quarta-feira, 1 de setembro de 2010

As novas doutrinas do mormonismo

OS MEMBROS da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mais comumente conhecida como os mórmons, aceitam sua religião com sinceridade, crêem que foi divinamente inspirada, e têm um fundo de perseguição sofrida que provoca um sentimento natural adicional para com qualquer crítica. Não é nosso propósito zombar, questionar a inteligência, laboriosidade, sinceridade, nem as obras de caridade, tudo o que possuem em boa medida, mas, antes, incentivar uma investigação doutrinária; não apenas uma pesquisa em busca de argumentos de apoio, mas um exame real da evidência, para descobrir o que realmente é verdadeiro.
Um opúsculo mórmon, Temple Square, diz, na página 24, que a finalidade de Joseph Smith e dos Santos dos Últimos Dias “é conduzir os homens e mulheres ao conhecimento da verdade eterna que Jesus é o Cristo, o Redentor e Salvador do mundo”. Obviamente, para ser corretamente desincumbido, este nobre objetivo deve harmonizar-se com o aviso de Paulo: “No entanto, mesmo que nós ou um anjo do céu vos declarássemos como boas novas algo além daquilo que vos declaramos como boas novas, seja amaldiçoado.” (Gál. 1:8) Os mórmons crêem que sua doutrina se harmoniza com tal aviso, que não têm nenhuma doutrina nova, apenas uma restauração do que foi perdido desde que os apóstolos declararam esta boa-nova.
Mas, realmente têm outras doutrinas. Ensinam, por exemplo, que Adão existia no céu antes de vir à terra, e que Eva era uma de suas esposas celestes. Brigham Young disse, em Journal of Discourses (Vol. 1, página 50): “Quando nosso pai Adão chegou ao Jardim do Éden, chegou a ele com um corpo celeste e trouxe Eva, uma de suas esposas, junto com ele.” Todavia, a Bíblia não diz que o homem vivia em forma espiritual antes de pecar e que se tornou físico apenas como resultado de tal pecado, como o diz o mormonismo. Gênesis 1 e 2 não falam de duas criações separadas, a primeira em espírito e a segunda na carne, como pretende o mormonismo, mas trata-se de dois relatos da mesma criação. O primeiro relato trata da criação em geral; o segundo trata dela mais especificamente no que tange ao homem, que foi criado do pó da terra, mas à imagem de Deus, visto que era superior às demais formas de vida terrestre, e possuía certa medida de sabedoria, justiça, amor e poder, como o seu Criador celeste. — Gên. 2:7; 1:27.
Para apoiar sua doutrina de que os homens, todos os homens, existiam no céu antes de virem à terra, referem-se a ser Jeremias conhecido por Deus e ordenado (ou, em linguagem moderna, designado) antes de nascer. No entanto, isto não é prova de preexistência. Antes, é referência óbvia a um caso especial da presciência e da habilidade de Deus de prever o futuro e de especificar que certa pessoa faria certo trabalho, e poderia ser colocado à parte, ordenado ou designado ao mesmo. Referem-se a perguntarem os discípulos a Jesus se certo homem que nascera cego pecara antes de nascer, e dizem que isto mostra uma vida diferente antes de se nascer na terra. Jesus negou isto; também o faz Romanos 9:11. Sem dúvida, estes discípulos se achavam contaminados pelos ensinos farisaicos e pagãos sobre a transmigração de almas. Também se referem a perguntar Deus a Jó onde estava este quando foi lançado o alicerce de terra, e dão a entender que Jó devia, portanto, estar em algum lugar naquele tempo. Na realidade, Deus mostrava que Jó não estava lá, que não existia nesse tempo, de modo que não dispunha de nenhum conhecimento de que Jeová dispunha. (Jer. 1:5; João 9:1-3; Jó 38) Não há declaração alguma na Bíblia que afirme que qualquer outro homem além de Cristo Jesus estivesse vivo em parte alguma antes de vir à terra. Esta é uma doutrina importante do mormonismo, mas os apóstolos nem sequer a mencionaram em seus escritos. É algo além do que pregaram, e deve, portanto, ser amaldiçoado. — Gál. 1:8.

Adão, Espíritos, Casamento Celeste

Doctrine and Covenants (Doutrina e Pactos), oficialmente aceito pelos mórmons, reconhece como superior um humano desobediente, aquele que a Bíblia, em 1 Timóteo 2:14, mostra ser um pecador voluntário, um rebelde que “não foi enganado”. Doctrine and Covenants (Sec. 29, v. 40) admite que Adão “tomou do fruto proibido e transgrediu o mandamento, no que se tornou sujeito à vontade do Diabo, porque cedeu à tentação”. Todavia, esse mesmo livro afirma que Adão é Miguel, e que Deus “designara Miguel, seu príncipe, e firmara seus pés, e o colocara bem alto, e lhe dera as chaves da salvação sob o conselho e a direção do Santo”. — 27:11; 78:16.
Isso é crassa blasfêmia! Romanos 6:16 diz que é servo daquele a quem obedece. Adão obedeceu a Satanás e, pela primeira vez, participou na iniquidade. É outra blasfêmia dizer que isto era necessário para realizar os propósitos de Deus; que Deus é tão contraditório que o homem tinha de pecar a fim de endireitar as coisas; que, depois da desobediência da mulher, o homem teve de violar uma das leis de Deus para obedecer a outra, de agir do jeito de Satanás ao invés de esperar outras instruções sobre isto da parte de Deus. Dizer que Deus administrou conforto ao invés de destruição a Adão calha direitinho à linha de propaganda de Satanás de que estes rebeldes não só continuariam a existir, mas também se beneficiariam com a desobediência. — Gên. 3:4, 5.
Os mórmons crêem que “o espírito do homem não só jamais morre, mas também vive através de estágios de progressão eterna”, que “a condenação ou ‘danação’ não é senão um retardamento na progressão”, que o homem “poderá, por fim, através da progressão, tornar-se tão inteligente e onipotente quanto Deus, Ele próprio”. (About Mormonism, página 10) Argumentam fortemente em favor disto, mas isto, também, está muito longe do que a Bíblia ensina. Ezequiel 18:4 diz que a alma que pecar morrerá. O Salmo 146:4 afirma que, ao morrer, ‘perecem os pensamentos’ do homem. O Salmo 6:5 diz que na morte não há recordação de nada. Gênesis 2:17 mostra que a morte completa, e não a progressão retardada, é a punição da desobediência. Cada um destes textos é uma crassa mentira se esta doutrina mórmon for verdadeira. Os textos, contudo, são verídicos.
Os mórmons crêem no casamento celeste, o casamento por toda a eternidade, dizendo que Mateus 18:18 mostra que os apóstolos tinham “poder de ligar no céu seja lá o que for que ligassem na terra”, até mesmo incluindo o casamento. Trata-se duma aplicação bem ampla, contudo. O texto nada diz sobre o casamento, e, conforme os mórmons o aplicam têm de dar desculpas quanto às instruções bem explícitas de Paulo em 1 Coríntios 7:39, de que a morte abole o vínculo marital. Os apóstolos não fizeram nenhuma provisão para alguém que unissem no “casamento celeste”. Todos os escritos deles deixam de mencionar isto. Trata-se duma doutrina nova, algo além do que os apóstolos ensinaram. Realmente, o conceito mórmon se baseia em uma das “traduções errôneas” diante das quais se mostram céticos. Os peritos modernos mostram que, ao invés de homens insignificantes darem ordens ao céu, a idéia original era que o proceder dos apóstolos seria um que já havia sido tomado pelo céu.

Batismo por Causa dos Mortos

Os mórmons sinceramente crêem no batismo por causa dos mortos. “Temos por obrigação salvar nossos mortos, se nós mesmos havemos de ser salvos”, escreveu Joseph P. Smith (não é o Joseph Smith que fundou o mormonismo). Temple Square, página 8, diz: “Faz-se a pergunta, o que dizer dos que morreram sem conhecimento do evangelho? Podem, com justiça, lhes ser negadas as bênçãos dele? O Senhor, em Sua misericórdia, proveu um meio para estes. Nos Templos da Igreja, procuradores vivos recebem as ordenanças do evangelho para os que já foram para o além.” Isto tem sido chamado de “a maior responsabilidade neste mundo”. (Times and Seasons 6:616) Mas, onde é que a Bíblia afirma que ser batizados por eles é a provisão feita por Deus? Procurando evidência bíblica, os mórmons citam 1 Coríntios 15:29 (ALA): “Doutra maneira, que farão os que se batizam por causa dos mortos? Se absolutamente os mortos não ressuscitam, por que se batizam por causa deles?”
Eis aí a prova, afirmam. Mas, será? Paulo falou aqui dos membros do corpo de Cristo como sendo ‘batizados por causa dos mortos’, isto é, batizados para serem mortos junto com Cristo. Por isso, a Tradução do Novo Mundo diz: “Batizados com o objetivo de serem mortos.” Então, na ressurreição dos mortos, podem viver junto com Cristo no reino celeste. (2 Tim. 2:11, 12) Podemos estar seguros de que, se a obra cristã primária fosse o batismo por causa dos mortos, Cristo teria dito, “procurem seus mortos”, essa ordem teria sido registrada na Bíblia e teríamos exemplos abundantes de os apóstolos fazerem isso e instruírem outros a fazê-lo. Não temos.
Outro texto que usam é Hebreus 11:40: “A fim de que eles não fossem aperfeiçoados à parte de nós.” No entanto, o resto do capítulo mostra que isto se aplica especificamente aos homens fiéis da antiguidade que não receberam nenhuma recompensa celeste por terem morrido antes do resgate de Cristo. Nada tem que ver com os ancestrais em geral, mas sim com este grupo específico de homens piedosos, e nada diz sobre o batismo. Seu uso mostra até que ponto têm de ir procurar apoio para tal prática. Não têm êxito em encontrá-lo, porque tal teoria não é ensinada na Bíblia. Convidamos os leitores mórmons sinceros a abrir os olhos a este fato. A provisão de Deus, conforme delineada na Bíblia, é que aqueles que não tiveram oportunidade de ouvir e obedecer a verdade, recebam tal oportunidade na ressurreição dos justos e injustos, sem a necessidade de um batismo substitutivo. — Atos 24:15.

Dois Conceitos Sobre Poligamia

Há dois grupos grandes e diversos grupos menores de mórmons. Nossa consideração até agora lidou principalmente com o grupo maior, com mais de um milhão de membros, com sede na Cidade do Lago Salgado, Utah, EUA. Os Reorganizados Santos dos Últimos Dias, com dezenas de milhares de membros e sede em Independence, Missouri, não aceitam a poligamia, o casamento celeste, e outras determinadas doutrinas do grupo de Utah. Ambos aceitam O Livro de Mórmon e muitas das revelações de Joseph Smith, embora possuam diferentes versões de Doctrine and Covenants. (Nossas referências, a menos que seja indicado de outra forma, são da edição de Utah.)
A questão do casamento pluralista (poligamia) tem sido controversial já por muito tempo. O grupo Reorganizado afirma que Joseph Smith não o ensinou. O grupo de Utah diz que ensinou, mas que isso já acabou e que é agora um assunto morto. Seus oponentes os acusam de “ainda aderirem a uma crença na divindade da doutrina, ao passo que renunciam à sua prática”, e que: “Não se trata dum assunto morto, nem pode sê-lo enquanto seu livro de Doctrine and Covenants for a todas as partes do mundo, levando suposta revelação que estabelece a poligamia . . . como a vontade do céu e diz que aqueles que rejeitam este documento estão condenados.”
A Seção 132 de Doctrine and Covenants da Igreja de Utah, contém esta revelação, embora a igreja tenha proscrito sua prática atual. A “revelação”, contudo, permanece em contradição direta ao princípio bíblico de “uma só esposa” para o superintendente cristão. (1 Tim. 3:2, 12; Tito 1:6) Citam o princípio da poligamia praticado nos tempos antigos qual prova de que Deus a instituiu, chegando a dizer que Deus ordenou a Abraão que tomasse a Agar. Ordenou ele? Não! Leia Gênesis 16:1-3 e veja se Deus o ordenou ou se isso foi idéia de Sara! Dizem que Deus a aprovava. Deus não a condenou porque não a tinha proibido especificamente até o tempo de Cristo, mas Deus não a ordenou jamais em tempo algum! É interessante notar que não foi o filho de Agar, que deveras se multiplicou consideravelmente, mas o filho de Sara, Isaque, que recebeu a bênção de Jeová de ser o antepassado de Seu povo escolhido.

0 comentários: