segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Por que o Adventismo não crê na inspiração verbal das Escrituras?

Quando colocamos lado a lado aquilo que chamamos de ortodoxia cristã protestante,com a teologia adventista, e avaliando seus pressupostos menos conhecidos, sua reflexão acadêmica teológica, é inevitável algumas conclusões: O Adventismo do Sétimo Dia não é ortodoxo em assuntos de peso - na salvação pela graça na suficiente mediação de Cristo – quando pesado as implicações da doutrina de 1844 e do sábado como selo escatológico; não é ortodoxo na doutrina da Trindade, - quando pesado suas implicações de uma nova definição trinitariana com base nas visões de Ellen White e na rejeição da teologia trinitariana tradicional; não é ortodoxo na sua eclesiologia -quando pesado em sua medíocre crença de que são os ‘remanescentes’; não são ortodoxos na rejeição da inerrância da Escritura, ao recorrem a isso para justificar os erros de Ellen White, e consequentemente o assunto dessa postagem – também não são ortodoxos na crença na inspiração verbal da Escritura Sagrada.

Mais uma vez tal postura se deve à cega crença de Ellen White era/é profetisa dessa igreja, e visto que ela rejeitou a inspiração verbal (obviamente por causa de seus tropeços como escritora ‘inspirada’), eles também rejeitam a doutrina da inspiração verbal da Escritura. Ainda assim, a IASD se declara ‘protestante’:

“Numa resposta mais detalhada, pode-se dizer que os adventistas são uma corporação protestante e conservadoras de cristãos evangélicos [...]” (Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, p. 1).

Mas como é comum entre os adventistas, ‘falar com dois lados da boca’, como dizia o Pastor Natanael Rinald, prática iniciada no livro Questões Sobre Doutrina, você encontra autores adventistas, e a própria teologia oficial adventista, dizendo que as palavras da bíblia foram inspiradas (Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, p. 45). Mas quando dizem isso, dizem como produto geral e final, não as palavras usadas imediatamente pelo autor inspirado; [ou talvez façam isso para evitar problemas – ‘um dilema desnecessário’ (ibidem, p. 45)]. Porém, veja o que afirmava Ellen White:

“Não são as palavras da Bíblia que são inspiradas, mas os homens é que foram. A inspiração não atua nas palavras do homem ou em suas expressões [...]” (Em Busca de Identidade, p. 137).

“Não por acaso que a maioria dos líderes adventistas mais próximos de Ellen White rejeitaram a inerrância e o verbalismo tanto da Bíblia como dos escritos dela.” (Em Busca de Identidade p. 140).

A Crença Fundamental 1da comunidade adventista não entra em detalhes sobre o processo de inspiração, mas suas explicações oficiais preenchem o vácuo:

“1. As Escrituras Sagradas. As Escrituras Sagradas, o Antigo e o Novo Testamentos, são a Palavra de Deus escrita, dada por inspiração divina por intermédio de santos homens de Deus que falaram e escreveram ao serem movidos pelo Espírito Santo.”

“Tampouco o conceito de inspiração verbal ou mecânica. Já os conceitos de inspiração plena e conceitual foram amplamente aceitos, mas a igreja nunca formulou uma doutrina exata sobre inspiração ou revelação. Por mais de 100 anos, os adventistas repetiram e refinaram as convicções adotadas por seus pioneiros em declarações de crenças fundamentais.” (Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, p. 60).

A Bíblia, diferentemente de Ellen White, afirma categoricamente que não apenas as pessoas, mas as palavras que seus autores usaram, foram inspiradas por Deus. Ambos!!! Alguns textos confirmam isso. Por exemplo, O Senhor Jesus disse que nenhum ‘til’ da lei cairia sem se cumprir (Mt 5.17), que a Escritura não pode ser falhar (Jo 10.35) ao mesmo tempo que afirma a autonomia do autor humano (Mt 8.4). Pedro disse que homens santos falaram da parte de Deus (II Pe 1.21), enquanto Paulo também disse a Timóteo que a Escritura e as sagradas letras, foram inspiradas por Deus para a salvação (I Tm 3.15-17).

A crença cristã protestante e conservadora – excetuando-se os liberais, neo-ortodoxos, etc – é que a ‘inspiração da Escritura Sagrada é plenária, dinâmica, verbal e sobrenatural.’ (A Inspiração e Inerrância das Escrituras, pp. 99,100).Essa é a mesma posição de um reconhecido teólogo pentecostal, Myer Pearlman e afirma que a inspiração da Escritura é “Verbal, não apenas conceitual.” (Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, pp. 29-33). A Declaração de Chicago resume bem o pensamento cristão a respeito da inspiração verbal:

VI. Afirmamos que a totalidade das Escrituras e todas as suas partes, chegando às próprias palavras do original, foram por inspiração divina. Negamos que se possa corretamente falar de inspiração das Escrituras, alcançando-se o todo, mas não as partes, ou algumas partes, mas não o todo. 

VIII. Afirmamos que Deus, em Sua obra de inspiração, empregou as diferentes personalidades e estilos literários dos escritores que Ele escolheu e preparou. Negamos que Deus, ao fazer esses escritores usarem as próprias palavras que Ele escolheu, tenha passado por cima de suas personalidades [uma explicação das implicações e afirmações da Declaração de Chicago pode ser visto em – Havendo Deus Falado, de J. I. Packer].

A Confissão de Fé de Westminster diz:

[...] foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda.

O Velho Testamento em Hebraico (língua vulgar do antigo povo de Deus) e o Novo Testamento em Grego (a língua mais geralmente conhecida entre as nações no tempo em que ele foi escrito), sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e providência [...]

CONCLUSÃO

Diferentemente da Igreja Adventista do Sétimo Dia, as Igrejas Cristã – com o verdadeiro Espirito de Profecia, não tendo um (falso) profeta para ‘justificar’, nem mesmo o mundo secular para temer, não baixa sua posição a respeito da Inspiração para salvar um profeta ou sua aceitação do mundo. No conhecido ditado ‘um abismo chama outro abismo’, percebemos que o Adventismo entrou no mais no abismo herético. Aceitaram uma profetisa inspirada, com isso a suficiência da Escritura foi abalada. Ao depararem com os erros dessa falsa profetisa, detonaram a inerrância da Bíblia. Mas para fazerem isso, precisaram ‘diluir’ a doutrina da inspiração. A Igreja Adventista é uma falsa igreja, é uma seita no pleno sentido*. Lamento que vários no Brasil estão caindo na malha do marketing dessa seita, abrindo o aprisco para as heresias.


*Há alguns apologistas cristãos de renome internacionais que não compartilham a ideia de que a IASD seja uma seita. No Brasil,a maioria das igrejas continua mantendo a postura de que a IASD é uma seita, à medida que a TV Novo Tempo age, e ganha terreno em crentes incautos. Mas até mesmo pastores e pesquisadores no Brasil, já demonstram uma tendência de mudarem de opinião, ou já mudaram. Os que acham que a IASD é uma igreja cristã ortodoxa, não tem condições de defender essa postura em relação aos adventistas sem prejuízos à ortodoxia cristã, nem mesmo sem prejuízos ao que é o adventismo de fato, e até mesmo a essa posição ‘ecumênica’.Já que um dos votos para o batismo na IASD reza: “13. Aceita e crê que a Igreja Adventista do Sétimo Dia é a igreja remanescente da profecia bíblica e que pessoas de toda nação, raça e língua são convidadas afazer parte de sua comunhão e são nela aceitas? Deseja ser membro desta congregação local da Igreja mundial?”

Fonte: MCA
Imagem: Google


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