quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Cuidado com os cães!

 
Cuidado com os cães, cuidado com esses que praticam o mal, cuidado com a falsa circuncisão!” - Filipenses 3:2 (NVI)

A tríplice advertência de Paulo (cuidado, cuidado, cuidado) é um alerta que nos serve até nesta era presente. A palavra no original grego é βλέπετε (blepete) e ocorre 33 em todo o Novo Testamento. Ela dá a ideia de que é preciso estar atento, de olhos bem abertos, vigiar e cuidar-se para não correr riscos. Daí você pergunta: Quais riscos? O que estaria ameaçando os irmãos em Filipos? A mesma coisa que tem ameaçado as igrejas brasileiras: um ensino falso que despreza a Graça e a suficiência de Cristo.

Os cães, os que praticam o mal (ou maus obreiros) e os da falsa circuncisão são referências ao mesmo tipo de pessoas e não a três tipos distintos. O Apóstolo fala aqui de um grupo que lhe deu muito trabalho: os seus próprios patrícios, os judeus. No encalce do ministério paulino estavam judeus e prosélitos, que com suas ações e ensino (as más obras) prejudicavam o crescimento espiritual das congregações, fazendo com que muitos se submetessem aos ritos da antiga aliança, na qual Jesus Cristo, já havia cumprido.

A Carta aos Gálatas é o grande tratado teológico e apologético contra os “judaizantes”, todavia, eles não estavam apenas na região da Galácia. Onde quer que Paulo fosse, encontrava um grupo que coagia os crentes para que estes aderissem a circuncisão. De uma maneira severa, Paulo os chama de cães. A figura canina para um oriental do primeiro século, estava bem longe da que temos hoje. O cão, naquele contexto, não era domesticado e nem era o amigo do homem. Tal animal era selvagem e andava em matilha em busca de alimentos. A ideia é a de que os judaizantes eram semelhantes, com seus “latidos moralistas” vagueando as cidades. Mas, a expressão também era usada pelos judeus de modo pejorativo para se referir aos gentios. E aqui a palavra cão ganha a conotação de “imundo”. Só que agora, o Apóstolo inverte o termo e afirma que os cães não são os gentios, mas sim os tais judeus.

A Graça é um conceito difícil de compreendermos, pois, temos uma cosmovisão meritocrática do mundo. Tudo ou quase tudo é recebido por algo que você se esforçou para realizar. O homem, a cada conquista, quer olhar para seu reflexo no espelho e dizer para si mesmo: “Eu consegui. Eu sou o cara”. É por isso que muitos questionam a eleição incondicional e desprezam a ideia de que não fizemos absolutamente nada para sermos salvos. Assim eram esses judeus. Eles queriam fazer por merecer a salvação. Precisavam demonstrar isso através da observância da lei. Queriam externalizar sua moralidade e por isso levantavam a bandeira da circuncisão. Cristo morreu na cruz para nos remir – pensavam - mas precisamos completar a sua obra nos circuncidando e guardando diversos rituais e regras.

Paulo em sua carta aos Gálatas (Gl 5.2) afirmou que caso os cristãos cedessem a pressão dos judaizantes e fossem circuncidados, eles estariam tornando inútil o sacrifício de Cristo Jesus. Precisamos entender de uma vez por todas que não fizemos e nunca iríamos fazer algo capaz de nos tirar da cegueira espiritual e nos dar uma visão perfeita do que é divino. Nunca teríamos saído da morte para a vida se Deus não nos vivificasse por meio do Seu Filho. Tomar alguma atitude na intenção de se tornar justo aos olhos do SENHOR é reduzir o evento da cruz a algo incompleto, quando na verdade ele é suficiente para nos purificar de toda e qualquer iniquidade.

Vemos hoje práticas judaizantes em toda a parte. O evangelicalismo brasileiro vive afogado nessas práticas. Quem aqui nunca viu uma réplica da bandeira do Estado israelense em algum gabinete pastoral? Pois é, e isso é o de menos. A coisa fica muito mais séria. Tem até um ramo da teologia que coloca Israel numa posição privilegiada em relação as outras nacionalidades. Só que Paulo deixa claro que o povo de Deus não são os judeus, simplesmente por serem judeus. Obviamente que alguns deles eram salvos, o próprio apóstolo vai citar a si próprio como exemplo. Todavia, a maioria, por ser hostil ao evangelho, foi chamada de falsa circuncisão. E se é falsa, isto quer dizer que existe uma verdadeira. E quem é? Eis a resposta:
Pois nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos pelo Espírito de Deus, que nos gloriamos em Cristo Jesus e não temos confiança alguma na carne” - Filipenses 3:3 (NVI).

O “judeu legítimo” é todo aquele que deposita a sua fé exclusivamente em Cristo e em mais nada. Há muitos cães que se consideram limpos. Eles negam a graça e se acham merecedores do Reino dos Céus. Não reconhecem a sua imundície. Tais homens querem ousadamente completar o que já está completo. Por isso ao invés da cruz, a rosa ungida e tantos outros amuletos. Não pense você que este negócio na rosa está fora de moda. Existe uma igreja em uma das mais movimentadas avenidas da cidade do Recife convidando as pessoas a irem para um culto de libertação pegar a sua rosinha. O alerta continua sendo o mesmo. Por isso fique bastante esperto para não ser abocanhado por um canino engravatado que presta um enorme desserviço à Igreja através de suas heresias.

Cuidado! Cuidado! Cuidado
!


Fonte: Bereianos

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