sexta-feira, 15 de junho de 2018

Jesus é ou não Deus verdadeiro?

Como explicar o fato de Jesus se referir ao seu Pai como o “único Deus verdadeiro” em João 17.3?

 “E a vida eterna é essa: Que te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo a quem enviaste”.

Esse pedido faz jus ao ministério sacerdotal intercessório funcional do Logos em sua encarnação e humilhação para o benefício daqueles que recebeu do seu Pai antes dos tempos eternos mediante Filiação assumida (v.6, 9; Ef 1.4,11; 2Tm 1.9). Em sua oração, o mesmo faz referência a seu Pai como “único Deus verdadeiro” em contraste com o politeísmo pagão, o naturalismo filosófico, e o panteísmo místico existente no mundo de procedência maligna, do qual pede para que o Pai os livre em sua súplica (v.15). Ora, sabemos que na economia da Trindade o Pai é o Deus de Jesus de Nazaré de modo ímpar (Jo 20.17; Hb 1.9), e que isso diz respeito ao aspecto messiânico da encarnação e humilhação do Logos aqui na terra (Sl 89.26, Fp 2.8), perdurando após sua ascensão ao Céu para cumprimento do propósito divino e salvífico (Ap 3.12; 1Tm 2.5; Fp 3.20, 21). Sua subalternidade se dá devido a forma de servo, mediador e sumo-sacerdote que o mesmo assumiu. De igual modo, o próprio Logos também assume suas prerrogativas humanas, a saber:

Servo (Fp 2.7) — escravo, aquele que tem um Senhor, e a ele é subserviente. No programa de redenção, a Trindade — As 3 Pessoas — assumiram funções específicas para realização do mesmo. A segunda Pessoa na Divindade (Logos) assume a função de servo tomando forma de homem, adotando uma posição inferior a da primeira pessoa (o Pai), que então passa a ser seu Deus. Essa subordinação (ou melhor, submissão) não compreende a natureza Divina do Logos, más sua humanidade e posição no plano salvífico até a consumação do mesmo (1Co 15.28).

Mediador (Hb 9.15) — Aque­le que medeia ou intervém para concili­ar as partes em litígio. Essa mediação está relacionada com Logos como homem (Rm 1.3), visto que foi mediante sua morte que tornou possível a reconciliação entre o Deus e os homens (Rm 5.10), e o Logos, como Deus, não pode morrer (1Pe 3.18; Jo 2.19-22; 1Jo 1.2). O Cristo, nosso mediador, está numa posição acima dos homens, pois, o ministério que recebeu é superior ao deles, assim como também a aliança da qual ele é mediador é superior à antiga, sendo baseada em promessas superiores, contudo, é bem verdade que funcionalmente ele deverá estar abaixo de seu Pai, como seu Deus de maneira sem igual (Hb 8.6; Jo 20.17).

Sumo Sacerdote (Hb 3.1) — Responsável pelo culto, adoração e sacrifício na congregação dos filhos de Deus, para representá-los diante do mesmo e por eles fa­zer expiação. É também neste sentido que Jesus — Logos encarnado — tem um Deus a quem possa entregar a sua oferta. Em suma, não haveria possibilidade alguma de salvação se não mediante um ser impecável, pois precisaríamos de um ente perfeito, e só em Deus há tal perfeição sem possibilidade de mácula — diferente de anjos, estes, propícios a queda. Diga-se de passagem, nenhum anjo/arcanjo poderia ser escolhido para esse fim, visto que aos olhos do próprio Deus eles não são confiáveis (Jó 4.18; 15.15). Por esse motivo o próprio Deus na pessoa do Filho se entregou pelos pecados do seu povo (Mt 1.21,23).

Apesar disso, ao se referir ao Seu Pai como “único Deus Verdadeiro”, Jesus não poderia contrastá-lo com sua própria essência Divina nesse clamor pelos discípulos, visto que sua Divindade é co-igual a do Seu Pai. Essa verdade era reconhecida pelos mesmos (Jo 20.28), a saber, que tanto o Pai quanto o Filho são o mesmo Deus por natureza (Jo 1.1). Esse fato por si só já nos fornece o necessário para dispensarmos essa alternativa. O Filho é tão verdadeiramente Deus quanto seu Pai, e isso é insofismável à luz da Bíblia (1Jo 5.20).                   

Por: Brício Lube

Fonte: CACP

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