quarta-feira, 9 de agosto de 2017

10 VERSÍCULOS BÍBLICOS CONTRA A TRINDADE - SERÁ?

Por Bruno Queiroz

Muitas objeções têm sido levantadas contra o ensino bíblico da Santíssima Trindade, algumas delas apelam para textos da Bíblia que supostamente ensinariam que Deus não é trino, que Jesus é inferior ao Pai e que o Espírito Santo é o poder de Deus em ação. Tratemos dessas passagens:

 1: “Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. ” - Deuteronômio 6:4
       Segundo este versículo Deus é Um e não Três. De fato, o texto ensina que há um só Deus e que Deus é um só. Mas é exatamente nisso que creem os trinitários. Temos o cuidado de distinguir as “pessoalidades” da “natureza”. Deus é Três apenas em relação às pessoalidades, no entanto em relação a natureza Deus é absolutamente Um, uma unidade absoluta, não composta por partes, nem dividida entre três pessoas. É falsa a ideia que se propaga por aí de que os trinitários negam que há um só Deus e que Deus é um só. A doutrina da Trindade entende que só existe um único Ser que possui natureza divina e que essa natureza é uma unidade absolutamente simples.

 2: “O Senhor me criou, como primícia de suas obras, desde o princípio, antes do começo da terra. ” -Provérbios 8:22
       Alega-se que a Sabedoria Personificada neste texto seja Jesus, que apresenta-se como a primeira criatura de Jeová. No entanto lendo o contexto (Provérbios 8 – 9) fica claro que não se pode aplicar todas as propriedades da Sabedoria personificada a Jesus: “A personificação do divino atributo da sabedoria começa no capítulo 1: “Grita na rua a sabedoria, nas praças levanta a sua voz” (v. 20). No capítulo 3, é-nos dito que ela “mais preciosa é do que pérolas” e “os seus caminhos são... paz” (vs. 15 e 17). No capítulo 7 ela é chamada “irmã” (7:4); e no capítulo 8, a sabedoria mora junto com a prudência (8:12).”1 Provérbios 9 ainda diz que a Sabedoria construiu uma casa, ergueu sete colunas, matou animais e preparou uma refeição (vv.1-2). Com isso não se nega que o texto se aplique homileticamente a Jesus, o que se está em questão é que como o texto faz uso de uma figura de linguagem, alguns elementos são puramente metafóricos e aplicam-se apenas a uma personificação de uma manifestação específica de um atributo divino. Isso também fica claro pelo fato da Sabedoria de Deus não poder ter sido criada, pelo contrário a sabedoria é um atributo eterno de Deus (cf. Isaías 40.28). Desse modo, o texto pode estar apenas apresentando “uma manifestação específica da eterna sabedoria de Deus em Cristo na obra da criação” 2. O texto também não indica necessariamente que a Sabedoria foi criada, de acordo com o teólogo Wayne Grudem: “A palavra hebraica que geralmente significa "criar" (bãrã') não é usada no versículo 22; a palavra é qãnãh, que ocorre oitenta e quatro vezes no Antigo Testamento e quase sempre significa "obter, adquirir". A Almeida Revista e Atualizada é mais clara aqui: "O Senhor me possuía no início de sua obra" (Semelhante Á Versão King James; repare esse sentido da palavra em Gn 39.1; Ex 21.2; Pv 4.5, 7; 23.23; Ec 2.7; Is 1.3["possuidor"]. trata-se de um sentido legítimo e, se a sabedoria for compreendida como uma pessoa real, significaria apenas que Deus Pai começou a dirigir e a fazer uso da potente ação criadora de Deus Filho no momento do início da Criação: o Pai convocou o Filho a trabalhar com ele na obra da criação. A palavra "gerado" nos versículos 24 e 25 é um termo diferente, mas poderia carregar significado semelhante: o Pai começa a dirigir e a fazer uso da potente ação criadora do Filho na criação do universo.”3

 3: “Mas tu, Belém-Efrata, embora sejas pequena entre os clãs de Judá, de ti virá para mim aquele que será o governante sobre Israel. Suas origens estão no passado distante, em tempos antigos. ” - Miquéias 5:2
       Esse texto claramente mostra Jesus como tendo uma origem antiga, num passado distante – indica isso que ele foi criado a muito tempo? Algumas traduções sugerem que o texto esteja dizendo que o menino Jesus que nasceria em Belém teria uma origem genealógica que remontaria a tempos antigos. No Evangelho de Lucas a genealogia do menino Jesus vai até Adão e Deus (Lucas 3.23-38). Assim Miqueias 5.2 pode perfeitamente estar se referindo às origens humanas, isto é genealógicas de Jesus, já que o texto fala do nascimento dele em Belém.A Tradução Interconfessional mostra o sentido genealógico: "ele descende duma família, cuja origem vem dos tempos mais antigos." Esse sentido é fortalecido pelo contexto que fala de nascimento (v.3). Assim é provável que o texto fale da origem genealógica de Jesus, que é descendente de Davi. Essa interpretação é ainda mais reforçada pelo fato do texto apresentá-lo como aquele "que será governante em Israel" (v.2). Apesar disso, alguns têm entendido essa passagem como uma referência à geração eterna do Filho.

 4: “Por que me perguntas a respeito do que se deve fazer de bom? Só Deus é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos. ” - Mateus 19:17
       Está aqui Jesus negando ser o Bom Deus? De forma alguma! Ele apenas convida o jovem rico a pensar nas implicações de suas palavras. “Em resposta, temos de observar que aqui Jesus não negou que Ele fosse Deus, Ele lhe pediu que examinasse as implicações do que estava dizendo. Jesus estava lhe dizendo: ‘Percebes o que estás dizendo quando me chamas de bom? Percebes que isto é algo que tu deves atribuir somente a Deus? Tu estás dizendo que sou Deus? ’ O jovem não percebeu as implicações do que ele estava dizendo. Portanto, Jesus forçou-o a um dilema incômodo. Ou Jesus era bom e era Deus, ou então ele era ruim e era homem. Um Deus bom ou um homem ruim, mas não um homem bom”4

 5: “Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai. ” - Mateus 24:36
       De acordo com esse texto nem o Filho, nem o Espírito Santo sabem a data do fim deste sistema de coisas – como podem então os três serem o mesmo Deus Onisciente? Só precisamos entender essa passagem a luz do seu contexto histórico: “Na cultura Judaica antigas, o casamento era quase sempre arranjado. Depois do casamento ter sido arranjado, o noivo fazia os preparativos na casa de seu pai, onde ele e sua esposa iriam viver. O costume dizia que o pai do noivo iria decidir quando os preparativos estavam terminados e a casa pronta para o jovem casal se mudar para la. O que significa que apenas o pai sabia quando seria o tempo do noivo se juntar a sua noiva. Mas isso não significa que o noivo não sabia o tempo certo. O casamento era um grande evento na época, bem maior do que atualmente, era um grande evento em comunidade. Isso significa que as pessoas tinham que se preparar antecipadamente para o evento, e reservar um tempo de seu trabalho diário. O dia tem que ser conhecido semanas antes, para que as pessoas pudessem ajustar seus horários para o casamento. Preparativos, como reserva de comida, também tinha que ser preparado com antecedência, já que não havia refrigeração ou supermercado. Todos sabiam quando o casamento estava chegando, no entanto, era costume em respeito ao pai e ao noivo dizer que apenas o pai sabia quando o noivo ficaria com sua noiva. Com isso em mente, um novo entendimento de Marcos 13.32 e Mateus 24.36 aparece. Jesus não estava dizendo que ele e o Espírito Santo não sabiam quando os eventos de sua volta aconteceriam, estava explicando com o que a tribulação seria parecida. Onde todos sabiam o tempo do casamento, mas apenas o Pai diria quando aconteceria”Também é admissível a interpretação que vê neste texto um contraste entre a natureza humana limitada de Jesus (“o Filho do Homem”v.37) e a natureza divina ilimitada do Onisciente (“o Pai”v.36).

 6: “Vocês me ouviram dizer: Vou, mas volto para vocês. Se vocês me amassem, ficariam contentes porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. ” - João 14:28
      Como o Filho e o Pai podem ser iguais em essência, se Jesus disse que o Pai é maior que Ele?  É importante distinguir ontologia de economia quando se lê esse e outros textos similares. Jesus é igual ao Pai em natureza, mas menor que Ele em função. O apóstolo Paulo esclarece isso melhor: “... [Jesus] sendo Deus, não considerou usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo e tornando-se semelhante aos homens. ” (Fp2.6-7). Mesmo tendo o direito de ser igual a Deus, tanto essencialmente quanto funcionalmente, o Filho decidiu cumprir a humilde função de Servo (Isaías 42.1), se tornando, até mesmo, menor do que os discípulos (Lucas 22.26-27). O Servo de Jeová exerceu o papel de Filho obediente (Hebreus 5.8; Filipenses 2.8) enviado pelo Pai (João 8.42; 12.49; 17.3).  Como Homem limitado se fez instrumento nas mãos de Deus, o Pai (Jo5.19). E nessa posição pode chamar o Pai de seu Deus (Jo20.17). Tal submissão não se restringiu ao ministério terreno de Cristo: “Mas quando tudo for dominado por Cristo, então o próprio Cristo que é o Filho, se colocará debaixo do domínio de Deus, que pôs todas as coisas debaixo do domínio dele. Então Deus reinará completamente sobre tudo.” (1Coríntios 15.28). “Jesus lhes disse: ‘Certamente vocês beberão do meu cálice; mas o assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não cabe a mim conceder. Esses lugares pertencem àqueles para quem foram preparados por meu Pai. ’” (Mateus 20:23).

 7: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. ” - João 17:3
       Ensina esse texto que só o Pai é Deus, e portanto o Filho e o Espírito Santo não são Deus? Não, a Bíblia também diz que só Jesus é Mestre, Senhor e Soberano (Mateus 23.8, 10; 1 Coríntios 8.6; Judas 1.4), significa isso que o Pai não é Mestre, Senhor nem Soberano? Não, antes que tanto o Pai, como o Filho como o Espírito Santo são um Deus Único.

 8: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava. ” - Atos 2:4
       A Bíblia fala do Espírito Santo como sendo “derramado” e como algo que “enche” as pessoas – como ele pode então possuir pessoalidade? O livro de Atos claramente apresenta o Espírito Santo como uma Pessoa divina (Atos 1.16; 13.2; 15.28; 20.28; 21.11; 28.25). Uma leitura desses textos deixa evidente que eles tratam de relações interpessoais reais, e não de meras personificações. Pode-se facilmente perceber que expressões “derramar”, “encher” e “ungir” são necessariamente figuradas quando aplicadas ao Espírito Santo. Ora, nem se crêssemos em sua impessoalidade poderíamos literalizar essas expressões, e assim são injustos aqueles que recorrem a essas expressões para despersonalizar o Santo Espírito. Por outro lado insistir que em Atos, numa narrativa histórica de inter-relação pessoal clara, devemos tomar o Espírito como personificado, é no mínimo absurdo.

 9: “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” - Colossenses 1:15
       “O termo ‘Primogênito’ é um título, e não se refere a origem, mas sim a posição de Jesus, como Rei Soberano da Criação. Primogênito em Jesus significa ‘Soberano’, como mostra Salmos 89.27, em que Davi tipifica a Jesus como o Rei dos reis: ‘E eu farei dele o primogênito, O maior dos reis da terra. ’”Note que Davi não 'nasceu' primogenito, mas sim que ele se 'tornaria' por ocupar uma posição de rei supremo. O próprio contexto favorece o sentido posicional para Cristo (v.18). A Bíblia claramente mostra Jesus como Eterno: Aquele que é antes de toda a Criação, inclusive do tempo, sendo portanto Atemporal (Eterno) (João1.3; Colossenses 1.16-17). Ele é chamado de "o Primeiro e o Último" (Apocalipse 1.17), expressão baseada em Isaías 44.6 que usa o termo para significar que só Jeová é o Deus Eterno.

 10: “E ao anjo da igreja de Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus”- Apocalipse 3:14
       Jesus é chamado de o Princípio da Criação de Deus, significa isso que Ele é a primeira criatura? Não, isso simplesmente significa que é em Jesus que todas as coisas criadas encontram seu Princípio. Mesmo o Pai é chamado de “o Princípio” em sentido semelhante (Apocalipse 21.6).

FONTE: http://brunosunkey.blogspot.com.br/2016/01/10-versiculos-biblicos-contra-trindade.html

4Geisler, N. (2015). Teologia Sistemática 1. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus

Imagem: Google


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