Nota do editor: O artigo alerta contra a ilusão de que Deus não vê nossos pecados secretos. Citando Provérbios, Salmos e o ensino de Jesus, o autor mostra que a onisciência divina revela tanto nossa culpa quanto a esperança de redenção. O pecado cega espiritualmente, tornando-nos incapazes de perceber a glória e a presença de Deus; mas Cristo, luz do mundo, nos concede olhos novos e puros para ver o Senhor como Ele é. A visão de Deus não apenas nos expõe — ela também nos transforma.
Os olhos do Senhor estão em todo lugar, vigiando os maus e os bons. (Provérbios 15.3)
Quando eu estava no final da adolescência e no início dos meus vinte anos, lutando contra o pecado sexual, às vezes eu vivia como se Deus fosse cego (ou, se não cego, pelo menos distraído e alheio). Eu jamais teria dito que ele era cego — eu teria zombado da ideia. Por trás dessa clareza exterior, porém, havia uma incerteza interior e venenosa. Eu estava acalentando uma mentira.
O Salmo 94 nos dá um vislumbre da lógica perigosa do pecado persistente:
Até quando, Senhor, os perversos,
até quando exultarão os perversos?
Matam a viúva e o estrangeiro
e aos órfãos assassinam.
E dizem: O Senhor não o vê;
nem disso faz caso o Deus de Jacó. (Salmo 94.3, 6–7)
Satanás sussurrou a Adão e Eva: “Deus realmente disse isso?” (Gênesis 3:1). Aqui, ele sussurra: “Deus realmente vê? Não, Deus não vê o que vocês estão fazendo. Ele não é capaz de observar todos o tempo todo. E se ele for, ele não poderia ter tempo ou interesse para lidar com isso. Deus não vê o seu pecado. É seguro pecar mais uma vez.”
Não é seguro — primeiro, porque Deus vê; segundo, porque eventualmente você não verá mais.
Deus vê seu pecado
Você acredita silenciosamente que Deus não vê o seu pecado secreto? Mesmo sabendo que Ele vê, a sua vida diz o contrário? Deus aborda a mentira aqui mesmo no Salmo 94.8-11 . Ouça o aviso:
Atendei, ó estúpidos dentre o povo;
e vós, insensatos, quando sereis prudentes?
O que fez o ouvido, acaso, não ouvirá?
E o que formou os olhos será que não enxerga?
Porventura, quem repreende as nações não há de punir?
Aquele que aos homens dá conhecimento não tem sabedoria?
O Senhor conhece os pensamentos do homem,
que são pensamentos vãos.
Ele fez o olho. Você acha que ele não consegue ver o que você está fazendo? Ele fez o ouvido. Você acha que ele não consegue ouvir o que você está dizendo? Ele não apenas sabe o que você está fazendo e dizendo; ele sabe o que você está pensando — ele “conhece os pensamentos do homem” (versículo 11).
“Não há criatura alguma que esteja oculta à sua vista”, adverte Hebreus 4.13, “antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar”. Você se sente nu e exposto diante de Deus? Lembra que terá mesmo que explicar o que Ele viu? Esses sentimentos e lembretes são armas que Deus nos deu na luta pela nossa santidade e alegria — armas que muitas vezes deixamos enterradas no porão.
A mentira morre quando oramos como o Deus que tudo vê nos ensina a orar:
Senhor, tu me sondas e me conheces.
Sabes quando me assento e quando me levanto;
de longe penetras os meus pensamentos.
Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar
e conheces todos os meus caminhos.
Ainda a palavra me não chegou à língua,
e tu, Senhor, já a conheces toda. ( Salmo 139.1–4)
Deus vê. E se você continuar agindo como se ele não visse, logo perderá a capacidade de ver.
O pecado obscurece sua visão
Observe que os ímpios no Salmo 94 não acreditam silenciosamente no que Satanás diz. Eles não apenas pensam na mentira que existe no fundo de suas mentes enquanto continuam pecando. Não, no versículo 7, eles estão pregando o terrível sermão de Satanás para ele. “Eles dizem: ‘O Senhor não vê.'”
É isso que a indulgência no pecado — qualquer pecado — faz conosco. O pecado nos leva da crença de que “Deus não vê” à pregação de que “Deus não vê”, até que finalmente rejeitamos e ignoramos Deus completamente.
O pecado persistente nos endurece até que não consigamos mais ver, ouvir ou sentir a realidade espiritual. E a realidade espiritual é a realidade suprema, a realidade mais real. Se nos recusarmos a nos arrepender, andamos, comemos e pecamos em um mundo repleto da glória de Deus — e, ainda assim, não conseguimos vê-lo nem ouvi-lo em lugar nenhum. É como caminhar ao longo do Oceano Pacífico e nos perguntar onde está a água. Doze mil quilômetros de ondas rugindo bem ao seu lado, e tudo o que você percebe é a areia entre os dedos dos pés. Deus ainda vê tudo, incluindo você, mas você vê devastadoramente pouco — nada além de grãos de areia em um mundo vasto e emocionante.
O pecado faz coisas horríveis às pessoas, e esta é a pior coisa que ele faz a nós: o pecado enfraquece lentamente nossos olhos até que o Deus indizivelmente glorioso pareça pequeno, distante e, então, eventualmente, imaginário. Ceder ao pecado escurecerá sua alma, escondendo o céu.
Veja-O como Ele é
Será que algum pecado está fazendo isso com você? Você pode dizer que Deus é real, que ele vê tudo, que um dia julgará todo erro — mas se você persistir secretamente nesse pecado, estará provando que não acredita em nada disso. E se você continuar voltando para aquele pântano de luxúria, amargura, ganância ou autopiedade, verá cada vez menos, até não conseguir mais enxergar. Você perderá o oceano mesmo estando nele.
Que hoje seja o dia em que sua cegueira acabe. Jesus veio para perdoar nossos piores pecados, mesmo aqueles que cometemos em segredo. E veio para nos dar olhos novos e mais abertos. “Bem-aventurados os limpos de coração”, promete ele, “porque eles verão a Deus” (Mateus 5.8). Se a cegueira espiritual é a pior coisa que o pecado nos faz, esses novos olhos podem ser a maior misericórdia que Deus nos concede.
Deus, que disse: “Das trevas resplandeça a luz”, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. (2 Coríntios 4.6)
Enquanto milhões estão cegos e aprisionados na escuridão, nossos olhos se voltam para Jesus e vêem beleza, força, verdade e valor. Deus vê tudo e, por sua graça, nos permite ver a glória que Ele vê. E em breve, esses novos olhos se encherão dele.
“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser; mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos como ele é.” (1 João 3.2)
Por: Marshall Segal, é escritor e editor-chefe do desiringGod.org. É autor de Ainda não casei: o plano de Deus para solteiros e namorados. É graduado pelo Bethlehem College & Seminary. Ele e sua esposa, Faye, têm dois filhos e vivem em Mineápolis.
Fonte: https://voltemosaoevangelho.com


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