sábado, 24 de julho de 2010

O Sábado no Antigo Testamento: Tempo para o Senhor, Tempo para Alegria nEle.

por

Gerard Van Groningen


Atualmente estamos vivendo no período do Novo Testamento referido por Paulo como a era presente. A era anterior, o Antigo Testamento, terminou quando Jesus Cristo veio à terra como o Filho de Deus encarnado. A era vindoura, o período do Testamento Consumado, para o qual tanto o Antigo como o Novo Testamento apontam, e sobre o qual apresentam vários ensinos, ainda não chegou. Quando Jesus Cristo voltar em glória, a era vindoura terá seu início. E quando essa era final se consumar, o descanso de Deus será plenamente inaugurado outra vez, será plenamente restaurado. Este descanso é a herança gloriosa de todos os que crêem em Jesus Cristo.


I. O Descanso Sabático Apresentado em Hebreus 3 e 4


O autor da Epístola aos Hebreus, buscando admoestar os crentes da igreja cristã nascente a serem fiéis a Cristo, refere-se indiretamente às três épocas do desenvolvimento e realização do plano de Deus para restaurar o seu descanso ao homem caído. Dirigindo-se aos crentes que viviam na segunda época, a era do Novo Testamento, ele chama a sua atenção para as experiências de Israel no deserto. Ele lembra aos seus leitores que algumas pessoas do povo escolhido, vivendo na primeira era, não puderam entrar no descanso por causa da incredulidade (Hb 3.18-19). Esse descanso especificamente mencionado é a terra prometida, que era um tipo ou, se preferirmos, um símbolo do descanso de Deus pretendido para o ser humano. Compreendamos bem: o símbolo, a terra prometida, já estava lá e as pessoas não puderam entrar nela. Da mesma maneira, precisamos entender que o que foi tipificado também já estava lá. Todavia, o tipo e a coisa tipificada não devem ser confundidos.

Os crentes que vivem na segunda era enfrentam um perigo semelhante, a saber, o de terem diante de si o descanso prometido por Deus, mas, não obstante, não entrarem nele (Hebreus 4). A referência agora não é ao tipo do Antigo Testamento, a terra, mas àquilo que foi tipificado, que foi, é e estará presente em todas as eras. Observe cuidadosamente que o autor insiste em que o descanso de Deus é uma realidade para todos os tempos. Tem sido assim desde o princípio, pois foi preparado no momento da criação (Hb 4.3-5). Assim, o autor introduz outro período, uma época anterior ao Antigo Testamento, a época da criação, qualquer que tenha sido a sua duração, antes da queda do homem no pecado. Naquele período anterior ao Antigo Testamento, Deus preparou e entrou, ele mesmo, no seu descanso, que também haveria de ser usufruído pelo ser humano.

O homem entrou nesse descanso após a sua criação por Deus? Sim, no período entre a criação e a queda. O homem vivia no paraíso, o jardim palacial no qual ele provou um princípio do descanso que viria a ser ainda plenamente inaugurado. Entretanto, o ser humano não foi capaz de permanecer no descanso de Deus em virtude de sua queda no pecado. Mas o descanso de Deus continuou apesar do pecado. Ele permaneceu uma realidade, mas não uma realidade acessível para o homem pecador como tinha sido para o homem antes da sua queda. O descanso de Deus adentrou a época do Antigo Testamento. A terra prometida tornou-se um tipo definido do mesmo. Quando alguns homens entraram na terra prometida, foi-lhes assegurado que o descanso real e perfeito de Deus ainda era uma realidade para o ser humano.

Como então o ser humano poderia entrar nessa realidade inacessível? Jesus Cristo deu ao homem completa certeza quanto à sua acessibilidade ao descanso de Deus. Jesus Cristo não introduziu imediatamente o pleno descanso de Deus. Ele o fará na terceira era. Enquanto isto, o descanso de Deus permanece uma realidade durante toda a segunda era, a era do Novo Testamento. Aqueles que morrem em Cristo recebem um antegozo desse descanso. Esse descanso de Deus tem estado e sempre estará presente e é estabelecido por Deus para si mesmo e para aqueles que aceitam a Cristo Jesus com fé verdadeira. O autor da Epístola aos Hebreus dá ênfase a isto: "Portanto, resta um repouso para o povo de Deus" (4.9). [1] A seguir, o escritor continua a fazer referência à obra criadora de Deus e à cessação da mesma como um exemplo, tipo e/ou analogia do que os crentes devem fazer. Assim, vemos uma certa conexão do descanso de Deus com o término da sua criação, ao qual, por sua vez, o Antigo Testamento se refere repetidamente quando fala do sábado que Israel foi instruído a observar. [2]

Ora, para que tenhamos um entendimento apropriado do que o autor da Epístola aos Hebreus escreveu aos crentes da era do Novo Testamento, precisaremos ter uma clara compreensão do que o Antigo Testamento, assim como o Novo, ensinam acerca do descanso sabático de Deus. Teremos que concentrar a nossa atenção naquelas passagens onde Jesus fala do descanso que ele dá, nas suas referências ao sábado que foi dado para os seres humanos e sobre o qual ele reivindica o senhorio. Do mesmo modo, as passagens paulinas precisam ser adequadamente entendidas. Todavia, essas passagens do Novo Testamento estão fora do escopo deste ensaio.

A nossa atenção será dirigida ao material do Antigo Testamento a respeito do descanso sabático de Deus. Ele é mencionado pela primeira vez no relato da criação. Um grande problema diante de nós é determinar se o descanso sabático de Deus está refletido nos sábados que o povo do Antigo Testamento foi ordenado a observar. De fato, o problema é mais complexo. Os sábados do Antigo Testamento estavam de algum modo relacionados diretamente com o descanso sabático de Deus? Em outras palavras, o sábado do qual lemos em Êxodo 16 e repetidas vezes na literatura mosaica e nos escritos históricos, osábado ao qual vários profetas se referiram e sobre o qual os salmistas cantaram, era uma instituição judaica temporária? Eles eram meras sombras que seriam inteiramente dissipadas pelo brilho da cruz? Ou devemos considerar que o Antigo e o Novo Testamentos nos ensinam que na era do Antigo Testamento, bem como na do Novo, existe uma instituição permanente, um dia para o Senhor, que deve ser observado por todas as eras, até que, na época do Testamento Consumado, ele seja absorvido no grande repouso sabático de Deus? Devemos entender que essa instituição era observada de um modo que estava em consonância com a revelação do Antigo Testamento antes que Jesus Cristo viesse, e agora é observada de maneira diferente em consonância com a revelação do Novo Testamento, enquanto aguardamos a consumação do plano redentor de Deus? Além disso, devemos entender que a lei moral que exige a observância do dia do sábado é de validade e autoridade permanente durante toda a era do Antigo e a do Novo Testamento? Outras questões poderiam ser levantadas, mas passemos a considerar alguns do ensinos cardeais do Antigo Testamento acerca do sábado.


II. Considerações Básicas Subjacentes

A. A Unidade da Mensagem Bíblica

A unidade da mensagem bíblica é uma consideração básica e necessária para assegurar uma compreensão adequada de qualquer ensino escriturístico. É da maior importância enfatizarmos que existe um sistema orgânico desenvolvido progressivamente que une o Antigo e o Novo Testamento. O Antigo Testamento introduz as verdades básicas; o Novo Testamento as expande todas e cumpre algumas delas em parte. Ele complementa e desenvolve as verdades reveladas no Antigo Testamento e, direta e indiretamente, dá indicações sobre certos aspectos do Antigo Testamento que foram de natureza temporária, ou que tiveram uma natureza permanente mas requerem uma alteração substancial na sua forma, e aqueles que receberam uma forma permanente já desde o princípio.

Também deve ficar muito claro para nós que o Novo Testamento, mesmo sendo a revelação escrita final, não pretende dar-nos a revelação consumada de todos os atos de Deus em Jesus Cristo. De fato, o Novo Testamento é muito claro ao mostrar que, quando Jesus voltar, ele irá consumar a grande obra redentora que iniciou nas eras do Antigo e do Novo Testamentos. Na verdade, a igreja do Novo Testamento aguarda a maior, a mais gloriosa e a mais magnificente revelação de Deus em Jesus Cristo. Este fato deve advertir a todos nós a não sermos absolutistas e dogmáticos em nossas interpretações dos ensinos bíblicos, tanto do Novo quanto do Antigo Testamento. Assim, devemos tomar cuidado para não considerarmos os atos redentores de Deus registrados no Novo Testamento como a consumação absoluta e final da sua revelação. Uma falta de consciência escatológica levou estudiosos do passado a darem a impressão de que cometeram esse erro.

Além disto, devemos evitar o erro de ver a era do Novo Testamento como um interlúdio entre a era do Antigo Testamento e a era vindoura. Isto resulta de se considerar os ensinos do Novo Testamento como instruções para um tipo de período intermediário. Aqueles que abordam dessa maneira as Escrituras cometem uma grave injustiça contra a unidade orgânica entre a revelação do Antigo e a do Novo Testamento. Isto tem grandes conseqüências para o tema abordado neste estudo. Considere-se, por exemplo, o livro escrito por N. C. Deck. Ele fez uma tentativa corajosa de contestar as afirmações dos que aderem aos princípios adventistas do sétimo dia. Ele propôs uma separação drástica entre as eras e as revelações do Antigo Testamento e do Novo Testamento e uma profunda distinção entre o pacto do Antigo Testamento e o do Novo Testamento. Ele escreveu que o primeiro foi o período da lei e o segundo o período da graça, no qual foram dadas "instruções sobre a graça." A lei moral era estritamente para o povo judeu que viveu na era do Antigo Testamento e que irá viver no milênio vindouro; portanto, o sábado, assim como outras instruções semelhantes do Antigo Testamento, é somente para os judeus nos dois períodos distintos. É interessante observar que as suas concepções acerca do Novo Testamento levam tais intérpretes a escusarem os judeus que vivem na era do Novo Testamento de observarem as leis e regulamentos do Antigo Testamento.

Mal precisamos dizer que, se um estudioso das Escrituras se aproxima das mesmas com tal propensão, toda a discussão do sábado é colocada num contexto muito desfavorável. De fato, a sua discussão e as conclusões obtidas serão viciadas e, portanto, inaceitáveis.

De igual modo, devemos evitar o erro de absolutizar a revelação primeira e inicial, tanto em sua forma como em seu conteúdo, e forçar a revelação do Novo Testamento e aquela ainda por vir a concordarem literalmente com a mesma. Esse é um dos erros dos adventistas do sétimo dia. Eles propuseram uma forma absoluta e final para certas partes da aliança mosaica. Isto explica o seu ensino enfático de que Jesus entrou literalmente no Santo dos Santos com o seu sacrifício, bem como a sua interpretação literal do decálogo e adesão ao mesmo. [3]


B. Um Conceito Apropriado de Revelação

Um apropriado conceito bíblico de revelação é essencial para o entendimento do que as Escrituras ensinam a respeito do sábado. O escopo deste ensaio não permitirá uma discussão do problema. Faríamos bem, no entanto, em dar atenção por um momento aos efeitos da abordagem da crítica da forma sobre o assunto em discussão. [4] J. H. Meesters dá um exemplo claro disto. Meesters propôs-se a tarefa de encontrar a origem do sábado. [5] Ele apresenta uma ótima síntese de muitas teorias críticas, apontando seus erros e, portanto, sua falta de fidedignidade. Porém, nas suas explicações ele aborda as Escrituras como uma compilação de escritos judaicos. Estes escritos são de caráter variado, alguns muito antigos, outros bastante velhos. Eles foram colecionados, editados, trabalhados e reescritos por diversos redatores. Assim, as Escrituras são basicamente uma produção humana, sim, uma produção judaica. Judeus religiosos de mentalidade teológica, que viveram após o exílio, colocaram o seu selo final sobre o Antigo Testamento. De fato, embora Meesters admita a presença do sábado em tempos antigos, ele diz que os judeus que viveram entre 400 e 500 AC deram-lhe a forma que todo o Antigo Testamento apresenta.

Pois bem, é preciso que fique claramente entendido que, se o Antigo Testamento é basicamente um registro de crenças judaicas e uma apresentação da teologia judaica, e se a apresentação do sábado no Antigo Testamento foi basicamente determinada por judeus que viveram após o exílio, então certamente o sábado é uma instituição judaica temporária. Sem dúvida, os estudos da crítica da forma têm dado muito apoio ao conceito de que o sábado é de origem judaica e é relevante somente para os judeus. Deve-se acrescentar que esse também é o caso de outros ensinos do Antigo Testamento.

Antes da ênfase na crítica da forma ter aparecido, havia estudiosos que consideravam o sábado do Antigo Testamento uma instituição judaica temporária. Parece-me que a falta de uma abordagem e de um entendimento abrangente e biblicamente teológico das Escrituras está por trás da maior parte dos esforços desses homens. Esses eruditos não viram a relação entre várias passagens que a própria Escritura indica. Além disto, as circunstâncias históricas dos eruditos também têm exercido forte influência sobre a sua interpretação do sábado. Por exemplo, os reformadores foram, sem dúvida, influenciados em grande medida pelas ênfases presentes na Igreja Católica dos seus dias.

Portanto, compete-nos enfatizar, ao estudarmos o assunto em questão, que devemos aderir a uma adequada abordagem exegética e bíblico-teológica de toda a Escritura. Estou certo de que cada estudioso deve começar com a pressuposição básica a priori de que Deus revelou, por palavras e atos, em forma embrionária, os elementos básicos da verdade divina através de escritores inspirados. O primeiro deles foi Moisés. [6] Essas verdades foram reveladas progressivamente à humanidade. Algumas foram reveladas antes do tempo de Moisés. Quando a comunidade de fiéis do Antigo Testamento foi organizada como nação, Deus, através de Moisés, deu o registro de suas revelações feitas anteriormente. Também lhe foram dados aspectos complementares, tanto explicativos como adicionais.

C. Uma Abordagem em Consonância com o Caráter da Revelação

Hoje, a nossa abordagem desse registro da revelação nas Escrituras deve estar inteiramente em consonância com o caráter dessa revelação. Nenhuma passagem pode ser isolada de seu contexto imediato, nem daquelas passagens do contexto mais amplo que estão relacionadas com ela na própria Escritura. A matriz histórica dessa revelação deve ser claramente vista. Com muita freqüência no passado, e também no presente, muitos estudiosos enfatizaram excessivamente o ambiente histórico, bem como suas influências e efeitos temporários sobre verdades permanentes. Muitos outros, por outro lado, ignoram essas coisas completamente. Acima de tudo, uma atitude profundamente espiritual deve ser evidenciada em nossa abordagem das Escrituras. Isto ajudará os estudiosos a não se tornarem excessivamente literalistas nem demasiadamente naturalístico-científicos.

Um exemplo para ilustrar o nosso estudo sobre o sábado pode ser encontrado em Atos 15. Os líderes da igreja, e provavelmente também os leigos, estavam particularmente divididos quanto ao ensino do Antigo Testamento a respeito da circuncisão. Os crentes gentios deveriam ser circuncidados? O concílio de Jerusalém julgou que isto não era necessário. Mas a assembléia determinou que os crentes gentios deviam abster-se da carne oferecida aos ídolos, do sangue, da carne de animais sufocados e da fornicação. Ora, é bastante óbvio que esses quatro itens que foram proibidos não estão na mesma categoria. O último certamente era de enorme importância moral para a santidade pessoal e familiar, mas não os três primeiros. Paulo, escrevendo mais tarde à igreja de Corinto, insiste no seu direito de comer carne oferecida aos ídolos; todavia, ele irá abster-se do exercício do seu direito por causa do irmão mais fraco. Mas Paulo de maneira nenhuma irá tolerar a fornicação. "Fugi da prostituição," ele ordena (1 Co 6.15).

Assim, vemos que, em uma determinada circunstância, foi necessário aplicar certas proibições cerimoniais do Antigo Testamento e colocá-las lado a lado com uma proibição moral. No entanto, os apóstolos fazem outras aplicações ao escreverem a igrejas específicas, que tinham problemas específicos nos seus contextos específicos. Podemos facilmente dar ênfase excessiva a uma determinada passagem, atribuindo-lhe autoridade final e absoluta, quando a mesma foi escrita de uma determinada forma como aplicação temporária de uma verdade moral permanente a uma igreja que estava numa situação histórica temporária específica. Isso deve estar claro em nossa mente quando tratamos de passagens do Novo Testamento que se referem a assuntos do Antigo Testamento. Tais passagens são encontradas nos escritos de Paulo às igrejas dos Coríntios, dos Gálatas e dos Colossenses, bem como na epístola aos Hebreus.

III. Termos e Distinções Importantes

Nesta seção os termos sábado, repouso e sete são definidos resumidamente e as respectivas distinções são apresentadas e discutidas de modo sucinto.

A. Três Termos Básicos

Antes de tudo, precisamos abordar o termo sábado. O escopo deste ensaio não permite uma exegese detalhada de aproximadamente 35 passagens do Antigo Testamento em que ocorre o substantivo e das numerosas passagens onde encontramos a forma verbal. [7] O verbo "descansar" (shabáth) nos leva a um problema complicado. O que significa exatamente? Um lexicógrafo menciona os seguintes sentidos: repousar, fazer cessar, descartar, fazer fracassar, celebrar, guardar o sábado, afastar-se, sofrer necessidade, guardar, tirar, acalmar ou aquietar. Os objetos do verbo, por exemplo, guerra, maná, a obra das estações, alegria, terra e negócios, são tão variados como os sujeitos, por exemplo, Deus, homem, nações, estações, sacrifícios e colheitas. Certamente não há um consenso quanto ao significado básico do termo. Todavia, a maioria dos estudiosos concorda que não é descanso, pois, como veremos, existem outros termos que são usados para expressar essa idéia. O peso da opinião favorece a idéia de cessar, parar, fazer uma pausa. Deve-se dizer, no entanto, que em alguns casos a idéia de descanso físico não está ausente. Todavia, quando usado com relação ao sábado, significa guardar, celebrar o dia.

Quando o substantivo é empregado, descobrimos que há uma pequena variedade de usos. Surge uma dificuldade quando verificamos que aparentemente o termo tem referências diferentes e distintas. Ele é usado para designar o sétimo dia, dias de festa, uma semana, anos e possivelmente a salvação e a eternidade. A nossa conclusão é que o termo deve ser entendido como tendo um sentido geral de intervalo, um tempo entre outros, separado para propósitos religiosos específicos. Em suma, sábado significa um dia santo. Antes de continuarmos a discutir este assunto, precisamos considerar outros fatores relevantes.

O termo repouso é empregado em português para traduzir alguns termos hebraicos dos quais (nûáh) é o mais comumente usado. Ele tem o sentido geral de repouso físico, sossego, dar descanso ao corpo e a oportunidade de recuperar a força e o vigor. Todavia, em alguns casos o termo também significa afastar-se, partir, abandonar e permitir. O termo tem um sentido predominantemente físico; no entanto, é usado para descrever o que o próprio Deus fez após a sua obra de criação (Ex 20.11).

A esta altura terá se tornado óbvio a todos que um estudo dos termos hebraicos não é muito útil para quem esperava encontrar respostas prontas para a questão do sábado através de um estudo filológico.

Existe também o termo (shévá’), sete, que certamente não significa sábado, cessar, repousar ou qualquer coisa relacionada com isto. O número sete é um dos numerais mais usados na Bíblia. Mais do que qualquer outro número (12, 40, etc.), ele indica plenitude, inteireza, totalidade abrangente. Em alguns casos, ele tem uma referência física e limitada definida; em outros casos, pode ter um sentido espiritual definido. [8] Alguns estudiosos são bastante dogmáticos em sua interpretação literalista do número sete. Outros, são vagos e indefinidos em sua interpretação espiritualista. Um estudo cuidadoso dos usos e referências do número sete deveria, temos certeza, fazer com que esses estudiosos se tornassem um pouco mais hesitantes quanto a essas abordagens das passagens onde o número ocorre. O contexto, passagens paralelas e o sentido geral da Escritura deve ser seriamente considerado em todas as ocasiões em que o termo for empregado.

Pensamos que esses três termos distintos, empregados de diversas formas e sujeitos a várias interpretações, são usados numa relação íntima em passagens que tratam de tempo e culto (a expressão do relacionamento do homem com Deus). Isso nos leva aos momentos especiais que foram separados para o culto, contrição, sacrifícios, festejos e alegria.


B. As Festas e o Sábado

O Antigo Testamento nos informa repetidas vezes quando e como Deus, o Senhor (Yahweh), desejava ser especificamente cultuado, a saber, no sábado e nas festas. Evidentemente, é preciso entender que Deus exigia uma vida inteira de adoração e serviço dos seus servos do Antigo Testamento, assim como dos da presente era. Entretanto, foi para tempos e atos específicos de adoração que as festas e o sábado foram prescritos. Agora, como as festas eram chamadas de dias sabáticos, [9] e como o sábado é diversas vezes referido no mesmo contexto ou até mencionado com as festas no mesmo versículo, [10]as pessoas acabaram estabelecendo uma relação profunda entre os dois. A dúvida era e continua sendo: não seria verdade que o sábado era originalmente nada mais que uma das festas determinadas pelo ciclo da lua? Se é verdade, o novo sábado não é apenas uma festa semanal da mesma ordem que as festas da lua nova e cheia, que são festas mensais, e a festa das primeiras colheitas (páscoa), primeiros frutos (pentecostes), colheitas (tabernáculos) e o dia da expiação (Yom Kippur), festas anuais? [11]

É muito importante entendermos claramente que não existiam métodos fixos de contagem do tempo em termos de meses e anos na época do Antigo Testamento. Cada nação possuía seu próprio tipo específico de calendário. O Antigo Testamento reflete dois ou mais desses tipos e isto freqüentemente causa confusão nos dias de hoje. Além disso, a lua freqüentemente era vista como um elemento de controle, mas também foi descoberto em tempos remotos que os doze ciclos lunares eram menores que um ano completo, determinado pelo sol.

Ora, as três festas fixas (hebraico mo’ed) e as festas especiais, como, por exemplo, a da expiação, apesar de serem festas anuais, eram fixadas em dias determinados por um cálculo que respeitava os ciclos da lua. Provavelmente o padrão seguido na determinação da ocasião das festas foi tomado por Moisés, sob a direção de Deus, das nações com as quais Israel tinha contato.

Além disso, as prescrições para os dias das festas variavam. Não podemos nos ater aqui a estes detalhes particulares. Muitos estudiosos já o fizeram e sugerimos que os interessados os leiam. É necessário realçar, porém, que muitos dos ritos, proibições e costumes estabelecidos para essas festas eram sombras do futuro e essas sombras foram cumpridas em Jesus Cristo. Mas uma questão que exige estudo posterior certamente é: por que o número sete e a ênfase na proibição do trabalho recebem tanta importância em relação àquelas festas? Alguns estudiosos sugerem que também eram sombras, elementos que passariam com o tempo, como outros elementos pertinentes às festas. Se eles passaram com o tempo quanto às festas, também passaram com o tempo em relação ao sábado. Porém, essa é uma questão crucial que não pode ser respondida definitivamente. O fator definitivo que deve ser enfatizado é que essas festas eram para o Senhor, eram tempos dedicados ao Senhor durante os quais os israelitas cultuavam e expressavam o seu relacionamento com Deus com gratidão e alegria. O fato de que a cessação do trabalho e o número sete, isto é, o ciclo de sete, desempenham um papel fundamental na determinação dessas ocasiões de culto, aponta para o profundo interesse e envolvimento do Senhor Deus nessas festas. Isto sugere que alguns motivos permanentes e duradouros eram fundamentais para as festas.

Como foi mostrado anteriormente, as festas como tais foram estabelecidas para Israel. Os dias festivos cristãos seguiram o seu rastro: a Sexta-Feira Santa e a Páscoa tomaram o lugar da Páscoa dos judeus (a festa do início das colheitas), o Pentecoste ocupa o lugar da festa das primícias e o costume de um dia de ação de graças está em consonância com a festa das colheitas, a festa dos tabernáculos. As festas cristãs, dias de celebração nos quais a gratidão e a alegria devem ser expressos de maneira especial, não são claramente prescritas pelas Escrituras. As ocasiões das festas certamente são os pontos importantes das atividades redentoras de Deus em Cristo Jesus, em favor de seu povo, comemoradas por este mesmo povo.

Agora, precisamos voltar nossa atenção para o dia do sábado. Ele estava no mesmo nível dessas festas? Era somente uma instituição judaica, nada mais do que uma das festas? Um estudo cuidadoso da história e particularmente das Escrituras, indica que, embora houvesse muitas semelhanças entre as festas e o sábado, as diferenças são fundamentais e colocam o sábado em uma categoria separada e distinta. De fato, o sábado é peculiar no sentido de não ser determinado de modo algum pelos sistemas lunar ou solar. É um dia que se repete regularmente, independente dos ciclos da lua ou do sol, independente de festas fixas ou especiais e independente de catástrofes nacionais ou naturais. O ciclo de seis dias de trabalho e um dia de culto festivo é permanente e continua sem interrupção. Se os dias de festa, as ocasiões determinadas pelo sistema lunar, coincidissem com o dia do sábado, as prescrições para o sábado tinham prioridade, sendo acrescidas as prescrições para as festas que fossem aplicáveis. Em outras ocasiões, o tempo exato do início de uma ocasião festiva, isto é, das festas semanais, era determinado com atenção específica em relação ao sábado (Lv 16, 23, 24, 25; Nm 28).

O sábado era o dia do ciclo de sete dias. Ele era preferido aos demais dias. Era o dia de Deus e para Deus. Era um dia separado para o culto, para a alegria, contentamento e confraternização. Deus insistia no fato de que era o "sábado do Senhor."

C. A Origem do Sábado

A singularidade do sábado é colocada numa perspectiva muito mais clara quando procuramos averiguar a sua origem. Os estudiosos que têm buscado descobrir essa origem concentrando seus estudos na história geral, na história da religião e na história dos rituais, têm proposto uma grande diversidade de teorias. Alguns têm enfatizado uma origem egípcia, outros uma origem babilônica e ainda outros uma fonte cananita para o "sábado judaico." Entretanto, através do estudo crítico e completo da história as pessoas não têm sido capazes de encontrar uma resposta. Meesters oferece um excelente retrospecto [12] e uma avaliação criteriosa de todas as teorias críticas e históricas, concluindo que todas as idéias de que os judeus tomaram o conceito emprestado de outras nações não são confirmadas por fatos. Meesters diz que o sábado é peculiar aos judeus, partindo da consideração de que a Bíblia é um livro judaico.

G. Mendenhall, o notável estudioso das civilizações antigas, seus tempos e costumes, afirma que o sábado mencionado no Antigo Testamento tem uma longa pré-história. De fato, ele está correto. A idéia do sábado estava presente muito antes de a nação judaica existir. Registros documentais de nações que já existiam antes do tempo de Moisés indicam que pessoas de todas as nações tinham a noção de um dia regularmente fixado que era dedicado a Deus (ou aos deuses). Quando comparamos esses dias pagãos com o sábado judaico, surgem variações e grandes diferenças. Mas essas diferenças não anulam a presença da idéia fundamental que está por trás dos "dias para os deuses." Alguns povos determinavam os dias pelo sistema lunar, possivelmente devido à sua veneração dos corpos celestes. Alguns povos consideravam o "dia para os deuses" como uma época terrível, um dia de medo e de miséria. Na realidade, essas concepções dos "dias para os deuses" são muito diferentes do sábado bíblico. Mas o mesmo acontece com as concepções acerca de Deus! Ainda hoje, a forma como o dia do Senhor é observado — seja como um dia sombrio e triste, ou como um dia festivo de confraternização e culto — é determinada em grande parte pela idéia que os crentes (e os não crentes) têm de Deus e do seu relacionamento com ele.

O ponto que desejo acentuar é o seguinte: todos os homens sabiam que um certo número de dias deviam ser separados como "dias para os deuses." Assim como as concepções acerca da divindade diferem entre si de forma radical e profunda, o mesmo acontece com as idéias concernentes aos dias e às maneiras como são guardados. Mas o fato que permanece é que a idéia estava presente. O sábado realmente tem uma longa pré-história.

Alguns estudiosos da Bíblia têm procurado bases bíblicas para provar as suas convicções de que o sábado do Antigo Testamento era uma instituição estritamente judaica. Utilizam o silêncio de alguns livros como argumento. Gênesis, por exemplo, não registra que o sábado era guardado pelos patriarcas, embora admita-se que estes adoravam a Deus de acordo com algum padrão. Certos estudiosos têm ficado um pouco desorientados com a expressão "Deus lhes fez conhecer o seu sábado," que ocorre em Neemias 9.6-15 e em Ezequiel 20.9-12. Eles interpretaram o termo "fazer conhecer" como "instituir." Outros ainda têm achado evidência para a institucionalização do sábado no episódio do maná no deserto, onde se faz uma referência passageira ao sábado (Ex 16.15-24). Entretanto, alguns comentaristas mais recentes têm acentuado que essas passagens não apresentam a instituição do sábado, e sim o sábado como uma instituição em vigor, embora desconhecida ou esquecida. Usá-las como evidência da instituição do sábado é não usá-las de modo apropriado.

D. O Desenvolvimento Histórico do Dia do Sábado

Parece que muitos estudiosos antigos e modernos perderam de vista as pressões, influências e alterações que o fenômeno histórico pode exercer e tem exercido sobre as instituições divinas e religiosas. Muitos estudiosos atentam apenas para o que o ser humano tem produzido e feito. A história humana é considerada a fonte e influência formadora de todos os fatores da vida religiosa. Mas, embora o homem tenha, no curso da história, reagido de formas diferentes a Deus, sua obra e suas instituições, ele não remove Deus, sua obra ou suas instituições. É à luz dessa realidade que devemos considerar todas as tentativas humanas de demarcar a origem do sábado. O fato de que o homem esqueceu, ignorou ou mudou uma "dádiva original de Deus," não é base suficiente para que se diga que uma nova instituição ou uma instituição temporária foi introduzida. Além disso, quando Deus estabeleceu sua dádiva universal e permanente, ele não estava introduzindo um fenômeno novo. Mas quando ele o fez, acrescentou e envolveu o presente com elementos temporários, com o objetivo de que o presente original fosse visto da perspectiva adequada no tempo hábil. É neste contexto que devemos compreender as proibições severas feitas a Israel como uma nação jovem, recém-saída da escravidão e não condicionada ou preparada para uma vida nacional livre, que deveria ser totalmente dedicada ao Senhor.

A história de Israel é uma história tragicamente triste de um povo abençoado por Deus, que se esquece do seu Deus. Enquanto o povo ignorava e esquecia o seu Deus, o mesmo acontecia com suas dádivas, prescrições e exigências. À medida que Deus repetidas vezes apresentou-se a si mesmo e as suas prescrições através da história, foram feitas referências às dádivas e obrigações dadas a Israel. Assim, a história do relacionamento de Israel com Deus é determinante para a compreensão do sábado do Antigo Testamento, pois o sábado era o tempo específico para cultuar a Deus, o tempo de expressar alegria numa comunhão viva e desimpedida com ele. Deus insistiu repetidamente em não apenas ter esse tempo de comunhão, mas graciosamente mostrou ao homem como este poderia melhor agradá-lo ao procurar e desenvolver tal comunhão. Isto era para ser feito no tempo determinado por Deus. Por isso a ênfase em "meus sábados" (ver Ex 31.13; Lv 19.3, 30; Is 56.4; Ez 20.12-24 [4 vezes]; Ez 22.8, 26; 23.38; 44.24).

Foi o próprio Deus quem estabeleceu o padrão a ser seguido quanto à distribuição dos dias, para que houvesse uma regularidade no tempo, uma regularidade mensurável, tempo para o trabalho e tempo para uma íntima comunhão expressa num culto alegre. Esse padrão foi estabelecido conforme o que o próprio Deus havia seguido na sua obra da criação. Esse modelo foi utilizado como critério na divisão do tempo, estabelecendo a regularidade do tempo para toda a criação, mas especialmente para o homem, a criatura, para que um relacionamento mais íntimo entre o criador e a criatura, tendo sido já estabelecido, pudesse ser assim mantido. [13]


IV. A CRIAÇÃO E O SÁBADO

A primeira coisa a fazer é abrir o Antigo Testamento em Gênesis 2.1-3 e ler cuidadosamente a passagem em todas as traduções disponíveis. Antes de mais nada, observe que: a) a passagem dá ênfase ao que Deus fez, ou seja, a sua obra (ver, por exemplo, Almeida Revista e Atualizada). Deus terminou a sua obra de criação, a totalidade bem como suas partes (2.1); b) há uma forte insistência no que foi realizado no sétimo dia, ou seja, Deus acabou sua obra, descansou, abençoou o dia de sábado e o santificou; c) o verso 3 termina com uma expressão fora do comum (isso fica mais evidente na Bíblia hebraica). Não precisamos nos ater a isso, pois o objetivo da expressão é enfatizar ainda mais que Deus havia feito a sua obra como criador e a havia concluído.

Existem ainda outros pontos da passagem que devemos destacar. Entretanto, uma exegese detalhada foge ao escopo deste artigo. Sugerimos que o leitor consulte os comentários para isso.[14]

Gênesis 2.1-3 é parte da revelação de Deus; é parte da narrativa da criação. Nenhum homem estava presente quando a obra foi feita; não havia nenhuma testemunha ocular. Dizer, como R. de Vaux, que a ênfase da expressão "Deus... descansou no sétimo dia de toda a sua obra que tinha feito" é uma idéia teológica, pode ser mal interpretado. Se com isso se quer dizer que a idéia do descanso de Deus é fruto da ponderação e reflexão do homem acerca da origem do universo, não se está fazendo justiça a essa parte das Escrituras. Por outro lado, é igualmente errôneo interpretar literalmente esta passagem, como se Deus houvesse soprado nos ouvidos de Moisés que, após seis dias de trabalho pesado, ele estava cansado, extenuado e com necessidade de relaxar e recuperar as forças. A forma exata pela qual o relato da criação foi revelado não nos é dada claramente. Mas, que Deus a revelou, nós afirmamos sem hesitação. Também afirmamos que o relato acerca do sétimo dia é uma revelação de Deus tão confiável quanto o que foi revelado sobre os seis primeiros dias.

Também queremos ressaltar que havia um propósito divino em incluir a revelação acerca do sétimo dia, isto é, não apenas a finalização da obra da criação, mas também o fato de que o sétimo dia foi um tempo de não criar. Por que isto foi incluído na introdução da grandiosa história da salvação? Por que existe uma ênfase no sétimo dia, na sétima porção de tempo, em que Deus não criou? Por que ele não criou no sétimo dia? Por que ele abençoou e santificou essa porção de tempo? Isto foi revelado só por causa de Deus? Por causa dos judeus? Por causa dos santos triunfantes na glória? Ou também por causa dos santos militantes na era do Novo Testamento?

Na realidade, isso foi dado a conhecer a todos os homens de todos os tempos. É uma mensagem universal sobre um grande fato do universo, dizendo respeito a todos os homens desse universo, não importa a época em que vivam. Sim, Deus fala aqui a homens de todas as eras acerca da sua obra criadora, a qual, temos certeza, tem profundos reflexos na grande obra de recriação na qual ele agora está envolvido, e da qual ainda não descansou e nem irá descansar até ser também completada. Deus está enfatizando nesta passagem que, sendo um Deus fiel, ele completa o que começa. Ele enfatiza isso para o bem daqueles que estão mais fortemente envolvidos na obra recriadora de Deus. Mas qual a importância do sétimo dia para o homem que está envolvido e grandemente necessitado da obra recriadora de Deus? Acreditamos que isso ficará mais claro à medida que prosseguirmos em nosso ensaio.

Ao lermos Gênesis 2.1-3, observamos que Deus finalizou e completou a sua obra. O texto traz um termo um tanto quanto incomum, que é traduzido como "terminado" (Gn 2.2); porém essa não é uma tradução exata. Basta que leiamos os comentários para saber quais os problemas envolvidos nessa tradução. É suficiente, no momento, dizer que Speiser (Anchor Bible, pp. 7-8), Heidel (em sua obra sobre os relatos babilônicos da criação) e Leupold (p. 102) têm boas razões para dizer que a melhor tradução é "Deus declarou terminado" no sétimo dia. De fato, Deus não criou nada no sétimo dia, ele simplesmente declarou sua obra finalizada. Quando lemos no hebraico que ele "descansou," encontramos, na verdade, que ele "sabateou" (wáyoshbot), isto é, que ele celebrou o término do que havia criado, tendo declarado sua obra como acabada. Ele escolheu aquele dia como um Dia Santo, no qual desfrutou o que era bom, perfeito e completo. Devíamos ainda acrescentar a ênfase de Keil (p. 62), de que o encerramento da obra criadora de Deus fazia parte da ordem e do padrão da criação. É a cessação da atividade que é destacada, não o descanso no sentido de ociosidade.

O próximo ponto que queremos ressaltar é que Deus criou um padrão no tempo e para o tempo. Esta é obviamente uma das razões para a inclusão dessa passagem na Bíblia. Mas não devemos ver as coisas unilateralmente e enfatizar o número sete como se este fosse separado do número seis. A ênfase aqui é no padrão estabelecido: seis dias – um dia. Nem devemos nos desviar do nosso propósito, como Deck e muitos outros têm feito, discutindo a duração dos dias da criação neste contexto. Não há consenso seguro acerca dos seis dias, mas isso não nos deve deter. A passagem destaca, como Buber apontou, que Deus é o Senhor do tempo. Ele estabeleceu um padrão para o tempo. Este é regular. É parte da vida. Tem um propósito no mundo criado, particularmente com referência ao relacionamento entre Deus e o ser humano. Então, sem enfatizar literalmente o número sete — mas considerando sua referência à perfeição, inteireza, totalidade — Deus nos mostra aqui que a sua obra de criação é perfeita, está consumada e que o seu ciclo temporal está estabelecido.

Esse ciclo pode não ter sido explicado explicitamente ao homem. Ao menos não lemos que foi. Mas o padrão do ciclo temporal era conhecido de toda a humanidade em geral. É verdade que alguns alteraram esse padrão em certa medida, seguindo a contagem do tempo dos sistemas lunar ou solar; outros, por uma suposta razão religiosa, adotaram o ciclo oito-um (os romanos). Porém, o fato mais importante a ser observado é que este ciclo temporal no qual o número sete aparece com tanto destaque, é visto na maioria das outras ocasiões especiais de culto que os judeus deveriam observar. Tatford faz referência a este fato e mostra como as festas foram marcadas de forma a enfatizar o ciclo de "sete." Um exemplo será suficiente. Era no sétimo mês, o mês de tishri, que uma quantidade de tempo maior que nos outros meses foi separada para o culto, as celebrações e a comunhão com Deus expressa em alegria e satisfação. [15]

A essa altura, podemos afirmar que está inevitavelmente diante de nós o fato de que existe um padrão ou ciclo instituído por Deus no tempo com o propósito de regularidade e controle do tempo. É uma ordenança da criação. Se tudo que a passagem ensinasse fosse isso, ainda assim seríamos fortemente pressionados a aceitar uma sétima porção de tempo como separada por Deus para o culto, durante a qual o homem deve cessar seus labores e preparar-se para cultuar a Deus como deve. A passagem nos informa que Deus instituiu este ciclo de tempo para um propósito definido. Nós lemos: "abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou" (Gn 2.3). Portanto, esse tempo foi declarado um canal, um verdadeiro meio potencial para um contato direto entre Deus e o homem. No termo "abençoou" vemos a ênfase no que Deus fará pela criação e, em particular, pelo ser humano, a coroa e agente responsável na criação. O homem, por sua vez, deve entender que Deus também santificou, ou seja, separou para si uma sétima parte do ciclo de tempo que se repete continuamente. O homem deve observar esta separação. Ele não é obrigado a considerar um dia em sete, como sendo, abstratamente, uma série de horas sagradas. Ao contrário, o homem é obrigado a considerar o tempo como o tem agora, como envolvido nele, vivendo no tempo e através do tempo. Como ser humano, uma personalidade completa no meio do cosmos, deve considerar-se em um relacionamento definido e particular com Deus.

Em resumo, esse é o tempo para o homem cultuar a Deus. Esse culto não deve ser aquele executado seis dias por semana, em atos do trabalho diário. Disso, o homem foi desencumbido por Deus nesse tempo especial. É tempo para fazer tudo o que pode para ter comunhão direta com Deus. No jardim, era um tempo para o homem guardar suas ferramentas, distanciar-se o máximo possível do jardim e dos animais e entrar em comunhão pessoal com Deus. Entenda-se bem, Adão e Eva não estavam deixando o Paraíso, deixando seus afazeres diários, mas no meio disso tudo eles paravam e, com os rostos e corações voltados para Deus, escutavam-no e dialogavam com seu Mestre e Senhor.

No sétimo dia da criação, Deus cessou o seu trabalho criador e declarou-o acabado. Entretanto, ele não abandonou a sua criação, mas entrou em uma comunhão específica com o ser humano. O homem, por sua vez, é chamado a imitar o seu Criador e prestar-lhe culto. Devemos ressaltar enfaticamente que esse é o ponto principal da passagem. Ou seja, dentro do ciclo regular do tempo existe uma determinada fração para a comunhão e o culto.

Mais um fator deve ser mencionado aqui. Quando Deus terminou a sua obra de criação, terminou de verdade. O cosmos estava completamente criado. Deus podia entrar e de fato entrou no seu sábado. O homem, porém, mesmo antes de sua queda, teve que obedecer ao mandato que recebera de Deus. Ele não havia entrado ainda nesse sábado permanente com Deus. Ele tinha que completar o seu trabalho, assim como Deus completara o dele. O homem, em obediência amorosa, devia trabalhar, desenvolver o mundo criado, não por sua própria força, mas com a ajuda de Deus e no poder constantemente recebido dele. Enquanto trabalhava seus seis dias, ele recebia forças de Deus e trabalhava para a honra e glória do seu Criador. Ele devia desfrutar seguidamente da chegada do sábado de Deus – de acordo com o padrão do ciclo temporal.

Então a tragédia aconteceu. O homem rompeu a sua relação com Deus. Isso teve efeitos trágicos no trabalho diário do homem, nas atividades realizadas nos seis dias. Afetou mais ainda o que era esperado dele no sétimo dia.

Quando o homem distanciou-se de Deus, tentou quebrar o ciclo do tempo estabelecido por Deus para ele. Tentou evitar a face de Deus, a comunhão direta, o culto. O tempo que havia sido separado para a comunhão face a face entre Deus e o homem foi usurpado por este para si mesmo.

Porém, Deus não aboliu a sua obra. Ele não alterou o ciclo temporal. Ele não removeu o seu sábado. Ele não fechou a porta para o culto que deveria ser prestado no seu santo dia de celebração. O homem não podia mais participar dele; o pecado era o grande obstáculo. Mas, Deus haveria de removê-lo — disso o homem podia ter certeza. O dia santo de Deus iria continuar. Deus restauraria esse cosmos, recriaria o homem para que este pudesse permanecer eternamente em comunhão e culto ininterrupto a Deus, no descanso eterno do Senhor. À medida que desenvolvia o plano da recriação, Deus relembrava ao homem o ciclo de tempo, convidando-o a ter comunhão regular com ele. O convite era para que o homem tivesse repetidas vezes um gosto do descanso eterno. Assim, o dia do sábado, abençoado e santificado, estabelecido antes de o homem pecar, permaneceu sem ser removido. Permaneceu como um meio concreto de graça para o homem, a fim de este compreender cada vez mais o que Deus tem separado para o ser humano recriado, regenerado, justificado e santificado que irá entrar na glória perfeita com o seu Criador.

Vemos, pois, que no próprio alvorecer da história, o dia do Senhor foi estabelecido pelo Deus criador, foi feito um aspecto integral do cosmos como parte do ciclo temporal e recebeu um propósito definido para o culto e a comunhão prazeirosa com Deus. Já que isto foi estabelecido antes da queda, quando o homem pecou esse dia foi imediatamente colocado no plano redentor (ou recriador). Isto também explica porque o dia da ressurreição (bem como o dia de Pentecoste, o dia do Espírito Santo) tornou-se o dia específico em que uma sétima parte do ciclo temporal foi chamada de Dia do Senhor. A ressurreição e o Pentecoste são os grandes eventos do programa recriador de Deus. Eles asseguram ao homem que a porta para o descanso de Deus está aberta. Portanto, nesse dia o homem faz como o seu Criador: celebra a vitória de Deus em Cristo, através da cessação de suas atividades diárias, para que, entrando desimpedidamente no culto e na comunhão pessoal com Deus, possa experimentar a maior alegria que o ser humano pode ter.

O Velho Testamento traz o registro da atividade inicial de Deus no seu programa recriador. Ele nos revela como o homem por natureza estava e ainda está tragicamente separado de Deus. Ele revela como o homem ignorou as dádivas de Deus e tentou destruir as próprias evidências de Deus na vida. O culto a Deus foi substituído pelo culto a si próprio. O homem buscou entronizar a si mesmo, engrandecendo-se; mostrou sua desconsideração para com o seu próximo, assassinando, difamando e dando falso testemunho contra ele; deixou evidente sua cobiça, apossando-se violentamente do que pertencia a outro homem; desprezou o casamento e o sexo e tratou de forma imprópria os pais e aqueles que estavam em autoridade; recusou-se a dar a Deus o tempo e o culto que lhe eram devidos. O homem tornou-se um rebelde, portador de uma imagem degradada de Deus, um deformador, um escravo destruidor do cosmos material, ao invés de ser um vice-regente construtor e desenvolvedor da criação.

Por outro lado, o Velho Testamento também revela quão terna e pacientemente o Senhor se relaciona com a humanidade rebelde. Lenta, gradual e progressivamente Deus trabalhou para restaurar a sua criação, resgatando e salvando o que era seu. Quanto mais ele se revelava, mais esperava de seu povo. Nos estágios iniciais, foram introduzidas algumas formas temporárias. O Velho Testamento menciona especificamente muitas dessas formas. Mas o coração da obra de Deus, a motivação central e os fatores dominantes não foram alterados. Certos degraus do Velho Testamento que conduziam ao Calvário tornaram-se desnecessários desde que a cruz foi ali levantada. Os sacrifícios com derramamento de sangue são notáveis exemplos disto. Mas o sábado, mesmo tendo alguns aspectos temporários, não foi um desses degraus provisórios, porque era uma parte do ciclo temporal da criação e também uma parte integral do culto do homem recriado. Esse é o contexto ao qual o autor de Hebreus se referiu quando escreveu os capítulos três e quatro da sua epístola.

Antes de nos voltarmos para a Lei, devemos nos assegurar de que Deus de fato revelou a origem do dia do sábado. Os estudiosos de história, religião e antropologia cada vez mais concordam que desde tempos bem remotos foi observado um dia para os deuses. Entretanto, até agora não puderam encontrar ou demarcar a origem desse dia. Nós, que aceitamos as Escrituras como revelação de Deus infalível e sem erros, não precisamos procurar pela origem do sábado, pois ela encontra-se claramente estampada nas Escrituras.

Todavia, identificar com precisão o desenvolvimento da observância do sábado pelo homem é realmente uma tarefa muito difícil para qualquer historiador. As Escrituras também não nos dão muitos detalhes. Porém, quando Israel foi formado como nação, quando a sua vida religiosa foi regulamentada nos aspectos civil e social, o sábado é mencionado como um fator presente. Ele não foi estabelecido quando Israel tornou-se uma teocracia, mas certamente foi trazido à atenção do povo judeu naquele período, de várias formas.

NOTAS

1 É lamentável que a maioria dos comentaristas da Epístola aos Hebreus (muitos comentários têm sido escritos, numerosos demais para serem mencionados aqui) revelem grande incerteza e divergência quanto à interpretação apropriada dos capítulos 3 e 4, particularmente dos versículos que tratam do repouso de Deus. A principal dificuldade é que grande parte deles não dá suficiente atenção a toda a revelação do Antigo Testamento, isto é, eles não colocam Hebreus 3 e 4 em um contexto bíblico-teológico global.

2 Nota do Editor: Preferimos manter o termo sábado em lugar de shabbath, empregado pelo autor, mas ressaltamos que o autor focaliza o sábado especialmente em seu aspecto teológico, e não como dia da semana.

3 N. C. Deck, The Lord’s Day or the Shabbath, Which?: A Reply to the Seventh-Day Adventist Propaganda (Sidney: Bridge Printery, s/d). Essa obra, uma resposta de Deck à visão dos adventistas sobre o sábado, não é baseada em fundamentos bíblicos consistentes. Ele apresenta uma descontinuidade entre o Velho e o Novo Testamento, a Antiga Aliança e a Nova. A dissertação de Niels Erick e Andreasen intitulada The Old Testament Shabbath: A Traditional Historical Investigation (Missoula: Universidade de Montana, 1972), é muito enfraquecida pela sua aceitação da abordagem literária liberal e histórico-crítica do Velho Testamento. Problemas semelhantes prejudicam o estudo do livro de Willy Rordorf, Sunday, trad. A.A.K. Graham (Chatham: SCM Press, 1968). Paul K. Jewett, The Lord’s Day (Grand Rapids: Eerdmans, 1971), conhecido por muitos como professor de Teologia Sistemática durante muitos anos no Fuller Theological Seminary, também fez uma distinção radical entre o sábado e o domingo e deu a idéia de que Jesus apresentou como que uma ponte entre eles (p. 2). F.T. Wright, em seu livreto Living Righteousness and the Shabbath of God (Palmwoods: Judment Hour Publishing Co., 1969), adota a posição adventista de que o poder de Deus demonstrado na criação, no êxodo e na descida do Espírito Santo eram e são canalizados através do sábado. O estudo mais erudito dentro da estrutura bíblico-exegética e teológica dos adventistas do sétimo dia foi escrito por Samuel Bacchicchi, From Sabbath to Sunday (Roma: Pontifical Gregorian University Press, 1977). Essa obra parece considerar a sua própria apresentação como conclusiva. Bacchiacchi resumiu seu estudo escrevendo: "O sábado, então, no ensino e ministério de Cristo, não foi ‘colocado nos bastidores’ ou ‘simplesmente anulado’ para dar lugar a um novo dia de culto, mas sem dúvida foi feito pelo Salvador como um memorial adequado para que a salvação se tornasse disponível a todos os que vêm a ele com fé" (p.73). Numa declaração com a qual podemos concordar, ele afirma: "O papel que a Igreja de Roma desempenhou levando ao abandono do sábado e à adoção do domingo têm sido subestimado, se não totalmente negligenciado, nos estudos recentes" (p. 211). A 11ª edição desse livro foi publicada em 1989. Deve-se ainda tomar nota do fato de que no período de 1967 a 1975 um bom número de estudos e livros foram publicados sobre a questão do sábado e do domingo. Nos últimos vinte anos, entretanto, pouco tem sido publicado sobre esse assunto.

4 Nota do Editor: A crítica da forma é uma ferramenta de análise bíblica nascida com o método histórico-crítico. Ocupa-se com a pré-história das fontes que compuseram o texto, ou seja, o estágio oral pelo qual supostamente passaram. De acordo com a crítica da forma, boa parte dos livros que compõem o Velho e o Novo Testamentos são, em sua forma final, o resultado de um processo de coleção, edição e harmonização de tradições antigas, de fontes anteriores (escritas ou não), por parte de editores e escribas. Essas fontes adquiriram sua forma (ou gênero, como sagas, lendas, ditos dominicais, etc.) no processo de reflexão, evangelização e apologia por parte de Israel e da igreja, e refletem a teologia desses grupos.

5 J. H. Meesters, Op Zoek Naar de Oosrprong van de Sabbat (Assen: Van Gorcum, 1966). Esta obra é valiosa em dois aspectos: (1) a análise e avaliação das teorias críticas é concisa e assim a rejeição das mesmas por Meesters é bem fundamentada. (2) Meesters faz uma apresentação clara e definida da relação entre a hipótese documentária e/ou da abordagem crítica do Antigo Testamento e as conclusões não escriturísticas produzidas por esse método.

6 Moisés deve ser considerado o autor essencial do Pentateuco. Ele não escreveu cada palavra, expressão ou passagem, e sim o material básico essencial, e isto em grande parte na forma em que o temos diante de nós. Ver Introdução ao Velho Testamento, de E. J. Young, e a obra de R. K. Harrison, Introduction to the Old Testament (Grand Rapids: Eerdmans, 1979).

7 Para a conveniência daqueles que desejarem estudar todas as passagens, eis a sua relação: Ex 16.23-29; 20.8-11; 31. 14-16; 35.2,3; Lv 16.27-34; 19.3,30; 23.3-39; 24.8; 25.2-8; 26.2-43; Nm 15.32; 28.9,10; Dt 5.12-15; 2 Rs 4.23; 11.5-9; 16.8 ss.; 1 Cr 9.32; 23.31; 2 Cr 2.4; 8.13; 23.1ss.; Ne 9.14; 10.31-34; 13.15-22; Is 1.13,14; 56.2-6; 58.13; 66.23; Jr 17.21-27; Lm 1.7; 2.6; Ez 20.12-24; 22.8-26; 23.38; 24.24; 45.17; 46.1-12; Os 2.11; Am 8.5.

8 E. Cassuto observou como o número sete é dominante em Gênesis 1-2.4 (E. Cassuto, A Commentary on the Book of Genesis [Jerusalém: Magnes Press, 1961]). Ele ressalta a idéia de que o número sete é o número da perfeição; como tal, ele é fundamental para o tema básico de Gênesis 1-2.4 e serve para determinar muitos dos seus detalhes. "A obra do criador, que é caracterizada pela perfeição absoluta e por uma perfeita ordem sistemática, é distribuída ao longo de sete dias: seis dias de trabalho e um sétimo dia separado para o desfrute da tarefa concluída" (pp. 12-16). Abraão Kuyper (Tractaat van de Sabbat [Wormser, 1890]) também trata do uso do número sete (ver pp. 99, 125).

9 Ver Lv 16. 29-34; o Dia da Expiação era um sábado, Lv 23.1-44. Várias festas são referidas como sendo sábados. Em Números 28.1-31 são prescritas ofertas, assim como a proibição do trabalho, em dias de festas.

10 Ver Os 2.11; Ez 44.24; 45.17; 46. 1-12; Is 1.13, 14; 66.23; Lm 2.6; 2 Cr 2.4; 8.13; 2 Rs 4.23; etc.

11 Para maiores detalhes e discussões precisas das festas, consultar R. de Vaux, Ancient Israel (Nova York: McGraw-Hill, 1961), nos capítulos sobre festas, liturgia e sábado; a New Jewish Encyclopedia (Nova York: Behrman, 1961), para uma abordagem curta e precisa, e The Jewish Encyclopaedia, editada por Singer, para uma discussão longa e detalhada.

12 Meesters, Sabbat. Uma coletânea de teorias sobre a origem do dia do sábado pode ser encontrada nas enciclopédias mais comuns. O estudo do termo Sabbaton em Theologisches Wörterbuch zum Neuen Testament, ed. Gerhard Friendrich (Stuttgart: W. Kohlhammer, 1964), V. 7, pp. 4-35, é de leitura particularmente recomendável.

13 M. Buber, em vários de seus trabalhos, tem enfatizado a importância de considerar o tempo no contexto da relação Deus-homem, Criador-criatura, "Eu-Tu." Apesar de este filósofo judeu possuir uma visão bastante liberal de muitos ensinamentos do Antigo Testamento, seus pensamentos nessa questão do tempo, do relacionamento do homem com Deus e da expressão apropriada dessa relação em tempos regulares é muito profunda e está de acordo com a revelação do Antigo Testamento nestes pontos.

15 Comentários confiáveis que podem ser facilmente acessíveis aos estudiosos da Palavra de Deus são: J. Calvino, Genesis, Vol. 1; Leupold, Genesis, Vol. 1; Keil & Delitzsch, Commentaries on the Old Testament, Genesis, Vol. 1. Alguns comentários como os da série The Interpreter’s Bible, The Anchor Bible, etc., podem ser úteis mas são críticos demais para serem confiáveis. Isto também se aplica a alguns comentários mais antigos, como o escrito por J. Skinner em International Critical Commentary.

15 F. A. Tatford, The Message of Sinai (Londres: Victory Press, 1957), 37-40.

fonte: www.monergismo.com

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