quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O "outro" Jesus de W. M. Branham

Nessa postagem tratarei de algumas observações de um livreto que explica a cristologia do senhor William M. Branham. O chamado ‘Profeta do século de nossa era’.

O autor do livro, Jim Jeffords, [disponivel no site do Diógenes Dornelles (AQUI)]. Já no início deixa claro sua devoção ao WMB: “A autoridade para todo o nosso ensino são as palavras de um profeta vindicado para o nosso dia, o nosso irmão William Marrion Branham. De fato, nós não possuímos nenhum ensino próprio; nós apenas tentamos ecoar aquilo que já tem sido falado pelo profeta. Nós o amamos pela vida que ele viveu, sua maravilhosa humildade e assim por diante; porém nós seguimos a sua mensagem porque ele falou com a autoridade de um profeta vindicado.”(Compreendendo a Divindade, p. 14 [grifo são meus]).

O que W. M. Branham de fato ensinou a respeito da divindade?

O autor do livro mostra que WMB tinha uma visão própria a respeito da divindade. As palavras de Branham: “Agora, aqui você chega a Deus exatamente, E ENTRE a unicidade e a trindade você terá a coisa exatamente certa agora [...] A unicidade corre para o Nome de Jesus. A trindade corre para o Pai, Filho, Espírito Santo, exatamente como eles fizeram no Concílio de Nicéia; a mesma coisa. Ambos estavam errados. Mas agora, NO MEIO DO CAMINHO, nas Escrituras se estabelece a verdade.” (Compreendendo a Divindade, p. 5). Note que WMB descobriu ‘a roda’, mesmo que em matéria de Divindade a Igreja tenha debatido há séculos! Tanto que do autor afirmar mais adiante “Nenhum dos pastores ou mestres, naquele tempo, sabiam o suficiente para distinguir a diferença doutrinal."

O autor também escreveu: “o irmão Branham literalmente destruiu a doutrina trinitária, ele bateu nela tão duramente. Aqueles que saíram dela e para seguir a sua Mensagem, agora tinham que possuir uma nova forma de referência com respeito à Divindade. Eles sabiam que ele pregava a doutrina de um Deus, que era manifestado em três ofícios (Pai, Filho e Espírito Santo), porém ele também pregava contra e acusava a doutrina unicista.” (p.7[grifo meu]). Acredito que nesse livro encontraremos o poderio apologético de WMB, a ponto de “destruir a doutrina trinitária”! No fim apresento uma lista de 50 textos bíblicos que ensinam a Trindade.


Vejamos o que ele ensina a respeito de Cristo:

1) “Ele [WMB] sempre enfatizou que Pai, Filho e Espírito Santo não eram três pessoas ou personalidades, mas os três atributos (às vezes ele dizia “as três dispensações”) de um Deus verdadeiro”(p.9). Aqui vemos uma novidade ‘terminológica’, segundo o erudito em WMB; Pai, Filho e Espírito Santo não era, no entendimento do ‘profeta’, pessoas mas atributos de Deus. Isso nada mais é do que monarquianismo modal, especialmente do bispo Sabélio.

2) WMB: “A PRIMEIRA PESSOA a ser apresentada É Deus: Deus. “No princípio era Deus”, em Gênesis. E DEPOIS A PRÓXIMA é apresentada. É o Espírito Santo ou o Logos, que saiu de Deus. TODAVIA ERA TUDO DE DEUS QUE SAIU PARA UMA PESSOA” (p.10). Aqui temos obviamente uma contradição da citação acima. Claramente ele diz que a segunda pessoa, e aparentemente é O Espírito Santo, que ele chama de Logos, que é outro problema quando lemos Jo 1.1,14,18. Ele parece insinuar que ouve uma extensão de Deus, totalmente, para a pessoa do Logos. Mas o especialista em WMB diz sobre essas palavras do ‘profeta’: “O Filho não é uma extensão de Deus, mas uma PESSOA, um SER separado. O Filho tem a mesma natureza como o Seu Pai. Ele é da mesma substância de Seu Pai. Espécie semelhante gera espécie semelhante. Essa é uma parte das leis universais de Deus da natureza. Então como o Seu Pai é uma Pessoa, o Filho é uma Pessoa, com a mesma natureza e qualidades."

3) “Façamos o homem à Nossa imagem”. “Nossa”, é claro, nós percebemos que Ele está falando para Alguém; ELE ESTAVA FALANDO COM OUTRO SER.” Essa linguagem quando, dita por um trinitário tem conotações diferentes. Devemos, porém, destacar que também não é uma linguagem de um modalista. Com isso, começamos a notar que o modalismo de WMB não é aplicável em todas as suas exposições. Percebemos que a teologia de WMB não está muito confusa. Por isso o autor de Compreendendo a Divindade diz: “Mas você pergunta: “o irmão Branham não disse que Deus e Jesus eram o mesmo?”. Muitas vezes ele disse ou ao menos “parece” que ele disse e no livro em que nós abordamos este assunto. Isso não é o que ele disse ou nem mesmo sua linguagem é que está em questão. Ele está correto, mas é o seu próprio pensamento ou percepção do que ele diz, que nos deixa em apuros”(p.12[grifo meu]).

4) “Ele não pode ser um “Filho eterno”[...] Agora, eu não creio em filiação eterna. É até mesmo radical mencionar tal coisa, “filiação eterna”. Como... que Ele teve uma filiação eterna ...?... de que maneira, se é mesmo filiação eterna, como que Ele poderia ser um Filho? Ele teve que ter um princípio.(p.10)”. Existe uma posição teológica chamada Encarnacionista. Segundo essa visão (em sua versão ‘ortodoxa’) o Verbo, sendo Deus Eterno, se tornou Filho apenas na encarnação. O famoso apologista Walter Martin defende essa posição. O que, porém, é dito por WMB, não deve ser confundido com tal visão. Jim Jeffords diz: “Bem, o irmão Branham ensinava que todos os filhos tem um princípio, incluindo o Filho de Deus [...] Pode ter sido há 10 milhões ou 100 milhões de anos atrás, porém Ele teve um princípio. Deus, por outro lado, é o único Eterno. Deus nunca teve um princípio nem pode Ele ter um fim” (p. 13[grifo meu]). Isso não é nada mais do que o antigo Arianismo. Se Jim Jeffords está certo no que explicou sobre o ensino de WMB, quando este diz que o ‘Filho teve princípio’, não podemos ver WMB em pior situação.

5) Segundo Jim Jeffords, a posição de WMB diz que “Deus (o Pai) deixou Jesus (o Filho) no Getsêmani”. E as palavras de WMB são: “No jardim do Getsêmani, a unção O deixou... O Espírito O deixou, no jardim do Getsêmani.(p. 11)”. Todos os cristãos sabem que Deus Pai abandonou Jesus na Cruz em um sentido processual e providencial. Não houve um abandono da Divindade da Pessoa do Filho. O Pai executou o Filho(Is 53.10), esse foi o abandono. Pelas palavras de WMB e a interpretação do autor de Comprendendo a Divindade, aparentemente, ele ensina que Cristo deixou de ser divino no Getsêmani.

RESUMO: Que meus amigos do Tabernáculo da Fé me desculpem, mas as minhas observações são: A) WMB apenas repete algumas das antigas heresias. B) WMB mistura várias delas, fundindo-as. C) WMB não oscilava [?] em sua posição. D) WMB não conseguia explicar direito algumas coisas, nem as que a negava nem as defendia. E) WMB tinha ‘rabo preso’ com os que patrocinavam suas campanhas.

O motivo de tudo isso? Ele é um falso profeta. Seus seguidores insistem que seus sinais se cumpriram. Então, leiamos Dt 13.1-3:
·         “Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, e te der um sinal ou prodígio, E suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los; Não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o SENHOR vosso Deus vos prova, para saber se amais o SENHOR vosso Deus com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma.”
A ÚNICA POSIÇÃO SEGURA: Se WMB não negasse a verdade Bíblica, não teria se confundido tanto. Apenas os que aceitam os Credos Históricos, podem ler a Bíblia sem confusão (Jo1.1,18,18;5.18;10.30;14.28;20.28;At 20.28;Rm 9.5; Fl 2.5,6; Tt 2.23; Hb 1, etc).

O Credo de Calcedônia diz: "Fiéis aos santos pais, todos nós, perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve confessar um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade, perfeito quanto à humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, constando de alma racional e de corpo; consubstancial, segundo a divindade, e consubstancial a nós, segundo a humanidade; em todas as coisas semelhante a nós, excetuando o pecado, gerado segundo a divindade antes dos séculos pelo Pai e, segundo a humanidade, por nós e para nossa salvação, gerado da virgem Maria, mãe de Deus; Um só e mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar, em duas naturezas, inconfundíveis e imutáveis, inseparáveis e indivisíveis; a distinção da naturezas de modo algum é anulada pela união, mas, pelo contrário, as propriedades de cada natureza permanecem intactas, concorrendo para formar uma só pessoa e subsistência; não dividido ou separado em duas pessoas. Mas um só e mesmo Filho Unigênito, Deus Verbo, Jesus Cristo Senhor; conforme os profetas outrora a seu respeito testemunharam, e o mesmo Jesus Cristo nos ensinou e o credo dos pais nos transmitiu."

http://mcapologetico.blogspot.com.br/2012/07/o-outro-jesus-de-w-m-branham.html

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