quinta-feira, 29 de outubro de 2009

UNICISMO

Doutrina espúria que declara existir somente uma pessoa na Divindade.

Por Prof. Pr. Alberto

“E na vossa lei está também escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro, Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai, que me enviou” (Jo 8.17-18).

“Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? E o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho” (1 Jo 3.22)

A Bíblia declara que a grande mentira está associada a negação da verdadeira natureza do Verbo encarnado (João 1.2-7; 6.46; 7.18; 15.5; I Jo 5.6,20 e 2 Jo 7,9). O mentiroso nega a verdade da encarnação e o que nela está implícito, como a humanidade verdadeira de Cristo e que o Pai é uma pessoa e o Filho é outra pessoa, mas que estão em unidade divina: “Graça, misericórdia e paz, da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo, o Filho do Pai, seja convosco na verdade e amor” (2 Jo 3) e “Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; mas aquele que confessa o Filho, tem também o Pai” (1 Jo 2.23).

Sabemos que o apóstolo João ao escrever sua Primeira Epístola defendeu a sã doutrina da encarnação contra os gnósticos, no entanto, a Palavra de Deus é como espada (Hb 4.12) e profeticamente nos protege contra as astutas ciladas do diabo (Ef 6.11).

Uma crença incorreta fatalmente levará a uma teologia inadequada, problemática, incompleta e ao distanciamento da verdade. Os unicistas, embora muitos sejam sinceros, estão sinceramente equivocados e sua defesa intransigente do monarquismo modal defronta-os inevitavelmente contra a grande doutrina bíblica da Santíssima Trindade, o único Deus eternamente subsistente em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Dt 6.4; Mt 28.19 e Mc 12.29).

A NATUREZA DE DEUS

A Doutrina Bíblica da Trindade

A palavra Trindade é uma palavra de cunho teológico usada para designar a doutrina bíblica da unidade composta de Deus, ou seja: um único Deus eternamente subsistente em três pessoas : Pai, Filho e Espírito Santo (“pessoas” no sentido trinitariano, estamos nos referindo as distinções dentro da mesma substância). Não se trata de uma explicação de Deus, mas, sim, uma análise das evidências apresentadas pela Bíblia.
Assim sendo a Doutrina da Trindade “é uma doutrina bíblica que repousa essencialmente sobre duas premissas: 1ª) O monoteísmo é uma verdade: existe um único Deus; 2ª) a divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, também é uma verdade: existe três pessoas na unidade divina”.

O MONOTEÍSMO É UMA VERDADE

Como cristãos evangélicos cremos num único Deus. A Bíblia Sagrada diz explicitamente que existe um único Deus (Dt 6.4; Is 43.10; Jr 10.10-11; Mc 12.29-32; Jo 17.3).

A DIVINDADE DO PAI, DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO, TAMBÉM É UMA VERDADE

Como cristãos evangélicos cremos que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três pessoas . A Bíblia Sagrada diz explicitamente que estas três pessoas é Deus.
O apóstolo João registrou essas palavras do Senhor Jesus Cristo ao Pai: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro...” (Jo 17.3a), deixando claro que existe um único Deus Verdadeiro, o Pai. Porém o mesmo João escreveu na sua Primeira Epístola Universal no capítulo 5 e versículo 20:“E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro, e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”. Essas palavras afirmam categoricamente a divindade de Jesus: ele é o Verdadeiro Deus e a vida eterna está nele.

O apóstolo João atribui a palavra Deus Verdadeiro, tanto à pessoa do Pai, como a pessoa do Filho: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1). Esses textos são provas explícitas de que Deus como sendo único e verdadeiro, subsistente em mais que uma pessoa, neste caso específico duas pessoas: Pai e Filho. Não estou dizendo que o Pai seja o Filho, mas que o Pai e o Filho são duas pessoas como o próprio João declara: “Graça, misericórdia, paz, da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo, o Filho do Pai, seja convosco na verdade e caridade” (II Jo 1.3).

Em Atos dos Apóstolos no capítulo 5. Versículos 3 e 4 lemos: “Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herança? Guardando-a não ficava para ti? E vendida, não estava em seu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentistes aos homens, mas a Deus (GRIFO NOSSO) . Nessa passagem bíblica o Espírito Santo é chamado explicitamente de Deus.

Se o Pai é chamado de Deus Verdadeiro (Jo 17.3) e o Filho é chamado de Deus Verdadeiro (I Jo 5.20), e o Espírito Santo é chamado de Deus (Atos 5.3-4), então as três pessoas sem sombra de dúvida podem ser chamadas cada uma de Deus, no entanto, o Profeta Isaías no capítulo 43 versículo 10 e 11 escreve: “Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e o meu servo, a quem escolhi, para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá”. Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há Salvador”. Se existe três pessoas chamadas na Bíblia de Deus Verdadeiro e ela não admite outro deus ou deuses, senão o Deus único, ou admitimos a pluralidade na unidade, já que Deus é único (Is 43.10); ou cairemos nos erros dos unicistas (que entendem que há uma só pessoa e três manifestações), ou no erro dos unitaristas (onde Jesus não é Deus e o Espírito Santo uma simples força, emanação “Shekinah” ou sopro), ou ainda no erro politeísta, que é intragável e grosseiro (o Pai é Deus Todo-Poderoso e Jesus é um deus apenas poderoso, ou seja duas divindades, portanto politeísmo).

Se analisarmos a Palavra de Deus, no que se refere ao maravilhoso relacionamento do Pai e do Filho e do Espírito Santo, certamente entenderemos que só existe um Deus verdadeiro, e que essa unidade divina subsiste eternamente em três pessoas . A unidade chamamos Deus e como nessa unidade subsiste três pessoas, cada pessoa em particular também pode ser chamada de Deus. No entanto, não existem três unidades ou três deuses, mas somente uma unidade ou um só Deus.

A palavra Deus é uma polissemia, nome que se aplica a mais de uma pessoa na Bíblia. Ele se aplica ao Pai (Fp 2.11), ao Filho (Atos 20.28) e ao Espírito Santo (Atos 5.3-4). Aparece, na maioria das vezes, com referência à Trindade (Dt 6.4). Isso também ocorre com o nome YHWH (Senhor ou Jeová), aplica-se ao Pai (Sl 110.1), ao Filho (Is 40.3 ver Mt 3.3), e ao Espírito Santo (II Rs 17.14 ver Atos 7.51). No entanto aplica-se à Trindade (Dt 6.4; Sl 83.18).

ORIGEM DO TERMO TRINDADE

A palavra TRINDADE foi usada pela primeira vez, em sua forma grega por Teófilo e, em sua forma latina, por Tertuliano. Tertuliano escreveu em Contra Práxeas 2, um resumo da doutrina da Trindade e apresentou pela primeira vez essa nomenclatura: “Todos são de um, por unidade de substância, embora ainda esteja oculto o mistério da dispensação que distribui a unidade numa TRINDADE, colocando em sua ordem os três, Pai, Filho e Espírito Santo: três contudo...não em substância, mas em forma, não em poder, mas em aparência, pois eles são de uma só substância e de uma só essência e de um poder só, já que é de um só Deus que esses graus e formas e aspectos são reconhecidos com o nome de Pai, Filho e Espírito Santo” (Walker, W. História da Igreja Cristã, p. 98, Vol I e II, Juerp e Aste, Rio, 1980.

EVIDÊNCIAS BÍBLICAS DA DOUTRINA DA TRINDADE NO ANTIGO TESTAMENTO

Deus, no Antigo Testamento, é um só Deus, que se revela pelos seus nomes, pelos seus atributos e pelos seus atos. Mesmo assim o Antigo Testamento lança alguma luz sobre a pluralidade (uma distinção de Pessoas) na Deidade.

Em Gênesis 1.1, Deus é apresentado pela primeira vez com o nome hebraico (Elohim), o verbo está no singular (criou) e o sujeito no plural (Deus). Elohim é a forma plural de Eloah, mas o significado é o mesmo: Deus. Quando analisamos o contexto bíblico (Gn 1.26; 3.22; 11.7), podemos compreender a doutrina bíblica da Trindade. Embora, o nome Elohim por si só não prove a unidade composta, o contexto apóia a unidade composta de Deus:
Gn 1.26 : “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” – (v.27);
Gn 3.22: “Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós...”;
Gn 11.7: “Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua....”
Outras distinções pessoais na Deidade são reveladas nos textos que se referem ao “anjo do SENHOR” (Hb. Yahweh) – (Gn 16.7-13; 18.1-21; 19.1-28; 32.24-30);

A Bíblia declara que só existe um Deus (Dt 6.4; 2 Rs 19.15; Ne 9.6; Sl 83.18; Sl 86.10; Mc 12.29-32; 1Co 8.6; Gl 3.20; Ef 4.6). Portanto o Cristianismo é MONOTEÍSTA (crença num só Deus). Em todas essas passagens a doutrina da Trindade permanece em pé, sem contradizer o monoteísmo, porque a unidade divina é composta, não absoluta. Deuteronômio 6.4 diz que YHWH (Senhor) é único. A palavra “único” no original hebraico é echad e está no construto. Se esta unidade fosse absoluta, a palavra correta aqui seria yahid, a mesma usada em Gênesis 22.2 “Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque...”, para a unidade absoluta. A palavra “echad” é uma unidade composta, é a triunidade de Deus. Esta doutrina não foi bem esclarecida nos tempos do Velho Testamento para não confundir o povo com os deuses das religiões politeístas das nações vizinhas de Israel, todavia ela está implícita no Velho Testamento. Ela só pode ser ensinada explicitamente com o advento da segunda Pessoa, o Senhor Jesus Cristo, e com a manifestação da terceira Pessoa, o Espírito Santo.
Outras passagens do Velho Testamento apontam para a doutrina da Trindade, veja a visão do profeta Isaías (Is 6.1 ver Is 6.8). A respeito de Jesus: (Is 6.1-3 ver Jo 12.41), e a respeito do Espírito Santo (Is 6.8-10 ver Atos 28.26).

A TRINDADE NA EXPECTATIVA MESSIÂNICA DA ALMA HEBRÉIA

As profecias messiânicas (Jr 23.5; Sl 45.6-7 ver Hb 1.8; Sl 2.7 ver Atos 13.32-33; Hb 1.5;5.5). O messias fala (Is 48.16-17; 61.1 e 63.9-10). A revelação da pluralidade na Deidade fica muito claro nesse texto: (Zc 12.10). Assim saímos das sombras e prefigurações do Antigo Testamento para a luz maior da revelação no Novo Testamento.


UMA PERGUNTA FATAL: A QUEM FOI PAGA A NOSSA REDENÇÃO?

A quem Cristo pagou o resgate?
Se a doutrina ortodoxa da Trindade for negada (não há distinção entre as Pessoas da Deidade, conforme ensina o modalismo), Cristo teria pago o resgate para quem? A Bíblia responde a Deus Pai: “andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” (Ef 5.2), “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).
“O unicismo subverte o conceito bíblico da morte penal e vicária de Cristo como satisfação da justiça de Deus e, em última análise, anula a obra da cruz” (Teologia Sistemática. CPAD, 1ª. Edição, 1996, p. 280).



CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com toda a confiança declaramos a nossa fé bíblica na doutrina da Trindade, porque:
Aceitamos a doutrina de acordo com o que expõem a Bíblia Sagrada (Mt 28.19; Ef 4.4-6; I Co 12.4-6; II Co 13.13- Nm 6.24-26);

Não somos politeístas, já que cremos num único Deus, e não aceitamos nenhuma divindade inferior ou superior, além de Deus; (Dt 6.4; Mc 12.29; I Co 8.6; Gl 3.20; Ef 4.6);

Não somos idólatras, já que não temos nenhum outro deus diante do único Deus; (Ex 20.2-3; Is 43.10-11);

Não aceitamos o paganismo, e encontramos fartamente no paganismo a crença em duas ou mais divindades. Ex; Júpiter (o deus supremo dos romanos ou o deus Todo-Poderoso dos romanos) e Mercúrio (divindade inferior ou deus poderoso); ou para os gregos (Zeus, o deus Todo-Poderoso e Hermes o deus apenas poderoso), crença similar a das Testemunhas de Jeová: Jeová o Deus Todo Poderoso e Jesus o deus poderoso;

Não aceitamos o critério da razão humana para conceber a divindade, já que Deus não é concebido através de um raciocínio lógico, nem por mentes enfermas pelo pecado, nem por uma demonstração matemática, Ele é Deus de mistério ( Is 45.15; I Tm 3.16);

“Se o cristianismo fosse alguma coisa que estivéssemos inventando, é óbvio que poderíamos torná-lo mais fácil. Não conseguimos concorrer, em termos de simplicidade, com as pessoas que estão inventando religiões. Como poderíamos? Estamos lidando com Fatos. É óbvio que qualquer um pode simplificar as coisas se não precisar levar em conta os fatos!”.C. S. Lewis.


PROFESSOR PASTOR ALBERTO ALVES DA FONSECA - é formado em Teologia pela FAETEL, formado em História (Licenciatura Plena) na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade de São Paulo – FFLCH/USP, formado em Direito na Faculdade de Direito Padre Anchieta de Jundiaí-SP. Foi vereador da cidade de Jundiaí, Presidente da Comissão dos Direitos Humanos na Câmara Municipal de Jundiaí, Professor e Diretor Técnico Executivo da Escola de Educação Teológica “Pr. Elyseu Queiroz de Souza” – ETEQS, Vice-Presidente e Diretor Teológico do ICP – Instituto Cristão de Pesquisas, sendo um dos coordenadores da Bíblia Apologética e da Série Apologética. Morou em Israel no Kibbutz Afikim (Jordan Valley – Israel). Atualmente é ministro do Evangelho da Assembléia de Deus de Campinas – Ministério Belém – SP, professor de diversas disciplinas teológicas da ESTEADEC, professor de História da Escola Estadual Dom Barreto, professor responsável pelo Curso de Capacitação para Professores de Escola Dominical de Jovens e Adultos, Diretor Pedagógico do Instituto Paulo Freire de Ação Social e é vereador da Câmara Municipal de Campinas-SP.

1 comentários:

Glaucio Ferreira disse...

isto é catolicismo ou paganismo a ser mais exato