sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Entendendo o propósito do meu chamado

Por Silas Alves Figueira
Texto Base: Mateus 5.13-16

INTRODUÇÃO

A história que vou contar eu ouvi há muito tempo pelo Pastor Renato Cordeiro da Primeira Igreja Batista em Teresópolis.

Conta à história que um assessor do evangelista Billy Graham fez um excelente trabalho em uma de suas campanhas evangelísticas. Na época o presidente dos Estados Unidos Bill Clinton ficou impressionado com o trabalho e, principalmente, com a organização. Bill Clinton esteve com o Pastor Billy Graham e perguntou quem foi o responsável por aquele excelente trabalho. Então Billy Graham disse que foi um de seus assessores, que ele era realmente excelente e muito capaz. Bill Clinton então disse que gostaria de conhecê-lo e se ele, juntamente com Billy Graham, não gostaria de tomar um café da manhã com ele na Casa Branca. Billy Graham falou com seu assessor e ambos foram tomar café na data marcada com o Presidente.

Conta-nos a história que o assessor de Billy Graham ficou tão emocionado e orgulhoso por ter tido tal honra que saiu dali nas nuvens; dizendo para si mesmo que ele era uma pessoa muito importante, afinal de contas até o Presidente dos Estados Unidos quis conhecê-lo.

Depois do café o assessor foi para o aeroporto pegar um avião para preparar outra cruzada evangelística. Quando ele entra no avião e vai tomar o seu acento ele observa que havia uma pessoa em seu lugar. Ele, muito calmamente, diz para a pessoa que aquele lugar era dele. A pessoa então lhe pede desculpas, mas lhe pede se pode ficar ali, pois ele era cadeirante e era mais fácil para ele se sentar naquele lugar. O assessor não viu dificuldades nisso e se sentou então ao seu lado, na cadeira que era do cadeirante. No decorrer da viagem eles foram conversando, até que chegou uma hora em que o cadeirante perguntou se o assessor poderia ajudá-lo a ir ao banheiro. O assessor lhe ajudou a sentar-se em sua cadeira e o levou até o banheiro. O cadeirante entra e ele fica do lado de fora esperando para trazê-lo de volta, mas nada do homem sair do banheiro. Devido à demora, o assessor bate na porta e pergunta se estava tudo bem, o homem abre a porta e pergunta se o assessor podia entrar e ajudá-lo, pois ele não conseguia fazer a sua higiene pessoal. O assessor meio constrangido com a situação entra e o ajuda, depois o coloca em sua cadeira e o leva para o seu lugar.

No momento em que o assessor se senta, o Espírito Santo lhe diz assim: “Por melhor que seja o seu trabalho, por mais que as pessoas lhe elogiem, se você não for humilde a ponto de ajudar um desconhecido, seu trabalho não tem valor para mim”.

Hoje vocês estão aqui agradecendo a Deus nesse culto em ação de graças por terem se formado, e é muito importante esse reconhecimento, mas se vocês com seus devidos diplomas não forem canal de bênçãos para outros, o diploma de vocês não tem valor nenhum. Podemos ser reconhecidos em vários lugares, podemos ficar famosos e até mesmo ricos, mas se a nossa vida não serve para abençoar outros, então estamos longe de entendermos o propósito da nossa existência, e para que que o Senhor nos colocou em lugares altos. Se nós não servimos para servir, nós não servimos para nada.

O texto que lemos de Mateus 5.13-16 nos fala exatamente isso. Há um propósito da parte do Senhor em relação a nossa vida nesta terra. A nossa salvação não é o fim em si mesmo; quem pensa assim está longe de entender o porquê da sua salvação. O texto de Mateus 5.13-16 na versão NVI nos diz assim:

“Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Ao contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus”.

Jesus depois que falou a respeito das bem-aventuranças começa a descrever como deve ser a nossa vida numa sociedade sem Deus. Ele diz que devemos fazer a diferença nesse mundo que anda em trevas sendo nós luz e sendo sal em um mundo que está apodrecido devido ao pecado.

Ser é diferente de Ter. A diferença entre Ser e Ter é que o Ser é o que você é, é o que você acredita, são suas crenças. As crenças formam sua identidade e tem caráter altamente subjetivo. Já o Ter são ideias, o Ter é exterior a nós, é algo desejado, ou não. Jesus nos diz que somos sal e luz e isso envolve o nosso caráter cristão.

Por isso pensando nesse texto vamos ver quais as lições podemos tirar dele?

A PRIMEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE O CRISTÃO NÃO É UMA PESSOA QUE VIVE ISOLADA DO MUNDO (Mt 5.13a, 14a).

John Stott diz que as bem-aventuranças descrevem o caráter essencial dos discípulos de Jesus; o sal e a luz são metáforas que denotam a sua influência para o bem do mundo [1]. Nós estamos no mundo com várias pessoas ao nosso redor e não em uma ilha isolados. Nós estamos no mundo, embora não pertençamos ao mundo. Aliás, o Senhor nos disse que nos enviaria de volta ao mundo “como ovelhas entre lobos” (Mt 10.16a).

1º – O que o Senhor quis dizer com a palavra mundo? Ele se refere à humanidade caída, a humanidade sem Deus. Foi esse mundo que o Senhor veio salvar (Jo 3.16). E é nesse mundo que a Igreja está e dela foi tirada. Estamos no mundo, mas não pertencemos mais ao mundo (Jo 17.14). E este mundo da qual fomos tirados, assim com é inimigo do Senhor Jesus também é nosso inimigo. Jesus disse que se o perseguiram, nós também seríamos perseguidos (Jo 15.18-20). Mas é nesse mundo em trevas e inimiga de Deus que o Senhor disse que seríamos luz e sal.

O mundo, muitas vezes é associado à ignorância espiritual, a cegueira da falta de conhecimento de Deus (2Co 4.4). Tanto que o Senhor Jesus disse que a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas porque suas obras eram más (Jo 3.19). Por isso, que sem a Luz do Evangelho esse mundo seria tenebroso.

2º – É neste mundo sem Deus que o Senhor nos fez sal e luz. É nesse mundo de gente cega e insossa que seremos usados por Deus para iluminar as suas mentes e temperar suas vidas. E fazemos isso não dentro da igreja, mas fora dela. É na rua, em casa, no trabalho, na escola, na faculdade, no laser, nas horas tristes que a vida oferece. Como diz a música do Hyldon: “Na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê”.

Ser sal e luz é ser discípulo de Cristo sem ter dia de folga, e sem perder a doçura. Para isso nós fomos chamados, para isso nós estamos aqui.

A SEGUNDA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE NÓS TEMOS UMA NATUREZA CONTRÁRIA DO MUNDO.

Se o cristão é sal e luz, o mundo é insípido e está em densas trevas. Essa é a lógica e a grande realidade que vivemos.

1º – O Senhor Jesus nos diz que somos sal da terra. O sal no tempo bíblico era algo extremamente importante, pois ele era usado para salgar carnes e peixes para evitar a sua putrefação. E, como até hoje, para temperar os alimentos. Mas também era usado para esfregar no recém-nascido. A criança, segundo os costumes antigos, era friccionada com sal misturado a água e óleo, e embrulhada em faixas de pano, por sete dias (Ez 16.4) [2]. E também era utilizado para misturar no alimento dos animais (Is 30.24).

O sal era um item comercial no Oriente, obtido de lagos de sal, especialmente do Mar Morto e da mineração. Por ter o sal a finalidade principal de salgar e temperar, ele tem uma simbologia espiritual profunda.

Quando o Senhor nos disse que nós somos o sal da terra, essas palavras claramente subentendem a podridão deste mundo; subentendem à poluição e à imundícia mais ofensiva. O mundo caído é pecaminoso e mau. Inclina-se para a maldade e para o conflito armado. Assemelha-se à carne que tende por putrefazer-se e ficar poluída de germes. Em resultado do pecado e da queda do homem, a vida, no mundo em geral, tende por piorar até ficar pútrida [3].

Esse é o quadro que se encontra o mundo, mas nós como igreja devemos ser diferentes dos homens desta terra. Assim como o sal é diferente do material ao qual é aplicado, e, em certo sentido, exerce todas as virtudes exatamente por causa dessa diferença.

Seu poder está precisamente nesta diferença. Isso acontece também, diz Jesus, com os seus discípulos. Seu poder no mundo está na diferença que existe entre ambos. O cristão é tão diferente dos outros homens como o sal num prato difere do alimento em que é colocado. Os discípulos, do mesmo modo, são chamados a ser como um purificador moral em um mundo onde os padrões morais são baixos, instáveis, ou mesmo inexistente [4].

Outra função do sal é dar sabor. Você pode colocar todos os ingredientes para temperar o alimento, mas se faltar sal na medida certa ele fica insosso. A vida sem o cristianismo bíblico é uma vida insípida. Mas só se chega a essa conclusão quando se experimenta o verdadeiro cristianismo. Por isso que a tarefa primária da igreja consiste em evangelizar e pregar o Evangelho.

2º – O Senhor Jesus nos diz que somos luz do mundo. Jesus mesmo afirmou: “Vós sois a luz do mundo”. E também disse: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8.12). Essas duas declarações sempre precisam ser consideradas conjuntamente, porque o crente só funciona como “luz do mundo” por causa dessa relação vital de que goza com Aquele que é, Ele mesmo, “a luz do mundo”. Nosso Senhor assegurou que viera ao mundo para trazer-nos a luz. E a promessa que Ele fez foi: “… quem me segue, não andará em trevas, pelo contrário terá a luz da vida” (Jo 8.12) [5].

Mas para poder brilhar nos lugares escuros do mundo, esta luz deve estar em uma posição estratégica, livre de qualquer bloqueio. É a cidade sobre o monte, visível a quem vive em terrenos mais baixos. Do mesmo modo, seria absurdo, diz Jesus, colocar-se uma candeia debaixo de um alqueire (modios, no grego, significa barril, uma medida para cereais) ao invés do velador, esperando assim iluminar a casa para seus moradores! Os discípulos não devem então esconder-se, mas viver e trabalhar em lugares onde sua influência seja sentida e a luz que neles há sejam mais plenamente manifesta a outros – não para glorificação própria, mas para que outros possam ver a luz da verdadeira bondade cristã, expressando-se em atos reais de gentileza e serviço, não é uma luz deste mundo, mas vem de Deus, e possam consequentemente ser levados a dar honra e louvor ao Doador da mesma [6].

Temos como exemplo a menina que Naamã levou cativa de Israel (2Rs 5.1-3). Através dessa menina, Naamã não só foi curado, mas encontrou a luz da verdade quando se converteu ao Deus de Israel.

A TERCEIRA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE PARA SERMOS O QUE O SENHOR DESEJA DE NÓS EXISTE UMA CONDICIONAL.

Primeira coisa que observamos é que existe uma condicional na vida do cristão. A condicional é “MAS” = no entanto, contudo, todavia. Se eu não salgo e não ilumino, eu não estou exercendo minha função como cristão. Se a igreja se torna insípida e sem luz ela não é Igreja. Ela pode ter outros nomes, como por exemplo: clube, reunião de amigos, boate gospel… Menos Igreja.

1º – Se o sal não exercer a sua função de salgar ele perdeu sua verdadeira função (Mt 5.13b). Se o sal não permanecer puro perde o seu poder de salgar. Ele se torna inútil para ser usado. O sal nunca pode perder sua salinidade. Entendo que o cloreto de sódio é um produto químico muito estável, resistente a quase todos os ataques. Não obstante, pode ser contaminado por impurezas, tornado-se, então, inútil e até perigoso. A salinidade do cristão é o seu caráter conforme descrito nas bem-aventuranças, é discipulado cristão verdadeiro, visível em atos e palavras [7].

Como disse Jesus em Lucas 14.34,35:

O sal é bom, mas se ele perder o sabor, como restaurá-lo? Não serve nem para o solo nem para adubo; é jogado fora. “Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça” (NVI).

E o que contamina o sal na vida do cristão é o pecado; é a vida sem compromisso com Senhor da Vida; é viver dentro do padrão do mundo e não segundo o padrão bíblico; é seguir o fluxo do mundo e não glorificar a Deus sendo diferente.

2º – Se a luz que está em nós estiver oculta ela se torna treva (Mt 6.22,23). Jesus deixou isso de forma muito clara:

Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são! (NVI).

O Senhor deixou claro que a luz que está em nós deve brilhar de forma que todos vejam, ela não pode ficar oculta e não exercer a função que ela deve exercer. A luz brilha no escuro onde ela tem sua verdadeira utilidade, assim somos nós, devemos brilhar em um mundo em trevas, em um mundo que jaz no maligno.

Mas você tem brilhado? Ou anda com sua luz oculta?

A QUARTA LIÇÃO QUE APRENDO É QUE QUANDO SOMOS SAL E LUZ O NOME DO PAI SERÁ GLORIFICADO (Mt 5.16).

“Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” (NVI).

Quem será glorificado é o Senhor e não nós. Quem deseja ser adorado no lugar de Deus é Satanás. Ele é quem busca adoração que não lhe é devida, aliás, nenhuma criatura deve ser adorada no lugar do criador. No entanto, o que mais temos visto hoje são líderes recebendo adoração como se fossem Deus. A última é o sangue de um determinado “apóstolo” que foi vítima de um atentado, dizer que está curando as pessoas. E as pessoas que frequentam aquele lugar acreditam nisso.

Cuidado para não cair nessa armadilha! O bem que fazemos deve glorificar ao Senhor e não a nós mesmos.


Por isso, ocultar a nossa natureza regenerada é tornar-nos completamente inúteis. O verdadeiro crente não se oculta, e nem pode deixar de ser notado. O homem que verdadeiramente esteja vivendo e funcionando como crente sempre assume posição saliente. Assemelha-se ao sal; assemelha-se à cidade edificada sobre um monte, a uma candeia posta no velador [8]. Todos sentem o seu sabor e todos veem a sua luz, e isso se demonstra em atos, em testemunho diário, em vida santa, em viver diário o Evangelho de Cristo. É não se envergonhar de Jesus, mas honrá-lo em meio a uma sociedade que o repudia. Como disse o apóstolo Paulo em Rm 1.16:

“Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego” (NVI).

John Stott nos diz que as metáforas usadas por Jesus têm muito a nos ensinar sobre nossas responsabilidades cristãs no mundo, três lições se destacam [9].

a) Há uma diferença fundamental entre os cristãos e os não cristãos, entre a igreja e o mundo. A maior de todas as tragédias da Igreja através de sua longa história, cheia de altos e baixos, tem a sua constância de conformar-se à cultura prevalecente, em lugar de desenvolver uma contracultura cristã.

b) Temos de aceitar a responsabilidade que esta diferença coloca sobre nós. Vocês têm que ser o que são. Vocês são sal e, por isso, têm de conservar a sua salinidade e não perder o seu sabor cristão. Vocês são a luz e, por isso, devem deixar que sua luz brilhe e não devem escondê-la de modo algum, quer seja através do pecado ou da transigência, pela preguiça ou pelo medo.

c) Temos de considerar a nossa responsabilidade cristã como sendo dupla. A função do sal é principalmente negativa: evitar a deterioração. A função da luz é positiva: iluminar as trevas.

Mas para eu ser sal e luz nesse mundo eu tenho que viver as bem-aventuranças! Testemunhar é mais que falar, é viver de forma que todos vejam as nossas boas obras e o Pai será glorificado através de nossos atos.

CONCLUSÃO

Eu quero concluir com uma palavra que ouvi em um vídeo postado no youtube. A palavra do Pastor Paulo Borges Jr revela a igreja brasileira.
Diz ele:

Eu acho que hoje a comunidade evangélica no Brasil, ela não está com dificuldade de fazer política, ela está com dificuldade de fazer tudo. Ela está com dificuldade de fazer casamento; ela está com dificuldade de fazer empresa; ela está com dificuldade de fazer louvor; ela está com dificuldade de fazer culto; ela está com dificuldade de fazer oração.

O que está em cima dos nossos montes hoje, nas campanhas de oração é vergonhoso. O que o povo está procurando em cima do monte hoje só Satanás pode satisfazer. Porque ninguém está procurando subir no monte para fazer sacrifício, mas para ser abençoado. Quem prometeu bens nessa vida para quem subir no monte foi Satanás, não foi o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Quem prometeu favores e benefícios para quem cantasse muito, e louvasse muito, e orasse muito foi Satanás e não foi o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Quem falou que culto é forma de ser beneficiado foi Satanás. Quem falou que anjo ia proteger a gente das mancadas que a gente faz, porque não buscou a direção de Deus foi Satanás, não foi o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Então nós estamos com dificuldade de tudo. Nós estamos com dificuldade de escolher qual a faculdade que nossos filhos vão fazer e ajudá-los a entender isso. Porque hoje os nossos jovens estão sendo ensinados a procurar profissões que dão dinheiro e não que contempla com as suas vocações.

Nós estamos com dificuldade de sustentar um casamento difícil. Nós estamos com dificuldade de vender um produto honestamente sem locupletar de lucro exagerado, porque o nosso conceito de riqueza é como nós vamos tomar a riqueza do bolso do outro e passar para o nosso bolso. E ainda estamos achando que Deus abençoa as pessoas quando elas oram, porque fica mais fácil ela tomar dinheiro dos outros e fazer negócio vantajoso.

Então não é só com a política que nós estamos tendo dificuldade. A dificuldade que nós estamos tendo com a política é porque está indo para lá as nossas piores crianças. Porque nós estamos insistindo em viver um evangelho de menino. Porque o tipo de pregação que estamos ouvindo está nos infantilizando. Nós estamos nos tornando um povo infantilizado. Não é só no Planalto Central, não é só a Câmara dos Deputados e não é só o Senado que está sofrendo. As famílias estão sofrendo; o comércio está sofrendo; as escolas estão sofrendo. Os hospitais estão sofrendo. Estão sofrendo a presença de médicos crentes; tem muito médico crente no Brasil praticando medicina ruim. Tem muito comerciante crente no Brasil praticando comércio ruim. Tem muito marido e mulher no Brasil praticando um casamento ruim. E nós estamos achando que a nossa fé vai nos dar um país bom. Uma igreja que lamenta o país que tem, faz esse país sofrer a igreja que tem. Nós estamos obrigando as nossas famílias, o nosso comércio, as nossas prefeituras, os nossos hospitais e as nossas escolas, nós estamos obrigando essa gente a sofrer a igreja ruim que nós estamos oferecendo. E nós estamos oferecendo uma igreja ruim porque nós estamos insistindo em permanecer criança. Nosso louvor está ruim porque é louvor de criança. O que nós estamos chamando de avivamento hoje no Brasil que é encher um estádio com vinte mil pessoas que entra em êxtase espiritual ouvindo boa música; se isso for avivamento então Luan Santana é avivamento, porque todo mundo sai de lá de dentro do mesmo jeito, sai de lá cheio de fotografia para postar no instagram e no facebook e doido para comprar o CD e o DVD. Mas a multidão que deixou o estádio depois daquele culto, e a multidão que deixou o estádio depois do show é a mesma. Com as mesmas necessidades, com as mesmas prioridades, com os mesmos apetites. E tentando se satisfazer da mesma forma.

A coisa é muito mais rasa. Passa pelo seu namoro, e não pelo prefeito da sua cidade. Passa pela escolha da sua profissão e não pelo vereador corrupto da sua cidade. Passa pelos seus motivos de você fazer comércio e não pelo presidente desse país. Esse país está sofrendo a falta de referências, e as referências não estão lá estão aqui. Nós temos que sair daqui gente adulta, que para de pensar como menino, agir como menino e querer como menino. Nós estamos com problemas em todas as áreas desse país, todas elas. É um engano a gente pensar que políticos melhores vão nos entregar um país melhor. Uma igreja melhor pode fazer esse país melhor. Em nome de Jesus, pelo sangue do Cordeiro temos que deixar de ser menino [10].

Que o Senhor tenha misericórdia de nós e nos ajude a sermos sal e luz do mundo.

Pense nisso!

Notas:
1 – Stott, John. A Mensagem do Sermão do Monte. ABU Editora, São Paulo, SP, 1986: p. 48.
2 – Champlin, R. N. O Antigo Testamento Interpretado, versículo por versículo, Vol. 5. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2001: p. 3225.
3 – Lloyd-Jones, D. Matyn. Estudos no Sermão do Monte. Ed. Fiel, São Paulo, SP, 1984: p. 140.
4 – Tasker, R. V. G. Mateus, Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1985: p. 50.
5 – Lloyd-Jones, D. Matyn. Estudos no Sermão do Monte. Ed. Fiel, São Paulo, SP, 1984: p. 152.
6 – Tasker, R. V. G. Mateus, Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP, 1985: p. 51.
7 – Stott, John. A Mensagem do Sermão do Monte. ABU Editora, São Paulo, SP, 1986: p. 51.
8 – Lloyd-Jones, D. Matyn. Estudos no Sermão do Monte. Ed. Fiel, São Paulo, SP, 1984: p. 163.
9 – Stott, John. A Mensagem do Sermão do Monte. ABU Editora, São Paulo, SP, 1986: p. 54-56.
10 – https://www.youtube.com/watch?v=lk9PBemcMgo, acessado em 13/01/2017.


Fonte: www.napec.org

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