terça-feira, 29 de abril de 2008

A PRIMEIRA COISA A TER EM CONTA SOBRE A ORAÇÃO

“Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti”, Is.26:3

Poucos conseguem orar como Deus quer que oremos. Poucos, por essa razão, sabem orar até serem ouvidos e sabem parar de orar quando são atendidos. Muitos nem sabem se estão a ser ouvidos, quanto mais quando foram atendidos!

Estou falando aqui daquela oração que faz a diferença. Ela é capaz, eficiente, única e exclusiva de alguém que sabe com quem está falando e de quem está ouvindo - e nem será preciso que lhe digam com quem está falando. Os homens estão habituados à gritaria do seu mundo, à concorrência sobre sua atenção. Deus não grita, procura estabelecer-se dentro do homem na paz de espírito e isso é desde logo um modo distinto de empreender as coisas que todo homem nunca entende - é um modulo diferente daquele a que o homem se habituou a ser obediente.

A primeira coisa a levar em conta quando nos aproximamos de Deus, mais que a limpeza de coração e mais que a fé entre outras coisas (coisas essas que vêm de seguida e são obrigatórias), será a realidade e a oportunidade do contacto que mantemos com Ele por Ele por Quem Ele é. Nossa mente não se fixa facilmente em algo que venha de Deus, pois é contrário ao stress que cada humano conhece e procura entender e averiguar por ele mesmo. O que vem de Deus não tem nenhum modo sujeito ao stress e também não se averigua pelo poder do homem. A verdadeira oração é feita pelo Espírito em nós, por nós, usando quem somos e sentimos – se sentimos tudo como convém.

Uma mente que não se firma em Deus conforme Ele é, tem muito poucas hipóteses de conseguir empreender através da oração ou na oração. Na verdade, a primeira questão a ser explorada por Satanás será isso mesmo. Ele impedirá de qualquer maneira que a mente de quem busca Deus se firme n’Ele ou naquilo que Deus tem em mente para nós. Deus tem um objectivo a alcançar na nossa oração. Será que Ele alcança? O mal é que as pessoas acham que são eles que têm objectivos a alcançar de Deus e não Deus a alcançar deles indirectamente e através do que os possa levar a orar fervorosamente.

Se somos maleáveis para tudo quanto nos possa rodear e distrair sempre que nos encontramos com Deus, seremos duros para com Deus. Se somos maleáveis e dirigíveis em relação a tudo quanto Deus nos quer ensinar a cumprir e a fazer do jeito que só Ele sabe ensinar e transmitir, seremos irredutíveis e duros contra tudo que nos tenha como obscurecer o entendimento, desviar nossa atenção ou desfocar nossa visão (nem que seja ligeiramente apenas) do que Deus nos deseja fazer ver logo ali. A tal pessoa nem será necessário dizer para se fixar em Deus ou para se acautelar com aquilo que disputa sua atenção ou a possa desviar. Deus não tem tempo para perder – nós é que achamos que tem ou que podemos perder esse tempo. Por isso pregam muito sobre o tempo de Deus porque as pessoas facilmente se atrasam em relação às Suas coisas e passam a culpar Deus ou o diabo de seus próprios atrasos. Eu afirmo que nem um tremor de terra deveria ser capaz de nos retirar da atenção exclusiva de algo que Deus nos quer transmitir ou focalizar, por pequenina que seja essa coisa que Deus nos queira dar a conhecer. Muitos crentes são simplesmente interrompidos por um simples telefonema de tagarelice e saem duma reunião com a pessoa mais importante de todo universo apenas porque existe uma linha telefónica que Satanás facilmente sabe e pode usar. Jesus bem nos avisou: “Entra em teu quarto e fecha a porta….” e muitos deixam seus celulares ligados ao lado de seus joelhos dobrados.

Pena é que os crentes sejam tão pouco perspicazes e eficazes na quebra e no rompimento com tudo que distrai e que tenha como desvirtuar algo de nossa total disponibilidade e atenção interior para com Deus. É aí que jaz o primeiro segredo de toda a oração. Nada nos deve poder interromper duma reunião a sós com Pessoa tão importante assim. Se estivermos numa reunião de trabalho, no banho, numa conferência ou em algum programa de televisão, não queremos ser interrompidos, chamados à atenção ou distraídos. Muitas vezes nem atendemos o telefone quando estamos ocupados. Só com Deus é que permitimos ser levados de nossos deveres e afazeres que nos dão vida real e verdadeira e a qual exige de nós todo nosso coração. Aquilo que Deus quer deveria ser algo que deveriam ser os nossos únicos afazeres de verdade.

Se temos um compromisso com Deus, um encontro real no qual Deus realmente nos fala, nem a aparição dum anjo, nem um ataque dum demónio deveria ser capaz de nos confiscar um pouquinho de toda a nossa atenção daquilo que Deus nos deu para fazer, nos entregou confiando em nós. A maioria dos crentes sérios fazem um encontro-compromisso com Deus e eles fazem de tudo para o cumprir até ao fim. Chega-se a um ponto que nem Satanás terá como impedir isso mais. Mas, se isso é algo extraordinário de ser conseguido (mas não deveria ser) as pessoas ao conseguirem manter seu tempo com Deus durante anos a fio, sentem-se realizados apenas com isso. Mas, eu creio firmemente que isso é o apenas o mínimo dos mínimos para alguém que necessita salvar toda sua vida de toda e qualquer influencia de pecado e do modo de vida anterior. Deus tenha misericórdia de nós!

Deus tem um objectivo a alcançar nesse nosso tempo com Ele. Por vezes esquecemos isso por nos sentirmos facilmente realizados sempre que conseguimos manter nosso tempo com Deus diariamente. Manter esse tempo é sempre bom, mas provavelmente não é o que Deus pretende que se alcance ainda, pois o uso desse tempo para entender, apreender calmamente e consolidar tudo que Deus tem para nos transmitir e ensinar directamente relacionado com nossa vida interior e pessoal que Ele deu, é o que Ele tem em mente antes de Lhe obedecermos fielmente. Alcançando nossos objectivos, poderemos não ter atingido os Seus em relação a nós ainda. Seria como nos concentrarmos para ir ao médico e sentirmo-nos felizes porque o conseguimos, mas não fomos tratados de nada ainda após a consulta. Se me concentro em me encontrar com Deus e ser achado d’Ele oportunamente, poderei estar livre para tudo que vem da forja de Seu amor para me transmitir, ou estarei ainda gozando a vitória conseguida em não ter ido para outro lado naqueles momentos? Se me concentro em me concentrar em Deus, não estarei concentrado em Deus e nem naquilo que Ele me quer ensinar para poder fazer.

Mantermos um tempo diário e contínuo com Deus é o mínimo dos mínimos que se pode exigir de alguém que corre perigo eterno e de alguém que precisa viver duma vida nova através de novos hábitos que necessitam ser consolidados e confirmados e onde cada dia é pouco para consegui-lo, aprendendo tudo que não aprendeu durante anos vivendo de outro jeito e através de outros meios, discernindo como se fazem as coisas no céu e aquele o jeito de o conseguir fazer do jeito de Deus para o fazer aqui na terra dessa mesma maneira depois também. Ámen.

José Mateus

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