domingo, 20 de maio de 2018

Jesus ou Je$u$?

Após à vigorosa ascensão do pentecostalismo, as últimas décadas assistiram ao surgimento de um novo movimento, conhecido como neopentecostalismo.

Apesar de recente, este fenômeno religioso logo se fortaleceu ao reinterpretar o evangelho de Cristo de maneira triunfalista, desprezando doutrinas bíblicas capitais, como a soberania de Deus e o sofrimento do justo, em detrimento de uma busca obsessiva pela saúde e sucesso financeiro. Uma panacéia teológica aglutina “visões” extravagantes, interpretações bíblicas arbitrárias, mitos e filosofias pagãs que ameaçam os fundamentos da verdadeira fé e requerem uma resposta urgente, precisa – e, sobretudo, ortodoxa.

Embora pareça, à primeira vista, convincente – e até fascinante – este “novo evangelho” vem obstruindo a compreensão da verdade e ludibriando suas vítimas, levando-as a trocar a graça redentora do Cristo Vivo por ensinos heréticos.

Pare de Sofrer!

Não deixando ser manipulado, não deixe que outros pensem por você. Pense não como sua igreja, mas como a Bíblia ensina. Adorando a Deus com uma fé sadia não existe a crucificação do intelecto!    – 2 Tm 4:3; 2 Pd 2:1-3,13-15,17-19; 2 Pd 3:16,17; MT 7:15,18

“Quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha”.
At 20:29

“Há pessoas que são tão pobres, mas tão pobres, que só tem dinheiro”
Pedro Lara 

O Evangelho nos Últimos Dias – Você gosta de dinheiro?

Ao menos normalmente, a resposta a esta pergunta seria um sonoro “sim”. Todavia, se a reformulássemos para: “Você gosta de dinheiro falso?” Provavelmente ouviríamos algo diferente. Por mais que as pessoas afirmem não gostar da mentira, a verdade é que milhões são enredados por ela, todos os dias. Políticos inescrupulosos manipulam massas de incautos com dados e promessas falaciosas; e uma mídia cada vez mais parcial e tendenciosa cria e impõe estereótipos, transformando o vício em entretenimento e ridicularizando os valores morais. Antigos conceitos do falido positivismo ganham nova roupagem nos célebres livros de auto-ajuda e a astrologia prossegue engodando suas vítimas com horóscopos cujas predições oscilam entre o óbvio e o ambíguo. As instituições, criadas para promover a justiça e o bem-estar social, acham-se carcomidas pela corrupção; estranhas e variadas propostas religiosas se alastram, conquistando adeptos em todas as camadas da sociedade com ensinos que reproduzem e adaptam diversas crendices milenares. Vivemos num mundo permeado pelas mais diversas formas de mentira – já mencionada por uma proeminente revista brasileira como “um indispensável apaziguador social”.

Alguns ramos da ciência também viram sua credibilidade arranhada pela mentira. Recentemente, a Coréia do Sul descobriu que um de seus mais cultuados cientistas manipulava e forjava os resultados de pesquisas genéticas, enquanto arqueólogos e paleontólogos anunciam descobertas controversas e postulam teorias inconsistentes. A despeito da histórica visibilidade e aceitação, a Evolução das Espécies, do naturalista Charles Darwin, jamais foi satisfatoriamente comprovada e, mesmo assim, é ensinada como se fosse uma incontestável verdade. O interesse pela psicoterapia é cada vez maior – assim como os exorbitantes honorários de seus profissionais – apesar de muitos de seus métodos carecerem de base ou credibilidade científicas que justifiquem sua aplicação. Ainda assim, lamentavelmente, milhões de cristãos continuam – e continuarão – frequentando o consultório dos terapeutas ao invés de buscarem o aconselhamento pastoral ou recorrerem à oração para superarem seus problemas espirituais.

Sigmund Freud e Karl Gustav Jung, principais mentores da psicoterapia, mantinham condutas, no mínimo, indignas. O aclamado “pai da psicanálise” foi um ateu e viciado em cocaína que desejava sexualmente sua própria mãe, enquanto Jung acreditava conversar com um demônio. Ainda assim, em lugar de conhecerem melhor a Deus através de seu sofrimento, alguns julgam consegui-lo através das teorias estabelecidas por estes estudiosos. Tais atitudes, entretanto, representam uma preocupante tendência do Cristianismo contemporâneo: o sincretismo – entendido como um sistema filosófico capaz de conciliar vários (e divergentes) princípios doutrinários.

Pregando o fim das animosidades e o reconhecimento dos chamados “pontos de vista comuns a todas as religiões”, os defensores do sincretismo não vêem qualquer problema na mistura entre concepções cristãs e pagãs, o que gerou o polêmico ecumenismo.

Foi assim que a – outrora condenada, e agora, tolerada – relação com a maçonaria se fortaleceu. Mas, será mesmo possível unir conceitos tão antagônicos? Será mesmo coerente um cristão professo admitir, durante a cerimônia de sua iniciação nesta influente sociedade secreta, que “está nas trevas?” A Bíblia, por outro lado, nos adverte sobre a nefasta atuação dos falsos mestres que, nos últimos tempos, enganariam as ovelhas de Deus (At. 20.29,30; I Tm 4:1), apresentando-se, cinicamente, como ministros da justiça, quando, na verdade não passam de mensageiros de Satanás (2 Co 11:15). E, embora nosso amado Jesus tivesse nos alertado sobre estes e outros impostores (MT 7:15; 2 Pe 2:1-3), é inevitável constatar que milhões de cristãos continuarão depositando sua vida eterna nas mãos de homens deste quilate. São homens que aprovam o aborto e se dizem conhecedores da Bíblia, ensinam o povo a quebrar maldições familiares, contrariando a Bíblia (Sl 91:10; 2 Cor. 5:17) e há aqueles que ensinam como você ficar revoltado para conseguir as bênçãos de Deus, mas tudo isto é outra coisa a não ser misticismo e  apostasia (Mt 24:11; 1 Tm. 4.1).

Reino de Deus ou de Mamom? O Evangelho da Prosperidade

Um dos maiores cavalos de Tróia para a Igreja é esta herética teologia egocêntrica, chamada teologia da prosperidade. Milhões de cristãos em todo o mundo estão aprendendo a “exigir seus direitos”, através destes ensinos e ainda reivindicam saúde, prosperidade e sucesso total. Acreditam-se praticamente invulneráveis a qualquer sofrimento e aprendem que não podem sequer admitir sua possibilidade. Palavras de ordem, supostamente dotadas de autoridade são utilizadas reiteradamente: “Está amarrado!” – e magicamente as artimanhas satânicas são prontamente bloqueadas e banidas. “Eu profetizo!” – e as bênçãos ou vitórias esperadas se concretizam. “Eu rejeito esta enfermidade!”. “Eu não estou doente. Satanás está tentando me enganar, pois Jesus já levou todas as minhas enfermidades na cruz do Calvário!” “Tenho direito bíblico à prosperidade!” “Eu determino!” “Sou um deus!” Frases como estas estão se tornando cada vez mais comuns. Serão mesmo verdadeiras? Por que os apóstolos de Cristo se omitiriam acerca de tais “direitos?” E quanto aos Pais da Igreja? Por que deixariam de nos transmitir tão relevante ensino a respeito da autoridade do crente?

Parte dos “portadores” deste “evangelho” são renomados e bem-sucedidos. Sua influência cresce a cada dia. Artigos, livros, jornais, programas de televisão, sites, campanhas concorridíssimas ao redor do mundo, seminários teológicos, simpósios, conferências, Bíblias de estudo dedicadas ao tema, e outros tantos recursos publicitários ou tecnológicos asseguram aos cristãos e seus líderes o “direito” de reivindicarem as bênçãos judaicas do Antigo Testamento para a Igreja Cristã. Através de manobras interpretativas, promessas concedidas exclusivamente a Israel passam a “pertencer” à Igreja, sem muito esforço. Embora reconheçamos que a história hebraica revele forte ligação entre a obediência e a promessa de que a terra produziria boas colheitas e riquezas, não devemos supor que tal ligação persista, pela simples razão de que Deus, nesta era, já não trabalha com um povo restrito a uma nação geográfica. Ao contrário: Ele preferiu escolher um povo para proclamar seu nome que fosse proveniente de todas as nações do mundo, formando um novo corpo, conhecido como Igreja.

No Novo testamento, as promessas de bênçãos espirituais são dadas aos que permanecem fiéis ao Senhor, mas inexistem promessas de riquezas ou saúde. A realidade cristã inclui perseguições e provações, tais como as que próprio Cristo experimentou (Fil.3:8-10; 4:11,12, Rm 12:12,14,Hb 11:35-37,I Pe2:19;3:14, II Tm. 3:12).

Lastimavelmente, muitos cristãos ainda não compreenderam que Deus pode usar os problemas da vida para moldá-los à imagem de Cristo.  Desconsiderando essas importantes distinções, os pregadores da Teologia da Prosperidade levam seus seguidores a “barganharem” – ou, ainda a “desafiarem” Deus a abençoá-los mediante uma grande oferta, quase sempre definida como “semente” ou “sinal de fé”. Aos contestadores desta “teologia” é dito: Quem é você para dizer o que Deus pode ou não fazer?” A questão, porém, não é o que Deus pode ou não fazer; e sim, se Ele prometeu algo, e se temos o direito de insistir para que se cumpra tal promessa.

Joyce Meyer, famosa conferencista internacional, afirma: “A Bíblia inteira realmente tem uma só mensagem: ‘obedeçam-me, fazendo o que eu ordenar, e então serão abençoados’”.  Será esta uma justa síntese da mensagem bíblica? E quanto às mensagens da cruz, do arrependimento e do amor ao próximo? Aos Gálatas, Paulo diz (5:14): “Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Meyer, assim como Kenneth Hagin, Hagin Jr., Benny Hinn, Oral Roberts, T.L. Osborn e outros ensinam que Jesus não efetuou na cruz a completa reparação dos nossos pecados, conforme a Bíblia o faz. Para eles, Jesus precisou ir ao inferno para ser atormentado durante três dias, a fim de completar a redenção da humanidade. (“The Most Important Decision You Will Ever Make: A Complete And Thorough Understanding of What It Means To Be Born Again”, 1991, páginas 35-36 do original de Joyce Meyer).  Em “que” ou “em quem” devemos crer? Tomando por base a atitude dos bereanos, que submeteram os ensinos de Paulo à autoridade das Escrituras (At.17:11), devemos analisar se estas e outras declarações merecem credibilidade. Consideremos as seguintes passagens: MT. 6:20,Mc 4:19, Jo 14:27, Ef 6:11,Hb 11:37, I Jo 2:16-17, 2 Tm 4:3, Lc 12.15, PV 30:8,9, I Tm 6:6-10, AP 3:17. Jesus reconheceu a existência permanente dos pobres, sem emitir qualquer juízo depreciativo a respeito deles(MT 26:11). Ao contrário do Mestre, porém, muitas denominações presumivelmente cristãs, insistem em desprezar a santificação e o ensino sistemático das Escrituras, em detrimento da prosperidade financeira. Reuniões destinadas exclusivamente a empresários não consistiriam num ato de discriminação contra os pobres? Não os estaríamos desonrando, como denunciara o apóstolo Tiago (2:1-9)?

Será que uma congregação genuinamente cristã não deveria considerar estes e outros ensinos bíblicos? A que tipo de comunidade você pertence? Você tem ouvido (e pregado) um evangelho autêntico? Ou se acomodou a uma espécie de evangelho pessoal, adaptado às próprias necessidades – financeiras ou profissionais? O nome de Jesus está além de nossas ambições. Não deve ser encarado – ou usado – como uma espécie de amuleto, pronto para “materializar nossos desejos”. Segundo a Palavra de Deus, o amor ao dinheiro está associado à idolatria e é a “raiz de todos os males” ( Col. 3.5 ; 1 Tm. 6.10). Ao lado da paz, as promessas de prosperidade farão parte do futuro programa de governo do déspota mundial conhecido biblicamente por “anticristo”.  (1Ts.5:3). Não que o êxito financeiro esteja necessariamente associado ao pecado – tampouco a santidade ou a aprovação divina o sejam.

Não obstante, a tentativa de associar o sucesso financeiro à aprovação do Todo-Poderoso fica bastante clara quando assistimos a “testemunhos” que, em lugar de mencionarem o milagre da salvação e a transformação do caráter, esmeram-se em descrever façanhas econômicas, tais como a aquisição de carros de luxo, imóveis suntuosos e etc.

Freqüentar qualquer igreja cristã com o objetivo de enriquecer, tratando o dízimo ou as ofertas como investimentos de curto prazo, é algo abominável – e de conseqüências eternas. A riqueza é um dom de Deus que nem todos poderão desfrutar (Ecl. 5:19).

Além de materialista, a teologia da prosperidade também é anti-devocional. A oração, um poderoso instrumento de intimidade com Deus foi reduzida a uma espécie de mecanismo de pressão. Outros “pastores” também ensinam os fieis a orar “determinando”, “exigindo”, “reivindicando” “profetizando” as bênçãos de Deus, e estas palavras nem aparecem no Novo testamento e se esquecem que o Deus da Bíblia não é Papai Noel pronto para presentear a todos e nem Office Boy para atender nossos pedidos. Petições egocêntricas tencionam confrontar e intimidar a Deus. O ensino chamado “Há poder em suas palavras” é evocado como substituto da prática da oração (1Ts. 5.17). Dessa forma, o misticismo – e até mesmo o ocultismo – vai assumindo o lugar da piedade cristã. E a fé, enaltecida pelas Escrituras, confunde-se com um positivismo idêntico ao promovido por movimentos como a Nova Era. Como resultado, milhares (talvez milhões) se afastam da Igreja, frustrados, por não terem obtido respostas positivas às suas orações. Julgam-se decepcionados com Deus, mas nem chegaram a conhece-lo; foram vítimas de uma teologia pervertida e irresponsável. Diante do avanço destas heresias é necessário que resgatemos a relevância e a finalidade da oração. Apesar de poderosa em seus efeitos (Tg. 5.17), é necessário que ela esteja acompanhada de uma vida espiritualmente produtiva (Jo. 15.7) e esteja alinhada com os propósitos divinos (1 Jo 5:14,15).

O capítulo 42 do livro de Jeremias nos mostra a preeminência da vontade de Deus. Um dos maiores profetas da história de Israel teve de esperar nada menos que dez dias pela resposta do Senhor. Se você não conseguiu aquela mansão através de sua oração, ou aquela Mercedes-Benz pela qual ora constantemente, não se decepcione, pois Jesus ensinou que a felicidade de um homem não consiste na abundância dos bens que possui(Lc 12:15).  A ausência de conhecimento bíblico pode nos levar à destruição (Os 4:6). Seja sensato, leia toda a Bíblia e procure uma livraria evangélica confiável. Compre bons livros evangélicos, tais como: Evangélicos em Crise ou Decepcionados com a Graça” – ambos publicados pela Ed. Mundo Cristão, e observe a clareza com que a Bíblia vaticina sobre os últimos dias, e o temível papel que a mentira assumiria. Já experimentou questionar qualquer dos líderes envolvidos com a teologia da prosperidade? Em alguns casos, a tarefa parecerá impossível, já que o esquema de segurança em torno deles só se compara àqueles criados para proteção de grandes autoridades de Estado. Cuidado! Não se deixe seduzir pelo materialismo! (MT 6:19-20). Busque incessantemente ao Deus Verdadeiro – não pelo que Ele pode te dar – mas pelo que Ele é. Ame a Cristo desinteressadamente, pois o Senhor conhece todas as nossas necessidades e tem cuidado de nós (1 Pe 5.7;Mt 6:33; Hb 13:5). A recomendação para todos os crentes, em todas as eras, é jamais compartilhar de ensinos que vão “além do ensino de Cristo”. Apesar da condenação reservada aos falsos mestres (2 Pe 2:1-3), devemos manter distância deles. Jesus te ama! Cuidado com tua salvação!  Leia: Mt 7:15; 2 João 1: 9-11, 1 João 4:1 Judas 1:3-5.

Fonte: www.napec.org

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