-53). Não, Jesus sabia o que aconteceria. Ele permitiu que a morte, a maldição, fizesse seu trabalho. E quando Jesus finalmente decidiu ir a Betânia, disse aos discípulos que estava feliz por não ter chegado antes (João 11.15). Como isso pode ser o amor de Deus?

 

Jesus não nos deixa em dúvida. “Esta doença”, pela qual Lázaro terá que passar pela morte, “é para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela” (versículo 4). E alguns dias depois: “Alegro-me por não ter estado lá, para que vocês creiam” (versículo 15). Aqui, no último dos sete sinais registrados no Evangelho de João, Jesus declara o propósito de suas maravilhas: que aqueles que as contemplam creiam e lhe atribuam glória. “Eu não lhe disse”, pergunta ele a Marta, “que se você cresse, veria a glória de Deus?” (versículo 40).

 

Eis, então, o amor. Consegue entender o propósito? Jesus se afastou de seus amigos, permitindo que a dor da perda íntima os atingisse em ondas — quatro dias de luto! — para que contemplassem a glória de Deus e cressem no Filho. Ele deixou Lázaro morrer porque veio para dar vida, que nada mais é do que conhecer o único Deus verdadeiro e seu Filho, Jesus Cristo (João 10.10; 17.3).

 

Desorientado pela desordem

Por que esse amor nos incomoda tanto? Lemos que Jesus amava Marta, Maria e Lázaro (João 11.5), e por isso ficamos confusos com a sua ausência. Enquanto nos afundamos na dor de nossas próprias tristezas, concordamos com as duas irmãs quando dizem: “Se o Senhor estivesse aqui, meu irmão não teria morrido” (versículos 21, 32). Talvez, interiormente, queiramos acrescentar um tom acusatório às palavras dos espectadores: “Aquele que abriu os olhos do cego não poderia também ter impedido a morte deste homem?” (versículo 37) — ou ter mantido meu corpo íntegro, ou impedido que meus relacionamentos desmoronassem? Era preciso deixar Lázaro morrer para revelar a glória de Deus? Era preciso deixar minha vida desmoronar?

 

Essas tensões, dúvidas e talvez frustrações revelam algo sobre nós. Pensamos que sabemos o que é melhor para nós. A saúde não é melhor do que a doença? A vida não é melhor do que a morte? A segurança e a estabilidade não são melhores do que um presente e um futuro incertos?

 

A maneira como Jesus amou seus amigos em Betânia expõe a nossa hierarquia presumida sobre o que é bom como fundamentalmente desordenada. Quando pensamos que a vida, a saúde, a segurança no emprego, uma casa decente ou uma aposentadoria tranquila são o melhor para nós, seguimos o padrão do mundo ao nosso redor. Convencidos de que uma vida feliz consiste em conquistar e manter os bens que nos ensinaram a valorizar, ficamos frustrados, desanimados e insatisfeitos com a sua perda ou ausência. Os tentáculos da dúvida começam a nos envolver enquanto nos perguntamos se Deus realmente tem em mente o nosso bem.

 

Precisamos de uma história como essa para nos despertar.

 

Como Ele Me Ama?

“Jesus amava Marta, e a sua irmã, e Lázaro” (João 11.5). E assim, Lázaro morreu.

 

Jesus te ama. E por isso, ele pode tirar seu emprego. Sua casa pode pegar fogo. Você pode contrair uma doença rara ou enfrentar o horror do câncer. Seu sonho para o futuro pode ser destruído por alguma circunstância imprevista.

 

O amor de nosso Senhor por nós é perfeito. Ele se compadece de nossas tristezas e nos consola em meio à dor. Mas nem sempre nos dá o que consideramos bom, pois tem em mente um propósito maior. Ele deseja que vejamos a Sua glória. Ele nos liberta do apego a bens menores para que possamos conhecê-Lo e amá-Lo como o nosso bem supremo e a fonte de todo o bem.

 

Na fuga do Egito, nosso Senhor conduziu seu povo à beira da morte, encurralando-os entre o Mar Vermelho e o poderoso exército do Faraó para que vissem a sua gloriosa salvação (Êxodo 14.13). Ele permitiu que Maria, Marta e Lázaro experimentassem o vale da sombra da morte para que vissem a sua glória (João 11.40).

 

“Há algo melhor para vocês”, diz Jesus, “do que evitar o vale da sombra da morte. Vocês enfrentarão grandes dificuldades porque eu quero que vejam a glória de Deus. Eu os conduzirei por dificuldades que vocês não esperavam, para que possam contemplar uma glória que jamais poderiam imaginar.”

 

É assim que ele nos ama.

 

Por: Seth Porch, é um candidato a PhD na University of Aberdeen e graduado pelo Bethlehem College and Seminary . Ele trabalha como editor, escritor e professor. Ele mora em Aberdeen, Escócia, com sua esposa e três filhos. 

 

Fonte: https://voltemosaoevangelho.com 

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