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domingo, 29 de maio de 2011

UMA MENSAGEM AOS SEGUIDORES DE WILLIAM M. BRANHAM

WILLIAM M. BRANHAM tem sido aclamado por muitos como o profeta de nossa era. Em especial, ou somente, pelos seguidores de suas doutrinas. Esse grupo tem na maioria dos casos, se identificado como “Tabernáculo da Fé”.

Muitos sinais e milagres atribuem-se ao ministério de W. M. Branham, e com isso suas mensagens foram revestidas de autoridade profética, que não é comumente atribuída a outros pregadores que tiveram igual sucesso em suas campanhas. Foge do objetivo desse pequeno material uma recapitulação de toda vida desse pregador. A proposta desse informativo é analisar algumas afirmações de William M. Branham à luz do chamado profético a ele atribuído, e trazendo uma avaliação do que a Palavra de Deus diz, sem denegrir a imagem de quem quer que seja.

NÃO SERIA ISSO UMA FALSA PREDIÇÃO?

Veja o que William Marrion Branham disse sobre o ano de 1977:

“Como servo de Deus que tem uma infinidade de visões, nenhuma das quais falhou, deixem-me predizer (Eu não disse profetizar, mas predizer) que esta era terminará por volta de 1977. Se me perdoem uma referencia pessoal aqui, baseio esta predição em sete visões principais e continuas que me vieram um Domingo de manhã de junho, de 1933.” (A DISPENSAÇÃO DA IGREJA DE LAODICEIA, pg. 06; versão em espanhol).

Os seguidores do senhor William M. Branham, tentam aqui destacar as observações “pessoais” dele, achando assim que tal observação de seu profeta não pode condená-lo!

A defesa é mais ou menos assim: “Branham não disse em nome do Senhor por isso não se tratava de uma profecia e sim de um parecer pessoal!”. Concordamos com essa objeção, desde que William M. Branham não tivesse destacado seu chamado quando disse “que suas visões nunca se deixaram de cumprir” e que tal predição, “foi com base nessas visões”! Se ele, como “o profeta do século XX”, não teve noção correta de uma visão que recebera, o que dizer dos que se aventuram em explicar suas mensagens!? E se ele interpretou tão mal uma visão que conhecia tão bem, o que dizer de suas interpretações da Escritura Sagrada? Não teriam passado pelo mesmo risco? Esqueceu-se de que havia uma multidão de pessoas que confiava nele como “profeta”?

Mas o ano de 1977 ganhou mais expectativa, entre os seguidores de W. M. Branham, pois ele não ficou somente na observação acima, veja o que mais esse pregador disse a respeito de 1977 e o peso de sua declaração:

“...muitas pessoas julgam que este é um prognóstico irresponsável, em vista do que Jesus disse a respeito de que aquele dia e hora, ninguém sabe (Marcos 13.32) todavia me mantenho firme em minha crença depois de trinta anos, porque Jesus não disse que não podia conceder o ano, mês ou semana em que sua vinda havia de ser completada. Assim repito, e sinceramente creio e mantenho como um estudante particular da Palavra juntamente com a inspiração Divina, que o ano de 1977 deve pôr fim nos sistemas mundiais e introduzir o milênio.” (AS SETES ERAS DA IGREJA. Pg. 361; versão em espanhol).

Parece que aqui o senhor William M. Branham foi mais longe do que todo defensor apaixonado esperaria! E qualquer defesa que se formule a essa declaração esbarrará na própria intenção de W. M. Branham de imobilizar a advertência de Nosso Senhor e Salvador Jesus em Marcos 13.32 ao dizer, ironicamente (?), que “Jesus disse que não sabia o dia e hora. Mas a semana, mês ou ano, não negou que não podia revelar!”.

Não parece justificável a defesa que os seguidores de Branham apresentam para esse fato, o ano de 1977 figurou na mensagem dele, com uma chamada “apocalíptica” e mesmo que ele tivesse a suposta inspiração junto dele, NÃO SE CUMPRIU! Por mais que neguem isso. E, mesmo que fosse uma posição pessoal, temos um quadro do padrão Divino para identificar falsos profetas,eles falam de si! Veja:

“Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Não deis ouvidos às palavras dos profetas que...falam as visões do seu coração, [opinião pessoal] não o que vem da boca do SENHOR.” (Jeremias 23.16).

Além disso, Jesus se referiu a sua grande profecia em Mateus 24 como “predição”. Veja o versículo 25! Fazer distinção de profecia e predição, no caso profético, é desprovido de razão.

Não somente neste caso, mas outros ensinamentos de W. M. Branham não passam pela mesma prova também. Por exemplo ele ensinou que Caim foi produto de relação sexual entre Satanás e Eva! Por mais esotérico que isso pareça. Uma leitura de seus textos de provas fica claro que a interpretação é, assim como 1977, um erro grosseiro (Gênesis 3.1 ao 6). Uma leitura simples de Gênesis 4.1 desmancha essa construção doutrinal insustentável.

Mas talvez a pior coisa que este senhor falou foi sobre a bíblica doutrina da Trindade. Se o que ele ensinou sobre 1977 falhou, o que ele disse sobre a Trindade o condenou. Veja:

“O Trinitarianismo é do Diabo” (O Trono de misericórdia, 8/1/61, p. 174; versão em espanhol).
Nessa citação o senhor Branham mais adiante confunde Trinitarismo com Triteismo e diz que o concilio de Nicéia concebeu essa doutrina, quando na verdade a definiu e ainda assim somente a natureza do Senhor Jesus. Definição não é concepção.

Como no caso de outros ensinos o senhor William M. Branham errou e feio, sobre a Trindade. Mas como ele também nem sabia o que ensinava sobre a natureza de Deus, às vezes era modalista e outra hora adocionista, fica difícil se ele realmente entendeu a definição ortodoxa da Trindade, conforme ensinado na Bíblia. Mas não seria de estranhar, pois por trinta anos achou que sabia que em 1977 o mundo acabaria, e estamos aqui ainda! A Bíblia ensina que Jesus é Deus e homem (João 1.1,14), um com o Pai (João 10.30), mas deixa bem claro que ele é distinto do Pai! Veja:

“Também na vossa lei está escrito que o testemunho de duas pessoas é verdadeiro. Eu testifico de mim mesmo, e o Pai, que me enviou, também testifica de mim.” João 8.17,18.

Somente a proposta Trinitariana conserva tudo que a Bíblia diz sobre a Divindade

SEGUEM-SE ALGUMAS PERGUNTAS PARA CONSIDERAÇÃO DO
ASSUNTO EM PAUTA:

1) Porque muitas pessoas estavam concebendo isso, [1977] como um prognóstico?

2) Estariam achando irresponsável se fosse “uma simples observação” de Branham?

3) Por quanto tempo esteve o “profeta” convicto de sua interpretação sobre 1977?

4) Por todo esse tempo, trinta anos, nunca recebeu um aviso Divino que tal “predição” lhe causaria, no futuro, tremendo descrédito?

5) Ao dizer “dia e hora”, Cristo estava dando a entender que o ano sabia, mas ocultou?

6) A predição de W. M. Branham sobre 1977 foi juntamente com qual inspiração?

7) Quando um profeta dizia algo “juntamente com a inspiração divina” devia ser entendido como?

O nosso desejo é que essa informação, embora limitada, ajude as pessoas honestas, que estão seguindo os ensinos do senhor William Marrion Branham. Alertando-as a um perigo eminente em seguir de modo cego e, em alguns casos, até idólatra, esse homem que se colocou como “O Profeta de nossa era”!

Atenciosamente,

MINISTÉRIO CRISTÃO APOLOGÉTICO
E-mail´s: blogapologetico@gmail.com e aprendei@hotmail.com
Blogs: http://mcapologetico.blogspot.com e http://aprendei.blogspot.com

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Heresias primitivas.

"O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos antes de nós” (Ec 1.10)

Você sabia que o batismo pelos mortos foi uma heresia apregoada cerca de 1600 anos antes da “revelação” atribuída pelos mórmons a Joseph Smith Jr.? Esse é apenas um dos muitos desvios doutrinários que atravessaram séculos e foram incorporados pelas seitas pseudocristãs.

A “revelação”, baseada na necessidade de restaurar a igreja, e a rejeição ao Antigo Testamento surgiram na mesma época e fluíram dos ensinamentos de Márcion. Montano pregou que o fim do mundo ocorreria em sua geração e atribuiu a si o fato de iniciar e findar o ministério do Espírito Santo. Sabélio, com seu modalismo, foi outra fonte de distorções bíblicas que até hoje é disseminada entre os evangélicos. Ainda fazem parte desse grupo Mani, com sua doutrina reencarnacionista; Ário, que deturpou a natureza de Jesus ao apresentá-lo como um ser criado (gravíssimo engano sustentado pelas testemunhas de Jeová); Apolinário, que, ao contrário do antecedente, negou a humanidade de Cristo; Nestório, que ensinava a existência de duas pessoas distintas em Cristo; Pelágio, que, como os islâmicos e outros grupos religiosos, negava a doutrina do pecado original; e Eutíquio, que afirmava que a natureza humana de Cristo havia sido absorvida pela divina.

Como podemos inferir, as heresias combatidas pela igreja contemporânea foram enfrentadas pela igreja primitiva que, com muito esforço e com a ajuda de concílios e credos, conseguiu defender a fé que “de uma vez por todas foi entregue aos santos”. Continuemos a defendê-la!


Márcion (95 - 165)

Informações indicam que Márcion nasceu em Sinope, no Ponto, Ásia Menor. Foi proprietário de navios, portanto, muito próspero. Aplicou sua vida à fé religiosa, primeiramente como cristão e, finalmente, ao desenvolvimento de congregações marcionitas.

Influente líder cristão, suas idéias o conduziram à exclusão, em 144 d.C. Então, formou uma escola gnóstica. Tendo uma mente prolífera, desenvolveu muitas idéias, as quais foram lançadas em uma obra apologética alvo de combate de apologistas, especialmente Tertuliano e Epifânio.

Procurou ter uma perspectiva paulina, contudo, incluiu muitas idéias próprias e conjecturas sem respaldo bíblico. Era convicto de uma missão pessoal: restaurar o puro evangelho. Antes, rejeitou o Antigo Testamento por achá-lo inútil e ultrapassado, além de afirmar que foi produzido por um deus inferior ao Deus do evangelho. Para Márcion, o cristianismo era totalmente independente do judaísmo; era uma nova revelação. Segundo ele, Cristo pegou o deus do Antigo Testamento de surpresa e este teve de entregar as chaves do inferno Àquele. Além disso, Cristo não era Deus, apenas uma emanação do filho de Deus. O único apóstolo fiel ao evangelho, segundo Márcion, fora Paulo, em detrimento dos demais apóstolos e evangelistas. Conseqüentemente, a Igreja primitiva havia desviado e, por isso, necessitava de uma restauração. Ainda segundo ele, o homem devia levar uma vida asceta, o casamento, embora legal, era aviltador.

Entre seus muitos ensinos, encontramos o batismo pelos mortos.

O cânon de Márcion restringia-se as dez epístolas de Paulo e a uma versão modificada do Evangelho de Lucas.


Gnosticismo

Nome derivado do termo grego gnosis, que significa “conhecimento”. Os gnósticos se transformaram em uma seita que defendia a posse de conhecimentos secretos. Segundo eles, esses conhecimentos tornavam-nos superiores aos cristãos comuns, que não tinham o mesmo privilégio. O movimento surgiu a partir das filosofias pagãs anteriores ao cristianismo que floresciam na Babilônia, Egito, Síria e Grécia (Macedônia). Ao combinar filosofia pagã, alguns elementos da astrologia e mistérios das religiões gregas com as doutrinas apostólicas do cristianismo, o gnosticismo tornou-se uma forte influência na igreja.

A premissa básica do gnosticismo é uma cosmovisão dualista. O supremo Deus Pai emanava do mundo espiritual “bom”. A partir dele, surgiram sucessivos seres finitos (éons) até que um deles, Sofia, deu à luz a Demiurgo (Deus criador), que criou o mundo material “mau”, juntamente com todos os elementos orgânicos e inorgânicos que o constituem.

Cristãos gnósticos, como Márcion e Valentim, ensinavam que a salvação vem por meio desses éons, Cristo, que se esgueirou através dos poderes das trevas para transmitir o conhecimento secreto (gnosis) e libertar os espíritos da luz, cativos no mundo material terreno, para conduzi-los ao mundo material mais elevado. Cristo, embora parecesse ser homem, nunca assumiu um corpo; portanto, não foi sujeito às fraquezas e às emoções humanas.

Algumas evidências sugerem que uma forma incipiente de gnosticismo surgiu na era apostólica e foi o tema de várias epístolas do Novo Testamento (1João, uma das epístolas pastorais). A maior polêmica contra os gnósticos apareceu, entretanto, no período patrístico, com os escritos apologéticos de Irineu, Tertuliano e Hipólito. O gnosticismo foi considerado um movimento herético pelos cristãos ortodoxos. Atualmente, é submetido a muitas pesquisas, devido às descobertas dos textos de Nag Hammadi, em 1945/46, no Egito. Muitas seitas e grupos ocultistas demonstram alguma influência do antigo gnosticismo (“Dicionário de religiões, crenças e ocultismo”. George A. Mather & Larry A Nichols. Vida, 2000, pp 175-6).


Montano (120 - 180)

Por volta do ano 150 d.C., surgiu na Frígia um profeta chamado Montano que, junto com Prisca e Maximilia, se anunciou portador de uma nova revelação. Inicialmente, esse novo movimento reagiu contra o gnosticismo, contudo, ele mesmo se caracterizou por tendências inovadoras. As profecias e revelações de Montano giravam em torno da segunda vinda e incentivavam o ascetismo.

Salientavam fortemente que o fim do mundo estava próximo, e esperavam esse acontecimento para a sua própria geração. Insistiam sobre estritas exigências morais, como, por exemplo, o celibato, o jejum e uma rígida disciplina moral. Exaltavam o martírio e proibiam que seus seguidores fugissem das perseguições. Alguns pecados eram imperdoáveis, independente do arrependimento demonstrado.

Finalmente Montano afirmou ser o Paracleto, pois nele iniciaria e findaria o ministério do Espírito Santo. Prisca e Maximilia abandonaram seus respectivos maridos para se dedicarem à obra profética de Montano. Algumas vezes, Montano procurava esclarecer que ele era um agente do Espírito Santo, mas sempre retornava à sua primeira posição e afirmava ser o Consolador prometido. Sua palavra deveria ser observada acima das Escrituras, porque era a palavra para aquele tempo do fim.

Esse movimento desvaneceu-se no terceiro século no Ocidente e no sexto, no Oriente.


Ascetismo

Autonegação, visão de que a matéria e o espírito estão em oposição um ao outro. O corpo físico, com suas necessidades e desejos inerentes, é incompatível com o espírito e sua natureza divina. O ascetismo defende a idéia de que uma pessoa só alcança uma condição espiritual mais elevada se renunciar à carne e ao mundo.

O ascetismo foi amplamente aceito nas religiões antigas e ainda hoje é uma filosofia proeminente, sobretudo nas seitas e religiões orientais. Platão idealizou-o. As seitas judaicas, como os essênios, praticavam-no fervorosamente e o cristianismo institucionalizou-o, com o desenvolvimento de várias ordens monásticas. O gnosticismo foi o maior defensor dessa filosofia (“Dicionário de religiões, crenças e ocultismo”. George A. Mather & Larry A Nichols. Vida, 2000, p. 23).


Sabélio (180 – 250)

Nasceu na Líbia, África do Norte, no terceiro século depois de Cristo. Depois, mudou-se para a Itália, passando a viver em Roma. Ao conhecer o evangelho, logo se tornou um pensador respeitado em suas considerações teológicas. Recebeu influência do Modalismo que já estava sendo divulgado na África.

O Modalismo ocorreu, no início, como um movimento asiático, com Noeto de Esmirna. Os principais expoentes do movimento: Noeto, Epógono, Cleômenes e Calixto. Na África, foi ensinado por Práxeas e na Líbia, defendido por Sabélio. Hoje, o Modalismo é muito conhecido pelo nome sabelianismo, devido à influência intelectual fornecida por Sabélio. O objetivo de Sabélio era preservar o monoteísmo a qualquer custo. Tinha um objetivo em vista que, pensava, justificava os meios.

Ensinava que havia uma única essência na divindade, contudo, rejeitava o conceito de três Pessoas em uma só essência. Afirmava que isso designaria um culto triteísta, isto é, de três deuses. A questão poderia ser resolvida, afirmava, pelo conceito de que Deus se apresentaria com diversas faces ou manifestações. Primeiramente, Deus se apresentou como Deus Pai, gerando, criando e administrando. Em seguida, como Deus Filho, mediando, redimindo, executando a justiça. E finalmente e sucessivamente, como Deus Espírito Santo, fazendo a manutenção das obras anteriores, sustentando e guardando. Uma só Pessoa e três manifestações temporárias e sucessivas.


Mani (216 - 277)

Nasceu por volta de 216 d.C. na Babilônia. Foi considerado por alguns como o último dos gnósticos. Diferente dos demais hereges, desenvolveu-se fora do cristianismo. Todavia, era um rival do evangelho.

Seus ensinos buscavam respaldo no cristianismo. Afirmava, por exemplo, ser o Paracleto, o profeta final. Em seus ensinos enfatizava a purificação pelos rituais. Em 243 d.C., o profeta Mani teve seus ensinamentos reconhecidos por Ardashir, rei sassânida (Índia). Então, a nova fé teve o seu “pentecostes”, analogia traçada pelos maniqueístas.

Durante 34 anos, Mani e seus discípulos intensificaram seu trabalho missidevo aponário pelo leste da Ásia, Sul e Oeste da África do Norte e Europa.

A base do maniqueísmo engloba um Deus teísta que se revela ao homem. Deus usou diversos servos, como Buda, Zoroastro, Jesus e, finalmente, Mani. Deveriam seus discípulos praticar o ascetismo e evitar a participação em alguma morte, mesmo de animais ou plantas. Deveriam evitar o casamento, antes, abraçarem o celibato. O universo é dualista, existem duas linhas morais em existência, distintas, eternas e invictas: a luz e as trevas.

A remissão ocorre pela gnosis, conhecimento especial que os iniciados conquistavam. Entre os remidos há duas classes, os eleitos e os ouvintes. Os eleitos não podiam nem mesmo matar uma planta, por isso eram servidos pelos ouvintes, que podiam matar plantas, mas nunca animais ou até mesmo comê-los. Os eleitos subiriam, após a morte, para a glória, enquanto os ouvintes passariam por um longo processo de purificação. Quanto aos ímpios, continuariam reencarnando na terra. Recebeu grande influência de Márcion.


Ário (256-336)

Presbítero de Alexandria entre o fim do terceiro século e o início do quarto depois de Cristo. Foi excluído em 313, quando diácono, por apoiar, com suas atitudes, o cisma da Igreja no Egito. Após a morte do patriarca da Igreja em Alexandria, foi recebido novamente como diácono. Depois, nomeado presbítero, quando então começou a ensinar que Jesus Cristo era um ser criado, sem nenhum dos atributos incomunicáveis de Deus, por exemplo, eternidade, onisciência, onipotência etc, pelo que foi censurado, em 318, e excluído, em 321. Mas, infelizmente, sua influência já havia sido propagada e diversos bispos da Igreja no Oriente aceitaram o novo ensino.

Em 325, ocorreu o concílio de Nicéia e Ário, apesar de excluído, pôde recorrer de sua exclusão, sendo banido. Ário preparou uma resposta ao Credo Niceno, o que impressionou muito o imperador Constantino. Atanásio resistiu à ordem de Constantino de receber Ário em comunhão. Então Ário foi deposto e exilado em Gália, falecendo no dia em que entraria em comunhão em Constantinopla.

A base de seu ensino era estabelecer a razão natural como meios de entender a relação entre Deus e Cristo. Haveria uma só Pessoa na divindade. O logos não foi apenas gerado, mas literalmente criado. Seria tão-somente um intermediário entre Deus e os homens e, devido à sua elevada posição, receberia adoração e glória.


Apolinário (310-390)

Foi bispo de Laodicéia da Síria no final do quarto século. Cooperou na reprodução das Escrituras. Fez oposição à afirmação de Ário quanto à criação e à mutabilidade de Cristo.

Por outro lado, se opôs ao conceito da completa união entre as naturezas divina e humana em Jesus. Afirmava que Jesus não tinha um espírito humano. Segundo ele, o espírito de Cristo manipulava o corpo humano. Sua posição inicial era contra o arianismo, que negava a divindade de Cristo. Em sua opinião, seria mais fácil manter a unidade da Pessoa de Cristo, contanto que o logos fosse conceituado apenas como substituto do mais elevado princípio racional do homem. Contrapondo-se a Ário, ele advogava a autêntica divindade de Cristo, e tentava proteger sua impecabilidade substituindo o pneuma (espírito) humano pelo logos, pois julgava aquele sede do pecado.

Conseqüentemente, Apolinário negava a própria e autêntica humanidade de Jesus Cristo.

Em 381, o sínodo de Constantinopla declarou contundentemente, entre outros sínodos, herética a cristologia de Apolinário.

Apolinário formou um grupo de discípulos que manteve seus ensinos. Mas não demorou muito e o movimento se desfez.


Nestório (375-451)

Patriarca da Igreja em Constantinopla na metade do quinto século depois de Cristo. Seu objetivo de expurgar as heresias na região de seu controle encontrou problemas quando expressou sua cristologia. Encontrava-se em seu tempo idéias divergentes sobre a natureza de Cristo. Alguns, aparentemente, negavam a existência de duas naturezas em Cristo, postulando uma única natureza. Outros, como Teodoro de Mopsuéstia, afirmavam que o entendimento deveria partir da completa humanidade de Cristo. Teodoro negava a residência essencial do logos em Cristo, concedendo somente a residência moral. Essa posição realmente substituía a encarnação pela residência moral do logos no homem Jesus. Contudo, Teodoro declinava das implicações de seu ensino que, inevitavelmente, levaria à dupla personalidade em Cristo, duas pessoas entre as quais haveria uma união moral. Nestório foi fortemente influenciado pelo seu mestre, Teodoro de Mopsuéstia.

O nestorianismo é deficiente, não em relação à doutrina das duas naturezas de Cristo, mas, sim, quanto à Pessoa de cada uma delas. Concorda com a autêntica e própria deidade e a autêntica e própria humanidade, mas não são elas concebidas de forma a comporem uma verdadeira unidade, nem a constituírem uma única pessoa. As duas naturezas seriam igualmente duas pessoas. Ao invés de mesclar as duas naturezas em uma única autoconsciência, o nestorianismo as situava lado a lado, sem outra ligação além de mera união moral e simpática entre elas. Jesus seria um hospedeiro de Cristo.

Nestor foi vigorosamente atacado por Cirilo, patriarca de Alexandria, e condenado pelo Terceiro Concílio de Éfeso, em 431.

O movimento nestoriano sobreviveu até o século quatorze. Adotaram o nome de cristãos caldeus. A Igreja persa aceitou claramente a cristologia nestoriana. Atingiu expressão culminante no décimo terceiro século, quando dispunha de vinte e cinco arcebispos e cerca de duzentos bispos. Nos séculos doze e treze, formou-se a Igreja Nestoriana Unida e, atualmente, seus membros são conhecidos como Caldeus Uniatos. Na Índia, são conhecidos como cristãos de São Tomé. Hoje, esse movimento está em declínio.


Pelágio (360-420)

Teólogo britânico. Teve uma vida piedosa e exemplar. Baseado exatamente nessa questão, desenvolveu conceitos sobre a hamartiologia (doutrina que estuda o pecado). Sofreu resistência e, finalmente, foi excluído por diversos sínodos (Mileve e Catargo), sendo, ainda, condenado no Concílio de Éfeso, em 431 d.C.

Seus ensinos afirmavam que o homem poderia viver isento do pecado. Que o homem fora criado a imagem de Deus e, apesar da queda, essa imagem é real e viva. Do contrário, o homem não seria aquele homem criado por Deus. No pelagianismo a morte é uma companheira do homem, querendo dizer que, pecando ou não, Adão finalmente morreria, ainda que não pecasse. O ideal do homem é viver obedecendo.

O pecado original é uma impossibilidade, pois o pecado depende de uma ação voluntária do pecador. Afirma ainda que, por uma vida digna, os homens podem atingir o céu, mesmo desconhecendo o evangelho. Todos serão julgados segundo o que conheciam e o que praticavam. O livre-arbítrio era enfatizado em todas as suas afirmações, excluindo a eleição. Um século depois, desenvolveu-se o semipelagianismo, que amortecia alguns ensinos extravagantes de Pelágio.


Eutíquio (410-470)

Viveu em um mosteiro fora de Constantinopla durante a primeira metade do quinto século. Discípulo de Cirilo de Alexandria, teve grande influência e chefiava mosteiros na Igreja oriental. Oponente do nestorianismo, afirmava que, por ocasião da encarnação, a natureza humana de Cristo foi totalmente absorvida pela natureza divina.

Era de opinião de que os atributos humanos em Cristo haviam sido assimilados pelo divino, pelo que seu corpo não seria consubstancial como o nosso, que Cristo não seria humano no sentido restrito da palavra.

Esse extremo doutrinário contou com o apoio temporário do chamado Sínodo dos Ladrões (em 449 d.C.). Essa decisão foi anulada mais tarde pelo Concílio de Calcedônia, em 451 depois de Cristo.

O Sínodo dos Ladrões recebeu esse nome porque seus participantes roubavam características da doutrina cristocêntrica. Por esse motivo, Eutíquio foi afastado de suas atividades eclesiásticas. Mas a Igreja egípcia continuou apoiando a doutrina de Eutíquio e manteve seus ensinos por algum tempo. Então, o eutiquianismo surge novamente no movimento monofisista.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Seu culto é racional ou irracional?

“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Romanos 12:1)

O termo ‘racional’ remete a raciocínio. Parece bastante óbvio. Assim como também, por associação, se entende que somente os seres humanos podem apresentar tal culto, visto que somente eles possuem raciocínio. Os anjos também possuem raciocínio, porém, por natureza não possuem corpo, visto que são espíritos (Hebreus 1:14). Paulo está falando aqui exclusivamente à igreja.
O vocábulo correspondente na versão original o grego “logikên latreian”, ou seja, ‘culto racional’, também pode ser entendido, sem prejuízo, como ‘culto lógico’. De fato, há lógica na racionalidade e vice-versa. Quem acha que essas coisas trazem prejuízo à fé, precisa rever seus conceitos.
O que Paulo está querendo dizer à igreja de Cristo?
Por suas colocações vemos que há uma preocupação do apóstolo em mostrar aos irmãos a necessidade de que se realmente entenda a natureza de tudo isso, no caso, a igreja.
Por que estou aqui? Quem me trouxe aqui? O que vim fazer aqui? O que estão me ensinando é verdade? São questionamento que todos os crentes deveriam se fazer até que encontrassem respostas racionais para todos eles.
O contrário de culto racional é culto irracional. Ou seja, algo que é feito instintivamente, sem critérios ou razões que justifiquem os procedimentos adotados. Em um culto assim é praticamente impossível se seguir o que está escrito: “Tudo, porém, seja feito com decência e ordem” (I Coríntios 14:40) . É impossível que haja qualquer um dos dois componentes pedidos sem que se entenda a natureza de cada um. E é preciso racionalidade para que isso aconteça. Por isso Deus nos fez diferentes das demais criaturas, ou seja, nos criou à sua imagem e semelhança: para que o adorássemos em espírito e em verdade, conscientes de nosso ato e de nossa missão de adoradores.
O reino de Deus é um reino de decência e ordem. Não há espaço para improvisos de última hora. A construção da arca e do tabernáculo comprovam a mensagem de organização que Deus quer nos ensinar. Até na salvação haverá ordem (I Coríntios 15:23).
Esse é o padrão que deve ser perseguido pela igreja de Cristo. Deus se agrada de uma obra organizada.
Em dias atuais podemos identificar como grande adversário desse padrão, o excesso de emocionalismo que tem se alastrado no meio cristão. A busca incessante pelo êxtase e pela experiência sobrenatural extrabíblica, a incorporação de ‘anexos’ doutrinários à Palavra de Deus, como se esta não fosse suficiente e os modismos importados recheados de técnicas mirabolantes de quebra de maldições e encontros obscuros são os componentes deste fim de séc. XX e início de séc. XXI. O que não é uma surpresa, Paulo já alertava que essas coisas fatalmente aconteceriam (I Timóteo 4:1).
Nesse caldeirão doutrinário sem consistência – já que não se sustentam biblicamente – as pessoas estão se dirigindo às igrejas sem saber exatamente o que vão fazer por sua espiritualidade. Vão dançar, cantar, aplaudir, gritar, enfim, sem entrar no mérito dessas questões, quase sempre falta o elemento principal: a Palavra de Deus. Entram e saem alegres e exaustas. O problema é: entenderam a mensagem? A palavra que foi pregada edificou suas vidas? Deus falou com elas através de seu evangelho? Se à maioria dessas perguntas as respostas forem algo como “acho que sim”, algo está fora do lugar.
Cultos de estudo são sempre vistos como ‘enfadonhos’ e ‘entendiantes’. Já pensou, passar quase uma hora apenas consultando referências na Bíblia? Que chato, não? Agora observe Neemias 8:3 “E leu no livro, diante da praça, que está fronteira à Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens e mulheres e os que podiam entender; e todo o povo tinha os ouvidos atentos ao Livro da Lei.” Estudo bíblico das seis da manhã até o meio-dia. Após isso, inclinaram-se, e adoraram o Senhor com o rosto em terra. Que lindo, não?
Uma proposta dessas nos dias de hoje seria impensável. Mas se o trabalho for uma celebração com um nome da moda, aí somente um dia inteiro é pouco.
A questão é que não há culto racional sem o entendimento da Palavra. Os ‘avivalistas’ de plantão trocam a bíblia por apostilas preparadas especialmente para direcionar as pessoas para a conclusão que lhes interessa. Seguem o exemplo das testemunhas de Jeová. Alguém já viu um deles evangelizando com uma bíblia em punho? Não, só vão às ruas com exemplares de ‘sentinela’ e ‘despertai’ ou, quando muito, com seus livretos particulares.
Por isso Paulo fala em ‘sacrifício vivo’. Ou seja, sacrifício da vontade da carne para fazer a vontade de Deus. E isso requer dedicação à sua Palavra e não somente àquilo que dá prazer, como por exemplo, ir para um retiro. Requer decência e ordem. Compromisso e organização.
Autor: Missionário Neto Curvina

sábado, 21 de maio de 2011

Procurando uma Igreja - Um breve guia para o adorador judicioso

“Como eu posso achar uma igreja onde eu ouvirei Cristo pregado por Sua Palavra, sem todos esses erros e distrações?” Esta é uma questão que tenho feito a mim mesmo em muitas ocasiões. É fácil entender a preocupação e até a frustração que acompanha a busca pelo lugar apropriado para adorar. Primeiro, assim como com os rótulos de produtos, é importante examinar o que os rótulos da igreja significam e o que eles não significam. Lendo os rótulos

Se você cresceu na Europa, escolher uma igreja não deve ser tão difícil. Depois da Reforma, cada denominação obteve sua própria “área”; assim, se você tivesse nascido, por exemplo, num cantão italiano na Suíça, você seria católico romano, enquanto uma pessoa nascida em Genebra, de língua francesa, provavelmente seria protestante. Algumas vezes, nações inteiras (ou a linhagem reinante de um monarca) compartilham uma confissão comum: A Igreja da Inglaterra, a Igreja da Escócia, a Igreja da Suécia, a Igreja Reformada Holandesa, e assim por diante.

Quando a América tornou-se o porto para grupos que queriam “recomeçar” no Novo Mundo, trazendo o Evangelho aos nativos e escapando da perseguição em suas igrejas estatais, muitos simplesmente trouxeram seu entendimento de igrejas estatais regionais do Velho Mundo. Por exemplo, os puritanos da Nova Inglaterra instituíram o Congregacionalismo e obstaram a cidadania aos quakers e católicos romanos. Isto foi, na verdade, mais generoso do que a perseguição da política na Europa, na época, quando os não-conformistas eram presos e algumas vezes até executados.

Entretanto, na época que nossa nação foi fundada, ficou claro que não haveria igrejas estatais sancionadas oficialmente pela república americana, mas que os americanos seriam livres para seguir suas consciências. Este processo, não obstante a todos os seus benefícios, criou um livre-para-tudo no qual as denominações competem pelas almas. Esta liberdade estimulou a criação de centenas de novas seitas e cultos no século dezenove; tudo desde mormonismo, racionalismo cristão e testemunhas de Jeová, até culto da comida saudável, seitas pentecostais radicais e grupos que aumentaram seus números de membros fazendo predições sobre os eventos proféticos do fim dos tempos. Os últimos dois anos têm sido um exercício de espiritualidade estilo cafeteria (onde os fregueses servem a si próprios) ou, como um amigo na Inglaterra chama, religião de livre empreendimento. A questão não é tanto a verdade que deve ser defendida e passada adiante, mas “o que funciona pra você”; em outras palavras, escolher uma igreja é uma questão de gosto.

Isto explica a origem dos rótulos. Como nós os lemos? Em primeiro lugar, há as denominações protestantes tradicionais que conceberam e modelaram a origem da maioria das instituições da América no século vinte: os Congregacionalistas, Presbiterianos e Reformados (Holandeses, Alemães, Húngaros, Franceses), Episcopais, Batistas, Luteranos e Metodistas. A primeira grande dissensão no protestantismo aconteceu entre os Luteranos e os Reformados, mas outras denominações protestantes (Congregacionalistas, Presbiterianos, Episcopais) são parte da árvore genealógica dos Reformados ou Calvinistas (nota: enquanto os Batistas Arminianos frequentemente traçam sua ascendência até os Anabatistas, os Calvinistas Batistas consideram-se como aqueles que divergem do Calvinismo somente nos assuntos relacionados à teologia da aliança e aos sacramentos). Em outras palavras, eles compartilham uma crença comum sobre Deus, humanidade, Cristo, salvação e outras coisas essenciais, mas diferem sobre outros temas importantes. Por exemplo, Congregacionalistas crêem que as igrejas podem ser independentemente governadas pela congregação; Presbiterianos alegam que a palavra “presbítero” no Novo Testamento, significando “ancião”, pressupõe uma forma de governo eclesiástico baseado em irmãos-anciãos ordenando as igrejas em uma área determinada, e os Episcopais insistem numa hierarquia de pastores (bispos) sobre outros pastores (ministros).

Historicamente, a forma de governo da igreja, dividiu estas igrejas e não a discordância sobre o meio de salvação.

O reavivalismo e individualismo fronteiriço nos anos de 1800, levaram a uma explosão de cultos e seitas. Autoproclamados “profetas” afastaram muitas pessoas das igrejas protestantes tradicionais e muitos deles são hoje grupos organizados: a Igreja de Cristo, Discípulos de Cristo e uma hoste de grupos pentecostais. Grupos pietistas (a maioria descendendo dos Luteranos) acrescentaram divisões à lista. Eles criam que o protestantismo tradicional perdera seu primeiro amor por causa da ênfase doutrinária. Entre eles estão as denominações Brethren (dos Irmãos), Igrejas Livres (Evangélica Livre, Aliança Evangélica, etc), e uma multidão de igrejas independentes que surgiram no último século e meio. Na metade do século vinte muitas delas adotaram a teologia dispensasionalista de J. N. Darby.

Enquanto isto, as próprias denominações protestantes tradicionais começaram a tolerar e depois abraçar o Iluminismo, com sua crença na bondade humana, explicações naturais para tudo e a rejeição da necessidade da intervenção divina, revelação ou salvação.

Durante a primeira metade do século vinte, estas denominações experimentaram seu maior cisma. Isto deu origem a uma grande quantidade de novas denominações no cenário religioso. Por exemplo, somente entre os presbiterianos, onde havia somente uma Igreja Presbiteriana na América, existem hoje muitas. (...)[1]

Enquanto existem muitas divisões no protestantismo americano, existe também um constante estímulo à reunião das igrejas divididas, contanto que haja uma fé ortodoxa. Muitas das denominações há pouco mencionadas gozam de íntimas relações fraternas.

As denominações reformadas estão intimamente afiliadas com as presbiterianas; na verdade, a tradição é comumente chamada “a tradição reformada presbiteriana”. Muitas igrejas na Europa são parte das “igrejas regionais” mencionadas anteriormente. Elas têm histórias diferentes, não por causa de diferenças doutrinárias, mas porque vieram de diferentes contextos étnicos, linguísticos, culturais e históricos. (...)

Congregacionalistas de modo geral, não têm uma confissão de fé ou catecismo. Os presbiterianos usam a Confissão de Fé de Westiminster e os Catecismos Menor e Maior; os reformados usam as “três formas de unidade” – a Confissão Belga, o Catecismo de Heidelberg e os Cânons do Sínodo de Dort; luteranos usam o Livro da Concórdia, que inclue a Confissão de Augsburg e empregam os Catecismos Menor e Maior de Lutero; os episcopais têm os Trinta e Nove Artigos da Religião como sua confissão. Cada uma destas confissões e catecismos foram escritos durante ou logo depois da Reforma. À medida que uma denominação ou igreja julga suas pregações, ensinos, culto e a vida da igreja por estes padrões, ela é “confessional”. A maioria das igrejas “mães” hoje, ou ignora suas confissões, ou permite que seus pastores e oficiais rejeitem sua confissão oficial de fé. Muitos “braços” evangélicos conservadores fazem o mesmo, não tanto pela rejeição absoluta do correto ensino, mas por uma apatia no que se refere a doutrina, credo, confissões e a instrução catequética dos jovens. Em ambos os casos o resultado é o mesmo: uma geração de cristãos professos que desconhece seus próprios credos o suficiente para ser capaz de questionar e examinar.

Seja cuidadoso para não ler os rótulos de muito perto. Por exemplo, embora a Igreja Unida de Cristo (não confundir com as Igrejas de Cristo ou Discípulos de Cristo) seja a mais liberal denominação da nação, julgando pela sua vanguarda diplomática, é possível achar uma paróquia decente desta igreja na sua vizinhança. De fato, é possível que uma congregação da Igreja Presbiteriana dos EUA (mãe) da vizinhança, possa atualmente ser mais comprometida com a fé reformada do que uma igreja que pertença a um ramo evangélico mais conservador do presbiterianismo. Não é provável, mas é possível. Hoje em dia, você não pode julgar sempre uma igreja pelo seu nome.

Tenha certeza que sua “igreja” é uma igreja

Até este século, cristãos de todos os tipos criam que há igrejas verdadeiras e igrejas falsas. Só porque está escrito “igreja” sobre a porta não significa que ela seja uma. Daí porque os reformadores retiraram das Escrituras duas inegáveis marcas da igreja verdadeira: é onde a Palavra de Deus é pregada de forma verdadeira e os sacramentos são administrados corretamente.

Certamente, os reformadores sabiam que isto acontece em graus variados. Por exemplo, mesmo numa igreja protestante conservadora alguém pode ser desapontado com o manuseio de um certo texto. Alguém pode estar absolutamente convencido que o pregador errou em sua explanação, mas isto não significa que esta igreja não deva mais ser considerada como uma igreja verdadeira. Os reformadores tinham em vista que ela tinha de ser uma igreja na qual a clara pregação do texto se focalizava na promessa de Cristo em salvar os pecadores. Em outras palavras, a pregação da Lei e do Evangelho deve ser claramente afirmada e proclamada na paróquia local, para ser considerada uma igreja verdadeira. Quando uma denominação ou uma igreja rejeita oficialmente o Evangelho ou qualquer ensino essencial do Credo Niceno, ela comete apostasia e não faz mais parte do corpo visível de Cristo. Indivíduos dentro dela podem ser salvos, mas a congregação ou denominação apartou-se oficialmente da igreja visível de Cristo.

A segunda marca da igreja verdadeira é que os sacramentos são aceitos e empregados, ao lado da Palavra, como meios de graça. Os protestantes reformados, presbiterianos e luteranos, tradicionalmente têm arguido que “a administração correta dos sacramentos” seguramente requer o batismo infantil e a rejeição de qualquer concepção da Ceia do Senhor que a reduza a um mero símbolo ou memorial. De novo, isto não significa que pessoas que discordam desta definição não são realmente cristãs; é uma questão do que propriamente constitui uma igreja visível ordenada corretamente.

Se uma igreja preenche estas definições, você precisa menosprezar outros problemas. Quando o gosto, ao invés da verdade, é o critério para a escolha de uma igreja, as pessoas colocarão estilo de música, programas e atividades infantis no topo da lista. O ponto mais importante é este: Este é um lugar onde Deus e Sua revelação na pessoa e obra de Cristo são claramente declarados, e onde as pessoas são sérias sobre crescimento em Cristo através da Palavra, sacramento, oração, evangelismo e missões? Este é um lugar onde meus filhos serão ensinados em adição as instruções que receberão em casa? Eles crescerão ouvindo o Evangelho?

De volta aos pontos essenciais - O que você pergunta ao pastor?

Se você não pode julgar uma igreja por seu rótulo, como poderá julgá-la? Aqui estão algumas perguntas para o pastor:
1. Qual é o ponto de vista da igreja sobre a Escritura? Ela é infalível, a única autoridade de fé e prática?

2. Qual é a confissão de fé da igreja? Onde este ministro específico se baseia nela? Ela é o critério para o ensino e a pregação da Palavra de Deus?

Se você realmente for “sortudo”, você pode até achar uma igreja que ainda use seu catecismo. Uma confissão de fé não é igual a Escritura, mas apresenta o que o corpo da igreja crê que a Palavra de Deus ensina e requer que nós saibamos. Um catecismo é simplesmente um meio de instrução sobre a confissão de fé, geralmente através de perguntas e respostas, com textos bíblicos sustentando cada resposta. Em muitas denominações confessionalmente consistentes, alguém poderá achar um currículo da escola dominical que acompanhará a pessoa por todo o caminho desde a idade pré-escolar até o crepúsculo dos anos. Isto é importante, porque organiza nossos pensamentos sobre Deus e o estudo da Escritura num conjunto coerente, claro e sistemático.

3. O culto é conduzido como um encontro de Deus com Seu povo para dar-lhes Sua graça e para que eles lhes respondam em agradecimento? Ou é modelado pelo entretenimento?

4. Jesus Cristo é proclamado como um herói moral ou como Redentor? Em outras palavras, Ele está em igualdade com Freud, Benjamim Franklin, um político e um profeta dos últimos dias, ou a pregação é concernente a “Cristo e este crucificado” como Paulo a colocou?

Se você deve sair

Os cristãos reformados “não jogam o bebê fora junto com a água da banheira” na rejeição dos erros do romanismo. Nós ainda temos uma elevada doutrina da igreja, e isto é o que torna excessivamente difícil deixar uma igreja ou denominação que está corrompida. Muitas vezes é difícil decidir quando chega o tempo da separação.

Se uma congregação local se aparta da fé, é legítimo permanecer nela para tentar mudá-la, enquanto a confissão de fé oficial não tiver sido ainda finalmente rejeitada? Eu creio que sim, e que Deus nos chama para manter nossas igrejas e denominações responsáveis por suas próprias confissões. Enquanto a confissão de fé oficial permanecer, é assumido que cada um no ministério daquela denominação concorda com seus artigos. Se não, os pastores que com suas bocas prometem preservar a confissão estão na realidade fazendo exatamente o oposto e são, portanto, desonestos. Não é você que tem que partir, porque você está sendo fiel à confissão de fé da igreja e até que a denominação oficialmente rejeite esta confissão, você está certamente livre (mas não obrigado) a permanecer nela com o objetivo de trazê-la de volta à prática confidência naquela fé. Aqui, dependendo do regime da denominação, um processo de tribunais eclesiásticos graduados provê reformas justas e ordeiras.

Muitos leitores podem fazer parte de uma igreja sem denominação que não possui um estatuto formal de fé. Como você pode manter seu pastor na pregação e ensino da mensagem evangélica se, pela leitura dele da Escritura, ele é convencido de outra interpretação, não importando o quanto ela seja estranha? Esta é a mais difícil situação. Se a Palavra não é corretamente pregada (ou seja, uma afirmativa clara dos credos essenciais) e os sacramentos não são corretamente ministrados, sendo os pastores responsáveis por alguém além deles mesmos e de seus admiradores, esta não é uma igreja verdadeira. Abandonar uma seita não só é tolerável, mas necessário. Reformar uma igreja é suficientemente difícil, mas se uma assembléia de crentes não é biblicamente propensa para chamar-se "igreja", e não deseja caminhar nessa direção, o passo mais sábio seria buscar com devoção, uma igreja que está tentando, débil ou dedicadamente, ser uma igreja verdadeira.

O que quer que você faça, resista a tentação (e ela será grande) de abandonar ou diminuir sua frequência na igreja. Esta não é uma opção para o crente, embora seja muito atrativa, especialmente quando se contentar com o cardápio local algumas vezes não é tão atraente.

Uma última colocação sobre este ponto. Se você precisa sair, faça-o com caridade e civilidade. Não faça alarde sobre isto, tornando sua partida um assunto de conhecimento público. Siga sua consciência, mas entenda que a razão pela qual outros não vêem as coisas do seu jeito é que eles simplesmente não estão persuadidos ainda das convicções que motivaram sua saída. Você precisará de oração, sabedoria e conselhos de vez em quando, como estes.

Buscando sentimento

Finalmente, esteja certo de que a igreja que você escolher “busca sentimento”. Isto tem sido a nova palavra-chave nos círculos de crescimento da igreja, e é geralmente usada como uma desculpa para legitimar o esvaziamento de todo pensamento, liturgia, dignidade e senso de transcendência e centralidade de Deus. A igreja é replanejada para ir ao encontro das necessidades do incrédulo. Depois de ser perguntado que tipo de igreja eles gostariam de frequentar, os peritos em marketing da igreja moderna dizem aos pastores como construí-las.

Assim, porque eu sugiro a você que a igreja que você escolher deve “buscar sentimento”? Em João 4, Jesus diz a mulher samaritana, “Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo.4: 21-24). Note que assim como depositamos nossa confiança na nossa própria denominação ou congregação como a igreja verdadeira, Jesus nos diz que não é uma questão de em que montanha nós adoramos, porque agora Deus reside no corpo de Cristo, que é a igreja. Deus diz que a adoração deve ser em Espírito e em verdade. Ou seja, o Espírito e a Palavra devem andar juntos. Não pode haver atividade do Espírito Santo independentemente da Palavra, e qualquer atividade da Palavra depende do Espírito Santo para ser eficaz.

Certamente, devemos “buscar sentimento”, mas há uma importante distinção aqui: Deus diz que Ele procura adoradores. O moderno conceito de crescimento de igreja está baseado no erro do arminianismo, onde o homem acha a Deus. Assim, nós deixamos de lado a adoração a Deus pelo critério que Ele estabeleceu (o Espírito Santo e a verdade) com o propósito de “buscar sentimento”. Afinal de contas, nós salvamos pessoas e as trazemos para o reino, certo? Esta é a suposição. Mas se Deus é aquele que busca, nossa missão é achar uma congregação onde Deus é servido com adoração, mesmo quando a mensagem ou estilo possa ser estranho ou mesmo desagradável aos incrédulos. Se for, pode ser por nossa culpa ou também por causa da Palavra de Deus estar fazendo simplesmente o que ela faz. Se este é o caso, estamos em boa companhia com os apóstolos, mártires e reformadores antes de nós.
[1] Certas partes do texto dizem respeito ao desenvolvimento histórico americano das denominações. Por este motivo, foram retiradas do texto por ser específico à realidade norte americana. Estas partes estão identificadas por este sinal: (...)

Fonte: Biblioteca Reformada ARPAV

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Não se esqueça do Robin

A bênção da internet é saber como éramos bregas e não sabíamos! Recentemente assisti a um filme do Batman, dos anos 60, baseado na famosa série com Adam West (Batman) e Burt Ward (Robin). Era engraçado ver um Batman meio barrigudinho e um Robin com aquele cabelo entupido de gel. A cena mais ridícula no filme foi a em que Batman, pendurado em uma escada de helicóptero, sobrevoando o mar aberto, é atacado por um tubarão e então contra-ataca com um repelente de tubarões em spray retirado do seu batcinto de utilidades!

Na minha imaginação infantil, quando o seriado era exibido na TV, era impossível ter o Batman sem o Robin. E sem também aquele batmóvel maravilhoso, mas esta é outra história. Portanto, aonde o Batman ia, o Robin ia atrás.

Nos tempos de Jesus também havia uma dupla dinâmica. Não era formada por um protótipo de Batman e Robin, mesmo porque o morcego era animal imundo perante a Lei. Mas era a dupla dinâmica formada por fariseus e saduceus.

Os fariseus são constantemente lembrados hoje em dia. Não há ofensa maior que chamar alguém de fariseu. Isso porque fariseu é entendido como alguém intransigente, cabeça dura ou, conforme disse Rubem Alves, seguidor do protestantismo de reta doutrina, onde o que importa é a letra da Lei, não o seu espírito. Segundo o fariseu, o que vale é a correta interpretação da Lei, dada por ele mesmo, e não ela em si.

Mas os saduceus formavam um grupo diferente. Eram judeus que tinham um tipo de fé diferente. Não criam na ressurreição. Diziam que a tradição oral não valia como a tradição escrita. Eram pessoas, conforme nos diz Flávio Josefo, que criam apenas no livre-arbítrio aqui e agora.

O mais interessante é que, para pegar Jesus, eles sempre se alinhavam com os fariseus, que criam de modo diametralmente oposto. Para um “bem comum”, ou melhor, mal comum, aceitavam a união com um pretenso inimigo.

Os saduceus, embora menos citados na Bíblia, eram tão perniciosos quanto os fariseus em sua busca em perseguir Jesus. Sua perniciosidade residia não só em sua hipocrisia e em seu “colaboracionismo” com o farisaísmo, gerando uma distorção do conceito de co-beligerância de Francis Schaeffer. Sua malignidade residia principalmente em sua incredulidade latente.

Vemos hoje o grande mal que estruturas doentes fazem com as pessoas. A cada dia que passa aumenta o número de pessoas traumatizadas com igrejas, lideranças e pastores. Tal como um alérgico em um ambiente mofado, esses indivíduos começam a agonizar com a simples lembrança de algo que já foi belo, mas que hoje necessita urgentemente de uma reforma e um avivamento (citando, novamente, Schaeffer). Essas pessoas necessitam de amparo, comunhão e restauração do verdadeiro Deus e da verdadeira Igreja, que é seu corpo e que reside nas igrejas e fora delas.

Mas, tal como lobos que acompanham rebanhos machucados, os saduceus modernos espreitam tais pessoas, afirmando seu egoísmo como parte inerente ao reino, dizendo que a “igreja sou eu”, quando, na verdade, a igreja nunca é um indivíduo apenas. Estes saduceus apresentam sua incredulidade em uma capa estranha de piedade mundanizada e santidade suja, crendo transmitir o “verdadeiro Evangelho”, como se os últimos dois mil anos tivessem gerado apenas espertalhões e heréticos, mas que agora a realidade estava revelada a eles. Movimentos heréticos, como os Testemunhas de Jeová e os Mórmons, tiveram início bem semelhante. Em seu descaminho, semeiam apenas a desgraça, a arrogância, a amargura, o cinismo, a incredulidade e o sarcasmo. Tudo em nome de Jesus.

Jesus condenou tanto os fariseus quanto os saduceus: “Vocês erram, não conhecendo as Escrituras” (Mt 22.29). E são essas mesmas Escrituras, tão vilipendiadas hoje em dia, que testemunham de Jesus (Jo 5.39). Na busca pela restauração da igreja, a incredulidade e a carnalidade humanas nunca podem ser alternativas viáveis. É hora, portanto, de buscarmos a Palavra, a santidade e o Senhor, deixando os modernos saduceus de lado. São guias cegos, e não quero que ninguém seja guiado ao precipício (Mt 15.14). Abra bem os olhos e nunca se esqueça do Robin!

Por: Rodrigo de Lima Ferreira, casado, duas filhas, é pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil desde 1997. Graduado em teologia e mestre em missões urbanas pela FTSA, hoje pastoreia a IPI de Rolim de Moura, RO. revdigao.wordpress.com

domingo, 15 de maio de 2011

Deus ainda revela sua palavra hoje em dia?

Dos dias de Adão e Eva até o tempo dos apóstolos, Deus revelava seu plano passo a passo. À medida que Deus revelou cada parte, ele confirmou a mensagem com sinais e milagres. Em Jeremias 31, próximo ao fim da revelação dada no Velho Testamento, Deus prometeu fazer uma nova aliança com seu povo, assim predizendo que ele mandaria a mensagem do Novo Testamento. Esta nova aliança começou a ser anunciada por Jesus. Ele disse que não deu toda a mensagem por ele mesmo, mas que o Espírito Santo revelaria o restante do evangelho através dos apóstolos (João 16:12-13). Esta promessa foi, de fato, cumprida, e o evangelho foi completamente revelado e confirmado no primeiro século (Hebreus 2:3-4).

Mas, e agora? O Novo Testamento já foi dado para nós por completo? Deus ainda está revelando seu plano? Devemos nós esperarmos por uma revelação mais ampla no futuro?

Numerosos grupos afirmam que Deus tem revelado mais mensagens através deles. Os mórmons, por exemplo, ensinam que Joseph Smith recebeu uma tradução inspirada de uma mensagem especial de Deus no século XIX. Esta mensagem foi escrita no Livro do Mórmon e em outros livros e ensinamentos da igreja Mórmon. Os Adventistas do Sétimo Dia acreditam que Deus revelou mais de sua mensagem através de Ellen G. White nos Estados Unidos há 150 anos atrás. As Testemunhas de Jeová ensinam que a Sociedade Torre de Vigia é o servo de Deus através do qual o Senhor revela suas mensagens para hoje. A igreja Católica ensina que os pronunciamentos do papa são a revelação de Deus e que a igreja continua a desenvolver e definir as doutrinas do evangelho. Muitas igrejas Pentecostais recebem semanalmente, até mesmo todas as noites, mensagens dos profetas e profetisas, que afirmam ser a revelação da vontade de Deus para as vidas de determinadas pessoas. As pessoas que frequentam centros espíritas dizem que recebem mensagens especiais de Deus através dos espíritos dos mortos.

A Bíblia nega todas estas afirmações. De acordo com o ensinamento das Escrituras, o Novo Testamento é a última revelação de Deus para o homem e não há mais revelações. Vejamos algumas afirmações das Escrituras.

A Revelação está completa

Jesus prometeu que o Espírito Santo guiaria os apóstolos a toda a verdade (João 16:13). Os apóstolos disseram que eles não deixaram de anunciar nada (Atos 20:27) e que Deus tinha dado todas as coisas que pertencem à vida e ao serviço espiritual (2 Pedro 1:3). Os primeiros cristãos conheciam todas as coisas (1 João 2:20,27). Paulo, em Colossenses 2, argumentou vigorosamente que havia perfeição em Cristo no primeiro século. Ele ensinou que Cristo contém todos os tesouros da sabedoria e conhecimento, toda a plenitude da divindade, a verdadeira circuncisão, etc. Se a perfeição já estava disponível em Cristo no primeiro século, como pode ainda existir mais alguma mensagem para Deus nos revelar? Se a Torre de Vigia, Allan Kardec, ou Ellen G. White podem nos dar uma revelação posterior, então aqueles a quem Paulo escreveu em Colossos não foram realmente completos em Cristo.

As Escrituras que já foram reveladas no primeiro século foram suficientes para completar a alegria do cristão, mantê-lo longe do pecado, dar a ele o conhecimento da possessão da vida eterna, dar a ele a sabedoria para a salvação, ensiná-lo, repreendê-lo, corrigi-lo e instruí-lo na justiça (1 João 1:4; 2:1; 5:13; 1 Timóteo 3:15; 2 Timóteo 3:16). Através das Escrituras reveladas no primeiro século, o homem de Deus podia ser adequado e preparado para toda a boa obra (2 Timóteo 3:17). O que mais poderia nos prover uma outra revelação hoje em dia?

A Nova Aliança é final

Hebreus 7:11-14 mostra que há uma inseparável ligação entre a aliança e o sacerdócio. Hebreus 7:15-28 mostra que o sacerdócio de Jesus é infindável, indestrutível, permanente e final. Portanto, a aliança tem que ser permanente, imutável e final. Hebreus 13:20 refere-se especificamente à eterna aliança. O sacrifício de Jesus foi um sacrifício feito uma vez para sempre (Hebreus 9:26) e a fé foi dada uma vez para sempre aos santos (Judas 3). Se houvesse uma contínua revelação da fé, teria que haver uma contínua oferta de Jesus, também. Mas na verdade, Jesus foi oferecido uma só vez; e o evangelho foi revelado uma só vez, também. Não existirá mais sacrifício; não haverão mais mensagens de Deus.

Esta não era a situação no passado. Antes que Cristo viesse, Deus se revelou muitas vezes em muitas maneiras, mas então ele deu sua última revelação através do seu Filho (Hebreus 1:1-2). Pela própria natureza de Jesus, deve ficar claro que não poderia haver acréscimos nem modificações à perfeita mensagem que ele revelou através de seus apóstolos no primeiro século. Aceitar qualquer acréscimo, seja o Livro do Mórmon, seja o mais recente pronunciamento de alguém que alega ser profeta, é negar a perfeição de Cristo e a mensagem que ele entregou.

A profecia terminou

As profecias (revelações da vontade de Deus) não foram planejadas para durarem para sempre. Note, com atenção, em 1 Coríntios 13:8-13. Paulo fala sobre três épocas neste texto. Primeiro, há o tempo em que a profecia era em parte, quando Deus estava revelando sua palavra pedaço por pedaço (versículo 9). Segundo, viria um tempo em que as profecias cessariam, entretanto a fé e a esperança continuariam (versículos 10 e 13). Então, finalmente, quando Cristo retornar, a fé e a esperança também cessarão (Romanos 8:24-25; 2 Coríntios 5:7) e somente o amor irá permanecer. O tempo no qual não haveriam mais profecias é agora, a época na qual temos o perfeito Novo Testamento. Deus nunca pretendeu que a revelação continuasse através dos séculos, mas sim, até que a mensagem do evangelho pelos apóstolos fosse dada por completo.

Os cristãos devem segurar firme o evangelho já revelado

"Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa" (2 Tessalonicenses 2:15). "Para que vos recordeis das palavras que, anteriormente, foram ditas pelos santos profetas, bem como do mandamento do Senhor e Salvador, ensinado pelos vossos apóstolos" (2 Pedro 3:2). "Vós, porém, amados, lembrai-vos das palavras anteriormente proferidas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo" (Judas 17). Estas passagens são muito importantes. Elas indicam que o servo de Deus deve olhar para atrás e ver a mensagem revelada pelos apóstolos e guardá-la, e não ficar à espera de mensagens vindouras. As Escrituras nos encorajam para permanecermos na revelação original e não procurar desenvolvê-la com uma outra revelação do Senhor.

A pregação das outras coisas é condenada

Sempre existiu e existe um considerável perigo de pessoas serem enganadas por impostores. Há uma constante necessidade de testar o professor comparando sua mensagem com a palavra já revelada e confirmada (Atos 17:11; 1 João 4:1). Deus adverte a respeito de confiar em pessoas que afirmam ter recebido um sonho (Jeremias 23:25-32), e também de acreditar em pessoas que pregam a mensagem errada, mesmo quando elas predizem um acontecimento, e este se torna realidade (Deuteronômio 13:1-5). Qualquer outra pregação, seja por Paulo, ou até mesmo por um anjo do céu, está condenada (Gálatas 1:6-9; 1 Timóteo 1:3-4).

Conclusão

Não há mais revelação hoje. Devemos nos opor a qualquer mensagem que revela algo a mais ou alguma coisa diferente do que Deus falou no Novo Testamento. Assim, todas as religiões baseadas em alguma outra revelação são automaticamente rejeitadas. O verdadeiro seguidor do Senhor se lembrará e guardará o que ele tem aprendido do Evangelho. Cuidado com as mensagens posteriores!

Autor: Gary Fisher

segunda-feira, 9 de maio de 2011

As Testemunhas de Jeová adoravam Jesus?

Muitas Testemunhas de Jeová (TJ) já se converteram a Jesus, e outras pelo menos já abandonaram essa organização, por descobrirem que o seu Corpo Governante (a liderança mundial das TJs) vivem mudando de ensinos. Isso é prova cabal de que esses líderes não são guiados pelo Deus da Bíblia, mas pelo deus das trevas. Já mudaram mais de 300 vezes de ensinos, pelo menos que temos aqui catalogados. E o pior de tudo, esses ensinos, às vezes, mudam e retornam com o tempo na mesma forma anteriormente ensinado. Não queremos zombar das TJs, mas tais mudanças têm motivado críticos delas a chamarem a tais mudanças constantes de Luzes Pisca-Pisca, devido ao seu caráter vai-e-vem. O interessante é como o Corpo Governante trata das mudanças de ensinos de outras organizações religiosas, que mudam também de ensinos, mas sem atribuir necessariamente essas mudanças a ação exclusiva de Jeová Deus na vida da Igreja:

"É assunto sério representar Deus e Cristo de um modo, e depois achar que nosso entendimento dos principais ensinos e das doutrinas fundamentais das Escrituras estava errado, e, daí, retornar às mesmas doutrinas que, por anos de estudo, cabalmente verificamos ser erradas. Os cristãos não podem vacilar — ser indecisos — a respeito de ensinos fundamentais. Que confiança se pode ter na sinceridade ou no critério de tais pessoas?" -
A Sentinela de 15 de abril de 1977, página 246, volume encadernado.

Se os cristãos não podem vacilar, o que dizer então do modo como a Liderança Mundial das TJs vem interpretando e reinterpretando se Jesus deveria ou não ser adorado, desde os idos de Charles Taze Russell, o fundador do movimento, em 1879, até hoje? Observe:

1ª LUZ (a) - Jesus foi adorado aqui na terra - "Cremos que o nosso Senhor Jesus, enquanto esteve na terra, realmente foi adorado e assim procedido corretamente." -
A Sentinela de 15 de Julho de 1898, página 216, volume encadernado. 

1ª LUZ (b) - Jesus foi adorado aqui na terra - "Muitos da Cristandade poderiam aprender numerosas lições com aqueles sábios gentios [Os Magos]: Eles caíram diante dele, prostraram-se, então fisicamente expressaram sua reverência. (2) Eles adoraram-no em seus corações [...]." -
A Sentinela 1 de janeiro de 1906, página 15, em inglês.

Até aqui observamos Russell, embora não crendo que Jesus fosse o próprio Jeová, ensinando a adoração a Jesus, inclusive afirmando que a Cristandade deveria aprender a lição com os Magos que vieram adorar Jesus. Russell morreu aos 31 de outubro de 1916 crendo que deveria adorar a Jesus. E para piorar as provas contra essa seita, após a morte de Russell, a ele A Sentinela dirigiu as seguintes palavras, conforme trazidas do original:

"Charles Taze Russell, tu tens, pelo Senhor, sido coroado um rei. E pelas eras eternas teu nome será conhecido entre as pessoas, e teus inimigos virão e adorarão a teus pés." -
A Sentinela de 1 de dezembro de 1916, página 377, volume encadernado.

Argumentando com as TJs: Como pode uma organização se achar a única verdadeira, se o próprio fundador, de 1879 até 1916 não recebeu do Verdadeiro Deus a "verdade" de que não se deveria adorar a Jesus? E como puderam ensinar que os inimigos adorariam Russell aos pés dele?

1ª LUZ (c) - Jesus continuou a ser adorado nos dias de Rutherford (1916-1942) - "Jeová Deus ordena a todos a adorarem a Jesus porque Cristo Jesus é a expressa imagem de seu Pai, Jeová." (
A Sentinela 15 de novembro de 1939, página 339, volume encadernado, em inglês) "No milênio, os príncipes conduzirão as pessoas em sua adoração a Jeová e a Cristo." (Vindicação, Volume III, página 295, em inglês) "As pessoas de todas as nações que obtêm a salvação devem vir à casa do Senhor e adorá-lo ali; isso quer dizer que elas devem crer e adorar a Jeová e ao Senhor Jesus Cristo." (Salvação, página 151, em inglês).

1ª LUZ (d) - Jesus continuou sendo adorado nos dias de Nathan H. Knorr, até 1954 - "Agora, na vinda de Cristo para reinar como rei na capital da organização Sião de Jeová, para ali trazer um novo mundo justo, Jeová faz dele infinitamente maior do que anjos e mensageiros divinos e concordemente ordena-lhes adorá-lo. [...] Visto que Jeová Deus reina agora como Rei [...] então todos os que deveriam adorá-lo devem também adorar e curvar-se [...] a Cristo Jesus, seu Co-regente no trono da teocracia."
- A Sentinela 15 de outubro de 1954, página 313, em inglês.

Como podemos perceber, de 1879 até pelo menos 1954, ou seja, durante 75 anos, por que Jeová não havia ainda revelado a elas o que hoje o Corpo Governante considera uma "verdade" - Não devem adorar a Jesus? Se fosse um assunto secundário, até poderíamos admitir que Deus tem o seu devido tempo, mas em questão de como adorar a Deus, será que poderíamos conceber que o Soberano Senhor Jeová, o Todo Poderoso, teria permitido que seus seguidores o adorassem dividindo a adoração com um ser criado, como pensam as TJs? Pois José do Egito, por dedução e atuação do Espírito Santo de Deus, em sua vida, negou-se a adulterar, mesmo antes de Jeová ter dado os Dez Mandamentos, então por que aqueles Estudantes Internacionais da Bíblia e depois, mesmo com o novo nome de Testemunhas de Jeová (1931), ainda não foram guiados pelo Espírito Santo de Deus a não render nenhuma adoração a Jesus até 1954, caso essa fosse uma verdade? Porque não são guiados pelo Espírito Santo de Deus! Interpretam a Bíblia a seu bel prazer, como faz qualquer outra seita exclusivista.

Amamos as TJs, como pessoas, mas não temos como concordar com essa doutrina que vai e vem, vai e vem, a qual ao mesmo tempo é ensinada pelo grupo como alimento espiritual que vem de Jeová. Observe a mudança:

2ª LUZ - Não se devia mais adorar a Jesus - "Consequentemente, visto que as Escrituras ensinam que Jesus Cristo não é uma co-pessoa trinitária com Deus, o Pai, mas uma pessoa distinta, o Filho de Deus [...], nenhuma adoração distinta deve ser rendida a Jesus Cristo, agora glorificado no céu. Nossa adoração deve ser apenas a Jeová." -
A Sentinela 1 de janeiro de 1954, página 31, em inglês.

Argumentando com as TJs - E as Tjs que morreram adorando a Jesus? Serão salvas? Ou terão a desculpa e que Jeová e seu Corpo Governante que não haviam revelado a "verdade" ainda a elas?

Contudo, contrariando o que Russell certa vez disse, que uma nova luz jamais anula a anterior, mas soma-se a ela, a nova luz, ou nova interpretação, dizia que se podia adorar a Jesus. Veja:

3ª LUZ - Jesus poderia ser adorado (de novo!) - "Cristo deve ser adorado como Espírito Glorioso, vitorioso sobre a morte na estaca de tortura." -
Certificai-vos de Todas as Coisas, página 104, edição de 1960 [a edição de 1970 retirou essa declaração].

Argumentando com as Tjs - Se de acordo com Provérbio 4:18, Jeová revela luzes para o Corpo Governante, por que Ele teria primeiro permitido adorar a Jesus, depois ensinado a esses líderes a não adorar, e depois que se poderia adorar de novo?

Mas a luz continuou a brilhar. E novamente adorar a Jesus não foi mais recomendado. 

4ª LUZ - Jesus não deveria ser adorado (de novo!) - "Os trinitaristas que crêem que Jesus é Deus, ou no mínimo uma segunda pessoa do Deus triúno, não gostam das Testemunhas de Jeová dizerem que é antibíblico para adoradores do Deus vivo e verdadeiro render adoração ao Filho de Deus, Jesus Cristo."
- A Sentinela de 1 de novembro de 1964, página 671, em inglês.

Argumentando com as TJs - Quando um ensino desses, tão importante, vacila entre duas opiniões, a que conclusão você chega? Que Deus faz assim, ou que o homem age assim, independentemente de Deus?

Mas o Corpo Governante mudou novamente, e Jesus agora poderia ser adorado de novo, de uma forma relativa, como quiseram ensinar antes em outros momentos dessa história de acender e apagar de luzes:

5ª LUZ - Jesus poderia ser adorado, mas de modo relativo e só pelos anjos - "Em vista de tudo isso, como devemos compreender Hebreus 1:6, que mostra que até mesmo os anjos ‘adoram’ o ressuscitado Jesus, Cristo? Caso se prefira a tradução "adorar", então se precisa compreender que tal ‘adoração’ é apenas relativa. Pois o próprio Jesus declarou enfaticamente a Satanás que "é a Jeová, teu Deus, que tens de adorar [uma forma de proskynéo] e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado". -
A Sentinela de 1 de julho de 1971, página 415; A Sentinela de 15 de janeiro de 1992, página 23.

Aqui nos convém uma observação interessante. Em 1971, se considera a adoração relativa como possível a Jesus, mas 11 anos antes, lemos num livro das TJs:

"Adoração relativa, usando-se ajudas à devoção físicas, é contrária ao princípio cristão de adoração." -
Certificai-vos de Todas as Coisas, página 244, edição de 1960.

E mesmo que se dissesse que essa declaração acima se referia apenas à adoração de imagens e não à adoração relativa a Cristo, a obra das TJs Estudo Perspicaz afirmou:

"Não existe um único caso nas Escrituras em que fiéis servos de Jeová tenham recorrido à utilização de ajudas visuais para orar a Deus ou tenham se empenhado numa forma de adoração relativa."
(Estudo Perspicaz das Escrituras, volume II, páginas 92, 93)

Quanta contradição nos ensinos do Corpo Governante! Além de contradição, palavras de confusão, bem típico do que o nome Babilônia quer dizer: Confusão, nome este que as Testemunhas de Jeová nos dão, por afirmar: TODAS AS RELIGIÕES, COM EXCEÇÃO DA NOSSA, SÃO PARTE DE BABILÔNIA A GRANDE, O IMPÉRIO MUNDIAL DA RELIGIÃO FALSA! 

Errar, revisar, corrigir, é uma arte aprovada por Deus, mas errar, revisar, corrigir e se considerar a única religião verdadeira, a qual recebe de Deus as interpretações da Bíblia, através de um espirito santo com letras minúsculas NÃO pode ser algo aprovado por Deus. Isso se chama brincar com vidas, e com o próprio Deus.

Atualmente, veja o que ensina o Corpo Governante das TJs sobre se é correto ou não adorar a Jesus?

6ª LUZ - Jesus não recebe nenhuma adoração. Só Jeová deve ser adorado! - Portanto, a que conclusão chegamos? Que Jeová, e ninguém mais, é "o Deus verdadeiro e a vida eterna". Somente ele merece receber a adoração exclusiva de suas criaturas. — Revelação (Apocalipse) 4:11." -
A Sentinela de 15 de outubro de 2004, página 31.

É importante observar que o Corpo Governante, enquanto admitiu a adoração relativa dos anjos a Jesus, ao mesmo tempo ensinava que só Jeová mereceria a adoração dos humanos. Também, a Tradução do Novo Mundo, a Bíblia dos TJs, edição de 1967, traduziu Hebreus 1:6 por "todos os anjos o adorem", mas as edições posteriores, evitando as provas de que se deva adorar a Jesus, traduziu o texto por "todos os anjos lhe prestem homenagem".

Argumentando com os TJs - Você não acha um ensino errôneo ensinar que Jesus deve ser adorado, depois ensinar que não, depois ensinar que sim, depois ensinar que a adoração a Jesus seria apenas relativa, depois que adoração relativa é idolatria, e finalmente que Jesus não deveria ser adorado? (Espere uma resposta) Você acha mesmo que o Corpo Governante, depois de tantas mudanças que vão e que vêm, ensina mesmo o que Jeová quer, ou o ensino deles é contraditório?