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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O Ano Novo de Israel

Helder Nozima

Texto Base: Ex 12.1-14

INTRODUÇÃO
Talvez possa parecer estranho falarmos sobre a Páscoa Judaica no Ano Novo. Afinal de contas, a Páscoa é comemorada em março ou abril, e nós estamos ainda no mês de janeiro. Mal acabamos de comemorar o nascimento de Cristo, qual o sentido em se falar de Páscoa justo agora?


No entanto, para a Bíblia, faz todo o sentido do mundo falarmos hoje sobre a Páscoa. Afinal, o Ano Novo Judaico começa com a expectativa da celebração da Páscoa. Como está escrito no versículo 2, o mês de abibe deveria ser o principal dos meses, o mês em que o ano deveria ser aberto. Ao contrário do nosso calendário, em que o grande mês do ano é o último, e janeiro parece ser o mais insignificante dos meses, a onde as igrejas ficam vazias e se diz que o Brasil está parado até o Carnaval, o Ano Novo Judaico era o início de um mês alegre e festivo, aonde Israel parava para celebrar a gloriosa libertação que Deus fez por eles no Egito!


E quanto a nós, para aonde estamos olhando neste Ano Novo? Para as dificuldades que enfrentamos em 2010, e que gostaríamos de esquecer? Para as nossas famosas “promessas de reveillon”, aonde nós prometemos consertar ou melhorar alguma coisa em nossas vidas? Ou iniciamos o nosso ano com os olhos fixos em Jesus Cristo, dispostos a nos lembrar e a celebrar tudo aquilo que Deus fez por nós?


Hoje, nesta virada de ano, gostaria de convidá-los a iniciarmos 2011 de forma diferente. Ao invés de ouvirmos mais uma pregação sobre como ser feliz ou sobre como conquistar vitórias pessoais em 2011, gostaria de convida-los a passar um Ano Novo com Jesus.

DESENVOLVIMENTO


1) CONVIDE JESUS PARA PASSAR O ANO NOVO COM VOCÊ


Para que isso aconteça, a primeira coisa que devemos fazer é convidar a Jesus para passar o Ano Novo conosco, com a nossa família e com os nossos vizinhos. Ora, todos nós sabemos que a Páscoa Judaica era uma sombra da verdadeira Páscoa, que é a Páscoa Cristã. A Páscoa Judaica está repleta de símbolos que apontam para o sacrifício que Jesus Cristo fez a nosso favor, e o cordeiro é um destes símbolos.


O cordeiro é o símbolo mais importante da Páscoa porque o cordeiro simboliza o próprio Senhor Jesus. Como está escrito no Evangelho de João, capítulo 1, versículo 19, João Batista diz que Jesus é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.


Podemos ver mais semelhanças quando olhamos para o cordeiro que devia ser imolado na Páscoa. O versículo 5 de Êxodo 12 nos diz que o cordeiro deveria ser “sem defeito, macho e de um ano de idade”. Jesus Cristo também era o homem sem defeitos, macho e jovem. Ele é o verdadeiro Cordeiro!


Mas, o que Êxodo 12 nos diz sobre como o cordeiro deveria ser comido? No versículo 3, Moisés diz que deveria haver um cordeiro para cada família. No versículo seguinte, ele diz que, caso a família fosse muito pequena, então os vizinhos deveriam ser convidados para participar da refeição. Mas, independente do tamanho da família, uma verdade é ressaltada: o cordeiro não poderia ser comido por uma única pessoa! A refeição da Páscoa não deveria ser uma refeição solitária, mas sim uma refeição comunitária! Do mesmo modo, Cristo não pode ser apenas uma experiência solitária de nossa espiritualidade, mas deve também ser vivido de forma comunitária!


Amados, uma das lacunas mais sérias do protestantismo é a nossa exagerada tendência ao individualismo. Estamos muito preocupados em recebermos bênçãos de Deus para a nossa vida pessoal, em adorarmos a Deus à nossa maneira ou em vivermos a nossa fé particular com Deus. Mas ignoramos a verdade bíblica de que Deus está formando uma família, um povo e um Corpo para Cristo, e que, portanto, nenhum cristão pode viver a sua fé como se fosse uma ilha! Jesus não morreu por nós na cruz para que vivêssemos separados uns dos outros! Cristo morreu por nós para formar um povo, uma comunidade, e se você é cristão, você é parte desta comunidade!


Assim como o cordeiro não deve estar ausente da mesa na Páscoa Judaica, Jesus não deve estar ausente de nossos corações no Ano Novo Cristão. Mas Jesus também não deve estar ausente dos corações de nossos familiares, de nossos vizinhos e de nossos amigos. Cabe a nós, como cristãos, a responsabilidade de, não apenas neste Ano Novo, mas em todos os dias do ano, de convidarmos os nossos pais, irmãos, filhos, parentes, amigos e vizinhos de se sentarem conosco na mesa do Cordeiro de Deus, para podermos desfrutar da presença de Jesus.



2) PROVE JESUS EM SUA VIDA


Um segundo aspecto que devemos nos lembrar neste Ano Novo é que nós devemos provar, experimentar e saborear a Jesus, e não apenas vê-lo. Assim como o cordeiro da Páscoa estava lá para ser comido, e não apenas para ser admirado, nós também devemos nos alimentar de Jesus, e não apenas olhar para Ele. Esta verdade é ressaltada pelo próprio Jesus em João 6.53-57:


53 Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.

54
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.

55
Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida.


56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.


57 Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.

Jesus disse que nós deveríamos comer a sua carne e beber o seu sangue para que pudéssemos ter a vida eterna! Disse mais, pois quem come a carne e bebe o sangue de Cristo, esse permanece em Cristo e Cristo permanece nele. Quem se alimenta de Jesus, vive por Jesus!



É claro que Jesus não está falando aqui sobre canibalismo. O que Jesus está dizendo é que nós precisamos aceitar, pela fé, que o sacrifício que Ele fez na cruz é suficiente para a nossa salvação. Mas não é apenas isso. Quem se alimenta de Jesus, permanece em Jesus. E quem realmente “come e bebe” de Cristo são aqueles que vivem por Jesus!


E aqui eu volto para Êxodo capítulo 12. O verdadeiro cristianismo é aquele que vive, integralmente o ensino de Jesus, e não aquele que vive de modo parcial o Evangelho de Cristo. O cordeiro deveria ser comido todo na noite da Páscoa, nada dele deveria sobrar! De igual modo, devemos aceitar tudo aquilo que Jesus fez e ensinou, e não apenas aquilo que nos é agradável.


Mais do que isso, o cordeiro deveria ser cozido no fogo, nada dele deveria estar cru ou ser cozido em água. Se vocês me permitem a alegoria, eu vejo o fogo aqui como o sofrimento experimentado por Jesus. Jesus sofreu em nosso lugar, e como nos alerta o apóstolo Paulo em Atos 14.22, é “através de muitas tribulações que nos importa entrar no reino de Deus”. O Evangelho significa redenção, bênçãos, uma boa carne de cordeiro assada. Mas também é pão sem fermento e ervas amargas, porque, enquanto estivermos neste mundo, o verdadeiro cristão irá experimentar sofrimentos. Irá sofrer na sua luta contra os pecados da carne. Irá sofrer na sua luta contra as forças espirituais da maldade. Irá sofrer na sua luta contra o mundo e as suas estruturas injustas que escravizam a humanidade. Chamar Jesus para a mesa e recusar-se a comer as ervas amargas é a mesma coisa que professar um cristianismo incompleto e superficial.
Mas, animemo-nos com as palavras de Paulo em Romanos 8.18:


Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós”.


Andar com Jesus não é apenas sofrimento. É, antes de tudo, esperança e promessa de vitória. E é com esta esperança que devemos entrar o ano de 2011.



3) PASSAR O SANGUE NA PORTA


Uma última coisa que nós devemos estar nos lembrando como cristãos no Ano Novo é que precisamos passar o sangue do cordeiro na porta. O sangue de Jesus deve estar na porta de nossas casas, de nossas famílias e de nossos corações.


De nada adianta chamarmos os nossos amigos para conhecerem a Jesus e tentarmos, por nossas próprias forças, viver o Evangelho de forma integral se o sangue de Jesus não estiver na porta de nossos corações. Somos o que somos, não por causa de nossas obras ou méritos, mas única e exclusivamente por causa do que Jesus fez por nós.


Em 1 João 1.7, João nos diz que “o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado”. Em Apocalipse 7.14, vemos que os santos são aqueles que “lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro”. Em Marcos 14.24, vemos que Jesus derramou o seu sangue em favor de muitos.


O que estes textos significam? Eles nos dizem que é por meio da morte de Jesus na cruz que nós estamos livres da pena imposta por Deus aos pecadores, a saber, o inferno. Mas eles dizem mais do que isso. Eles nos dizem que o sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado! Purificar é muito mais do que ser perdoado. Quando nós somos purificados do pecado, o pecado é removido de nossas vidas! Purificação é remoção de pecados, e não apenas remoção da culpa! Quando lemos em Apocalipse que os santos alvejaram suas roupas no sangue, isso significa que a sujeira saiu de suas vestes. Isto é muito mais do que dizer que suas roupas foram declaradas limpas, porque elas foram mesmo limpas! Deus não mente quando diz que os seus filhos são justos, porque os filhos de Deus são
feitos, de fato, em novas criaturas, e o nosso novo eu é de fato justo! E o que nos torna justos é o sangue de Cristo, e este sangue foi derramado em favor de muitos. Foi derramado a meu favor, a seu favor e a favor de todos aqueles que são salvos pela graça de Cristo!



Amados, crer que o sangue de Cristo nos purifica de todo o pecado é muito mais que crer que Jesus nos livrou do inferno. Crer que Jesus nos purifica é crer que, em Cristo Jesus, qualquer pecado pode ser vencido! Jesus é maior do que a pornografia, do que o adultério, do que o homossexualismo. Jesus é maior do que a avareza, do que a ganância, do que os roubos. Jesus é maior do que o ódio, a ira pecaminosa e o assassinato. Jesus é maior que o pecado!


Mas não adianta apenas sabermos desta verdade. É preciso passar o sangue na porta. É preciso beber do sangue de Jesus. É preciso pedir: “Pai, me purifica! Pai, me liberta! Eu creio, creio que o Senhor é maior que o meu pecado, e que o Senhor pode me libertar! Pai, eu creio!”.



CONCLUSÃO


Meus irmãos, hoje, dia 31 de dezembro de 2010 pode ser, de verdade, um dia de transformação nas nossas vidas. 2011 pode ser um ano diferente, basta, tão somente, que nós nos entreguemos a Cristo, que depositemos a nossa esperança em Cristo, e não em nossa própria força ou poder.


Normalmente eu não gosto de fazer resoluções de Ano Novo, mas este ano, fiz uma. Eu quero, este ano, que Jesus me liberte de um pecado que tem me acompanhado ao longo dos anos. Eu quero, hoje, entrar 2011 passando o sangue na porta da minha vida, exatamente em cima deste pecado que há anos vem me causando tristeza e vergonha diante do meu Deus. Eu quero terminar 2011, louvando a Deus pela purificação de meus pecados! E eu tenho fé de que Deus, o meu Deus, por meio do sangue de seu Filho, me dará esta vitória!


Amado, não sei no que este sermão falou ao seu coração. Talvez Jesus seja uma experiência solitária para você, e em 2011 Deus te chama para experimentar a Jesus com a sua família e com a sua comunidade. Talvez você não tenha provado a Jesus em sua vida e tenha vivido um cristianismo parcial e incompleto, e hoje Deus esteja te chamando para experimentar Jesus em sua plenitude e inteireza. Talvez você, assim como eu, esteja lutando contra um ou mais pecados em sua vida e já não suporte mais ser humilhado por Satanás. Se você tem perdido a sua esperança e as suas forças na luta contra o diabo e contra um pecado em particular, junte-se a mim, e busque a presença de Jesus em 2011.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

ANO NOVO UMA ORAÇÃO PURITANA

Ó SENHOR,
Os dias passados de nada me servem, exceto os que foram passados
                        na tua presença, em teu serviço, para tua glória.
Que a tua graça me preceda, siga, guie, sustente,
                santifique, e auxilie a cada hora,
        que em momento algum eu possa me apartar de ti,
        mas seja guardado pelo teu Espírito
                  provendo cada pensamento,
                  falando em cada palavra,
                  dirigindo cada passo,
                  fazendo toda obra prosperar,
                  edificando cada linha de fé,
                  e fazendo-me desejoso de
                           espalhar teu louvor,
                           testificar teu amor,
                           levar adiante teu reino.
Lanço meu barco sob as águas desconhecidas deste ano,
             tenho tu, ó Pai, como meu porto,
                       tu, ó Filho, como meu leme,
                       tu, ó Santo Espírito, enchendo minhas velas.
Guia-me ao céu com meus lombos cingidos,
                                 minha lâmpada acesa,
                                 meu ouvido aberto aos teus chamados,
                                 meu coração cheio de amor,
                                 minh’alma livre.
Dá-me tua graça para minha santificação,
            teus confortos para encorajamento,
            tua sabedoria para ensino,
            tua mão direita pra guia,
            teu conselho para instrução,
            tua lei para julgamento,
            tua presença para equilíbrio.
Que o meu temor seja temor a ti,
            e teus triunfos sejam minha alegria.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

REFLEXÕES PARA O ANO NOVO

Ora, irmãos, com respeito ao ano que se aproxima, eu espero que ele seja um ano de felicidade para vocês, — de forma muito enfática desejo a todos vocês um Feliz Ano Novo, — mas ninguém pode ter certeza de que ele será um ano livre de
dificuldades.

Pelo contrário, tenha a segura confiança de que não será assim, porque, como é certo que as faíscas sobem para o alto, o homem nasce para as dificuldades.

Cada um de nós possuímos amados amigos, muitos rostos queridos com os quais nos regozijamos — que eles possam sorrir para nós ainda por muito tempo: mas lembre-se de que cada um deles pode vir a ser ocasião de tristeza durante o próximo ano, porque não existe nenhum filho imortal, nenhum marido imortal, nenhuma esposa imortal, nenhum amigo imortal, e, portanto, alguns deles podem morrer
durante o ano.

Além do mais, os confortos com os quais nos cercamos podem tomar para si asas antes que o ano cumpra seus meses. As alegrias terrenas são todas como que feitas de neve, se desfazem com a mais leve brisa, e se vão antes de terminarmos de agradecer sua chegada. Pode ser que você tenha um ano de seca e escassez de pão; pode ser que anos magros e desagradáveis lhe estejam reservados.

Sim, e ainda mais, talvez durante o ano que já está quase amanhecendo você possa recolher seus pés à cama e morrer, para encontrar-se com Deus Pai.

Pois bem, com relação a este ano que está próximo e suas possibilidades desoladoras, devemos viver cabisbaixos e tristonhos? Devemos pedir a morte ou desejar nunca ter nascido? De modo algum. Devemos, por outro lado, viver de
forma despreocupada e risonha em todas as circunstâncias? Não, isso soaria doentio nos filhos de Deus.

O que faremos? Iremos pronunciar esta oração: “Pai, glorifica teu nome.”
Isto significa dizer: se devo perder minha propriedade, glorifica teu nome na minha pobreza; se devo ser roubado, glorifica teu nome em meu sofrimento; se devo ser morto, glorifica teu nome em minha partida.

Quando você ora nesta disposição, seu conflito finda, nenhum pavor exterior permanece se tal oração surge de seu íntimo, você tem nela rejeitado todos os presságios fatídicos e pode, de forma lúcida e tranquila, trilhar seu caminho pelo
desconhecido amanhã.

CHARLES H. SPURGEON

sábado, 25 de dezembro de 2010

O Porque do Natal

Rev. Ricardo César Vasconcellos


Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João, 3.16).


A história da humanidade é fascinante quando se entende o milagre da vida, da criação, da redenção... A Bíblia fala que no princípio, criou Deus todas as coisas... ou seja, tudo o que existe no mundo, todas as criaturas. O projeto de Deus para a humanidade sempre existiu em função da felicidade do homem; em nenhum momento Deus criou o ser humano para ser infeliz, triste, sofredor... Pelo contrário, ao criar tudo o que há no mundo, Deus colocou o homem para governá-lo, para usufruir todas as maravilhas criadas.

Porém, o homem, na ganância de ter e de ser mais do que já era, saiu do Plano Perfeito de Deus para si e fracassou, por não confiar que o que Deus havia preparado era o melhor. Assim fazendo, deixou-se iludir pelo seu enganoso coração. E aí começou outra história...


Deus coloca em prática o mais sublime plano arquitetado com perfeição desde a eternidade. Diante de Adão e Eva, decaídos, Deus visualizou toda a humanidade, tanto no Castigo quanto na Graça. Plano Maravilhoso, mas doloroso para Si, pois Lhe custaria abrir mão temporariamente de Sua glória e Se fazer semelhante à criatura, sob a forma de Cristo Jesus... A Síntese desse Plano!


Assim, entre a Glória e a humanidade, parte em busca do que se havia perdido. Que privilégio! Deus encarnado, nasce Jesus, parecido conosco, vive nossa vida, prova nossas dores — as maiores possíveis —, para, por fim, lá na cruz morrer a nossa morte... Nos falou do Amor do Seu Pai, chamou alguns seguidores, proclamou esse Amor, a União e a Paz... Morreu por nós e ressurgiu por nós, “
... para que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna!” (João, 3.16).

O Natal de Cristo é muito mais do que simplesmente o Seu nascimento, porque veio para trazer também a morte d’Ele, pela humanidade; para nos ligar novamente ao Pai, e nos dar a possibilidade de ter os nossos pecados perdoados. Muito mais do que nascer e morrer, Cristo veio para nos trazer de volta a Vida.


Que este seja um Natal de compromisso com o Pai, por tudo que Ele já fez e ainda tem feito por nós!


No amor do Deus Emanuel, 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Natal: O Ponto de Vista Cristão

Para mim é uma alegria as muitas tradições que vieram a estar associadas com o Natal, em nossa sociedade. Todas estas tradições combinam para fazer a época do Natal feliz, uma época na qual geralmente nos encontramos mais festivos, generosos e benevolentes. Não sou de forma alguma uma daquelas vozes exigindo a remoção destes prazeres do Natal, prazeres estes que não causam danos e que causam satisfação.

Mas certamente, o significado do que chamamos “Natal” é muito mais profundo do que qualquer destas coisas. É a celebração de um nascimento, o nascimento de Jesus em Belém. A história de José, a virgem Maria, o bebê Jesus, os Pastores e os Magos – e Herodes! – é uma história familiar para a maioria dos americanos. E é certo que assim o seja: nunca na história houve outra virgem que concebesse e desse à luz uma criança! É um evento verdadeiramente extraordinário!

Mas mesmo assim, o significado do Natal é mais profundo do que isto. A coisa mais extraordinária é esta: O nascimento de Jesus não foi o principio da sua existência! Para colocar de uma outra forma, Sua origem não está de forma alguma relacionada com o Seu nascimento.

Se isto é um pouco difícil de entender, não se sinta sozinho. Mas isto é precisamente o que as Escrituras nos dizem. De fato, houve um profeta de Israel, por nome Miquéias, que disse que este que nasceria em Belém era um “cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”. Isto é, Ele veio da eternidade, para entrar no tempo.

Agora, claramente, esta linguagem é completamente inapropriada com referência a qualquer humano comum. O profeta Miquéias estava mui enfaticamente afirmando o fato de que Jesus não era um homem meramente: Ele é Deus. Ele é Deus como um homem.

Este, e nada menos, é o significado do Natal. É mais do que uma história de um bebê. É a história de como o Deus eterno se tornou um bebê!

Este é um evento que é único na história, tão significante que mudamos nosso calendário por causa dele – Antes de Cristo (a.C.) e Depois de Cristo (d.C.). E é assim mesmo que deveria ser. Toda a história até este ponto estava em antecipação do evento. Desde o tempo quando o homem caiu em pecado e se arruinou no paraíso, a promessa estava aguardando o cumprimento. A promessa foi primeiramente feita a Adão e Eva – alguém da “semente da mulher” viria e destruiria o tentador. Ela foi dada a Abraão – em alguém de sua semente “todo o mundo será abençoado”. Foi dada novamente a Davi, o maior Rei de Israel – seu “maior filho” prosperará em paz em seu trono para sempre. E era na antecipação desta própria promessa que todo o povo de Deus vivia.

E assim, a própria história está centrada nAquele que finalmente veio à Belém. Ele era o cumprimento das antigas esperanças de Israel.

Uma pergunta permanece: a simples questão, “Por que?” Por que, em nome da razão, o Deus eterno se tornaria um homem? A resposta novamente é encontrada nas próprias promessas: Ele veio para ser o Libertador, nosso Libertador do pecado.

A justiça de Deus requer que o pecado seja punido em todas as Suas criaturas. E a punição é a morte. E assim, deixados a nós mesmos, devemos morrer – física, espiritual e eternamente. Não há escapatória – somos incapazes de nos salvar.

O que precisamos, então, é de um Salvador – alguém que esteja disposto a morrer em nosso lugar. Além disso, alguém que seja sem pecado e Ele mesmo, não merecedor da morte. Mas somente Deus é sem pecado – e Ele não pode morrer! Isto é, a menos que se torne um de nós.

E este é precisamente o resto da história. Em Belém Deus se tornou homem para morrer na cruz pelos homens, sofrendo o castigo pelos seus pecados. Em assim fazendo, Ele se tornou nosso Salvador. Ele veio sofrer a condenação da Sua própria lei, a lei que nos condenava.

O Natal, então, marca um evento significante no calendário de Deus da redenção. Ele prometeu salvar, e este primeiro Natal foi o cumprimento desta promessa.

Tudo isto é resumido naquelas palavras familiares de João 3:16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

Não, nós não temos nada contra as tradições, de forma alguma. Mas os pensamentos que enchem os nossos corações são estes: O Natal é a maior história de amor jamais contada. É a história do maior amor já dado. E é a história do maior Dom – o Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador.
  
fonte: www.monergismo.net.br

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Porque Celebramos o Natal

F. Solano Portela

Não encontramos na Bíblia a menção do termo NATAL, nem indicações de que os Cristãos primitivos celebravam o aniversário do nascimento de Jesus. Entretanto, quase que a totalidade do mundo Cristão comemora esta data no dia 25 de dezembro. Porque esta comemoração? É lícito celebrarmos uma festa que não é explicitamente citada na Bíblia?

Retroagindo na história da Igreja, vamos encontrar Clemente de Alexandria, no 2º século depois de Cristo, citando as diversas opiniões que existiam na ocasião, sobre a data do nascimento de Jesus. Ao fim do 4º século, já encontramos registros de que as igrejas promoviam trabalhos especiais, em comemoração conjunta ao nascimento e ao batismo de Cristo, que, segundo as opiniões da época, haviam ocorrido na mesma data, em anos diferentes. No 5º século, Agostinho escreveu o seguinte trecho: “...de acordo com a tradição, Ele nasceu no dia 25 de dezembro.” Esta tornou-se a data aceitável para as igrejas do ocidente, sendo que no oriente, a data observada é o dia 6 de janeiro.


Gradualmente a celebração do Natal foi assimilando vários costumes existentes nas nações que iam recebendo o Cristianismo. Muitos deste costumes, pagãos em origem, foram se transformando e, vencidos pelo Cristianismo, foram se enquadrando no espírito de Natal.


Os Reformadores do século XVI, aceitaram a celebração do Natal como uma legítima expressão de adoração Cristã, dando assim continuidade à tradição.


Hoje, alguns pequenos grupos de Cristãos não aprovam a celebração do Natal, quer pela falta de menção explícita na Bíblia, quer pelo número de regionalismos incorporados à celebração. Não achamos, entretanto, que a Bíblia aprove esta condenação à celebração. Pelo contrário, ela é enfática em sua colocação da importância histórica e teológica do nascimento de Cristo. Esta ênfase está evidenciada nos registros da adoração dos pastores (Lucas 2:8-12), nas dádivas recebidas dos Magos (Mateus 2:1-11) e nas admoestações de Paz e Boa Vontade expressadas pelos anjos (Lucas 2:13 e 14). Todos estes registros representam celebrações históricas do Natal.


Havendo a conscientização de que o Natal é antes de tudo nossa demonstração de gratidão pelo advento daquele que veio salvar a nós, pecadores; daquele que veio nos reconciliar com Deus; daquele que veio e venceu a morte, podemos dizer que assim o Natal estará sendo celebrado apropriadamente e de forma legítima.


Nós, Evangélicos, devemos utilizar esta ocasião como uma oportunidade dada por Deus para adorarmos a Ele e testemunharmos do Seu nome ao mundo.

 

domingo, 19 de dezembro de 2010

Clássicos Instrumental












































































sábado, 18 de dezembro de 2010

A Perfeição do Natal

por Joanie Doe


Mesmo sem dar uma olhada no calendário, ou sem a presença de vestígios de peru, é óbvio que 1º de Dezembro chegou para a família Doe. O amor das crianças, de uns para com outros, torna-se mais fácil de observar. Há gritaria somente quando uma criança está ávida por compartilhar com outra um segredo emocionante da temporada. Cada criança faz mais do que sua parte para fazer com que tudo na família corra sem problemas. Steve e eu pacientemente planejamos tempos agradáveis para a família juntos, enquanto terminamos os últimos cartões de Natal e preparamos para mandar nossos presentes, escolhidos com amor, para nossos parentes. A casa se enche com a fragrância de biscoitos de açúcar e com o som de cânticos de Natal, enquanto todos nós seis decoramos nossa recém cortada árvore...

Obrigado por não rir – pelo menos, não muito. Mas, quantos de vocês tiveram, em algum tempo de suas vidas, uma fantasia similar para a festa de Natal? A realidade de nossas vidas sempre fica longe do que desejamos.


Num determinado ano, a realidade golpeou a família Doe com algo desconfortável, na semana anterior ao feriado de Ação de Graças, quando estávamos esperando que meu pai fosse colocado numa casa de repouso. Um motorista bateu no lado de nossa Van estacionada, quando Steve estava dentro dela, esperando para pegar nossas duas crianças mais velhas na escola. Isto acabou com nossos planos para visitar os irmãos de Steve no Novo México. Sofremos por não nos unir pessoalmente com os nossos familiares. Notícias dos tratamentos de radiação do meu sogro intensificaram a dor. Apeguei-me com tenacidade à soberania de Deus quando a ira contra o motorista, que arruinou tanto nosso carro como nossos planos, ameaçava me sobrepujar. Lembrei para mim mesma que Deus está no controle, mesmo quando tudo parece testificar o contrário. Pela graça de Deus, minhas expectativas começaram a se alinhar mais com a realidade.

Então, eu fiz uma descoberta surpreendente. Talvez minhas expectativas para a temporada de Natal (ou para qualquer outro tempo de reunião familiar) e a cena perfeita descrita no começo não fossem tão grandes, afinal de contas; mas pior ainda, não eram suficientes. Tiago 1:17 nos diz que “toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação”. Seus dons são sempre perfeitamente bons.

Quando eu li as palavras de Elizabeth Elliot em seu livro A Path through Suffering (Uma Senda Através do Sofrimento), eu aprendi mais sobre o que Deus quer para mim: “Cada vez que Deus nos dá uma dura lição, Ele deseja nos dar também a Si mesmo. Se abrirmos nossas mãos para receber a lição, abriremos nossos corações para recebê-Lo”.


Não é a perfeição do cartão de Natal, mas a perfeição do Salvador, que Deus quer derramar sobre nós. Jesus Cristo é o verdadeiro “dom inefável” (2 Coríntios 9:15)! As precisões externas não são necessárias para celebrar o Natal. De fato, quando algumas delas são tiradas, podemos ver melhor que somente Jesus Cristo é todo-suficiente.

A autora é a esposa do Pastor Stephen D. Doe, da Igreja Presbiteriana Ortodoxa da Aliança, em Barre, Vermont.


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Observância do Natal


Por Stephen D. Doe


Não há argumento contra se ter um calendário para a igreja ou a observação de “dias sagrados” no Catolicismo Romano, na Ortodoxia Oriental ou no Protestantismo em geral. É somente no ramo Reformado do Protestantismo que a questão tem sido levantada [1]. Declarando de uma forma simples, a questão é esta: nossas igrejas devem (ou podem) fazer algo especial para recordar os eventos notáveis na vida de Jesus, quando a Igreja Cristã em geral, juntamente com nossa sociedade secular, comemora aqueles eventos?

Por exemplo, um pastor deve pregar sobre o nascimento de Jesus em Dezembro, a medida que o restante da Cristandade e nossa sociedade se move para o Natal? Deve ser agendado um culto de Natal ou um culto de Sexta Feira da Paixão? Um sermão sobre a ressurreição de Cristo é apropriado no Domingo de Páscoa? Ou, estas coisas são pelo menos permitidas?


Por outro lado, negamos nossa reivindicação de sermos Reformados de acordo com a Palavra de Deus, se fizermos estas coisas que não estão ordenadas especificamente em nenhum lugar nas Escrituras? Não estamos falando sobre árvores de Natal e luzes, guirlanda e o enviar de cartões. Estamos falando estritamente sobre se a igreja de Jesus Cristo pode observar eventos particulares na vida de Jesus em datas não apresentadas na Bíblia, e se ela pode prestar culto ao seu Senhor em outros dias, além do Domingo semanal.


O Princípio Regulador


O princípio regulador de adoração é singularmente uma idéia Reformada. Ele é expresso na Confissão de Fé de Westminster (XXI:1) desse modo: “O modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por Ele mesmo, e tão limitado por Sua própria vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens”. Devemos adorar a Deus do modo que Ele ordenou, e não de acordo com os nossos próprios desejos.


Tendo dito isto, devemos reconhecer que a aplicação do princípio regulador tem variado amplamente dentro dos círculos Reformados. Os Reformados continentais não têm ido na mesma direção que os Puritanos ingleses e os Presbiterianos escoceses. Por exemplo, a Segunda Confissão Helvética de 1566 declara (XXIV): “Ademais, se na liberdade cristã, as igrejas celebram de modo religioso a lembrança do nascimento do Senhor, a circuncisão, a paixão, a ressurreição e Sua ascensão ao céu, bem como o envio do Espírito Santo sobre os discípulos, damos-lhes plena aprovação”.


A velha Igreja Reformada Holandesa, no famoso Sínodo de Dort (1618-1619), adotou uma ordem para a igreja que incluía a observância de vários dias do calendário cristão (art. 67). Até hoje, é prática de muitas das igrejas Reformadas continentais usar tal calendário. Isto deve pelo menos fazer com que demos uma pausa em como procuramos aplicar o princípio regulador nestes assuntos, visto que a Igreja Presbiteriana Ortodoxa tem relações fraternais com inúmeras igrejas que seguem a Ordem de Dort.

Dentro das igrejas Presbiterianas que aderem aos padrões de Westminster, tem havido também uma considerável variação. Certamente em nossos dias há diversidade dentro e fora da Igreja Presbiteriana Ortodoxa sobre o assunto. Nada disto, certamente, prova alguma coisa, a não ser o fato de que o que os cristãos devem fazer com estes “dias sagrados” é um ponto controvertido nos círculos Reformados.

Os Argumentos contra os Dias Sagrados


Muitos dos argumentos sobre as origens destes dias se focam sobre o abuso deles na história e na sociedade atual. Contudo, argumentos baseados nos abusos não são muitos úteis, pois o mero abuso de uma coisa não nos diz se ela pode ou não ser usada corretamente. O casamento, por exemplo, está sujeito aos abusos por causa do pecado do homem, todavia, o casamento é inerentemente bom, visto que foi instituído por Deus.


Nem podemos usar a associação dos dias sagrados com a Igreja Católica Romana para resolver a questão. Os Reformadores não condenaram tudo o que a Igreja Católica disse ou fez. O batismo infantil, por exemplo, era e é praticado pela Igreja Católica Romana. Isto, por si só, não levou os Reformadores a rejeitarem o batismo infantil ou até mesmo negar que os batismos realizados nas igrejas Católicas Romanas eram válidos.


O argumento principal contra os dias sagrados é que a observância deles viola o princípio regulador de adoração, visto que sua observância não é especificamente ordenada na Bíblia. Isto poderia parecer ser um ponto irrefutável – se não fosse o fato que, como já mencionado, as igrejas Reformadas têm, no decorrer dos séculos, diferido em sua aplicação do princípio regulador neste assunto.


Deixe-me aqui também desafiar o que se tem freqüentemente dito ser um fato aceitável, a saber, que João Calvino não observou nenhum calendário cristão. T.H.L. Parker (em Calvin’s Preaching [Louisville, Ky.: Westminster, John Knox Press, 1992], pp. 160–62) organizou evidências de registros existentes para mostrar que nos anos 1549, 1550 e 1553 Calvino “quebrou” a série de sermões que ele estava então pregando e pregou mensagens especificamente sobre o nascimento de Cristo, sobre Sua morte e ressurreição, e sobre o Pentecoste nos tempos “apropriados”. Agora, o fato de João Calvino ter feito alguma coisa não significa que estamos livres para fazê-la também, se ela viola as Escrituras. Todavia, há um ponto importante aqui. A companhia dos pastores de Genebra aboliu a celebrações de festas, mas aqueles pastores, incluindo Calvino, ainda estavam livres para pregar sobre os eventos da vida de Cristo em certas ocasiões.


Liberdade Cristã


O princípio regulador deve ser interpretado como dizendo que Deus ordenou um pastor não pregar sobre certas coisas em certos períodos do ano? Isto não pode, de forma alguma, ser verdade. A igreja é ordenada a ensinar tudo o que Cristo ordenou (Mateus 28:20), e a igreja sempre entendeu que isto inclui o todo da Escritura (cf. 2 Timóteo 3:15-17; 4:2; Atos 20:27). A pregação do significado redentivo-histórico de toda a vida de Cristo é proveitosa para o povo de Deus. Uma justificativa adicional pode ser feita, a saber, que uma ênfase sobre o nascimento de Cristo se levanta quando a igreja está batalhando para defender a verdadeira humanidade de Cristo, e que a igreja hoje também enfrenta uma batalha para defender a realidade da Encarnação como um evento no tempo e no espaço. O nascimento de Cristo é parte de todo o conselho de Deus, o qual deve ser pregado.


O assunto, na verdade, é uma questão de liberdade. Esta é a questão com a qual James Bannerman lutou quando ele lidou com os “feriados eclesiásticos” (em The Church of Christ [Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1974], pp. 406–20). A igreja tem autoridade para estabelecer certos feriados e para ordenar que pastores e assembléias os observem? A questão da imposição destas coisas era o assunto real que estava por detrás da linguagem da Confissão de Fé de Westminster. Seus elaboradores estavam acostumados com as cargas impostas em sua adoração pela Igreja da Inglaterra, que requeria tais coisas como livros de oração e vestimentas. Era a imposição de tais coisas, e não as coisas em si mesmas, que constituíam o assunto. Por exemplo, os ministros Puritanos deveriam vestir becas, mas não se eles fossem obrigados a assim fazer. Tal assunto era uma questão de liberdade cristã (cf. CFW, XXI).


A igreja tem alguma autorização para obrigar o povo de Deus a fazer algo além do Domingo semanal, quando o que se está em questão é o calendário da igreja? Não. O princípio regulador, como declarado em nossa Confissão de Fé, significa que, visto que Deus não ordenou a um pastor pregar sobre o nascimento de Jesus Cristo no mês de Dezembro, ele não pode assim fazê-lo? Não. Se eu, como um pastor, não tenho a liberdade de pregar, à partir da Palavra de Deus, o que eu vejo que seja bom para o povo de Deus, então, o princípio regulador está sendo mal aplicado. E se uma assembléia não é livre para prover ao povo de Deus uma adoração para celebrar os feitos poderosos de Deus na vida de Seu Filho em qualquer ocasião, então, nós temos limitado a igreja da nova aliança mais do que a igreja da velha aliança. A igreja exerceu sua liberdade na adoração estabelecendo a Festa de Purim (Ester 9:18-32). A igreja apostólica exerceu sua liberdade se reunindo em muitas ocasiões, além do dia do Senhor para adorar, e agindo como uma comunidade (cf. Atos 1:14; 2:42-47; 4:23-31; 5:42; 13:2; 20:7-38). Este é um antegozo da igreja na glória, onde ela estará sempre adorando (Apocalipse 4).


Deus nos ordena a adorá-lo uma vez por semana de uma maneira corporativa, mas permite que apliquemos princípios bíblicos para adorá-Lo em outros períodos. A igreja sob a nova aliança não tem menos liberdade do que a igreja sob a velha aliança; nós não somos a igreja mais jovem, mas a igreja que foi batizada no Espírito de Cristo. Se devemos aplicar o princípio regulador sem claramente entender estas coisas, então, devemos condenar a igreja apostólica por se reunir diariamente, visto que Deus nunca ordenou tais reuniões. Em vez disso, eles entenderam que o que Deus estava ordenando era que eles O adorassem de uma forma aceitável (cf. João 4:24; Romanos 12:2; Hebreus 10:25; 13:15).


Este equilíbrio é visto no exemplo do nosso Salvador, que exerceu Sua liberdade de consciência, quando não violando o princípio regulador, esteve presente na Festa de Dedicação (isto é, Chanucá; cf. João 10:22). Esta festa extra-bíblica não foi ordenada por Deus na Escritura, mas foi iniciada pelos judeus para comemorar a re-dedicação do templo, quando o Antigo Testamento já estava “fechado”. Jesus era livre para subir a Jerusalém ou não. Deus ordenou que O adoremos, e Jesus estava usando esta ocasião para obedecer o mandamento de Deus.


A igreja pode ordenar que o povo de Deus se reúna no culto de Natal? Não. A igreja pode adorar nesta ocasião sem requerer a presença de todos? Sim. Um ministro pode pregar sobre qualquer passagem das Escrituras em qualquer época do ano? Sim. Ele deve necessariamente pregar sobre a Encarnação em Dezembro? Não.


Stephen D. Doe é pastor da Igreja Presbiteriana Ortodoxa da Aliança em Barre, Vermont. 



NOTA DO TRADUTOR:
[1] - Contudo, não é esta a realidade do Brasil. O ramo do protestantismo que mais tem se levantado contra o Natal e outras festas cristãs, de uma forma extremamente legalista, é o ramo pentecostal e neo-pentecostal, atribuindo tais festas não somente ao mundo, mas inclusive ao próprio diabo.