quinta-feira, 19 de março de 2015

Evangelização Reformada – devemos forçar uma decisão por Cristo?

Quando falamos de tomar uma decisão, em nosso contexto nacional, cunhou-se como exteriorização disso o dizer “aceitar Jesus” diante de um púlpito e receber uma oração para que o “nome seja inscrito no céu”. Embora essa prática seja muito simplória, e hoje está diluída pelas estranhas doutrinas do evangelicalismo brasileiro, ela em si não apresenta heresia. Pela graça de Deus muitas pessoas de fato se tornaram cristãs assim, tantas outras não. Teologicamente é uma expressão imprecisa, assim como existem outras, mas não vejo isso como algo que deveria criar polêmicas - a não ser que deixe o assunto parar aí, sem um discipulado e integração no corpo da Igreja local.

Na ânsia de corrigir isso, os conservadores tradicionais, especialmente os reformados, acabaram indo para outro extremo, quase que não se envolvendo em evangelização significativa. Tanto que percebemos isso no que está sendo produzido no Brasil a respeito de Evangelização de cunho reformado. As Editoras conhecidas como reformadas, não produzem nada de forma significativa na área de evangelismo pessoal ou estratégias. Enquanto a preocupação máxima é produzir uma teologia refinadíssima, em palestras, congressos, encontros, a missão da Igreja está sendo deixada de lado. Pior ainda é quando ouvimos a respeito de evangelização nesses encontros de quem não pratica... Em breve teremos o mesmo destino das regiões do mundo onde a Fé Reformada [e outras tradicionais] se tornou academicista, depois secularizada, não mais evangelística, assistencialista, então liberal, deixou de ser Igreja, hoje é sinagoga de Satanás.


O QUE É FORÇAR UMA DECISÃO?

O que deve ser destacado é o fato de que as pessoas devem submeter suas vidas a Cristo. Na evangelização pessoal, na pregação, na aula de EBD, nos estudos bíblicos, no discipulado, na visita pastoral, isso deve ser enfatizado, sempre. Não é algo opcional, é uma exigência divina que todo joelho se dobre e toda língua confesse que Jesus é Senhor (Fl 2.9-11). A salvação está vinculada em crer e se submeter ao Senhorio de Cristo (Rm 10.9). Na Bíblia Jesus é mais chamado de Senhor do que de Salvador.

Não existe na Bíblia uma praxe evangelística que deixa as pessoas apenas ouvindo, sem um convite emocionado ao confronto, a uma decisão. É um erro achar que você deve apenas pregar, sem levar as pessoas a se converterem. Puxa, isso causa até desespero em alguns reformados, pois dizem assim: “Ninguém se converte, é Deus que converte!” Esse tipo de calvinismo, que rejeita o uso dessa expressão, é um tanto equivocado, pois não molda um linguajar com a Bíblia, mas no geral está mais preocupado com material de autores calvinistas cujo propósito é criticar arminianos – o que temos também do outro lado, arminianos que estão mais preocupados com calvinistas.

Deixo claro em primeiro lugar que na evangelização não se pergunta o que Deus vai fazer ou o que decidiu desde a eternidade em cada indivíduo (Ef 1.1-11), antes, devemos estar preocupados com o que devemos fazer (I Co 9.16). Então, vamos repetir, devemos fazer de tudo para que nossos ouvintes se convertam (I Co 9.19). Algumas passagens bíblicas nos mostram essa advertência para a conversão, arrependimento ou mudança:

“se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” (II Cr 7.14)

“Agora, pois, ó reis, sede prudente deixai-vos advertir, juízes da terra.” (Sl 2.10)

“Atentai para minha repreensão; eis que derramarei copiosamente para vós outros meu espírito.” (Pv 1.23).

“Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante de meus olhos; cessai de fazer o mal.” (Is 1.16)

“No momento em que eu falar acerca de uma nação ou de um reino para o arrancar, derribar e destruir, se a tal nação se converter da maldade contra qual eu falei, também eu me arrependerei do mal que pensava em fazer-lhe. “ (Jr 18.7,8).

“Mas se avisares o perverso, e ele não se converter da sua maldade e do seu caminho perverso, ele morrerá na sua iniquidade, mas tu salvaste a tua alma.” (Ez 3.19)

“[...] Convertei-vos e desviai-vos de todas as vossas transgressões; e a iniquidade não vos servirá de tropeço.” (Ez 18.30)

“Não voltarão para a terra do Egito, mas o assírio será seu rei, porque recusam converter-se.” (Os 11.5)

“Buscai o bem e não o mal, para que vivais; e assim, o SENHOR, o Deus dos Exércitos, estabelecerá convosco, como dizeis.” (Am 5.14)

“Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?” (Rm 2.4)

Etc.

Um dos calvinistas mais equilibrados do nosso tempo elucida a questão sabiamente:

“Evangelizar significa emitir uma convocação para a conversão, bem como para confiar; é a entrega, não só de um convite divino para se receber um Salvador, mas também de uma ordem divina para arrepender-se do pecado. E não haverá evangelização alguma onde não for feito este tipo de aplicação específica [...] o alvo de cada evangelista é converter [...].” (A Evangelização e a Soberania de Deus, p. 35,36).

O Catecismo Maior de Westminster não deixa dúvidas dessa verdade quando diz a respeito de como a pregação deve ser efetuada quando diz que o pregador deve procurar “converter, edificar e salvar as almas.” (Pergunta 159).

CONCLUSÃO


Quando compreendemos que a Evangelização é ao mesmo tempo um convite, apelo e ordem, estaremos engajados nos métodos, que de alguma forma exponha essas realidades. Convidamos as pessoas a aceitarem o convite de Jesus em ir a Ele e receberem perdão. Nesse convite está um forte apelo emocionado, como que Deus e Cristo, em nós pelo Espírito, implorassem que ouçam esse convite. Por último, junto ao convite e apelo, vem uma ordem expressa, que a rejeição terá punições severas, pois foi o Soberano do Universo que está sendo rejeitado – isso que acabei de escrever reflete a parábola da grande ceia em Lucas 14.15-24. Interessante o que o versículo 22 sugere: “Sai pelos caminhos e atalhos e obriga a todos a entrar [...]”.  Temos que insistentemente induzir as pessoas a tomarem uma decisão, a aceitarem o convite do Evangelho e se renderem ao Senhor Jesus. 


Fonte: MCA

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