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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

As confusões da "Cabana"

Dr. Paulo Romeiro

Introdução

Já faz tempo que o liberalismo teológico tem assediado e invadido uma boa parte do campo evangélico brasileiro. Os prejuízos para a pregação do evangelho têm sido enormes. A decadência doutrinária aumenta com rapidez e muitos crentes estão cada vez mais confusos.

Por várias décadas, o liberalismo teológico vem ganhando espaço nas denominações históricas e em seus seminários. Nos últimos anos, porém, alguns segmentos pentecostais foram atingidos por essa corrente de pensamento, algo inimaginável até então, pois, ser pentecostal significa crer no poder e na Palavra de Deus.


A exemplo dos liberais, alguns pentecostais se julgam espertos o suficiente para duvidar de Deus e da sua Palavra. Hostilizar o cristianismo, exaltar a dúvida e questionar a Bíblia Sagrada tornou-se para muitos um sinal de academicismo e inteligência.

É o que vemos hoje através das igrejas emergentes, que pregam uma ortodoxia generosa, ¹ onde as verdades e temas vitais da fé cristã perdem sua importância. Tudo indica que há uma apostasia se instalando em muitas igrejas evangélicas, algo já predito na Palavra de Deus e que aponta para a volta de Cristo (2 Ts 2.3; 2 Tm 4.1; 2 Tm 4.1-4; 2 Pe 2.1).

É num solo assim, fértil para a semeadura e crescimento de distorções das doutrinas centrais da fé cristã que surge o livro A Cabana ² promovendo o liberalismo teológico e fazendo sucesso entre os evangélicos e a sociedade em geral.

Este artigo apresenta uma breve análise, à luz da Bíblia, sobre esse best-seller a fim de responder algumas indagações de muitos cristãos.
____________________________________ ¹ Brian McLaren. Uma ortodoxia generosa. Brasília. Editora Palavra. 2007. Este livro promove muitas das propostas denunciadas neste estudo.
² YOUNG, William P. A cabana. Rio de Janeiro. Editora Sextante. 2008.




I – Definições

Liberalismo teológico: Movimento da teologia protestante que surgiu no século XIX com o objetivo de modificar o cristianismo a fim de adaptá-lo à cultura e à ciência modernas.

O liberalismo rejeita o conceito tradicional das Escrituras Sagradas como revelação divina proposital e detentora de autoridade, preferindo o conceito de que a revelação é o registro das experiências religiosas evolutivas da humanidade. Apregoa também um Jesus mestre e modelo de ética, e não um redentor e Salvador divino.

Pluralismo religioso: A crença de que há muitos caminhos que levam a Deus, que há diversas expressões da verdade sobre ele, e que existem vários meios válidos para a salvação.

Relativismo: Negação de quaisquer padrões objetivos ou absolutos, especialmente em relação à ética. O relativismo propala que a verdade depende do indivíduo ou da cultura.

Teologia relacional (teísmo aberto): Conceito teológico segundo o qual alguns atributos tradicionalmente ligados a Deus devem ser rejeitados ou reinterpretados. Segundo seus proponentes, Deus não é onisciente e nem onipotente. A presciência divina é limitada pelo fato de Deus ter concedido livre-arbítrio aos seres humanos.


II – O livro A cabana

A história do livro

Durante uma viagem que deveria ser repleta de diversão e alegria, uma tragédia marca para sempre a vida da família de Mack Allens: sua filha mais nova, Missy, desaparece misteriosamente. Depois de exaustivas investigações, indícios de que ela teria sido assassinada são encontrados numa velha cabana.

Imerso numa dor profunda e paralisante, Mack entrega-se à Grande Tristeza, um estado de torpor, ausência e raiva que, mesmo após quatro anos de desaparecimento da menina, insiste em não diminuir.

Um dia, porém, ele recebe um bilhete, assinado por Deus, convidando-o para um encontro na cabana abandonada. Cheio de dúvidas, mas procurando um meio de aplacar seu sofrimento, Mack atende ao chamado e volta ao cenário de seu pesadelo.

Chegando lá, sua vida dá uma nova reviravolta. Deus, Jesus e o Espírito Santo estão à sua espera para um “acerto de contas” e, com imensa benevolência, travam com Mack surpreendentes conversas sobre vida, morte, dor, perdão, fé, amor e redenção, fazendo-o compreender alguns dos episódios mais tristes de sua história (Informações extraídas da orelha do livro).

O livro é uma ficção cristã, um gênero que cresce muito na cultura cristã contemporânea e comunica sua mensagem de uma forma leve e fácil de se ler. O autor, William P. Young trata de temas vitais para a fé cristã tais como: Quem é Deus? Quem é Jesus? Quem é o Espírito Santo? O que é a Trindade? O que é salvação? Jesus é o único caminho para Deus?


III – Pontos principais do livro³

1. Hostilidade ao cristianismo

“As orações e os hinos dos domingos não serviam mais, se é que já haviam servido... A espiritualidade do Claustro não parecia mudar nada na vida das pessoas que ele conhecia... Mack estava farto de Deus e da religião...” (p. 59).

“Nada do que estudara na escola dominical da igreja estava ajudando. Sentia-se subitamente sem palavras e todas as suas perguntas pareciam tê-lo abandonado” (81).

Resposta bíblica: Jesus disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra a sua Igreja (Mt 16.18).

2. Experiência acima da revelação

As soluções para os problemas da vida surgem de experiência extrabíblicas e não da Palavra de Deus. As alegadas revelações da “Trindade” são a base de todo o enredo do livro. Mesmo fazendo alusões às verdades bíblicas, elas não são a base autoritativa da mensagem.

3. A rejeição de Sola Scriptura

A Cabana rejeita a autoridade da Bíblia como o único instrumento para decidir as questões de fé e prática. Para ouvir Deus, Mack é convidado a ouvir Deus numa cabana através de experiências e não através da leitura e meditação da Bíblia Sagrada.

Resposta bíblica: Rm 15.4: “Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança”.

2 Tm 3.16, 17: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”.

A igreja não precisa de uma nova revelação mas de iluminação para entender o que foi revelado nas Escrituras.

4. Uma visão antibíblica da natureza e triunidade de Deus

Além de errar sobre a Bíblia, A Cabana apresenta uma visão distorcida sobre a Trindade. Deus aparece como três pessoas separadas, o que pode ser chamado de triteísmo.

O autor tenta negar isso ao escrever: “Não somos três deuses e não estamos falando de um deus com três atitudes, como um homem que é marido, pai e trabalhador. Sou um só Deus e sou três pessoas, e cada uma das três é total e inteiramente o um” (p. 91).

Young parece endoçar uma pluralidade de Deus em tres pessoas separadas: duas mulheres e um homem (p. 77). Deus o pai é apresentado como uma negra enorme, gorda (p. 73, 74, 75, 76, 79), governanta e cozinheira, chamada Elousia (p.76)).

Jesus aparece como um homem do Oriente Médio, vestido de operário, com cinto de ferramentas e luvas, usando jeans cobertos de serragem e uma camisa xadrez com mangas enroladas acima dos cotovelos, mostrando so antebraços musculosos. Não era bonito (p. 75).
________________________________
[1]³ Algumas idéias foram extraídas de um trabalho publicado por Norman Geisler: “Norm Geisler Takes “The Shack”to the Wood Shed. Acessado em 18 de dezembro de 2008. www.thechristianworldview.com


O Espírito Santo é apresentado como uma mulher asiática e pequena (p. 74), chamada Sarayu (p. 77, 101).

Resposta bíblica: Dentro da natureza do único Deus verdadeiro há três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. São três pessoas distintas, mas, não separadas como o livro apresenta. Além disso, o Pai e o Espírito Santo não possuem um corpo físico. Veja Jó 10.4; João 4.24 e Lucas 24.39.

5. A punição do pecado

O livro apregoa que Deus não castiga os pecados: “Mas o Deus que me ensinaram derramou grandes doses de fúria, mandou o dilúvio e lançou pessoas num lago de fogo. — Mack podia sentir sua raiva profunda emergindo de novo, fazendo brotar as perguntas, e se chateou um pouco com sua falta de controle.

Mas perguntou mesmo assim: — Honestamente, você não gosta de castigar aqueles que a desapontam”? Diante disso, Papai interrompeu suas ocupações e virou-se para Mack. Ele pôde ver uma tristeza profunda nos olhos dela.

— Não sou quem você pensa, Mackenzie. Não preciso castigar as pessoas pelos pecados. O pecado é o próprio castigo, pois devora as pessoas por dentro. Meu objetivo não é castigar. Minha alegria é curar. — Não entendo...”

Resposta bíblica:

A Cabana mostra um Deus apenas de amor e não de justiça. Apesar da Bíblia ensinar que Deus é amor, não falha em apresentá-lo como um Deus de justiça que pune o pecado:
“A alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18.4).

“Semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro” (Rm 1.27). “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23).

“E a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus” (2 Ts 1.7, 8). Cristo morreu pelos nossos pecados (1Co 15.3).

6. O milagre da encarnação

O livro apresenta uma visão errada da encarnação de Jesus Cristo: “Quando nós três penetramos na existência humana sob a forma do Filho de Deus, nos tornamos totalmente humanos.

Também optamos por abraçar todas as limitações que isso implicava. Mesmo que tenhamos estado sempre presentes nesse universo criado, então nos tornamos carne e sangue” (p. 89).

Resposta bíblica:

De acordo com a Bíblia, somente o verbo encarnou (Jo 1.14). Veja ainda Gl 4.4; Cl 2.9) e (1 Tm 2.5).

7. Jesus, o melhor ou único caminho para o Pai?

No livro, Jesus é apresentado como o melhor e não o único caminho para Deus: “Eu sou o melhor modo que qualquer humano pode ter de se relacionar com Papai ou com Sarayu” (p. 101).

Resposta bíblica:

A Bíblia é muito clara ao afirmar que Cristo é o único que pode salvar: Is 43.11; Jo 6.68; Jo 14.6; At 4.12 e 1 Tm 2.5.

8. Patripassionismo

O livro promove uma antiga heresia denominada patripassionismo, que é o sofrimento do Pai na cruz: “O olhar de Mack seguiu o dela, e pela primeira vez ele notou as cicatrizes nos punhos da negra, como as que agora presumia que Jesus também tinha nos dele.

Ela permitiu que ele tocasse com ternura as cicatrizes, marcas de furos fundos” (p. 86). “Olhou para cima e notou novamente as cicatrizes nos pulsos dela” (p. 92). “Você não viu os ferimento em Papai também”? (p. 151).

Resposta bíblica

A Bíblia mostra que foi Jesus quem sofreu na cruz e recebeu as marcas dos cravos e não o Pai ou o Espírito Santo. Veja João 20.20, 25, 28.

9. Universalismo

A Cabana promove o universalismo, isto é, que todas as pessoas serão salvas, não importa a sua religião ou sistema de crença.
“Os que me amam estão em todos os sistemas que existem.

São budistas ou mórmons, batistas ou muçulmanos, democratas, republicanos e muitos que não votam nem fazem parte de qualquer instituição religiosa. Tenho seguidores que foram assassinos e muitos que eram hipócritas. Há banqueiros, jogadores, americanos e iraquianos, judeus e palestinos” (p. 168, 169).

“Não tenho desejo de torná-los cristãos, mas quero me juntar a eles em seu processo para se transformarem em filhos e filhas do Papai, em irmãos e irmãs, em meus amados” (p. 169).

Jesus afirma: “A maioria das estradas não leva a lugar nenhum. O que isso significa é que eu viajarei por qualquer estrada para encontrar vocês” (p. 169).

Resposta bíblica

Não há base bíblica para tais afirmações. A Palavra de Deus ensina que não existe salvação fora de Jesus Cristo. Apesar do universalismo ser uma doutrina agradável, popular e que reflete a política da boa vizinhança, a Bíblia afirma que nem todos serão salvos: Veja Mt 7. 13, 14; 25.31-46; 2 Ts 3.2.


* Pastor presidente da ICT- Igreja Cristã da Trindade
Presidente da Agir- Agência de Informações Religiosas

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Bibliografia


EVANS, C. Stephen. Dicionário de apologética e filosofia da religião. São Paulo. Vida. 2004.
NICODEMUS, Augustus. O que estão fazendo com a Igreja. São Paulo. Mundo Cristão. 2008.
PIPER, John et alli. Teísmo aberto: uma teologia além dos limites bíblicos. São Paulo. Editora vida. 2006.
WILSON, Douglas (org.). Eu não sei mais em quem eu tenho crido: confrontando a teologia relacional. São Paulo. Editora Cultura Cristã. 2006.
YOUNG, William P. A cabana. Rio de Janeiro. Editora Sextante. 2008.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

ENGANADOS POR UM FALSO JESUS: AS "VERDADES" DISTORCIDAS DE A CABANA E UM CURSO EM MILAGRES

Autora: Berit Kjos

"Este livro tem o potencial de fazer na nossa geração aquilo que O Peregrino, de John Bunyan, fez na dele. É tão bom assim!" Eugene Peterson, autor de The Message (recomendação escrita na capa).


"Aqueles que me amam vem de cada credo que existe. Eles eram budistas ou mórmons, batistas ou muçulmanos... Eu não desejo torná-los cristãos, mas desejo reuni-los em sua transformação em filhos e filhas de meu papai, em meus irmãos e irmãs." O 'Jesus' de A Cabana [1, pág. 168].

"As tradições espirituais esotéricas — quer sejam dos místicos cristãos, dos cabalistas judeus, zen-budistas, sufistas islâmicos, ou iogues hinduístas — todas têm práticas específicas para ajudar os indivíduos a superarem essa grande 'ilusão de separação' e experimentarem o verdadeiro Eu Interior, que está em todos nós." [2, pág. 149] — Um Curso em Milagres, ditado e canalizado a Helen Schucman em 1977 por seu espírito-guia, que afirmava ser 'Jesus'.

"E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane; Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos."[Mateus 24:4-5].


Dois livros (um novo, outro velho) subitamente chamaram a atenção do público e conquistaram os corações das multidões. Um é longo e instrutivo — ditado por um espírito-guia. O outro é um testemunho fictício, cheio de conversas que fazem chorar. Um Curso em Milagres é claramente ocultista, enquanto a mensagem mais sutil de A Cabana, de William P. Young, tem sido amplamente aceita nas igrejas pós-modernas.

Os dois livros compartilham uma mensagem comum. Vi uma expressão bem clara dela em 1992. Ao folhear uma revista chamada Well-Being Journal (Jornal do Bem-Estar), observei essa "visão" novaerense do "guia interior" do autor:

"Muitos acreditam no mal, no pecado e nas forças tenebrosas. É seu objetivo ensinar o oposto, que é a verdade: não existe diabo, nem inferno, nem pecado, nem culpa, exceto na mente criativa da humanidade."

Ouvi opiniões parecidas no Fórum da Situação Mundial, organizado por Gorbatchev em 1997. Naquela época, a palestrante principal, Marianne Williamson, estava promovendo a Cabala, não Um Curso em Milagres. Embora aquelas "visões" novaerenses se encaixassem em ambos, elas são expressas mais enfaticamente em Um Curso em Milagres, que Williamson agora está popularizando nos EUA por meio do programa de rádio semanal de Oprah Winfrey.

A Cabana apela para uma negação similar da realidade. Mas muitos pastores e líderes de igrejas estão se deleitando em sua mensagem. Ao ignorar (ou redefinir) o pecado e a culpa, eles abraçam um "cristianismo" inclusivo, mas falso, que atrai multidões, porém distorce a Bíblia. Ao ignorar Satanás também, eles enfraquecem os alertas de Deus sobre o engano. Não é de se admirar que a armadura de Deus para a guerra espiritual de hoje se tornou uma das primeiras vítimas desse ataque cada vez maior à Verdade.

Roger Oakland, autor de Faith Undone (Fé Destruída), fez alusão à essa transformação em seu artigo "My Trip to the Rethink Conference" (Minha Viagem à Conferência Repensar):

"Durante quase dois mil anos, a maioria dos cristãos professos viu a Bíblia como o fundamento da fé cristã. No entanto, a visão geral na Conferência Repensar é que o cristianismo, como o conhecemos, percorreu seu caminho e precisa ser substituído... Os palestrantes insistiram que o cristianismo precisa ser repensado e reinventado, se quisermos que o nome de Jesus Cristo sobreviva aqui no planeta Terra." [3].

Não há lugar para o Jesus histórico? Temos de reimaginar Deus e fazer com que Ele se encaixe na igreja universal emergente?

Isso parece ser o objetivo do 'Deus' feminino de A Cabana. Aqui, ela está falando ao personagem principal, Mackenzie (Mack para abreviar):

"Eu aparecer a você como uma mulher e sugerir que me chame de papai, é simplesmente misturar metáforas, para ajudá-lo a não regredir tão facilmente ao seu condicionamento religioso." [1, pág. 83].

"Condicionamento religioso?" É assim que o autor Young vê o cristianismo bíblico?

É fácil ser persuadido pelos argumentos bem construídos desse autor. A Cabana é escrita como um testemunho pessoal que leva o leitor a diálogos virtuais com um 'Deus' divertido e culturalmente relevante. Contrastando com as lições claras e ocultistas de Um Curso em Milagres, A Cabana leva o leitor para dentro de experiências substitutivas num mundo de revelações e sensações. O único pecado aqui é a independência — o que Um Curso em Milagres chama de "separação" — recusar aceitar a unidade universal com 'Deus' e os homens. Sem se importar com as diretrizes bíblicas, A Cabana não oferece padrão algum para certo ou errado, de modo que não há necessidade real alguma do arrependimento bíblico. Ela se encaixa bem na visão popular de uma igreja unificadora e que não julga.

"— Então, como faço para entrar nessa igreja?" pergunta Mack.

"— É simples," responde o falso Jesus. "— Tem tudo que ver com relacionamentos e simplesmente compartilhar a vida... estar aberto e disponível aos outros ao nosso redor. Minha igreja tem tudo que ver com pessoas, e a vida tem tudo que ver com relacionamentos." [2, pág. 178].

Isso parece parcialmente verdadeiro, como a maioria das enganações espirituais! Por exemplo, Jesus Cristo criticou os fariseus que "examinavam as Escrituras" mas se recusaram a "vir" a Ele. Os examinadores pós-modernos de hoje são tão tolos como aqueles. Eles ignoram as passagens indesejáveis e, então, se concentram no 'Jesus' culturalmente adaptado de suas imaginações.

Em A Cabana, os leitores conhecem um 'Deus' permissivo que se "submete" às suas práticas humanas. Eles olham através do véu entre a vida e a morte, veem a alegria do além, e se comunicam com seus entes queridos — exemplos sutis de "invocação dos mortos", que a Bíblia condena em Deuteronômio 18:11. Mack podia ver as "auras" coloridas que indicavam maturidade espiritual entre os mortos, agora vivos. Ele até mesmo praticava viagem astral — ou "voava" o termo que a A Cabana utiliza — uma palavra popularizada por Maharishi Yogi muito tempo atrás. ("Mack tinha aprendido a voar dentro de seus sonhos — a subir até as nuvens...") [1, pág. 105]).

"Que habilidade poderosa é a imaginação!" disse o falso Jesus de A Cabana. Esse poder apenas o torna muito parecido conosco." [1, pág. 129].

As portas da igreja são alargadas para incluir quase todo mundo. A única exceção parece ser as pessoas "independentes" que se recusam a "se aproximar" desse 'Deus' universal. Isso não é cristianismo — esse 'Jesus' falso concordaria. Quando Mack lhe pergunta o que "significa ser um cristão," ele responde:

"— Quem falou alguma coisa sobre ser um cristão? Eu não sou um cristão.' A idéia atinge Mack de forma estranha e inesperada e ele não consegue deixar de rir. '— Não, eu suponho que você não seja.'" [1, pág. 168].

É claro que ele não é! A palavra "cristão" refere-se aos seguidores, não ao próprio Jesus, e ela sempre se chocou com as culturas modernas. Mesmo quando os discípulos foram chamados de cristãos pela primeira vez em Antioquia (Atos 11:26), a palavra era um termo depreciativo, usado pelos inimigos da igreja. Mas os cristãos, que alegremente reivindicaram esse nome, estavam dispostos a dar suas vidas para compartilhar aquela Palavra vitoriosa.

Reimaginando a Trindade

A Cabana começa com um contexto trágico. Quatro anos haviam transcorrido desde o assassinato cruel de Missy, a querida filha de seis anos de Mack. Envolto em sofrimento, ele recebe um estranho convite que dizia: "Sinto sua falta. Estarei na cabana no próximo fim de semana, caso você queira aparecer. Papai." O significava isto?

Duvidoso, mas atraído ao encontro, Mack vai às florestas do Oregon e encontra a velha e desgastada cabana. 'Deus' milagrosamente a transformara em um aconchegante chalé, e Mack se encontra com seu suposto criador:

"... a porta se abriu rapidamente, e ele estava olhando diretamente para o rosto radiante de uma mulher negra. Ele recuou instintivamente, mas foi lento demais. Com velocidade que não condizia com seu físico, ela percorreu a distância entre os dois e o agarrou em seus braços..." [1, pág. 82; tradução nossa].

"Assim que ela virou... uma pequena mulher asiática surgiu detrás dela... Então, ele olhou atrás dela e percebeu que uma terceira pessoa havia surgido... dessa vez um homem. Ele parecia ser do Oriente Médio." [1, pág. 74; tradução nossa].

"Quando eles finalmente pararam de rir, a mulher negra... disse: 'Bem, nós conhecemos você, mas provavelmente devemos nos apresentar... você pode me chamar do que Nan [esposa de Mack] me chama: Papai.'...

"'— E eu,' interrompeu o homem, que aparentava estar na casa dos trinta anos e estava um pouco mais perto de Mack. '... Eu sou hebreu...'

"De repente Mack ficou confuso com sua conclusão. "Então, você é..."

"— Jesus? Sim. E você pode me chamar assim se quiser.'"

"Mack ficou sem palavras... Bem quando ele estava prestes a cair de joelhos, a mulher asiática se aproximou e chamou sua atenção. '— E eu sou Sarayu [o Espírito Santo, Criatividade].' ela disse...

"Pensamentos se emaranhavam na cabeça de Mack, enquanto lutava para ver o que faria... Como havia três deles, talvez isso fosse algum tipo de Trindade... Mack relutantemente perguntou: '— Então, qual de vocês é Deus?'"

"'— Eu sou,' disseram os três em uníssono.'" [1, págs. 76-77; tradução nossa].

Os diálogos que se seguem reforçam essa nova visão de Deus. Eles fizeram Mack mergulhar numa reeducação espiritual, pois cada comentário contradiz sua compreensão prévia de Deus. Por exemplo, esse novo 'Jesus' nunca retornou ao céu. Não houve ressurreição de verdade? Não, segundo o 'Deus' feminino:

"— Embora por natureza ele seja plenamente Deus, Jesus é plenamente homem e vive como tal. Embora nunca tenha perdido a habilidade nata de voar [o que ele mostra no livro], ele escolhe a cada momento permanecer com os pés no chão. É por isso que seu nome é Emanuel, Deus conosco..." [1, págs. 89-90; tradução nossa].

Mas a Bíblia diz que Jesus retornou ao Seu trono celestial após a crucificação. Além disso, nem Deus, o Pai, nem o Espírito Santo se fizeram finitos ou visíveis ao homem. "Deus nunca foi visto por alguém..." disse o verdadeiro Jesus (João 1:18a). Mas aqui, vemos todos os três em forma humana — na Terra! 'Deus' explica:

"'— Sou completamente ilimitado por natureza... Vivo em um estado de satisfação eterna como meu estado normal de existência:' disse ela, bem contente. 'Apenas uma das vantagens de Eu ser Eu:'

"Aquilo fez Mack sorrir. Aquela mulher estava realmente se divertindo..."

"Nós os criamos para compartilhar disso. Mas, então, Adão escolheu trilhar seu caminho, como sabíamos que ele faria, e tudo ficou uma bagunça. Mas em vez de acabarmos com toda a Criação, arregaçamos as mangas e entramos no meio da bagunça — foi isso o que fizemos em Jesus... Quando nós três nos manifestamos em forma humana como o Filho de Deus, nos tornamos plenamente humanos. Também escolhemos abraçar todas as limitações que isso implica... carne e sangue." [1, págs.89; tradução nossa].

Negando a Autoridade de Deus, o Pecado e a Culpa

Os líderes das igrejas pós-modernas tendem a evitar palavras como "soberania" e "autoridade". Afinal, um Deus soberano que estabelece o padrão de moral para todos os tempos poderia causar divisão. Ele poderia impedir o propósito principal deles: relacionamentos inclusivos e "comunidade autêntica". A implicação total da cruz é intolerável àqueles que buscam uma porta larga e um caminho espaçoso. Mas o Jesus verdadeiro nos alertou:

"Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador... Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas." [João 10:1,7].

A trindade falsa de A Cabana rejeita a autoridade de Deus e troca a obediência a Ele por relacionamentos horizontais. Não é de se admirar que Mack esteja confuso quando pergunta: "— Por que o Deus do universo quereria se submeter a mim?"

"— Porque queremos que você se junte a nós em nosso círculo de relacionamentos," responde 'Jesus'. [1, pág. 133] Juntos, a 'trindade' explica:

"— Autoridade, como você geralmente a entende, é meramente a desculpa que os fortes usam para obrigar os outros a fazerem a vontade deles... Nós respeitamos suas escolhas cuidadosamente..." [1, pág. 113; tradução nossa].

"'— Vocês estão dizendo que eu não tenho de seguir as regras?'...

"— Sim. Com Jesus você não está sobe lei alguma. Todas as coisas são lícitas."

"— Vocês não estão falando sério! Você estão brincando comigo de novo, resmungou Mack."

"'— Filho,' interrompeu papai. 'Você ainda não ouviu nada.'"

"... impor regras [diz Sarayu]... é uma tentativa vã de criar certeza a partir da incerteza. Ao contrário do que você possa pensar, tenho grande apreço pela incerteza. As regras não trazem liberdade; elas só têm o poder de acusar.'" [1, pág. 190] [Um Curso em Milagres usa a palavra "atacar" em vez de "acusar"].

As diretrizes de Deus são na verdade uma "tentativa vã de criar certeza a partir da incerteza"? É claro que não! Fixar os valores imutáveis de Deus nas mentes de crentes fiéis não é uma "tentativa vã". Mas há muita incerteza para aqueles que acreditam numa Verdade relativa e Escrituras adaptáveis. Essa "incerteza" não pode estabelecer um fundamento firme para paz ou fé confiada! Na verdade, muitos pastores "cristãos" de hoje sofrem de dúvidas agonizantes — até mesmo sobre a existência de Deus! Mas isso não é nada, quando eles constróem seus ministérios sobre as areias movediças de "verdades" que agradam as pessoas, e não na sólida Rocha que é a Palavra de Deus.

Mandamentos bíblicos como "Não sede conformados com este mundo" e "Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem." (Romanos 12:2,9] já desapareceram de muitas igrejas. Isso deve agradar os fãs de A Cabana. Minando a realidade do pecado, da culpa e dos justos juízos de Deus, esse processo transformacional solapa qualquer compreensão verdadeira de nossa necessidade de discernimento, arrependimento ou da cruz. Nesse contexto, até mesmo a graça excelsa de Deus fica sem sentido!

Veja como o falso 'Deus' de A Cabana zomba do Deus verdadeiro:

"— Não sou controlador, um tipo de deusinho egoísta e exigente que insiste que tudo seja feito do seu jeito. Sou bom e só desejo o que é melhor para você. Você não conseguirá encontrar isso através de culpa ou condenação..." [1, pág. 116; tradução nossa].

"— Você nem sequer precisa de mim para criar sua lista de bem e mal. Mas você precisa de mim se tiver a vontade de parar essa busca insana por independência... Mackenzie, mal é uma palavra que usamos para descrever a ausência do Bem, assim como usamos a palavra trevas para descrever a ausência de luz... Ambos, mal e trevas, só podem ser entendidos em relação à Luz e ao Bem; eles nem sequer existem de verdade." [1, pág. 136; tradução nossa].

Um Curso em Milagres repete essas visões de autoridade, pecado e culpa:

"Pecado é insanidade... Pecado é a fonte de toda ilusão... Não existe pecado." [4].

"... a culpa é sempre totalmente insana, e não tem sentido..." [5].

"O Espírito Santo nunca ordena. Ordenar é assumir desigualdade, a qual... não existe." [2, pág. 103].

"... você deixou a crença nas trevas entrar em sua mente e, portanto, precisa de uma nova luz... A voz do Espírito Santo não ordena, porque não pode ser arrogante. Ela não exige, porque não busca ter controle." [2, pág. 76; tradução nossa].

"Não há culpa em você... Seu único chamado aqui é para devotar-se, com disposição ativa, à negação da culpa em todas as suas formas... Estamos todos unidos na Expiação... Assim, o mundo de separação desaparecerá... Pois a paz é o reconhecimento da pureza perfeita, da qual ninguém está excluído. Dentro de seu círculo santo estão todos que Deus criou como seu Filho." [2, pág. 282-283; tradução nossa].

Essas afirmações absurdas me fazem lembrar as sábias palavras do autor cristão Ray Yungen: "Satanás não está apenas tentando atrair as pessoas para o lado negro de um conflito bem versus mal. Na verdade, está tentando eliminar completamente o abismo que existe entre ele e Deus, entre o bem e o mal." [6].

Mas Deus diz: "Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor." [2 Coríntios 6:14-18].

"Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás." [7] [Deuteronômio 12:32].

Perdão Incondicional

Os dois livros mostram um tipo corrompido de perdão — o jeito do mundo de promover unidade e restauração longe da cruz. Mack não apenas aprende a "perdoar" a todos que o magoaram, ele também perdoa a "Deus". Como se Deus tivesse feito algo de errado!

Seguindo a mesma linha, o 'Jesus' de Um Curso em Milagres oferece uma amostra de teologia distorcida:

"Perdoe, e você verá isso diferentemente... Essas são as palavras que terminam com a ilusão de pecado, e livram a mente do medo. Essas são as palavras pelas quais a salvação chega a todo o mundo." [8].

Pode parecer muito amoroso afirmar salvação universal por meio do perdão humano. Mas isso não é bíblico! Esse falso 'Jesus' se afastou completamente da Palavra de Deus — a Palavra viva que é o verdadeiro Jesus (João 1:14). Qualquer um que chame a si mesmo de "Jesus", mas que rejeita essa Palavra, é falso!

Nosso Deus é Juiz e também é Amor. Como Ele também é Soberano e Santo, precisa lidar com a realidade do pecado. O pecado não pode simplesmente ser posto de lado ou justificado. A salvação é somente por meio da cruz bíblica, apesar das negações de Um Curso em Milagres e as enganações de A Cabana. Temos parte na expiação feita por Cristo (não uma expiação da Nova Era) por meio da fé bíblica, não por pressuposições positivas.

"Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo." [Gálatas 1:9-10].

Um processo evolutivo esconde a verdade imutável"

"Há um novo mundo que está surgindo..." escreve Tamara Hartzell, autora de In The Name of Purpose ('Em Nome do Propósito'). "Esse novo mundo é contra a verdade, contra o Senhor Jesus Cristo e contra Deus. Sua ascensão está ocorrendo por meio do poder e autoridade e enganação do deus deste mundo (o anjo de luz), que seduzirá facilmente as massas preparadas espiritualmente a adorar a ele e ao seu Enviado." [9; tradução nossa].

O relatório esclarecedor dela sobre "A Arca da Unidade da Nova Era" nos dá um resumo dessa crescente enganação:

· O relativismo está substituindo a verdade;

· O mundanismo está substituindo a santidade;

· O Novo Evangelho de paz com o mundo por meio da unidade está substituindo o Evangelho original de paz com Deus por meio do Senhor Jesus Cristo;

· A Nova Espiritualidade está substituindo a fé verdadeira que vem da Palavra de Deus;

· A união na diversidade por meio dessa unidade está substituindo a salvação pelo Senhor Jesus Cristo;

· O diálogo em busca da união e experiências espirituais estão substituindo a Palavra de Deus. [9].

Não é surpresa que apenas poucos cristãos percebem ou resistem a esse processo. Desde que John Dewey e Julian Huxley começaram a substituir a aprendizagem factual pela socialização subjetiva, nossa capacidade de discernir o erro foi afetada. Como Donna Garned disse: "Agora temos duas décadas de pessoas que passaram por uma doutrinação." [10].

Líderes dentro e fora das igrejas descobriram que experiências de grupos facilitados criam novas percepções, que produzem sentimentos correspondentes que estabelecem novas crenças. Esses passos são essenciais para a mudança. O "Deus" de A Cabana concorda:

"Os paradigmas afetam a percepção e percepções afetam as emoções... Portanto, verifique nossas percepções e, além disso, verifique a autenticidade de seus paradigmas — aquilo em que você acredita." [1, pág. 197].

"... religião se preocupa em ter as respostas certas... [ao contrário] Eu me preocupo com o processo que leva você à resposta viva." [1, pág. 198].

"Você não pode visualizar em sua mente algo que não pode experimentar." [1, pág. 201].

"É impossível não acreditar no que você vê", diz o 'Jesus' de Um Curso em Milagres, "mas é igualmente impossível ver aquilo em que você não acredita. As percepções são construídas sobre experiências, e a experiência leva às crenças. Quando as crenças são fixadas, as percepções se estabilizam. Então, de fato, você vê aquilo em que acredita." [2, pág. 207].

Assim como outras experiências virtuais, ler A Cabana desperta a imaginação das pessoas ingênuas. O livro implanta percepções que moldam novas crenças nas "mentes abertas". O que poucos percebem é que o fim desse processo será um pouco parecido com a história do Pinóquio. O tentador cruel prometera a Pinóquio todos os tipos de diversão e comida na "Terra dos Brinquedos". Mas quando chegou lá, ele se transformou em um burro e em um escravo.

No meio das enganações mortais de hoje, o Deus verdadeiro oferece esperança:

"Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." [João 8:31-32].

Leia também: N2302, "A Cabana e o Fermento da Nova Era"

Notas Finais

1. William Young, A Cabana (Windblown Media, 2007), http://www.theshackbook.com

2. Um Curso em Milagres, "ditado" por um espírito-guia demoníaco que se auto entitulava 'Jesus' (Foundation for Inner Peace, 1976), pág. 149.

3. Roger Oakland, "My Trip to the Rethink Conference," Janeiro de 2008,http://www.understandthetimes.org/commentary/c73.shtml

4. Um Curso em Milagres, O Que É Pecado?, emhttp://acim.home.att.net/workbook250a.html

5. Um Curso em Milagres, Livre da Culpa, em http://acim.home.att.net/text-13-11.html

6. Ray Yungen, A Time of Departing (Silverton, OR: Lighthouse Trails Publishing Company, 2002) pág. 101.

7. http://www.crossroad.to/HisWord/verses/topics/Word.htm#alter

8. Lição nº 193, http://acim.home.att.net/workbook193.html

9. Tamara Hartzell, "Você está sendo levado 'pelo erro dos íniquos' à Arca da Unidade da Nova Era?" fevereiro de 2008.

10. "Process over content,"http://www.crossroad.to/Quotes/brainwashing/2008/process-content.htm

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Jesus pode ser adorado como Deus?

Todos nós sabemos que somente a Deus se deve adorar. Somente Ele é digno de adoração. A adoração que não é dirigida a Deus, é idolatria, a qual é altamente condenada. Vemos estas coisas na Bíblia:

Respondeu-lhe Jesus: Está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás. Lucas 4.8

Guardai-vos para que o vosso coração não se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e os adoreis...Deuteronômio 11.16

Sendo assim, a adoração dirigida a qualquer outro ser ou objeto, que não seja Deus, é altamente condenada (Ex 20.4; Lv 26.1; Is 42.8). Por este motivo, se Jesus não fosse Deus, ele não seria e nem aceitaria adoração. Podemos verificar nas Escrituras as várias vezes em que Jesus é adorado, aceitando adoração:

Então os que estavam no barco adoraram-no, dizendo: Verdadeiramente tu és Filho de Deus."
Mateus 14.33

"E eis que Jesus lhes veio ao encontro, dizendo: Salve. E elas, aproximando-se, abraçaram-lhe os pés, e o adoraram."
Mateus 28.9

" E outra vez, ao introduzir no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem."
(Cf. Hb 1.6 na TNM - Ed. de 1967)

Jesus tanto é adorado, como aceita a adoração, e até o Pai ordena que os anjos o adorem. Esta é uma prova incontestável da divindade de Jesus. A STV, como não pode contestar isto, fez algo impressionante: alterou a Bíblia. Em todas as passagens em que Jesus é adorado, a STV substituiu adorar por "prestar homenagem".Parece ser uma acusação um pouco "forte", mas é a verdade.

A palavra grega que é traduzida para adorar, é proskyneo (se lê prosquinô). Proskyneo, se encontra relacionada ao Pai (Mt 4.10; Jo 4.24; Ap 7.11), a anjos (Ap 22.9), a homens (At 10.25), a Jesus (Mt 2.2, 8.2, Jo 9.38), e a ídolos (At 7.43). Esta mesma palavra, traduzida por adorar se referindo ao Pai, quando se refere a Jesus, a STV muda para prestar homenagem. Isto demonstra claramente que quando a Bíblia não sustenta uma crença da STV, ela (a Bíblia), é "adequada" a crença.

Uma prova clara disto, é que a TNM, edição de 1967, trazia em Hb 1.6 a palavra "adorar", mas na edição posterior, mudaram a tradução para "prestar homenagem". Esta é apenas uma das várias corrupções de texto da TNM.

Jesus é adorado, da mesma forma que o Pai é adorado. Jesus pode ser adorado, por que ele é Deus!

Inclusive, Charles Taze Russell e Rutherford (os dois maiores lídereres e presidentes das TJs) disseram que Jesus recebeu corretamente adoração - sabiam? (Cf. A Sentinela, 01/01/1906 - Pg. 15 ... Sentinela 01/12/1916, pg. 377, volume encadernado em Inglês).

E agora, será que as TJs teria coragem de dizer que seus fundadores são idólatras?

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Benny Hinn é um profeta de Deus?

Não há no mundo todo um conferencista (conferencista?) tão famoso quanto Benny Hinn. É ele um profeta de Deus, um pregador da Palavra? Ou um falso profeta, um animador e manipulador de auditórios? Suas pregações costumam ter conteúdo evangelístico? Enfocam o nome de Jesus? Como se sabe, o ponto alto de suas ministrações são algumas manifestações estranhas, que ocorrem, segundo ele, devido à "nova unção" que está sobre a sua vida.

As opiniões sobre a “nova unção” propagada por Hinn são divergentes. Alguns, afirmando que não se pode limitar o poder de Deus, a defendem com veemência. Outros consideram a cena de uma pessoa caída ao chão ou rolando pelo piso de um templo, no mínimo, grotesca. O assunto é polêmico e, por isso, deve ser abordado de maneira franca, objetiva e à luz da Palavra de Deus.

O "CAIR NO ESPÍRITO"

As argumentações “bíblicas” para se defender o “cair no Espírito” são as seguintes, resumidamente: “Em Gênesis 2.21, Deus fez Adão dormir. Por que ele não faria, hoje, o crente dormir, ao ser cheio do poder? Da mesma forma, Abraão ouviu Deus falar quando estava em profundo sono (Gn 15.12). Finalmente, Daniel, Saulo e João caíram pelo poder do Senhor (Dn 10.8,9; At 9.4-8; Ap 1.17)”.
No primeiro exemplo, Deus fez Adão dormir para formar a mulher (Gn 2.22). No caso de Abraão, o sono não foi proveniente de Deus. Ele estava cansado, depois de ficar em pé aguardando uma resposta do Senhor, que aconteceu por meio de uma tocha de fogo (Gn 15.13-21). Nenhum dos episódios, pois, fornece base para o “cair no Espírito”. Aliás, há também exemplos negativos, como o do dorminhoco Êutico (At 20.9), que inclusive estava em um culto...
As quedas de Daniel, Saulo e João também não proporcionam bons argumentos aos defensores da “nova unção”. Daniel contemplou uma grande visão, depois de jejuar durante três semanas (Dn 10.1-3). Paulo viu uma forte luz, que cegou os seus olhos (At 9.8,9). E João viu Jesus em sua glória (Ap 1.10-18). Nessas circunstâncias, seria impossível permanecer de pé. Observe que, em todos esses casos, nenhum servo de Deus foi lançado ao chão, mas caíram por terem perdido as forças ante a presença real do Senhor.
Os textos empregados para defender o “cair no Espírito” são inconsistentes à luz de seus contextos. Por essa razão, é importante ver o outro lado da moeda. Em primeiro lugar, segundo a Bíblia, Deus nos quer de pé (Ez 2.1; 11.1; Mc 10.49; Ef 5.14).
Em contraposição, quem gosta de lançar as pessoas ao chão é o Diabo (Mc 9.17-27; Lc 4.35). Jesus e seus apóstolos nunca impuseram as mãos sobre pessoas para levá-las ao chão.
Mas a prática da “queda espiritual” já está ocorrendo em muitas igrejas. Curiosamente, alguns “ministradores” de tal prática, como este articulista já presenciou, seguram as pessoas com uma das mãos na testa e a outra na parte inferior das costas, tornando a queda inevitável. Ora, se a pessoa cai de poder, por que forçar a sua queda? E sempre há obreiros para ampará-las...
Há também casos em que pessoas são derrubadas à distância, curiosamente da mesma maneira que ocorre em algumas seitas anticristãs. Assistam ao vídeo Verdade ou Mito? (volume 2), produzido pela National Geographic, Editora Abril.

BENNY HINN IMITA A CRISTO?

Na verdade, tanto o “cair no Espírito” quanto a “unção do riso” são práticas importadas dos EUA, especialmente trazidas por Benny Hinn, recordista em vendagem de livros, que já esteve no Brasil algumas vezes, “ministrando milagres” através de sopros e golpes de paletó. Hinn, pastor do Centro Cristão de Orlando, na Flórida (EUA), leva inúmeras pessoas a caírem ao chão supostamente pelo poder de Deus.
Benny Hinn derruba muitas pessoas. Há vídeos no YouTube em que vemos até filas de pessoas para receberem o golpe de seu "paletó mágico". Mas, se de fato a unção de Deus está sobre sua vida, por que ele não levanta pelo menos uns 10% de paralíticos, em relação ao grande número de pessoas que ele derruba?
Quando andou na Terra, o Senhor Jesus levantou vários paralíticos e não derrubou a ninguém. Hinn derruba milhares e não levanta nenhum paralítico... Por quê?
O Senhor Jesus nunca fez propaganda dos milagres que realizava e glorificava o Pai em tudo. No caso de Hinn, todos os holofotes estão voltados para ele. Como diria um famoso jogador de futebol, ele é "o cara".
Curiosamente, os pregadores brasileiros que têm o senhor Benny Hinn como modelo são imodestos, vestem-se como astros, derrubam pessoas e são capazes de pregar (pregar?) uma hora sem citar o nome de nosso Senhor Jesus Cristo!

CONHEÇA BENNY HINN

Infelizmente, muitos crentes, por não conhecerem toda a verdade acerca de Benny Hinn, consideram-no um verdadeiro deus, um profeta do Altíssimo, especialmente ungido para os últimos dias. Os fatos descritos abaixo são duras realidades, mas que devem ser levadas em consideração por aqueles que, cegamente, têm seguido aos ensinamentos de Hinn:

1)
Ele declarou que Jesus “... assumiu a natureza de Satanás, para que todos quantos tinham a natureza de Satanás pudessem participar da natureza de Deus”. Esta declaração blasfema é citada no excelente trabalho crítico de Hank Hanegraaff, Cristianismo em Crise, editado pela CPAD (p.166).
2) Afirmou que o Espírito Santo lhe revelou que as mulheres foram originalmente criadas para dar à luz pelo lado. Todavia, por causa do pecado, passaram a dar à luz pela parte mais baixa de seu corpo (idem, p.373).
3) Ensina que o homem é um pequeno deus. E afirmou: “Eu sou ‘um pequeno messias’ caminhando sobre a Terra” (idem, p.119).
4) Asseverou que o homem, em princípio, voava da mesma forma que os pássaros. Segundo ele, Adão podia voar até à lua pela sua própria vontade: “Adão era um superser (...) costumava voar. Naturalmente, como poderia ter domínio sobre as aves, sem ser capaz de fazer o que elas fazem?” (idem, p.128).
5) Hinn costuma visitar os túmulos de duas santas mulheres, Kathry Kuhlman e Aimee S. McPherson, para receber a “unção” que flui de seus ossos (idem, p.373).
6) Em seu livro Good Morning, Holy Spirit (p.56), Hinn afirma que, em uma de suas supostas conversas com o Espírito Santo, o Consolador teria implorado para que ele ficasse em sua presença: “Hinn, por favor, mais cinco minutos; apenas mais cinco minutos”. Não somos nós que devemos implorar pela presença do Espírito?
7) Ele ensina que a Trindade é composta de nove pessoas, pois o Pai, o Filho e o Espírito Santo possuem, cada um, espírito, alma e corpo (citado em Cristianismo em Crise, p.375).
8) Ao ser criticado, disse que gostaria de ter “uma arma do Espírito” para explodir a cabeça de seus críticos. Além disso, profere palavras funestas contra aqueles que refutam suas heresias. As ameaças abaixo, extraídas do livro supracitado (p.376), foram dirigidas ao Instituto Cristão de Pesquisas dos EUA:

“Agora eu estou apontando meu dedo para vocês com o tremendo poder de Deus sobre mim... Ouçam isto! Existem homens e mulheres no sul da Califórnia me atacando. É sob a unção que lhes falo agora. Vocês colherão o que estão semeando em suas próprias crianças se não pararem... E seus filhos e filhas sofrerão” (...)
“Vocês estão me atacando no rádio todas as noites —
vocês pagarão e suas crianças também. Ouçam isto dos lábios dum servo de Deus. Vocês estão em perigo. Arrependam-se! Ou o Deus Altíssimo moverá a sua mão. Não toqueis nos meus ungidos...”

9) Hinn concordou em tirar alguns erros do livro Good Morning, Holy Spirit (Bom Dia, Espírito Santo), depois de uma conversa com Hank Hanegraaff (presidente do ICP dos EUA), em 1990. No ano seguinte, admitiu seus erros e prometeu fazer alterações em seus escritos. Entretanto, depois de algumas semanas, retornou às suas velhas práticas (idem, p.375).
10) Defendendo a teologia da prosperidade, pela qual afirma que a pobreza é uma maldição, disse que Jó era carnal e mau (idem, p.103), ignorando o enfático testemunho de Deus acerca de seu servo: “Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem sincero e reto, temente a Deus, e desviando-se do mal” (Jó 1.8).
11) Defensor também da falaciosa confissão positiva, declarou: “Nunca, jamais, em tempo algum, vão ao Senhor e digam: ‘Se for da tua vontade...’ Não permitam que essas palavras destruidoras da fé saiam da boca de vocês”. (idem, p.295). Hinn ignora o fato de o próprio Cristo ter ensinado e empregado tal forma de oração (Mt 6.10; 26.39).

Diante do exposto, é Benny Hinn um profeta de Deus? Antes de responder a essa pergunta, leia atentamente Mateus 7.15-23. Bem, agora é com você: reflita e responda, com toda sinceridade e imparcialidade, à pergunta em apreço.

Ciro Sanches Zibordi