quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Cristãos e muçulmanos podem adorar a Deus juntos?

Existe no mundo uma grande tentativa de unir as religiões através de cultos e eventos ecumênicos. No Brasil, por exemplo, a Igreja Católica Romana procura, através do movimento ecumênico — encabeçado pela CNBB —, fazer com que católicos, evangélicos e espíritas sejam um povo só. A grande novidade ecumênica, pasmem, é o “crislamismo”, uma tentativa de combinar o cristianismo com o islamismo em um culto comum.

Quem propõe o “crislamismo” acredita na pacificação de algumas regiões, onde os cristãos têm sido massacrados por cristofóbicos fanáticos. O “crislamismo” impediria o genocídio, ataques terroristas de extremistas islâmicos a igrejas — como o atentado suicida de setembro deste ano a uma histórica igreja cristã em Peshawar, no Paquistão, que deixou pelo menos 75 mortos e 120 feridos. Acredita-se que o “crislamismo” traria a paz entre muçulmanos e cristãos na África.

À primeira vista, cristãos e muçulmanos poderiam se entender facilmente. Afinal, eles apresentam semelhanças, haja vista terem, por assim dizer, uma origem comum em Abraão. De seu filho Isaque vieram os israelitas; e de seu filho Ismael, os árabes. Jesus veio para o povo israelita e fundou a sua Igreja (Jo 1.11,12; Mt 16.18), que tem um livro, a Bíblia. Mohamad (Maomé) veio para os árabes e fundou o islamismo, que também tem um livro, o Alcorão.

O primeiro grande ponto de discórdia entre cristãos e muçulmanos é o povo de Israel. O islamismo é — declaradamente — antissemita, e o cristianismo, defensor dos judeus. No Hadith (palavras que Mohamad teria recebido de Allah) está escrito que o Dia do Julgamento de Allah deve ser precedido de uma grande matança de judeus perpetrada por muçulmanos (Livro Muçulmano do Sahih 41, Número 6981-4). Allah verbera contra os israelitas em Surah 5.59-60, enquanto o Deus da Bíblia se refere a Israel, no Antigo Testamento, como o seu povo peculiar (Dt 32.9-10).

Para os cristãos, Deus é triúno; ou seja, formado por três Pessoas — não se trata, pois, de triteísmo, e sim de uma tripessoalidade. Allah, o deus dos muçulmanos, não é triúno (Surah 4.171). Segundo a Bíblia, Deus enviou seu Filho Unigênito “para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Mas Allah não tem filho (Surah 18.4-6; 23.91). O Jesus do Alcorão não é Deus, e sim um mero profeta de Allah (Surah 4.171). O Jesus da Bíblia é Deus-Homem (Jo 1.14; 10.33).

Seria, pois, possível que muçulmanos fiéis ao Alcorão aceitassem comungar com cristãos, que têm a Bíblia como a sua fonte primária de autoridade? Penso que cristianismo e islamismo são como água e óleo; não combinam de forma alguma. As diferenças entre essas duas religiões, conquanto sejam monoteístas, são abissais, e a perseguição cristofóbica — quase sempre ignorada pela grande mídia —, infelizmente, continuará, especialmente nessa época de Natal.

Ciro Sanches Zibordi

Extraído do blog http://cirozibordi.blogspot.com.br/ em 29/12/2013

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