Neste artigo vou refutar as teorias do pr. Genésio Mendes, um dos principais autores adventista da promessa e idealizador do Doutrinal, o manual de fé adventista da promessa, em seu livro “A Verdade sobre o drama do Calvário” (doravante DVC) sobre At. 20.7 e ICo. 16.2. Cabe dizer aqui, com todo o respeito ao pr. Genésio Mendes, pois não estou falando de sua pessoa, mas de suas idéias expostas em sua literatura, tem o estranho hábito de manipular o grego (por pouco que usa) para distorcer e passar o sentido para o sábado, sendo que ele é árduo defensor da guarda do sábado, como doutrina Adventista da Promessa (IAP). Cabe dizer que nestas interpretações, pelo menos a Adventista do Sétimo Dia (IASD) não entende como Genésio Mendes. Eles até que entendem corretamente estes versos como sendo o domingo, mas alegam que no NT não há “mandamento” para se guardar o domingo. Neste ponto, as idéias do pr. Genésio são solitárias e únicas, sendo poucos, mesmo adventistas, que compactuam com suas idéias.
O texto do livro está em preto e minhas respostas em azul.
ATOS 20:7 - "E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de viajar no dia seguinte, falava com eles; e alargou a sua prática até a meia noite".
Este texto é dos citados em prol da guarda do domingo.
Encontram nele, os defensores do primeiro dia, uma cerimônia de Santa Ceia e base para fundamentar a doutrina domin guista.
É o que veremos neste estudo se há ou não a Santa Ceia (Eucaristia) aqui. Notem antes de tudo que Genésio Mendes pouco ou nada usa do texto grego original e isto, ao contrário do que pensam os incautos adventistas, É MUITO IMPORTANTE, pois não é possível se entender o texto do NT se não se entender também o grego. Muitos textos bíblicos só têm sentido pleno quando estudados na língua original e os IAPs são muito conhecidos por fazerem pouco uso dela.
Estudando o texto à luz da própria Bíblia e da razão, des cobre-se uma simples reunião muito comum naqueles dias e a despedida de Paulo.
“À luz da própria Bíblia” parece apropriado, mas Genésio passa ao largo do grego neste estudo. Resume-se a ler a Bíblia somente no português, um erro típico dos fundamentalistas, e não vê a exegese e hermenêutica exposta no texto. Minha posição é a seguinte:
A expressão - partir o pão - não se presta, ela só, para, provar a Ceia, ou melhor, a comunhão da Mesa do Senhor. Essa cerimônia sacramental não é composta de pão, exclusiva mente.
Errado. Uma análise simplista do autor. Lembre-se que Jesus “partiu o pão” (Lc.24.30-35). Certamente, “partir o pão” nos tempos bíblicos, fazia referência a participar de refeições comuns. Deus uma vez advertiu ao profeta Jeremias a não “partir o pão” pelos mortos (Jr. 16:7). Jesus “tomou o pão e... o partiu” com os discípulos a quem apareceu no caminho de Emaús (Lc. 24.30,35). Diz-se que os cristãos perseveravam a cada dia, “partindo o pãonas casas, comiam juntos com alegria e simplicidade de coração”. (At. 2:46). Paulo uma vez “tomou o pão... epartindo-o”, instruiu a seus 275 companheiros de um navio que se dirigia à Itália a comer por sua “saúde” (At. 27.34-35). Em tempos antigos, “partir o pão” era uma figura de expressão conhecida como sinédoque, onde a parte (partir o pão) se usava pelo todo (comer uma ceia comum, sem considerar a classe de comida ou bebida consumida). O não conhecimento dessas informações é o que faz o equívoco do autor do livro.
Agora, sobre se a Ceia só é composta de pão mesmo, como diz o autor. Esta reunião regular tinha o propósito de "partir o pão", a comunhão (bem, ele omitiu convenientemente o fato de que a Última Ceia foi primeiramente instituída em Mat. 26:26, onde Jesus “partiu” o pão. A mesma palavra grega para dizer “partiu” em Mt. 26:26 é uma variante da palavra grega para dizer “partindo”, em At.20:7. Tratar de provar uma diferença entre a “Ùltima Ceia” e o “partir o pão” não tem nenhuma validez. O significado é o mesmo, mas as palavras são diferentes. Se isso não fosse o suficiente, então continua dizendo que o versículo não menciona o vinho, pelo qual não pode ser a celebração Eucarística ou comunhão. Isto simplesmente não é verdade, pois existem muitos versículos referentes à celebração da Eucaristia, ou a missa, nos quais não se menciona o vinho. Por exemplo, Lc. 24:30-31:”E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o pão, abençoou-o e, tendo-o partido, lhes deu; então, se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles”. Não se deu nenhuma palavra aqui sobre o vinho nesta famosa passagem do encontro de Emaús. Notaram que reconheceram a verdadeira presença de Jesus ao partir o pão?.
Outros textos bíblicos, que realmente identificam a Ceia, não usam aquela expressão, como principal, ou denominativa. Vejamos algumas:
Atos 2:42 - "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações".
Cada período desse verso, é uma sentença em separado:
Note que o autor referiu-se a At.2.42. Pois bem. O que nos salta aos olhos aí (não tanto para quem, desavisado, não percebe) é a fraquíssima análise exegética do autor. Ele coloca a “comunhão” como a SANTA CEIA. Errado! Não é! O “partir o pão” pode se referir a Ceia do Senhor. “Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? (ICo. 10:16). Em At. 2:42, podemos ver que o “partir o pão” é listado junto com outros atos de adoração. " E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações."
O problema é que Genésio só usa a Almeida, principalmente a ACF, que é muito parecida com a versão King James, que contêm algumas falhas. Ele comete dois erros primários aqui:
Neste caso, para esclareceremos melhor o verso, vejamos outras traduções, com o termo onde Genésio pensa ser a Santa Ceia anotado, todas respeitadas:
“E eles perseveraram na doutrina dos legados; e estavam juntos em oração, e partindo a Eucaristia”. (Siríaco peshitta)
“E eles se dedicaram ao ensino dos apóstolos e pelo companheirismo uns com os outros, para partir o pão e para a oração”. (Novo Testamento de Williams)
“E decidiram viver como uma grande família. E cada dia os apóstolos compartiam com eles os ensinos acerca de Deus e de Jesus. Também celebravam a Ceia do Senhor e oravam juntos”. (A Bíblia em Linguagem Simples)
“dedicando-se com constância ao ensino dos apóstolos e à comunhão fraterna, a fração do pão e às orações”. (Bíblia Castillian 2003)
Basta isto para vermos que o “tradutor” do livro VDC se esqueceu de que a palavra para “comunhão” aqui em grego é koinonia! O perito bíblico Adam Clarke comenta:
Então, embora a palavra "adoração" não seja usada diretamente em At. 20:7, nós sabemos que isto era o que aconteceu em Trôade porque no primeiro dia da semana os discípulos vieram para partir o pão juntos.
I Cor. 10: 16 - "Porventura o cálice de bênção, que abençoa mos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que par timos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo?”.
Neste caso, o apóstolo associa pão e comunhão; comunhão e cálice abençoados. Aqui temos os dois emblemas que formam A COMUNHÃO. Isso revela que a comunhão da Ceia, não pode ser identificada simples ou somente pela expressão: par tir o pão.
Contrariando TODA lógica, TODA a exegese, TODA a evidência lexicográfica e TODA lingüística, Genésio Mendes arvora ter mais conhecimento de grego que eruditos que vem estudando grego há séculos. Já expus irrefutavelmente (e nem Genésio pode ir contra o dicionário grego) que Vine põe o “partir o pão” de At. 2.42, 20,7 e ICo.10.16 como a Santa Ceia. Genésio interpreta a Bíblia ao pé da letra, esquecendo-se de que as coisas não são tão simples como ele quer que sejam.
Vamos voltar para atos 2 e ficaremos bem esclarecidos sobre essa questão.
No verso 42, já descobrimos que a Igreja naqueles dias perseverava no partir do pão Lendo o verso 44-46, então a luz se nos salta aos olhos.
“Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração”.
Havia na Igreja Primitiva perfeita harmonia cristã e social.
Posso fazer uma pergunta sincera? Em que linguagem foi escrito o NT? Se alguém me provar que foi em português, eu retiro tudo o que disse até agora dos escritos do Genésio Mendes. Mas se não... Notem a frase “partiam pão de casa em casa”. Genésio Mendes, tentando fazer uma esdrúxula análise sintática pseudo-grega, tenta alegar que “partir o pão” não se refere à Santa Ceia. Mas isto provei que é falso, sendo que no grego (não no português dos adventistas), At.20.7 tem a mesma frase para a Santa Ceia. Em At.2.46, o “partiam pão de casa em casa” não se refere à Santa Ceia. Ele só fala que os cristãos faziam suas refeições comuns depois de terem se reunido no templo. Mas a palavra grega para REFEIÇÕES, trofhv, NUNCA é usada para a Ceia do Senhor.
chat tuga
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