terça-feira, 2 de setembro de 2014

Mateus 28:19 e a Trindade

Desde a época da igreja primitiva até nossos dias, a divindade do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo tem sido questionada pelos adeptos da doutrina unitarista ou ariana, doutrina essa que nega que Jesus seja o Deus Filho, e que ensina que Ele, Jesus, foi criado para fazer a vontade do pai uma vez que na Bíblia é notório o número de vezes em que Cristo chama Deus de Pai.

Nesse artigo o intuito não é explicar porque o Jesus chamava Deus de Pai, isso ficará para outra oportunidade. Todavia podemos adiantar que Ele era 100% divino e 100% humano, e isso pode ser visto em algumas passagens bíblicas como por exemplo, em Jo 14:6 onde Jesus diz que ninguém “vem” ao Pai senão por Ele; observem que Ele não disse: Ninguém “vai” ao Pai senão por Ele, mas disse “vem”.

Em Jo 3:13 podemos ver Sua Onipresença ao lermos Ele dizer que estava na terra e ao mesmo tempo no céu. Às vezes Jesus falava como humano como em Mt 24:36 onde Ele diz que não sabia o dia de sua volta, pois Ele sendo o Deus Filho logicamente sabia.

No Novo Testamento, há um versículo que mostra de forma mais clara a divindade e a distinção de Cristo com Deus. Esse verso tem sido bombardeado pelos mísseis da heresia, que tem tentado de todas as formas tirar profanar a verdade que já existia desde antes a fundação do mundo. Refiro-me ao texto de Mt 28:19, a forma oficial do batismo cristão que é acusada de ser um acréscimo da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR).  Porém, através de uma rápida explicação gramatical, cientifica e histórica, veremos mais uma vez a inerrância da palavra de Deus.

Explicação gramatical:

Observem o texto de Mt. 28:19 em português e em seguida forma que chamamos de original:

Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; (Mat 28:19 ACF).
πορευθντες ον μαθητεσατε πντα τ θνη, βαπτζοντες ατος ες τ νομα το πατρς κα το υο κα το γου πνεματος,  (Mt 28:19).

Tradução literal:

Indo pois discipulai todas as nações batizando a eles em o nome do Pai e do Filho e do Santo Espírito. (Interlinear Grego-Português, p. 127 SBB).

Acima destaquei o substantivo neutro na forma singular (νομα) o artigo singular (το) e por duas vezes a conjunção (κα).

Observem que o texto diz que o batismo é em o nome (
νομα-singular) do (το, artigo usado com nomes indeclináveis) e o e (κα). νομα e το estão no singular mostrando que o batismo é em o nome do Pai, e não NOS NOMES do Pai, pois isso seria um erro grave de concordância nominal, ou seja, Mateus se referiu primeiramente ao Pai (Deus). Depois aparecem duas conjunções (κα) para fazer a distinção das três pessoas da Trindade.

Ex:
e do filho e do Santo Espírito. Se não houvesse distinção entre as três pessoas, logo não deveria haver as conjunções no texto, bastava apenas ter colocado assim:
Batizando-os em o nome do Pai Filho Espirito Santo, porém não está.

É interessante entendermos o estilo de escrita da época, estilo esse usado por Lucas quando ele cita o nome de duas pessoas distintas, e que diferentemente de Mateus ele usa o substantivo (νομα) duas vezes para fazer distinção de ambas:

A uma virgem desposada com um homem, cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. (Lc 1:27)

πρς παρθνον μνηστευμνην νδρ νομα ωσφ ξ οκου Δαυδ κα τ νομα τς παρθνου Μαριμ. (Luk 1:27 BNT).

Perceberam que agora foi mencionado (νομα) por duas vezes por está tratando de duas pessoas distintas?
A diferença que há entre Mt 28:19 e Lc 1:27 é justamente por Mateus ter usado o substantivo (νομα) somente uma vez para se referir a três pessoas distintas e ao mesmo tempo sendo Uma.

Explicação cientifica: Agora vejamos como os códices mais antigos concordam quanto as suas construções gramaticais a cerca de Mateus 28:19.

Códice Sinaítico.
 

Códice Vaticano.
 

Códice Alexandrino.
 

Códice Bezae.
 


Códice Washingtoniano.            
 

Críticos Textuais como Bruce Metzger e Roger L. Omanson em sua obra (Variantes Textuais Do Novo Testamento, p. 54-55 SBB) nada fala acerca dessas insignificantes variantes como a falta de um alfa, iota, tal ou rô que em nada modifica a veracidade do texto, pois a Trindade é anterior a variante.

Cremos que é importante expor o comentário do também crítico textual que embora seja cético, concorda com essa verdade irrefragável.

“Não é incomum escutar a noção que a frase tripartite em Mateus 28:19 é suspeita com base na crítica textual, mas quando alguém consulta os próprios dados, tais clamores são totalmente infundados. Todo manuscrito bíblico Grego existente que contém este verso de Mateus possui a frase tripartite”.
  (Bart D.Ehrman- The Orthodox Corruption of Scripture, Oxford,1993-).

Explicação Histórica- Testemunho dos pais da igreja.

Vejamos o que declararam os que viveram na época pós-ressurreição de Jesus:

A Didaquê que foi escrito aproximadamente no ano de (70-150 d.C.) capítulo 7 diz

“Quanto ao batismo, batizareis na forma seguinte: tendo antecipadamente disposto todas as coisas, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, em água viva, se não houver água viva batizai em outra água; se não puderdes em água fria, batizai em água quente. Se não tiverdes nem uma nem outra, derramai água na cabeça três vezes em o nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.” (70-150 d.C.)

Clemente de Alexandria (Egito, 150-215 d.C.)

A Didaquê desfrutava de tal prestígio na igreja cristã primitiva que Clemente a considerava uma autoridade apostólica e a citava como “Escritura”.

Justino, o mártir (100-162 d.C.)

"um só Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo" em oposição ao politeísmo pagão, e por isso foi martirizado exatamente em Roma que ainda era pagã. Justino foi contemporâneo de Policarpo, discípulo do apóstolo João. Ele disse:

“Então eles são trazidos por nós onde há água, e são regenerados da mesma maneira na qual nós fomos regenerados. No nome de Deus, o Pai e Senhor do universo, e de nosso Senhor Jesus Cristo, e do Espírito Santo, eles o recebem lavando com água então.”

No capítulo LXV da mesma obra, é dito:

Depois de termos lavado desta maneira (batizado) aquele que se converteu e deu o consentimento seu, o conduzimos aos irmãos reunidos para em comum oferecer orações por nós mesmos. Ao terminar as orações, mutuamente nos saudamos com o ósculo de paz e, logo, traz-se ao presidente o pão e um cálice de vinho com água. Ele os recebe, oferecendo ao Pai de todas as coisas num tributo de louvores e glorificações, em nome do Filho e do Espírito Santo, dando graças por sermos considerados dignos de tamanhos favores de sua clemência”
          
Irineu, (125-202 d.C.), foi instruído em sua juventude por Policarpo de Esmirna, discípulo do apóstolo João. Escreveu um pequeno manual de doutrinas cristãs denominado Demonstração da Pregação Apostólica. Em seu pequeno manual, no artigo terceiro, ele escreveu:

“Agora a fé ocasiona isto para nós; como os Anciãos, os discípulos dos Apóstolos, nos passaram. Em primeiro lugar é licito ter em mente que nós recebemos o batismo para a remissão de pecados, no nome de Deus o Pai, e no nome de Jesus Cristo, o Filho de Deus que foi encarnado e morreu e subiu novamente, e no Espírito Santo de Deus.”

Tertuliano (150-212 d.C.) também indica a tríplice fórmula batismal como utilizada para o exame dos candidatos ao batismo em seus dias.


Assim, o cristão não deve achar que os argumentos levantados pelos hereges haja qualquer resquício de verdade, pois tudo o que eles fazem são na verdade malabarismos sectários com as Escrituras. Ora, como a ICAR iria se preocupar em fazer um acréscimo textual uma vez que há centenas de outros textos que provam a divindade de Jesus e porque não mexeria nos textos que condenam a idolatria que é o pilar da sua denominação como por exemplo os textos de Ex 20: 4-5 ? Perceberam a falta de lógica nesse raciocínio sectário? Amém!"

Autor: Itard Vitor C. de Lima enviado ao Blog MCA.

1 comentários:

Bryan Linconl disse...

Nossa! Muito bom esse artigo. Parabéns!
Só tenho uma crítica pra fazer: Ficaria rico o texto se na seção da análise histórica tivesse as referências bibliográficas. No restante, tá ótimo!