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sábado, 28 de fevereiro de 2026

Agnosticismo consciente e a Idolatria do Eu

Quando a autonomia se torna cativeiro

Nota do editor:  Este é o décimo artigo da série de Hermisten Maia – O Ser, as pessoas e as coisas: Um diálogo entre Teologia e FilosofiaO texto reflete sobre o mistério do pecado no Éden e suas implicações existenciais. O autor reconhece que não sabe por que Adão e Eva pecaram em um ambiente perfeito, e entende esse “não saber” como confissão humilde diante do limite humano. Criados em retidão, eles desejaram autonomia e foram enganados pela serpente, trocando a sabedoria de Deus pela ilusão de liberdade. Essa busca por independência originou o mal moral e o caos na criação. A queda revelou o engano do humanismo autônomo: ao tentar libertar-se de Deus, o homem perdeu sua humanidade e mergulhou em idolatria e desordem. O verdadeiro saber, diz o texto, nasce da obediência e não da transgressão; é na submissão a Deus que a alma encontra sentido e plenitude. Mesmo ferido, o homem conserva ecos da eternidade e só pode ser restaurado pela graça e pela dependência do Criador.


Por que nossos primeiros pais foram levados ao pecado em uma atmosfera perfeita?[1]

 

Talvez seja justamente o “interesse existencial”[2]  do problema que faz essa pergunta atravessar os séculos. A resposta, para mim, é simples − e me contento com ela. Não por prazer na ignorância, mas como confissão do meu limite dentro da esfera do que foi revelado nas Escrituras: não sei. Esse não saber não invalida o fato, nem elimina a razão de sua existência; apenas resume uma ignorância pessoal. E mais: a ignorância jamais deve se servir de um artifício ardiloso, pretensamente humilde, que esconde a arrogância de “saber o não saber”.

 

A Palavra relata que Adão e Eva, criados em perfeita retidão e com plena liberdade de escolha, optaram por desobedecer a Deus e comeram da árvore do conhecimento do bem e do mal − a qual lhes fora expressamente proibida por quem tinha autoridade para fazê-lo (Gn 2.15-17).[3]

 

No Paraíso, Satanás − cuja própria existência é uma ironia à lógica racional − tentou nossos primeiros pais por meio do desejo, que de alguma forma já cultivavam, de serem iguais a Deus. Eles se esqueceram de todo o histórico de sua relação com o Deus fiel, amoroso, justo e sábio.[4] O desejo falou mais alto aos seus corações. Como dissemos, o desejo, ainda que por vezes momentâneo, tende a eternizar-se na brevidade de seu ardor. Foi ali que conceberam o que pode ser chamado de mal moral.[5]

 

Paulo, interpretando o acontecimento histórico registrado em Gênesis, escreve:

 

Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam corrompidas as vossas mentes, e se apartem da simplicidade e pureza devidas a Cristo” (2Co 11.3). Novamente: “A mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. (1Tm 2.14).

 

O verbo grego[6] usado tem o sentido de enganar completamente, alcançando plenamente o objetivo. Assim, segundo o texto, Eva foi inteiramente enganada por Satanás. Ele se vale de várias estratégias: quando encontra resistência aqui, tenta por ali; se não der certo, tenta por lá. Não sendo bem-sucedido, combina métodos e se aproveita das circunstâncias.[7]

 

Quando Eva cede à tentação, está plenamente convencida de que o que faz é certo − dentro de seus objetivos duvidosos. Podemos concluir, portanto, que a certeza subjetiva não garante a correta interpretação dos fatos.

 

Satanás enganou Adão e Eva. Depois disso, os fez crer que a mentira em que acreditaram era a verdade. Satanás, que nutre pretensões divinas, fez com que Eva o seguisse − e Adão seguisse a Eva. Ninguém seguiu a Deus.

 

O caos se instalara. Nossos primeiros pais demonstraram que haviam escolhido um novo senhor.

 

As consequências viriam de forma intensamente perceptível. A proximidade de Satanás os afastaria cada vez mais de Deus e, no tempo próprio − que não demoraria − eles se esconderiam da presença do Senhor (Gn 3.8-10).

 

Pontuemos algumas questões aqui:

 

Um dos traços centrais da tentação no Éden foi o anseio por um saber que ultrapassasse os limites do permitido. Adão e Eva desejaram a autonomia − conhecer por si mesmos, sem mediação divina. Almejaram ser como Deus: autossuficientes.[8] Satanás lhes ofereceu uma cosmovisão concorrente, onde o referencial último já não era o Criador, mas a divinização do próprio desejo, em flagrante oposição à proposta santa de Deus.[9]

 

Naquele instante, quando gozavam da liberdade plena própria às criaturas, num ato pensado que revelou o absurdo de sua racionalidade, optaram por desobedecer, acreditando que o salto para a liberdade plena seria uma “queda para cima”. Pura ilusão. A loucura da desobediência é pródiga em promessas que não pode cumprir, e nos abandona à frustração e ao desespero.

 

Sobre os condicionantes invisíveis que nos seduzem com a aparência de liberdade, Bavinck observa:

 

As direções nas quais o nosso pensamento pode se dirigir não são tão numerosas quanto supomos ou imaginamos. Em nossos pensamentos e ações, somos todos determinados pela peculiaridade de nossa natureza humana, e também cada indivíduo por seu próprio passado e presente, pelo seu caráter e ambiente. E não é raro que aqueles que parecem liderar os outros são, antes, liderados por eles.[10]

 

O desejo de independência − tão eloquente aos corações pecaminosos − nos inclina a aceitar qualquer aceno secular em detrimento da fé. Mas a tentativa de independência de Deus, longe de ser caminho de vida, é trilha de morte. Knudsen (1924-2000) adverte: “A autonomia humana pecaminosa, longe de ser o caminho para a autorrealização humana, é, em si mesma, uma distorção daquilo que é humano”.[11]

 

O homem que pretendeu ocupar o lugar do Criador, desumanizou-se. Já não sabe quem é. A história testemunha o fracasso dessa empreitada. O humanismo que prometia restaurar a dignidade humana revelou-se, na verdade, um anti-humanismo.

 

Há aqui um paradoxo: o ser que mais admiro é justamente aquele que rejeito, na tentativa de me tornar igual a Ele por via inversa. A lógica seria buscar a sabedoria divina por meio da obediência. Contudo, seduzido pela serpente, fui convencido de que o caminho para ser tão sábio quanto Deus é a subversão de sua autoridade − a deificação da vontade humana.[12] Negando a sabedoria divina, imagino alcançar sabedoria maior.

 

Instala-se então uma suspeita moral sobre o caráter de Deus. Inferem que Ele não é tão santo, justo e bom quanto afirma ser (Gn 3.1-5). Forma-se um pacto simbiótico entre os olhos e o coração (Gn 3.6/Jó 31.7). O caminho do crescimento, pensam Adão e Eva, é o da desobediência. Consumado o ato, o caos se instala − na alma, nas relações, na criação (Gn 3.7-24).

 

Todos somos solidários nesta realidade de Criação e Queda. A história confirma esse fato. Contudo, o homem permanece em relação direta com a eternidade. A Escritura o retrata não apenas como ser temporal, mas como imagem de Deus, portador de vestígios da glória divina, mesmo em meio à ruína.

 

As Escrituras insistem: é o próprio Deus quem nos instrui (Sl 32.8-9).[13] Curiosamente, nossos primeiros pais, que desfrutavam da presença contínua do Senhor, rejeitaram sua instrução, preferindo a sabedoria que supostamente emanava da árvore do Éden.

 

Narra Moisés: “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento (שׂכל) (śâkal), tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu” (Gn 3.6). Eles desejavam o sucesso por seus próprios meios, mas, conheceram o fracasso por serem guiados simplesmente por suas sensações em oposição à ordem divina.

 

O entendimento proposto por Deus jamais pode começar por um ato de desentendimento − a desobediência. Antes, nasce da obediência. É obedecendo que se aprende a obedecer. Nesse processo, amadurecemos na escola da obediência, onde cada passo revela novos desafios e cada estação nos apresenta situações inéditas. É no caminhar que aprendemos a caminhar − e, ao lidar com o inesperado, somos moldados pela instrução divina que nos guia com sabedoria e graça.

 

Em outras palavras, a obediência é tanto caminho quanto mestre. Aprendo a obedecer obedecendo − e, nesse exercício contínuo, meu coração se afeiçoa à instrução divina. É no trilhar da vontade de Deus que os frutos da graça começam a florescer em nossa vida, revelando que o saber do céu se revela aos pés que caminham em fé.

 

A atitude de Adão e Eva revelou uma ignorância agravada pela incredulidade − um quadro que só seria revertido pela obediência perfeita de Cristo, nosso Senhor. [14]

 

Aqui se revela outra lição: o homem caído tende a substituir a instrução divina por vozes estranhas à Palavra. Todos nós, sem exceção, somos inclinados a trocar o Criador pela criatura (Rm 1.25),[15] moldando e cultuando deuses conforme nossos desejos e circunstâncias.

 

A partir desse novo referencial − com Deus excluído ou relegado à margem − o homem passou a construir ídolos à sua própria imagem ética e espiritualmente corrompida, como exemplificado por Nietzsche (1844-1900).[16]

 

Consumado o ato de desobediência, instalou-se o caos na vida humana, em suas relações e na criação (Gn 3.7-24).  A paz da criação estabelecida por Deus foi quebrada ali,[17] ainda que antes, já estivera trincada no coração do homem e da mulher. A partir desse rompimento, não apenas a comunhão com Deus foi comprometida, mas também a própria percepção do homem sobre si e sobre o mundo. É nesse contexto de alienação espiritual e confusão moral que emerge o humanismo, propondo uma nova centralidade: o homem como medida de todas a realidade,[18]  deslocando o Criador e entronizando a criatura.

 

Todo humanismo autônomo, portanto, é um ato idólatra: Deus é destronado e o homem entronizado como referência absoluta, perdendo-se todas as referências metafísicas.

 

A idolatria permeia o coração humano sedento por autonomia — uma autonomia que, ao exilar Deus, transforma o homem em mera estatística. Ele torna-se sua única referência; não há valores acima dele.[19]

 

Esse deslocamento é trágico: ao tentar libertar-se de Deus, o homem se aprisiona em si mesmo, reduzido a números, instintos e abstrações. A ruptura com o Criador não apenas desorganiza a ordem cósmica, mas desfigura a essência humana — que só encontra sentido na imagem de Deus, ainda preservada por misericórdia.

 

Mais tarde, ao revisitar essas reflexões, encontrei um texto de Vanhoozer, inspirado por uma pergunta de Richard Dawkins, velho conhecido de McGrath,  que propõe o papel do teólogo na universidade:

 

Justamente porque estão atentos contra a criação de ídolos, os teólogos também servem de sentinelas contra o reducionismo científico – a tentação que aflige incessantemente o acadêmico. O reducionismo é a concupiscência dos olhos teóricos, o desejo de ser capaz de explicar todos os fenômenos relevantes por meio de suas  próprias ferramentas conceituais – saber como Deus sabe.[20]

 

O homem, em seu humanismo autônomo, não encontra um ponto de integração que dê sentido à realidade. Daí o sentimento constante de frustração, como descreve McGrath:

 

Deixar de relacionar-se com Deus é deixar de ser completamente humano. Ser realizado é ser plenificado por Deus. Nada transitório pode preencher esta necessidade. Nada que não seja o próprio Deus pode esperar tomar o lugar de Deus. Assim mesmo, por causa da decadência da natureza humana, há hoje a tendência natural de se tentar fazer com que outras coisas preencham essa necessidade. O pecado nos afasta de Deus e nos leva a pôr outras coisas em seu lugar. Essas vêm para substituir Deus. Elas, porém, não satisfazem. E, como a criança que experimenta e expressa insatisfação quando o pino quadrado não se encaixa no orifício redondo, passamos a experimentar um sentimento de insatisfação. De alguma forma, permanece em nós a sensação de necessidade de algo indefinível de que a natureza humana nada sabe, só sabe que não o possui.[21]

 

Retornando ao Jardim, observamos que a estada abençoadora e alegre de Deus no cair da tarde, tornou-se terrificante e assombrosa. Deus continuava a ser o mesmo. O homem, no entanto, não. O pecado nos afasta de Deus, e rejeita a sua presença que, por si só, revela a nossa condição de desobediência, e torna notória a nossa infelicidade conquistada autonomamente.

 

Na realidade, Adão e Eva desejaram ser independentes. Eles quiseram ter um conhecimento autônomo, sem Deus. Outrossim, queriam ser iguais a Deus, autossuficientes. O limite é, com frequência, o atrativo maior do desejado.[22] Mas, ao mesmo tempo, o limite é o teste de nossa fidelidade e caminho de crescimento.

 

Na insinuação diabólica, há sempre uma tentativa em apontar que o nosso caminho, a nossa opção é a melhor. A sua proposta sempre se configurará como a mais lógica e atraente. A desobediência a Deus de fato é, com frequência, o caminho que nos parece mais objetivo e prático, além de encontrarmos uma inclinação natural para ele. No entanto, a vontade de Deus para nós é que resistamos a estas tentações e continuemos crendo em Deus e na sua Palavra, seguindo a rota proposta – o caminho de vida por ele traçado para nós.

 

A história tem confirmado, com dolorosa clareza, que o humanismo que prometia restaurar a dignidade do homem tornou-se, paradoxalmente, um anti-humanismo. Na tentativa de matar Deus − seja por negação conceitual ou por desprezo existencial − o secularismo acabou por assassinar o homem em sua plenitude, reduzindo-o a um produto de uma evolução casuística, um esboço distorcido de sua verdadeira natureza.

 

O que resta é apenas um arremedo do que fomos criados para ser − ainda preservado, por misericórdia, pelo Deus vivo, que continua a nos sustentar como portadores de sua imagem. A ironia é que, ao tentar libertar o homem de Deus, o secularismo o aprisionou em uma caricatura de si mesmo, negando-lhe o fundamento que lhe conferia valor, propósito e transcendência.

 

Monod (1910-1976), Nobel de Fisiologia e Medicina, conclui melancolicamente:

 

Talvez se trate de uma utopia, mas não de um sonho incoerente. É uma ideia que se impõe pela força única de sua coerência lógica. Tal é a conclusão a que a busca da autenticidade leva necessariamente. Rompeu-se a antiga aliança. Enfim, o homem sabe que está sozinho na imensidão indiferente do universo, de onde emergiu por acaso. Não mais do que seu destino, seu dever não está escrito em lugar algum. Cabe-lhe escolher entre o Reino e as trevas.[23]

 

Algumas Considerações

Não sei por que Adão e Eva pecaram em um ambiente perfeito. E esse “não saber” não é fuga, mas confissão. Não se trata de deleite na ignorância, mas de reverente reconhecimento dos limites da razão diante do silêncio de Deus. O mistério permanece − e é nele que minha confiança repousa, não como quem se esconde, mas como quem descansa.

 

Compreendo que a busca por sabedoria e liberdade, quando divorciada da obediência, configura-se como uma suposta “queda para cima” − uma ilusão que revela a insanidade da racionalidade sem Deus. A autonomia, nesse cenário, é idolatria disfarçada: uma rebelião que se veste de liberdade, mas que termina por aprisionar.

 

O verdadeiro entendimento não brota da transgressão, mas floresce na submissão. A obediência, longe de ser mero dever, revela-se como um processo pedagógico divino. É nesse caminhar que o coração se deixa moldar pela instrução do Senhor, os afetos se alinham à sua vontade, e os passos se firmam na vereda da vida − onde cada ato de fidelidade se torna semente de sabedoria.

 

Ao entronizar o homem como medida de todas as coisas, o humanismo o desumaniza. O secularismo, ao tentar silenciar Deus, assassina também a plenitude do homem, reduzindo-o a uma caricatura de si mesmo − sem transcendência, sem propósito, sem esperança. O homem, feito à imagem de Deus, torna-se reflexo distorcido de sua própria vaidade.

 

Rejeitando a sabedoria divina, o homem tenta alcançá-la por meio da subversão. Eis o paradoxo: admira o ser que rejeita, e tenta igualar-se a Ele por um caminho contrário. Mas a sabedoria não se conquista pela negação, e sim pela submissão. É nos joelhos dobrados que os olhos se abrem.

 

Mesmo após a queda, o homem permanece em relação direta com a eternidade. A insatisfação que o habita é sinal de que há algo maior que ele não possui − uma sede que só Deus pode saciar. A alma humana, ainda que ferida, continua a ansiar pelo seu Criador. Há ecos da eternidade em cada suspiro de inquietação.

 

Assim encerro, não com respostas definitivas, mas com a certeza de que a verdade não reside na autonomia, mas na dependência. E que o saber do céu não se revela aos que se exaltam, mas aos que caminham em fé − com os pés no chão e os olhos no alto.


[1] “Apesar de ter sido colocado num Paraíso, cercado de abundantes bênçãos de Deus, o homem escolheu resistir ao direito de Deus de governar sobre ele” (Steven J. Lawson, Fundamentos da Graça, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2012, v. 1, p. 76).

[2] Veja-se: G.C. Berkouwer, Doutrina Bíblica do Pecado, São Paulo: ASTE., 1970, p. 14-15.

[3]15 Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar. 16 E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, 17 mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.15-17).

[4] “O pecado original foi o pecado de esquecer Deus. Adão e Eva deram as costas a Ele – daí os problemas” (David Martyn Lloyd-Jones, Uma Nação sob a Ira de Deus: estudos em Isaías 5, 2. ed. Rio de Janeiro: Textus, 2004, p. 47).

[5] “Mal moral é o mal resultante das escolhas e das ações dos seres humanos” (Ronald H. Nash, O Problema do Mal: In: Francis J. Beckwith, et. al. eds. Ensaios Apologéticos, São Paulo: Hagnos, 2006, p. 247).

[6]e)capataw * Rm 7.11; 16.18; 1Co 3.18; 2Co 11.3; 2Ts 2.3; 1Tm 2.14.

[7] “Se formos vigilantes contra Satanás em um ponto da muralha de nosso viver, ele tentará rompê-la em outro ponto, esperando por um momento quando nos sentirmos seguros e felizes, e quando, provavelmente, nossas defesas estarão fracas. Assim prosseguem os seus ataques, o dia inteiro e todos os dias” (J.I. Packer, Vocábulos de Deus, São José dos Campos, SP.: Fiel, 1994, p. 83).

[8] Tillich (1886-1965), assim define este conceito: “Representa a vida humana vivida segundo a lei da razão em todos os aspectos da atividade espiritual (…). Para os indivíduos, autonomia é a coragem de pensar; coragem de se valer dos próprios poderes racionais (Paul Tillich, Perspectivas da Teologia Protestante nos Séculos XIX e XX, São Paulo: ASTE, 1986, p. 48).

[9] Veja-se: R.K. Mc Gregor Wright, A Soberania Banida, São Paulo: Cultura Cristã, 1998, p. 248.

[10]Herman Bavinck, A Filosofia da Revelação,  Brasília, DF.: Monergismo, 2019, p. 84-85.

[11] Robert D. Knudsen, O Calvinismo como uma força cultural: In: W. Stanford Reid, ed. Calvino e sua influência no mundo ocidental, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1990, [p. 9-31], p. 20.

[12] Devo parcialmente essa observação ao Rev. Ricardo Rios que, em correspondência privada (08.06.18), disse: “A minha tese é que o ateísmo é uma resposta aos ditames de Deus. Como eu não posso seguir suas ordenanças, eu nego que elas existam.  A autonomia é uma deificação humana”.

[13]Instruir-te-ei (שׂכל) (śâkal) e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho” (Sl 32.8). A palavra aqui traduzida por “instrução”, é traduzida também por “entendimento” (Gn 3.6; Sl 14.2; 53.2; 2Cr 30.22); “inteligência” (Jr 3.15); “atentar” (Sl 106.7); “prudência” (1Sm 18.5; Sl 2.10; 94.8; 111.10; Is 52.13); “êxito” (1Sm 18.14,15,30; 2Rs 18.7); “discernimento” (Sl 36.3); acudir (Sl 41.1). A palavra se refere “à ação de, com a inteligência, tomar conhecimento das causas. (…) Designa o processo de pensar como uma disposição complexa de pensamentos que resultam numa abordagem sábia e bastante prática do bom senso. Outra consequência é a ênfase no ser bem-sucedido” (Louis Goldberg, Sakal: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p 1478). Vejam-se: William Gesenius, Hebrew-Chaldee Lexicon to the Old Testament, 3. ed. Michigan: WM. Eerdmans Publishing Co. 1978, 789-790; Louis Goldberg, Sakal: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1478-1480; Robert B. Girdlestone, Synonyms of the Old Testament, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, (1897), Reprinted, 1981, p. 74, 224-225.

[14]“Ele [Jesus Cristo] tornou-se o Autor de nossa salvação, visto que se fez justo aos olhos de Deus, quando remediou a desobediência de Adão através de um ato contrário de obediência” (João Calvino, Exposição de Hebreus, São Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 5.9), p. 137-138).

[15]20Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; 21porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. 22Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos 23 e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. 24 Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si; 25pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!” (Rm 1.20-25).

[16] Vejam-se: F. Nietzsche, Gaia Ciência, São Paulo: Abril Cultural (Os Pensadores, v. 32), 1974, § 343, p. 219-220; F. Nietzsche, O Anticristo: Ensaio de uma Crítica do Cristianismo, São Paulo: Abril Cultural (Os Pensadores, v. 32), 1974, § 16, p. 357-358; F. Nietzsche, Assim Falou Zaratustra, São Paulo: Hemus, 1977, p. 238-239, 264-265.

[17] Cf. P. Tripp, Admiração, São Paulo: Cultura Cristã, 2017, p. 22.

[18]“A forma extrema da idolatria é o humanismo, que vê o homem como a medida de todas as coisas” (R.C. Sproul, O que é a teologia reformada: seus fundamentos e pontos principais de sua soteriologia, São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 33). Veja-se também: R.C. Sproul, A santidade de Deus, São Paulo: Cultura Cristã, 1997, p. 205. Na provável primeira carta que Calvino escreveu depois de ter se fixado em Genebra (1536), alegra-se com o avanço da Reforma e a consequente diminuição da superstição e idolatria. Então diz: “Deus permita que os ídolos sejam erradicados também do coração” (Carta escrita ao seu amigo Francis Daniel no dia 13 de outubro de 1536. In: João Calvino, Cartas de João Calvino, São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 30). Veja-se também: João Calvino, Instrução na Fé, Goiânia, GO: Logos Editora, 2003, Cap. 8, p. 22.

[19] “Para o humanismo, o homem é sua lei e o próprio legislador, de forma que a aprovação social é o melhor teste da lei.” (Rousas J. Rushdoony, A Filosofia do Currículo Cristão,  Brasília, DF.: Monergismo, 2019, p. 25).

[20] Kevin J. Vanhoozer, A Trindade, as Escrituras e a função do teólogo: contribuições para uma teologia evangélica, São Paulo: Vida Nova, 2015, p. 99. Lembrei-me da figura empregada por Barth (1886-1968):

“Não se pode despedir-se da vida e da sociedade. Elas nos cercam por todos os lados; elas nos impõem questões; elas nos confrontam com decisões. Nós devemos sustentar nossa base. O fato de que hoje nossos olhos estão mais amplamente abertos às realidades da própria vida se dá porque desejamos algo mais. Nós gostaríamos de estar fora desta sociedade, e em outra. Mas isto é apenas um desejo; nós ainda estamos dolorosamente cônscios de que, a despeito de tudo, as mudanças sociais e as revoluções, tudo é como era antigamente. Se fora desta situação nós perguntamos: ‘Vigia, o que há na noite?’, a única resposta que carrega alguma promessa é, ‘O cristão’.” (Karl Barth, A Palavra de Deus e a Palavra do homem, São Paulo: Novo Século, 2004, p. 207-208).

[21]Alister E. McGrath, Paixão pela Verdade: a coerência intelectual do Evangelicalismo, São Paulo: Shedd Publicações, 2007, p. 68.

[22] “Os homens pecaminosos nunca se dispõem a andar dentro das fronteiras que Deus impõe às suas criaturas. Em sua arrogância, declaram sua suposta liberdade e reivindicam ser senhores de seus próprios destinos” (Allan Harman, Comentário do Antigo Testamento ‒ Salmos, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, (Sl 2), p. 79).

[23]Jacques Monod, O acaso e a necessidade, Petrópolis, RJ.: Vozes, 1971, p. 198.

 

Referências Bibliográficas

 

  1. BARTH, Karl. A Palavra de Deus e a Palavra do homem. São Paulo: Novo Século, 2004.
  2. BAVINCK, Herman. A Filosofia da Revelação. Brasília, DF: Monergismo, 2019.
  3. BECKWITH, Francis J. et al. (Orgs.). Ensaios Apologéticos. São Paulo: Hagnos, 2006.
  4. BERKOUWER, G. C. Doutrina Bíblica do Pecado. São Paulo: ASTE, 1970.
  5. CALVINO, João. Cartas de João Calvino. São Paulo: Cultura Cristã, 2009.
  6. CALVINO, João. Exposição de Hebreus. São Paulo: Paracletos, 1997.
  7. CALVINO, João. Instrução na Fé. Goiânia, GO: Logos Editora, 2003.
  8. GESENIUS, William. Hebrew-Chaldee Lexicon to the Old Testament. 3. ed. Michigan: WM. Eerdmans Publishing Co., 1978.
  9. GIRDLESTONE, Robert B. Synonyms of the Old Testament. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1897. Reimpresso em 1981.
  10. GOLDBERG, Louis. Sakal. In: HARRIS, R. Laird; ARCHER, Gleason L.; WALTKE, Bruce K. (Orgs.). Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1478-1480.
  11. HARMAN, Allan. Comentário do Antigo Testamento – Salmos. São Paulo: Cultura Cristã, 2011.
  12. KNUDSEN, Robert D. O Calvinismo como uma força cultural. In: REID, W. Stanford (ed.). Calvino e sua influência no mundo ocidental. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1990, p. 9-31.
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  14. LLOYD-JONES, David Martyn. Uma Nação sob a Ira de Deus: estudos em Isaías 5. 2. ed. Rio de Janeiro: Textus, 2004.
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  16. McGREGOR WRIGHT, R.K. A Soberania Banida. São Paulo: Cultura Cristã, 1998.
  17. MONOD, Jacques. O acaso e a necessidade. Petrópolis, RJ: Vozes, 1971.
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  21. NIETZSCHE, Friedrich. O Anticristo: Ensaio de uma Crítica do Cristianismo. São Paulo: Abril Cultural, 1974. (Os Pensadores, v. 32).
  22. PACKER, J. I. Vocábulos de Deus. São José dos Campos, SP: Fiel, 1994.
  23. RUSHDONY, Rousas J. A Filosofia do Currículo Cristão. Brasília, DF: Monergismo, 2019.
  24. SPROUL, R. C. A santidade de Deus. São Paulo: Cultura Cristã, 1997.
  25. SPROUL, R. C. O que é a teologia reformada: seus fundamentos e pontos principais de sua soteriologia. São Paulo: Cultura Cristã, 2009.
  26. TILLICH, Paul. Perspectivas da Teologia Protestante nos Séculos XIX e XX. São Paulo: ASTE, 1986.
  27. TRIPP, Paul David. Admiração. São Paulo: Cultura Cristã, 2017.
  28. VANHOOZER, Kevin J. A Trindade, as Escrituras e a função do teólogo: contribuições para uma teologia evangélica. São Paulo: Vida Nova, 2015.

 

Por: Hermisten Maia, é ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil, integrando a Equipe de Pastores da Primeira IP de São Bernardo do Campo, SP. É formado em Teologia, Filosofia e Pedagogia. É Mestre e Doutor em Ciências da Religião. Leciona em diversos Seminários ininterruptamente desde 1980. Tem experiência na área de Teologia Sistemática, lecionando há 40 anos, e História da Reforma Protestante, atuando principalmente nos seguintes temas: João Calvino e Teologia Reformada e Cosmovisão Reformada. Faz parte de diversos Conselhos Editoriais de Revistas de Teologia e de Ciências da Religião. Tem 40 livros escritos e mais de 1.500 artigos publicados. Leciona em diversas Instituições de Ensino Superior no Brasil. Publica diariamente em suas redes sociais um artigo e um vídeo. 

 

Fonte: https://voltemosaoevangelho.com 

 

 

 

 

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