“Se alguém vier após mim, e não aborrecer a seu pai,
e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria
vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não levar a sua cruz, e não
vier após mim, não pode ser meu discípulo…Assim pois, qualquer de vós, que não
renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo.” Lucas
14.26,27,33
Poucos
são aqueles que poderiam responder a esta pergunta com a frase: “Porque creio ser ela é o único
caminho da salvação”. A maioria daqueles que professam ou
praticam alguma religião, fazem-no por muitos motivos e geralmente não se trata
da certeza de perdão e salvação. Desses, muitos já perceberam a falsidade de
sua religião ou de sua seita, mas há diversas razões que os impedem de
abandonar este falso caminho, pelo caminho de Cristo.
O
verdadeiro cristianismo requer renúncia. Nenhum seguidor de Cristo, nenhum
salvo o será sem algum tipo de renúncia. E quando se trata de um sectarista, de
um praticante de alguma religião, o preço desta renúncia se torna ainda
mais caro. Todo um conjunto de fatores envolvem esta pessoa e quando ela faz um
balanço das coisas que perderá ao fazer sua decisão por Cristo, ela hesita. Não
porque não tenha percebido que Jesus é o Salvador ou não porque já não tenha
tido consciência da impotência de sua religião para salvar. Mas porque terá de
perder e deixar coisas que não está disposta a perder e a deixar.
Questões culturais e familiares
“Pois o filho despreza o pai, a filha se levanta
contra a mãe, a nora contra a sua sogra; os inimigos do homem são os de sua
própria casa. Eu porém confiarei no Senhor, esperarei no Deus da minha
salvação…” (Miquéias 7.6,7)
Todo
povo, toda nação, tem uma religião tradicional, que geralmente é passada de pai
para filho e que torna o indivíduo aceito dentro de seu grupo. Seja o animismo,
o catolicismo, o islamismo ou mesmo o ateísmo, há uma crença que é aceita pela
maioria e que está incorporada dentro da estrutura familiar. As pessoas “nascem
e crescem” dentro desta religião. Ela participa de ritos e cerimônias quase de
forma automática, e jamais questiona estes valores. O fato de seus pais e
familiares, ou mesmo amigos e patrícios a praticarem, torna tudo isto válido.
No
momento porém que ele é confrontado com o Evangelho e reconhece a inutilidade
de anos e anos de uma crença, ainda assim sua decisão se torna difícil. Mesmo
que interiormente ele pense de uma forma, exteriormente agirá conforme o grupo,
para não ficar deslocado. Ele pode até desdenhar e contradizer o Evangelho, não
porque assim creia, mas porque o preço de seguí-lo, é a perda do respeito e da comunhão
de amigos e parentes. “Nasci católico e vou morrer católico”, dizem alguns. Mas
ninguém nasce católico, ou muçulmano, ou protestante, ou espírita. O meio é
quem leva o homem por determinado caminho e às vezes com uma tal força que ele
não consegue resistir à influência ao seu redor.
A
salvação proclamada pela Bíblia, requer do homem uma decisão de negar esta
herança e estar disposto a pagar o preço de seguir a Jesus. “Varões, por que fazeis essas
coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões, e vos
anunciamos que vos convertais dessas vaidades ao Deus vivo, que fez o céu, a
terra, o mar, e tudo quanto neles há” (Atos 14.15). Praticar uma
religião ou pertencer a uma seita sabendo que ela está errada é tolice. Só o
sangue de Jesus nos purifica de todo pecado. Insistir no erro com medo de
perder o respeito de pessoas não é uma atitude sincera. Agir conforme nossa
consciência é fundamental.
Certos
grupos, como as Testemunhas de Jeová, por exemplo, exercem uma pressão muito
forte sobre os membros que os deixam. Essa pressão é exercida não só por
correligionários, que são seu maior círculo de convivência, mas mesmo por
familiares. Deixar de ser uma testemunha de Jeová, é tornar-se um apóstata. Por
este motivo muitos não deixaram a seita até hoje e outro adiaram o máximo
possível.
Claro
que não podemos desprezar nossas tradições nacionais ou familiares. Claro que
não podemos odiar nossos pais só porque eles praticam uma religião que está em
desacordo com a Palavra de Deus. Mas se queremos ser salvos, temos que estar
dispostos a pagar o preço que for necessário, porque Deus já pagou o preço por
ele. “Pois não foi com
coisas corruptíveis como prata ou ouro que fostes resgatados da vossa vã
maneira de viver que por tradição recebestes de vossos pais. Mas foi com o
precioso sangue de Jesus Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado”
(1 Pedro 1.18,19)
Questões Econômicas
“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há
de odiar um e mar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis
servir a Deus e as riquezas” (Mateus 6.24)
Muitos
que fazem parte de alguma seita, têm também sua vida econômica ligada a ela. A
empresa na qual trabalham, pertence a um líder da seita. O serviço que prestam
é utilizado por membros da seita. No caso dos sacerdotes e monges católicos,
por exemplo, sua vida inteira, inclusive a financeira, está nas mãos de sua
organização. Eles nunca tiveram uma experiência profissional fora dela e todo o
seu sustento deriva de seu serviço a ela. Já imaginaram um seguidor da igreja
mórmon que more em Salt Lake City, a cidade capital dos mórmons, de repente
decidir-se abandonar sua seita ? Significaria para ele uma perda financeira em
primeiro lugar. Desvincular-se significa estar sem meios de subsistência. O
preço é alto.
Em
Atos 19.23-28, temos uma amostra de como o fator econômico interfere na vida
religiosa das pessoas, impedindo-as de seguir a verdade:
“E naquele tempo houve um não pequeno alvoroço por
causa do Caminho. Porque um certo ourives de prata, por nome Demétrio, que
fazia de prata nichos de Diana, dava não pouco lucro aos artífices. Aos quais,
havendo-os ajuntado com os oficiais de obra semelhantes, disse: Varões, vós bem
sabeis que deste ofício temos a nossa prosperidade; E bem vedes e ouvis, que
não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e
afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com
mãos. E não só há perigo de que a nossa profissão caia em descrédito, mas que o
próprio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada… E, ouvindo-o,
encheram-se de ira, e clamaram dizendo: Grande é a Diana dos Efésios”
Amar a verdade e segui-la, vai se
traduzir para muitos em perdas financeiras. Mesmo aqueles que têm na sua
religião sua subsistência, têm que estar prontos a pagar o preço de confiar em
Deus para seu sustento. “De que vale o homem ganhar o mundo inteiro e perder a
sua alma? Ou que dará o homem em proveito de sua alma?” (Mateus 16.26).
Questões espirituais
“Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos
demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos
demônios” (1 Coríntios 10.21)
As
religiões ocultistas apresentam ainda um fator mais problemático – o domínio
dos espíritos malignos. No espiritismo, no satanismo, no animismo, ou mesmo
entre os adeptos da Nova Era, uma tentativa de abandono é acompanhada por
ameaças terríveis por parte das entidades espirituais. Muitas destas ameaças
são reforçadas por acidentes estranhos e doenças não funcionais, na tentativa
de obrigar os médiuns ou seguidores a se sujeitarem.
Os
praticantes destes cultos, com o passar do tempo, percebem a perversidade de
seus ditos guias. Esta percepção muitas vezes nasce de um contato com o
Evangelho. Nisto os demônios entram em ação, chantageando, amedrontando,
ameaçando. As pessoas se veem em uma encruzilhada, desejando seguir a verdade,
mas tomadas pelo medo de que alguma coisa ruim aconteça a elas e suas famílias.
Algumas
tribos animistas da África reconhecem que há um Deus bom e que os espíritos aos
quais eles fazem oferendas são ruins, Mas seu argumento é que preferem agradar
os espíritos maus para que estes não os prejudiquem, pois o Deus bom, por ser
bom, não lhes fará mal de qualquer jeito. No fundo, este pensamento está
encoberto no coração de muitos ocultista.
Ainda
que estes espíritos sejam reais e ainda que de certo modo tenham poder para
fazer alguma coisa, toda ligação ocultista deve ser renunciada, todos os
objetos que os ligam a estes cultos devem ser quebrados e queimados e deve ser
tomada uma decisão de entregar a vida a Cristo e segui-lo de todo coração
(Deuteronômio 7.5,2526; Atos 19.17-20)
Se
você reconheceu a verdade, só lhe resta segui-la, seja qual for o preço a
pagar. Nem mesmo os espíritos malignos devem separá-lo da salvação eterna.
Cristo Jesus morreu e ressuscitou para que todo homem fosse livre das
influências do chamado “príncipe deste mundo”. “E visto como os filhos participam da carne e do
sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte
aniquilasse aquele que tinha o império da morte, a saber, o diabo. E livrasse
todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à escravidão”
(Hebreus 2.14,15)
Questões Morais
“E caindo por terra ouviu uma voz que lhe dizia:
Saulo, Saulo, porque me persegues? ….Duro é para ti recalcitrar contra os
aguilhões”. (Atos 9.4,5)
Muitos
que estão nas seitas e religiões sabem que Jesus é o único caminho e que seu
próprio caminho não lhes dá qualquer garantia de vida eterna. Mas seu
envolvimento é tão grande dentro de seu grupo religioso, que o medo de perder o
status adquirido leva-os a negar a Cristo.
É
difícil professar uma religião a vida inteira, tornar-se mestre dentro desta
religião, levar outros a segui-la e combater todos aqueles que questionam sua
crença, para depois admitir publicamente que estava errado. Imaginem quantos
bispos, padres e monges não se encontram ainda dentro do catolicismo,
consciente de seus erros que puderam ser constatados nas Escrituras, mas cuja
posição os impedem de se decidir.
Conhecer
a verdade é fácil. Mais difícil é deixar tudo e segui-la. Paulo tinha muitos
motivos para se orgulhar de sua condição racial e religiosa. Ele teve que pesar
e renunciar também a isto para ser um verdadeiro cristão. Ele confessou à
Igreja de Filipos: “Ainda
que eu também podia confiar na carne. Se alguém acha que podia confiar na
carne, ainda mais eu: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da
tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei fui fariseu; segundo o
zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível.
Mas o que para mim era ganho, reputei-o perda por Cristo” (Filipenses 3.4-7)
Há
muitos que amam a sua posição mais do que a verdade. Para eles não importa
tanto se seu caminho os levará ao céu. O que vale é ser honrado na terra,
dentro de sua sociedade, de sua cultura, de sua religião. Levaram anos para
construir seu castelo e agora não estão dispostos e perdê-lo, nem mesmo por
amor a salvação. Não é a ilusão que os prende, mas o orgulho.
CONCLUSÃO
Os
homens precisam saber que a salvação de Deus não está reservada para aqueles
que de alguma forma apenas reconheceram a verdade, mas para aqueles que amam a
verdade de uma tal forma e a um tal ponto, que estão dispostos a perder tudo
para segui-la. “Se
sabeis estas coisas, bem aventurado sois se as fizerdes”, disse Jesus
aos seus discípulos.
(João 13.17)
As
falsas seitas e religiões estão repletas de pessoas que não tiveram a coragem
de renunciar o que precisa ser renunciado. Até mesmo muitos que parecem ser
opositores do Evangelho, estão plenamente conscientes da veracidade dele e da
falsidade de sua crença, mas o temor das perdas, faz com que se escondam atrás
de uma atitude agressiva. A barreira entre muitos homens e Deus, não é, na
maioria das vezes, uma questão de conhecimento, mas uma questão de vontade.
Não
olhemos para todos os adeptos das falsas seitas e religiões como ignorantes da
verdade. Muitos a conhecem, mas não a amam, a ponto de renunciar o que precisa
ser renunciado, a fim de seguir a Cristo.
“E
assim como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à
verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto a fé” (2
Timóteo 3.8)
Por Eguinaldo Hélio de Souza
Fonte: missaoatenas.com.br



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