sábado, 10 de fevereiro de 2018

Pentecostais unicistas

No final do segundo século a heresia conhecida como Monarquianismo se opôs ferozmente contra a teologia trinitariana. Eles se dividiam em dois grupos: a) Monarquianismo Dinâmico: defendia que Cristo era apenas um homem, adotado por Deus por ocasião de seu batismo; b) Monarquianismo Modalista: sustentava que o Pai, o Filho e o Espírito Santo seriam três “modos” sucessivos segundo os quais Deus se “manifestava” e trazia salvação aos homens. Alguns dos mais proeminentes defensores do Modalismo nessa época foram Noetos, Praxeas, Calixto e Sabélio. Do outro lado, Tertuliano, Hipólito e Orígenes formaram uma frente única contra o unicismo.

Em virtude dos intensos debates travados no segundo século e durante os séculos seguintes, o unicismo desapareceu da História, vindo a se recuperar muito tempo depois. Hoje, mais de cem anos depois dos primeiros “avivamentos” que varreram os Estados Unidos, o unicismo encontra-se em todo o mundo, tendo diversas ramificações em nosso país.
                                                            
Origem e história

A origem do unicismo se prende aos primeiros séculos da Era Cristã. Os mais antigos relatos que se têm notícia são de Praxeas ensinando na Ásia Menor, enquanto Noetos aparece pregandoem Roma. Noetosfoi quem primeiro formulou uma teologia essencialmente unicista. Ele foi bispo de Esmirna, quando por volta de 180 d. C começou a ensinar o que mais tarde seria conhecido como Monarquianismo. Expulso da igreja de Esmirna por causa de sua insubmissão ao ministério, Noetos se refugiou em Roma, onde mais tarde conheceria Epigonus, primeiro discípulo e propagador de sua ideias.

Outro destacado líder do unicismo por essa época foi Praxeas. Oriundo da Ásia Menor, Praxeas era conhecido por seu gênero inquieto, arrogante e perspicaz. Ele chegou a Roma de maneira sutil, passando despercebido até mesmo pelo experiente Hipólito. Formado aos pés de Noetos, Praxeas desenvolveu boa parte de seu ministério em Cartago, onde encontrou forte oposição por parte de Tertuliano. Praxeas negava a preexistência do Filho, usando o termo Filho aplicado apenas à encarnação. Segundo este bispo, o Filho seria carne; o Pai Espírito (Deus). Era assim que Praxeas entendia as duas naturezas do Filho, sendo hoje um dos principais artifícios do unicismo. Essa doutrina foi combatida por Tertuliano em Contra Praxeas, quando pela primeira vez o apologista Tertuliano usa o termo trinitas (“trindade”) para a divindade. [1]

O unicismo, enquanto tentativa de explicar a natureza de Deus, ganhou corpo a partir do terceiro século. Movido pelo racha do Monarquianismo em Dinâmico e Modalista, ainda no fim do segundo século, Sabélio – um bispo de uma igreja cristã do norte da África -, saiu em defesa do Modalismo. Sabélio estabeleceu novas diretrizes ao unicismo, do que lhe valeu o título de “maior defensor do Modalismo (unicismo) da História”. Muitas das definições que conhecemos hoje, como “modos do Pai”, “modos do Filho” e “modos do Espírito Santo”, tiveram origemem Sabélio. Apesarda forte oposição imposta por parte de alguns lideres da igreja na época, entre eles Tertuliano e Orígenes, Sabélio “progrediu”, encontrando na massa dos fieis seus principais seguidores. Sabélio foi excomungado em 220 d.C. pelo Papa Calixto, que muitos em sua época diziam ter aderido ao unicismo. A doutrina unicista foi condenada de maneira definitiva pelo Papa Dionísio de Alexandria, quando em 263 d.C derrotou o sabelianismo.

O pentecostalismo unicista no vigésimo século

Embora não exista consenso quanto a data exata do reaparecimento do unicismo no vigésimo século, alguns autores têm proposto o ano de 1913 como o marco de sua restauração. Foi durante um acampamentoem Los Angeles, em 15 de abril, que um pregador canadense o Rev. R. E. Masclester passou a ensinar que o “verdadeiro” batismo é em nome de Jesus. Sua mensagem foi recebida por uns e rejeitada por outros. Entre eles estava John S. Sheppe, fundador de um movimento conhecido como “Só Jesus”, e o evangelista Frank Ewart, outro expoente do movimento. Homens como Glen A. Cook, G. T. Hoywood, E. N. Bell e H. A. Gss vieram e formaram a imensa galeria dos tais pregadores unicistas.

Em 1916, por ocasião da Convenção Geral das Assembleias de Deus, a doutrina bíblica da Trindade foi reafirmada, resultando na exclusão de 156 pastores e suas respectivas igrejas. Surgia a Assembleia Geral das Assembleias Apostólicas (AGAA), que se uniu, em1918, aum outro grupo conhecido como Assembleias Pentecostais do Mundo (APM). Dessa junção surgiriam duas outras organizações: as Assembleias Pentecostais de Jesus Cristo, liderada por W.T. Witherpson e a Igreja Incorporada, liderada por Hoywoord A. Gss. Essas se uniram para fundar, em1945, aIgreja Pentecostal Unida Internacional (IPUI). Eles adotaram a seguinte doutrina fundamental.

“A doutrina básica fundamental desta organização será o padrão bíblico de salvação completa, o que significa o arrependimento, o batismo por imersão em águas em nome do Senhor Jesus Cristo e o batismo com o Espírito Santo com o sinal inicial de falar em outras línguas de acordo com a direção do Espírito. Procuremos manter a unidade do Espírito até que cheguemos à unidade da fé, ao mesmo tempo advertindo a todos os irmãos que não provoquem polêmica pelos seus pontos de vista diferentes para a desunião do corpo”. [2]

Principais ramificações no Brasil

Hoje existem várias ramificações do unicismo no mundo. No Brasil, seis principais grupos se destacam, a saber a Igreja de Deus no Brasil, a Igreja Local de Witnees Lee, a Igreja Tabernáculo da Fé, a Igreja de Deus do Sétimo Dia, o Ministério A Voz da Verdade e os Adeptos do Nome Yehoshua e suas Variantes. Vejamos cada um desses grupos distintamente.

A Igreja de Deus no Brasil

A presença do unicismo em nosso país esta primeiramente ligada ao ministério do chileno Juan Bautista Álviar. Vamos conhecer um pouco de sua vida e o que levou ao unicismo. O testemunho a seguir foi publicado no jornal Voz Apostólica, Edição V – ano II – 2004, pág. 11.
“Era 11 de outubro de 1933. Em Santiago do Chile, entre às 19 e 20 horas, estava em andamento um culto ao ar livre, comum naqueles dias de “avivamento”. Naquele mesmo lugar, uma jovem senhorita, Maria Susana Álviar, entrava em trabalho de parto. Seu marido, Luiz Antonio Álviar, de igual modo se encontrava em um outro bairro num culto semelhante, alheio da chegada de seu primogênito. Ao regressar para casa encontrou um bilhete comunicando que sua esposa estava na maternidade; sabendo que não poderia vê-la de imediato, pois já era tarde da noite, orou ao Senhor e perguntou a Deus qual era o sexo da criança e qual nome deveria lhe dar. Ao abrir a Bíblia, seus olhos se detiveram na passagem de Lucas 1.63 “João – Juan em espanhol – será seu nome”. Na maternidade do Salvador, Susana, com seus olhos fitos em seu filho, orava a Deus e pedia um nome para o bebê, e, naquele mesmo instante, Deus lhe disse em alto e bom som: “seu nome será Juan Bautista”.

Por várias vezes em sua infância foi “visitado” por anjos de Deus em sua humilde casa. Na noite em que seus pais saiam para pregar, como filho mais velho, cuidava de seus irmãos. Seu “amor” pela obra de Cristo vinha do grande testemunho de seus pais, como também das experiências vividas por ele. Assim, ainda jovem, menino até, já anunciava Jesus. Em 15 de julho de 1954 casou-se com Doroty Jean, filha de missionários americanos e tiveram seis filhos.”

Juan e sua esposa são enviados ao Brasil

Em 17 de março de 1958, já missionário, Juan e sua esposa, após “ouvirem” a voz do Senhor por várias vezes os “enviando” ao Brasil, voavam de Deatle para Nova Yorque, de lá para Caracas, chegando ao Brasil em 19 de março. Sua vinda ao Brasil coincidiu com os primeiros anos da Igreja Brasil para Cristo. Inicialmente radicado a essa igreja, Álviar permaneceu por muitos anos alheio as suas crenças. Foi somente no começo da década de 60 que decidiu romper com seu silêncio, dando inicio a uma “revolução” que o levaria a fundar um movimento que ficou conhecido como “Marcha para Jesus”. Atualmente esse movimento é conhecido como “A Igreja de Deus no Brasil”, que é unicista e batiza apenas em nome de Jesus.

Em 1994 foi convidado para pastorear uma igreja nos Estados Unidos, a Apostolic Tabernacle Churche. Atendendo o “chamado” divino, Juan e sua família mudam-se para Berkerfild, Califórnia, onde passaria os últimos dias de sua vida. No começo de 2003, mesmo sob severas recomendações de seus médicos e amigos de ministério, Aliviar decide empreender sua última viagem ao Brasil, quando participaria da Convenção Geral da A Igreja de Deus no Brasil. Já de volta aos Estados Unidos, em 10 de dezembro de 2003, Juan Bautista Álviar vem a falecer. Com a presidência da igreja ficaria seu irmão, o Rev. Adan Álviar, que teria pela frente uma dura tarefa – decidir o que fazer com os que se opunham a “grande revelação da unicidade”. Como nada mais poderia ser feito, foi decidido, unâmimente, que os tais deveriam se afastar da igreja. Desorientados, fundaram um movimento conhecido como “Igreja de Deus no Brasil” (sem a vogal “A” antes de “Igreja de Deus no Brasil”), os quais passaram a fazer franca oposição ao unicismo.

A Igreja Local

Mantenedora do jornal Árvore da Vida, a Igreja Local não se explica por si mesma. Na verdade, não existe um termo próprio para essa organização. Eles são conhecidos como a “Igreja de São Paulo”, a “Igreja de Los Angeles”, a “Igreja de Taiwan” etc. Essa definição teve origem a partir dos ensinos de Watchman Nee.

“Este termo, a base da igreja, foi usado pela primeira vez pelo irmão Watchman Nee em 1937. Antes de 1937, jamais havíamos ouvido ou visto este termo, e a questão da base da igreja, tanto quanto fomos capazes de determinar, não era conhecida (…) A base é o terreno sobre o qual é colocado o fundamento. Há muitas assim chamadas igrejasem São Paulo. Uma, a Igreja Católica Romana, proclama estar edificada em Cristo como o seu fundamento. Outra, a Igreja Presbiteriana, também proclama que seu fundamento não é outro senão Cristo. Os batistas, os quakers, os metodistas, os episcopais, os luteranos, os nazarenos e muitos outros proclamam a mesma coisa. Na verdade, não há uma assim chamada igreja cristã que não faça isto. Todas proclamam que Cristo é o fundamento delas, mas têm negligenciado totalmente a questão da base (…)

As Escrituras mostram claramente que em cada localidade a expressão do corpo de Cristo, isto é, a Igreja Local, deve ser uma. Não há lugar nas Escrituras que se registre mais de uma Igreja Local numa determinada cidade. Se você esta vivendo em São Paulo, deve ser edificado juntamente com os irmãos de São Paulo, como a igreja naquela localidade. Se você esta em Tóquio, devera ser edificado com aqueles que são salvos em Tóquio, como a igreja naquela localidade. Como cristão vivendo numa localidade, você deve ser edificado com os outros cristãos naquela localidade, como a única igreja ali, a qual deveria ser chamada a Igreja Naquele Lugar”. [3]
 
O que cremos

O jornal Árvore da Vida, ano 13, número 128, página 6, traz assim o seu artigo de fé:

1. A Bíblia Sagrada é a revelação divina, verbalmente inspirada pelo Espírito Santo;
2. Deus é único e triúno – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – coexistindo em igualdade de eternidade a eternidade;
3. O Filho de Deus, sendo o próprio Deus, encarnou-se para ser um homem, de nome Jesus, nascido da virgem Maria, para ser nosso Redentor e Salvador;
4. Jesus, um homem genuíno, viveu trinta e três anos e meio para tornar Deus Pai conhecido dos homens;
5. Jesus, o Cristo ungido por Deus com seu Espírito Santo, morreu na cruz por nossos pecados e derramou seu sangue para o cumprimento de nossa redenção;
6. Jesus Cristo, depois de sepultado por três dias, ressuscitou dos mortos, e que, em ressurreição, tornou-se o Espírito que dá vida para transmitir a si mesmo para dentro de nós como nossa vida e tudo para nós;
7.  Após sua ressurreição, Cristo ascendeu aos céus e Deus o fez Senhor de todas as coisas;
8. Após sua ascensão, Cristo derramou o Espírito de Deus para batizar seus membros escolhidos para dentro do único corpo e que o Espírito de Cristo esta se movendo na terra para convencer os pecadores, regenerar o povo escolhido de Deus, habitar nos membros de Cristo para seu crescimento em vida e para edificar o corpo de Cristo com vistas a sua plena salvação;
9. No fim da presente era, Cristo voltará para arrebatar os cristãos vencedores, julgar o mundo, tomar a posse da terra e estabelecer seu reino eterno;
10. Os cristãos vencedores reinarão com Cristo no milênio e todos os cristãos participarão das bênçãos divinas na Nova Jerusalém, no novo céu e na nova terra, pela eternidade.
Para um espectador comum, essa parece ser uma “verdadeira” declaração de fé evangélica. Entretanto, quando examinamos suas crenças, descobrimos uma série de divergências com a fé cristã universal (1) Conhecida como “regeneração batismal”, a Igreja Local, juntamente com outros grupos unicistas, associa a salvação ao batismo nas águas; (2) São contra o estudo das Escrituras. Eles ensinam uma pratica que ficou conhecida como “orar-ler as Escrituras”; (3) “Satanás habita em nós”. Segundo Witnees Lee, o “próprio Satanás, como a natureza maligna e como a lei do pecado, habita em nós para corromper o nosso corpo”.

Unicismo

Herança dos ensinos de Emmanuel Swedemborg (1688-1772), famoso escritor e filósofo sueco, Witnees Lee desenvolveu uma espécie de “unicismo oculto”. Swedemborg costumava usar o termo Trindade, mas observando que significava apenas “três modos” e não uma Trindade de pessoas. Em um de seus livros, A Economia Divina, Lee deixa evidente essa influência.

“O nosso Deus não é apenas o Deus da criação, mas o próprio Deus que se tornou homem viveu nesta terra por trinta e três anos e meio, morreu na cruz e foi ressuscitado. Hoje, Ele é o próprio Deus Triúno – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – em ressurreição”. [4]

Contrariando o que diz o Credo Atanasiano, no seu quarto artigo de fé, Witnees Lee prossegue:

“Alguns teólogos tradicionais nos dizem que as três pessoas na trindade divina: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, não devem ser confundidos mas ser mantidos claramente separados o tempo todo. Mas a Bíblia ensina que Jesus, o Filho de Deus, tornou-se o Espírito. Quando Jesus nasceu, Ele se tornou carne. Quando ressuscitou, tornou-se o Espírito”. [5]

Tabernáculo da Fé

A Igreja Tabernáculo da Fé é uma das muitas ramificações do unicismo em nosso país. De origem norteamericana, o movimento teria sido fundado por um certo profeta por nome Willian Marion Branham. Ainda hoje existem muitos que pensam que ele era deus em forma humana.

Fundador

A história da vida de Branham foi um tema comum em seus sermões gravados. Branham nasceu em uma cabana, nas montanhas de Kentuck, sendo o primeiro dos nove filhos de Charles e Ella Branham. O pai de Branham era um lenhador, educando os seus filhos com dificuldades e em meio à pobreza. Branham descreve, desde a tenra infância, ter passado por experiências sobrenaturais, incluindo visões proféticas. Ele conta que em uma ocasião, durante sua adolescência, foi chamado por uma astróloga, que lhe contou que ele havia nascido sob um sinal especial, e lhe profetizou um importante ministério. A família de Branham não era religiosa; todavia ele conta ter tido um contato mínimo com a Cristandade durante sua infância. Branham narra sua experiência de conversão no final da década de 1920, quando posteriormente foi ordenado pastor batista em Jeffersonville.

Seu envolvimento com os unicistas

Apesar de sua sólida formação batista, Branham parecia insatisfeito com sua fé. Seu primeiro contato com os unicistas ocorreu em Mishawata, Indiana, EUA, em 1932. Em 1936, Branham foi convidado a pregar em uma convenção de igrejas da Unicidade Pentecostal, e recebeu convites para nelas integrar-se. Branham conta que, pressionado por sua sogra, inicialmente não aceitou esses convites, o que resultou em grandes tragédias, incluindo a morte de sua primeira esposa e filha.

O final da década de 1930 e o início da década de 1940 não se têm muitos detalhes nas descrições de Branham sobre a história de sua vida. As narrações basicamente se iniciam em um acontecimento ocorrido em maio de 1946 quando ele rompeu com sua vida ordinária para procurar a Deus e estabelecer um sentido para sua vida. A partir desde ponto, subsequentemente ele relata que teria recebido uma comissão de um anjo que o fez iniciar o seu ministério publico de evangelismo e cura pela fé. Com base em versões de seus familiares, é evidente que Branham conduziu campanhas de cura, pelo menos desde 1941, quando ele conduziu duas semanas de “reavivamento” em Milltown. (At Totten’s Ford, Believers News, April 1998), e em seu folheto de 1945, “Eu não fui desobediente à visão celestial”, mostra que o seu ministério público de cura divina estava bem estabelecido a esta data.

Por volta da metade da década de 1940, Branham estava conduzindo campanhas de cura quase que exclusivamente com as igrejas da Unicidade Pentecostal. A expansão do ministério de Branham com a comunidade pentecostal se deu com a introdução de Gordon Lindsay em 1947, que rapidamente se tornou seu administrador e promotor. Neste tempo, muitos outros preeminentes pentecostais ingressaram junto ao seu corpo de ministros, como Ern Baxter e FF. Bosworth. Gordon Lindsay provou ser um capaz marketeiro, fundando a revista A Voz da Cura em 1948, que se iniciou reportando as campanhas de cura de Branham.

A partir da metade da década de 1950, Branham sempre tratava abertamente da doutrina bíblica, indicando uma posição mais na linha da unicidade, posição referente à divindade, e pelo final dos anos 50 ele declarava expressamente que a Trindade como apresentada pela maioria das igrejas não tinha base escritural, e havia se iniciado no Concílio de Niceia com crenças pagãs de Roma. Ele não tomou posição nem pelos unicistas, nem pelos trinitarianos, seguindo sua própria concepção das Escrituras.

A Palavra Original

Instalada em Goiânia (GO), a Palavra Original é a editora responsável pela publicação dos ensinos e discursos de Willian Marion Branham. Entre algumas das obras publicadas, destacamos.
  • O Profeta do Século XX
  • Como o Anjo veio a mim e sua comissão
  • O Sinal
  • Um Homem enviado de Deus I e II
  • Um Resumo das Sete Eras
  • Quem é o Espírito Santo?
  • O Nome de Jesus
Principais desvios doutrinários

a) As sete igrejas da Ásia
Branham considerava a si mesmo como o mensageiro do Apocalipse. Segundo ele, as sete igrejas do Apocalipse seriam sete dispensações da Igreja. Começando com a suposta dispensação de Éfeso até a suposta dispensação de Laodicéia. Dizia que o apóstolo Paulo foi mensageiro dessa primeira dispensação. A de Laodicéia, que seria a última de 1909, ano de seu nascimento, até 1977, data que Branham marcou para a segunda vinda de Cristo, sendo o próprio Branham o mensageiro dessa dispensação.

b) Seu ensino sobre Jesus
A teologia unicista de Branham manifesta-se nas seguintes declarações contraditórias.
  • “Se Jesus é Senhor e Cristo, então Ele é e não pode ser outra coisa menos que Pai, Filho e Espírito Santo, em uma pessoa manifestaem carne. Enão três pessoas, mas um Deus manifesto em três títulos maiores”.
  • “Pai, Filho e Espírito Santo são simplesmente títulos e não nomes. É por isso que batizamos em nome do Senhor Jesus Cristo, porque é um nome, e não um título”. [6]  
c) Seu ensino sobre a Trindade
Branham dizia que a doutrina da Trindade, inteiramente escriturística, não é encontrada na era apostólica. A Bíblia não diz nada de uma primeira, segunda ou terceira pessoa. Mas sim que Deus foi manifesto em carne (I Tim 3.16).

A Igreja de Deus do Sétimo Dia

Uma das características da maioria dos grupos unicistas é a sua capacidade de se mesclar a outras religiões, absorvendo delas doutrinas e costumes diversos. A Igreja de Deus do Sétimo Dia (IDSD) é um exemplo de sincretismo religioso.

Fundação
Existem duas versões que procuram provar a origem da IDSD:
a) Embora fundada em 1979, em Campinas (SP), por representantes dos Estados Unidos e do México, sua verdadeira origem seria “neotestamentária”. Eles dizem possuir um documento no qual é revelada a ascendência histórica da igreja, começando pelo Novo Testamento e indo até o ano de 1644, anoem que Mill Yard fundou a Mil Yard Church of God (Igreja de Deus de Mill Yard), sendo levada para os Estados Unidos em 1671. Lá, entrou em contato com a Igreja Adventista do Sétimo Dia, e tornaram-se uma só organização. Finalmente, depois de discordar do “espírito de profecia” de Ellen Gould Withe, passou a ser a Igreja de Deus do Sétimo Dia.
b) Segundo outra fonte, a IDSD do Brasil seria uma extensão de sua sede em Miridian, Idaho, nos Estados Unidos. Havia uma comunidade conhecida como Organização Evangélica Universal dos Primogênitos, com sede em Guarulhos (SP). A partir de 1978, porém, sua liderança decidiu unir-se à Igreja de Deus do Sétimo Dia dos Estados Unidos. Após cinco anos de conversação, a Organização Evangélica Universal dos Primogênitos tornou-se a mais nova representante da IDSD no Brasil. Com a união, a mais nova IDSD deixou de ser quinze pequenos grupos espalhados por quatro estados para expandir-se para quase todos os estados da União. A sua atual sede encontra-se em Curitiba (PR).

Sincretismo
Como é típico das seitas unicistas, a IDSD absolveu doutrinas e costumes dos mais variados segmentos religiosos.

a) Das Testemunhas de Jeová
  • A doutrina da Trindade é antibiblica e pagã;
  • O Espírito Santo não é uma pessoa, mas uma energia usada por Deus;
  • A alma como fôlego;
  • Os ímpios serão aniquilados para nunca mais existir (aniquilacionismo);
  • Celebração da ceia do Senhor uma vez ao ano. 
b) Da Igreja Adventista do Sétimo Dia
  • Guarda do sábado como dia de culto;
  • Abstinência de carnes imundas e sufocadas.
c) Da Igreja Pentecostal Unida
  • Jesus é ao mesmo tempo Pai, Filho e Espírito Santo (Modalismo);
  • Batismo em nome de Jesus;
  • Pratica do Lava-pés;
  • Regeneração batismal 
d) Da Igreja Cristã Italiana dos Estados Unidos (similar à Congregação Cristã no Brasil)
  • Usos e costumes como regra de fé básica;
  • Ósculo santo;
  • Uso do véu nos cultos.

O movimento A Voz da Verdade

Mais conhecida por causa do conjunto do mesmo nome, a Igreja Evangélica A Voz da Verdade (IEVV) é um dos movimentos que mais cresce no Brasil; são exclusivistas e não medem palavras ao nos chamar de “desviados”. Embora não possa ser comparada a Igreja Tabernáculo da Fé – que também professa o unicismo – a IEVV é, sim, uma seita.

Fundação
A IEVV foi fundada por Feud Moisés, após uma revelação que o tornaria conhecido como o “homem que encontrou Jesus no cinema”. Filho de libaneses converteu-se em 1953. Teve um chamado “especial”, Jesus apareceu-lhe na tela de um cinema e disse que o faria pescador de almas. Transformado e arrependido começou a anunciar que existe somente um Deus e seu nome é Jesus.  Dezenove anos depois, em 1973, Freud Moisés daria inicio ao conjunto Voz da Verdade, na antiga Igreja Pentecostal Unida do Brasil, da vila Paraíso, Santo André (SP). Depois de alguns conflitos surgidos entre o conjunto e a igreja local, envolvendo questões de usos e costumes, se desligam, para fundar, na rua Casa Branca, 168, no bairro do mesmo nome, a Igreja Evangélica Voz da Verdade. Ali permaneceu, até se mudar para o seu atual endereço, no antigo cinema Tangara II, no Studio Center, no centro de Santo André. [7]

Como parte de seu programa anual, realizam periodicamente acampamentos em que são ministrados estudos e outras atividades da Igreja, sempre regadas ao som do conjunto A Voz da Verdade.

Declaração doutrinária
O Estatuto da Igreja Evangélica A Voz da Verdade (IEVV) assim declara:

1. Quando a Bíblia se refere a Deus, esta falando no Espírito Santo que é o Pai, criador e sustentador de tudo;
2.  Jesus tanto é o Pai, como é o Filho;
3. Antes da manifestação de Jesus como homem, não havia Filho de Deus (somente os anjos eram tidos como filhos de Deus);
4. Jesus pode ser Pai e também Filho? É muito lógico que sim, pois Ele é Deus. [8]

Literatura
A única “obra” impressa pela IEVV é o pequeno livrete “Revelação do Amor”, de Rita de Cássia Moisés. Com um total de 48 páginas, esboça de maneira superficial a doutrina unicista. É uma obra que, diferente do livro A Unicidade de Deus – de David K. Bernard -, não pode ser considerada uma “joia” da literatura unicista. Dentre os principais temas abordados, destacamos:
  • Conheça a Bíblia Sagrada;
  • Cristo, a Palavra Viva;
  • Quem afinal é o Senhor;
  • Quem é Deus senão o Senhor;
  • A natureza de Jesus: divina e humana;
  • O que Deus diz de si mesmo;
  • O batismo segundo a Bíblia;
  • O mistério de Deus: Cristo;
  • Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo;
  • Deus em Jesus.

Os Adeptos do Nome Yehoshua e suas Variantes

Um pouco mais ousados do que a maioria dos unicistas, os adeptos do Nome Yehoshua (também conhecidos como as “Testemunhas de Yehoshua”), são os mais exóticos dentro da unicidade. Fundado em 1987, em Curitiba, Paraná, por Ivo Santos de Camargo, possui cerca de 200 membros em todo país. É um movimento sincretista, que reúne em sua doutrina elementos do Judaísmo, Modalismo e da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

De origem religiosa desconhecida, Ivo Santos de Camargo arroga para si à façanha de ter “descoberto” a verdadeira pronúncia do nome sagrado YHVH.

“No velho concerto o nome de Deus foi representado pelo tetragrama IOD –HE – VAU – HE (YHVH), que no novo concerto foi vocacionado pelo anjo a Miriam. “E darás à luz um filho e chamarás o seu nome Yehoshua” (Mt. 1.21). Portanto, o nome original do salvador é o que foi dado pelo anjo a Miriam é um nome de origem hebraica, não o nome colocado pelos bispos romanos”. [9]

Eles rejeitam terminantemente o nome Jesus, alegando que ele teria sido introduzido nas Escrituras no III século, por Jerônimo.
“Nesta ocasião o nome original Yehoshua foi substituído pelo nome grego-romano Jesus (IESUS). Esse nome lembra a divindade grega Zeus”. [10]

Essa é uma declaração perigosa, pois além de descartar Jesus das páginas sagradas, vai mais além, ao associar seu nome com o sinal da besta.

“A santíssima Trindade, o dualismo e o ídolo romano Jesus é o sinal da besta (falsa religião). Liberte-se destes dogmas romanos e receba em sua testa o sinal eterno, YEHOSHUA”. [11]

Segundo eles, Jeová, Javé, Yehov ou Yaveh são todas pronúncias errôneas das letras hebraicas YHVH, cuja pronúncia correta seria Yehoshua. Como as Testemunhas de Jeová, eles criaram sua própria versão das Escrituras. Com efeito, dizem que a salvação esta condicionada ao conhecimento do nome Yehoshua. Afirmam que muitos perderão a salvação pelo simples fato de fazerem “vista grossa” para certas verdades recebidas, ou então por estarem presas a um sistema religioso apóstata.

“Precisamos nos convencer a nós mesmos que se não recebermos o nome Yehoshua não seremos salvos, porque assim dissera os santos profetas. Faça, pois, como os irmãos de Beréia, não tenha medo da verdade, e receba em sua vida o nome verdadeiro de nosso Senhor Yehoshua, que é o nome que veio do céu para nossa salvação”. [12]
Quanto a isso são irredutíveis, estando dispostos a dar tudo de si pela causa de Yehoshua. Dizem eles:

“Nós, as Testemunhas de Yehoshua, estaremos prontas e conscientes da responsabilidade que nos foi confiada. Assim sendo, defenderemos nem que seja com a nossa própria vida. Os santos na terra são a espada de Yehoshua contra o paganismo”.  [14]

NOTAS
Capítulo 1
1. EHRMAN, B.D. O que Jesus disse? O que Jesus não disse? Rio de Janeiro – RJ: Escala págs. 220,221.
2. Ibidem, pág. 207.
3. Id. Ibidem, págs. 58.
4. Ibidem, págs. 51,52
5. Ibidem, págs. 23,24.
6. BATISTA, P.S. Manual de Respostas Bíblicas, São Paulo – SP: Betesda, pág. 207.
7. EHRMAN, B.D. O que Jesus disse? O que Jesus não disse? Rio de Janeiro – RJ: Escala págs. Ibidem, págs. 145, 146.
8.   Ibidem, pág. 147.
9.   Id. Ibidem, pág. 71. 
10. Teologia Sistemática de Strong, Hagnos, págs. 246-247
11. Ibidem, pág. 242
12. Id. Ibidem, pág. 242
13. EHRMAN, B.D. O que Jesus disse? O que Jesus não disse? Rio de Janeiro – RJ: Escala págs. 210,211.
14. JOBSON, J.A. e PILETTI, N. Toda a História, Ática, pág. 50.


Este artigo corresponde ao capítulo 1 do livro COMPÊNDIO DE APOLOGÉTICA CRISTÃ, de autoria de Johnny T. Bernardo. Cortesia do autor para o NAPEC.
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