segunda-feira, 16 de março de 2015

Corrigindo as noções errôneas sobre a Trindade

A principal doutrina bíblica é a doutrina da Trindade. Na verdade essa doutrina rege as demais. Nenhuma doutrina será bíblica se não possuir como pano de fundo essa doutrina regente. O estudo dos atributos e natureza, nos ajuda a entender O QUE É Deus, mas o estudo das pessoas divinas nos revelará QUEM É Deus. A doutrina bíblica da trindade encontra sua exposição mais refinada no Credo Atanasiano. Ali todos os elementos bíblicos são satisfatoriamente expostos.

Sabemos que as seitas  Adventista do Sétimo Dia, Testemunhas de Jeová, Mórmons, Espiritismo, Tabernáculo da Fé, rejeitam essa doutrina clássica e possuem um tipo próprio de deus ou a sua própria trindade ou tríade. Tais grupos não são cristãos históricos nem protestantes. Ao mesmo tempo, e curiosamente, os ensinos falsos dessas seitas - resguardados as devidas proporções, também é vista na teologia pessoal de alguns crentes. Obviamente por não se inteirarem dos ensinos clássicos que as denominações cristãs possuem. Ou, por que a liderança de muitas igrejas não está tão interessada em ensinar tais temas com a sua devida atenção.

Já apresentei aqui no blog uma lista de mais de 50 textos onde as três pessoas divinas são frequentemente citadas no NT (AQUI). Portanto, não me concentrarei nesta postagem sobre as evidências bíblicas, mas sobre expressar essa doutrina de forma correta, para não tropeçarmos em algumas afirmações erradas. Vamos aos conceitos:

1.      Não manter o padrão bíblico da sequencia ordinária. A Bíblia nos mostra que existe uma ordem comum, onde podemos nos firmar, sem com que exista noção de superioridade, mas de sujeição voluntária. Portanto, adorar ao Pai, em Nome de Jesus Cristo, por meio do Espírito Santo, não rebaixa o Filho ou o Espírito Santo, muito menos dá ao Pai um status de superioridade em sua divindade sobre as demais pessoas da divindade. Isso geralmente tem um reflexo na oração ordinária. No entanto, vez por outra, percebemos uma oração ou adoração dirigida ao Filho (At 7.59; Hb 1.6).

2.       O uso do nome que figura a distinção pessoal. A primeira pessoa da trindade é distinta da segunda por causa de algumas propriedades pessoais em relação a segunda, e a segunda da terceira. Essas propriedades são representadas em seus nomes distintivos. O nome Deus, Senhor, etc, são nomes que refletem a Divindade, portanto, cada uma das três ‘pessoas’, podem receber tal nome sem confundir a sua identidade. Temos, porém, que tomar cuidado para que o nome próprio de cada pessoa não seja aplicado à outra, e assim confundirmos as pessoas. Por exemplo, Jesus é chamado de “Pai” pelo menos uma vez na Escritura, em Isaias, mas o nome PAI é atribuição recorrente da primeira pessoa da divindade, da pessoa que enviou Jesus, o Filho. O nome da terceira pessoa é o Espírito Santo, o que também o é o Pai e o Filho (Espírito Santo), esse é o nome recorrente dele no NT. Portanto, o Espírito Santo é o nome da terceira pessoa pelo relacionamento que ela mantém com as demais pessoas da divindade.

3.      Unificar as pessoas e dividir a substância. Não raro a solução racional para o mistério da trindade é ir para unicismo – fazer das três pessoas UMA – ou ir ao triteísmo, levando em consideração a distinção pessoal então, logicamente, dividir a essência divina – fazendo TRÊS DEUSES, ou pensar em três espíritos distintos no céu. É necessário mantermos o mistério. Não por causa de nossa incapacidade de solucioná-la – a solução está aí, nos caminhos das heresias, mas por mantermos submissos ao testemunho da Escritura que nos revela UM DEUS, que é Pai, Filho e Espírito Santo.

4.      Atribuir o que não deve à distinção pessoal. Jesus é o Filho, isso não significa que o Pai trouxe o Filho à existência. O Espírito procede do Pai e do Filho, isso não significa que ambos trouxeram o Espírito à existência. O que significa? Que existe uma relação entre as três pessoas que pode ser definido como que um relacionamento entre pai e filho, e entre os que enviam e o que é enviado. Isso não começou em algum momento na história da eternidade. Esse relacionamento é desde sempre, pois desde sempre o Pai é pai, o Filho é filho e o Espírito Santo é santo.

5.       Cada pessoa assumiu um trabalho específico na obra da criação, da redenção e da consumação. Temos que estar atento a não achar que por que certa pessoa da divindade fez algo, significa que ele não seja capaz de fazer o que a outra pessoa fez. Também, não podemos excluir as outras pessoas do louvor daquilo que foi feito. O Pai e o Espírito Santo não morreram na cruz, mas achar que ambos não estavam com a Pessoa do Filho ali, sentindo amorosamente tudo que ele sentia é um erro. Obviamente as três pessoas estavam envolvidas ali.  Cada qual realizando aquilo que assumiu a fazer, mas simpático ao que a outra pessoa estava suportando ou fazendo. Assim, posso dizer que fui salvo por Jesus, bem como pelo Pai, bem como pelo Espírito Santo. Ou apenas dizer que “fui salvo por Deus”. Ao mesmo tempo, só posso dizer que o Filho morreu por mim.

6.      Somente o Filho se fez carne, e será homem eternamente. A Bíblia ensina, e os cristãos devem crer, que além do mistério da trindade, algo mais se acrescenta a isso, a encarnação da segunda pessoa. Isso nos lança em mais um mistério. Como o Filho, sendo Deus, pode ser Homem – completamente e ao mesmo tempo? Não temos respostas, é verdade. Mas temos o testemunho Bíblia (Jo 1.1,14). Como se não bastasse, a fé crista entende que Jesus será eternamente homem. Ele não deixou de ser Deus quando se tornou homem na terra, nem deixou de ser homem quando voltou ao céu glorificado. E nesse caso, devemos lembrar que o Filho – sendo Homem e Deus, agia em conformidade com as duas naturezas, mas sendo apenas uma única pessoa. No caso da trindade, são três pessoas e uma essência ontológica, uma natureza. No caso especifico do Filho, é UMA pessoa e DUAS naturezas.

7.      Não existe possibilidade de compreender, apenas de apreender. As definições devem ser decoradas, e entendidas. Aquilo que não deve ser dito também deve ser memorizado. Mas isso é apenas no campo das definições e pronúncias, jamais o mistério em si será “compreendido” tal como é. Tentar isso é caminhar em um caminho eterno. E talvez por causa da longevidade do caminho, canse da jornada e comece ‘produzir soluções’ para encurtar o caminho... então nasce as heresias.

CONCLUSÃO

Depois que aceitamos o testemunho bíblico da doutrina da Trindade - captado corretamente nos Credos, o que os fieis na Igreja de Cristo tem feito no decorrer dos anos, notamos que a revelação da trindade está mais voltada para alma do adorador do que em dar respostas lógicas para seus questionamentos. Aliás, quando descansamos em Sua Palavra, percebemos que essas especulações são vazias de objetividade (Rm 11.33-36).


Fonte: MCA

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