sábado, 3 de setembro de 2016

Domingo - o Dia do Senhor

A ideia do Domingo como o Dia do Senhor tem sido afrontada em vários sentidos. Alguns ensinam que o sábado do sétimo dia é aquele que deve ser guardado pela Igreja Cristã, outros dizem que o quarto mandamento foi abolido e que não há mais um dia de guarda, outros ensinam que, o que permanece é o princípio de um dia em sete, e que não importa qual dia da semana guardar. Este artigo defende que o primeiro dia da semana [domingo] é, hoje, o sábado cristão.

DEUS DESCANSA NO SÉTIMO DIA
No Sétimo Dia da Semana criativa, o Senhor Deus o santificou e descansou (Gênesis 2.4). O repouso divino não ocorreu porque o Criador estava literalmente cansado (Isaías 40.28). Se entendermos que os dias criativos são de 24 horas, podemos dizer que o Amoroso Criador descansou para que, de forma didática, pudesse posteriormente ensinar a Israel sobre a santificação do Sétimo Dia (Êxodo 20.10-11).

É interessante que o primeiro a guardar o sábado tenha sido o próprio Deus, antes mesmo que a raça humana fosse contaminada pelo pecado, e antes do estabelecimento de qualquer sistema cerimonial de expiação. Nesse sentido, o mandamento sabático transcende uma mera questão de “ordenança cerimonial”, constituindo-se, portanto, em um princípio moral eterno.
A LEI DO SÁBADO
Deus ordenou a Israel que santificasse o Sétimo Dia (Êxodo 16.26-30). Incluindo-o no Decálogo, a suma dos princípios morais da Lei, quis o Senhor enfatizar a presença de um elemento moral no quarto mandamento, dando ainda, como base para o mesmo, o que Ele fez ao findar sua obra criativa (Êxodo 20.7-11). Não obstante, o sábado também possuía uma esfera cerimonial (Levítico 23.2-3). Por fins didáticos, podemos distinguir o “sábado moral” e o “sábado cerimonial”. O primeiro, diria respeito aos princípios e elementos morais presentes no mandamento de guardar o dia do Senhor e o segundo, referia-se aos aspectos cerimônias que caracterizavam a guarda do sétimo dia no Antigo Testamento, mas incluindo também os dias de descanso festivos.

O SÁBADO NA NOVA ALIANÇA
O sábado cerimonial prefigurava o descanso espiritual que o Sacrifício de Jesus traria aos que estavam sobrecarregados pelo pecado (Mateus 11.28; Hebreus 4.9-11). Tendo cumprindo o seu propósito tipológico, o sábado cerimonial foi abolido: “anulando em seu corpo a lei dos mandamentos expressa em ordenanças. O objetivo dele era criar em si mesmo, dos dois, um novo homem, fazendo a paz” (Efésios 2.15). “Portanto, não permitam que ninguém os julgue pelo que vocês comem ou bebem, ou com relação a alguma festividade religiosa ou à celebração das luas novas ou dos dias de sábado. Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo.” (Colossenses 2.16-17).  “Vocês estão observando dias especiais, meses, ocasiões específicas e anos! Temo que os meus esforços por vocês tenham sido inúteis.” (Gálatas 4.10-11).
No concernente à guarda dos dias cerimoniais do judaísmo, os cristãos possuem liberdade para considerarem todos os dias iguais: “Há quem considere um dia mais sagrado que outro; há quem considere iguais todos os dias. Cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente” (Romanos 14.5).

Por outro lado, o sábado moral não pode ter sido abolido. Mas, é importante mostrar como se desenvolve a revelação progressiva desse mandamento. Três razões são oferecidas para guardá-lo, sendo que a última provoca uma mudança na administração do mesmo. A primeira é o descanso sabático de Deus na semana criativa, a segunda é a libertação de Israel da escravidão egípcia (Deuteronômio 5.15) e a terceira é a Ressurreição de Cristo. Assim, a anulação dos aspectos cerimoniais da guarda do sábado, e a mudança de razão da guarda do mesmo trazem uma modificação, operada por Deus, na administração do quarto mandamento.


UMA MUDANÇA DE ADMINISTRAÇÃO
Alguns mandamentos veterotestamentários, quando tendo abolidos seus aspectos cerimoniais, foram substituídos por uma nova forma de administração no Novo Pacto. Desse modo, falamos do Batismo como “a circuncisão cristã”, ou da Santa Ceia como a “páscoa cristã”. Luciano Sena esclarece isso melhor:
1) Até a morte de Cristo, as referências sobre a Páscoa eram relatadas nos evangelhos como algo normal. Uma prática aceita e reverenciada. De repente, Cristo faz algo que com o passar do tempo a igreja começa a substituir a concepção antiga com a nova perspectiva, a Santa Ceia. Embora não temos uma ordem clara: ‘A Santa Ceia entrou no lugar da Páscoa’ – as evidências são tão fortes, que se tal ordem de transferência fosse escrita, faria com os relatos de muitos acontecimentos seriam desnecessários. Estamos ligados com o povo de Deus lá no Egito! Que bênção! Mas faltam algumas coisas na Ceia? [ervas amargas, cordeiro, certo dia especifico, etc] Sim, mas vários detalhes de um certo mandamento podem também suprir necessidades contextuais e contemporâneas, que após um tempo não seriam incluídas. 2) Até a morte de Cristo, as referências sobre o sábado eram relatadas nos evangelhos como algo normal. Uma prática aceita e reverenciada. De repente, Cristo faz algo que com o passar do tempo a igreja começa a substituir a concepção antiga com a nova perspectiva, o primeiro dia da semana, o dia do Senhor. O Domingo.[1]

Deus confirmou essa mudança, batizando a Igreja no Espírito no Domingo (Atos 2.1), neste mesmo dia foi pregado o primeiro sermão sobre a morte e ressurreição de Cristo por Pedro e ocorreram as primeiras conversões (Atos 2.14). Os crentes naturalmente começaram a reunir-se no Domingo para adorar (Atos 20.7). A Igreja costumava se reunir no Domingo, por isso Paulo instrui para que os crentes a aproveitarem esse dia para fazer ofertas para os pobres (1 Coríntios 16.2). O apóstolo João fez questão de destacar o dia da ressurreição de Jesus como tendo sido no Domingo (João 20.1,19,26) e de chamá-lo de “Kyriake hemera” - o “Dia do Senhor” (Apocalipse 1.10).  Desse modo, se o dia de guarda do Antigo Pacto era o sétimo dia, com a Ressurreição de Cristo, o primeiro dia da semana torna-se o dia do Senhor no Novo Pacto.
Evidenciando o reconhecimento da Igreja da alteração efetuada pela ressurreição de Cristo, temos o testemunho da visão cristã primitiva. O Didaquê (65-80d.C.): “E no dia do Senhor Kyriake hemera, congregai-vos para partir o pão e dai graças”. A Epístola de Barnabé (96-98 d.C.): “Ele finalmente lhes disse: Não suporto vossas neomênias e vossos sábados. Vede como ele diz: não são os sábados atuais que me agradam, mas aquele que eu fiz e no qual, depois de ter levado todas as coisas ao repouso, farei o início do oitavo dia, isto é, o começo de outro mundo. Eis por que celebramos como festa alegre o oitavo dia, no qual Jesus ressuscitou dos mortos e, depois de se manifestar, subiu aos céus.” Justino Mártir (100-165 d.C.): “No dia que se chama do sol [domingo] se celebra uma reunião de todos os que moram nas cidades e nos campos”. Tertuliano (160-220 d.C.): “Nós, porém, (segundo nos há ensinado a tradição) no dia da ressurreição do Senhor devemos tratar não só de nos ajoelhar, mas também devemos deixar todos os afazeres e preocupações, adiando também nossos negócios, a menos que queiramos dar lugar ao diabo.” E ainda, Cipriano de Cartago (200d.C.): “Como o oitavo dia, isto é, o dia imediatamente após o Sábado era o dia em que havia de ressuscitar o Senhor, e nos havia de dar a vida com a circuncisão, por isso na lei antiga se observou este dia.”[2] Os primitivos cristãos claramente perceberam que a Ressurreição de Cristo fez do Domingo um dia santo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O povo eleito de Deus não deve negligenciar a guarda do dia do Senhor. Chamando Israel a confissão de seus erros e pecados, Deus assim o exorta: “Se você vigiar seus pés para não profanar o sábado e para não fazer o que bem quiser em meu santo dia; se você chamar delícia o sábado e honroso o santo dia do Senhor, e se honrá-lo, deixando de seguir seu próprio caminho, de fazer o que bem quiser e de falar futilidades, então você terá no Senhor a sua alegria, e eu farei com que você cavalgue nos altos da terra e se banqueteie com a herança de Jacó, seu pai. ’ Pois é o Senhor quem fala.” (Isaías 58.13-14).
Cremos e confessamos, juntamente com a Confissão de Fé de Westiminster (21.7):
Como é lei da natureza que, em geral, uma devida proporção do tempo seja destinada ao culto de Deus, assim também em sua palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo, preceito que obriga a todos os homens em todos os séculos, Deus designou particularmente um dia em sete para ser um sábado (descanso) santificado por Ele; desde o princípio do mundo, até a ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana; e desde a ressurreição de Cristo foi mudado para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado Domingo, ou dia do Senhor, e que há de continuar até ao fim do mundo como o sábado cristão.[3]

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Fontes:



Autor: Bruno dos Santos Queiroz
Divulgação: Bereianos

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